quarta-feira, 13 de abril de 2011

A EDUCAÇÃO E NÓS

Dificilmente hoje, alunos do ensino médio das escolas públicas estaduais concluem os três anos de estudo e, aqueles que o fazem conquistam um certificado. Entretanto, isso não significa que eles tem o devido conhecimento ou preparo necessário que deveriam ter para um jovem que estudou no mínimo 11 anos (8 no ensino fundamental e 3 no ensino médio). Os problemas que causam essa realidade são muitos. Podemos considerar alguns.

Primeiramente destacamos a contradição entre os discursos e as práticas governamentais. Para os governantes tudo está sempre sendo resolvido e melhorado, mas as escolas continuam com falta de equipamentos, falta de professores e de funcionários, falta de especialistas como orientação, supervisão, bibliotecário, etc.; além das desgastadas e envelhecidas estruturas dos prédios das escolas. Portanto, a realidade vivida por professores e alunos é bem diferente daquelas pronunciadas pelos governos. Só não vê que não quer ver.

Porém, não sou do tipo que acha que a culpa é só do Estado e dos governos. Pois nós professores também somos responsáveis. Muitos estão desmotivados, outros acomodados e alguns num mundo de faz de conta. Sobra uns poucos profissionais que tentam fazer algo diferente, mas acabam esbarrando em outros problemas. A sociedade, infelizmente passou a ver a escola como uma “grande creche”, onde os professores devem cuidar e educar seus filhos. Quero lembrar aos pais que não é bem assim. A escola prima pelo conhecimento e pela formação de cidadãos, a educação básica vem de casa. E, aliás, falta muita educação atualmente entre pais e filhos e, isso acaba refletindo na relação entre professores e alunos no ambiente escolar.

Por último os alunos. Ah! Os alunos. Muitos dos nossos alunos não querem nada com nada, tudo é difícil: estudar, ajudar a escola, etc. Culpa do paternalismo político do nosso país. Claro que é difícil, estudar e trabalhar, quando deveriam estar só estudando. Porém, muitos do que trabalham se fazem de vitimas, querendo tirar vantagens para não fazer o esforço, que é o mínimo que deveria fazer. Outro problema é que fazem da escola um ponto de encontro e não um lugar de troca de conhecimento, de aprofundamento de sua aprendizagem e de seus saberes. Não aproveitam o tempo e o espaço para crescerem como pessoas. E aqueles que tentam são ridicularizados numa total inversão de valores. Como esses alunos sairão do ensino médio? Será que preciso responder. E olha que nem falei da violência, das drogas, etc.

Mas soluções existem, basta querer. É só cada parte do processo que envolve a educação fazer a sua parte. Ao Estado e aos governantes que parem com discursos demagógicos e cumpram suas promessas de realmente investir em uma educação de qualidade e não de faz de conta. Aos professores, que sejam professores, que não se curvem diante de doutrinas políticas, que cobrem de seus alunos, que ensinem, que exijam o que tem que ser exigido, que assumam a responsabilidade do que é ser um professor. Aos pais que incentivem seus filhos ao estudo, que os eduquem, que cobrem, que participem, que elogiem, pois a educação não é uma exclusividade da escola.

E aos alunos eu só peço uma única coisa, que estudem. Isto é, estudante, estuda, não choraminga; estudante, estuda, não lamenta; estudante, estuda e corre atrás; estudante, estuda e não faz de conta; estudante, estuda, lê, pensa, responde, argumenta e adquire conhecimento e com ele se torna livre. Ao contrário será mais um escravo da ignorância, esse câncer social. E partir do momento que tivermos mais estudantes e menos “coitados”, teremos pessoas melhores, mais realizadas e por consequência uma sociedade melhor, menos reclamona e mais ativa.
Professor Fabrício Colombo.

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