quinta-feira, 30 de junho de 2011


Turma 2335 (terceiro ano de 2005) e os professores Luiz (Geografia), Ivanice (Biologia), Fabrício (História), Gládis (Vice-diretora) e Rosana (Diretora).

ABERTURA DOS PORTOS

A abertura dos Portos brasileiros às nações amigas (principalmente à Grã Bretanha) foi promulgada por meio de uma Carta Régia, pelo príncipe regente, D. João, em 28 de janeiro de 1808. O decreto foi assinado quatro dias após a chegada da Família Real e da Corte portuguesa a cidade de Salvador, na Capitania da Baía de Todos os Santos. A antiga sede da Colônia foi a primeira escala da esquadra, que tinha como destino a cidade do Rio de Janeiro (sede da Colônia).
A transferência da família Real e da Corte portuguesa para o Brasil foi motivada pelo avanço das tropas de Napoleão em direção a Lisboa, em meio a Guerra Peninsular.
Antes da abertura dos Portos, os produtos que saiam do Brasil passavam, obrigatoriamente, pela alfândega em Portugal, assim como os produtos importados a serem enviados para a Colônia. O Pacto Colonial  garantia a Portugal o monopólio do comércio exterior da Colônia. Nada se comprava ou vendia na Colônia sem passar antes por Portugal.
A decisão de D. João foi festejada pela população por anos, apesar de tal decisão, na verdade, ter sido tomada por necessidade e conveniência. Com a transferência da Família Real para o Brasil, e com Portugal nas mãos de Napoleão, o comércio com os demais países precisou ser feito sem intermediários. Mesmo porque, a família Real estava falida, e sua sobrevivência dependia da venda das riquezas extraídas e produzidas em solo brasileiro.
Nesse mesmo ano, outra medida foi festejada pela população, sobretudo pelos comerciantes locais. Em 1º de abril, D. João assinou um alvará que revogava um antigo, de 1785, que proibia a instalação de manufaturas na Colônia.
Por dois anos, os Estados Unidos foram os maiores beneficiados pela abertura dos portos. No entanto, em 1810, Portugal e Grã Bretanha assinaram o Tratado de Cooperação e Amizade (oficialmente “Treaty of Cooperation and Friendship”), que continha regras de aliança e amizade, e de comércio e navegação. Com esse tratado, a Grã Bretanha passou a ser o país mais beneficiado pela abertura dos portos brasileiros, inclusive no que diz respeito às tarifas alfandegárias.
A abertura dos Portos no Brasil, assim como o Tratado de 1810, com a Grã Bretanha são um marco na história do liberalismo econômico.
Esse foi o primeiro passo para que o Brasil deixasse de ser Colônia de Portugal, o que foi oficializado em 1815, quando o Brasil foi elevado à categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves.
Fonte: Sua Pesquisa.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Um dia eu já acreditei que alguns políticos eram confiáveis...hoje, não acredito em nenhum!

ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA

Na época em que os portugueses começaram a colonização do Brasil, não existia mão-de-obra para a realização de trabalhos manuais. Diante disso, eles procuraram usar o trabalho dos índios nas lavouras; entretanto, esta escravidão não pôde ser levada adiante, pois os religiosos se colocaram em defesa dos índios condenando sua escravidão. Assim, os portugueses passaram a fazer o mesmo que os demais europeus daquela época. Eles foram à busca de negros na África para submetê-los ao trabalho escravo em sua colônia. Deu-se, assim, a entrada dos escravos no Brasil.
 Os negros, trazidos do continente Africano, eram transportados dentro dos porões dos navios negreiros. Devido as péssimas condições deste meio de transporte, muitos deles morriam durante a viagem. Após o desembarque eles eram comprados por fazendeiros e senhores de engenho, que os tratavam de forma cruel e desumana. 
Apesar desta prática ser considerada “normal” do ponto de vista da maioria, havia aqueles que eram contra este tipo de abuso. Estes eram os abolicionistas (grupo formado por literatos, religiosos, políticos e pessoas do povo); contudo, esta prática permaneceu por quase 300 anos. O principal fator que manteve a escravidão por um longo período foi o econômico. A economia do país contava somente com o trabalho escravo para realizar as tarefas da roça e outras tão pesados quanto estas. As providências para a libertação dos escravos deveriam ser tomadas lentamente.
 A partir de 1870, a região Sul do Brasil passou a empregar assalariados brasileiros e imigrantes estrangeiros; no Norte, as usinas substituíram os primitivos engenhos, fato que permitiu a utilização de um número menor de escravos. Já nas principais cidades, era grande o desejo do surgimento de indústrias.Visando não causar prejuízo aos proprietários, o governo, pressionado pela Inglaterra, foi alcançando seus objetivos aos poucos. O primeiro passo foi dado em 1850, com a extinção do tráfico negreiro. Vinte anos mais tarde, foi declarada a Lei do Ventre-Livre (de 28 de setembro de 1871). Esta lei tornava livre os filhos de escravos que nascessem a partir de sua promulgação.
Em 1885, foi aprovada a lei Saraiva-Cotegipe ou dos Sexagenários que beneficiava os negros de mais de 65 anos. Foi em 13 de maio de 1888, através da Lei Áurea, que liberdade total finalmente foi alcançada pelos negros no Brasil. Esta lei, assinada pela Princesa Isabel, abolia de vez a escravidão no Brasil.
Fonte: Sua Pesquisa.

terça-feira, 28 de junho de 2011

GRANDE SERTÃO VEREDAS

Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa
Riobaldo, fazendeiro do estado de Minas Gerais, conta sua vida de jagunço a um ouvinte não identificado. Trata-se de um monólogo onde a fala do outro interlocutor é apenas sugerida. São histórias de disputas, vinganças, longas viagens, amores e mortes vistas e vividas pelo ex-jagunço nos vários anos que este andou por Minas, Goiás e sul da Bahia. Toda a narração é intercalada por vários momentos de reflexão sobre as coisas e os acontecimentos do sertão. O assunto parece sempre girar na existência ou inexistência do diabo, já que Riobaldo parece Ter vendido sua alma numa certa ocasião... Riobaldo era um dos jagunços que percorriam o sertão abrindo o caminho à bala. Entre seus companheiros, havia um que muito lhe agradava: Reinaldo, ou Diadorim. Conhecera-o quando menino e mantinha com ele uma relação que muitas vezes passava de uma simples amizade. O jagunço, que admirava e cultivava um terno laço com Diadorim, perturbava-se com toda aquela relação, mas a alimentava com uma pureza que ia contra toda a rudeza do sertão, beirando inclusive o amor e os ciúmes. Nas longas tramas e aventuras dos jagunços, Riobaldo conhece um dos seus heróis: o chefe Joca Ramiro, verdadeiro mito entre aqueles homens, que logo começa a mostrar certa confiança por ele. Isso dura pouco tempo, já que Riobaldo logo perde seu líder: Joca Ramiro acabou sendo traído e assassinado por um dos seus companheiros chamado Hermógenes. Riobaldo jura vingança e persegue Hermógenes e seus homens por toda aquela árida região.

Como o medo da morte e uma curiosidade sobre a existência ou não do diabo toma cada vez mais conta da alma de Riobaldo, evidencia-se um pacto entre o jagunço e o príncipe das trevas, apesar de não explícito. Acontecido ou não o tal pacto, o fato é que Riobaldo começa a mudar à medida que o combate final contra Hermógenes se aproxima. E a crescente raiva do jagunço só é contida por uma relação mais estreita com Diadorim, que já mostra marcas de amor completo. Segue-se, então, o encontro com Hermógenes e seus homens, e a vingança é enfim saboreada por Riobaldo. Vingança, aliás, que se tornou amarga: Hermógenes mata, durante o combate, o grande amigo Diadorim... A obra reserva, nas últimas páginas, uma surpreendente revelação: na hora de lavar o corpo de Diadorim, Riobaldo percebe que o velho amigo de aventuras que sempre lhe cativou de uma forma especial era, na verdade, uma mulher.



O CANGAÇO

Entre o final do século XIX e começo do XX (início da República), surgiu, no nordeste brasileiro, grupos de homens armados conhecidos como cangaceiros. Estes grupos apareceram em função, principalmente, das péssimas condições sociais da região nordestina. O latifúndio, que concentrava terra e renda nas mãos dos fazendeiros, deixava as margens da sociedade a maioria da população.
Portanto, podemos entender o cangaço como um fenômeno social, caracterizado por atitudes violentas por parte dos cangaceiros. Estes, que andavam em bandos armados, espalhavam o medo pelo sertão nordestino. Promoviam saques a fazendas, atacavam comboios e chegavam a seqüestrar fazendeiros para obtenção de resgates. Aqueles que respeitavam e acatavam as ordens dos cangaceiros não sofriam, pelo contrário, eram muitas vezes ajudados. Esta atitude, fez com que os cangaceiros fossem respeitados e até mesmo admirados por parte da população da época.
Os cangaceiros não moravam em locais fixos. Possuíam uma vida nômade, ou seja, viviam em movimento, indo de uma cidade para outra. Ao chegarem nas cidades pediam recursos e ajuda aos moradores locais. Aos que se recusavam a ajudar o bando, sobrava a violência.
Como não seguiam as leis estabelecidas pelo governo, eram perseguidos constantemente pelos policiais. Usavam roupas e chapéus de couro para protegerem os corpos, durante as fugas, da vegetação cheia de espinhos da caatinga. Além desse recurso da vestimenta, usavam todos os conhecimentos que possuíam sobre o território nordestino (fontes de água, ervas, tipos de solo e vegetação) para fugirem ou obterem esconderijos.
Existiram diversos bandos de cangaceiros. Porém, o mais conhecido e temido da época foi o comandado por Lampião (Virgulino Ferreira da Silva), também conhecido pelo apelido de “Rei do Cangaço”. O bando de Lampião atuou pelo sertão nordestino durante as décadas de 1920 e 1930. Morreu numa emboscada armada por uma volante, junto com a mulher Maria Bonita e outros cangaceiros, em 29 de julho de 1938. Tiveram suas cabeças decepadas e expostas em locais públicos, pois o governo queria assustar e desestimular esta prática na região.
Depois do fim do bando de Lampião, os outros grupos de cangaceiros, já enfraquecidos, foram se desarticulando até terminarem de vez ,no final da década de 1930.
Fonte: Sua Pesquisa.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A PAIXÃO DE CRISTO

A partir de A Paixão de Cristo, terceiro filme de Mel Gibson, é possível tirar diversas conclusões a respeito da fé. Especialmente sobre o tipo de fé que move o galã-diretor numa empreitada ostensiva, marqueteira e lucrativa como esta. Neste momento, só contando os números de 2004, passando dos US$ 600 milhões em todo o mundo.
 Só incautos ou ingênuos acreditam que algum tipo de motivação religiosa terá movido Gibson. A estupenda máquina de divulgação (com o envio de milhares de DVDs a congregações religiosas antes da estréia), as polêmicas fabricadas (com a relutância em permitir que integrantes da comunidade judaica assistissem ao filme) e o anúncio (depois revogado) de que o filme, falado em aramaico e latim, seria lançado sem legendas não deixam dúvidas de que se preparou, aqui, um produto de marketing. Que tem suas qualidades, em termos de produção, mas não nega espaço a que se duvide de suas segundas intenções.
Independente de o espectador ser judeu, cristão, muçulmano, budista ou ateu, uma coisa é certa: Gibson promoveu um espetáculo embalado na estética do excesso e no voyeurismo da dor. Não há como ver de outra maneira a sua opção de deter-se sobre as últimas horas da vida de Cristo (Jim Caviezel) e colocar sua câmera em primeiros planos tão escancarados dos martírios físicos do filho de Deus nas mãos de seus algozes. Deixando que os ensinamentos do Cristo ocupem um espaço tão reduzido na tela, limitado a escassos flashbacks, o diretor não deixa dúvida de que sua agenda está em outro lugar que não o de propagar a sua palavra.
Saciando uma das falsas polêmicas em torno do filme - ele não é anti-semita. As culpas que se atribuem a alguns personagens judeus em torno da delação, captura, flagelação e morte do Cristo não são maiores do que as de diversos soldados romanos. E não faltam exemplos edificantes, nestes dois segmentos, de indivíduos que tentam sinceramente impedir o desenlace trágico. A chave maniqueísta em que se obriga todo o elenco a atuar não deixa oportunidade a que os dotes dos atores possam ser analisados profundamente. Ainda assim, escapam momentaneamente das amarras do simplismo algumas presenças magnéticas, como Maria (Maia Morgenstern), Madalena (Monica Bellucci), Judas (Luca Lionello) e Pedro (Francesco DeVito).
Resta discutir, e isso sim é o mais importante - por que Mel Gibson resolveu, a esta altura, filmar novamente a vida de Jesus Cristo? É mais fácil responder apontando tudo aquilo que o filme não apresenta. Em primeiro lugar, nenhuma visão nova. Não pretende, como pretendia A Última Tentação de Cristo (1988), de Martin Scorsese, colocar em pauta um Cristo mais humano, menos divino. Não pretende rediscutir a sacralidade da figura da Virgem Maria como intentou Jean-Luc Godard com Je Vous Salue Marie (1985). Não tem nem mesmo uma visão pop original, símbolo de sua época, como tinha o musical Jesus Cristo Superstar (1973), de Norman Jewison. Enfim, não atualiza nada nem repropõe coisa alguma.
O que sobra, então? A volta à tradição mais reacionária, que coloca toda a humanidade na posição de algoz daquele que veio para salvá-la, expondo a turba ignara à visão ultradetalhista de uma interminável série de tormentos físicos impostos a seu Salvador. Espectadores sensíveis devem ser cuidadosamente aconselhados a deixar de lado este filme. É preciso estômago de avestruz - ou de crítico de cinema - para aturar as seqüências insuportavelmente longas e reiteradas por um uso abusivo da câmera lenta, mostrando o espancamento de Jesus pelos soldados, capazes de deixá-lo com um olho inchado como um ovo e também de pendurá-lo de um barranco por meio de correntes (uma cena que a criativa imaginação de Gibson, co-roteirista, adicionou aos textos bíblicos, já que ali não se encontra). Logo depois, vem a seqüência, ainda mais longa, da flagelação com chibatas e chicotes com pontas metálicas, que esgarçam a carne de Jesus no limite do esfolamento. Não menos angustiante será a caminhada até o Gólgota, em que Jesus cai muito mais vezes do que diz a Bíblia, também - sempre em câmera lenta, algumas vezes, sendo atingido pela pesada cruz sobre ele.
Jorra sangue na tela, como num filme de ação, traindo o passado - quem sabe, a mentalidade - do diretor. O gran finale da crucificação será acrescido de todos os exageros de sadismo que Gibson e seu co-roteirista, Benedict Fitzgerald, puderam conceber, para expurgo dos pecadores - ou seja, primeiro plano detalhado dos imensos pregos entrando nas mãos, um dos braços esticado até quebrar, sangue jorrando (aliás, Cristo teria que ter o triplo de sangue de uma pessoa normal para verter tanto sangue). Arrematando a seqüência, os soldados ainda viram a cruz, com Cristo todo pregado nela, para bater a ponta dos pregos do lado de trás. Requinte cruel, desnecessário, repulsivo.
Por essa opção preferencial pelo excesso e negação da palavra é que não dá para acreditar mesmo em nenhum propósito religioso ou artístico de Gibson ao encenar esta história. Com sua encenação sanguinolenta e redundante, tudo o que ele quer é o primeiro lugar diante dos holofotes. E isso, indiscutivelmente, ele conseguiu.
Talvez a única "descoberta"que possa ser creditada a este filme seja uma só: o diabo (Rosalinda Celentano), quem diria, é andrógino. E pensar que passamos tantos séculos sem nos darmos conta disso.
Fonte: Cine Web.




DISCURSO DE HARRY TRUMAN

Em 12 de março de 1947, o presidente norte-americano Harry Truman discursou ao Congresso dos Estados Unidos sobre o papel de seu país no mundo pós-guerra. Esse discurso deu origem a Doutrina Truman, destinada a barrar a expansão do comunismo.
                “No atual momento da história mundial cada nação deve escolher entre os modos de vida opostos. A escolha não é frequentemente livre. Um modo de vida baseia-se na vontade da maioria e se caracteriza por instituições livres, governo representativo com eleições livres, garantias de liberdade individual, liberdade de expressão e de religião, e pela supressão das formas de opressão política. Uma outra forma de vida baseia-se na vontade de uma minoria imposta à força à maioria. Ela se apoia no terror e na opressão, no controle da imprensa e do rádio, em eleições manipuladas e na supressão das liberdades individuais. Acredito que a política dos Estados Unidos deve ser de apoiar os povos livres que estão resistindo a subjugação por minorias armadas ou por pressões exteriores. Acredito que nossa ajuda deve ser primeiramente através da estabilidade econômica e da ordenação do processo político”.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A PAIXÃO DE JACOBINA

Toda a profundidade dramática das atuações de Letícia Spiller e Thiago Lacerda está a serviço de A Paixão de Jacobina, mais novo filme de Fábio Barreto (O Quatrilho e Bela Donna) , caçula da família que tem como patriarca o produtor Luiz Carlos Barreto. De posse das estrelas globais e da estética visivelmente televisiva, o filme abandona as questões políticas e sociais nas quais estava imersa a região do Vale dos Sinos, durante o Segundo Império, e toma a forma de um dramalhão que gira em torno da figura polêmica de Jacobina Mentz, líder da seita religiosa dos Mückers, extinta pelas forças armadas em 1874.
"Tive liberdade para escolher o viés mais significativo da história, o que realmente funcionava, a importância da Jacobina. Me concentrei nisso mas as outras questões servem de pano de fundo", disse o roteirista Leopoldo Serran quando o filme foi exibido no Festival de Gramado, fora de competição. O cartaz do filme, exposto durante o evento, exaltava a modéstia da produção: "A história real da mulher que falava com Deus". A pretensa verdade absoluta sobre a história de Jacobina, nesta adaptação do romance Videiras de Cristal, de Luiz Antonio de Assis Brasil, é apenas um dos muitos problemas da fita.
Na província do Rio Grande do Sul, em 1871, vive Jacobina (Letícia Spiller), descendente de alemães que reúne em sua casa um grupo de dissidentes do protestantismo e todo tipo de excluídos que por lá aparecem. Ela prega a cura dos males do corpo através da purificação da alma e, durante seus cultos, costuma distribuir beijos entre seus fanáticos seguidores que acreditam ser ela a nova encarnação de Jesus Cristo. Desde o dia em que falou com Deus, passou a se vestir apenas com uma bata e deixar os cabelos soltos, causando o incômodo da população local. Mas só após a morte de um mücker e de dois opositores da seita é que as autoridades locais decidem intervir.
Com público considerável de cerca de 95 mil espectadores no Sul do país, que mais parece se dever ao interesse na imigração alemã na região de São Leopoldo que à qualidade da fita, A Paixão de Jacobina tem como ponto alto a cena em que a protagonista, cabelos ao vento, corre pelos campos onde vive, cercada de borboletas amarelas inseridas digitalmente. Além dessa, outras incoerências podem ser vistas no filme como a misteriosa aparição do primo (Thiago Lacerda) pelo qual Jacobina sempre foi apaixonada apenas para possuí-la enquanto ela se banha no rio, mesmo sendo ele um homem casado e que mora na cidade.
Sem nenhum pudor, Barreto ainda inseriu uma seqüência, sem nenhuma relevância dramática, apenas para fazer merchandising, em pleno século 19, dos calçados Azaléia. Nem mesmo a peruca importada de Letícia, que contribuiu no considerável orçamento de 8 milhões de reais, se salva ao deixar à vista seus entrelaçamentos.
Fonte: CineWeb.


quarta-feira, 22 de junho de 2011

A PRIMEIRA A GENTE NUNCA ESQUECE


Primeira turma de formandos do Haydée. Dezembro de 2005, na sede antiga da Unisisnos turma (2335).

ÁTILA, REI DOS HUNOS

Átila o Huno, foi considerado um dos responsáveis pela queda do Império Romano. As tribos germânicas que conquistaram grandes porções do Império estavam na verdade fugindo de Átila, conhecido como o Flagelo de Deus.
Muito pouco é sabido da vida de Átila antes de sua aparição assassina, por volta de 433 e com mais ou menos 25 anos, subir ao trono de rei dos Hunos, juntamente com seu irmão Bleda, a quem simplesmente matou no ano de 443.
Atila era o rei dos Hunos, um povo bárbaro, violento e ávido por guerras e pilhagens. Eram nômades (não tinham habitação fixa e viviam a percorrer campos e florestas) e excelentes produtores, domadores e ginetes de cavalos.
Como não construíam casas, viviam em suas carroças e também em barracas que armavam nos caminhos que percorriam. A principal fonte de renda, alimentação e diversão dos hunos, era a pratica do saque aos povos dominados, o que lhes servia para ir espalhando o medo em outras regiões e antecipar as rendição, pois eram extremamente violentos e cruéis com os inimigos.
Segundo a lenda, Átila teria matado seu primeiro inimigo aos seis anos de idade e carregava a espada do deus da guerra. Tinha, segundo os cronistas, 1,20 metro de altura. Em 447, Átila invadiu o Império Romano, derrotando todos os exércitos romanos e só deixando de conquistar Constantinopla graças às muralhas da cidade. O imperador passa a pagar um imposto de 900 quilos de ouro anual aos hunos.
Em 450, o novo imperador se recusou a pagar o tributo. Ao invés de invadir o Império do Oriente, Átila invade o lado ocidental do Império; não apenas era este mais fraco, mas ele tinha uma desculpa...
 A irmã do imperador, Honória, havia sido aprisionada, suspeita de traição. Da prisão, ela enviou seu anel a Átila, pedindo-lhe que servisse de campeão. Átila declarou que considerava o gesto uma oferta de casamento, e pediu metade do Império como dote.
Em 451, junto com Gaiserico, rei dos vândalos, invade o império com um exército com, segundo os cronistas da época, 600.000 homens.
Na batalha de Châlons, Átila é derrotado pelo general romano Aécio, mas este não tem tropas o bastante para impedir que o exército huno atravesse o Danúbio de volta, mais ou menos intacto.
No ano seguinte, Átila invadiu novamente o Império, sem que dessa vez nenhum exército se opusesse a ele. Às portas de Roma, atila se retira, sem que até hoje se saiba exatamente por quê.
Dois anos depois, na noite de seu noivado, Átila faleceu de um derrame. Segundo a tradição, foi enterrado com dois tesouros, nas águas do rio Danúbio. Os responsáveis pelo sepultamento foram executados para não revelar o lugar.
Quando a notícia chegou a Roma e Constantinopla, missas foram rezadas em todas as Igrejas agradecendo a Deus.


terça-feira, 21 de junho de 2011

Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira.
Chê Guevara   - Revolucionário.     

ROCK AND ROLL

As origens do rock and roll remontam ao final dos anos 1940 e início dos anos 1950 através de uma combinação de diversos gêneros musicais (predominantemente afro-americanos) populares naquele momento. Estes incluíram o gospel] norte-americano, a folk music e o blues - em especial as formas elétricas desenvolvidas em Memphis, Chicago, Nova Orleans, Texas, Califórnia e outros lugares - à base de um boogie woogie tocado no piano e um jump blues que foram se tornando conhecidos coletivamente como rhythm and blues. Também neste caldeirão, adicionaram-se influências de country music e jazz.
 No entanto, elementos de rock and roll podem ser ouvidos em gravações country da década de 1930 e blues dos anos 1920. Durante aquele período muitos brancos norte-americanos experimentaram o jazz e o blues afro-americanos. Frequentemente, a música "negra" era relegada a condição de produto musical racial (código da indústria fonográfica para estações de rádio de rhythm and blues) e raramente era ouvida pela corrente majoritária branca. Poucos músicos negros de rhythm and blues, notadamente Louis Jordan, The Mills Brothers e The Ink Spots, alcançaram algum sucesso, embora em alguns casos (como o da canção 'Choo Choo Ch'Boogie', de Jordan), este êxito tenha sido alcançado com canções escritas por compositores brancos. O gênero Western swing da década de 1930, geralmente tocado por músicos brancos, também seduziu fortemente o blues e diretamente influenciou o rockabilly e o rock and roll, como pode ser ouvido, por exemplo, na canção Jailhouse Rock, de Elvis Presley, de 1957.
Voltando ainda mais longe, o rock and roll pode traçar uma linhagem para o velho distrito Five Points, em Manhattan, em meados do século XIX, cenário da primeira fusão pesadamente rítmica de danças africanas com a melodia de gêneros europeus, especialmente de origem irlandeses.
 Em 1956 no filme Rock, Rock, Rock, Alan Freed interpreta a si mesmo, diz ao público que "Rock and roll é um rio musical que tem absorvido muitos riachos: rhythm and blues, jazz, ragtime, canções de cowboy, canções country e música folk. Todos contribuíram para o big beat. "
Em 1951, em Cleveland, Ohio, o DJ Alan Freed começou a tocar rhythm and blues para uma audiência multi-racial. Freed é creditado como o primeiro a utilizar a expressão 'rock and roll' para descrever a música. No entanto, o termo já tinha sido introduzido ao público dos EUA, especialmente na letras de muitas gravações rhythm and blues. Três diferentes canções com o título 'Rock and Roll' foram gravadas no final dos anos 1940: uma em 1947 por Paul Bascomb, outra por Wild Bill Moore, em 1948, e ainda outra em 1949 por Doles Dickens, e a expressão estava em constante uso nas letras de canções R&B da época. Um outro registo onde a frase foi repetida durante toda a canção foi em Rock and Roll Blues, gravado em 1949 por Erline 'Rock and Roll' Harris.
 A expressão foi também incluída nos anúncios para o filme Wabash Avenue, estrelado por Betty Grable e Victor Mature. Um propaganda para o filme que circulou em 12 de abril de 1950 anunciou Ms. Grable como …the first lady of rock and roll e Wabash Avenue como …the roaring street she rocked to fame.
Até então, a frase rocking and rolling (balançar e rolar), conforme uma gíria laica negra para dançar ou fazer sexo, apareceu em gravações pela primeira vez em 1922, na canção My Man Rocks Me Com Um Steady Roll, de Trixie Smith. Mesmo antes, em 1916, o termo rocking and rolling foi usado com uma conotação religiosa, no registro fonográfico de The Camp Meeting Jubilee, gravado por um quarteto masculino desconhecido.
 A palavra rock teve uma longa história no idioma inglês como uma metáfora para to shake up, to disturb or to incite ("sacudir, perturbar ou incitar"). Em 1937, Chick Webb e Ella Fitzgerald gravaram "Rock It for Me", que incluía na letra o verso So won't you satisfy my soul with the rock and roll. (Então, você não vai satisfazer a minha alma com o rock and roll.)[5][6]. Rocking era um termo usado por cantores negros gospel no Sul dos Estados Unidos para dizer algo semelhante ao êxtase espiritual. Pela década de 1940, no entanto, o termo foi usado como um duplo sentido, referindo-se pretensamente a dançar, mas também com o significado de implícito de sexo, como em "Good Rocking Tonight", de Roy Brown.
O verbo roll era uma metáfora medieval que significava ter relações sexuais. Durante centenas de anos, escritores têm utilizado expressões como They had a roll in the hay ou I rolled her in the clover. Os termos eram muitas vezes utilizados em conjunto (rocking and rolling) para descrever o movimento de um navio no mar, por exemplo, como na canção Rock and Roll, das Irmãs Boswell, em 1934, que apareceu no filme Transatlantic Merry-Go-Round' (literalmente, Transatlântico Carrossel), naquele mesmo ano, e na canção "Rockin 'Rollin' Mama", de Buddy Jones, em 1939. O cantor country Tommy Scott se referia ao movimento de um trem na ferrovia em Rockin e Rollin, de 1951.
 Uma versão alternativa alegação é a de que as origens de rocking and rolling pode ainda remontar aos trabalhadores que trabalhavam nas ferrovias Reconstruction South. Esses homens cantariam canções na batida do martelo para manter o ritmo do seu instrumento de trabalho. Ao final de cada linha em uma canção, os homens balançariam seus martelos para baixo para furar um buraco na rocha. Os shakers - homens que ocupavam as pontas de aço perfuradas pelo martelo humano - balançariam o prego para frente e para trás para limpar a pedra ou rolar, girando o prego para melhorar a 'mordida' da broca.
Impacto culturalAlan Freed, também conhecido como "Moondog", é creditado como o primeiro a utilizar a expressão "rock and roll" para descrever a música rhythm and [blues tocada para uma audiência multi-racial. Enquanto trabalhava como DJ na estação de rádio WJW, em Cleveland, ele também organizou o primeiro grande concerto de rock and roll, o "Moondog Coronation Ball", em 21 de março de 1952.
 O evento era na verdade um conjunto de cinco espetáculos apresentados em Cleveland. Já no primeiro show, a procura por ingresso foi enorme e o concerto teve de ser encerrado devido à superlotação. Posteriormente, Freed organizou muitos concertos de rock and roll marcados pela presença tanto de brancos quanto de negros, contribuindo ainda mais para introduzir estilos musicais afro-americanos para um público mais vasto.
O rock and roll surgiu em uma época em que as tensões raciais nos Estados Unidos estavam próximos de vir à tona. Os negros norte-americanos protestavam contra a segregação de escolas e instalações públicas. A doutrina racista "separate but equal" foi nominalmente derrubada pela Suprema Corte em 1954, mas a difícil tarefa de fazer respeitar a decisão estava por vir. Este novo gênero musical combinando elementos das músicas branca e negra inevitavelmente provocou fortes reações.
Depois do "The Moondog Coronation Ball", as gravadoras logo compreenderam que havia mercado formado pelo público branco para a música negra que estava para além das fronteiras estilísticas do rhythm and blues. Mesmo o preconceito considerável e as barreiras raciais não podiam barrar as forças do mercado. O rock and roll tornou-se um sucesso de um dia para outro nos EUA, fazendo ondulações do outro lado do Oceano Atlântico e, talvez, culminando em 1964 com a "Invasão Britânica".
Os efeitos sociais do rock and roll foram massivos mundialmente, que influenciou estilos de vida, moda, atitudes e linguagem. Além disso, o rock and roll pode ter ajudado a causa do movimento dos direitos civis, porque tanto os jovens norte-americanos brancos como os negros adoravam o gênero, que ainda derivou muitos estilos musicais: progressivo, punk, heavy metal e alternativo são apenas alguns dos gêneros que surgiram na esteira diante do Rock and Roll.
 Cultura teen - Um ídolo teen geralmente era um artista que atraía um grande número de seguidores, principalmente adolescentes do sexo feminino, devido à sua boa aparência e ao seu apelo sexual, assim como suas qualidades musicais. Um bom exemplo é Frank Sinatra na década de 1940, embora um exemplo anterior possa ser Rudy Vallée. Com o nascimento do rock and roll, Elvis Presley se tornou um dos maiores ídolos teen de todos os tempos. Seu sucesso levou os promoters à criação deliberada de novos ídolos 'rock and roll', tais como Frankie Avalon e Ricky Nelson. Outros músicos daquela época também atingiram popularidade.
Seguidos por muitos outros artistas com grande apelo para um público adolescente, incluindo os Beatles e os Monkees, estes ídolos teen não eram só conhecidos pela sua cativante música pop, mas também pela boa aparência que desempenhava um importante papel no seu sucesso. Foi por isso que algumas revistas, exclusivamente orientada para o público jovem ("16 Magazine", "Tiger Beat", etc), foram criadas. Essas revistas mensais tipicamente estampavam um ídolo teen popular na capa, bem como fotografias atraentes, uma seção de Perguntas & Respostas, e uma lista de predileções de cada ídolo (ou seja, cor favorita, legume favorito, cor do cabelo favorito, etc.). Os ídolos teen também influenciaram da produção de desenhos animados matutinos a brinquedos, entre outros produtos. No auge da popularidade do ídolo teen, não era incomum para ver perucas inspiradas no corte de cabelo dos Beatles, por exemplo.



O QUATRILHO

A ressureição do cinema nacional depois do ostracismo ao qual foi condenado nos anos que se seguiram a deplorável era Collor de Mello se deveu a vários fatores, entre os quais pode-se destacar, uma maior preocupação por parte dos cineastas tupiniquins em produzir filmes acessíveis ao grande público, com histórias interessantes e desprovidas daquela pretensa aura intelectualizada que muitos movie-makers brasileiros sempre perseguiram.
Isso não significa dizer que o público que tem assistido aos filmes nacionais abra mão da qualidade em termos de roteiros inteligentes, filmagens com enquadramentos diferenciados, boa trilha sonora, efeitos sonoros e visuais de alto nível, etc; pelo contrário, a demanda tem sido sempre maior no caso das produções que investem mais pesado num trabalho onde todas essas caracteristicas prevaleçam (por isso temos visto filmes brasileiros com boas carreiras nos cinemas e elogiosos comentários entre os críticos especializados como atestam os recentes "Bicho de Sete Cabeças", "O Xangô de Baker Street" ou "A Partilha").
O reconhecimento tem ocorrido também por parte do mercado externo, onde os filmes "made in Brasil" receberam inúmeros prêmios e foram inclusive, indicados ao Oscar (Casos de "Central do Brasil", "O que é isso, companheiro?" e de "O Quatrilho").
Examinaremos aqui o bem-sucedido trabalho do cineasta Fábio Barreto, "O Quatrilho", de 1995, estrelado por Patrícia Pillar, Glória Pires, Alexandre Pasternost e Bruno Campos.
A história concentra-se na imigração italiana para o Brasil na virada do século XIX para o XX, especificamente em direção a região sul, onde grandes contingentes de europeus (especialmente de italianos e alemães) acabaram se instalando e deixando suas contribuições e herdeiros até os dias atuais.
Duas trajetórias se cruzam, quatro pessoas se encontram, inicialmente deslocadas por estarem em casamentos nos quais não se realizaram pessoalmente. Nos bastidores, toda uma preocupação em mostrar um pouco do cotidiano desses recém-chegados a nossas terras, apresentando com bons resultados a forma como se vestiam, sua alimentação, as realações familiares, o mobiliário das casas, o trabalho e um pouco do lazer dessas comunidades ítalo-brasileiras em formação.
Entre os divertimentos destaca-se um jogo de cartas, chamado quatrilho, comum entre os imigrantes italianos, caracterizado por uma troca de parceiros durante a partida. O jogo concentra em sí, na simplicidade de suas regras, a dinâmica do filme e, particularmente, das relações amorosas envolvendo os casais Glória Pires e Bruno Campos de um lado e Patrícia Pillar e Alexandre Pasternost do outro.
 Um filme que retrata relações tumultuadas entre casais num Brasil do início do século marcado por seus hábitos e costumes extremamente conservadores, ainda mais dentro de uma colônia de italianos católicos, não prima pela regra da época, pelo contrário, atenta para situações muito mais próprias do período de vida em que estamos inseridos hoje. No entando, as regras mais rígidas tem sido quebradas nos momentos mais impróprios, sendo assim é até possível que situação semelhante tenha sido vivenciada por alguém, por que não?
Nas escolas o filme pode servir como uma referência forte no estudo das imigrações européias que povoaram boas parcelas do sul do Brasil e de São Paulo a partir da metade do século XIX, incentivadas pelo interesse dos produtores de café e do próprio governo, motivadas pela substituição progressiva da mão de obra escrava pela assalariada num país carente de trabalhadores e com muita terra para ocupar.
As imigrações são também importantes como fator essencial para o início da instalação de indústrias no país, inicialmente como mão de obra especializada e, posteriormente, como investidores.
 Um aprofundamento na cultura e nas contribuições legadas pelos italianos ao Brasil pode ser um bom tema para geografia, assim como pode criar possibilidades em redação; explorar a árvore genealógica em busca de parentes que tenham cruzado o Atlântico nesse período ou fazer com que as turmas conheçam um pouco da contribuição de descendentes de nossos "amici" italianos nas artes ou na literatura são, também, atividades que podem ser realizadas. Então, mãos à obra!
Fonte:CineWeb.


segunda-feira, 20 de junho de 2011

A MURALHA DA CHINA


A Muralha da China, Grande Muralha da China ou simplesmente Grande Muralha é uma impressionante estrutura de arquitetura militar construída durante a China Imperial. Embora seja comum a ideia de que se trata de uma única estrutura, na realidade consiste em diversas muralhas, construídas por várias dinastias ao longo de cerca de dois milênios. Se, no passado, a sua função foi essencialmente defensiva, no presente constitui um símbolo da China e uma procurada atração turística.
Fonte de texto: Wikipédia.

O ÚLTIMO IMPERADOR

 “O Último Imperador” mantém a tradição dos grandes filmes épicos e, ao mesmo tempo, inova ao deslocar a atenção dos espectadores para um universo completamente diverso daquele com o qual estão acostumados ao nos transportar para a China imperial.
 No filme do diretor Bernardo Bertolucci, temos a oportunidade de acompanhar a história verdadeira (adaptada para as telas) daquele que foi o representante final de uma tradição política que se impunha a seu país e a seu povo desde tempos imemoriais.
Protegidos ao longo do tempo pelas barreiras naturais que se impunham entre seu país e outras regiões do planeta (como o clima gélido que os mantém separados de porções do território russo, o oceano Pacífico que os deixa protegidos do Japão ou mesmo cadeias de montanhas que impedem a chegada dos povos que ficam ao sul de seu imenso território, como os indianos), os chineses puderam preservar sua cultura e prorrogar a vida de suas tradições para que viessem a se tornar milenares.
Entre as tradições mantidas estava o sistema político, de bases imperiais, em que o poder ficava nas mãos de determinadas famílias ao longo de décadas ou séculos. Perpetuava-se o domínio político de uma determinada dinastia a partir do princípio da hereditariedade. Pouco importava saber se o novo mandatário era capaz de exercer com justiça e competência a administração do país; não havia uma real preocupação com o que poderia acontecer com a população se o novo imperador se revelasse despreparado ou tirânico, sádico ou apenas interessado nas benesses do poder e do cargo em que estava investido.
Questionamentos populares, eventuais sinais de rebeldia, luta pela autonomia de províncias ou mesmo manifestações em favor de melhorias por parte do povo eram considerados atos passíveis de punição e castigos dos mais variados níveis (do aprisionamento aos castigos físicos, do exílio a morte). As trocas de comando eram provocadas apenas pelas disputas travadas entre as famílias de poderosos, que uniam forças com outros senhores e desafiavam a autoridade dos soberanos no poder.
A história da China muda de rumos a partir do momento (entre os séculos XIX e XX) em que se abrem as portas (à força) do país a entrada de estrangeiros, interessados nas possibilidades comerciais de um país de enorme mercado consumidor e variadas possibilidades de produção e exploração de recursos naturais. Esses novos ventos que sopram nas grandes cidades chinesas promovem o surgimento de novas idéias, inclusive no que se refere à política; o século XX confirma essa nova realidade local com golpes e revoluções que estabelecem no gigante chinês a república e o socialismo num curto espaço de tempo (entre as décadas de 1910 e 1950).
Pu Yi, o último dos imperadores locais, teve a má sorte de ter vindo ao mundo justamente quando essas mudanças estavam acontecendo...
O filme
Pu Yi (John Lone) passou seus primeiros 24 anos de vida fechado na Cidade Proibida onde, aos três anos de idade, havia sido elevado ao posto de imperador da China. Nesse ambiente fechado vivia cercado de todos os cuidados normalmente dispensados aos imperadores, o que lhe garantia privilégios e mordomias dos mais variados tipos.
 Não tinha contato com seu povo, desconhecia as dificuldades pelas quais passavam seus súditos, era assessorado por ministros e secretários muitas vezes inescrupulosos e, com certeza, não desconfiava das alterações pelas quais passaria muito brevemente o seu país.
Surpreendido por um golpe de estado que fez surgir a república na China, teve que sair da Cidade Proibida e iniciar uma verdadeira epopéia rumo a seu destino final. Na década de 1930 foi utilizado como testa de ferro pelos japoneses no comando de um novo país no território chinês, chamado de Manchukuo.
 Em 1949 viu a ascensão de um forte movimento de bases populares liderado pelo socialista Mao-Tsé-Tung chegar ao poder e todos os símbolos relacionados ao passado imperial sofrerem intensas e violentas perseguições por parte do novo regime.
Seus dias pareciam contados, seu passado glorioso como imperador era apenas uma lembrança esmaecida com o passar dos anos; atrás das grades do novo sistema, Pu Yi estava condenado a purgar, a pagar pelo luxo e pela ostentação burguesa condenada pelos artífices do socialismo...
Fonte:CineWeb

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A CENSURA NO ESTADO NOVO

Marco Cabral dos Santos
O nascimento do
Estado Novo, em 1937, deu-se sob a evidente preocupação de Getúlio Vargas com a publicidade e legitimação de seu regime, apoiando-se fortemente nos meios de comunicação. Desde o momento em que viu consolidar-se o golpe que o levou ao poder em 1930, Vargas mostrou-se preocupado em estruturar seu governo, ancorando-se em mecanismos de propaganda e controle da opinião pública como meio de difundir suas idéias e os ideais que norteariam sua atuação política.

Com a criação do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), em dezembro de 1939, os projetos de construção da imagem de Getúlio Vargas, de culto à sua personalidade e de controle da opinião pública tiveram sua realização plena. Estruturado como uma verdadeira máquina da propaganda governista, o DIP teve forte atuação junto a todos os meios de comunicação, sobretudo o rádio e a imprensa escrita. Ao DIP cabia a tarefa exclusiva de cuidar de toda a publicidade e propaganda dos órgãos do governo e da administração pública federal, assim como de todas as suas autarquias.
Superministério
Há quem o considere o DIP como o "superministério" de Vargas, pedra basilar em seu esquema de sustentação. A gigantesca burocracia do DIP era ainda composta por filiais denominadas de DEIP (Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda), presentes em cada um dos estados brasileiros.

Ao DIP cabia a importante tarefa de difundir o ideário do Estado Novo junto às repartições públicas, por meio da distribuição de retratos oficiais do presidente, os quais deveriam ser fixados em locais visíveis.

Aos estudantes brasileiros o DIP dedicava a produção de cartilhas cívicas, onde a
história do Brasil era contada de forma enviesada e a figura de Vargas pintada como a de um redentor predestinado à salvação do país. Por meio de suas cartilhas o DIP transformou o aniversário de Vargas em efeméride escolar, de maneira que em centenas de escolas espalhadas pelo Brasil milhares de crianças lhe rendiam homenagens no 19 de abril.
Vigilância e censura
O DIP dedicava parte de seus recursos à censura aos meios de comunicação brasileiros. Nada (ou quase) escapava aos olhos atentos dos censores, que em 1942 chegaram a proibir a veiculação de 108 programas de rádio e quase 400 músicas, fosse pelo conteúdo nocivo aos interesses da pátria, fosse por letras de moral questionável, sobretudo em se tratando das marchas de carnaval.

A organização do DIP dividia-se em cinco de divisões, dedicadas aos setores considerados estratégicos para a propagação do ideário do regime de Vargas. A Divisão de Radiodifusão era uma das mais destacadas, por ter sob sua vigília o mais importante
meio de comunicação do país, assim como a Divisão de Imprensa, a qual cabia o controle do conteúdo que se veiculava pelos jornais, revistas e livros brasileiros.

A Divisão de Cinema e Teatro responsabilizava-se não só pelo conteúdo das produções brasileiras nesses setores, como pelo incentivo de realizações que tivessem por objetivo a divulgação dos feitos de Vargas e de seu governo. Por último, havia ainda a Divisão de Turismo, que apesar de sua modesta atuação, buscava "enaltecer as belezas naturais deste vasto país", e a Divisão de Divulgação, responsável pela distribuição de publicações oficiais e pelo controle e veiculação de discursos governistas.
Moldando o país ao Estado Novo
A empreitada de moldar a imagem de um Brasil moderno e moralizado aliada à imagem de Vargas como um governante justo e firme, consumia avultadas quantias e envolvia um aparato estatal de grande envergadura. Em alguns períodos o DIP chegou a ser responsável por 60% dos artigos publicados em revistas e jornais por todo o Brasil. Era uma máquina de propaganda governamental como nunca se vira em terras brasileiras, certamente o órgão civil mais preponderante na fabulosa estrutura do Estado Novo.

Por toda essa importância o DIP pode ser considerado o porta-voz oficial do Estado-Novo, responsável não só pela propaganda oficial do governo, mas sobretudo pela perpetuação da auto-imagem de Getúlio Vargas e de seu projeto político. Soma-se a isso o fato de que o DIP era a expressão máxima da coerção do livre pensamento e expressão, incumbido da tarefa de moldar a cultura brasileira aos propósitos do Estado-Novo.


quarta-feira, 15 de junho de 2011

PRIMEIRO REINADO

Primeiro Reinado é a fase da História do Brasil que corresponde ao governo de D. Pedro I. Tem início em 7 de setembro de 1822, com a Independência do Brasil e termina em 7 de abril de 1831, com a abdicação de D. Pedro I.
 O governo de D. Pedro I enfrentou muitas dificuldades para consolidar a independência, pois no Primeiro Reinado ocorrem muitas revoltas regionais, oposições políticas internas.
Reações ao processo de Independência
Em algumas províncias do Norte e Nordeste do Brasil, militares e políticos, ligados a Portugal, não queriam reconhecer o novo governo de D. Pedro I. Nestas regiões ocorreram muitos protestos e reações políticas. Nas províncias do Grão-Pará, Maranhão, Piauí e Bahia ocorreram conflitos armados entre tropas locais e oficiais.
 Constituição de 1824
Em 1823, durante a elaboração da primeira Constituição brasileira, os políticos tentaram limitar os poderes do imperador. Foi uma reação política a forma autoritária de governar do imperador. Neste mesmo ano, o imperador, insatisfeito com a Assembléia Constituinte, ordenou que as forças armadas fechassem a Assembléia. Alguns deputados foram presos.
D.Pedro I escolheu dez pessoas de sua confiança para elaborar a nova Constituição. Esta foi outorgada em 25 de março de 1824 e apresentou todos os interesses autoritários do imperador. Além de definir os três poderes (legislativo, executivo e judiciário), criou o poder Moderador, exclusivo do imperador, que lhe concedia diversos poderes políticos.
A Constituição de 1824 também definiu leis para o processo eleitoral no país. De acordo com ela, só poderiam votar os grandes proprietários de terras, do sexo masculino e com mais de 25 anos. Para ser candidato também era necessário comprovar alta renda (400.000 réis por ano para deputado federal e 800.000 réis para senador).
Guerra da Cisplatina
 Este foi outro fato que contribuiu para aumentar o descontentamento e a oposição ao governo de D.Pedro I. Entre 1825 e 1828, o Brasil se envolveu na Guerra da Cisplatina, conflito pelo qual esta província brasileira (atual Uruguai) reivindicava a independência. A guerra gerou muitas mortes e gastos financeiros para o império. Derrotado, o Brasil teve que reconhecer a independência da Cisplatina que passou a se chamar República Oriental do Uruguai.
Confederação do Equador
As províncias de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará formaram, em 1824 a Confederação do Equador. Era a tentativa de criar um estado independente e autônomo do governo central. A insatisfação popular com as condições sociais do país e o descontentamento político da classe média e fazendeiros da região com o autoritarismo de D.Pedro I foram as principais causas deste movimento.
Em 1824, Manuel de Carvalho Pais de Andrade tornou-se líder do movimento separatista e declarou guerra ao governo imperial.
O governo central reagiu rapidamente e com todos as forças contra as províncias separatistas. Muitos revoltosos foram presos, sendo que dezenove foram condenados a morte. A confederação foi desfeita, porém a insatisfação com o governo de D.Pedro I só aumentou.
 Desgaste e crise do governo de D.Pedro I
Nove anos após a Independência do Brasil, a governo de D.Pedro I estava extremamente desgastado. O descontentamento popular com a situação social do país era grande. O autoritarismo do imperador deixava grande parte da elite política descontente. A derrota na Guerra da Cisplatina só gerou prejuízos financeiros e sofrimento para as famílias dos soldados mortos. Além disso, as revoltas e movimentos sociais de oposição foram desgastando, aos poucos, o governo imperial.
Outro fato que pesou contra o imperador foi o assassinato do jornalista Libero Badaró. Forte crítico do governo imperial, Badaró foi assassinado no final de 1830. A polícia não encontrou o assassino, porém a desconfiança popular caiu sobre homens ligados ao governo imperial.
Em março de 1831, após retornar de Minas Gerais, D.Pedro I foi recebido no Rio de Janeiro com atos de protestos de opositores. Alguns mais exaltados chegaram a jogar garrafas no imperador, conflito que ficou conhecido como “A Noite das Garrafadas”. Os comerciantes portugueses, que apoiavam D.Pedro I entraram em conflitos de rua com os opositores.
 Abdicação
Sentindo a forte oposição ao seu governo e o crescente descontentamento popular, D.Pedro percebeu que não tinha mais autoridade e forças políticas para se manter no poder.
Em 7 de abril de 1831, D.Pedro I abdicou em favor de seu filho Pedro de Alcântara, então com apenas 5 anos de idade. Logo ao deixar o poder viajou para a Europa.
Fonte: Sua Pesquisa.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A PRIMEIRA MISSA NO BRASIL

A primeira missa também foi um marco para o inicio da história do Brasil. No dia 22 de abril de 1500 chegaram as 13 caravelas lideradas por Pedro Alvares Cabral. Ao avistar um monte do mar, chamou de Monte Pascoal já que era o oitavo dia da Páscoa. Ao desembarcarem foram recebidos por aproximadamente dezoito índios e trocaram presentes. A bordo de suas caravelas novamente, subiram um pouco para um lugar mais protegido e foram parar na praia da Coroa Vermelha, em Porto Seguro, no litoral sul da Bahia.
Foi exatamente ali que foi celebrada a primeira missa em solo brasileiro, no dia 26 de abril. Segundo narra o escrivão Pero Vaz de Caminha em uma carta para o rei de Portugal, D. Manuel, depois 47 dias navegando pelo oceano Atlântico, ao chegarem na praia da Coroa Vermelha, dois carpinteiros fizeram uma cruz e a colocaram na areia. A missa foi celebrada pelo Frei Henrique com mais alguns clérigos. Foram convocados mil homens, entre oficiais e marinheiros e havia cerca de duzentos índios que acompanhavam atentamente ao que acontecia, com muito respeito e adoração. Os índios seguiam os mesmos gestos dos portugueses, se eles levantavam, eles também levantavam, se eles ajoelhavam, eles também ajoelhavam. Depois de terminada a cerimônia o sacerdote fez uma pregação narrando a vinda dos portugueses. Vaz de Caminha acreditava também que a conversão dos índios não seria difícil, já que eles foram muito respeitosos quanto a religião.
Nos dias seguintes, os portugueses tentaram mostrar para os índios o respeito que tinham com a cruz, se ajoelharam um por um e a beijaram. Alguns índios fizeram o mesmo gesto, o que fez com que fossem considerados inocentes e fáceis de evangelizar. Vaz de Caminha pede ainda para o rei que venha logo o clérigo para batizá-los a fim de conhecerem mais sobre a fé deles.
A segunda missa foi celebrada no dia 1º de maio, na foz do rio Mutarí. E assim, deu-se início ao que hoje é considerado o maior país católico do mundo.




sexta-feira, 10 de junho de 2011

TAJ MAHAL


Taj Mahal  é um mausoléu situado em Agra, uma cidade da Índia e o mais conhecido dos monumentos do país. Encontra-se classificado pela UNESCO como Património da Humanidade. Foi recentemente anunciado como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo Moderno em uma celebração em Lisboa no dia 7 de Julho de 2007.
A obra foi feita entre 1630 e 1652 com a força de cerca de 20 mil homens, trazidos de várias cidades do Oriente, para trabalhar no sumptuoso monumento de mármore branco que o imperador Shah Jahan mandou construir em memória de sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, a quem chamava de Mumtaz Mahal ("A jóia do palácio"). Ela morreu após dar à luz o 14º filho, tendo o Taj Mahal sido construído sobre seu túmulo, junto ao rio Yamuna.
Assim, o Taj Mahal é também conhecido como a maior prova de amor do mundo, contendo inscrições retiradas do Corão. É incrustado com pedras semipreciosas, tais como o lápis-lazúli entre outras. A sua cúpula é costurada com fios de ouro. O edifício é flanqueado por duas mesquitas e cercado por quatro minaretes.
 Supõe-se que o imperador pretendesse fazer para ele próprio uma réplica do Taj Mahal original na outra margem do rio, em mármore preto, mas acabou deposto antes do início das obras por um de seus filhos.
Fonte: Wikipédia.


terça-feira, 7 de junho de 2011

O CARAMURU

SANTA RITA DURÃO
Poema Épico do Descobrimento da Bahia é composto de dez cantos e, de acordo com o gênero, divide-se em cinco partes: proposição, invocação, dedicação, narração e epílogo. Canto I Na primeira estrofe, o poeta introduz a terra a ser cantada e o herói - Filho do Trovão -, propondo narrar seus feitos (proposição). Na estrofe seguinte, pede a Deus que o auxilie na realização do intento (invocação), e da terceira à oitava estrofes, dedica o poema a D. José I, pedindo atenção para o Brasil, principalmente a seus habitantes primitivos, dignos e capazes de serem integrados à civilização cristã. Se isso for feito, prevê Portugal renascendo no Brasil. Da nona estrofe em diante, tem-se a narração. A caminho do Brasil, o navio de Diogo Álvares Correia naufraga. Ele e mais sete companheiros conseguem se salvar. Na praia, são acolhidos pelos nativos que ficam temerosos e desconfiados. Os náufragos, por sua vez, também temem aquelas criaturas antropófagas, vermelhas que, sem pudor, andam nuas. Assim que um dos marinheiros morre, retalham-no e comem-lhe, cruas mesmo, todas as partes. Sem saber o futuro, os sete são presos em uma gruta, perto do mar, e, para que engordem, são bem alimentados. Notando que os índios nada sabem de armas, Diogo, durante os passeios na praia, retira, do barco destroçado, toda pólvora e munições, guardando-as na gruta. Desde então, como vagaroso enfermo, passa a se utilizar de uma espingarda como cajado.

Para entreter os amigos, Fernando, um dos náufragos, ao som da cítara, canta a lenda de uma estátua profética que, no ponto mais alto da ilha açoriana, aponta para o Brasil, indicando a futuros missionários o caminho a seguir.Um dia, excetuando-se Diogo, que ainda estava enfermo e fraco, os outros seis são encaminhados para os fossos em brasa. Todavia, quando iam matar os náufragos, a tribo do Tupinambá Gupeva é ferozmente atacada por Sergipe. Após sangrenta luta, muitos morrem ou fogem; outros se rendem ao vencedor que liberta os pobres homens que desaparecem, no meio da mata, sem deixar rastro. Canto II Enquanto a luta se desenvolve, Diogo, magro e enfermo para a gula dos canibais, veste a armadura e, munido de fuzil e pólvora, sai para ajudar os seis companheiros que serão comidos. Na fuga, muitos índios buscam esconderijo na gruta, inclusive Gupeva que, ao se deparar com o lusitano, saindo daquele jeito, cai prostrado, tremendo; os que o seguiam fazem o mesmo; todos acham que o demônio habita o fantasma-armadura. Álvares Correia, que já conhecia um pouco a língua dos índios, espera amansá-los com horror e arte. Levantando a viseira, convida Gupeva a tocar a armadura e o capacete. Observa, amigavelmente, que tudo aquilo o protege, afastando o inimigo, desde que não se coma carne humana. Ainda aterrorizado, o chefe indígena segue-o para dentro da gruta, onde Diogo acende a candeia, levando-o a crer que o náufrago tem poder nas mãos. Sob a luz, vê, sem interesse, tudo que o branco retirara da nau. Aqui, o poeta, louva a ausência de cobiça dessa gente. Entre os objetos guardados pelos náufragos, Gupeva encanta-se com a beleza da virgem em uma gravura.Tão bela assim não seria a esposa de Tupã? Ou a mãe de Tupã? Nesse momento, encantado pela intuição do bárbaro, Diogo o catequiza, ganhando-lhe, assim a dedicação. Saindo da gruta, o índio, agora manso e diferente, fala a seu povo Tupinambá, ao redor da gruta. Conta-lhes sobre o feito do emboaba, Diogo, e que Tupã o mandara para protegê-los. Para banquetear o amigo, saem para caçar. Durante o trajeto, Álvares Correia usa a espingarda, aterrorizando a todos que exclamam e gritam: Tupã Caramuru! Desde esse dia, o herói passa a ser o respeitado Caramuru - Filho do Trovão. Querendo terror e não culto, Diogo afirma-lhes que, como eles, é filho de Tupã e a este, também, se humilha. Mas que como filho do trovão, (dispara outro tiro) queimará aquele que negar obediência ao grande Gupeva.Nas estrofes seguintes, o poeta descreve os costumes da selva. Caramuru instala-se na aldeia, onde imensas cabanas abrigam muitas famílias, que vivem em harmonia. Muitos índios querem vê-lo, tocá-lo. Outros, em sinal de hospitalidade, despem-no e colocam-no sobre a rede, deixando-o tranqüilo. Paraguaçu é uma índia, de pele branca e traços finos e suaves. Apesar de não amar Gupeva, está na tribo por ter-lhe sido prometida. Como sabe a língua portuguesa, Diogo quer vê-la. Após o encontro os dois estão apaixonados. Canto III À noite, Gupeva e Diogo conversam sob a tradução feita por Paraguaçu. O lusitano fica pasmo ao saber que, para o chefe da tribo, existe um princípio eterno; há alguém, Tupã, ser possante que rege o mundo; aquele que vence o nada, criando o universo. O espírito de Deus, de alguma maneira, comunica-se com essa gente. Gupeva eloqüente fala acerca da concepção dos selvagens sobre o tempo, o Céu, o Inferno. Abordam a lenda da pregação de S. Tomé em terras americanas. Concluindo a conversa, o cacique diz que estão para ser atacados pelos inimigos; Caramuru aconselha-o a ter calma. De repente, chegam os ferozes índios Caetés que, ao primeiro estrondo do mosquete, batem em retirada, correndo, caindo; achando, enfim, que o céu todo lhes cai em cima. Canto IV O temido invasor noturno é o Caeté, Jararaca, que ama Paraguaçu perdidamente. Ao saber que ela esta destinada a Gupeva, declara guerra. Após o ataque estrondoso do Filho do Trovão, Jararaca convoca outras nações indígenas com as quais tinha aliança: Ovecates, Petiguares, Carijós, Agirapirangas, Itatis. Conta-lhes que Gupeva prostrou-se aos pés de um emboaba pelo pouco fogo que acendera, oferecendo-lhe até a própria noiva. O cacique alerta-os que se todos agirem assim, correm o risco de serem desterrados e escravizados em sua própria terra, enchendo de emboabas a Bahia. Apela para a coragem dos nativos, dizendo que apesar do raio do Caramuru ser verdadeiro, ele nada teme, porque não vem de Deus. Não há forças fabricadas que a eles destruam. A guerra tem início e Paraguaçu também luta heroicamente e, num momento de perigo, é salva pelo amado lusitano. Canto V Depois da batalha, os amantes discorrem sobre o mal que habita o ser humano e qual a razão de Deus para permiti-lo. Em seguida, em Itaparica, o herói faz com que todos os índios se submetam a ele, destruindo as canoas com as quais Jararaca pretendia liquidá-lo. Canto VI As filhas dos chefes indígenas são oferecidas ao destemido Diogo, para que este os honre com o seu parentesco. Como ama Paraguaçu, aceita o parentesco, mas declina as filhas. Na mata, o herói encontra uma gruta com tamanho e forma de igreja e percebe ali a possibilidade dos nativos aceitarem a Fé Cristã, e se dispõe a doutriná-los. Mais tarde, salva a tripulação de um navio espanhol naufragado e, saudoso da Europa, parte com Paraguaçu em um barco francês. Quando a nau ganha o mar, várias índias, interessadas em Álvares Correia, lançam-se nas águas para acompanhá-lo. Moema, a mais bela de todas, consegue chegar perto do navio Agarrada ao leme, brada todo seu amor não correspondido ao esquivo e cruel Caramuru. Implora para que ele dispare sobre ela seu raio. Ao dizer isso, desmaia e é sorvida pela água. As outras, que a acompanhavam, retornam tristes à praia. Nas demais estrofes do canto, a história do descobrimento do Brasil é contada ao comandante do barco francês. Canto VII Na França, o casal é recebido na corte e Paraguaçu é batizada com o nome da rainha Catarina de Médicis, mulher de Henrique II, que lhe serve de madrinha. Diogo lhes descreve tudo o que sabe a respeito da flora e fauna brasileira. Canto VIII Henrique II se predispõe a ajudar Diogo Álvares na tarefa de doutrinamento e assimilação dos índios, oferecendo-lhe tropa e recompensa. Fiel à monarquia portuguesa, o valente lusitano recusa tal proposta. Na viagem de volta ao Brasil, Catarina-Paraguaçu profetiza, prospectivamente, o futuro da nação. Descreve as terras da Bahia, suas povoações, igrejas, engenhos, fortalezas. Fala sobre seus governadores, a luta contra os franceses de Villegaignon, aliados aos Tamoios. Discorre sobre o ataque de Mem de Sá aos franceses no forte da enseada de Niterói e sobre a vitória de Estácio de Sá contra as mesmas forças. Canto XIX Prosseguindo em seu vaticínio, Catarina-Paraguaçu descreve a luta contra os holandeses que termina com a restauração de Pernambuco. Canto X A visão profética de Catarina-Paraguaçu acaba se transformando na da Virgem sobre a criação do universo. Ao chegar, o casal é recebido pela caravela de Carlos V que agradece a Diogo o socorro aos náufragos espanhóis. A história de Pereira Coutinho é narrada, enfatizando-se o apoio dos Tupinambás na dominação dos campos da Bahia e no povoamento do Recôncavo baiano. Na cerimônia realizada na Casa da Torre, o casal revestido na realeza da nação espanhola, transfere-a para D. João III, representado na pessoa do primeiro Governador Geral, Tomé de Souza. A penúltima estrofe canta a preservação da liberdade do índio e a responsabilidade do reino para com a divulgação da religião cristã entre eles. Na última (epílogo), Diogo e Catarina, por decreto real, recebem as honras da colônia lusitana.