quinta-feira, 17 de março de 2011

SPARTACUS

Spartacus
A liberdade a qualquer preço
Kirk Douglas protagonizou e produziu o filme "Spartacus", baseado no romance de mesmo nome do escritor Howard Fast e que foi roteirizado pelo grande Dalton Trumbo (nome certo nas listas negras do Macarthismo). Sabia bem o que estava fazendo, apostou suas fichas em um sucesso certo, num filme épico, cuja história centra-se na luta pela liberdade com a qual todo ser humano se identifica e, além disso, contou com o apoio de uma equipe que não poupou esforços para realizar um grande produto final, um filme de qualidades indiscutíveis.
Um dos melhores trunfos do filme foi a contratação do ainda jovem Stanley Kubrick para a direção do filme. Desde cedo Kubrick já demonstra sua grande habilidade de realizar um filme diferenciado, com destaque para a utilização de grande número de extras para as cenas de batalhas entre os romanos e o exército de escravos liderados por Espártaco.
O mais interessante, no entanto, é que "Spartacus" conta a história de um personagem marcante da história da Roma Republicana, um escravo de destacado porte físico que, tirado de regiões de mineração é levado para uma escola de gladiadores, onde passa a ser treinado para entrar no circo romano, nas areias do Coliseu e acaba se tornando o líder de uma das maiores rebeliões de escravos de todos os tempos.
O fato de estarmos falando de um personagem histórico, que faz parte do rol dos povos que foram vencidos e que poderiam ter sido esquecidos ao longo da história, que foi submetido ao poder do "glorioso" Império Romano e que, apesar de todos os problemas que encontrou ainda teve fôlego para atravessar os mais de 2 mil anos que separam os acontecimentos em que esteve envolvido da produção do filme que conta sua história, já nos dá uma dimensão da magnitude de Espártaco (Kirk Douglas).
O atrevimento desse general-gladiador foi tão grande que os próprios escribas romanos fizeram questão de produzir textos a respeito do fenomenal levante que quase pôs tudo a perder nas terras dos patrícios que conduziam politicamente a Roma daquele tempo. Para derrotá-lo, os romanos tiveram que dar a Crasso (personagem do lendário ator inglês, Laurence Olivier) poderes que extrapolavam a autoridade do Senado, tornando-o um autêntico imperador, príncipe ou rei numa época em que ainda vivia-se em Roma sob a égide da República e, na qual, a simples menção ao governo de um monarca encontrava oposição nas ruas e, principalmente entre os próprios senadores (o que torna-se evidente através da figura de Graco, vivido pelo ator Charles Laughton).
As sequências em que Espártaco é treinado para se tornar gladiador, numa escola em que os "alunos" aprendem o manejo de gládios, tridentes, redes, escudos e lanças; onde a preparação física é a maior das prioridades e onde ninguém deve fazer amigos (pois, segundo diálogo do filme, poderiam se encontrar numa arena qualquer e teriam que se matar) abre a história do filme, logo após trecho inicial em que Espártaco foi escolhido numa mina da Líbia (possessão romana no norte da África) por conta de sua boa condição física e da qualidade de seus dentes (um dos pormenores examinados pelos compradores de escravos quando pretendiam adquirir um novo cativo).
Nessa escola, Espártaco é humilhado por seus treinadores e acaba se apaixonando por uma jovem cozinheira que trabalha por ali (onde além de serviços domésticos é obrigada a se entregar aos escravos como recompensa pelos bons resultados obtidos nos treinamentos). A chegada de Crasso, acompanhado de duas jovens e um outro nobre, que pagam uma alta soma para assistir a duas autênticas lutas de gladiadores, esperando a morte dos perdedores ao final, acaba motivando Espártaco a liderar uma rebelião e a fuga dos gladiadores cativos.
A princípio encarados como preocupação menor do império, os fugitivos começam a arregimentar maior número de seguidores a cada dia que passa. A promessa de liberdade do jugo imposto pelos romanos faz com que eles tenham um contingente respeitável de "soldados" para enfrentar as legiões romanas. E para esses lutadores perder a vida não é um preço tão alto já que, como escravos, não se sentiam tão vivos assim.
A liderança de um grupo de homens habituados a lutar e as vitórias espetaculares obtidas nas primeiras batalhas afetam a confiança dos romanos que, desesperados cedem as exigências de Crasso, que passa a ter como auxiliar direto ninguém menos que o posteriormente celebrado, Júlio César (John Gavin). A Traição dos piratas sicilianos que não se apresentam no local combinado com os navios para transportar os escravos em fuga, obriga Espártaco e seu exército a marcharem em direção a Roma. Estava selado o destino do grupo. Haviam caído na armadilha do exército romano.
Imperdível e, por excelência um grande clássico, "Spartacus" nos comove por tratar de um tema fundamental para a existência da humanidade, a liberdade. Contando com um elenco fenomenal (Kirk Douglas, Laurence Olivier, Charles Laughton, John Gavin, Jean Simmons, Peter Ustinov e Tony Curtiss), tendo a direção do consagrado (ainda que naquela época se iniciando na ofício) Stanley Kubrick e contando com recursos para um grande espetáculo épico, "Spartacus" é obra fundamental na videoteca de qualquer estudioso, de qualquer área do conhecimento.




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