segunda-feira, 2 de maio de 2011

POR QUE ROMA NÃO CAIU

Foi comum durante toda a História o surgimento de impérios e culturas que tiveram sua ascensão, apogeu e declínio. Porém, poucas conseguiram deixar legados fortes e manter a influencia de suas ideias séculos adiante, depois de suas ruínas. O Império Britânico não existe mais, mas o inglês se tornou um idioma universal, sendo utilizado oficialmente nas relações internacionais e principalmente entre os povos.
                Porém, nosso império em questão é mais antigo. Oficialmente ele deixou de existir em 476 d.C. Entretanto, sua influência se faz presente no Ocidente até os dias de hoje. Nossas instituições republicanas optaram pelo modelo constituída na antiga República Romana, que era bicameral, isto é, formada por duas câmaras. No caso do Brasil, temos o Senado e a Câmara de Deputados. Nosso direito está permeado pelos princípios do Direito Romano, tais como: “o ônus da prova é de quem acusa”; “todos são inocentes, até prova em contrário”; entre outros. Princípios esses que buscavam uma justiça mais eficaz, pois procura evitar que qualquer pessoa fosse condenada simplesmente por ter sido acusada.
                Até as mazelas romanas chegaram aos nossos dias. A corrupção, por exemplo, como compra de votos, desvio de dinheiro público, fraudes e artifícios para impor os interesses privados ou de uma minoria privilegia em detrimento do bem comum maior. Comparando mais especificamente com o Brasil temos o problema da reforma agrária que em Roma poderia ter resolvido muitos problemas, mas em detrimento dos interesses dos patrícios não foi efetivada, assim como os governos brasileiros insistem em não realizar uma reforma agrária de fato devido aos interesses dos latifundiários. O “pão e circo”, notável política romana de enganar o povo com espetáculos e distribuição de pão. Qualquer semelhança com politicas assistencialistas é mera coincidência.
                Outra grande influencia romana sobre nossa civilização é o latim, idioma que deu origem as línguas neolatinas, falada em boa parte da Europa e em toda a América Latina e outros lugares do mundo. O cristianismo, a religião perseguida que se tornou a religião oficial do poderoso Império Romano. Após a queda de Roma foi a Igreja cristã a única e grande herdeira de suas instituições, podendo dessa forma, com uma estrutura organizada e hierarquizada impor uma cultura única em um Ocidente fragmentado politicamente. Os “bárbaros” destruíram Roma, porém, se converteram ao cristianismo, propagando a cultura cristã e romana. Assim, a Igreja cristã se tornou soberana durante todos os séculos da Idade Média, impondo normas, regrando a sociedade e controlando as ideias de todo o período.
                Mas, a grande influencia romana sobre o Ocidente está na ideia de unidade, de seu universalismo. O universalismo romano que se dava pela força e principalmente pela romanização foi e é visivelmente seu maior legado. De Carlos Magno a ascensão do domínio norte-americano, passando pelos impérios coloniais ibéricos, por Napoleão e pelo Império Britânico, até chegarmos aos ianques, todos eles tem em comum a tentativa de unir os povos dominados sob um único poder politico e cultural dominador e universal. Foi assim, com a imposição da cristandade sobre os povos pagãos que se expressou ainda mais forte durante a colonização da América por espanhóis e portugueses que levaram a extinção de muitas culturas, as quais, estes, consideravam “barbaras” como romanos em outrora.
                Hoje não vivemos mais uma romanização, mas uma norte-americanização, que se impõem pela cultura de mercadológica do consumo, do cinema, da musica, das marcas, da economia, etc. E quando tudo isso falhas, entram em cena as “legiões salvadoras” do Império, impondo pelo bem de todos aquilo que é correto aos olhos dos “senhores do mundo”. Porém os “bárbaros”, agora no Oriente, estão por aí e tão infiéis quanto os heréticos da Idade Média.
Fabrício Colombo.

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