sexta-feira, 29 de abril de 2011

PLATOON

Platoon
A guerra depois de Woodstock
 Sempre que pensamos em filmes de guerra nos ocorrem imagens de soldados valentes, enfrentando situações complicadíssimas, tendo que lidar com a dureza da perda de companheiros nas frentes de batalha, confrontando-se com inimigos ardilosos que não hesitam em utilizar-se de expedientes baixos, tendo no comando superiores carrascos e exigentes e que, superando todas as adversidades mencionadas, conseguem com o auxílio de seu batalhão, vencer.
O maiores arquétipos criados pelo cinema americano no que se refere ao modelo de soldado citado acima foram os personagens vividos por John Wayne (que além disso, virou modelo de homem da lei no "Velho Oeste"), que em virtude de todas essas referências, acabou por se tornar uma lenda ainda em vida. Wayne simbolizava o homem americano, destemido por natureza, explorador, ousado e, acima de tudo, muito valente (enfrentava qualquer situação mesmo as mais temíveis e as mais complexas). Outros tentaram seguir seu caminho ao longo das décadas seguintes, com especial destaque para Sylvester Stallone e seu personagem John Rambo, um veterano da Guerra do Vietnam.
Falando em Vietnam, voltemos ao foco de nossas atenções no artigo de hoje, o filme "Platoon", do conceituado diretor Oliver Stone (também responsável pelo roteiro desse filme). Essa guerra, tão trabalhada em filmes, em nosso país conta com poucos títulos publicados a seu respeito e, normalmente, é desprezada nas escolas, raramente constando das propostas de planejamento dos setores de história ou geografia. Alguns podem argumentar que se trata de um acontecimento que diz respeito a história dos Estados Unidos. Outros podem deduzir que, já que os vestibulares não cobram (a não ser raramente) através de questões tal temática, que motivos nos atraem a estudar esse conteúdo? Ainda há aqueles que consideram o fenômeno "Guerra do Vietnam" (se esquecem que esse conflito está inserido na Guerra Fria) pouco representativo para a humanidade, portanto, não passível de estudos mais detalhados. E muitas outras opiniões poderiam ser formuladas para rejeitar o assunto nas escolas.
Mas, que relação existe entre John Wayne e o filme "Platoon"? Se tal tema não é interessante na visão de muitas pessoas, porque deveríamos estudá-lo?
 Um dos grandes méritos de "Platoon" foi o de quebrar essa visão heróica dos soldados americanos nas frentes de batalha (representados pelos personagens de John Wayne e outros cowboys americanos que fazem da guerra o seu cenário de duelos). Apresentá-los fragilizados diante de tamanha bárbarie, da qual eram também (e, em muitos casos, principalmente) responsáveis, recorrendo ao uso de maconha ou álcool, amedrontados em algumas situações, lidando com as vaidades individuais onde o coletivo deveria se sobrepor aos interesses de cada um e agindo com brutalidade excessiva em situações em que a força desmedida não era evidentemente necessária, constituem uma nova visão da guerra.
Distanciar os soldados da noção de pátria (mesmo que estivessem agindo em nome dos Estados Unidos), aproximando-os de uma necessidade de sobrevivência pessoal, retirando do cenário a tradicional solidariedade que sempre foi apresentada como praxe em situações extremas como as de uma guerra fizeram com que Stone se tornasse "persona non grata" aos olhos dos militares americanos e que, ainda fosse rotulado de esquerdista pelos conservadores políticos.
 "Platoon" nos coloca no front, lado a lado com os soldados, caminhando pelas selvas do Vietnam, assustados com a possibilidade de emboscadas por parte dos vietcongues; o filme nos faz sentir o ódio pulsando nas veias dos norte-americanos em relação a inimigos invisíveis (que quando eram capturados, sofriam as consequências dessa amargura, dessa angústia, desse rancor) e nos prova a fragilidade dos homens que ali estiveram ao nos mostrar os momentos em que eles relaxavam (literalmente, embalados pelo som dos anos 1960, da geração Woodstock, da pregação pela paz enquanto eles, literalmente, sujavam suas mãos com o sangue da guerra) com o auxílio das bebidas, da nicotina e da marijuana.
Porém, a despeito das qualidades ou da "sensibilidade" do filme, se o tema Vietnam não consta dos programas e exames nacionais, o que nos motiva a vê-lo ou estudá-lo?
 O estudo da história no Brasil parece temer um exame mais minucioso de temas que estejam mais próximos no tempo. Omitem-se informações sobre a ditadura militar brasileira (1964-84), pouco se fala sobre as crises do Oriente Médio, quase nada aparece a respeito do caso Watergate que derrubou o presidente Nixon nos EUA, muitos jovens desconhecem os ícones da contra-cultura como Janis Joplin ou Jimmi Hendrix. O imbróglio no Vietnam está entre esses e muitos outros assuntos recentes que não são discutidos.
No entanto, essa história diz respeito as gerações que estão atuando no mercado de trabalho, que comandam os destinos de nações, que se preparam nas escolas. Ela é de nosso interesse, refere-se a acontecimentos que mudaram o destino do planeta, que estabeleceram novos parâmetros, novas tendências. Desprezá-los significa não permitir aos jovens de hoje em dia que conheçam parte importante dos motivos que explicam por que o mundo atual se encontra no estágio em que está e não permite que eles (desconhecendo as causas que impulsionam parte dos sérios problemas mundiais) sejam capazes de atuar com firmeza na solução dos mesmos. Faz-se necessário que sejam abertas possibilidades para que esses assuntos venham a público. Se a porta de entrada for um livro ou um filme, uma discussão na faculdade ou no Ensino Médio, não importa, o que interessa é que ela aconteça. Que venha então "Platoon"!

terça-feira, 19 de abril de 2011

A SOCIEDADE DE CONSUMO E A ESCOLA

Me pergunto, qual será o papel da escola frente a uma sociedade ocidental extremamente consumista? Como as escolas, principalmente as públicas, poderam lutar ou competir com esse mundo de informações e consumo avassalador? Como trazer crianças e adolescentes para a coletividade? Isso se torna mais dificil ainda, pois o que é transmitidos a eles, principalmente através da mídia, é ser individualista.

As perguntas, muitas delas, no momento parece não ter respostas. Mas com certeza a escola é um importante caminho para a construção não só do conhecimento, mas também da convivência em grupo. Principalmente de formar pessoas mais solidárias, mais conscientes de que somente com a coletividade poderá se construir efetivamente um mundo melhor. Sabemos que cada sociedade sozinha não mudará muita coisa, mas se cada uma fizer uma parte, sentiremos os efeitos das mudanças.

Mas para isso, e necessário também, que os professores tenham essa visão, pois o que ocorre, é que muitos professores se encontram inseridos dentro do sistema consumista e individualista e acaba por transmitir esses valores aos seus alunos. Portanto, a mentalidade do corpo docente também tem que mudar, tem que ser trabalhada, para a partir daí começarmos um trabalho realmente inovador e que não seja só maisum projeto bonito somente no papel, como é na maioria dos casos.

A escola não pode ser apenas um lugar de transmissão de conhecimentos, mas sim de construção de uma nova sociedade que tenha como preocupação essencial o ser e não o ter. A verdadeira revolução não se faz com armas, mas sim com ideias.
Fabrício Colombo.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

ESTOU CANSADO DA DEMAGOGIA NESTE PAÍS, ONDE TUDO SE EXPLICA, ONDE TUDO SERÁ OU ESTÁ SENDO RESOLVIDO, MAS A TODOS SE ENGANAM E NADA É RESOLVIDO!

HITLER E STALIN

Charge referente aos acordos de Hitler e Stalin durante o período que antecede a Segunda Guerra Mundial.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A EDUCAÇÃO E NÓS

Dificilmente hoje, alunos do ensino médio das escolas públicas estaduais concluem os três anos de estudo e, aqueles que o fazem conquistam um certificado. Entretanto, isso não significa que eles tem o devido conhecimento ou preparo necessário que deveriam ter para um jovem que estudou no mínimo 11 anos (8 no ensino fundamental e 3 no ensino médio). Os problemas que causam essa realidade são muitos. Podemos considerar alguns.

Primeiramente destacamos a contradição entre os discursos e as práticas governamentais. Para os governantes tudo está sempre sendo resolvido e melhorado, mas as escolas continuam com falta de equipamentos, falta de professores e de funcionários, falta de especialistas como orientação, supervisão, bibliotecário, etc.; além das desgastadas e envelhecidas estruturas dos prédios das escolas. Portanto, a realidade vivida por professores e alunos é bem diferente daquelas pronunciadas pelos governos. Só não vê que não quer ver.

Porém, não sou do tipo que acha que a culpa é só do Estado e dos governos. Pois nós professores também somos responsáveis. Muitos estão desmotivados, outros acomodados e alguns num mundo de faz de conta. Sobra uns poucos profissionais que tentam fazer algo diferente, mas acabam esbarrando em outros problemas. A sociedade, infelizmente passou a ver a escola como uma “grande creche”, onde os professores devem cuidar e educar seus filhos. Quero lembrar aos pais que não é bem assim. A escola prima pelo conhecimento e pela formação de cidadãos, a educação básica vem de casa. E, aliás, falta muita educação atualmente entre pais e filhos e, isso acaba refletindo na relação entre professores e alunos no ambiente escolar.

Por último os alunos. Ah! Os alunos. Muitos dos nossos alunos não querem nada com nada, tudo é difícil: estudar, ajudar a escola, etc. Culpa do paternalismo político do nosso país. Claro que é difícil, estudar e trabalhar, quando deveriam estar só estudando. Porém, muitos do que trabalham se fazem de vitimas, querendo tirar vantagens para não fazer o esforço, que é o mínimo que deveria fazer. Outro problema é que fazem da escola um ponto de encontro e não um lugar de troca de conhecimento, de aprofundamento de sua aprendizagem e de seus saberes. Não aproveitam o tempo e o espaço para crescerem como pessoas. E aqueles que tentam são ridicularizados numa total inversão de valores. Como esses alunos sairão do ensino médio? Será que preciso responder. E olha que nem falei da violência, das drogas, etc.

Mas soluções existem, basta querer. É só cada parte do processo que envolve a educação fazer a sua parte. Ao Estado e aos governantes que parem com discursos demagógicos e cumpram suas promessas de realmente investir em uma educação de qualidade e não de faz de conta. Aos professores, que sejam professores, que não se curvem diante de doutrinas políticas, que cobrem de seus alunos, que ensinem, que exijam o que tem que ser exigido, que assumam a responsabilidade do que é ser um professor. Aos pais que incentivem seus filhos ao estudo, que os eduquem, que cobrem, que participem, que elogiem, pois a educação não é uma exclusividade da escola.

E aos alunos eu só peço uma única coisa, que estudem. Isto é, estudante, estuda, não choraminga; estudante, estuda, não lamenta; estudante, estuda e corre atrás; estudante, estuda e não faz de conta; estudante, estuda, lê, pensa, responde, argumenta e adquire conhecimento e com ele se torna livre. Ao contrário será mais um escravo da ignorância, esse câncer social. E partir do momento que tivermos mais estudantes e menos “coitados”, teremos pessoas melhores, mais realizadas e por consequência uma sociedade melhor, menos reclamona e mais ativa.
Professor Fabrício Colombo.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

DEMOCRACIA: LIBERDADE E IGUALDADE

Os princípios básicos da democracia são a liberdade e a igualdade. Porém, estes princípios não eram respeitados na íntegra nem pelos gregos antigos, criadores da democracia. De lá pra cá, os princípios democráticos se mantiveram os mesmos, ora evoluindo, ora retrocedendo.

Tendo o nosso país como exemplo, logo perceberemos que nossa democracia é muito incompleta. Vejamos o caso da liberdade, que corresponde aos direitos de ir e vir, de expressão e de escolha. Os dois primeiros são realidades, porém, não somos livres para escolher o nosso direito de participação, se queremos ou não participar do processo político. Trata-se de uma obrigação, portanto, não de um direito, neste caso de escolha. Mas isso ocorre por um motivo muito simples, os cidadãos brasileiros em sua maioria não são qualificados. Se o voto, sendo obrigatório como é, tem pessoas que o negociam, imaginem se ele for livre, vai virar leilão. O que nos falta é consciência e em alguns casos caráter, para compreendermos que o bem comum é mais importante que os benefícios individuais de alguns.

Entretanto, o problema maior de nossa democracia não é a liberdade e sim a igualdade. Nesse aspecto temos muitas dificuldades, desde lei que privilegiam alguns até a total falta de igualdade de condições e oportunidades. Não somos iguais perante a lei como é propagado. Infelizmente as condições socioeconômicas determinam nosso grau de igualdade, assim, como nosso status social: juízes, políticos, militares, promotores, entre outros que possuem fórum privilegiado. Portanto, existem vários fatores de desigualdade entre os cidadãos brasileiros, tanto social como econômico, cultural e de privilégios.

Dessa forma fica claro que nossa democracia é falha. Por que não podemos esquecer que democracia não é só o direito de votar e ser votado. É ter acesso à saúde, ao trabalho, etc. E não podemos esquecer fundamentalmente que é necessário conscientizar o povo, da sua importância numa participação social qualificada no processo democrático. Só que para termos cidadãos mais qualificados, se torna imprescindível uma educação realmente de qualidade, que prepare as pessoas não só para o mercado de trabalho como se prepara um robô, mas para uma vida mais humana, que seja capaz de compreender que o bem comum também lhe proverá o bem individual.
Fabrício Colombo.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

BENHUR

Ben-Hur

Pela liberdade dos povos
A chegada de um novo líder militar romano na região da Ásia Menor provocou mudanças radicais na vida de um jovem e próspero filho da terra, pertencente a famílias tradicionais daquela região e que, em sua infância havia sido amigo próximo do novo representante do império em suas terras. Os tempos eram bem outros, cada um havia cuidado muito bem de seus próprios futuros e haviam conquistado o respeito e a tranquilidade a que se podem dignar os vencedores.
Esse personagem de nome Ben-Hur (Charlton Heston) teve o prazer de recepcionar o novo general romano, chamado de Messala (Stephen Boyd), em seus aposentos logo que ele chegou e, foi tratado com a cordialidade reservada aos grandes amigos. Conversaram sobre os velhos tempos e sobre o que havia acontecido com cada um deles no período em que estiveram longe um do outro. Quando a conversa mudou de temas que os aproximavam para as questões políticas da região, as coisas esquentaram.
Num instante perceberam que o que os unia havia desaparecido e que, aquilo que permanecia, os diferenciava e os afastava. Nesse momento passaram a vivenciar com intensidade as relações políticas daquela época, que os tornavam representantes do Império (no caso do general) e das províncias dominadas por Roma (no caso do judeu Ben-Hur). Messala reclamando da indisposição das populações locais em aceitar a dominação romana e, Ben-Hur pedindo por maiores facilidades para os comerciantes e o povo judeu.
Utilizando-se da amizade que os aproximava, Messala tentou convencer Ben-Hur a ajudá-lo na identificação e captura de pessoas que estavam causando agitações e mal-estar para os romanos na região. A simples menção a possibilidade de traição de seu povo despertou Ben-Hur para as intenções de Messala. Negando qualquer possibilidade de ajudá-lo, Ben Hur voltou para casa. Antes disso, convidou Messala para visitá-lo e rever seus familiares.
A visita de Messala a casa de Ben-Hur, marcada pelo reencontro do romano com seus antigos amigos (a mãe e a irmã de Ben-Hur) e com ambientes por ele frequentados quando ainda era uma criança, não terminou muito bem. A intenção de Messala, de obter informações a respeito dos traidores que ameaçavam a estabilidade daquela região, foi novamente refutada por Ben-Hur. A partir desse momento rompia-se qualquer possibilidade de amizade entre os dois homens. A história pessoal de Ben-Hur estava prestes a ser mudada por completo. Faltavam apenas pequenos detalhes.
No dia seguinte a visita de Messala ocorreu a chegada do novo governador romano designado para aquela província romana. Um acidente interpretado como atentado a vida do governador acabou condenando Ben-Hur as galés romanas (virou escravo e foi remar nas embarcações romanas que circulavam pelo Mar Mediterrâneo).
O trecho apresentado acima nos introduz na saga desse personagem, marcada por momentos de heroísmo e de tragédia, pincelada com sequências espetaculares que entraram para a história do cinema mundial (a corrida de bigas no Circo Máximo é espetacular e merece ser vista algumas vezes) e premiada com 11 Oscars pela Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood (melhor filme, diretor, ator para Heston, ...).
Ben-Hur pode ser citado como um dos maiores épicos já produzidos pelo cinema ao lado de “Spartacus” e “Os Dez Mandamentos”. Os maiores méritos do filme, para as pessoas que lidam com educação, referem-se a reprodução do período em que o filme transcorre (roupas, transportes, habitações, alimentação,...), a apresentação da escravidão entre os romanos como sendo uma das bases que sustentou o império, o reforço do conceito de Império (que domina suas províncias e as explora para manter seu luxo e ostentação), a demonstração de partes do cotidiano dos romanos (como a participação nos jogos, especificamente nas corridas que ocorriam no Circo Máximo) e a luta dos povos dominados contra a opressão a que estavam submetidos.
A resistência a opressão, caracterizada como direito elementar na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, ainda não havia entrado em vigor, no entanto, a força dos homens que se negaram a abaixar suas cabeças e admitir sua condição de subalternos alimenta a história humana há muito tempo. “Ben-Hur” é uma dessas oportunidades de conferirmos essa disposição de certas pessoas ao longo dos séculos.
Governos despóticos, tirânicos e imperialistas ao longo dos tempos tem obtido vitórias e mantido durante algum tempo sua dominação sobre povos e pessoas, no entanto, em momento algum deixou de existir a disposição de lutar contra essa situação. No caso dos romanos, especificamente, lutava-se contra as imposições culturais, contra as altas taxas e impostos, contra a escravidão aplicada a pessoas das áreas dominadas.
Entre o período de domínio romano e o atual século XXI muita água já rolou, no entanto, algumas regiões continuam se achando superiores as demais e tentam, ainda hoje, estender suas garras sobre as terras, as pessoas, sua capacidade de trabalho, os recursos obtidos com o trabalho e suas culturas particulares. A lição dos romanos não foi bem aprendida, talvez seja hora de revermos grandes clássicos como “Ben-Hur” e “Spartacus”. Apesar de ser um autêntico longa-metragem (219 minutos), não dá pra não assistir “Ben-Hur”, o filme é imperdível.

terça-feira, 5 de abril de 2011

OS SERTÕES

Este livro é dividido em três partes:

A Terra, O Homem e A Luta.

A Terra é uma descrição detalhada feita pelo cientista Euclides da Cunha, mostrando todas as características do lugar, o clima, as secas, a terra, enfim.

O Homem é uma descrição feita pelo sociólogo e antropólogo Euclides da Cunha, que mostra o habitante do lugar, sua relação com o meio, sua gênese etnológica, seu comportamento, crença e costume; mas depois se fixa na figura de Antônio Conselheiro, o líder de Canudos. Apresenta se caráter, seu passado e relatos de como era a vida e os costumes de Canudos, como relatados por visitantes e habitantes capturados. Estas duas partes são essencialmente descritivas, pois na verdade "armam o palco" e "introduzem os personagens" para a verdadeira história, a Guerra de Canudos, relatada na terceira parte,

A Luta é uma descrição feita pelo jornalista e ser humano Euclides da Cunha, relatando as quatro expedições a Canudos, criando o retrato real só possível pela testemunha ocular da fome, da peste, da miséria, da violência e da insanidade da guerra. Retratando minuciosamente movimento de tropas, o autor constantemente se prende à individualidade das ações e mostra casos isolados marcantes que demonstram bem o absurdo de um massacre que começou por um motivo tolo - Antônio Conselheiro reclamando um estoque de madeira não entregue - escalou para um conflito onde havia paranóia nacional pois suspeitava-se que os "monarquistas" de Canudos, liderados pelo "famigerado e bárbaro Bom Jesus Conselheiro" tinham apoio externo. No final, foi apenas um massacre violento onde estavam todos errados e o lado mais fraco resistiu até o fim com seus derradeiros defensores - um velho, dois adultos e uma criança.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

JUSTIÇA E DIREITOS HUMANOS

Infelizmente o nosso país não pode ser considerado um Estado justo. Além da grande injustiça social vigente no Brasil, que não é o caso a ser abordado aqui, perecemos de uma justiça legal, que seja eficaz e realmente puna a quem merecer.

Os romanos já diziam "a lei é dura, mas é a lei". No Brasil "a lei é mole, mas é a lei". E aí está o problema, na legislação que em nome de defender os inocentes é cheia de prerrogativas que impedem que os culpados sejam condenados. E quando os são, todos sabemos que eles não vão cumprir a pena. Mais cedo ou mais tarde, por fulga ou agraciados com as benecies da lei. Benefícios esses que não são agraciados os trabalhadores e cidadãos honestos. Também sabemos que esses apenados em liberdade, vão voltar a cometer os mesmos crimes pelos quais já foram presos e condenados, mas mesmo sabendo são postos em liberdade. Isso, logicamente é uma insanidade, para não dizer burrice. Mas a lei permite.

Não bastando o problema da nossa legislação, que deveria proteger os corretos e punir os maus feitores, os direitos humanos no Brasil ao invés de ajudar, atrapalham. Quero salientar que não sou contra os direitos humanos, principalmente daqueles que trabalham, estudam e se esforçam para construir uma sociedade mais justa e igualitária. Defendo os direitos humanos, daqueles que passam fome, daqueles que ficam atirados nos corredores dos hospitais, dos idosos e crianças abandonados, etc. São esses, que as pessoas defensoras dos direitos humanos tinham que defender, tinham que se preocupar e não com aqueles que matam esses.

Sei que a violência em uma sociedade está intimamente ligada às condições socioeconômicas de sua população, mas enquanto nós, como sociedade, como nação, não conseguirmos atingir uma justiça social mais digna, que com certeza diminuirá a violência, é necessário uma legislação mais eficiente e até mais dura e intolerante em certos casos. Principalmente a crimes e criminosos, sejam eles de colarinho branco ou assassinos. È necessário punir, cortar o mal pela raiz. Afinal, quem está sendo punido atualmente no Brasil com essa nossa legislação branda e leviana? Quem são os privilegiados dessas leis? Os inocentes ou os culpados?
Fabrício Colombo.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

MOVIMENTO ESTUDANTIL: FOCO DE RESISTÊNCIA A DITADURA

Nas décadas de 60 e 70, o movimento estudantil universitário brasileiro se transformou num importante foco de mobilização social. Sua força adveio da capacidade de mobilizar expressivos contingentes de estudantes para participarem ativamente da vida política do país.
Dispondo de inúmeras organizações representativas de âmbito universitário (os DCEs: diretórios centrais estudantis), estadual (as UEEs: uniões estaduais dos estudantes) e nacional (representada pela UNE: União Nacional dos Estudantes), o movimento estudantil, com suas reivindicações, protestos e manifestações, influenciou significativamente os rumos da política nacional.

A expansão das universidades
Para entender como o movimento estudantil universitário tornou-se um importante fator político devemos, primeiramente, considerar algumas mudanças que afetaram o sistema de ensino superior público do país. No final da década de 50, ele começou a crescer, com a criação de inúmeras faculdades e universidades. Num país em desenvolvimento, o acesso ao ensino superior passou a ser condição fundamental para acelerar o processo de modernização, ao mesmo tempo que abria novos caminhos para a mobilidade e ascensão social.
Sua expansão resultou num aumento progressivo da oferta de vagas, que foram preenchidas por jovens provenientes, sobretudo, dos estratos médios da sociedade. As matrículas cresceram a uma taxa média de 12,5 % ao ano. Para traçar um panorama do aumento das vagas, basta constatar que, em 1945, a universidade brasileira contava com 27.253 estudantes, total que saltou para 107.299 no ano de 1962. Em 1968, o número de universitários dobrou, chegando a 214 mil.

Ideologia e política
O aumento do número de estudantes coincidiu com o crescimento e consolidação de novas correntes políticas no meio universitário, que passaram a liderá-lo através do controle dos principais cargos nas mais importantes organizações estudantis. As novas correntes políticas se tornaram hegemônicas e defendiam ideologias ligadas à esquerda marxista (ou seja, um projeto socialista de transformação da ordem social).
Essas correntes esquerdistas foram bem sucedidas ao canalizarem a crescente insatisfação da massa jovem diante das deficiências e problemas do sistema de ensino superior. Desse modo, a década de 60 presenciou as primeiras grandes mobilizações em defesa de reivindicações de caráter educacional. Na primeira metade dos anos 60, a chamada "Reforma da Universidade" consistiu na mais importante luta do movimento estudantil.

Golpe de 1964
O golpe militar repercutiu significativamente no movimento estudantil. A influência das correntes políticas de esquerda levou as autoridades militares a reprimirem as lideranças estudantis e desarticularem as principais organizações representativas. Primeiramente a UNE foi posta na ilegalidade, depois as UEEs e os DCEs. Foram criadas novas organizações e novos procedimentos foram adotados para seleção de seus representantes.
As constantes tentativas das lideranças estudantis de retomarem o controle das organizações foi o principal fator a desencadear novas ondas de repressão política. Desse modo, reivindicações educacionais e manifestações de protesto político contra o governo militar foram as principais bandeiras de luta do movimento na segunda metade da década de 60. O ápice da radicalização dos grupos estudantis ocorreu em 1968, ano marcado por grandes manifestações de rua contra a ditadura militar.

O auge da repressão

O que parecia ser uma breve intervenção militar na política acabou se transformando numa ditadura que reprimiu violentamente grupos e movimentos de oposição. De 1969 a 1973, a coerção política atingiu o seu ápice. Neste período, o movimento estudantil foi completamente desarticulado. A maior parte dos militantes e líderes estudantis ingressou em organizações de luta armada para tentar derrubar o governo.
Em 1973, os militares derrotaram todas as organizações que pegaram em armas. Somente em 1974 começaram a surgir os primeiros sinais da recuperação do movimento estudantil. A nova geração de estudantes, que militaram e lideraram as frentes universitárias da década de 70, teve pela frente o árduo trabalho de reconstruir as organizações estudantis.

A retomada
O período em que o movimento estudantil voltou a ter força coincidiu com uma mudança importante nos rumos da política nacional. Após a escolha do general Ernesto Geisel para a Presidência da República teve início a implementação do projeto de liberalização política, que previa a redemocratização do país.
Foi um processo lento e gradual, que durou até o final dos governos militares. É importante ressaltar que, neste período, a volta do movimento estudantil não desencadeou ondas de repressão política como as que foram presenciadas no final da década de 60 e início da década de 70. A ditadura já não contava com apoio popular e até mesmo as elites começaram a dirigir duras críticas contra o governo militar. A luta contra a ditadura foi travada com a bandeira das liberdades democráticas.
O ápice da retomada se deu em 1977, ano marcado pela saída dos estudantes para as ruas. Grandes manifestações de protesto e passeatas públicas mobilizaram os estudantes em defesa da democracia. As reivindicações de caráter educacional não obtiveram grande destaque. Foram as reivindicações de caráter político (defesa das liberdades democráticas, fim das prisões e torturas e anistia ampla, geral e irrestrita) que se tornaram a grande força motivacional a mobilizar os estudantes. Passo a passo, as principais organizações estudantis foram reconstruídas. Primeiramente surgiram os DCEs-livres, em seguida as UEEs e, finalmente, em 1979, a UNE foi refundada.

Declínio e os "caras-pintadas"
Ironicamente, no final da década de 70, apesar das principais organizações estarem em pleno funcionamento, o movimento estudantil universitário havia perdido sua força e prestígio político. Desde o final da ditadura militar, a importância do movimento estudantil tem declinado significativamente. Em 1992, o amplo movimento social de oposição ao presidente Fernando Collor de Mello fez ressurgir o movimento estudantil, mas apenas por um breve período.
Renato Cancian.