quarta-feira, 31 de agosto de 2011

ARTE RUPESTRE

A arte rupestre é reconhecida como uma das mais antigas manifestações estéticas do homem ao longo de toda sua história. O termo rupestre vem do francês e significa “gravação” ou “traçado”, fazendo referência direta às técnicas empregadas nas pinturas que representam esse tipo de expressão artística. Encontrada geralmente nas paredes das cavernas e em pequenas esculturas, a arte rupestre tem grande importância na busca de informações sobre o cotidiano do homem pré-histórico.
Para alguns especialistas, o reconhecimento dessas pinturas como sendo algum tipo de arte é bastante complicado, pois nem sempre temos a completa certeza de que as pinturas tratam de algum sentido representativo ou estético. Além disso, muitas pessoas se equivocam ao pensar que a arte rupestre se localiza somente na Pré-História. Pesquisas recentes comprovam que esse tipo de arte se desenvolveu em diferentes periodizações da história do homem.
Atualmente, algumas estatísticas indicam a existência de aproximadamente 400 mil sítios arqueológicos com arte rupestre ao redor de todo o mundo. A África, principalmente nas regiões sul e do Deserto do Saara, concentra a maior quantidade de pinturas e gravuras desse tipo. No Brasil, a arte rupestre é abundante nos sítios arqueológicos encontrados na região do Parque Nacional da Serra da Capivara, onde está o grande sítio de São Raimundo Nonato, localizado no estado do Piauí.
As dificuldades encontradas para se reconhecer e interpretar pinturas rupestres é um enorme desafio para os arqueólogos, paleontólogos e demais especialistas envolvidos com esse tipo de pesquisa. Alguns acreditam que os registros deixados há milhares de anos poderiam indicar uma forma de linguagem desenvolvida. Outras hipóteses levantam a possibilidade de que os desenhos rupestres, principalmente os encontrados no interior das grutas, teriam algum sentido religioso ou cerimonial.
Em linhas gerias, podemos reconhecer a presença de vários temas sendo privilegiados no interior desse tipo de manifestação artística. Em algumas pinturas, temos a produção de traços, formas circulares e formas geométricas. Além disso, temos a recorrência de impressões que reproduzem mãos e pés humanos, bem como as patas de diferentes animais. Em outras manifestações rupestres temos a representação do próprio homem, de animais e de cenas cotidianas que nos conta sobre as atividades dos grupos pré-históricos.
 Para realizar seus registros, a arte rupestre faz o uso de uma diversidade de materiais e técnicas. Gravado usualmente em superfícies rochosas, os autores rupestres faziam uso dos dedos ou de algum utensílio que orientasse o desenho a ser realizado. Para fabricar a “tinta” faziam uso do carvão, de fragmentos de óxido de ferro, clara de ovo, água e sangue. Além disso, essa arte também é dividia em diferentes periodizações que organizam suas mais variadas vertentes.
Tomando como referência a organização social do indivíduo, a arte rupestre pode ser fracionada em quatro grupos distintos: os “caçadores-coletores arcaicos”, os “caçadores evoluídos”, os “criadores de rebanhos” e as “sociedades complexas”. Do ponto de vista temporal, se divide no período levantino (6.000 – 4.000 a.C.), onde predominam as representações cotidianas com grande movimento, e o da arte esquemática ( 4.000 a.C. – 1.000 a.C.), tempo em que as formas mais abstratas ganharam espaço.
Rainer Sousa

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

ZÉ NINGUÉM


Quem foi que disse que amar é sofrer?
Quem foi que disse que Deus é brasileiro,
Que existe ordem e progresso,
Enquanto a zona corre solta no congresso?
Quem foi que disse que a justiça tarda mas não falha?
Que se eu não for um bom menino, Deus vai castigar!

Os dias passam lentos
Aos meses seguem os aumentos

Cada dia eu levo um tiro
Que sai pela culatra
Eu não sou ministro, eu não sou magnata
Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém
Aqui embaixo, as leis são diferentes
Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém
Aqui embaixo, as leis são diferentes

Quem foi que disse que os homens nascem iguais?
Quem foi que disse que dinheiro não traz felicidade?
Se tudo aqui acaba em samba,
no país da corda bamba, querem me derrubar!!
Quem foi que disse que os homens não podem chorar?
Quem foi que disse que a vida começa aos quarenta?
A minha acabou faz tempo, agora entendo por que ....

Cada dia eu levo um tiro
Que sai pela culatra
Eu não sou ministro, eu não sou magnata
Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém
Aqui embaixo, as leis são diferentes (4X)

Os dias passam lentos
Os dias passam lentos

Cada dia eu levo um tiro
Cada dia eu levo um tiro
Eu não sou ministro, eu não sou magnata
Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém
Aqui embaixo, as leis são diferentes...
(Biquini Cavadão).

O HUMANISMO

Ao colocar o humanismo como um dos pontos centrais do Renascimento, muitos entendem que a sua presença estabelece uma ruptura com o pensamento medieval. Durante a Idade Média, a falta de informação e o isolamento teriam sido alguns dos fatores que explicavam a predominância do pensamento religioso. Afinal de contas, sendo a grande detentora de conhecimento da época, a Igreja tinha a capacidade de influenciar no modo de pensar daquela época.
 Indubitavelmente, não podemos negar que o renascimento trouxe um destaque e um sabor especial à figura humana. O detalhamento e a expressão de sentimentos na pintura, a fabricação de esculturas que tinham por mérito a reprodução minuciosa do corpo e a as investigações médicas interessadas em explorar cuidadosamente a anatomia humana, são apenas alguns dos exemplos que revelam o prestígio que os assuntos de ordem terrena ganharam nessa época.
Em vários livros, vemos que essa situação seria a grande marca de uma mudança profunda, onde o pensamento teocêntrico- em que Deus é o centro de tudo- perde espaço para o antropocentrismo, onde o homem se transforma no grande tema artístico, filosófico e cientifico dessa época. Sem dúvida, por meio de tal esquematização, podemos chegar à errônea conclusão de que a religiosidade teria sido minada por um novo tipo de concepção.
Na verdade, ao destacarmos o lugar do humanismo na Renascença, devemos frisar que tal transformação não veio necessariamente trabalhar contra a religiosidade. Para muitos renascentistas, o exercício da razão e o interesse pelo homem, exprimiam o forte desejo de investigação sobre a mais privilegiada criatura criada por Deus. Sob tal perspectiva, vemos que o humanismo dessa época não renega a figura divina, mas rejeita a noção medieval em que o homem é considerado inferior, por ser pecaminoso.
 Além disso, vale destacar que o interesse nas questões e temas humanos não se reserva somente à constituição de um novo contexto experimentado na Idade Moderna. É de suma importância salientar que o conhecimento e as discussões sobre a condição do homem, também aparecem ao longo da Idade Média. Sem dúvida, algumas noções que demarcaram o brilhantismo de alguns artistas e intelectuais do Renascimento, têm seus primeiros esboços traçados pela cultura medieval.
De tal modo, devemos ver o humanismo como uma tendência que marcou uma época, mas não definiu um sentido de ruptura extremo. Seria no mínimo estranho pensar que, ao longo de todo um milênio, o homem tivesse sido ignorado enquanto objeto de reflexão de seus próprios semelhantes.
Rainer Sousa

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Vivemos num mundo onde precisamos nos esconder para fazer amor, enquanto a violência é praticada em plena luz do dia.   John Lennon .      

OS LUSÍADAS

O renascimento literário atingiu seu ápice em Portugal, durante o período conhecido como Classicismo, entre 1527 e 1580. O marco de seu início é o retorno a Portugal do poeta Sá de Miranda, que passara anos estudando na Itália, de onde traz as inovações dos poetas do Renascimento italiano, como o verso decassílabo e as posturas amorosas do Doce stil nouvo. Mas foi Luís de Camões, cuja vida se estende exatamente durante este período, quem aperfeiçoou, na Língua Portuguesa, as novas técnicas poéticas, criando poemas líricos que rivalizam em perfeição formal com os de Petrarca e um poema épico, Os Lusíadas, que, à imitação de Homero e Virgílio, traduz em verso toda a história do povo português e suas grandes conquistas, tomando, como motivo central, a descoberta do caminho marítimo para as Índias por Vasco da Gama em 1497/99.
Para cantar a história do povo português, em Os Lusíadas, Camões foi buscar na antigüidade clássica a forma adequada: o poema épico, gênero poético narrativo e grandiloqüente, desenvolvido pelos poetas da antigüidade para cantar a história de todo um povo. A Ilíada e a Odisséia, atribuídas a Homero (Século VIII a. C), através da narração de episódios da Guerra de Tróia, contam as lendas e a história heróica do povo grego. Já a Eneida, de Virgílio (71 a 19 a.C.), através das aventuras do herói Enéas, apresenta a história da fundação de Roma e as origens do povo romano.

Ao compor o maior monumento poético da Língua Portuguesa, Os Lusíadas, publicado em 1572, Camões copia a estrutura narrativa da Odisséia de Homero, assim como versos da Eneida de Virgílio. Utiliza a estrofação em Oitava Rima, inventada pelo italiano Ariosto, que consiste em estrofes de oito versos, rimadas sempre da mesma forma: abababcc. A epopéia se compõe de 1102 dessas estrofes, ou 8816 versos, todos decassílabos, divididos em 10 cantos.
DIVISÃO DA OBRA
O poema se organiza tradicionalmente em cinco partes: 1. Proposição (Canto I, Estrofes 1 a 3) Apresentação da matéria a ser cantada: os feitos dos navegadores portugueses, em especial os da esquadra de Vasco da Gama e a história do povo português. 2. Invocação (Canto I, Estrofes 4 e 5) O poeta invoca o auxílio das musas do rio Tejo, as Tágides, que irão inspirá-lo na composição da obra. 3. Dedicatória (Canto I, Estrofes 6 a 18) O poema é dedicado ao rei Dom Sebastião, visto como a esperança de propagação da fé católica e continuação das grandes conquistas portuguesas por todo o mundo. 4. Narração (Canto I, Estrofe 19 a Canto X, Estrofe 144) A matéria do poema em si. A viagem de Vasco da Gama e as glórias da história heróica portuguesa. 5. Epílogo (Canto X, Estrofes 145 a 156) Grande lamento do poeta, que reclama o fato de sua "voz rouca" não ser ouvida com mais atenção.
NARRAÇÃO
A narração consiste, portanto, na maior parte do poema. Inicia-se "In Media Res", ou seja, em plena ação. Vasco da Gama e sua frota se dirigem para o Cabo da Boa Esperança, com o intuito de alcançarem a Índia pelo mar. Auxiliados pelos deuses Vênus e Marte e perseguidos por Baco e Netuno, os heróis lusitanos passam por diversas aventuras, sempre comprovando seu valor e fazendo prevalecer sua fé cristã. Ao pararem em Melinde, ao atingirem Calicute, ou mesmo durante a viagem, os portugueses vão contando a história dos feitos heróicos de seu povo. Completada a viagem, são recompensados por Vênus com um momento de descanso e prazer na Ilha dos Amores, verdadeiro paraíso natural que em muito lembra a imagem que então se fazia do recém descoberto Brasil.
ESTRUTURA NARRATIVA
O poema se estrutura através de uma narrativa principal, que apresenta a viagem da armada de Vasco da Gama. A esse fio narrativo condutor é incorporada inicialmente a narração feita por Vasco da Gama ao rei de Melinde, em que conta a história de Portugal até a sua própria viagem. Na voz do Gama, ouvem-se os feitos dos heróis portugueses anteriores a ele, como Dom Nuno Álvares Pereira, o caso de amor trágico de Inês de Castro, o relato de sua própria partida, com o irado e premonitório discurso do Velho do Restelo e o episódio do Gigante Adamastor, representação mítica do Cabo da Boa Esperança. Em seguida são acrescentadas as narrativas feitas aos seus companheiros pelo marinheiro Veloso, que relata o episódio dos Doze da Inglaterra. Por fim, já na Índia, Paulo da Gama, irmão de Vasco, conta ainda outros feitos heróicos portugueses ao Catual de Calicute. A estrutura narrativa do poema é composta, portanto, por três narrativas remetendo à história de Portugal, interligadas pela narração da viagem de Vasco da Gama.
ECLETISMO RELIGIOSO
O poema apresenta um ecletismo religioso bastante curioso. Mescla a mitologia greco-romana a um catolicismo fervoroso. Protegidos pelos deuses, os portugueses procuram impor aos infiéis mouros sua fé cristã. O português é visto por Camões como representante de toda a cultura ocidental, batendo-se contra o inimigo oriental, o árabe não-cristão. Todo esse fervor religioso não impede a utilização pelo poeta do erotismo de cunho pagão, como no episódio da Ilha dos Amores e seus defensores lusitanos são protegidos, ao longo de todo o poema, por uma deusa pagã, Vênus. É curioso notar que a imagem clássica do deus romano Baco (o Dioniso dos gregos), amigo do vinho e do desregramento, inimigo maior dos portugueses, é a de um ser de chifres e rabo. A mesma que foi utilizada pela igreja católica para representar o demônio.
EPISÓDIOS PRINCIPAIS
Diversos são os episódios célebres de Os Lusíadas que merecem um olhar mais atento. Um deles é o da ilha dos Amores, (Canto IX, estrofes 68 a 95) em que a "Máquina do Mundo", com suas inúmeras profecias, é apresentada aos portugueses. Nessa passagem do final do poema o plano mítico - dos deuses - e o histórico - dos homens - encontram-se: os portugueses são elevados simbolicamente à condição de deuses, pois só aos últimos é permitido contemplar a "Máquina do Mundo". Foi o episódio da ilha dos Amores que inspirou o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade a compor seu poema "A Máquina do Mundo". Outro é o do Gigante Adamastor, (Canto V, estrofes 37 a 60), representação figurada do Cabo da Boa Esperança, que simboliza os perigos e tormentas enfrentados pelos navegadores lusitanos no caminho da Índia. Adamastor é o próprio Cabo, que foi transformado em rocha pelo deus Peleu, como vingança por ter seduzido sua esposa, a ninfa Tétis. Esse episódio foi recriado por Fernando Pessoa (1888-1935) no poema "O Mostrengo" do livro Mensagem (1934).



A CRISE DO FEUDALISMO

A crise do feudalismo é um processo de longa duração que conta com uma série de fatores determinantes. Entre outros pontos, podemos destacar que a mudança nas relações econômicas foi de grande importância para que as práticas e regras que regulavam o interior dos feudos sofressem significativas transformações. Essa nova configuração econômica, pouco a pouco, influiu na transformação nos laços sociais e nas idéias que sustentavam aquele tipo de ordenação presente em toda a Europa.
 O caráter auto-sustentável dos feudos perdeu espaço para uma economia mais integrada às trocas comerciais. Ao mesmo tempo, a ampliação do consumo de gêneros manufaturados e especiarias, e a crise agrícola dos feudos trouxeram o fim do equilíbrio no acordo estabelecido entre servos e senhores feudais. Essa fase de instabilidade envolvendo as relações servis trouxe à tona um duplo movimento de reorganização dos feudos.
 Por um lado, as relações feudais em algumas regiões sofrerem um processo de relaxamento que dava fim a toda rigidez constituída na organização do trabalho. Os senhores de terra, cada vez mais interessados em consumir produtos manufaturados e adquirir especiarias, passavam a estreitar relações com a dinâmica econômica urbana e comercial. Para tanto, acabavam por dar mais espaço para o trabalho assalariado ou o arrendamento de terras em troca de dinheiro.
 Entretanto, não podemos dizer que a integração e a monetarização da economia faziam parte de um mesmo fenômeno absoluto. Em algumas regiões, principalmente da Europa Oriental, o crescimento demográfico e a perda da força de trabalho para a economia comercial incentivaram o endurecimento das relações servis. Imbuídos de seu poder político, muitos senhores de terra da Rússia e de partes do Sacro Império Germânico passariam a exigir mais obrigações e impostos da população campesina.
De forma geral, esse processo marcou um período de ascensão da economia européia entre os séculos XII e XIII. No entanto, o século seguinte seria marcado por uma profunda crise que traria grande reformulação (ou crise) ao mundo feudal. Entre 1346 e 1353, uma grande epidemia de peste bubônica (peste negra) liquidou aproximadamente um terço da população européia. Com isso, a disponibilidade de servos diminuiu e os salários dos trabalhadores elevaram-se significativamente.
 Esse processo fez com que as obrigações servis fossem cada vez mais rígidas, tendo em vista a escassez de trabalhadores. Os grandes proprietários de terra acabaram criando leis que dificultavam a saída dos servos de seus domínios ou permitia a captura daqueles que fugissem das terras. A opressão dos senhores acabou incitando uma série de revoltas camponesas em diferentes pontos da Europa. Essas diversas rebeliões ficaram conhecidas como “jacqueries”.
No século XV, o declínio populacional foi superado reavivando a produção agrícola e as atividades comerciais. Essa fase de recuperação ainda não foi capaz de resolver as transformações ocorridas naquela época. A baixa produtividade dos feudos não era capaz de atender a demanda alimentar dos novos centros urbanos em expansão que, ao mesmo tempo, tinham seu mercado consumidor limitado pela grande população rural.
Além disso, o comércio sofria grandes dificuldades por conta dos monopólios que dificultavam e encareciam a circulação de mercadorias pela Europa. Os árabes e os comerciantes da Península Itálica eram os principais responsáveis por esse encarecimento das especiarias vindas do Oriente. A falta de moedas, ocorrida por conta da escassez de metais preciosos e o escoamento das mesmas para os orientais, impedia o desenvolvimento das atividades comerciais.
Tantos empecilhos gerados à economia do século XV só foram superados com a exploração de novos mercados que pudessem oferecer metais, alimentos e produtos. Esses mercados só foram estabelecidos com o processo de expansão marítima, que deflagrou a colonização de regiões da África e da América. Dessa forma, a economia mercantilista dava um passo decisivo para que um grande acúmulo de capitais se estabelecesse no contexto econômico europeu.
Rainer Sousa

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

JOGOS OLIMPICOS NA ANTIGUIDADE

Na época da Grécia Antiga os Jogos Olímpicos  eram grandes festividades, de cunho religioso e esportivo, que aconteciam de quatro em quatro anos, no famoso Santuário de Olímpia, cidade conhecida pela estátua de Zeus, erguida em sua homenagem entre 456 e 468 a.C. A primeira edição do festival se deu em 776 a.C.
Os Jogos Olímpicos da Antiguidade  eram organizados por Élide e realizados na região de Peloponeso, para participar do festival, se fazia necessário pertencer a classes favorecidas da sociedade, além de ter praticado esporte desde criança. Poderiam participar pessoas de colônias das costas do Mar Negro e Mediterrâneo. Não poderiam participar os bárbaros, mulheres e escravos. Os vencedores eram homenageados em suas respectivas cidades, com a construção de estátuas e benefícios como alimentos gratuitos.
As provas praticadas eram as Corridas Pedestres, divididas em quatro modalidades: Hoplitódromo (corrida com armas), Estádio, Diaulós (denominado duplos estádio) e Dolichos. A de maior destaque e prestígio era a Estádio, pois quando vencida, o nome do atleta seria dado aos jogos. A prova se dava com uma corrida de 192 metros. O Dolichos, com uma distância maior, entre 7 a 24 estádios. A modalidade Diaulós se referia a corrida de 384 metros e os atletas carregavam seus capacetes e escudos. Para evitar que alguém saísse prejudicado, os escudos se mantinham guardados no Templo de Zeus, desta maneira não poderiam ser trocados por escudos de menor peso.
Outra prova realizada era a Corrida Eqüestre, que incluía cavalo de sela e carroças. A prova de carroça consistia em completar doze voltas no hipódromo, já a de cavalo, apenas uma volta no hipódromo. Algo curioso na premiação desta modalidade é que, os atletas que guiavam os cavalos não eram os premiados, mas sim os proprietários dos cavalos os quais recebiam as coroas.
Além destas, haviam também, Luta, Pugilato e Pancrácio. A modalidade Luta é oriunda do Próximo Oriente e foi adaptada pelos Gregos, com o nome de Luta Grega. Nesta o atleta deveria fazer o adversário cair três vezes, para vencer a luta. Antes do início, havia o ritual de untar o corpo com azeite e passa-lo na terra, para que a pele não ficasse escorregadia. A modalidade do Pugilato somente podia utilizar os punhos, por isso os atletas colocavam tiras de couro entre os dedos. O vencedor se consagrava quando o concorrente ficava inconsciente ou desistia. O Pancrácio combinava pugilato e luta. Prova com um nível de violência maior que as demais, os atletas poderiam até morrer. Esta modalidade permitia todos os golpes, com exceção de mordidas, dedos na região dos olhos e órgãos genitais. Para ser vencedor o atleta deveria deixar o oponente exaurido e sem condições de continuar a lutar.
A modalidade de Pentatlo também era competida pelos atletas, composto por cinco categorias: Lançamento de Disco, Salto em Altura, Lançamento de Dardo, Corrida de Estádio e Luta. A primeira categoria, o atleta lançava pesos de 2,5 quilos de pedra ou ferro; quem lançasse mais longe, ganhava. O dardo era de madeira e deveria ser lançado em uma circunferência que o aderia, quanto mais próximo ao centro, maior a pontuação. No Salto em Altura o atleta utilizava dois halteres os quais impulsionavam o corpo até certa altura. Para vencer o Pentatlo, o atleta que vencesse as três primeiras provas, se sagrava campeão.
Ana Adami.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

QUE PAÍS É ESSE?




Nas favelas, no senado  
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
No amazonas, no Araguaia iá, iá,
Na baixada fluminense
Mato grosso, minas gerais e no
Nordeste tudo em paz
Na morte o meu descanso, mas o
Sangue anda solto
Manchando os papéis e documentos fiéis
Ao descanso do patrão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Terceiro mundo, se foi
Piada no exterior
Mas o Brasil vai fica rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Do nossos indios num leilão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
(Renato Russo).














BLOQUEIO CONTINENTAL

Após se tornar líder máximo da França, Napoleão Bonaparte tinha a difícil missão de recuperar a economia francesa e garantir que o processo revolucionário não fosse detido pelas demais monarquias europeias. Em meio a tantos desafios, Napoleão teria que promover um franco projeto de industrialização da economia francesa que estivesse aliado à conquista de vários mercados consumidores. Contudo, o alcance de tais metas não aconteceria da noite para o dia.
Em pleno século XIX, o pioneirismo industrial britânico estabeleceu a hegemonia econômica da Inglaterra sobre a maioria das nações europeias. Em outras palavras, isso significava que era praticamente impossível que uma economia do Velho Mundo se sustentasse sem importar algum produto proveniente da ilha britânica. Dessa forma, se a França de Napoleão tinha pretensões de modernizar sua economia, teria que alcançar condições de superar esse seu grande rival econômico.
Como se não bastasse esse primeiro obstáculo, também devemos levar em consideração que a Inglaterra liderava os exércitos que pretendiam acabar com o processo revolucionário francês. Para atingir esse objetivo, os ingleses contavam com um poderoso exército aliado a uma força naval que era praticamente insuperável. Com isso, a superação econômica da Inglaterra também se vinculava ao sucesso militar do governo francês.
Já que a imposição de uma derrota aos britânicos seria muito arriscada, Napoleão Bonaparte criou uma medida econômica internacional que alavancaria a economia de seu país e, ao mesmo tempo, enfraqueceria os cofres e exércitos da Inglaterra. No ano de 1806, Napoleão anunciou o estabelecimento do Bloqueio Continental. De natureza bastante simples, esse decreto previa que nenhum país da Europa poderia manter relações comerciais com a Inglaterra.
Caso alguma nação europeia desrespeitasse esse tratado, o governo francês realizaria a ocupação imediata dos territórios e assumiria o controle do Estado. Para firmar essa punição, Napoleão tinha à sua disposição um dos mais bem treinados e amplos exércitos terrestres de todo Velho Mundo. Apesar de tamanha represália, as nações europeias julgaram que tal exigência feria diretamente a soberania de cada Estado. Em pouco tempo, vários países descumpriram o Bloqueio Continental.
Sendo forçado a cumprir a punição do Bloqueio, Napoleão encaminhou suas tropas contra as nações europeias que preservaram relações comerciais com os ingleses. Com isso, a grande mobilidade que garantia as vitórias militares francesas foi perdida na medida em que os exércitos eram destacados para controlar o governo das nações invadidas. Em pouco tempo, várias frentes militares de Napoleão sofreram com o desgaste de guerrilhas locais que resistiam à presença estrangeira.
No ano de 1812, a Rússia também descumpriu o bloqueio e, com isso, Napoleão organizou um gigantesco destacamento militar com cerca de 600 mil soldados. Mesmo vencendo a batalha de Moscou, as perdas humanas desse confronto foram incalculáveis. Tal desgaste se justificou pelas dificuldades que o exército francês teve em obter mantimentos e resistir às extremas temperaturas do inverno russo. Aproveitando do baque sofrido, as nações europeias organizaram novas frentes que derrotaram Napoleão.
Rainer Sousa

terça-feira, 23 de agosto de 2011

FALCÃO NEGRO EM PERIGO

 A história real da missão americana na Somália, em 3 de outubro de 1993, quando quase 100 Army Rangers dos EUA, comandados pelo Capitão Mike Steele, desceram de helicóptero na capital Mogadishu para capturar membros da elite do governo. Isso levou à destruição de dois helicópteros e deixou os soldados envolvidos em conflito de rua e cercados pela multidão.
Desde o princípio impliquei com o título que me fazia lembrar série juvenil da TV Tupi (ele se refere aos helicópteros chamados Falcão Negro usados na história), o que não me impede de achar que o filme foi injustiçado no Globo de Ouro (onde o ignoraram) e até nos Oscars (não foi indicado como Filme, ainda que Ridley Scott tenha tido indicação como diretor, talvez por consolação por ter perdido no ano anterior por "Gladiador"). O filme levou apenas os Oscars por Montagem e Som.
A verdade é que até a metade do filme não consegui entender bem qual era a dele. Não é patriótico e americanista como pode parecer à primeira vista (felizmente, porque não se esperava isso de Ridley Scott), mas também não chega a ser profundamente crítico ou anti-bélico (seria difícil no clima atual).
Mas também não é suficientemente original (tem momentos onde lembra um pouco o estilo de "Soldado Ryan", mas sem chegar a nada muito radical como narrativa). E embora mostre um fato real, é um assunto tão pouco conhecido que é preciso pelo menos uns dez ou quinze letreiros no início para tentar explicar a localização e a época (Somália, Mogadishu, 1993).
Ao mesmo tempo que se faz a crítica do general americano que comandou a ação o filme mostra o heroísmo dos fuzileiros (Delta Force e Rangers), que agem heroicamente, ainda que por vezes de forma cega.
Só quase no fim que saquei qual era a do filme. Embora ele tenha sido feito (rodado) antes dos fatos de 11 de Setembro, já anunciavam a situação atual com os seguidores de Bin Laden. Ou seja, mais uma vez, como sucedeu na Somália, os Estados Unidos estão envolvidos numa guerra em busca de um líder escondido, numa caçada a qualquer preço. Sem perceber que matá-lo ou prendê-lo não vai resolver nada, porque o problema é muito maior e de muito mais difícil solução.
A dificuldade com o filme é que a gente mal ouviu falar direito da Somália, e não consegue entender como alguém tão obviamente vilão como o líder que nunca vemos é capaz de deixar as pessoas morrerem de forma tão brutal, num autêntico massacre, genocídio e no entanto é capaz de conseguir a fidelidade de tantos seguidores, maometanos, fica evidente, de tal forma que eles vão atacando sem cessar (no final das contas morreram cerca de 19 americanos e mais de mil africanos).
 É verdade que o filme parece ser um pouco contra os mulçumanos-negros (por outro lado, eles morrem como moscas e no entanto não cessam de atacar). Para depois sacarmos que ele tem uma relação clara com o momento atual. Os americanos entram nas brigas sem estarem preparados para elas, achando que coragem e armas tecnologicamente modernas são suficientes para resolver tudo. E saem delas sem continuar a entender e não percebem porque são vistos como bandidos imperialistas. E não como mocinhos beneméritos como se sentem, patrulheiros do mundo.
"Falcão Negro" é, de qualquer forma, um pouco confuso (alguns dos personagens se confundem para não dizer do fato histórico obscuro. A questão é que todos os americanos, os soldados de capacete, com o rosto sujo, lutando no escuro acabam se parecendo. E fica meio difícil entender o que está se passando com quem).
Padece da ausência de uma figura central mais forte (Josh Hartnett, de "Pearl Harbor", mais uma vez não tem carisma ou experiência para segurar um filme). Ewan McGregor, de "Moulin Rouge", não disse a que veio, num papel totalmente secundário. A mesma coisa com os outros (todos se misturam de forma que o elenco de apoio acaba ficando anônimo).
Tem alguns excessos de violência (mas ao menos justificáveis) e depois de uns 15 minutos de exposição da trama consegue segurar a atenção e sempre interessar. Não chega a ser um grande filme, mas é muito digno, muito sério (Scott voltou a trabalhar com sua equipe de "Gladiador" e tem um resultado francamente superior à "Hannibal"). Levanta questões oportunas e importantes, sem perder a estrutura de filme de ação.
Fonte: CineWeb.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A ORIGEM DO RIO GRANDE DO SUL


 O Rio Grande do Sul é, certamente, o Estado brasileiro cuja história apresenta maior número de episódios de lutas e guerras. E essa característica esteve presente desde os primórdios de sua ocupação. Para entender o porque desse aspecto, é preciso recuar bastante no tempo, até o final do século XVII.
Por que é então que começam a surgir os “esboços” do que será o nosso Estado. Até então, essa região era uma espécie de terra de ninguém, uma área de dono indefinido, que ficava entre as possessões portuguesas e espanholas. Ambas as Coroas adotavam uma política expansionista, e estavam interessadas em ocupar o máximo possível de território. Portanto, mais cedo ou mais tarde, terminaria havendo um confronto na área do Rio Grande do Sul, na medida em que, se uma das potências decidisse fundar um núcleo de colonização, a outra imediatamente reagiria.
E foi o que aconteceu. Dom Pedro II de Portugal, que foi regente de 1668 a 1683 e rei de 1683 a 1706, decidiu que o Império Português deveria ocupar a margem esquerda do rio da Prata. E doou, em 1674,  duas capitanias “nas terras que estão sem donatários” ao longo da costa e até a “boca do Rio da Prata”. Essa doação foi confirmada dois anos depois por uma Bula Papal, que considerava que o Bispado do Rio de Janeiro tinha como limite no sul o rio da Prata.
O passo seguinte na consolidação da presença lusa no sul do continente foi a fundação da Colônia de Sacramento. Essa colônia tinha o objetivo de afirmar, definitivamente, a presença portuguesa na área, e servir como um ponto de apoio militar.
A colônia foi fundada em primeiro de janeiro de 1680, nas margens do Rio da Prata. Era uma espécie de ponta de lança da presença portuguesa — estava muito afastada de qualquer outro ponto de colonização lusa no Brasil. Por isso, foi facilmente capturada pelos espanhóis em agosto do mesmo ano.
A partir de então, portugueses e espanhóis se revezaram constantemente na posse da Colônia de Sacramento. Os tratados, que determinam sua posse, se sucedem. E, enquanto isso, os portugueses começam a estabelecer um novo ponto de apoio na ocupação do território do sul: Laguna, no atual Estado de Santa Catarina, que foi fundada em 1684 para servir como apoio para Sacramento. E é a partir de Laguna que vai se iniciar realmente a ocupação do território gaúcho.
Embora a fundação de Laguna em 1684 seja o marco do início da ocupação sistemática das terras do sul do continente, isso não significa que, antes mesmo disso, elas não atraíssem os portugueses por razões não só políticas (a ocupação da maior faixa possível de território por Portugal), mas também econômicas. Afinal, o continente do Rio Grande era rico em gado, uma herança que os jesuítas das Missões haviam deixado: ao serem desfeitas as comunidades missioneiras, o gado vacum ficou solto no território gaúcho, e se multiplicou, formando vastos rebanhos.
E era em busca desses grandes rebanhos — e também de índios para escravizar — que vinham grupos de exploradores das áreas mais povoadas localizadas mais ao Norte, como São Vicente (São Paulo). Esses grupos levavam consigo as informações sobre a abundância de gado no chamado Continente de São Pedro. E essas informações terminaram por fazer com que o então governador geral, Rodrigo de César Meneses, escrevesse para o rei português, afirmando que era preciso “mandar povoar toda aquela fronteira, de cuja capacidade pela abundância e a fartura se pode fazer uma das maiores povoações da América”.
A abundância e a fartura podiam ser grandes, e a ambição portuguesa era, sem dúvida, ainda maior. Mas a ocupação de tão vasta área de território esbarrava em uma limitação: a falta de população, de pessoal para enviar para a nova área. O povoado mais extremo então existente, além da Colônia de Sacramento, era Laguna — que contava com a exígua população de 32 casais.
Por isso, a ocupação do Rio Grande começa não com o envio de colonos, mas com expedições de exploração, captura de gado e descoberta de rotas. A primeira delas, em 1725, foi liderada por João Magalhães. Dois anos depois,o grupo liderado por Francisco de Sousa e Faria estabeleceu o primeiro caminho que liga a Colônia de Sacramento à Vila de Curitiba.
Lígia Gomes Carneiro

56 ANOS DO SUICÍDIO DE GETÚLIO VARGAS

No dia 24 de agosto de 1954, entre 8h25 e 8h40 da manhã, o presidente da República, Getúlio Vargas, se suicidou com um tiro no coração. Deixou uma carta-testamento dirigida ao povo brasileiro. Em um dos trechos dessa carta, ele diz: Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o povo seja independente (...)
Vejamos o que aconteceu para que Vargas se suicidasse. E entender o significado da carta que ele deixou.
A crise na imprensaVargas ao poder, em 1951, provocou uma reação contrária de muitas pessoas, que tentaram inclusive impedir a sua posse. Isso, em grande parte, estava ligado ao fato de ele ter governado durante o período do Estado Novo como o ditador que suprimiu as liberdades democráticas, impôs censura rigorosa à imprensa, pôs os adversários do regime na cadeia.
Havia ainda outro aspecto da sua forma de governar que não era muito bem aceito pela oposição: ele se dirigia diretamente ao povo, fazia grandes comícios em que prometia melhorar a situação dos trabalhadores, em vez de utilizar instituições como partidos políticos, sindicatos, associações. Ele não estimulava o fortalecimento dessas instituições.
Como está dito na carta-testamento, Vargas voltou em 1951 como presidente eleito pelo povo e com as instituições democráticas em pleno funcionamento. Mas os antigetulistas não acreditavam que ele fosse respeitar as regras democráticas. Entre os maiores adversários civis do governo estava a UDN, que formou um bloco oposicionista junto com o Partido Libertador (PL), o Partido Republicano (PR) e o Partido Democrata Cristão (PDC).
Os jornais de maior prestígio também não apoiavam o governo. O principal líder e porta-voz da oposição era o jornalista Carlos Lacerda, diretor do jornal Tribuna da Imprensa. Lacerda se destacou por suas posições radicais e por ter uma grande capacidade verbal. Seus discursos eram inflamados, tinham um tom emocional e causavam forte impressão.
A política de desenvolvimento do governo Vargas provocava muitos conflitos dentro da própria equipe de governo. De um lado estava a Assessoria Econômica, com uma posição mais nacionalista. De outro lado, o grupo do ministro da Fazenda, Horácio Lafer, e do ministro da Relações Exteriores, João Neves da Fontoura, favorável a uma maior participação do capital estrangeiro na nossa economia.
Além disso, Vargas teve de enfrentar outras dificuldades. Uma delas foi o aumento da inflação. Quando ele assumiu o governo, em janeiro de 1951, a taxa anual de inflação era de 12,34%. Mas, em 1954, chegou a 25,86% - o que, para a época, era muito.
A explicação para esse aumento estava no fato de que, para industrializar o país, era necessário fazer muitas compras de máquinas e matérias-primas no exterior, ou seja, aumentar as importações.
Nessa época houve também um grande aumento dos preços no mercado internacional, devido à Guerra da Coréia. O conflito entre a Coréia do Norte e a Coréia do Sul durante os anos de 1950 e 1953 foi o ponto culminante da chamada Guerra Fria. A China apoiou a invasão da Coréia do Norte à Coréia do Sul, e os Estados Unidos apoiaram a Coréia do Sul. O conflito termina em 1953 com o reconhecimento das duas Coréias pelos Estados Unidos e pela União Soviética.
O Brasil tinha de pagar mais caro pelos produtos que comprava no estrangeiro. Dos produtos que exportávamos, o único que permitia o equilíbrio das nossas contas externas era o café. O algodão, que figurava como segundo produto de exportação brasileiro, teve uma queda enorme de preços no mercado internacional. Além disso tudo, o Brasil também se endividou internamente.
O Banco do Brasil foi muito generoso, nesse período, com os empresários nacionais. Financiou a instalação, a expansão e a modernização de muitas indústrias.
Conclusão: o Estado aumentou muito os seus gastos - e, quando o Estado gasta mais do que arrecada, vem a inflação. Com o aumento da inflação, aumentou o custo de vida: os salários perderam valor, e os trabalhadores e os sindicatos começaram a pedir reajustes salariais.
Vargas e a imagem do “bom velhinho”Em janeiro de 1953, irrompeu no Rio de Janeiro a primeira de uma série de greves de trabalhadores: foi a dos têxteis, pedindo um aumento salarial de 60%. Em março foi a vez dos operários paulistas, que decretaram uma greve geral. Os empresários acusavam Vargas de responsável pela série de greves que começavam a eclodir. Diziam que ele utilizava o PTB para insuflar essas greves. Seu objetivo seria estabelecer um clima de desordem no país e, com isso, favorecer um golpe para continuar no poder.
Para solucionar as dificuldades econômicas e os problemas sociais e diminuir a pressão que lhe faziam a oposição e a imprensa, ainda em 1953 Vargas resolveu mudar o seu ministério. Para ser ministro do Trabalho, convidou João Goulart - um jovem político gaúcho, do PTB, que tinha boas relações com os líderes sindicais. Para o Ministério da Fazenda, convidou seu amigo Osvaldo Aranha, que se dedicou ao combate da inflação.
Mas a escolha de Goulart foi a que trouxe os maiores problemas. Provocou descontentamento entre os opositores, principalmente entre os políticos da UDN e os militares antinacionalistas. A imprensa começou a divulgar que essa escolha tinha outras intenções. Uma delas seria formar, no Brasil, uma “república sindicalista”. Essa “república” seria um governo no qual os sindicatos de trabalhadores teriam grande poder. Dizia-se na época que Vargas estava tentando fazer uma aliança com o presidente da Argentina, Juan Domingo Perón, para estabelecer aqui um regime sindicalista sob seu controle. Com isso, os antigetulistas queriam dizer que Vargas estava tramando derrubar o regime democrático.
Sempre a desconfiança, o medo de que ele repetisse o golpe de 1937. Ou seja, o passado de Vargas o condenava. E os udenistas conspiravam para afastá-lo do governo.

Para solucionar as dificuldades econômicas e os problemas sociais e diminuir a pressão que lhe faziam a oposição e a imprensa, ainda em 1953 Vargas resolveu mudar o seu ministério.
Para ser ministro do Trabalho, convidou João Goulart - um jovem político gaúcho, do PTB, que tinha boas relações com os líderes sindicais. Para o Ministério da Fazenda, convidou seu amigo Osvaldo Aranha, que se dedicou ao combate da inflação.
Mas a escolha de Goulart foi a que trouxe os maiores problemas. Provocou descontentamento entre os opositores, principalmente entre os políticos da UDN e os militares antinacionalistas. A imprensa começou a divulgar que essa escolha tinha outras intenções. Uma delas seria formar, no Brasil, uma “república sindicalista”.
Essa “república” seria um governo no qual os sindicatos de trabalhadores teriam grande poder. Dizia-se na época que Vargas estava tentando fazer uma aliança com o presidente da Argentina, Juan Domingo Perón, para estabelecer aqui um regime sindicalista sob seu controle. Com isso, os antigetulistas queriam dizer que Vargas estava tramando derrubar o regime democrático.
Sempre a desconfiança, o medo de que ele repetisse o golpe de 1937. Ou seja, o passado de Vargas o condenava. E os udenistas conspiravam para afastá-lo do governo.
Havia, assim, um descontentamento no meio militar, sobretudo entre os oficiais anticomunistas e antipopulistas que não aceitavam a forma de governar de Vargas. Com todas essas críticas, João Goulart pediu demissão do Ministério do Trabalho, saindo com uma imagem de político que queria favorecer os trabalhadores.
Vargas busca uma saída
Diante de uma oposição cada vez mais bem organizada e mais agressiva, Vargas achou que a saída era ter uma postura mais nacionalista e mais popular.
No dia 1º de maio de 1954, assinou um decreto aumentando afinal o salário mínimo em 100%. Vargas se refere a esse fato na carta-testamento, dizendo que o aumento desencadeou ódios. É verdade que esse sentimento existia, tanto da parte dos militares como dos políticos e empresários, que passaram a se organizar para tirar Vargas do governo. E as posições nacionalistas do presidente também provocavam a desconfiança dos capitais e das empresas estrangeiras.
Por outro lado, Vargas não conseguia convencer os nacionalistas das suas intenções. A sua forma de agir, tentando sempre conciliar, fazendo concessões aos adversários, trazia desconfianças para os seus próprios aliados.
Os jornais de maior circulação no Rio de Janeiro - como O Globo, Correio da Manhã, Diário de Notícias, Diário Carioca e O Jornal - e em São Paulo - como O Estado de S. Paulo e a Folha da Manhã - não davam notícias sobre as realizações do governo: só apresentavam críticas e aspectos negativos. Vargas procurou solucionar essa dificuldade de comunicação com o público ajudando na criação do jornal Última Hora. O Banco do Brasil fez empréstimos vantajosos para o seu proprietário, o jornalista Samuel Wainer, que era amigo de Vargas. Era um jornal popular muito bem feito. Em pouco tempo, alcançou grande número de leitores. Os outros jornais desconfiaram que Wainer recebera ajuda do governo e começaram a buscar provas para incriminar Vargas. Mas não conseguiram.
Vargas sofria cada vez mais acusações de estar favorecendo os amigos, de que seu governo cometia muitos erros, de que havia muita corrupção. Carlos Lacerda fazia grandes discursos, nos quais atacava de maneira agressiva a figura de Vargas. A Tribuna da Imprensa era o mais violento dos jornais contra Getúlio. Nesse ambiente de paixões, em 5 de agosto de 1954, ocorreu o chamado atentado da Toneleros.
Você sabe o que foi o atentado da Toneleros?
O jornalista Carlos Lacerda foi alvo de uma tentativa de assassinato: ao chegar em casa, na rua Toneleros, em Copacabana, no Rio de Janeiro, um desconhecido atirou contra ele. Mas foi um amigo do jornalista - o major da Aeronáutica Rubem Florentino Vaz - quem foi atingido e morreu. Lacerda foi ferido no pé.
A oposição atribuiu a responsabilidade por esse atentado ao governo Vargas. Foi instalada uma comissão de inquérito que rapidamente chegou à identificação dos culpados. O responsável direto era o chefe da guarda pessoal de Vargas no palácio do Catete, Gregório Fortunato.
A partir daí, os acontecimentos se precipitaram. Vargas procurou demonstrar que não tinha conhecimento prévio desse atentado, e que tudo faria para esclarecer a situação e punir os responsáveis. Mas os políticos - principalmente da UDN - e os militares passaram a exigir a sua renúncia ao governo. Foi sobre Vargas que recaíram todas as responsabilidades pelos males que afligiam o país. Foi na sua pessoa que se concentraram todas as críticas e todos os ódios, tanto dos políticos, dos militares como dos empresários.
Vargas e Gregório Fortunato (atrás, de chapéu)"Saio da vida para entrar na história"
As pressões para deixar o Palácio do Catete levaram Vargas ao suicídio, no dia 24 de agosto de 1954. O suicídio teve enorme impacto na população e provocou forte reação popular. A carta-testamento, encontrada na mesa de cabeceira do presidente morto, foi lida e divulgada pela Rádio Nacional, chegando rapidamente a todos os recantos do Brasil.
Nessa carta, da qual você já conhece um trecho, Vargas se apresentava como o grande defensor da classe trabalhadora e como o político que tudo fizera para tornar o Brasil um país desenvolvido. Apresentava-se também como vítima de grupos nacionais e estrangeiros que não aceitavam que os trabalhadores tivessem garantidos os seus direitos sociais. Esses grupos, dizia o presidente, faziam tudo para impedir que o Brasil se tornasse independente economicamente.
Vargas, mais uma vez, explorava a figura do “pai dos pobres”, daquele que concedera aos trabalhadores os seus direitos. Com a carta-testamento, deixou uma imagem de herói, daquele que lutou pelo bem do país mas que teve de se sacrificar, porque perdeu a batalha final.
Vejamos o que dizia Vargas em outros trechos dessa carta:
Nada mais vos posso dar a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram o meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.
Podemos imaginar que sentimentos essa carta despertou na população. Ao tomar conhecimento do suicídio e dessa mensagem, o povo foi para as ruas chorar a morte do seu líder e se vingar dos seus opositores, daqueles que foram identificados como os responsáveis pela sua morte.
No Rio de Janeiro, uma multidão foi para o palácio do Catete para prestar a última homenagem ao presidente. No centro da cidade, grupos se formaram para apedrejar e incendiar os jornais de oposição. Foram feitas tentativas de apedrejar a embaixada americana e empresas estrangeiras.
Em São Paulo, milhares de operários entraram em greve de protesto e se manifestaram contra os opositores de Vargas. Em Porto Alegre, foram queimados os jornais anti-Vargas e foram atacadas as sedes da UDN e do Partido Libertador. Em Belo Horizonte e Recife, a população também foi para as ruas se manifestar contra os opositores do presidente morto.
A emoção, a tristeza e o desespero popular foram tão fortes que atemorizaram e desconcertaram os antivarguistas, que esperavam, com o afastamento de Vargas, liquidar o getulismo.
A Era Vargas, na verdade, não terminou em 1954. Sob muitos aspectos, ela sobrevive até hoje, como nós já vimos. A forma como Getúlio decidiu sair da vida para entrar na história permitiu a sobrevivência da democracia até 1964. Permitiu também a continuidade da sua política desenvolvimentista com Juscelino Kubitschek.
A carta-testamento, como ele queria, transformou-se em bandeira de luta para o PTB e para todos os getulistas. Vargas é um dos raros personagens da nossa história que ficaram na memória popular. Muitas são as razões que podem explicar esse fenômeno. Uma delas é o fato de ele ter permanecido longo tempo no cenário político. Governou o Brasil durante quase 19 anos. Uma segunda razão foi o fato de que com ele, e por meio do seu governo, o Brasil entrou na era da industrialização, deixou de ser um país agrícola.
Mas é preciso também levar em consideração as suas relações com o povo, com os trabalhadores urbanos, a forma como ele se dirigia às massas, e, principalmente, a implantação da legislação trabalhista entre nós, nas décadas de 1930 e 1940. Nessa época, ainda era difícil, para as elites brasileiras, a aceitação dos direitos sociais como algo fundamental nas sociedades modernas. O suicídio foi outro elemento que, sem dúvida, contribuiu para a permanência tão forte da imagem de Vargas no seio da população. Esse gesto, junto com a carta-testamento, transmitiu a imagem do sacrifício, do homem que deu a vida pelo bem do Brasil e pelo povo brasileiro.
Créditos: Ciência à mão - Universidade de São Paulo

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Estranha criatura o homem; não pede para nascer, não sabe viver e não quer morrer.  Albert Einstein - Físico alemão.
        

A CABANAGEM

A Cabanagem foi uma revolta popular que aconteceu entre os anos de 1835 e 1840 na província do Grão-Pará (região norte do Brasil, atual estado do Pará). Recebeu este nome, pois grande parte dos revoltosos era formada por pessoas pobres que moravam em cabanas nas beiras dos rios da região. Estas pessoas eram chamadas de cabanos.

 Contexto histórico

 No início do Período Regencial, a situação da população pobre do Grão-Pará era péssima. Mestiços e índios viviam na miséria total. Sem trabalho e sem condições adequadas de vida, os cabanos sofriam em suas pobres cabanas às margens dos rios. Esta situação provocou o sentimento de abandono com relação ao governo central e, ao mesmo tempo, muita revolta. Os comerciantes e fazendeiros da região também estavam descontentes, pois o governo regencial havia nomeado para a província um presidente que não agradava a elite local.

Causas e objetivos

Embora por causas diferentes, os cabanos (índios e mestiços, na maioria) e os integrantes da elite local (comerciantes e fazendeiros) se uniram contra o governo regencial nesta revolta. O objetivo principal era a conquista da independência da província do Grão-Pará.

Os cabanos pretendiam obter melhores condições de vida (trabalho, moradia, comida). Já os fazendeiros e comerciantes, que lideraram a revolta, pretendiam obter maior participação nas decisões administrativas e políticas da província.

Revolta

Com início em 1835, a Cabanagem gerou uma sangrenta guerra entre os cabanos e as tropas do governo central. As estimativas feitas por historiadores apontam que cerca de 30 mil pessoas morreram durante os cinco anos de combates.

No ano de 1835, os cabanos ocuparam a cidade de Belém (capital da província) e colocaram na presidência da província Félix Malcher. Fazendeiro, Malcher fez acordos com o governo regencial, traindo o movimento. Revoltados, os cabanos mataram Malcher e colocaram no lugar o lavrador Francisco Pedro Vinagre (sucedido por Eduardo Angelim).

Contanto com o apoio inclusive de tropas de mercenários europeus, o governo central brasileiro usou toda a força para reprimir a revolta que ganhava cada vez mais força.

Fim da revolta

Após cinco anos de sangrentos combates, o governo regencial conseguiu reprimir a revolta. Em 1840, muitos cabanos tinham sido presos ou mortos em combates. A revolta terminou sem que os cabanos conseguissem atingir seus objetivos.
Fonte: Sua Pesquisa.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Somos hoje, resultado daquilo que fomos ontem....e amanhã seremos resultado daquilo que somos hoje; que amanhã já passou. É impossivel querer fugir do passado, pois ele sempre estará em nosso presente.

BANDEIRANTES

Os Bandeirantes foram os homens valentes, que no princípio da colonização do Brasil, foram usados pelos portugueses com o objetivo de lutar com indígenas rebeldes e escravos fugitivos.
Atividades e importância histórica 
Estes homens, que saiam de São Paulo e São Vicente, dirigiam-se para o interior do Brasil caminhando através de florestas e também seguindo caminho por rios, o Rio Tietê foi um dos principais meios de acesso para o interior de São Paulo. Estas explorações territoriais eram chamadas de Entradas ou Bandeiras. Enquanto as Entradas eram expedições oficiais organizadas pelo governo, as Bandeiras eram financiadas por particulares (senhores de engenho, donos de minas, comerciantes). 
Estas expedições tinham como objetivo predominante capturar os índios e procurar por pedras e metais preciosos. Contudo, estes homens ficaram historicamente conhecidos como os responsáveis pela conquista de grande parte do território brasileiro. Alguns chegaram até fora do território brasileiro, em locais como a Bolívia e o Uruguai. 
Do século XVII em diante, o interesse dos portugueses passou a ser a procura por ouro e pedras preciosas. Então, os bandeirantes Fernão Dias Pais e seu genro Manuel Borba Gato, concentraram-se nestas buscas desbravando Minas Gerais. Depois outros bandeirantes foram para além da linha do Tratado de Tordesilhas e descobriram o ouro. Muitos aventureiros os seguiram, e, estes, permaneceram em Goiás e Mato Grosso dando início a formação das primeiras cidades. Nessa ocasião destacaram-se: Antonio Pedroso, Alvarenga e Bartolomeu Bueno da Veiga, o Anhanguera. 
Outros bandeirantes que fizeram nome neste período foram: Jerônimo Leitão (primeira bandeira conhecida), Nicolau Barreto (seguiu trajeto pelo Tietê e Paraná e regressou com índios capturados), Antônio Raposo Tavares (atacou missões jesuítas espanholas para capturar índios), Francisco Bueno (missões no Sul até o Uruguai). 
Como conclusão, pode-se dizer que os bandeirantes foram responsáveis pela expansão do território brasileiro, desbravando os sertões além do Tratado de Tordesilhas. Por outro lado, agiram de forma violenta na caça de indígenas e de escravos foragidos, contribuindo para a manutenção do sistema escravocrata que vigorava no Brasil Colônia.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiracão, pois um dia você se decepciona. Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicacao.
Madre Teresa de Calcutá - religiosa.


TORRE DE PISA


A torre pendente de Pisa (em italiano Torre pendente di Pisa), ou simplesmente, Torre de Pisa, é um campanário da catedral da cidade italiana de Pisa. Está situada atrás da catedral, e é a terceira mais antiga estrutura na praça da Catedral de Pisa (Campo dei Miracoli), depois da catedral e do baptistério.Embora destinada a ficar na vertical, a torre começou a inclinar-se para sudeste logo após o início da construção, em 1173, devido a uma fundação mal construída e a um solo de fundação mal compactado, que permitiu à fundação ficar com assentamentos diferenciais. A torre atualmente se inclina para o sudoeste.
A altura do solo ao topo da torre é de 55,86 metros no lado mais baixo e de 56,70 metros na parte mais alta. A espessura das paredes na base é de 4,09 metros e 2,48 metros no topo. Seu peso é estimado em 14 500 toneladas. A torre tem 296 ou 294 degraus: o sétimo andar da face norte das escadas tem dois degraus a menos. Antes do trabalho de restauração realizado entre 1990 e 2001 a torre estava inclinada com um ângulo de 5,5 graus,] estando agora a torre inclinada em cerca de 3,99 graus. Isto significa que o topo da torre está a uma distância de 3,9 m de onde ele estaria se a torre estivesse perfeitamente na vertical.
Fonte de texto: Wikipédia.

A CRISE DO IMPÉRIO ROMANO

Após o auge vivido nos dois primeiros séculos da Era Cristã, o Império Romano viveu anos de extrema dificuldade. Uma série de fatores reuniu-se para que um dos maiores impérios do mundo Antigo viesse a ruir paulatinamente, podemos apontar a crise do sistema escravista, a estagnação comercial, a diminuição da produção agrícola e a pressão exercida pelos povos germânicos que viviam nas fronteiras do império.
Durante o auge da economia imperial, a produção de riquezas dependia intimamente do vasto número de escravos. Provenientes das regiões dominadas por Roma, esses escravos eram utilizados nas grandes propriedades responsáveis pelo abastecimento da população romana. No entanto, a falta de escravos (observada a partir do século III) acabou gerando uma recessão econômica sentida pela diminuição da produção agrícola e a diminuição dos impostos arrecadados pelo império.
Ao atingir os limites máximos de suas conquistas militares, os exércitos romanos não mais conseguiram o mesmo número de escravos outrora observado. Com isso, houve a escassez da mão-de-obra escrava causando o encarecimento dos gêneros alimentícios. Dessa maneira, as grandes propriedades começaram a ser arrendadas, fazendo com que a base da economia agrícola romana centrasse na pequena propriedade. Com pequenas unidades de produção, a utilização de escravos se tornou ainda mais desvantajosa.
Além disso, outro fator de importância religiosa contribuiu para a crise escravista. A ascensão do ideário cristão fez com que a escravidão fosse vista de forma negativa. Muitos proprietários convertidos ao cristianismo libertaram seus escravos em prova de sua nova fé. Além disso, os próprios escravos atraídos pela palavra cristã negavam-se a privar-se de sua liberdade. Com isso, a economia romana teve que se adaptar a novas formas de trabalho e produção que contornassem a nova situação.
O sistema de arrendamento promoveu a associação entre escravos, agricultores livres e os antigos grandes proprietários. Nessa nova modalidade, o camponês arrendatário recebia um lote de terras onde poderia produzir seu próprio sustento. Em troca, ele deveria destinar parte de sua produção ao proprietário de terras. Dessa forma, as cidades deixavam de ser o grande centro da economia romana. O processo de ruralização fez com que o extenso sistema de cobrança de impostos e o comércio perdessem o grande papel outrora desempenhado.
O governo romano não tinha como se sustentar da mesma forma. Com isso, uma série de reformas administrativas foi adotada nessa época. Os contingentes do exército foram reduzidos e muitos dos povos que viviam às margens do império ganharam terras para que evitassem a invasão de outros estrangeiros. Os chamados povos confederados passaram a formar a principal força militar romana.
A inviabilidade de um vasto império foi marcante durante o reinado de Diocleciano. Em seu governo, o antigo império único foi divido em dois: Império Romano do Oriente e Império Romano do Ocidente. Além disso, a tetrarquia foi instituída, sistema onde um imperador (Augusto) era auxiliado por um imperador menor chamado César. Depois de vinte anos o César ascendia ao cargo de Augusto e nomeava um novo César que deveria seguir a mesma trajetória.
Com a morte de Diocleciano, os imperadores disputaram o poder entre si. Desses conflitos, Constantino saiu vitorioso e voltou a centralizar o governo nas mãos de um único imperador. Escapando da decadência econômica da cidade de Roma, transferiu o império para a cidade de Constantinopla e buscou apoio político ao oficializar o culto cristão.
 No século IV, o avanço intermitente dos povos germânicos deu sinais da derradeira extinção do Império. Pressionados pelos hunos e à procura de terras mais férteis, os germânicos invadiram as possessões romanas. Somente no século V, com a invasão dos hérulos à cidade de Roma, vemos a derrocada final do Império Romano. A queda do último imperador romano, Rômulo Augústulo, encerrou o antigo Império Romano.
 Rainer Sousa

terça-feira, 16 de agosto de 2011

OS CARAS DE PAU

Sempre ouvimos de nossos governantes que não existem recursos suficientes para melhorar as condições de saúde dos postos e hospitais públicos. Inclusive, em muitos desses hospitais e postos não há nem materiais básicos para simples curativos, pois não existem recursos.
                Na segurança, a questão não foge a essa realidade. Delegacias e policiais sem equipamentos necessários para a elaboração de qualidade das suas funções. Aliás, existe um déficit muito grande de recursos humanos nessa área. Afinal, arriscar a vida para ganhar alguns trocos não é muito atrativo.
                E por fim a educação, onde tanto governos estaduais como municipais alegam não ter dinheiro para cumprir a lei do piso nacional ou para melhorar as condições das escolas. Para não falar ainda das verbas que não chegam às escolas ou são insuficientes, as reformas estruturais, etc. a resposta é sempre a mesma. Não há recursos.
                O interessante de tudo isso é que esses municípios – esses mesmos que não tem recursos para investimentos básicos – as câmaras municipais estão aprovando leis por unanimidade o aumento do número de vereadores para as próximas eleições. Com isso aumentam assessores, gabinetes, etc.
                As câmaras municipais alegam que esse aumento não acarretará aumento de despesas e que as verbas existentes são suficientes para banca-los. Alegam também, que o Legislativo terá uma maior representatividade. Ora, se está sobrando dinheiro, que devolvam para os cofres públicos, para que se possa investir em coisas úteis para as comunidades. E a respeito do aumento da representatividade, eu pergunto. Representatividade de quem? Do povo que não é. São ou não são uns caras de pau.
"Os covardes morrem muito antes de sua verdadeira morte"
JULIO CÉSAR - GENERAL ROMANO


A LENDA DAS AMAZONAS

Na Antiga Grécia, bem antes da vinda de Cristo a Terra, eram narradas histórias sobre mulheres que andavam a cavalo, manipulavam o arco e a flecha com rara habilidade e se recusavam a viver com os homens em seus territórios. Estas exímias guerreiras eram conhecidas como Amazonas, das quais nem os mais destemidos soldados poderiam fugir com vida.
Em 1540, o aventureiro hispânico Francisco Orellana, escrivão da armada espanhola, participou de uma jornada exploratória na América do Sul, atravessando, portanto, o extenso e misterioso rio que cruzava uma das mais temidas florestas. Segundo A Lenda das Amazonas, ele teria avistado, no pretenso reino das Pedras Verdes, mulheres semelhantes às acima descritas, conhecidas pelos indígenas como Icamiabas, expressão que tinha o sentido de ‘mulheres sem marido’.
 Contam os índios que estas guerreiras teriam atacado a esquadra hispânica. Elas eram bem altas, brancas, cabelos compridos dispostos em tranças dobradas no topo da cabeça – descrição feita pelo Frei Gaspar de Carnival, também escrivão da frota.
O confronto entre os espanhóis e as Amazonas foi supostamente uma luta feroz, a qual teve como cenário a foz do rio Nhamundá – localizada na fronteira entre o Pará e o Amazonas. Os europeus foram surpreendidos pelo ataque de inúmeras e belas combatentes desnudas, conduzindo tão somente em suas mãos arcos e flechas. Eles foram assim prontamente derrotados pelas mulheres, pondo-se rapidamente em fuga.
No caminho os espanhóis encontraram um indígena, que lhes contou a história das guerreiras. Segundo o relato do nativo, havia pelo menos setenta tribos de Icamiabas só naquele território. Suas aldeias eram edificadas com pedras, conectadas aos povoados por caminhos que elas cercavam de ponta a ponta, cobrando uma espécie de pedágio dos que atravessavam estas estradas. Elas eram lideradas por uma cunhã virgem, sem contato com o sexo masculino.
Quando, porém, chegava o período de reprodução, as Amazonas capturavam índios de tribos por elas subjugadas. Ao engravidar, sinalizavam seus parceiros e, se nascia um curumim ou menino, elas entregavam a criança aos pais; do contrário, elas ficavam com as meninas e presenteavam o genitor com um talismã verde conhecido como Muiraquitã, similar ao sapo utilizado nos rituais lunares.
Ao ouvirem esta narrativa, os espanhóis, cientes da existência das Amazonas descritas pelos antigos gregos, confundem ambas e batizam o rio onde as encontraram, até então intitulado Mar Dulce, de Rio de Las Amazonas.
Certamente os espanhóis, ao se depararem com selvagens guerreiros de longos cabelos, acreditaram ter encontrado finalmente as tão famosas Amazonas. Deste pequeno equívoco nasceram e permaneceram os nomes do Rio, da Floresta e do maior Estado brasileiro, que abriga o idílico cenário desta miragem hispânica. Embora esta história tenha se desenrolado em terras brasileiras, estas lendas são mais disseminadas em outros países, talvez pela associação com narrativas que envolvem ícones adornados com ouro e prata, o que certamente despertava a cobiça dos europeus.
Ana Lucia Santana