terça-feira, 17 de maio de 2011

AS MUDANÇAS NO LESTE EUROPEU E DESMEMBRAMENTO DA IUGOSLÁVIA

A perestroika e a glasnost, associada à aproximação com os países capitalistas, produziram a desagregação dos regimes socialistas estabelecidos no Leste europeu. Na Alemanha Oriental, o reformismo foi amplo e vertiginosos. O símbolo maior desse movimento foi à mobilização popular e a consequente derrubada do Muro de Berlim, símbolo da Guerra Fria, em novembro de 1989. Pouco depois, em 1990, deu-se a reunificação das duas Alemanhas. Em junho do mesmo ano, Berlim passou a ser novamente a capital de toda a Alemanha.
                Na Polônia, a derrocada do regime socialista aconteceu por meio democráticos. Em 1990, foi eleito presidente Lech Walesa, ex-líder do Solidariedade, destacada organização sindical que desde 1980 aglutinava as aspirações populares por liberdade politica e eliminação dos privilégios dos burocratas no país. Na Hungria, o tradicional Partido Comunista mudou de orientação política, iniciando reformas constitucionais que culminaram em eleições livres e pluripartidárias.
                Na Tchecoslováquia, as reformas lideradas por Alexander Dubcek e Vaclav Ravel derrubaram a hegemonia do Partido Comunista, dando inicio ao processo de privatização e entrada de capitais estrangeiros. Em 1992, foi decidido pelo desmembramento do país em duas república independentes: República Tcheca e Eslováquia, efetivado em 1993, na chamada Revolução de Veludo. A Romênia passou por um processo mais violento de transformações. Em 1989 diante das manifestações que exigiam democracia, o chefe do governo comunista Nicolae Ceausescu determinou forte repressão policial. A medida não surtiu efeito. Nicolae foi preso e executado após julgamento sumário.
                Na Iugoslávia, na região dos Balcãs, as transformações que envolveram todo o Leste europeu levaram ao afloramento de antigos conflitos históricos e étnicos, que produziram a fragmentação do país em várias novas repúblicas. A região ocupada pela ex-Iugoslávia caracteriza-se por uma grande diversidade de povos. Desde a chegada dos eslavos, na Idade Média, as populações da região vem aprofundando suas diferenças culturais e politicas.  Sob a influência e domínio do Império Habsburgo, na parte ocidental, eslovenos e croatas converteram-se ao catolicismo. Entre os sérvios, na parte mais oriental, prevaleceu o cristianismo ortodoxo. No sul, boa parte dos habitantes da Bósnia, de Montenegro e da Macedônia, em razão do longo domínio do Império Turco-Otomano, pertence à religião muçulmana.
                A Iugoslávia que significa terras dos eslavos do sul, só se transformou em país independente após a I Guerra Mundial. Mesmo assim, continuou sob permanentes conflitos étnicos, sobretudo entre sérvios e croatas. Durante a II Guerra Mundial, os croatas proclamaram a independência e se associaram a Alemanha nazista, eles executaram uma brutal perseguição aos sérvios e demais opositores. Valiam-se até de campos de concentração e de extermínio das populações sérvia e muçulmana. A reação deu-se com a formação de um exército popular, sob a liderança do comunista croata Josip Tito. Em 1945, após sucessivas vitórias, Tito transformou a Iugoslávia em um Estado socialista.
                A partir de então, o país manteve um governo forte que buscava equilíbrio entre os diversos grupos étnicos distribuídos em seis repúblicas: Eslovênia, Croácia, Sérvia, Macedônia, Montenegro e Bósnia-Herzegovina. Com a morte de Tito, em 1980, e a crescente dificuldade econômica dos anos seguintes, a coesão dos diversos povos da Iugoslávia entrou em colapso. A crise dos países socialistas abalou ainda mais o frágil equilíbrio na região. Nas eleições gerais de 1990, os comunistas foram derrotados em quatro repúblicas, mas venceram na Sérvia e Montenegro, as que reuniam maior poder naquele momento. Manteve assim, o controle sobre o território que ainda se chamava Iugoslávia, governado pelo sérvio Slobodan Milosevic.
                Em 1991, a Croácia e a Eslovênia proclamaram-se repúblicas independentes. Para restabelecer a unidade do Estado, o exército interveio na região. As lutas étnicas e políticas se acirraram até a guerra. No ano seguinte seria a vez da Macedônia e da Bósnia-Herzegovina declararem autonomia, provocando mais conflitos. Milosevic foi acusado de promover limpeza étnica. O agravamento dos conflitos resultou numa intervenção internacional nos Balcãs, forçando o presidente sérvio a um acordo em 1995. A Iugoslávia praticamente não existia mais, resumida somente a Sérvia e Montenegro.
                Em 1998, outro conflito ganhou força na península Balcânica. Kosovo, província com população de maioria albanesa e administrada pela Sérvia iniciou uma revolta separatista. Em 1999, a OTAN, interveio na região, com o objetivo de forçar os sérvios a um acordo de paz. Em 2000, Milosevic é preso e, sob pressão internacional entregue ao Tribunal Internacional da ONU, para ser julgado por crimes de guerra. Em 2006, Milosevic foi encontrado morto em sua sela na prisão da ONU, em Haia. Nesse mesmo ano, Sérvia e Montenegro se separaram. Em 2008 foi à vez de Kosovo proclamar sua independência. Apesar do reconhecimento europeu à autonomia de Kosovo, a Sérvia não reconheceu a independência por considerar a região como parte de seu território, dando continuidade ao impasse e aos conflitos.

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