sexta-feira, 3 de julho de 2015

Morre o "Schindler inglês", que salvou 669 crianças na Segunda Guerra

Em 2014, Winton foi condecorado com a mais alta honraria na República Tcheca por ter salvo crianças judias
Nicholas Winton, conhecido como o "Oskar Schindler" inglês por ter salvado 669 crianças dos horrores nazistas da Segunda Guerra Mundial, morreu nesta quarta-feira (1º), aos 106 anos.
Segundo seu cunhado, Stephen Watson, Winton morreu enquanto dormia no hospital Wrexham Park, em Slough, no Reino Unido.
O mundo perdeu um grande homem. Não podemos esquecer jamais a humanidade demonstrada por Sir Nicholas Winton ao salvar tantas crianças do Holocausto", reagiu o primeiro-ministro britânico David Cameron em sua conta no Twitter.
"Ele sempre será um símbolo da coragem, de profunda humanidade e incrível humildade", declaru por sua vez o primeiro-ministro tcheco Bohuslav Sobotka, também no Twitter.
Considerado uma lenda viva, o britânico recebeu diversas homenagens por ter organizado os "trens da vida", entre o leste europeu e o Reino Unido.
Antes de a Segunda Guerra Mundial começar, durante uma viagem a Praga na então Tchecoslováquia, Winton percebeu o risco que os refugiados provenientes de áreas recém-anexadas pela Alemanha nazista estavam correndo e decidiu agir para uma evacuação em massa. 
O inglês trabalhou em duas frentes. Por um lado, organizou oito trens e persuadiu os alemães a não bloquearem a operação. Por outro, fez uma intensa campanha nos jornais ingleses para encontrar famílias que pudessem receber as crianças, em sua maioria judias. Voltando para Londres, continuou com sua missão até setembro de 1939, quando a Segunda Guerra começou.
Os "meninos de Winton" e seus descendentes vivem agora na Grã-Bretanha, Israel, Canadá e muitos outros países.
A história do "Schindler britânico" foi contada pela primeira vez há 50 anos, quando sua esposa, Greta, encontrou guardado um álbum com fotos do período em que o marido havia estado em Praga. 
Contribuição de Guilherme Michel, fonte uol notícias.


quarta-feira, 24 de junho de 2015

TEXTO DE APOIO: A CRISE DA OLIGARQUIA BRASILEIRA



Oligarquia: governo concentrado nas mãos de poucos que, em geral, agem em benefício de seus próprios interesses.

  Panorama

  Até 1919: predomínio das elites paulista e mineira sobre a vida política nacional (café-com-leite).
Década de 1920: mudanças significativas abriram espaço para o fortalecimento de novos grupos sociais e idéias. Os governos oligárquicos continuaram a priorizar a economia agroexportadora e deixavam de lado os interesses dos grupos surgidos no processo de industrialização e urbanização.
 Resultado: Revolução de 1930, movimento armado que colocou fim na hegemonia das oligarquias, mas não das estruturas oligárquicas de poder.

  Fatores que contribuíram para a crise da República Velha:

 O crescimento urbano: as classes urbanas que surgiram com a industrialização
     Uma burguesia industrial (composta pelos ex-cafeicultores que passaram a ter duas fontes de renda), que queria uma menor dependência da indústria estrangeira e investimento na indústria nacional.
        Operariado: maior parte de imigrantes que passa a se organizar para exigir leis trabalhistas do governo. Começam influenciados pelo anarquismo, mas em 1917 passam a ser, predominantemente, socialistas (porque passaram a enxergar o socialismo como uma ideologia que se concretiza quando vêem a Revolução Russa de 1917). Queriam melhores condições de vida e de trabalho.
        Classes médias urbanas: ligadas ao setor de serviços e uma classe intelectual. Queriam uma política industrial, social e moralização da política a favor do voto secreto.

A fundação do Partido Comunista do Brasil (PCB) – 1922
        Influencia sobre o movimento operário.

A política de valorização do café: não atendia aos interesses das oligarquias dissidentes

    Movimentos das novas classes urbanas

 Politicamente: o movimento tenentista e a revolução de 1930
 Socialmente: o movimento operário
Artisticamente: o movimento modernista.

     Modernismo
           
  Conjunto de movimentos de renovação cultural e artística, cujo ponto culminante foi a Semana de Arte Moderna (1922). Sentia-se necessidade de uma cultura nova e de um sentimento de nação. Queriam construir a identidade nacional, respeitando as diferenças regionais do país.

    Tenentismo

  Movimento da jovem oficialidade brasileira de contestação às instituições da República Velha. Tinha caráter elitista. Acreditavam que o caminho para salvar a pátria era a tomada do poder.
  Os tenentes se indispuseram com a alta oficialidade e acusaram a cúpula do Exército de estar a serviço das oligarquias dominantes.
  Apesar da preocupação com a miséria popular, não acreditavam que o povo, despreparado, fosse capaz de lutar pelos próprios interesses. À frente da luta deveriam estar, portanto, os jovens oficiais.
 Propostas: Voto secreto, acabando com o voto de cabresto, e que a Comissão Verificadora não manipulasse as eleições.
Estabilidade financeira, diminuindo a dívida externa do país.
Proteção do governo para todos os produtos nacionais, não só o café, mas também a indústria.


    Os governos, o país e a Revolução de 1930

  • 1919: política de valorização do café, empréstimos no exterior, aprofundamento da crise econômica. Capital norte-americano preponderante no Brasil.
  • 1922: presidente Artur Bernardes (mineiro) recorre à repressão para garantir a manutenção da ordem oligárquica. Governo marcado pelo surgimento do movimento tenentista.
  • 1926: Washington Luís presidente (paulista). A crise do 1929 (EUA) abala profundamente o final de seu governo. Situação piora quando Washington Luís se nega a apoiar o candidato mineiro que deveria sucedê-lo e opta pelo paulista Júlio Prestes. A idéia era garantir a continuidade da política de valorização do café. Ocorre o rompimento da alternância do poder entre mineiros e paulistas. A oposição se une na Aliança Liberal (oligarquias dissidentes de MG, RS e PB) e lança a candidatura de Getúlio Vargas com o paraibano João Pessoa para presidente e vice. Vitória de Julio Prestes por meio de fraudes, voto do cabresto. Descontentamento popular, assassinato de João Pessoa criam situação difícil para a elite cafeicultora dominante no poder.
  • 1930: a chamada Revolução de 1930 acontece. Revolta armada que levou à deposição do presidente Washington Luís. Poder entregue a Getúlio Vargas em novembro (um mês após). Inicia-se a chamada República Nova.