quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O PRINCIPE DA PÉRSIA

Ambientado na mística Pérsia, filme é um épico de aventura e ação sobre um príncipe guerreiro e uma misteriosa princesa que lutam contra forças obscuras para salvaguardar uma antiga adaga capaz de libertar as Areias do Tempo, um dom dos deuses que dá à pessoa que o possui o poder de controlar o mundo.
"Príncipe da Pérsia" recria história com efeito especial
- Quando a ficção entra no campo da história oficial, nada impede que toda uma cultura seja reformulada para não desmentir o roteirista. Não diminui a legitimidade do filme, nem propriamente é prejudicial ao próprio povo selecionado para os caprichos de quem cria a trama. O limite é a clareza sobre o que se vê na tela.
"Príncipe da Pérsia", que estreia em circuito nacional, em cópias dubladas e legendadas, na quinta-feira, pode ser percebido como um exemplo disso. Já no início, enumera os feitos do grande império persa, para situar no tempo e espaço o espectador em uma fantasia repleta de engenhosos efeitos especiais.
O rei da Pérsia em questão é Sharaman (Ronald Pickup), um líder nato que tem como conselheiro seu irmão, Nizam (Ben Kingsley, de "Ilha do Medo"). Fictício, como todo o filme (exceto a apresentação), o rei é pai de dois filhos Garsiv (Toby Kebbell, de "RocknRolla") e Tus (Richard Coyle, de "Um Bom Ano"), o príncipe herdeiro.
No entanto, a família apenas se completa quando o rei adota Dastan, uma criança maltrapilha, que demonstra coragem e sabedoria ao defender um colega de rua. Como diz o narrador, ele é um predestinado e será decisivo para a história dessa civilização.
Depois de 15 anos, Dastan (agora, interpretado por Jake Gyllenhaal, de "O Segredo de Brokeback Mountain") se vê em meio a seus irmãos e tio numa difícil escolha: invadir ou não uma cidade sagrada que, segundo um espião persa, vende armas para os adversários de seu povo. Vencido no voto, o protagonista entra na cidade e captura a princesa Tamina (Gemma Arterton, de "Fúria de Titãs").
No entanto, ela guarda um segredo, uma adaga que tem o poder de voltar no tempo. O artefato cai nas mãos do herói que, graças a um complô, é acusado de matar o próprio pai adotivo. Dastan e Tamina fogem para iniciar a jornada que selará o destino de ambos.
Com uma história confusa e repleta de pontos de interrogação, "Príncipe da Pérsia" é uma produção cujo valor cosmético é maior do que o entendimento claro sobre o que se passa nas cenas. Com lutas bem coreografadas, imagens rápidas e com pontos de humor assertivos, o final da projeção, porém, provoca questionamentos quase risíveis.
Um exemplo prático é o de Amar (Alfred Molina, de "Educação"), uma espécie de comerciante ilegal que, em determinado momento do filme. afirma haver terças e quintas-feiras. Outro ponto de reflexão é a própria adaga, que necessita de uma espécie de areia divina para funcionar, inacessível aos humanos, mas de que a princesa possui até um refil.
É irrelevante a identidade do príncipe, que poderia ser persa ou de Marte, já que não há referências para sustentar a história. O diretor Mike Newell (de "Amor nos Tempos do Cólera" e "Harry Portter e o Cálice de Fogo") se esforça, mas não consegue dar jeito no que já começou errado, a partir de um mau roteiro.
Com um herói de aventura um tanto pobre (o primeiro de sua carreira), Jake Gyllenhaal sai também chamuscado desse deserto. O único que ri à toa mesmo é o produtor Jerry Bruckheimer, uma espécie de Midas em Hollywood (são dele as franquias "Piratas do Caribe", "Bad Boys" e, na TV, os múltiplos "CSIs"), que pensa em faturamento alto e rápido nas bilheterias.
(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

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