sexta-feira, 23 de setembro de 2011

CHE GUEVARA

Ernesto Rafael Guevara de la Serna nasceu no dia 14 de junho de 1928, em Rosário, na Argentina. Primogênito entre os cinco filhos de Ernesto Lynch e Célia de la Serna y Llosa, teve sua formação ministrada principalmente pela mãe, figura forte em seu desenvolvimento político, pois apesar de ser católica, cultivava um ideal esquerdista em sua família, e mantinha relações com outras mulheres também muito politizadas.
Desde cedo Ernesto sofreu com crises freqüentes de asma, sua bombinha era companheira inseparável. Devido à doença, estudou inicialmente em casa, acompanhado pela figura materna, em meio a obras de Marx, Engels e Lênin. Na adolescência ele já cultivava o hábito da leitura, ao lado de autores como Júlio Verne, Baudelaire e Neruda, entre outros. Aos 12 anos, por causa dos surtos asmáticos, sua família mudou para Córdoba, onde morava próximo a uma favela. Apesar das barreiras sociais vigentes entre as classes mais prósperas na Argentina, Ernestito, como era conhecido, fez muitos amigos entre os favelados. A partir de 1944, a situação financeira da família começa a declinar e Che Guevara vai trabalhar como funcionário público, prosseguindo com os estudos. Ao entrar na Universidade, muda-se com os familiares para Bogotá e segue estudando Medicina, com um interesse especial pela lepra, e trabalhando para ajudar nas despesas de casa. Nessa época ele é dispensado pelo Exército por não possuir os atributos físicos necessários para o serviço militar.
Após a Segunda Guerra Mundial, cresce a oposição a Juan Domingo Perón, e Guevara participa dos protestos. Em 1951, ele inicia ao lado do amigo Alberto Granado e da antiga companheira, a moto chamada por eles de “La Poderosa”, a viagem que irá mudar a sua vida. Ao longo de um tour pela América Latina, não exatamente por pontos turísticos, mas por minas de cobre, aldeias indígenas e leprosários, convivendo com os oprimidos, olhando a realidade de um outro ponto de vista, mais crítico, durante oito meses, Ernesto modifica sua visão política, antes nacionalista, e escreve um diário sobre esta jornada fundamental em sua vida. No Peru ele pôde dar vazão á sua dedicação especial aos leprosos, quando então decide se especializar nesta doença. Indignado com as injustiças sociais que testemunhou, Guevara retorna para a Argentina, conclui o curso de Medicina e passa a se dedicar à política. Em julho de 1953, ele dá início à segunda travessia pela América Latina, passando pela Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, El Salvador e Guatemala, com seu amigo Ricardo Rojo.
Na Guatemala Guevara conhece sua futura esposa, a peruana Hilda Gadea Acosta e o futuro amigo Ñico Lopez. É ele que posteriormente o apresentará a Raúl Castro, no México. Ernesto presencia, na Guatemala, a dominação norte-americana se impor com tanta facilidade, instalando no comando do país um ditador subserviente aos interesses imperialistas, que, inconformado com a passividade da população local, percebe imediatamente o quanto é fundamental combater essa política dominadora.
Através dessas experiências, Guevara tece sua consciência política e opta pelo caminho revolucionário. Em 1954, dá-se o tão esperado encontro entre Ernesto e Raúl Castro, que o apresenta a seu irmão Fidel Castro. Este é, neste momento, o líder do grupo M26, ou Movimento Guerrilheiro 26 de julho, alusão à tomada do Quartel Moncada, em 1953, durante a qual Fidel tentou render o mais conhecido reduto de presos políticos em Santiago. Guevara está entre os 82 seguidores de Fidel que partem ao lado deste para Cuba, em 1956, depois de um célebre debate político entre Castro e Guevara, que se estendeu ao longo de uma noite inteira, e que definiu a participação de Ernesto neste movimento revolucionário que tentaria obter o controle de Cuba. Apenas doze deles resistem à morte em Sierra Maestra, após o desembarque em Cuba, no dia 25 de novembro de 1956. Apesar dos reveses, a vitória sobre a ditadura de Fulgêncio Batista foi completa. Guevara se torna um cidadão cubano em 1959 e transforma-se em um homem poderoso, o segundo na hierarquia. Muitos especialistas acreditam que sua formação marxista-leninista influenciou decisivamente Fidel na opção pelo comunismo soviético e na oposição aos Estados Unidos. Outros crêem que a reação radical dos EUA é que levou ao alinhamento com a URSS.
Embora tendo em Cuba todos os privilégios de um homem no poder, Che desejava levar a toda a América Latina o sonho revolucionário, e queria para isso o apoio cubano. Assim, abandona o governo e segue como guerrilheiro atrás dos seus sonhos. Mas, ao contrário da vitória cubana, ele agora só alcança derrotas – na Argentina, em 1964, quando vários membros de seu grupo são mortos; a outra no Congo Belga, depois chamado de Zaire e hoje conhecido como República Democrática do Congo; e finalmente na Bolívia, quando é morto, em nove de outubro de 1967. Apesar de ter entrado na Bolívia oculto, sem a barba e a boina que tinham se tornado características tradicionais dele, em novembro de 1966, ele não conseguiu escapar de seus algozes. Seu objetivo era criar um campo de treinamento da guerrilha, em um deserto no Sudeste do país. Mas foi preso no dia 08 de outubro, pelo exército boliviano, treinado pelos norte-americanos, e no dia seguinte executado com a autorização do presidente do país, o general René Barrientos, em uma escola da aldeia de La Higuera.
Com dúvidas sobre a identidade do guerrilheiro, seus executores amputaram suas mãos, na tentativa de reconhecer o corpo. Seus restos mortais ficaram por algum tempo ocultos, sendo encontrados em 1997, quando se comemorava os trinta anos de sua partida, enterrados no aeroporto de Vallegrande. As mãos foram misteriosamente contrabandeadas para Cuba. Hoje, Guevara é conhecido mundialmente como um dos mais célebres revolucionários de esquerda e até a revista Time Magazine o considerou uma das cem pessoas mais famosas do século XX.

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