quinta-feira, 10 de março de 2011

O GRANDE DITADOR

Charles Chaplin é considerado por muitos como o maior gênio da sétima arte. Mesmo tendo vivido no início do século XX e produzido a maioria dos seus filmes até 1950, o criador de Carlitos continua sendo comentado, reprisado e endeusado por um enorme número de fiéis seguidores. Não é para menos, suas obras (como "Tempos Modernos", "Em busca do Ouro", "O Garoto", "O Circo", "Luzes da Cidade" e "O Grande Ditador") não perderam seu valor com o passar do tempo, continuam encantando platéias dos quatro cantos do mundo e, acima de tudo, mostraram-se tão grandiosas que suas tramas não se inscreveram apenas como registros do período em que foram feitos os filmes, ultrapassaram essa barreira.
Lembrem-se do filme "Tempos Modernos"  e vejam como Chaplin, em sua crítica a sociedade contemporânea, de bases industriais já não estava, com suas gags e paródias antevendo o stress, as correrias típicas de nosso cotidiano, os sistemas de trabalho onde os homens são apenas engrenagens adicionais ao trabalho das máquinas!
Em "O Grande Ditador", Chaplin antecipou o fenômeno Hitler na Alemanha, através de uma contundente sátira ao nazi-fascismo e um surpreendente clamor pela paz. Não compreendido pelos americanos acabou tendo que se retirar do país e se estabeleceu na Suíça. Uma grande perda pois, na Europa, tolhido dos meios e dos recursos necessários para seu trabalho e um tanto quanto descrente na indústria e no mundo, sua produção declinou e rareou.
A trama de "O Grande Ditador" nos revela algumas surpresas como o fato de Chaplin atuar em dois papéis, como o ditador de Tomânia (satirizando a Alemanha e seu Fuhrer) e no de um barbeiro judeu, celebrado como herói na 1ª Guerra e que, anos depois, ao sair do hospital onde ficara em recuperação dos traumas e choques daquele conflito, vê-se como parte de uma minoria perseguida pelas novas autoridades que reinam em seu país.
Depois de uma breve introdução, a história continua a partir do retorno do barbeiro a seu estabelecimento comercial, numa parte da cidade que foi transformada em gueto, onde todos os judeus foram confinados e vivem em total precariedade. Além das dificuldades materiais e privações, não havia liberdade para que as pessoas que ali viviam pudessem se deslocar de um lado para o outro e, além disso, elas eram vítimas de arbitrariedades e violências praticadas pelos soldados a serviço de Hynkel (leia-se Hitler).
Enquanto isso, nos gabinetes dos poderosos, o ditador fazia planos e mais planos de conquistar o mundo. É desse filme a célebre seqüência em que Hynkel dança com o globo terrestre em suas mãos numa suave alusão ao desejo de comandar os destinos do planeta. Há várias tiradas no filme que demonstram o quanto Chaplin estava sintonizado com o que ocorria no planeta, nessas seqüências por exemplo, menciona-se o arianismo e a estranha condição do ditador moreno comandando o futuro de Tomânia.
Outro detalhe interessante se refere a idéia de que uma das principais formas de se obter o apoio do povo se dava a partir da manipulação da opinião pública com o auxílio de propaganda pesada nos meios de comunicação ou com desfiles militares.
Um outro personagem destacado que aparece nessa trama é um sósia do ditador italiano Mussolini, que também tem pretensões expansionistas. Diferentemente da história, em que os destinos da Itália e da Alemanha se cruzam, os dois líderes são concorrentes e não estão dispostos a se associar.
A história sofre uma reversão quando Hynkel e o barbeiro judeu trocam de lugar, acidentalmente. Isso abre uma oportunidade sem igual para que os erros do verdadeiro ditador sejam reparados pela ação nobre do pobre e perseguido barbeiro. "O Grande Ditador" se revela no final, numa seqüência antológica, dessas verdadeiramente inesquecíveis, com um discurso de arrepiar os cabelos onde as palavras do personagem se fazem a de todos aqueles que acreditam que o mundo pode e deve viver em paz, equilíbrio e justiça.
Esse filme é recomendável para todas as disciplinas da área de humanas e códigos e linguagens. Permite que se façam redações com temáticas voltadas para os conflitos, abre possibilidade de se discutir ações em favor da paz, nos mostra que através da arte podemos estimular ações de benefício para a humanidade, nos convida a estudar a 2ª Guerra e suas motivações, a entender os fatores que fizeram com que grande número de pessoas morresse naquele conflito e as razões que nos movem a nunca mais promover tamanho genocídio. Imperdível!

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