quarta-feira, 24 de agosto de 2011

BLOQUEIO CONTINENTAL

Após se tornar líder máximo da França, Napoleão Bonaparte tinha a difícil missão de recuperar a economia francesa e garantir que o processo revolucionário não fosse detido pelas demais monarquias europeias. Em meio a tantos desafios, Napoleão teria que promover um franco projeto de industrialização da economia francesa que estivesse aliado à conquista de vários mercados consumidores. Contudo, o alcance de tais metas não aconteceria da noite para o dia.
Em pleno século XIX, o pioneirismo industrial britânico estabeleceu a hegemonia econômica da Inglaterra sobre a maioria das nações europeias. Em outras palavras, isso significava que era praticamente impossível que uma economia do Velho Mundo se sustentasse sem importar algum produto proveniente da ilha britânica. Dessa forma, se a França de Napoleão tinha pretensões de modernizar sua economia, teria que alcançar condições de superar esse seu grande rival econômico.
Como se não bastasse esse primeiro obstáculo, também devemos levar em consideração que a Inglaterra liderava os exércitos que pretendiam acabar com o processo revolucionário francês. Para atingir esse objetivo, os ingleses contavam com um poderoso exército aliado a uma força naval que era praticamente insuperável. Com isso, a superação econômica da Inglaterra também se vinculava ao sucesso militar do governo francês.
Já que a imposição de uma derrota aos britânicos seria muito arriscada, Napoleão Bonaparte criou uma medida econômica internacional que alavancaria a economia de seu país e, ao mesmo tempo, enfraqueceria os cofres e exércitos da Inglaterra. No ano de 1806, Napoleão anunciou o estabelecimento do Bloqueio Continental. De natureza bastante simples, esse decreto previa que nenhum país da Europa poderia manter relações comerciais com a Inglaterra.
Caso alguma nação europeia desrespeitasse esse tratado, o governo francês realizaria a ocupação imediata dos territórios e assumiria o controle do Estado. Para firmar essa punição, Napoleão tinha à sua disposição um dos mais bem treinados e amplos exércitos terrestres de todo Velho Mundo. Apesar de tamanha represália, as nações europeias julgaram que tal exigência feria diretamente a soberania de cada Estado. Em pouco tempo, vários países descumpriram o Bloqueio Continental.
Sendo forçado a cumprir a punição do Bloqueio, Napoleão encaminhou suas tropas contra as nações europeias que preservaram relações comerciais com os ingleses. Com isso, a grande mobilidade que garantia as vitórias militares francesas foi perdida na medida em que os exércitos eram destacados para controlar o governo das nações invadidas. Em pouco tempo, várias frentes militares de Napoleão sofreram com o desgaste de guerrilhas locais que resistiam à presença estrangeira.
No ano de 1812, a Rússia também descumpriu o bloqueio e, com isso, Napoleão organizou um gigantesco destacamento militar com cerca de 600 mil soldados. Mesmo vencendo a batalha de Moscou, as perdas humanas desse confronto foram incalculáveis. Tal desgaste se justificou pelas dificuldades que o exército francês teve em obter mantimentos e resistir às extremas temperaturas do inverno russo. Aproveitando do baque sofrido, as nações europeias organizaram novas frentes que derrotaram Napoleão.
Rainer Sousa

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