sexta-feira, 1 de julho de 2016

INTOLERÂNCIA

Você gosta do partido A ou B? Cuidado. Provavelmente a resposta pode gerar algum tipo de discórdia. É cada vez mais comum no Brasil brigas por causa de partidos ou posições políticas. Militantes são hostilizados nas ruas, políticos são vaiados em locais públicos e amizades se desfazem na rede social.
Um episódio recente envolveu o cantor Chico Buarque, agredido em frente a um restaurante no Rio de Janeiro por um grupo de pessoas contrárias ao PT. 
A saída seria deixar de falar de política? Certamente não.
A palavra política surge na Grécia Antiga como uma tradição que estimula o debate e a liberdade no pensar e no agir. Uma cultura democrática é uma cultura do diálogo. A democracia é um sistema de governo baseada no diálogo da sociedade civil. O problema é quando não existe o debate de ideias, mas o pensamento único que leva ao ódio e ações violentas. 
O radicalismo do debate político é apenas uma das faces da intolerância da sociedade brasileira. Basta espiar as notícias e perceber a violência contra o outro em diversas esferas: uma apresentadora de TV foi ofendida na internet por ser negra. Nas favelas do Rio de Janeiro, traficantes convertidos em evangélicos proíbem umbanda e candomblé em territórios que estão sob seus domínios. Em São Paulo, motoristas do aplicativo Uber foram agredidos por taxistas.
A tolerância acontece quando existe uma convivência respeitosa entre as diferenças. Já a intolerância é um comportamento que se materializa pela violência física ou simbólica, motivada pelo ódio ao outro. Trata-se de uma violência que é usada no cotidiano contra pessoas e povos, baseada na dificuldade de entender e aceitar as diferenças. Ela pode ser étnica, política, de gênero, de classes, religiosa, sexual, cultural e social. O desafio do mundo contemporâneo é o de que todas essas identidades consigam conviver juntas e em paz. 
A lista de crimes e barbáries contra a humanidade baseada na intolerância é vasta. Basta recordar a inquisição da Idade Média, a escravidão, o holocausto judeu, este último, apenas um dos conflitos motivados pela intolerância religiosa e o racismo no século 20. 
No século 16, a palavra tolerância tinha uma carga negativa. Tolerar era sofrer ou suportar pacientemente um mal necessário. Por outro lado, a intolerância designava uma virtude, uma espécie de integridade moral ou firmeza para com os preceitos morais. 
A noção de tolerância que temos hoje tem raízes no Iluminismo. Em 1689, o filósofo inglês John Locke (1632-1704) escreveu a Carta sobre a Tolerância, que trouxe importantes argumentos na defesa da tolerância. 
Naquela época, eram comuns massacres recíprocos entre católicos e protestantes na Europa. Na Carta, Locke defende a preservação de certos direitos dos indivíduos e afirma que os homens não têm o direito de infligir tortura por motivo religioso.
Locke rejeita a conversão da fé à força. Ele acredita que ninguém pode mudar sua fé pelo simples comando de outro. Para ele, as perseguições religiosas provocam ainda mais intolerância. Por outro lado, o respeito pela consciência alheia disseminaria a paz na sociedade. 
As reflexões dos filósofos iluministas influenciaram a criação de leis que reconhecem todos como iguais. Após a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, a ONU assinou a Declaração Universal dos Direitos do Homem. O primeiro artigo da Declaração diz que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Os indivíduos têm direitos porque são seres humanos, e não por sua condição social. 
Constituição brasileira também assegura que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza e garante aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. 
A importância da alteridade 
A palavra alteridade, originária do latim possui o prefixo alter (o outro) que significa compreender o lugar do outro e ter consciência que ele existe. A convivência com a alteridade é uma forma de pensar, escutar e dialogar com o outro. 
No entanto, o exercício da alteridade não é fácil. Começamos a olhar o outro como um estranho, mas não como um “outro”. A visão de alteridade é ser capaz de olhar o outro como um sujeito visível, próximo, e não como um inimigo. Sair de sua própria visão de mundo para entrar na existência da outra pessoa. 
Hannah Arendt (1906-1975) acreditava que a pluralidade fazia parte da condição humana. Para ela, não nascemos iguais, mas nos tornamos iguais. A igualdade seria uma construção que poderia existir somente na esfera pública da vida, na liberdade pública e no acesso a direitos. Arendt reconhece que o totalitarismo obstrui a experiência do outro, para focar na dominação e supressão do outro. Quando o mundo perde a capacidade de relacionar as pessoas, o poder cede lugar à força e à violência. Nesse caso, o sujeito cidadão desaparece. 
A questão da alteridade é investigada pelo filósofo lituano Emmanuel Lévinas (1906-1995). Para ele os homens contemporâneos mantêm suas relações com o próximo de uma forma egoísta e sem responsabilidade, preocupando-se apenas com o seu ser.
Lévinas acredita que nosso papel não é complementar ou somar com o próximo, mas simplesmente entender que não estamos sozinhos no mundo e que precisamos ter responsabilidade e uma relação ética com o Outro, independente de quem seja. É necessário não um olhar de medo, mas de respeito em relação ao espaço do outro. 
Intolerância política e à diversidade humana 
Para o cientista político italiano Norberto Bobbio (1909-2004), a intolerância que se baseia na crença da verdade absoluta é, em geral, de caráter religioso ou político. A tolerância seria, assim, uma forma de prevenção contra o dogmatismo, para que este não vire fanatismo (pessoal), fundamentalismo (religião) e totalitarismo (Estado).
Os fundamentalistas de qualquer religião querem impor um único modelo de vida, num mundo onde prevalece a pluralidade. Bobbio ressalta que o fascismo, centrando-se no autoritarismo do poder político, não admite as discussões que podem fazer prevalecer a razão. Só existem tolerância e intolerância em sociedades livres. Numa sociedade de pensamento único, não existe a possibilidade de livre escolha dos cidadãos. Nesse contexto, todos que se opõe a esse pensamento único são considerados inimigos e contra eles é exercida a intolerância em diversos graus, da exclusão ao uso da violência. Mas em uma sociedade livre, o diálogo é uma prática de não-violência. 
Já a intolerância que se baseia em diferentes tipos de preconceitos tem como característica atentar contra a diversidade humana. Do ponto de vista de sua origem, a palavra preconceito significa pré-julgamento, ou seja, ter uma conclusão sobre alguma coisa que ainda não se conhece. Na prática, a palavra preconceito foi consagrada como um pré-julgamento negativo a respeito de uma pessoa ou de alguma coisa.
Para Michael Walzer, intelectual e pensador norte-americano, “a coexistência pacífica de grupos de pessoas com histórias, culturas e identidades diferentes” é o próprio conceito de tolerância. Walzer identifica e classifica diferentes posturas como tolerância. Assim, encontra quatro possibilidades que são comumente relacionadas à tolerância: 1) aceitação resignada da diferença; 2) indiferença bondosa em relação aos outros; 3) reconhecimento dos direitos dos diferentes e 4) abertura e curiosidade para com a alteridade (ideia de que todo o homem social interage e interdepende do outro, agindo de forma a considerar sempre o outro). 
Tolerar a intolerância? 
O pensador Karl Popper (1902-1994) acreditava que a intolerância não devia ser tolerada. Devemos, portanto, reivindicar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar os intolerantes. Essa formulação não implica que devemos sempre suprimir as filosofias intolerantes, contanto que possamos combatê-las por argumentos racionais.
Ele apresenta uma interessante síntese de sua teoria da falsificabilidade científica a partir de três princípios: 1) Eu posso estar errado e você pode ter razão; 2) Conversando racionalmente sobre as coisas talvez nós possamos corrigir alguns de nossos enganos e 3) Se discutirmos racionalmente sobre as coisas, talvez ambos possamos ficar mais próximos à verdade. 
Para Popper, a intolerância é fruto de um processo de diálogo que favorece a compreensão da razão. Assim, o diálogo não é a conversa entre iguais, mas a conversa real e concreta entre diferenças que evoluem na busca do conhecimento. No caso de preconceito contra as diferenças, a intolerância se torna ação necessária, o que sugere que a tolerância deve existir até certo limite. Mas como definir esse limite?

O escritor israelense Amós Oz, para quem a tolerância é a questão fundamental do século 21, propõe uma pergunta para pensarmos a relação tolerância/intolerância: “A tolerância deve se tornar intolerante para se proteger da intolerância?”. (Fevereiro - 2016)
Carolina Cunha.

O COMPLEXO DAS PIRÂMIDES DE GIZÉ

Construído 3 mil anos antes de Cristo, na margem oeste do rio Nilo, o complexo de Gizé homenageia os antepassados da nobreza. Veja como ele era no seu auge
1) Pirâmides das rainhas (conjunto 1)
Estão ao sul da pirâmide de Miquerinos. Especula-se que foram feitas para abrigar as esposas dos faraós. Apesar do nome, apenas a que está no lado leste é uma pirâmide legítima, com as faces lisas. As outras são feitas de degraus
 2) Pirâmide de Miquerinos
É a menor das três pirâmides do complexo, com apenas 65 m de altura. Ali está enterrado o faraó Miquerinos, filho de Quéops, que reinou entre 18 e 28 anos. Ficou pronta em 2490 a.C.
3) Pirâmide-satélite
Localizada ao sul da pirâmide de Quéfren, foi feita para armazenar objetos de adoração. Não sobreviveu ao tempo e hoje só sobraram suas fundações
 4) Pirâmide de Quéfren
Construída por outro filho de Quéops, foi terminada em 2530 a.C. É a segunda maior de Gizé, com 143,5 m de altura, mas parece ser a mais alta porque foi construída numa área elevada. Quéfren foi o quarto faraó da quarta dinastia e dizem que a esfinge tem suas feições
5) Grande Pirâmide
É a principal construção de Gizé e túmulo de Quéops, segundo faraó da quarta dinastia, que reinou de 2551 a 2528 a.C. Tem 147 m de altura e foi a única das sete maravilhas da Antiguidade a sobreviver até os dias de hoje. Levou 20 anos para ficar pronta
 6) Pirâmides das rainhas (conjunto 2)
Não se sabe ao certo quais rainhas estavam aqui. Talvez a mãe de Quéops, já que alguns de seus pertences foram achados perto da construção mais ao norte
7) Esfinge
Além dela, há também um templo logo ao lado, construído da mesma maneira: esculpido em rochas de calcário
8) Templo do Vale de Quéfren

Ligado à pirâmide por uma plataforma, recebeu o corpo desse faraó antes de ele ser enviado ao seu destino final. Tinha a forma de um pátio cercado por 24 pilares organizados no eixo oeste-leste - segundo alguns historiadores, eles representavam as horas do dia.


quinta-feira, 30 de junho de 2016

Pânico, bombas e sequestros


O que vem à sua cabeça quando a palavra “terrorismo” é citada? Possivelmente imagens de horror como explosões a bomba, sequestros, aviões se chocando contra prédios. Talvez um inimigo cuja face não apareça e que possa ser qualquer pessoa comum.
A história está repleta de atentados terroristas. Os mais recentes que chocaram o Ocidente aconteceram em Paris: os ataques ao jornal francês Charlie Hebdo em janeiro de 2015 e a série de ataques coordenados, com explosões e tiroteios em seis diferentes locais da cidade em novembro do mesmo ano.
Os dois atentados foram assumidos pelo Estado Islâmico (EI). Em nota, o grupo radical islâmico afirma que os atentados são retaliações motivadas pela participação do país europeu na coalizão contra o grupo na Síria e no Iraque. A França declarou que está em guerra com o grupo.
O Estado Islâmico é a face mais temida do terrorismo hoje. O grupo ocupou territórios da Síria e do Iraque, onde anunciou um califado islâmico. Sua luta é contra o modo de vida do Ocidente e pela unificação dos muçulmanos em um território. Seus atos são conhecidos pela crueldade como massacres em massa, decapitação de “infiéis” e a destruição de patrimônios da humanidade.
Existem dezenas de grupos terroristas espalhados pelo mundo, como os jihadistas da Al-Qaeda, com células no Oriente Médio e na Europa, e do Boko Haram, que atua na Nigéria. Outros grupos optaram pelo uso da violência e ataques terroristas como ação tática de uma causa, como os separatistas do ETA, do País Basco, e os católicos do IRA, da Irlanda.
Mas como definir o que é terrorismo? Ainda não existe uma definição ou conceito universal. Pode-se dizer que o terrorismo é o uso do medo e da violência contra pessoas ou coisas, como forma de atuação política. Ao suscitar esse sentimento de pavor na sociedade, o terrorismo enfraquece politicamente governos, Estados ou o poder estabelecido.
As definições de terrorismo são tão imprecisas que alguns grupos são considerados terroristas por alguns países e não por outros. Os manuais do Exército dos EUA, por exemplo, definem terrorismo como “a ameaça calculada ou uso da violência para obter metas políticas, religiosas ou ideológicas, conduzidas através da intimidação e da disseminação do medo”.
Outra questão é que conceituar o que é um terrorista pode ser subjetivo do ponto de vista pessoal. Em geral, o terrorista é sempre visto a partir da visão do “outro”. Provavelmente um militante do Estado Islâmico não se reconheça como terrorista, mas como um “guerreiro da liberdade”.
Os EUA, por exemplo, reconhecem as FARC (Forças Revolucionárias da Colômbia) como um grupo terrorista sustentado pelo tráfico de drogas. Outras visões reconhecem o grupo como guerrilheiros da luta armada que atacam postos militares e a infraestrutura do Estado colombiano.
Por essa visão, a guerra de guerrilha ou a luta armada são consideradas ações táticas de violência relacionadas a um grupo de pequena escala para atingir forças maiores. A principal diferença da luta armada é que seus principais alvos não são os civis. Ela pode ser interpretada como uma tática usada por grupos radicais para tentar derrubar governos.
O limite sobre o que é ou não terrorismo ainda é mais nebuloso quando é interpretado fora da questão de ameaça a um Estado. Por exemplo, uma organização de defesa dos direitos dos animais que invade um laboratório farmacêutico pode ser considerada terrorista? Certamente ela pode ter cometido um crime. Em que ponto ela foi longe demais e deixa de se tornar uma luta legítima? Existem interpretações de que se civis têm suas vidas ou sua propriedade ameaçada, então o ato em nome de uma causa não é justificável.
Atos terroristas existem desde a Antiguidade. O primeiro grupo terrorista de que se tem registro data do ano seis da era cristã. Era formado por judeus radicais conhecidos como sicários e que se opunham à ocupação da Palestina pelo Império Romano. O grupo assassinava a punhaladas, na calada da noite, romanos e judeus colaboradores do regime.
A palavra terrorismo deriva do latim terror, que significa medo ou horror. Mas a palavra foi usada pela primeira vez após a Revolução Francesa. O termo terrorismo foi usado para se referir ao estado de terror pleno em que a França pós-revolucionária se encontrava e o medo era usado como meio para manter uma ordem política e social.
Os anos de 1793 e 1794 ficaram conhecidos como a época do “Reino do Terror”. Os revolucionários no poder prenderam e executaram os suspeitos de conspiração e oposição ao regime. Esses líderes ficaram conhecidos como “os terroristas”. O líder jacobino Robespierre mandou guilhotinar mais de 12 mil pessoas, eliminando os possíveis opositores do governo recém-instaurado.
A origem do termo é relacionada a um regime de violência instituído por um governo. Mas com o tempo, a palavra também começou a ser usada para designar atos de violência contra o Estado ou em nome de uma causa geral.
Nem toda ação violenta é considerada terrorismo, mas o uso da violência (física ou psicológica) é fundamental para compreender a existência de atos terroristas, que buscam gerar reações emocionais na sociedade e assim gerar visibilidade à causa. No livro A Arte da Guerra, o chinês Sun Tzu apontava o que pode ser considerada a essência do terrorismo: “Mate um; amedronte dez mil”.
Segundo Hector Luis Saint-Pierre, professor de relações internacionais da Unesp, o objetivo do terrorismo é provocar pânico “sua vítima preferencial não é a vítima tática, aquela que perde a vida no atentado, por uma questão inequívoca: os mortos não temem. As vítimas buscadas pelo terrorismo são, portanto, aquelas que sobrevivem e se sentem indefesas ante a vontade do terrorista. O fundamento do terror, portanto, não é morte ou aniquilamento, mas a sensação de vulnerabilidade, impotência e desamparo ante o atentado”.
O uso da violência extrapola questões éticas. No terrorismo existe uma convicção ideológica de que o ato é uma resposta justa ou de que a causa que se defende é tão importante, que todos os meios para conquistar a vitória são legítimos. Isso significa que tanto os Estados que praticam o autoritarismo ou rebeldes que praticam atos de revolta sentem ter uma justificativa moral para o barbarismo.
Um novo terrorismo
O século 20 foi marcado por diversos conflitos armados, mas após a Segunda Guerra Mundial, os conflitos caracterizados como guerra entre países praticamente desapareceram e os confrontos internos tornaram-se mais comuns.
Guerras civis, movimentos separatistas. O terrorismo passou a ser associado a uma disputa de território e a uma atuação local. Um exemplo é o Hamas, grupo radical que defende a criação do Estado Independente Palestino e se opõe a existência do Estado de Israel, reconhecido pela ONU em 1948. A
Principal disputa é sobre os domínios territoriais da Faixa de Gaza, da Cisjordânia, e das cidades sagradas como Jerusalém. Hoje, o combate ao terrorismo é o principal argumento das ofensivas israelenses sobre a Faixa de Gaza.
Foi durante a década de 1980 que surgiu a figura do homem-bomba, aquele que morre no atentado. Segundo o historiador Eric Hobsbawm, essa forma individual de terrorismo nasce como uma derivação da revolução iraniana de 1979, impregnada da ideologia islâmica xiita, que idealiza o martírio, e foi empregado pela primeira vez com em 1983, contra os norte-americanos, pelo grupo Hezbollah, no Líbano. Sua eficácia inspirou as táticas de grupos extremistas islâmicos.
Após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, praticados pela rede Al-Qaeda, o conceito de terrorismo mudou radicalmente. Ele deixou de ser um problema local para se tornar um problema internacional. Pode-se dizer que o terrorismo acompanhou a globalização.
A rede Al-Qaeda criou uma estrutura diferente. Sua organização é descentralizada, na qual células pequenas atuam em rede e sem a necessidade de uma base territorial. Ela começou a operar com militantes em diferentes países. Mesmo após a morte do líder Osama bin Laden, a organização ainda tem força.
O Estado Islâmico é uma dissidência da Al-Qaeda que surgiu no Iraque. Pela internet, o EI recruta militantes em diversos países, contando com estrangeiros ocidentais, filhos de mulçumanos. Ele também ganhou o apoio de facções radicais de diversos países, aumentando ainda mais sua atuação em rede.
No primeiro discurso depois do atentado das Torres Gêmeas, o presidente norte-americano George W. Bush declarou uma guerra global contra o “terrorismo”. Depois do 11 de setembro, o terrorismo ganhou maior relevância na agenda das relações internacionais e começou a ser considerado a principal ameaça à paz e segurança internacional.
Lei antiterrorismo no Brasil
Um projeto de lei quer tipificar a definição de crime de terrorismo no Brasil. A PLC 101/2015 determina que tipos de ações o Estado deve considerar crime de terrorismo e as punições previstas na legislação, com pena de até 30 anos. O texto foi aprovado pelo Senado em outubro de 2015 e espera parecer da Câmara para seguir sua tramitação.
O texto aprovado tipifica o crime de terrorismo como aquele que atenta contra pessoa, “mediante violência ou grave ameaça, motivado por extremismo político, intolerância religiosa ou preconceito racial, étnico, de gênero ou xenófobo, com objetivo de provocar pânico generalizado”.
De acordo com o texto, é considerado terrorismo político o ato que atentar gravemente contra a estabilidade do Estado democrático, com o fim de subverter o funcionamento das instituições. A proposta prevê pena de reclusão de 16 a 24 anos em regime fechado para quem praticar o ato. Mas se o crime resultar em morte, a reclusão será de 24 a 30 anos.
Embora o Brasil não seja alvo do terrorismo internacional, o objetivo do Governo é que a legislação ajude na prevenção antiterror. Movimentos populares temem que as brechas na legislação restrinjam os direitos civis, prejudicando o exercício dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, e seja usada contra pessoas que participam de protestos e manifestações.
Conheça alguns grupos terroristas da atualidade:
§  Al-Qaeda
Com nome que significa “a base” em árabe, ficou conhecida pelos atentados às Torres do World Trade Center em Nova York. Surgiu no Afeganistão em 1980 como resistência à União Soviética, que sustentava o regime comunista no país. Inicialmente era apoiado pelos Estados Unidos. Na década de 1990 o movimento começou a pregar a luta contra o Ocidente.
§  Boko Haram
O significado do seu nome é “a educação não islâmica é pecado”. O Boko Haram é também uma organização antiocidental que objetiva implantar alei islâmica no território da Nigéria. Ela foi fundada em 2002, mas ganhou notoriedade maior em 2014 com o sequestro de centenas de meninas estudantes, além de uma série de atentados que resultou em uma grande quantidade de mortes.
§  ETA (Pátria Basca e Liberdade)
Grupo basco fundado em 1959, que luta pela transformação do País Basco, que ocupa áreas da Espanha e da França, em Estado independente. Fez seu primeiro atentado em 1968, matando Meliton Manzanas, chefe de polícia de San Sebastián. Em 1980, realizou seu maior número de atentados, assassinando 118 pessoas. Em 2011 o grupo anunciou um cessar-fogo.
§  Estado Islâmico
Grupo terrorista jihadista que age na Sìria e no Iraque. Surgiu em 2013 como uma dissidência da Al-Qaeda. O seu líder é Abu Bakr al-Baghdadi, que liderou a Al-Qaeda no Iraque em 2010 e que havia participado da resistência à invasão dos Estados Unidos ao território iraquiano em 2003. O objetivo do EI é a criação de um califado e a luta contra a influência do Ocidente.
§  Hamas (Movimento da Resistência Islâmica)
Um dos principais grupos extremistas contrários à existência do Estado de Israel. Foi criado em 1987 a partir da Intifada (revolta palestina contra a ocupação israelense). A organização promove ataques terroristas suicidas contra judeus.
§  IRA (Exército Republicano Irlandês)
Organização terrorista católica da Irlanda do Norte, que começou a atuar nos anos 60. A Irlanda do Norte tem maioria de protestantes. Os unionistas protestantes (60% da  população) querem que a região continue ligada ao Reino Unido, mas os nacionalistas católicos querem a reunificação com a República da Irlanda, um país de maioria católica.
§  Jihad Islâmico
Formada por jovens palestinos no Egito em 1980, a organização é apontada como a responsável pela morte de 18 soldados em um ponto de ônibus em Beit Lid, em 1995. Organizações de caráter religioso buscam expulsar os palestinos e impedir negociações de paz entre a OLP e Israel.(Janeiro/2016).
Carolina Cunha











JULGAMENTO DE NUREMBERG

por Danilo Cezar Cabral | Edição 131

Foi a formação inédita de um tribunal militar internacional para julgar o alto escalão nazista por crimes de guerra e contra a humanidade durante a 2a Guerra Mundial. Os procedimentos duraram 315 dias (de novembro de 1945 a outubro de 1946)e aconteceram no Palácio da Justiça de Nuremberg, na Alemanha. A cidade, que simbolizava um dos bastiões nazistas, foi escolhida pelos aliados para desmistificar a aura do regime de Adolf Hitler. Foram 24 indi- ciados, mas somente 22 deles participaram do julgamento.Robert Ley cometeu suicídio antes de o tribunal se reunir e Gustav Krupp recebeu dispensa por questões de saúde. Os procedimentos jurídicos foram montados para trazer justiça aos acusados de forma imparcial, diferentemente do que acontecia com rivais capturados pelos nazis.
TRIBUNAL PIONEIRO
Operação serviu de base para a criação de leis militares e internacionais váidas até hoje
O procurador-geral norte-americano Robert H. Jackson (apelidado de Justice Jackson) coordenou representantes de EUA, Grã-Bretanha, União Soviética e França para formar as leis e as equipes que conduziram o julgamento. O tribunal deveria julgar os réus sob a alegação de que a Alemanha nazista executou uma conspiração global de dominação
AO ATAQUE
A acusação era formada por quatro equipes, cada uma representando um país aliado. O chefe dos promotores norte-americanos foi o próprio Jackson. Cada equipe de promotoria cuidava de réus diferentes e tinha um promotor- chefe liderando outros colegas
PROVAS DE FOGO
O general Willian Donovan, chefe da OSS (agência militar de espionagem que deu origem àCIA), forneceu evidências e provas contra os nazistas. Foram 47 caixas de documentos (1,4 tonelada) do Partido Nazista, 12 volumes de documentos secretos sobre política externa e várias horas de gravações em vídeo
LONGA ROTiNA
O dia a dia do tribunal era dividido em quatro fases: requerimentos de promotores e advogados para atualizar ou corrigir os casos, deliberações dos juízes (autorizações, negativas ou instruções), apresentações da acusação e da defesa sobre os casos e interrogatório de testemunhas, especialistas e réus
-O Palácio de Justiça tinha uma área de detenção para os acusados. A segurança era feita por militares e encabeçada pelos EUA
CONTRA A PAREDE
Entre os 24 acusados, havia militares, membros do Partido Nazista, ministros e estruturadores das finanças e da comunicação do regime de Hitler. A ideia era focar além dos réus, criando um precedente para que todo o aparato nazista de agressão e repressão pudesse ser indiciado no futuro
DEFESA PESSOAL
Os advogados de defesa, muitos deles nazistas,contaram com a ajuda dos réus para elaborar estratégias e argumentos. Um dos acusados, Hermann Göring(o homem mais poderoso do Reich depois de Hitler) se mostrou um osso duro de roer para a promotoria por discursar muito bem e não se intimidar
JUÍZO COLETIVO
Quatro juízes, cada um representando um país aliado, presidiam as sessões. O julgamento adotou um híbrido dos dois tipos de tribunal vigentes na época, mesclando um sistema de promotoria e defesa com procedimentos julgados exclusivamente por juízes. Em ambos os casos, não havia jurados
INFLUÊNCIA PACÍFICA
O tribunal de Nuremberg inspirou a Convenção de Genebra, que dita as leis de guerra internacionais, e contribuiu para a Declaração Universal de Direitos Humanos, de 1948
NAZISTAS NA BERLINDA
Principais réus de Nuremberg e seus comportamentos ao longo do julgamento
-HERMANN GÖRING
Número dois na hierarquia nazista. O marechal liderou a maioria dos acusados e pregou sua última peça contra os aliados cometendo suicídio antes de ir para a forca
ALBERT SPEER
O ex-ministro de armamentos adotou um discurso de arrependimento em relação ao nazismo e escapou da pena de morte. Pegou 20 anos de prisão
RUDOLF HESS
O secretário particular de Hitler bancou o louco durante o julgamento e recebeu prisão perpétua. Rudolf se matou em 1987, após 42 anos na prisão militar de Spandau
KARL DÖNITZ
O líder da Marinha pegou só 10 anos de prisão graças à carta de um almirante norte-americano declarando que sua conduta de guerra havia sido justa

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Tabela periódica ganha quatro novos elementos e completa sétima fileira

Cada um dos elementos químicos que compõe o universo é formado por pequenas partículas chamadas de átomos, que são compostos por um núcleo atômico. Dentro do núcleo, ficam os prótons e nêutrons e uma eletrosfera, onde os elétrons orbitam.
A Tabela Periódica reúne o conjunto de elementos químicos conhecidos. Uma forma gráfica que organiza de maneira simples todos os elementos de acordo com suas propriedades e informações. 
Por exemplo, os números dos elementos correspondem aos números atômicos, ou seja, a quantidade de prótons que existem no núcleo de cada átomo. Já a massa atômica é a soma do número de prótons e nêutrons.
No entanto, nem tudo foi simplesmente achado na natureza. Algumas das peças que formam esse quadro são “criações” humanas, identificadas a partir de experimentos em laboratório que buscam alterar ou fundir elementos e, assim, observar o aparecimento de um terceiro.
Em dezembro de 2015 quatro elementos químicos, altamente radioativos e produzidos artificialmente na última década, ganharam o reconhecimento oficial da União Internacional de Química Pura e Aplicada (Iupac) e passam a fazer parte da tabela periódica. Esses são os primeiros elementos novos da tabela desde 2011, quando foram adicionados os elementos Fleróvio (114) e Livermório (116).
Os elementos 113, 115, 116 e 118 ainda não possuem nome ou símbolo oficial e ficarão na sétima fileira da tabela, que agora está completa. Agora eles serão considerados os elementos mais pesados. No entanto, esses átomos só sobrevivem por frações de segundo, o que dificulta uma análise mais aprofundada de suas características.
O elemento 113, cujo nome provisório é Unúntrio (Uut), foi criado por uma equipe do Instituto Riken, no Japão. Já os elementos 115, 117 e 118 – Unumpêntio (Uup), Ununséptio (Uus) e Ununócio (Uuo) – foram descobertos por pesquisadores do Instituto Associado de Pesquisa Nuclear em Dubna, na Rússia, e do Laboratório Nacional Lawrence Livermore na Califórnia, nos Estados Unidos.
Os novos elementos foram desenvolvidos em laboratório e foram obtidos em quantidades mínimas. Os cientistas usaram aceleradores de partículas para colidir átomos de elementos químicos em altíssima energia – geralmente um átomo mais leve é chocado contra um mais pesado. 
Quando feixes de partículas colidem uns com os outros em altas velocidades, as colisões produzem centenas de partículas novas. Após horas de choque, os novos elementos aparecem e, frações de segundo depois, decaem, deixando escapar átomos e transformando-se em elementos já conhecidos, mais leves e estáveis. Por exemplo, o Unumpêntio (elemento 115) foi descoberto em 2004 e foi produzido através de colisões de átomos de Amerício (Am) e Cálcio (Ca).
A proposta de nomenclatura desses quatro novos elementos será analisada pelo Iupac que utilizará critérios como consistência, facilidade de tradução e compreensão em diferentes idiomas. A partir do momento em que forem aprovados, passam a constar na tabela periódica oficialmente.
Os cientistas responsáveis pelas pesquisas terão o direito de escolher os nomes dos novos elementos, que podem ser batizados com palavras que podem ter como inspiração seres da mitologia, um mineral, um lugar ou país, uma propriedade ou uma pessoa. Por exemplo, o Fleróvio foi uma homenagem ao químico russo Georgy Flyorov e o elemento Copernício (Cn), em homenagem ao astrônomo Nicolau Copérnico.
O que vem depois
Embora os quatro novos elementos sejam considerados descobertas históricas, no momento, eles não têm utilidade prática. São parte de experimentos científicos que devem se desdobrar em futuras pesquisas.  
A próxima fronteira da química é a descoberta de novos elementos superpesados. Todo elemento químico com número atômico maior que o do urânio (92 prótons), é artificial, criado em laboratório. Todos estes átomos são instáveis devido aos seus grandes núcleos, portanto são radioativos. Em frações de segundos decaem para substâncias mais leves e suas curtas vidas dificultam a análise do material original.
Cientistas já especulam uma oitava linha na Tabela Periódica, com números atômicos a partir do 119. A pesquisa sobre o elemento 119 já está na mira de cientistas japoneses. As chances de sucesso são muito raras e os resultados podem demorar anos. Mas quem sabe o que pode ser criado a partir desses experimentos pioneiros?
A Tabela Periódica
A estrutura da Tabela Periódica tem origem em 1869, criada pelo químico russo Dmitri Mendeleiev (1834 – 1907). Ela surgiu devido à crescente descoberta de elementos químicos e suas propriedades, os quais necessitavam ser organizados segundo suas características (nome do elemento, símbolo, número atômico, massa atômica, etc).
Posteriormente, em 1914, o físico inglês Henry Moseley (1887-1915) criou a organização de uma tabela em ordem crescente de número atômico (Z), ou seja, o número de prótons no núcleo de cada átomo.
A atual tabela relaciona os elementos em linhas chamadas períodos (são sete linhas horizontais) e colunas chamadas grupos ou famílias (18 colunas), cujos constituintes possuem propriedades químicas semelhantes. As principais famílias são: Alcalinos, Alcalino-terrosos e Gases Nobres.
Além das divisões em períodos e famílias, a tabela classifica os elementos de acordo com suas propriedades físicas como: Metais, SemiMetais, Não-Metais, Gases Nobres e Hidrogênio (é um elemento que foge à regra por ter um comportamento único).
Carolina Cunha
Novelo Comunicação (Janeiro - 2016)



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