segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

PIRÂMIDES DE GIZÉ


As Pirâmides de Gizé, Guizé ou Guiza ocupam a primeira posição na lista das sete maravilhas do mundo antigo.

As pirâmides de Gizé estão localizadas na esplanada de Gizé, na antiga necrópole da cidade de Mênfis, e atualmente integra o Cairo, no Egito. Elas são as únicas das antigas maravilhas que sobreviveram ao tempo.

A grande diferença das Pirâmides de Gizé em relação às outras maravilhas do mundo é que elas ainda persistem, resistindo ao tempo e às intempéries da natureza, encontrando-se em relativo bom estado e, por este motivo, não necessitam de historiadores ou poetas para serem conhecidas, já que podem ser vistas.
Existe um provérbio árabe que faz referência às Pirâmides:
"O homem teme o tempo e o tempo teme as pirâmides".

DOM QUIXOTE

Dom Quixote de La Mancha - Miguel de Cervantes

A batalha dos moinhos de vento Dom Quixote e Sancho Pança chegaram a um local onde havia trinta ou quarenta moinhos de vento. Dom Quixote disse a Sancho Pança que havia dezenas de míseros gigantes que ele ia combater. Sancho pediu para Dom Quixote observar melhor, pois não eram gigantes e simplesmente moinhos de vento. Dom Quixote aproximou dos moinhos e com pensamento em sua deusa, Dulcinéia de Toboso, á qual dedicava sua aventura , arremeteu, de lança em riste, contra o primeiro moinho. O vento ficou mais forte e lançou o cavaleiro para longe. Sancho socorreu-o e reafirmou que eram apenas moinhos. Dom Quixote, respondeu que era Frestão, quem tinha transformado os gigantes em moinhos.
Análise do trecho Através deste breve relato da Batalha dos Moinhos de Vento, podemos ver com clareza a loucura de Dom Quixote. Naquele momento, podemos observar, Sancho Pança comportar-se com as mesmas idéias de nossa sociedade quando defronta-se com algo fora dos padrões, fora do cotidiano, fora da normalidade petrificada que ela mesma impõem. E com mesma atitude, demostrando, apontando, avisando, porém nada fazendo mediante o fato. Dom Quixote não tinha consciência do que fazia. Ele havia se aprofundado tanto naquele mundo irreal que começou a ver coisas logo após o choque com os moinhos ele percebe com clareza que os gigantes de fato eram moinhos, porém sua imaginação o faz achar que algum mago o hipnotizou, fazendo ele ver nos moinhos os gigantes. Sempre havia uma forma da realidade transformar-se em irrealidade.
A batalha contra o “exército de ovelhas” Neste capítulo do livro, é relatado uma das aventuras de Dom Quixote, o encontro com dois rebanhos de ovelhas. O cavaleiro, com todo o seu sonho, criou paisagens, personagens que não existiam, atribuindo-lhes armas, coroas, escudos que na verdade não existiam, eram somente animais. Foi então que o “herói” avançou em direção aos rebanhos e, como sempre foi surrado pelos pastores e pelas próprias ovelhas.
Trecho Como continuidade da sua loucura, o fidalgo é capaz de imaginar em um campo, que está cheio de ovelhas, dois grandes exércitos, com seus generais e cavalos, guerreando. Aqui, Sancho Pança, também reprime o nobre homem, repetindo atitudes de nossa sociedade. Ele faz um papel de “acredite se quiser”, concordando com os sonhos de seu amo apenas para satsifazê-lo, ou seja, se não podia controlá-lo, juntava-se a ele. Sancho Pança conquista suas ilhas prometidas Desacreditado em receber sua ilha, Sancho Pança ganhou-a com muito orgulho. Pelo fato de acreditar e acompanhar um cavaleiro, tinha muito prestígio na sociedade. Sancho Pança realizou resolveu vários problemas durante seu curto encontro com o poder, mas a população, que estava apenas fazendo uma brincadeira com o escudeiro, afetou os sentimentos do “governador”, fazendo-o abdicar ao cargo e voltar a sua vida antiga.
Análise do trecho Nesta passagem do livro, analisamos como a sociedade, representada por Sancho Pança, é frágil. Ao acreditar estar recebendo os reinos prometidos por “nosso herói”, o fiel escudeiro rende-se à fantasia de Dom Quixote, movido pela ganância e pelo poder. Em contra partida, sua análise mais crítica do fato demonstra a atitude de debocho e desprezo dos habitantes da ilha, pouco se importando com o estado do ajudante e do próprio cavaleiro. Não refletiram se Dom Quixote tinha algum problema mental ou se precisava de ajuda. Ao contrário, invés de ajudá-lo, contribuíram para a sua ridicularização. Finalizando, o livro de Miguel de Cervantes retoma a história do povo espanhol e do Europa, retratando as aventuras dos inúmeras cavaleiros, sendo por isso considerado a última novela de cavalaria. Critica também as atitudes da sociedade e como alguns componentes desta alertaram para o problema de Dom Quixote e se esforçaram para o problema para tentar solucioná-lo.
Causas do surgimento de Dom Quixote: Perda da riqueza - Dom Quixote era um fidalgo, filho de pais ricos. No entanto, durante sua vida, ele vai perdendo sua riqueza, pagando dívidas e comprando livros. Por isso, mergulha na literatura em busca da solução desta dificuldade, até demais. Mudança em sua vida - Além de perder sua riqueza, Dom Quixote, ao nosso ver, começa a agir como um cavaleiro em busca de uma mudança, uma nova vida. Ele já tinha uma idade relativamente avançada e vivia muito só. Por isso deixa-se levar por imaginação e passa a viver num mundo ilusório, fantasioso.
Conseqüências da “loucura” de Dom Quixote Lesão às pessoas - Ao agir como Dom Quixote, o cavaleiro não distinguia as pessoas com quem encontrava, prejudicando algumas e, consequentemente, auxiliando outras, física e financeiramente. Perda da história - Quando os amigos de Dom Quixote descobrem a causa de sua “insanidade”, decidem por acabar de vez com ela, queimando todas as suas novelas de cavalaria. Por outro lado, ao agir desta forma, a sociedade comprova seu poder, eliminando algo que possa causar mais problemas futuros, que possa incomodá-la. Morte do personagem - Dom Quixote, inconsciente de seus atos, não percebe o desgaste de seu corpo e, infelizmente, como ele próprio afirma, só retorna à realidade quando já está nos momentos finais de sua vida. Morre arrependido, mas em paz por tê-la feito a tempo.



TREZENTOS DE ESPARTA

Relato da batalha de Termópilas, na Antigüidade, quando o rei Leônidas de Esparta e 300 soldados lutaram, dispostos a tudo, contra Xerxes, da Pérsia, e seu poderoso exército.
Não se esperava um estouro de bilheteria tão grande para este épico, que sai em edição especial com dois discos. É um filme muito violento, mas, como tudo é estilizado e dentro de um contexto de luta e guerra, isso é muito mais aceitável do que em "Sin City", que também era baseado numa graphic novel de Frank Miller. Embora endereçado principalmente ao público masculino, tem muitos homens seminus, com peitos e barrigas desenhados pela computação gráfica, o que permite uma leitura homoerótica que vem agradando às mulheres.
De qualquer forma, o filme é muito fiel a sua origem, sem ser escravo dela (como "Sin City"), já que o diretor se permite algumas liberdades bem cinemáticas. Alguns pontos que não estão no álbum original, apenas no filme: a presença mais constante da mulher de Leônidas, a rainha Gorgo; a árvore da morte, uma cena impressionante; a tentativa de sedução da rainha feita pelo político corrupto Theron (Dominic West); o ataque do rinoceronte; a lambida na mulher oráculo.
Basicamente, louva-se o patriotismo e o auto-sacrifício, até mesmo a morte por uma boa causa. A ênfase é compreensível, já que o filme trata de um fato histórico talvez exagerado ao longo dos séculos, mas que ainda é recordado como o máximo da coragem. É curioso que, com freqüência, o cinema evitou mostrar a civilização da cidade-estado grega Esparta, porque se encontravam semelhanças entre seus hábitos e os dos países comunistas. Por contraposião, Atenas era vista como símbolo da democracia. Com o fim do comunismo, já se permite fazer o elogio de um estado militarista, que pregava a austeridade e matava os bebês doentes (como no nazismo). Essa discutível exaltação do heroísmo provocou reclamações dos liberais, que viram nos espartanos do filme uma alusão aos soldados americanos no Iraque. A polêmica se acentua porque os vilões têm a pele escura, são mostrados como sexualmente pervertidos, efeminados e por vezes monstruosos.
O filme também recebeu críticas por lembrar muito um videogame. Mas foram interesssantes as opções de utilizar o diretor de fotografia chinês Larry Fong e de rodar tudo em estúdio. Tudo é estilizado, alterado pela computação, dando um clima de sonho ou pesadelo, totalmente não-realista. Mesmo com o orçamento relativamente pequeno de US$ 60 milhões (já que a Warner não acreditava no êxito do projeto), o visual obtido é fantástico, o filme é envolvente e forte, com um elenco interessante. Rodrigo Santoro tem um papel breve mas importante, o rei persa, com voz alterada. Aparece irreconhecível, todo cheio de piercings, muito maquiado, num carro que parece coisa de escola de samba. O fato de não ter ficado ridículo é uma prova de sua competência como ator: consegue criar um vilão delirante sem perder a dignidade.
Aliás, todo o filme está sempre prestes a escorregar e virar piada. Mas, milagrosamente, consegue impressionar e criar um novo padrão para esse tipo de aventura.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A ODISSÉIA

A Odisséia, de Homero, narra as aventuras de Ulisses durante 10 anos de ausência ao lar, compondo-se de quatro partes a narrativa.
Na primeira parte aparece a Assembléia dos Deuses. Ulisses partira. Muitos eram os pretendentes da mão de sua esposa Penélope. Atena estimula Telêmaco para proteger sua mãe contra esse pretendentes. Entretanto os dias passavam e uma angústia, o desespero apodera-se de Telêmaco. Decide sair à procura de seu pai Ulisses, percorrendo Pilo e após a Lacedônia, porém sem êxito. Enquanto isso os pretendentes em sua casa lançam mão da emboscada.
Na segunda parte, os deuses se reúnem, em assembléia, novamente. Após atender solicitação de Atena, Zeus dá o encargo a Hermes que ordene a Calipso permitir que Ulisses parta, após sete anos de retenção. Uma jangada é construída por Ulisses. Nela se encontrava navegando quando é colhido por uma tempestade. É atirado na Ilha dos Feaces. Adormece. Quem o encontra e dele procura cuidar, acolhendo-o em seu palácio é Náusica, a filha do Rei Alcinoo. Ulisses dá prova de sua forte compleição atlética quando participa no jogo da projeção do disco que é promovido em honra de Náusica, saindo vitorioso da disputa. Sua volta à pátria estava prestes a concretizar-se.
Na terceira parte é encontrado o relato de Ulisses sobre as suas aventuras. Sua partida de Tróia, o país dos Cicones dos Ciclopes, e os seus seis companheiros devorados. Também é relatado o episódio de Polifemo. Na Ilha de Eolo os ventos se encontram presos nos odres, que após abertos por seus companheiros, desencadea-se uma violenta tempestade. Circe transforma-os em porcos. Só depois de muita persuasão é que Ulisses consegue convencê-lo para quebrar o encanto. Seus companheiros voltam á forma humana. Ulisses é seguido pelas sereias. Após outras peripécias consegue finalmente alcançar a Ilha de Calipso.
Na quarta parte há o retorno de Ulisses à Ítaca. Disfarça-se de mendigo. É reconhecido pelo seu filho Telêmaco na casa de Eumeu. Chega ao palácio, é menosprezado e sofre os maiores escârnios e ultrajes dos que pretendiam a mão de Penélope. Não é reconhecido por sua esposa. Somente Euricléia sua ama, consegue reconhecê-lo por uma cicatriz, após banhar-lhe os pés. O grande banquete é preparado para disputar Penélope, porque prometera contrair matrimônio com aquele que fosse capaz de conseguir entesar o arco de Ulisses e após arremessar a flecha e atravessar doze machados. Tentaram, porém em vão, apesar da grande força que faziam. Só Ulisses o consegue. Causa pânico nos pretendentes quando abandona os andrajos, sendo reconhecido. Só após longa hesitação, Penélope finalmente se convence de que se trata realmente de Ulisses, o seu verdadeiro esposo. Ajudado por Telêmaco, Ulissses massacra os pretendentes. Suas almas são conduzidas por Hermes, nas profundezas dos infernos.
Marco Aurélio Ramos Tonhão



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

REVOLUÇÃO FRANCESA

Representação dos três Estados da sociedade francesa à época do movimento revolucionário de 1789.

O PRINCIPE DA PÉRSIA

Ambientado na mística Pérsia, filme é um épico de aventura e ação sobre um príncipe guerreiro e uma misteriosa princesa que lutam contra forças obscuras para salvaguardar uma antiga adaga capaz de libertar as Areias do Tempo, um dom dos deuses que dá à pessoa que o possui o poder de controlar o mundo.
"Príncipe da Pérsia" recria história com efeito especial
- Quando a ficção entra no campo da história oficial, nada impede que toda uma cultura seja reformulada para não desmentir o roteirista. Não diminui a legitimidade do filme, nem propriamente é prejudicial ao próprio povo selecionado para os caprichos de quem cria a trama. O limite é a clareza sobre o que se vê na tela.
"Príncipe da Pérsia", que estreia em circuito nacional, em cópias dubladas e legendadas, na quinta-feira, pode ser percebido como um exemplo disso. Já no início, enumera os feitos do grande império persa, para situar no tempo e espaço o espectador em uma fantasia repleta de engenhosos efeitos especiais.
O rei da Pérsia em questão é Sharaman (Ronald Pickup), um líder nato que tem como conselheiro seu irmão, Nizam (Ben Kingsley, de "Ilha do Medo"). Fictício, como todo o filme (exceto a apresentação), o rei é pai de dois filhos Garsiv (Toby Kebbell, de "RocknRolla") e Tus (Richard Coyle, de "Um Bom Ano"), o príncipe herdeiro.
No entanto, a família apenas se completa quando o rei adota Dastan, uma criança maltrapilha, que demonstra coragem e sabedoria ao defender um colega de rua. Como diz o narrador, ele é um predestinado e será decisivo para a história dessa civilização.
Depois de 15 anos, Dastan (agora, interpretado por Jake Gyllenhaal, de "O Segredo de Brokeback Mountain") se vê em meio a seus irmãos e tio numa difícil escolha: invadir ou não uma cidade sagrada que, segundo um espião persa, vende armas para os adversários de seu povo. Vencido no voto, o protagonista entra na cidade e captura a princesa Tamina (Gemma Arterton, de "Fúria de Titãs").
No entanto, ela guarda um segredo, uma adaga que tem o poder de voltar no tempo. O artefato cai nas mãos do herói que, graças a um complô, é acusado de matar o próprio pai adotivo. Dastan e Tamina fogem para iniciar a jornada que selará o destino de ambos.
Com uma história confusa e repleta de pontos de interrogação, "Príncipe da Pérsia" é uma produção cujo valor cosmético é maior do que o entendimento claro sobre o que se passa nas cenas. Com lutas bem coreografadas, imagens rápidas e com pontos de humor assertivos, o final da projeção, porém, provoca questionamentos quase risíveis.
Um exemplo prático é o de Amar (Alfred Molina, de "Educação"), uma espécie de comerciante ilegal que, em determinado momento do filme. afirma haver terças e quintas-feiras. Outro ponto de reflexão é a própria adaga, que necessita de uma espécie de areia divina para funcionar, inacessível aos humanos, mas de que a princesa possui até um refil.
É irrelevante a identidade do príncipe, que poderia ser persa ou de Marte, já que não há referências para sustentar a história. O diretor Mike Newell (de "Amor nos Tempos do Cólera" e "Harry Portter e o Cálice de Fogo") se esforça, mas não consegue dar jeito no que já começou errado, a partir de um mau roteiro.
Com um herói de aventura um tanto pobre (o primeiro de sua carreira), Jake Gyllenhaal sai também chamuscado desse deserto. O único que ri à toa mesmo é o produtor Jerry Bruckheimer, uma espécie de Midas em Hollywood (são dele as franquias "Piratas do Caribe", "Bad Boys" e, na TV, os múltiplos "CSIs"), que pensa em faturamento alto e rápido nas bilheterias.
(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

FÚRIA DE TITÃS

"Fúria de Titãs" esquece lenda e investe em efeitos
Quando se trata de refilmagens, nem sempre é bom comparar o resultado final das produções. Com quase 30 anos de diferença, "Fúria de Titãs", que estreia nessa sexta-feira no país em 35 mm e 3-D (cópias dubladas e legendadas) é um exemplo evidente disso.
Enquanto a primeira produção (1981) abordava a história de amor entre o semideus Perseu e a bela princesa Andrômeda e todos os percalços para a realização dessa união, esta última versão se descola dos referenciais da década de 1980.
Agora, não se trata mais de romance, mas de pura guerra, mesmo que, no caminho, se assassine a história do próprio personagem central.
Inicialmente as tramas são similares. Perseu (Sam Worthington, de "Avatar"), filho de Zeus com a rainha de Argos, Dânae, é jogado ao mar pelo rei Acrisius, em vingança. O heroi é salvo por um pescador, que o cria como seu filho.
No entanto, a nova produção destoa de sua antecessora a partir desse ponto. Em vez de se apaixonar por Andrômeda e arriscar a vida por seu amor, como diz a lenda, Perseu agora pensa em vingança contra os deuses, aqui, na figura de Hades (Ralph Fiennes, de "O Paciente Inglês"), que mataram seus pais adotivos.
O fato de existir a ilha de Sefiro, que por ira divina está prestes a ser destruída pelo titã Kraken, e os mitos de Andrômeda e Cassiopeia, não passa de um engodo embutido na história pelos roteiristas Travis Beacham, Phil Hay e Matt Manfredi.
O novo Perseu não quer ser um deus; diferentemente do que diz o mito, ele quer enfrentar o Olimpo como um mortal. Ele não sabe que Hades tem um plano maléfico para vencer Zeus (Liam Neeson) e dominar o céu e a Terra, mas seus planos de vingança, no fim, estão em acordo com as vontades de seu verdadeiro pai.
Longe dos efeitos especiais risíveis da década 1980, o novo "Fúria de Titãs" se vale do que há de mais moderno para reproduzir excelentes cenas de ação, principalmente nos duelos com Medusa e Kraken. Mesmo na famosa cena em que Perseu e seus soldados lutam contra escorpiões gigantes liberados pelo vilão Calibos (Jason Flemyng), o resultado, em especial em 3D, é competente.
Independentemente das grandes mudanças na história, o maior problema desta nova produção é sem dúvida a falta de uma narrativa consistente. Fragmentado e repleto de clichês, "Fúria de Titãs", se resume aos seus efeitos especiais, o que evidencia a pobreza do roteiro.
Os buracos na trama são tão grandes que alguns argumentos não fazem sentido. Esse é o caso de Calibos, que deixa de ser vilão para se tornar um assecla de Hades. Outro ponto é o casal real Kepheus e Cassiopeia, que desafiam os deuses e desaparecem da trama.
O cinema passou por muitas transformações nos últimos 30 anos. No entanto, impressiona a falta de qualidade de "Fúria de Titãs" na hora de contar uma boa história.
(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A DIVINA COMÉDIA - Dante Alighieri

Ao fazer com que cada terceto antecipe o som que irá ecoar duas vezes no terceto seguinte, a terza rima dá uma impressão de movimento ao poema. É como se ele iniciasse um processo que não poderia mais parar. Através do desenho abaixo pode-se ter uma visão mais clara do efeito dinâmico da poesia: Os três livros que formam a Divina Comédia são divididos em 33 cantos cada, com aproximadamente 40 a 50 tercetos, que terminam com um verso isolado no final. O Inferno possui um canto a mais que serve de introdução a todo o poema. No total são 100 cantos. Os lugares descritos por cada livro (o inferno, o purgatório e o paraíso) são divididos em nove círculos cada, formando no total 27 (3 vezes 3 vezes 3) níveis. Os três livros rimam no último verso, pois terminam com a mesma palavra: stelle, que significa 'estrelas'.
Dante chamou a sua obra de Comédia. O adjetivo "Divina" foi acrescido pela primeira vez em uma edição de 1555. A Divina Comédia excerceu grande influência em poetas, músicos, pintores, cineastas e outros artistas nos últimos 700 anos. Desenhistas e pintores como Gustave Doré, Sandro Botticelli, Salvador Dali, Michelangelo e William Blake estão entre os ilustradores de sua obra. Os compositores Robert Schumann e Gioacchino Rossini traduziram partes de seu poema em música e o compositor húngaro Franz Liszt usou a Comédia como tema de um de seus poemas sinfônicos.
Inferno: Quando Dante se encontra no meio da vida, ele se vê perdido em uma floresta escura, e sua vida havia deixado de seguir o caminho certo. Ao tentar escapar da selva, ele encontra uma montanha que pode ser a sua salvação, mas é logo impedido de subir por três feras: um leopardo, um leão e uma loba. Prestes a desistir e voltar para a selva, Dante é surpreendido pelo espírito de Virgílio - poeta da antigüidade que ele admira - disposto a guiá-lo por um caminho alternativo. Virgílio foi chamado por Beatriz, paixão da infância de Dante, que o viu em apuros e decidiu ajudá-lo. Ela desceu do céu e foi buscar Virgílio no Limbo. O caminho proposto por Virgílio consiste em fazer uma viagem pelo centro da terra. Iniciando nos portais do inferno, atravessariam o mundo subterrâneo até chegar aos pés do monte do purgatório. Dali, Virgílio guiaria Dante até as portas do céu. Dante então decide seguir Virgílio que o guia e protege por toda a longa jornada através dos nove círculos do inferno, mostrando-lhe onde são expurgados os diferentes pecados, o sofrimento dos condenados, os rios infernais, suas cidades, monstros e demônios, até chegar ao centro da terra, onde vive Lúcifer. Passando por Lúcifer, conseguem escapar do inferno por um caminho subterrâneo que leva ao outro lado da terra, e assim voltar a ver o céu e as estrelas.
Purgatório: Saindo do inferno, Dante e Virgílio se vêem diante de uma altíssima montanha: o Purgatório. A montanha é tão alta que ultrapassa a esfera do ar e penetra na esfera do fogo chegando a alcançar o céu. Na base da montanha encontram o ante-purgatório, onde aqueles que se arrependeram tardiamente dos seus pecados aguardam a oportunidade para entrar no purgatório propriamente dito. Depois de passar pelos dois níveis do ante-purgatório, os poetas atravessam um portal e iniciam sua nova odisséia, desta vez subindo cada vez mais. Passam por sete terraços, cada um mais alto que o outro, onde são expurgados cada um dos sete pecados capitais. No último círculo do purgatório, Dante se despede de Virgílio e segue acompanhado por um anjo que o leva através de um fogo que separa o purgatório do paraíso terrestre. Finalmente, às margens do rio Letes, Dante encontra Beatriz e se purifica, banhando-se nas águas do rio para que possa prosseguir viagem e subir às estrelas.
Paraíso: O Paraíso de Dante é dividido em duas partes: uma material e uma espiritual (onde não há matéria). A parte material segue o modelo cosmológico de Ptolomeu e consiste de nove círculos formados pelos sete planetas (Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno), o céu das estrelas fixas e o Primum Mobile - o céu cristalino e último círculo da matéria. Ainda no paraíso terrestre, Beatriz olha fixamente para o sol e Dante a acompanha até que ambos começam a elevar-se, "transumanando". Guiado por Beatriz, Dante passa pelos vários céus do paraíso e encontra personagens como São Tomás de Aquino e o imperador Justiniano. Chegando ao céu de estrelas fixas, ele é interrogado pelos santos sobre suas posições filosóficas e religiosas. Depois do interrogatório, recebe permissão para prosseguir. No céu cristalino Dante adquire uma nova capacidade visual, e passa a ter visão para compreender o mundo espiritual, onde ele encontra nove círculos angélicos, concêntricos, que giram em volta de Deus. Lá, ao receber a visão da Rosa Mística, se separa de Beatriz e tem a oportunidade de sentir o amor divino que emana diretamente de Deus, "o amor que move o Sol e as outras estrelas".

A JOVEM RAINHA VITÓRIA

Vencedora do Oscar de figurino em 2010, "A Jovem Rainha Vitória" não se limita a apostar no luxo de uma cuidadosa produção de época. Atualizada pelo olhar do diretor canadense Jean-Marc Vallée ("C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor"), a soberana britânica que mais tempo reinou (64 anos) livra-se da aura de conservadorismo normalmente associada ao seu nome ao ser focalizada em sua juventude, antes da consolidação de seu mito. O filme estreia em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte.
A atriz inglesa Emily Blunt ("O Diabo Veste Prada") entra na pele de Vitória pouco antes de completar 18 anos. Neste período, ela vive não só uma angustiante solidão, mas uma grande tensão e medo na mesma medida. Como ela revela tão espirituosamente na narração que abre o filme, ainda não via nenhuma vantagem em ser quem era, a única herdeira ao trono de uma família real desprovida de crianças.
A exclusividade de sua situação tornou-a alvo de uma intensa pressão por parte de sir John Conroy (Mark Strong, de "Sherlock Holmes"), o administrador dos bens e possível amante de sua mãe, a duquesa de Kent (Miranda Richardson), que desejava a todo custo que Vitória o nomeasse regente. Mas a garota resistiu e chegou ao trono com a morte de seu tio, o rei William 4o (Jim Broadbent).
A câmera em primeiro plano que acompanha toda a intimidade de Vitória na corte, com diversos closes no rosto da atriz, carrega na subjetividade da jovem rainha, cujos sentimentos são revelados pelas sutis expressões faciais de Emily Blunt - que, na época da filmagem com 25 anos, consegue carregar o papel desde a adolescência até a entrada na maturidade.
O foco em muitas cenas restritas ao círculo mais íntimo da rainha reforça não só esta subjetividade do temperamento altivo de Vitória como expõe por dentro a redoma em que a realeza mantém-se fechada. A leveza que se procura fica por conta do comportamento dos personagens. Neste sentido, até mesmo a linguagem empolada do final do século 19 é atenuada no limite da verossimilhança.
Um aliado poderoso na criação deste clima é o premiado roteirista Julian Fellowes (vencedor do Oscar da categoria por "Assassinato em Gosford Park"). Ele equilibra a história entre as inevitáveis intrigas palacianas, revelando uma Vitória ainda imatura diante das manipulações dos que lhe estão próximos - como o primeiro-ministro lorde Melbourne (Paul Bettany), que procura insinuar-se inclusive para casar-se com ela.
Vitória é vista muito de perto, no seu quarto, de camisola, se trocando, brincando com seu cachorro, confessando seus temores às suas damas de companhia. Aparece ao mínimo envergando sua coroa, na pompa máxima de sua condição. Tudo isto, mais a opção de reforçar o lado romântico, seu namoro e casamento com o primo e príncipe Albert (Rupert Friend), completam a humanização da soberana.
Depois de assistir ao filme, fica um pouco mais difícil lembrar a imagem física normalmente associada a Vitória, a matrona gorducha vestida de preto depois da viuvez, que ela viveu por 40 anos, a partir de 1861. Por outro lado, é mais fácil compreender o espírito da dama de ferro que conduziu o império britânico no auge de seu poderio.
Não deve ter sido difícil à produção filmar em nada menos do que nove castelos ou mansões pertencentes ao Estado britânico, o que garante a fidelidade documental dos magníficos cenários.
Afinal, uma das produtoras do filme é ninguém menos do que a duquesa de York, Sarah Ferguson, ex-esposa do príncipe Andrew. Outro produtor é o cineasta norte-americano Martin Scorsese.
(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

CONTROVÉRSIAS SOBRE O DESCOBRIMENTO DO BRASIL

Vicente Yáñez Pinzón, navegador espanhol, partiu do porto de Palos de la Frontera, no Sul da Espanha, a 19 de novembro de 1499. Em janeiro de 1500 alcançou a costa brasileira, tendo avistado um cabo que denominou como Santa Maria de la Consolación, tendo desembarcado na que é identificada atualmente como praia do Paraíso, no Cabo de Santo Agostinho, estado de Pernambuco. O navegador prosseguiu em sua viagem e, em fevereiro, alcançou a foz do rio Amazonas, que batizou como Mar Dulce.
O seu primo, o navegador espanhol Diego de Lepe, teria atingido a costa brasileira em março de 1500.
As viagens de Pinzón e de Lepe, assim como a chegada de ambos ao Brasil não constam da maior parte das obras oficiais de História do Brasil pois, pelos termos do Tratado de Tordesilhas (1494), as terras descobertas por ambos pertenciam, de fato, a Portugal.
Mas existem probabilidades de que mesmo esses navegadores não tenham sido os primeiros europeus a desembarcar em terras brasileiras.
Já em 1325 circulavam em Portugal lendas e mapas sobre uma terra assinalada como Hy-Brazil situada além-mar.
Na disputa com a Espanha por novas terras, os portugueses realizam expedições sigilosas, denomiadas de "arcanos". Assim, há relatos de que João Coelho da Porta da Cruz e Duarte Pacheco Pereira teriam estado na costa do Brasil, respectivamente em 1493 e 1498.
Sem se lançar na questão da intencionalidade do descobrimento, Capistrano de Abreu, nos seus Capítulos da História Colonial, afirma:
"Seguindo a corrente do Sul, os portugueses, induzidos a amarrar-se à procura de ventos mais francos para dobrar o cabo [da Boa Esperança], encontraram a zona dos alíseos e vieram dar no hemisfério ocidental com Pedro Álvares Cabral."
Cabral era o capitão da esquadra que zarpou de Lisboa para as Índias a 9 de março de 1500, contornando a África. A certa altura da viagem, tendo já ultrapassado as ilhas Canárias, a sua frota - da qual não se sabe ao certo quantos navios teria, discutindo-se se entre doze ou quatorze -, desviou-se para Oeste a pretexto de desviar de um trecho do Oceano Atlântico conhecido pelas calmarias, ou ausência de vento - a chamada volta do mar. Existe controvérsia sobre o motivo do desvio, pois alguns autores sugerem que os portugueses teriam vindo ao Brasil pelo menos quatro anos antes. Cabral, nessa linha de argumentação, não procurava um caminho seguro para as Índias, porque este já era conhecido, tendo sido percorrido anteriormente pela Armada de Vasco da Gama.
Cabral e o Gama já teriam conversado antes da viagem do primeiro. Na conversa, Cabral teria sido orientado a fazer a volta do mar, um grande arco rumo ao Oeste, a fim de aproveitar melhor as correntes do Atlântico, e fugir da corrente ascendente do Golfo da Guiné. Aliás, exatamente esse grande desvio a que os navios eram obrigados, teria fornecido aos navegadores os indícios da existência de terra naquela direcção.
É hoje quase certo que a frota de Cabral tinha como incumbência primordial localizar a terra e reclamá-la para a Coroa Portuguesa ao abrigo dos termos do Tratado de Tordesilhas. Dá-se como uma das provas disso o fato de um dos navios ter regressado de imediato para comunicar o achado ao rei D. Manuel I, enquanto que os restantes seguiam para a Índia; bem como o fato de seguir na frota um escrivão, Pero Vaz de Caminha, cuja missão era elaborar uma descrição detalhada da terra descoberta - a Carta a El-Rei D. Manuel sobre o achamento do Brasil, espécie de certidão de nascimento da nova terra.
De qualquer forma, a 22 de abril de 1500, Cabral nomeou como ilha de Santa Cruz a terra recém-descoberta. Discutem ainda os historiadores se o local onde aportou será mesmo o que se transformaria no arraial de Porto Seguro ou se seria a baía hoje denominada de Santa Cruz Cabrália, mais distante, rumo ao Norte, no Sul da costa da atual Bahia. A hipótese mais aceita é que isso ocorreu no ilhéu de Coroa Vermelha, onde vivem os índios pataxós.
Na carta que escreveu aos reis da Espanha em julho de 1501, o soberano português comunicou-lhes ter Cabral chegado a "uma terra que novamente se descobriu, a que pôs o nome de Santa Cruz, em que achou as gentes nuas como na primeira inocência, mansas e pacíficas, a qual parecem que N. Senhor milagrosamente quis que se achassem." (in: Sérgio Buarque de Holanda. História Geral da Civilização Brasileira v. I, p. 42)

DAVID


David ou Davi é uma das esculturas mais famosas do artista renascentista Michelangelo. O trabalho retrata o herói bíblico com realismo anatômico impressionante, sendo considerada uma das mais importantes obras do Renascimento e do próprio autor. A escultura atualmente encontra-se em Florença, na Itália, cidade que originalmente encomendou a obra.
É uma estátua em mármore e mede 5,17 m (cinco metros e dezessete centímetros). Devido à genialidade que sempre foi atribuída à obra, ela foi escolhida como símbolo máximo da República de Florença.
Michelangelo levou três anos para concluir a escultura (começou-a em 1501 e concluiu-a em 1504[1], revelando-a no dia 8 de setembro). Antes de Michelangelo receber a incumbência dessa obra, o bloco de mármore de carrara que ele usou havia ficado exposto ao tempo por 25 anos no pátio da catedral de Santa Maria del Fiore. O bloco foi danificado a ponto de diminuir de tamanho. Outros escultores já haviam recebido a incumbência da obra mas, por razões diversas, eles não se interessaram. Esse bloco foi rejeitado por grandes mestres como Duccio, Baccelino e Roselino. Michelangelo é considerado nesta obra uma espécie de inovador, pois retrata a personagem não após a batalha contra Golias (como Donatello e Verrochio antes dele fizeram), mas no momento imediatamente anterior a ela, quando David está apenas se preparando para enfrentar uma força que todos julgavam ser impossível de derrotar. Michelangelo neste trabalho usou o realismo do corpo nu e o predomínio das linhas curvas.
A obra permaneceu em frente ao Palazzo Vecchio, na Piazza della Signoria, até 1873, quando foi transferida para a Galleria dell'Accademia, em Florença, onde pode ser admirada atualmente.