quarta-feira, 6 de abril de 2011

BENHUR

Ben-Hur

Pela liberdade dos povos
A chegada de um novo líder militar romano na região da Ásia Menor provocou mudanças radicais na vida de um jovem e próspero filho da terra, pertencente a famílias tradicionais daquela região e que, em sua infância havia sido amigo próximo do novo representante do império em suas terras. Os tempos eram bem outros, cada um havia cuidado muito bem de seus próprios futuros e haviam conquistado o respeito e a tranquilidade a que se podem dignar os vencedores.
Esse personagem de nome Ben-Hur (Charlton Heston) teve o prazer de recepcionar o novo general romano, chamado de Messala (Stephen Boyd), em seus aposentos logo que ele chegou e, foi tratado com a cordialidade reservada aos grandes amigos. Conversaram sobre os velhos tempos e sobre o que havia acontecido com cada um deles no período em que estiveram longe um do outro. Quando a conversa mudou de temas que os aproximavam para as questões políticas da região, as coisas esquentaram.
Num instante perceberam que o que os unia havia desaparecido e que, aquilo que permanecia, os diferenciava e os afastava. Nesse momento passaram a vivenciar com intensidade as relações políticas daquela época, que os tornavam representantes do Império (no caso do general) e das províncias dominadas por Roma (no caso do judeu Ben-Hur). Messala reclamando da indisposição das populações locais em aceitar a dominação romana e, Ben-Hur pedindo por maiores facilidades para os comerciantes e o povo judeu.
Utilizando-se da amizade que os aproximava, Messala tentou convencer Ben-Hur a ajudá-lo na identificação e captura de pessoas que estavam causando agitações e mal-estar para os romanos na região. A simples menção a possibilidade de traição de seu povo despertou Ben-Hur para as intenções de Messala. Negando qualquer possibilidade de ajudá-lo, Ben Hur voltou para casa. Antes disso, convidou Messala para visitá-lo e rever seus familiares.
A visita de Messala a casa de Ben-Hur, marcada pelo reencontro do romano com seus antigos amigos (a mãe e a irmã de Ben-Hur) e com ambientes por ele frequentados quando ainda era uma criança, não terminou muito bem. A intenção de Messala, de obter informações a respeito dos traidores que ameaçavam a estabilidade daquela região, foi novamente refutada por Ben-Hur. A partir desse momento rompia-se qualquer possibilidade de amizade entre os dois homens. A história pessoal de Ben-Hur estava prestes a ser mudada por completo. Faltavam apenas pequenos detalhes.
No dia seguinte a visita de Messala ocorreu a chegada do novo governador romano designado para aquela província romana. Um acidente interpretado como atentado a vida do governador acabou condenando Ben-Hur as galés romanas (virou escravo e foi remar nas embarcações romanas que circulavam pelo Mar Mediterrâneo).
O trecho apresentado acima nos introduz na saga desse personagem, marcada por momentos de heroísmo e de tragédia, pincelada com sequências espetaculares que entraram para a história do cinema mundial (a corrida de bigas no Circo Máximo é espetacular e merece ser vista algumas vezes) e premiada com 11 Oscars pela Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood (melhor filme, diretor, ator para Heston, ...).
Ben-Hur pode ser citado como um dos maiores épicos já produzidos pelo cinema ao lado de “Spartacus” e “Os Dez Mandamentos”. Os maiores méritos do filme, para as pessoas que lidam com educação, referem-se a reprodução do período em que o filme transcorre (roupas, transportes, habitações, alimentação,...), a apresentação da escravidão entre os romanos como sendo uma das bases que sustentou o império, o reforço do conceito de Império (que domina suas províncias e as explora para manter seu luxo e ostentação), a demonstração de partes do cotidiano dos romanos (como a participação nos jogos, especificamente nas corridas que ocorriam no Circo Máximo) e a luta dos povos dominados contra a opressão a que estavam submetidos.
A resistência a opressão, caracterizada como direito elementar na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, ainda não havia entrado em vigor, no entanto, a força dos homens que se negaram a abaixar suas cabeças e admitir sua condição de subalternos alimenta a história humana há muito tempo. “Ben-Hur” é uma dessas oportunidades de conferirmos essa disposição de certas pessoas ao longo dos séculos.
Governos despóticos, tirânicos e imperialistas ao longo dos tempos tem obtido vitórias e mantido durante algum tempo sua dominação sobre povos e pessoas, no entanto, em momento algum deixou de existir a disposição de lutar contra essa situação. No caso dos romanos, especificamente, lutava-se contra as imposições culturais, contra as altas taxas e impostos, contra a escravidão aplicada a pessoas das áreas dominadas.
Entre o período de domínio romano e o atual século XXI muita água já rolou, no entanto, algumas regiões continuam se achando superiores as demais e tentam, ainda hoje, estender suas garras sobre as terras, as pessoas, sua capacidade de trabalho, os recursos obtidos com o trabalho e suas culturas particulares. A lição dos romanos não foi bem aprendida, talvez seja hora de revermos grandes clássicos como “Ben-Hur” e “Spartacus”. Apesar de ser um autêntico longa-metragem (219 minutos), não dá pra não assistir “Ben-Hur”, o filme é imperdível.

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