terça-feira, 23 de agosto de 2011

FALCÃO NEGRO EM PERIGO

 A história real da missão americana na Somália, em 3 de outubro de 1993, quando quase 100 Army Rangers dos EUA, comandados pelo Capitão Mike Steele, desceram de helicóptero na capital Mogadishu para capturar membros da elite do governo. Isso levou à destruição de dois helicópteros e deixou os soldados envolvidos em conflito de rua e cercados pela multidão.
Desde o princípio impliquei com o título que me fazia lembrar série juvenil da TV Tupi (ele se refere aos helicópteros chamados Falcão Negro usados na história), o que não me impede de achar que o filme foi injustiçado no Globo de Ouro (onde o ignoraram) e até nos Oscars (não foi indicado como Filme, ainda que Ridley Scott tenha tido indicação como diretor, talvez por consolação por ter perdido no ano anterior por "Gladiador"). O filme levou apenas os Oscars por Montagem e Som.
A verdade é que até a metade do filme não consegui entender bem qual era a dele. Não é patriótico e americanista como pode parecer à primeira vista (felizmente, porque não se esperava isso de Ridley Scott), mas também não chega a ser profundamente crítico ou anti-bélico (seria difícil no clima atual).
Mas também não é suficientemente original (tem momentos onde lembra um pouco o estilo de "Soldado Ryan", mas sem chegar a nada muito radical como narrativa). E embora mostre um fato real, é um assunto tão pouco conhecido que é preciso pelo menos uns dez ou quinze letreiros no início para tentar explicar a localização e a época (Somália, Mogadishu, 1993).
Ao mesmo tempo que se faz a crítica do general americano que comandou a ação o filme mostra o heroísmo dos fuzileiros (Delta Force e Rangers), que agem heroicamente, ainda que por vezes de forma cega.
Só quase no fim que saquei qual era a do filme. Embora ele tenha sido feito (rodado) antes dos fatos de 11 de Setembro, já anunciavam a situação atual com os seguidores de Bin Laden. Ou seja, mais uma vez, como sucedeu na Somália, os Estados Unidos estão envolvidos numa guerra em busca de um líder escondido, numa caçada a qualquer preço. Sem perceber que matá-lo ou prendê-lo não vai resolver nada, porque o problema é muito maior e de muito mais difícil solução.
A dificuldade com o filme é que a gente mal ouviu falar direito da Somália, e não consegue entender como alguém tão obviamente vilão como o líder que nunca vemos é capaz de deixar as pessoas morrerem de forma tão brutal, num autêntico massacre, genocídio e no entanto é capaz de conseguir a fidelidade de tantos seguidores, maometanos, fica evidente, de tal forma que eles vão atacando sem cessar (no final das contas morreram cerca de 19 americanos e mais de mil africanos).
 É verdade que o filme parece ser um pouco contra os mulçumanos-negros (por outro lado, eles morrem como moscas e no entanto não cessam de atacar). Para depois sacarmos que ele tem uma relação clara com o momento atual. Os americanos entram nas brigas sem estarem preparados para elas, achando que coragem e armas tecnologicamente modernas são suficientes para resolver tudo. E saem delas sem continuar a entender e não percebem porque são vistos como bandidos imperialistas. E não como mocinhos beneméritos como se sentem, patrulheiros do mundo.
"Falcão Negro" é, de qualquer forma, um pouco confuso (alguns dos personagens se confundem para não dizer do fato histórico obscuro. A questão é que todos os americanos, os soldados de capacete, com o rosto sujo, lutando no escuro acabam se parecendo. E fica meio difícil entender o que está se passando com quem).
Padece da ausência de uma figura central mais forte (Josh Hartnett, de "Pearl Harbor", mais uma vez não tem carisma ou experiência para segurar um filme). Ewan McGregor, de "Moulin Rouge", não disse a que veio, num papel totalmente secundário. A mesma coisa com os outros (todos se misturam de forma que o elenco de apoio acaba ficando anônimo).
Tem alguns excessos de violência (mas ao menos justificáveis) e depois de uns 15 minutos de exposição da trama consegue segurar a atenção e sempre interessar. Não chega a ser um grande filme, mas é muito digno, muito sério (Scott voltou a trabalhar com sua equipe de "Gladiador" e tem um resultado francamente superior à "Hannibal"). Levanta questões oportunas e importantes, sem perder a estrutura de filme de ação.
Fonte: CineWeb.

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