segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O PERÍODO PALEOLITICO

O Período Paleolítico é a parcela de tempo que compreende desde as origens do homem até 8000 A.C.. Dentro desse período ainda existem duas subdivisões: o Paleolítico Inferior (5000.000 – 30.000 A.C.) e o Paleolítico Superior (30.000 – 8.000 A.C.). Em ambos os períodos, a falta de uma ampla documentação dificulta a obtenção de informações mais específicas sobre os primeiros grupos humanos que ocuparam o globo terrestre.
 Sabe-se que as temperaturas da Terra eram bem menores, o que obrigava as populações hominídeas a viverem dentro de cavernas. O falta das técnicas de cultivo agrícola e a não criação de animais limitavam as atividades subsistentes à pesca, a caça e a coleta de frutos. Tais práticas impediam a sedentarização dos primeiros grupos humanos, que se deslocavam constantemente.
O desenvolvimento físico e intelectual dos hominídeos concedeu-lhes a oportunidade de transformação de seu modo de vida. Uma das mais significativas descobertas dessa época foi o domínio sobre o fogo. Segundo alguns pesquisadores, os primeiros grupos a utilizarem este tipo de artifício se encontravam na porção oriental do continente africano. Essa descoberta ofereceu maior autonomia do homem em relação à Natureza ao complexificar os hábitos alimentares e aquecer sua morada.
Além disso, o uso de madeira, pedras, marfim e ossos possibilitaram a fabricação dos primeiros instrumentos domésticos e de caça. O uso de lascas de pedra se tornou bastante recorrente, fazendo do Período Paleolítico também conhecido como “Idade da Pedra Lascada”. No período Paleolítico Superior, o clima terrestre sofreu uma grande transformação que causou diversas geadas na porção norte do continente europeu.
Nessa mesma época, ocorreram vários deslocamentos humanos que ampliaram as regiões de ocupação humana pelo mundo. Depois desse período de glaciações, o Homo sapiens moderno realizava a caça de animais de grande porte (renas e mamutes) através da invenção de diferentes armadilhas. Além disso, as primeiras pinturas rupestres representavam cenas cotidianas e animais da época.
Rainer Sousa

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

AS RELAÇÕES DOS EUA COM A AMÉRICA LATINA

Infográfico que apresenta a cronologia das relações diplomáticas entre Estados Unidos da América e Brasil.
http://extras.ig.com.br/infograficos//euaamericalatina/

AS FACES DO RIO GRANDE

Falar em um Rio Grande do Sul como um estado único é quase que uma força de expressão. Porque aqui existem muitos Rio Grandes diferentes, cada qual com sua cultura, com seus rostos e falas. São as faces do Rio Grande - que são muitas.
Há um Rio Grande açoriano, nas pequenas cidades do vale do Jacuí, que atualmente vivem suas pacatas vidinhas de interior, mas que já formaram a linha de defesa deste continente de São Pedro. Há um Rio Grande também português, mas com um rosto diferente, na região da Fronteira, conquistada a ferro e fogo pelos milicianos. Esses dois Rio Grandes, um de bombacha e outro em meio a procissões, têm em comum a origem - portuguesa - e a linguagem.
Mas existe outro, em que as exclamações de "tche" se misturam aos "porca miseria". É o dos italianos, nas terras quebradas, com seus parreirais subindo e descendo pelas pirambeiras. Perto dali, tanto em zonas mais baixas - do vale do rio dos Sinos e outros próximos -, como mais altas, no Planalto, está o Rio Grande dos kerbs, das oktoberfests, dos alemães. Esse mesmo Rio Grande, de gente clara e fala arrevesada, tem uma pequena "ilha" em uma região tipicamente portuguesa - são os pomeranos da região de São Lourenço, que formam uma ilha dentro de uma ilha, uma vez que se trata de uma cultura de origem alemã, mas inteiramente diferente desta.
Espalhado por todo o estado está também o testemunho de um Rio Grande sofrido. São os descendentes de negros, trazidos contra a vontade, oprimidos, e que, apesar disso, conseguiram manter traços de sua cultura. Assim como no passado não tinham propriedade, atualmente não têm sua região definida. Estão entre todos, mas com uma história construída de lágrimas que é só deles.
Também de lágrimas é a história de um outro Rio Grande, o dos judeus. Concentrados em Porto Alegre - especialmente no Bom Fim -, vieram para cá fugindo da fome, da discriminação e, a partir do final da década de trinta, da exterminação pura e simples.
Fugindo da dominação de outros países, vieram os poloneses, que entre 1795 e o final da Primeira Guerra Mundial não existiam como nação: tiveram sua pátria dividida entre a Rússia, a Prússia e a Áustria. Assim, muitos desses imigrantes chegaram aqui sob outras nacionalidades. Mas, com a teimosia dos povos que não perdem sua identidade, sempre fizeram questão de frisar que eram poloneses - o povo da pátria retalhada.
Se a Primeira Guerra devolveu aos poloneses o direito de serem nação, a Segunda criou as condições para que o Rio Grande recebesse um novo fluxo migratório. Dessa vez, vinham de uma cultura totalmente diversa, tão diversa que provocava espanto inicialmente. Mas, calados e trabalhadores, esses novos gaúchos de olhos puxados marcaram sua presença na economia do estado: em 1956 começaram a chegar os japoneses.
Esses são alguns dos que vieram. Outros povos, outros sangues, também estão presentes, embora em contingentes não tão significativos. Como se vê, não há um único Rio Grande, mas muitos Rio Grandes. Só que, assim como as pessoas, que são diferentes ao longo do dia, ao longo da vida, esse Rio Grande político, que é a soma de todos os Rio Grandes concretos, existe como unidade.
Fonte: RS Digital.


"Voltarei nos braços do povo." Getúlio Vargas.         

GETULIO VARGAS

Getúlio Dorneles Vargas nasceu na cidade de São Borja, no Rio Grande do Sul, no dia 19 de abril de 1882. Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 24 de agosto de 1954. Foi presidente da república (1930 até 1945 e entre 1950 e 1954) e pôs em prática mudanças revolucionárias que fizeram do Brasil um dos principais países da América Latina.
Quando jovem sentiu-se atraído pela carreira militar e se alistou aos dezesseis anos. Em seguida, mudou de opinião e se matriculou na Faculdade de Direito de Porto Alegre, onde viria a se formar em 1907. Em 1911, Getúlio Vargas se casou com Darcy Lima Sarmanho, com quem teve cinco filhos: Lutero, Getúlio, Alzira, Jandira e Manuel.
  Foi nesta época que Getúlio iniciou sua carreira política. Em 1909, foi eleito deputado estadual e reeleito em 1913. Entre 1922 e 1926 ocupou uma cadeira na câmara federal.
Em 1926, o presidente Washington Luiz Pereira de Souza nomeou Getúlio ministro da Fazenda, cargo que deixou, em 1928, para tornar-se governador  do Rio Grande do Sul. Concorreu, sem êxito, à presidência do Brasil em 1930, pelo Partido da Aliança Liberal, fundado por Getúlio.
Mesmo tendo perdido para Julio Prestes, Vargas alcançou o poder no mesmo ano, depois de protagonizar um golpe de Estado com apóio do exército. Governou por decretos até 1934, ano em que foi eleito presidente constitucional pelo Congresso. Em 1937, proclamou o estado de exceção, proibiu todas as organizações políticas, dissolveu o Congresso e declarou o Estado Novo.
Vargas propiciou a cessão de poder dos estados ao governo central, dos latifundiários às classes médias e baixas das cidades. Fez com que o governo entrasse no âmbito dos negócios, competindo com o capital privado, introduziu um novo código de trabalho, nacionalizou recursos e minérios e fomentou a modernização da indústria brasileira. A Petrobrás e a Companhia Vale do Rio Doce, por exemplo, foram criadas sob seu governo.
Durante a II Guerra Mundial, a crescente cooperação comercial e diplomática com os Estados Unidos levou o Brasil a participar da contenda (1942) junto dos aliados. A negativa de Vargas de relaxar o autoritarismo do Estado Novo provocou um golpe militar que levou a sua queda. Cinco anos mais tarde, alcançou novamente a presidência, com o apoio do movimento sindical. Contudo, o exército opunha-se cada vez mais a sua administração. Getúlio Vargas suicidou-se com um tiro no coração, no palácio do Catete, naquela época, sede da presidência da república.
Thais Pacievitch

PUNK ROCK

Punk rock é um movimento musical e cultural que surgiu em meados da década de 1970, que tem como principais características músicas simples (que geralmente não passam de três ou quatro acordes), rápidas e agressivas, temas que abordam idéias anarquistas, niilistas e revolucionárias, ou sobre problemas políticos e sociais como o desemprego, a guerra, a violência, ou em outros casos, letras com menos conteúdo político e social, como relacionamentos, diversão, sexo, drogas e temas do cotidiano. O visual agressivo, que foge dos padrões da moda, a filosofia "faça-você-mesmo" e as atitudes destrutivas também são outras características do punk.[1]
história do punk rock
CBGB, casa noturna que é considera por muitos como o berço do punk rock, na qual inúmeras bandas iniciaram a sua carreira.O punk rock surgiu em meados da década de 1970, mas já é possível achar bandas que faziam algo bem próximo já na década de 1960, como os Stooges (faziam músicas simples e tinham atitudes destrutivas, uma característica punk) e o MC5 (primeira banda a juntar agressividade musical com idéias políticas, outra característica típica do punk), ambas as bandas de Detroit e formadas no final dos anos 60. E antes disso, em 1965, o The Sonics fazia algo muito próximo do punk rock, em termos sonoros. Vale a pena citar também o Velvet Underground, outra banda que influenciou bastante a "primeira geração" punk.
Já nos anos 70, mais precisamente em 1971, foi formado o New York Dolls, e em 1974, os Dictators, que já eram praticamente punk rock, tanto nas atitudes como no som. Nos anos 70 também começaram a surgir várias bandas por Detroit e Nova Iorque que tocavam em bares locais. Desses bares, destaca-se o CBGB, lugar onde tocavam os Ramones, Talking Heads, Patti Smith, Television, Richard Hell and the Voidoids, The Cramps, Blondie, Johnny Thunders and the Heartbreakers, Dead Boys e muitas outras.
Começava então a surgir, desse pequeno grupo de bandas, o movimento punk.
1977: A explosão do punk rock
The Clash em Oslo, 1980.Em 1976, os Ramones lançaram seu primeiro disco, auto-intitulado, pela Sire Records. O disco tinha 14 músicas e 29 minutos de duração. As músicas e as letras eram simplissímas, e a velocidade das músicas era apavorante para aquela época. O álbum recebeu poucas, porém boas críticas. O álbum acabou não sendo grande sucesso de vendas, mas os jovens que compraram formariam suas bandas depois.
Na Inglaterra o álbum foi muito bem recebido pelos jovens, que na sua maioria montaram suas próprias bandas, influenciadas pelos Ramones e por outras bandas de garage rock e glam rock. Dentre essas bandas estavam os Sex Pistols, The Clash, The Damned, Wire, U.K. Subs e inúmeras outras. Na Irlanda, Bélgica, Alemanha e na França e também na Austrália, também começaram a surgir várias bandas punks. Nos Estados Unidos surgiam também algumas bandas, como os Germs, F-Word, Avengers, Dead Kennedys, The Weirdos, entre outras.
Sex Pistols, durante uma reunião em 2007.1977 foi o ano mais marcante da história do punk rock. Saíram inúmeros compactos, surgiam inúmeras bandas (principalmente na Inglaterra e na Irlanda), e também foi o ano em que saiu o primeiro disco do Clash, Never Mind the Bollocks do Sex Pistols, Leave Home e Rocket to Russia dos Ramones (esse último considerado por muitos o melhor disco dos Ramones), Live Kicks do U.K. Subs, Pink Flag do Wire, Rattus Norvergicus do The Stranglers e vários outros discos marcantes na história do punk. Em 1978 o punk estava "meio que saindo de moda", mas isso não impediu em nada de ótimos álbuns serem lançados e ótimas bandas surgirem. Desse ano são os clássicos Crossing the Red Sea dos Adverts, o primeiro disco do Members, At Chelsea Night Club, Germ Free Adolescents do X-Ray Spex, e outros.
Os Ramones, durante uma apresentação em 1987.Já em 1979, o punk rock tinha "sumido do mapa". A maioria das bandas acabava, ou então mudava de rumo (a maioria migrava para o New Wave, que era uma versão mais "açucarada" do estilo e mais comercialmente viável), mas é desse ano que é são os clássicos London Calling do Clash e o primeiro disco de estúdio do U.K. Subs, o Inflamabble Material do Stiff Little Fingers, e também nesse ano que o hardcore começava a surgir, nos Estados Unidos.
Fonte: Enciclopédia Barsa.



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A EXPANSÃO MARITIMA PORTUGUESA

Após a deflagração da Revolução de Avis, Portugal passou por um processo de mudanças onde a nacionalização dos impostos, leis e exércitos favoreceram a ascendência das atividades comerciais de sua burguesia mercantil. A prosperidade material alcançada por meio desse conjunto de medidas ofereceu condições para o investimento em novas empreitadas mercantis.
 Nesse período, as principais rotas comerciais estavam voltadas no trânsito entre a Ásia (China, Pérsia, Japão e Índia) e as nações mercantilistas européias. Parte desse câmbio de mercadorias era intermediada pelos muçulmanos que, via Mar Mediterrâneo, introduziam as especiarias orientais na Europa. Pelas vias terrestres, os comerciantes italianos monopolizavam a entrada de produtos orientais no continente.
A burguesia portuguesa, buscando se livrar dos altos preços cobrados por esses intermediários e almejando maiores lucros, tentaram consolidar novas rotas marítimas que fizessem o contato direto com os comerciantes orientais. Patrocinados pelo interesse do infante Dom Henrique, vários navegadores, cartógrafos, cosmógrafos e homens do mar foram reunidos na região de Sagres, que se tronou um grande centro da tecnologia marítima da época.
Em 1415, a Conquista de Ceuta iniciou um processo de consolidação de colônias portuguesas na costa africana e de algumas ilhas do Oceano Atlântico. Esse primeiro momento da expansão marítima portuguesa alcançou seu ápice quando os navios portugueses ultrapassaram o Cabo das Tormentas (atual Cabo da Boa Esperança), que até então era um dos limites do mundo conhecido.
É interessante notar que mesmo com as inovações tecnológicas e o grande interesse comercial do mundo moderno, vários mitos Antigos e Medievais faziam da experiência ultramarina um grande desafio. Os marinheiros e navegadores da época temiam a brutalidade dos mares além das Tormentas. Diversos relatos fazem referência sobre as temperaturas escaldantes e as feras do mar que habitavam tais regiões marítimas.
No ano de 1497, o navegador Vasco da Gama empreendeu as últimas explorações que concretizaram a rota rumo às Índias, via a circunavegação do continente africano. Com essa descoberta o projeto de expansão marítima de Portugal parecia ter concretizado seus planos. No entanto, o início das explorações marítimas espanholas firmou uma concorrência entre Portugal e Espanha que abriu caminho para um conjunto de acordos diplomáticos (Bula Intercoetera e Tratado de Tordesilhas) que preestabeleceram os territórios a serem explorados por ambas as nações.
O processo de expansão marítima português chegou ao seu auge quando, em 1500, o navegador Pedro Álvares Cabral anunciou a descoberta das terras brasileiras. Mesmo alegando a descoberta nessa época, alguns historiadores defendem que essa descoberta foi estabelecida anteriormente. Anos depois, com a ascensão do processo de expansão marítima de outras nações européias e a decadência dos empreendimentos comercias portugueses no Oriente, as terras do Brasil tornaram-se o principal foco do mercantilismo português.
Rainer Sousa

ANA TERRA

Ana Terra era uma moça que morava com sua família em um sítio muito longe da cidade e tinha uma vida sofrida, e a única coisa que Ana e sua família faziam era trabalhar. Embora Ana tinha o desejo de abraçar e beijar algum homem.
O princípio de seu desejo veio com a chegada do índio Pedro Missioneiro, e que lentamente foi crescendo na sua condição de macho: uma cara moça e trigueira, de maçãs salientes. Ana, quando o via sentia uma coisa que não podia explicar: um mal-estar sem nome, mistura de acanhamento, nojo e fascinação.
Em sua singeleza, atraía-se pelo estranho, confirmando-se como aquela mulher desejável que enxergara no fundo das águas. Entregar-se àquele desconhecido foi um passo tão natural como o suceder das estações naqueles ermos.
Antes, arriscou um jogo delicioso de avanços e recuos, sabendo que, quisesse ou não quisesse, agindo a favor ou contra a lei paterna, seria daquele homem. E, numa tarde, considerou-se pronta, e o desejo palpitava em todas as sua artérias; encaminhou-se para a barraca do índio, o reino de Pedro Missioneiro. E lá aconteceu algo que Ana queria.
Os dias seguintes foram de medo, pânico misturado à vergonha e depois disso, logo soube que estava grávida, e o isso tornou-se um espaço de lágrimas. Carregou o segredo o quanto pôde, mas um dia, não se contendo mais, revelou tudo à mãe. Dona Henriqueta nem teve tempo de consolá-la: e o pai declarou já saber de tudo e foi como se um trovão cortasse os céus. Nada mais poderia ser feito: cumprindo um código ancestral, ele convocou os dois filhos, e esses mataram Pedro Missioneiro. Sabia que sua vida naquela casa dali por diante seria um inferno.
 De um instante para outro tornou-se invisível aos olhos do Pai, transfigurando-se numa entidade pecadora. Simbolicamente expulsa de sua casa, procurou fazer-se pequena, para que sua pequenez diminuísse a dor da culpa; tratava-se, porém, de uma culpa mais aceita do que entendida. Logo aconteceu o nascimento do filho de Ana Terra e, Dona Henriqueta assistiu-a, cortando o cordão umbilical do menino Pedro.
Mesmo assim, os pais e irmãos não tomaram conhecimento do novo ser que habitaria o rancho. Contra toda as possibilidades, Pedrinho cresceu, e a vida seguiu seu rumo. Os irmãos casaram-se, e, para Ana, cada dia era a repetição do dia anterior.
Depois disso, sua mãe morreu, de nó nas tripas, mas esta morte não abalou muito à Ana. Então vieram vários castelhanos, assassinando, incendiando, violando. Ana mandou a esposa de seu irmão e as duas crianças irem se esconder no mato, e fingindo ser a única mulher da casa, imola-se voluntariamente à sanha dos bandidos. Foi estuprada várias vezes, e ao acordar de seu desfalecimento, encontrou um quadro de horrores: o pai, o irmão Antônio, os escravos, todos estavam mortos no meio da casa já destruída.
Ana entendia naquele momento que estava liberta de sua mancha original, e pela forma mais bárbara e purificadora. Nada lhe fora poupado em sofrimento, e pelo sofrimento reconciliava-se com a vida. Numa exaltação próxima a uma feroz alegria, aceitou o convite de um forasteiro para ir formar o núcleo inicial de uma nova vida, e uma longa viagem a levou para um planalto. Lá ela construiu uma casa, morando com seu filho, que logo teve que ir para uma guerra contra os castelhanos. Voltando da guerra vivo, casou-se com uma moça, teve um filho e logo teve que voltar para a guerra, com o compromisso de voltar vivo, pois agora ele tinha uma mulher e um filho para cuidar.


A IGREJA E AS CRUZADAS

As Cruzadas marcam um importante movimento onde vários contingentes militares saíram da Europa Feudal rumo às terras localizadas no mundo oriental. Partindo do pressuposto que o isolamento e insegurança foram duas marcas fundamentais do feudalismo europeu, muitos perguntam pelas razões que motivaram toda essa população a se aventurar por terras desconhecidas. De fato, uma das respostas dessa questão tem íntima relação com a influência exercida pela Igreja nessa época.
 Durante o século XI, período em que o movimento cruzadista se iniciou, a Terra Santa – região onde Jesus Cristo teria vivido – era controlada pelos turcos seldjúcidas, civilização originária da Ásia Central. Esses povos foram convertidos ao islamismo em conseqüência da divulgação dessa crença a partir do século VII. Além disso, inspirados pela tendência expansionista de seus governantes, realizaram a conquista de diversas regiões que formaram um vasto império.
O controle dos seldjúcidas sobre a Terra Santa acabou gerando um delicado impasse religioso. Simpáticos a uma interpretação mais ortodoxa dos textos islâmicos, os turcos não admitiam a entrada dos peregrinos cristãos que se dirigiam à cidade de Jerusalém com o intuito de adorar locais considerados sagrados. Em pouco tempo, a alta cúpula da Igreja Católica reagiu à intransigência dos muçulmanos com a organização do movimento das cruzadas.
Em 1095, durante o Concílio de Clermont – cidade francesa onde ocorreu a reunião das principais lideranças da Igreja – o papa Urbano II convocou os cristãos de toda a Europa para organizar um grande exército para arrancar Jerusalém das mãos dos “infiéis” muçulmanos. Além dessa motivação inicial, a Igreja teria o interesse de que o movimento fosse capaz de alargar a influência do cristianismo católico sob o Império Bizantino, região onde o cristianismo tinha se tornado livre da influência do papa.
Para que estes exércitos cristãos fossem formados, a Igreja contou com o apoio dos nobres sem-terra e das populações marginalizadas do mundo feudal. Uma parte expressiva dos exércitos cruzados era formada por cavaleiros e ex-servos que buscavam dominar as terras dos povos orientais. Imbuídos da crença que cumpriam uma determinação divina, homens, mulheres, crianças e idosos se dispunham a compor parte desses exércitos religiosos.
Com o passar do tempo, os comerciantes também tiveram grande interesse na formação dos exércitos cruzados. Diversos mercadores de cidades italianas, como Gênova e Veneza, financiaram as Cruzadas com o objetivo de controlar as rotas comerciais terrestres e marítimas que davam acesso às especiarias orientais. Em meio a essas motivações sócio-econômicas, percebemos como a forte influência religiosa exercida pela Igreja foi capaz de mobilizar milhares de indivíduos.
Rainer Sousa

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

VOLEIBOL

Ao contrário do futebol, o vôlei  tem data de autor de fundação. Foi criado nos Estados Unidos , em 1895, por um professor  de educação física de uma ordem religiosa, já com as regras que possui hoje e com o objetivo de trazer para as pessoas um esporte que evitasse contato físico, evitando também as lesões.
O jogo foi criado como uma ramificação do basquete, que já existia na época. Porém, este não faz uso do contato físico. A rede foi fixada a 1,85m do chão, porém atualmente possui 2,24m para vôlei feminino e 2,43m para vôlei masculino. Morgam, o inventor da modalidade esportiva, contratou uma empresa para fabricar a bola, com medidas de: circunferência variava de 63,5cm a 68,6cm, peso ficava entre 252g e 336g. Atualmente o perímetro da bola é de 65cm e o seu peso é aproximadamente 270g.
William George Morgan apresentou o jogo criado por ele em uma conferência em sua faculdade, na prática e na teoria. Morgan deu uma cópia das regras para cada professor presente, e nessa mesma conferência o esporte foi batizado de volleyball.
Não se sabe ao certo como e quando o esporte chegou ao Brasil, mas em 1954 foi criada a Confederação Brasileira de Voleibol, com o intuito de divulgar o esporte. Desde lá o esporte vem se popularizando e ganhando a cada dia mais espaço e aceitação. O Brasil tem conquistado vários títulos nessa modalidade nos últimos anos.
Oficialmente o vôlei é jogado em 5 sets. Não há um limite de tempo para a realização da partida, e para que um time vença um set, é necessário estar com dois pontos de vantagem com relação ao time adversário. Vence o time que ganhar 3 sets primeiro. O objetivo do jogo é passar a bola para o campo adversário, por cima da rede, fazendo com que ela toque o chão dentro dos limites da quadra e impedir que o time adversário faça o mesmo. Cada vez que o objetivo é alcançado, a equipe obtém um ponto. É válido dar três toques na bola, o terceiro já deve ser o que passa a bola para o campo adversário e um jogador não pode dar dois toques seguidos na bola. Em quadra o jogo é composto por dois times de 6 jogadores, na areia é jogado com duplas. Ambas as modalidades possuem regras próprias.
Ana Paula de Araújo.


USO DA MÚSICA

A música facilita o ensino da história pois cria empatia entre aluno e professor e forma um referencial de memória para os alunos, facilitando, assim, sua relação com o conteúdo. É o que diz Milton Joeri Fernandes Duarte, autor da tese de doutorado A música e a construção do conhecimento histórico em aula, defendido em maio na Faculdade de Educação (FE) da USP sob orientação de Katia Maria Abud Lopes.



Graduado em História pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e professor de história desde 1987, Duarte afirma sempre ter utilizado música em suas aulas. Foi a partir da sua experiência em classe que ele resolveu estudar até que ponto a linguagem musical auxilia no ensino da história e como professores e alunos que não possuem conhecimentos de linguagem musical conseguem trabalhá-la em sala de aula.



Para responder tais questionamentos, o pesquisador acompanhou durante o ano de 2007 as aulas de uma professora de história para alunos da quinta série da rede municipal de São Paulo. No ano seguinte, ele selecionou 8 dos alunos da turma, 4 meninos e 4 meninas. Ele os entrevistou para saber os seus gostos musicais e, principalmente, qual era a relação que eles faziam entre o conteúdo e as músicas apresentadas pela professora. “Nas entrevistas fiz o procedimento contrário ao que era feito na sala de aula. Apresentava pequenos textos que falavam sobre os conteúdos ensinados pela professora e perguntava o que aquilo os lembrava. Todos os alunos referiram-se às músicas ouvidas nas aulas e, de certa forma, isso os ajudava a lembrar partes do conteúdo”, afirma.



A partir dos estudos teóricos, da análise de campo e das entrevistas, Duarte chegou ao conceito de consciência musical. “A música forma um referencial de memória. Por isso existem as músicas que marcam a vida de uma pessoa”, afirma. Esse conceito é ligado à consciência histórica, que é a forma como a pessoa se posiciona perante a sociedade e os fatos históricos, dependendo da experiência de vida e das situações sociais e econômicas que ela vive.



Dentro da sala de aula, a música aproxima a memória individual do professor com a dos alunos. A maior parte da consciência musical não é criada na escola, mas vem do cotidiano familiar. Por isso é necessário que o professor contextualize as canções que mostre aos alunos e que se proponha a conhecer o que os alunos gostam de ouvir para haver maior empatia entre eles. “Nas aulas que analisei, toda sexta-feira um aluno levava um CD que ele gostava de ouvir em casa para a classe e a turma o escutava. Funcionava como se a professora dissesse ‘eu ouço a música de vocês, então vocês ouvem a minha’. Facilitava a aceitação dos alunos com as músicas passadas pela professora”, conta Duarte.



Música e realidade. O pesquisador retoma uma ideia de Arthur Schopenhauer, filósofo alemão do século 19, que diz que a música é o máximo da expressão artística, é a arte que mais se aproxima da realidade por ter maior carga emocional que as outras. “As pessoas são tocadas emocionalmente pela música. Por isso professores e alunos que não dominam a linguagem musical conseguem trabalhá-la em sala de aula”, explica. Segundo Duarte, mesmo aqueles que entendem de música são inicialmente atingidos pela emoção. “Só depois que a pessoa pode parar e pensar com o conhecimento técnico que ela tiver”.



O autor do trabalho afirma que a música é pouco utilizada em sala de aula. “Muitos professores têm medo de os alunos não receberem bem as músicas, acharem que são velhas, etc. Mas é preciso contextualizá-las com os alunos, criar empatia para elas serem bem utilizadas”, explica. Ele ainda diz que o professor que usa música em aula se torna um marco na vida dos alunos. “Eu encontro ex-alunos na rua que me cumprimentam e lembram de determinada música que foi passada em sala de aula. Eu mesmo, ao ouvir uma canção medieval na televisão, certa vez, lembrei que já a havia cantado na sexta série, na aula de um professor de Português que também era maestro, chamado Roberto Martins”, revela.
Fonte: usp.br




sexta-feira, 21 de outubro de 2011

ENGENHOS DE AÇÚCAR

Infográfico sobre os engenhos de açúcar do Brasil Colônia.
http://sites.unifra.br/Portals/17/Hist%C3%B3ria/Engenhos/engenho1.swf

A LEI DO VENTRE LIVRE

A Lei do Ventre Livre, também conhecida como “Lei Rio Branco” foi uma lei abolicionista, promulgada em 28 de setembro de 1871 (assinada pela Princesa Isabel). Esta lei considerava livre todos os filhos de mulher escravas nascidos a partir da data da lei.
Como seus pais continuariam escravos (a abolição total da escravidão só ocorreu em 1888 com a Lei Áurea), a lei estabelecia duas possibilidades para as crianças que nasciam livres. Poderiam ficar aos cuidados dos senhores até os 21 anos de idade ou entregues ao governo. O primeiro caso foi o mais comum e beneficiaria os senhores que poderiam usar a mão-de-obra destes “livres” até os 21 anos de idade.
A Lei do Ventre Livre tinha por objetivo principal possibilitar a transição, lenta e gradual, no Brasil do sistema de escravidão para o de mão-de-obra livre. Vale lembrar que o Brasil, desde meados do século XIX, vinha sofrendo fortes pressões da Inglaterra para abolir a escravidão.
Junto com a Lei dos Sexagenários, A Lei do Ventre Livre (1887),  serviu também para dar uma resposta, embora fraca, aos anseios do movimento abolicionista.

LEI Nº 2040 de 28.09.1871 - LEI DO VENTRE LIVRE
A Princesa Imperial Regente, em nome de S. M. o Imperador e Sr. D. Pedro II, faz saber a todos os cidadãos do Império que a Assembléia Geral decretou e ela sancionou a lei seguinte:
Art. 1.º - Os filhos de mulher escrava que nascerem no Império desde a data desta lei serão considerados de condição livre.
§ 1.º - Os ditos filhos menores ficarão em poder o sob a autoridade dos senhores de suas mães, os quais terão a obrigação de criá-los e tratá-los até a idade de oito anos completos. Chegando o filho da escrava a esta idade, o senhor da mãe terá opção, ou de receber do Estado a indenização de 600$000, ou de utilizar-se dos serviços do menor até a idade de 21 anos completos. No primeiro caso, o Govêrno receberá o menor e lhe dará destino,em conformidade da presente lei.
§ 6.º - Cessa a prestação dos serviços dos filhos das escravas antes do prazo marcado no § 1°. se por sentença do juízo criminal reconhecer-se que os senhores das mães os maltratam, infligindo-lhes castigos excessivos.
Art. 2.º - O govêrno poderá entregar a associações, por êle autorizadas, os filhos das escravas, nascidos desde a data desta lei, que sejam cedidos ou abandonados pelos senhores delas, ou tirados do poder dêstes em virtude do Art. 1.º- § 6º.
§ 1.º - As ditas associações terão direito aos serviços gratuitos dos menores até a idade de 21 anos completos, e poderão alugar êsses serviços, mas serão obrigadas:
1.º A criar e tratar os mesmos menores;
2.º A constituir para cada um dêles um pecúlio, consistente na quota que para êste fim fôr reservada nos respectivos estatutos;-
3.º A procurar-lhes, findo o tempo de serviço, apropriada colocação.
§ 2.º - A disposição dêste artigo é aplicável às Casas dos Expostos, e às pessoas a quem os juízes de órfãos encarregarem da educação dos ditos menores, na falta de associações ou estabelecimentos criados para tal fim.
§ 4.º - Fica salvo ao Govêrno o direito de mandar recolher os referidos menores aos estabelecimentos públicos, transferindo-se neste caso para o Estado as obrigações que o § 1.º impõe às associações autorizadas.
Art. 3.º - Serão anualmente libertados em cada província do Império tantos escravos quantos corresponderem à quota anualmente disponível do fundo destinado para a emancipação...
Art. 4.º - É permitido ao escravo a formação de um pecúlio com o que lhe provier de doações, legados e heranças, e com o que, por consentimento do senhor, obtiver do seu trabalho e economias. O govêrno providenciará nos regulamentos sôbre a colocação e segurança do mesmo pecúlio.
 1.º - Por morte do escravo, a metade do seu pecúlio pertencerá ao cônjuge sobrevivente, se o houver, e a outra metade se transmitirá aos seus herdeiros, na forma da lei civil. Na falta de herdeiros o pecúlio será adjudicado ao fundo de emancipação, de que trata o art. 3.º...
§ 4.º - O escravo que pertencer a condôminos e fôr libertado por um dêstes, terá direito a sua alforria indenizando os outros senhores da quota do valor que lhes pertencer. Esta indenização poderá ser paga com serviços prestados por prazo não maior de sete anos...
§ 7.º - Em qualquer caso de alienação ou transmissão de escravos, é proibido, sob pena de nulidade, separar os cônjuges e os filhos menores de doze anos do pai ou da mãe.
§ 8.º - Se a divisão de bens entre herdeiros ou sócios não comportar a reunião de uma família, e nenhum dêles preferir conservá-lo sob seu domínio, mediante reposição da quota, ou parte dos outros interessados, será a mesma família vendida e o seu produto rateado...
Art. 6.º - Serão declarados libertos:
§ 1.º - Os escravos pertencentes à nação, dando-lhes o govêrno a ocupação que julgar conveniente.
§ 2.º - Os escravos dados em usufruto à Coroa.
§ 3.º - Os escravos das heranças vagas.
§ 4.º - Os escravos abandonados por seus senhores. Se êstes os abandonarem por inválidos, serão obrigados a alimentá-los, salvo o caso de penúria, sendo os alimentos taxados pelo juiz de órfãos.
§ 5.º - Em geral, os escravos libertados em virtude desta lei ficam durante 5 anos sob a inspeção do govêrno. Êles são obrigados a contratar seus serviços sob pena de serem constrangidos, se viverem vadios, a trabalhar nos estabelecimentos públicos. Cessará, porém, o constrangimento do trabalho, sempre que o liberto exigir contrato de serviço.
Art. 8.º - O Govèrno mandará proceder à matrícula especial de todos os escravos existentes do Império, com declaração do nome, sexo, estado, aptidão para o trabalho e filiação de cada um, se fôr conhecida.
§ 1.º - O prazo em que deve começar e encerrar-se a matrícula será anunciado com a maior antecedência possível por meio de editais repetidos, nos quais será inserta a disposição do parágrafo seguinte.
§ 2.º - Os escravos que, por culpa ou omissão dos interessados não forem dados à matrícula, até um ano depois do encerramento desta, serão por êste fato considerados libertos.
§ 4.º - Serão também matriculados em livro distinto os filhos da mulher escrava, que por esta lei ficam livres. Incorrerão os senhores omissos, por negligência, na multa de 100$000 a 200$000, repetidas tantas vêzes quantos forem os indivíduos omitidos, e por fraude nas penas do ari. 179 do código criminal.
§ 5.º - Os párocos serão obrigados a ter livros especiais para o registro do nascimento e óbitos dos filhos de escravas, nascidos desde a data desta lei. Cada omissão sujeitará os párocos à multa de 100$000.
Art. 9.º - O Govêrno em seus regulamentos poderá impor multas até 100$000 e penas de prisão simples até um mês.
Art. 10º - Ficam revogadas as disposições em contrário. Manda, portanto, a tôdas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém. O Secretário de Estado de Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas a faça imprimir, publicar e correr.
Dada no Palácio do Rio de Janeiro, aos 28 de setembro de 1871, 50.º da Independência e do Império Princesa Imperial Regente - Teodoro Machado Freire Pereira da Silva.

A ALIENAÇÃO DO TRABALHADOR NA ERA INDUSTRIAL

Ao pensarmos na condição do trabalhador, podemos realizá-la de acordo com os mais variados contextos históricos e econômicos vivenciados nas mais diferentes sociedades. Contudo, ao observarmos essa mesma condição no desenvolvimento da Era Industrial, percebemos algumas especificidades que revelam claramente mudanças nunca antes observadas ao longo do tempo.
De acordo com o pensamento socialista, os trabalhadores dessa época experimentaram um terrível processo de alienação sobre o valor do trabalho que eles mesmos desenvolviam. Sob tal aspecto, percebemos que, antes da Revolução Industrial, os trabalhadores exerciam suas funções de modo independente e atuavam nas mais variadas etapas que envolviam a produção de uma determinada riqueza.
Nesse tipo de situação, os trabalhadores tinham plena consciência de quanto tempo, conhecimento e recursos envolviam a fabricação de um bem ou uma riqueza. Ao dominarem todas as etapas do processo de fabricação, reconheciam e determinavam o valor a ser pago pelas várias funções que desempenhavam. Ainda hoje, podemos ver que alguns artesãos e prestadores de serviço desfrutam dessa capacidade de reconhecimento.
Assim que as indústrias passaram a dominar o processo de produção, notamos que a tecnologia empregada não só determinava a redução dos custos e a ampliação dos lucros da empresa. Cada vez que novas máquinas eram criadas, milhares de trabalhadores eram dispensados das fábricas e aqueles que permaneciam eram designados a realizar uma mesma ação cada vez mais específica do processo de produção.
Vivenciando a rotina de uma função que poderia ser exercida por qualquer outra pessoa e percebendo a existência de vários desempregados interessados em exercer aquela mesma função, o operário concordava em receber um baixo salário pelo seu trabalho. Além disso, devemos destacar que esse operário não tinha mais ciência de todas as etapas que envolviam a riqueza que ele produzia. Na verdade, ele nem mesmo sabia quantificar quantas mercadorias ou qual o valor dos bens que produziu em uma jornada de trabalho.
É nessa situação específica que a alienação dos trabalhadores passou a ser reconhecida por aqueles que estudam o desenvolvimento da sociedade industrial. O trabalhador não está alienado ao valor da riqueza que produz devido a uma opção própria. Na verdade, ele se submete a essa situação por não mais ter acesso aos meios de produção (no caso, as máquinas) e também por exercer uma tarefa tão específica que não consegue mais projetar o preciso valor da riqueza que ele ajuda a criar.
Deste modo, reconhecemos uma situação que não se encerrou à realidade das primeiras décadas das sociedades industriais. Ao longo do tempo, a ampliação rápida dos recursos tecnológicos e a farta disponibilidade de mão de obra se mostram como situações vigentes em grandes centros urbanos ocupados por um grande número de trabalhadores que ganham uma remuneração aquém do valor de seu trabalho.
Rainer Sousa

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A PROCURA DA FELECIDADE


Superação a toda prova
Acreditem, é possível vencer! Nem mesmo os maiores obstáculos podem impedir os obstinados. Aqueles que realmente estão imbuídos de uma meta, atrás de objetivos claros e dispostos a suar a camisa atingem o triunfo. Há inúmeras histórias de pessoas comuns, como eu ou você que lê essas linhas nesse exato momento, que chegaram lá porque se dispuseram a ousar, a estudar, a planejar suas carreiras e vidas, a estruturar cada pequeno passo e a não demonstrar desânimo em nenhum momento de suas jornadas.
“À Procura da Felicidade”, estrelado pelo astro Will Smith e dirigido por Gabriele Muccino, nos coloca em contato com uma valiosa história de superação humana. Num cenário que poderia ser qualificado por muitos como um dos piores possíveis, um jovem pai aposta todas as suas fichas e cada um dos seus minguados centavos na concretização de um novo projeto profissional. Na esteira de tudo isso, abandonado pela esposa e assumindo plenamente suas responsabilidades paternas, o personagem come, literalmente, o “pão que o diabo amassou” para concretizar seus sonhos.
E o que podemos tirar de cada fotograma como experiência ou lição para nossas vidas? Muitas coisas. Por exemplo, que aprendemos tanto com os bons quanto com os maus acontecimentos de nossas existências. A decisão de ficar com seu filho de 5 ou 6 anos, contrariando as expectativas e a própria lei, demonstra o quanto a amarga experiência de ter sido abandonando ainda criança por seu pai marcaram o protagonista do filme, vivido por Smith.
Uma de suas falas/pensamentos indica com clareza o fato e demonstra que, sejam quais forem as dificuldades ou problemas que enfrente, a paternidade não é e jamais será vista ou entendida como empecilho ou drama pelo personagem. Isso abre espaço para mais uma importante consideração, ou seja, a de que a família, tão pouco considerada e valorizada ultimamente é, com certeza, a célula-mater da sociedade e uma das garantias para o desenvolvimento saudável (em todos os sentidos) de pais e filhos.
Isso também é perceptível com facilidade ao longo do filme quando vemos que, mesmo quando o dinheiro é curtíssimo ou inexistente, ainda que não exista um teto ou comida no prato, a presença e a troca de afeto entre pai e filho garantem tanto para o mais velho quanto para o mais novo, alguma sensação de segurança e de estabilidade.
Essas são apenas lições paralelas ao tema principal do filme, mas que não apenas alimentam a trama (baseada em fatos reais), como também nos levam a crer o quão fidedignos e verdadeiros nos parecem todos os acontecimentos ali descritos. A riqueza da história também reside no fato de que nos identificamos com os personagens e sabemos que tudo aquilo poderia acontecer com qualquer um de nós.
O fio principal que conduz a película é, no entanto, a capacidade de superação, a garra, a fibra e todo o empenho demonstrados pelo personagem de Smith para conseguir atingir seus objetivos profissionais. Uma carreira e não um emprego é o que busca o protagonista e, creiam, há uma diferença muito grande entre ambos. Para entender melhor o que quero dizer com isso, ouse assistir e se emocionar com essa bela história da vida real e, como muitos espectadores, passe a acreditar e lutar você também pelos seus sonhos...
O Filme
Vender scanners portáteis que realizam vários exames médicos em hospitais pareceu para Chris Gardner (Will Smith, indicado ao Oscar por sua interpretação) e sua esposa Linda (Thandie Newton) um ótimo negócio. Por esse motivo o casal investiu todas as suas economias na aquisição de várias unidades do aparelho e Chris tornou-se vendedor.
Batia de hospital em hospital, visitava clínicas, tentava negociar o equipamento com administradores hospitalares e médicos todos os dias, sem jamais demonstrar cansaço ou desânimo, ainda que os resultados obtidos fossem muito ruins... Passaram-se alguns longos e penosos meses durante os quais Gardner não conseguiu negociar nenhum equipamento. Com isso o dinheiro ficou cada vez mais curto e as contas foram se acumulando: o aluguel, impostos, a água, o telefone, a gasolina,...
O salário de sua esposa era baixo e somente pagava aquilo que era mais imediato. A paciência dela também era curta e, depois de algum tempo, se esgotou completamente. Veio a separação e o abandono do lar pela jovem, em busca de uma melhor perspectiva de vida, que não via ao lado do marido, a quem considerava um perdedor...
Mas a família não se restringia aos dois... Entre eles havia ainda o pequeno Christopher (Jaden Smith, filho de Will Smith na vida real) e suas necessidades, como a creche, a alimentação, as roupas, a higiene, a saúde,... A mãe até quis levar o garoto de 5 ou 6 anos com ela, mas do menino o pai não abriu mão, apesar das dificuldades que a vida lhe apresentava...
A gota d’água para a separação foi a decisão de Chris de tentar uma nova profissão. Queria tornar-se corretor na bolsa de valores, trabalhar numa boa corretora e, como alguns profissionais da área que tivera a oportunidade de observar, ganhar algum dinheiro, segurança e estabilidade.
Nada demais num belo sonho como esse, não acham? Só que para que isso pudesse acontecer, Chris teria que se tornar estagiário de uma firma durante 3 meses, sem qualquer remuneração ou garantia de que poderia ficar com o emprego ao final, posição profissional que estaria disputando com mais algumas dezenas de candidatos... Se não bastasse isso, sem dinheiro, prestes a ser despejado pelo seu senhorio, tendo seu filho a tiracolo e com seu carro tendo sido apreendido pelas autoridades, assim como o que ainda restava de seu saldo bancário, cabia o questionamento: Como encontrar a felicidade?
Fonte: CineWeb.




MAPA DAS CAPITANIAS HEREDITÁRIAS

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

CAMPANHA CIVILISTA

Campanha civilista é o nome pelo qual ficou conhecida a participação do baiano Rui Barbosa na corrida presidencial de 1910, contra o marechal Hermes da Fonseca.

A campanha civilista representou a primeira grande fissura na
política do café-com-leite. Afinal, em 1910, ao contrário de boa parte das disputas que ocorreram durante a República Velha
, Minas Gerais e São Paulo estiveram em lados opostos.

A desavença se formou, de um lado, por divergências na política mineira e, de outro, pela tentativa do Rio Grande do Sul de ocupar um lugar de destaque no cenário nacional, fugindo da divisão instituída pela
política dos governadores. A morte do presidente Afonso Penna só aprofundaria a evolução de uma crise política que culminou no retorno dos militares ao poder.
As divergências em Minas
Afonso Pena abriu o debate em torno da sucessão presidencial ainda em 1908, dois anos antes do encerramento de seu mandato. O candidato preferido para substituí-lo - com o devido apoio da oligarquia paulista - era o então governador de Minas Gerais, João Pinheiro. Porém, a morte repentina do governador deu início à crise política que se aprofundaria em 1909.

Com o falecimento de João Pinheiro, Afonso Pena decidiu apoiar seu ministro da Fazenda, Davi Campista, para a disputa pela presidência. Campista, entretanto, ao contrário de Pinheiro, não era um nome de consenso entre os políticos mineiros, desfrutando de pouco prestígio junto às lideranças do estado.

Fora de Minas, Rui Barbosa, da Bahia, e
Hermes da Fonseca
, do Rio Grande do Sul, despontavam como possíveis candidatos à sucessão de Afonso Pena, que insistia na indicação de Campista. O senador Pinheiro Machado, importante liderança gaúcha da época, chegou a levar uma lista de nomes para ser analisada pelo presidente, cuja opção por Campista continuava inabalável.

Os gaúchos, que inicialmente tencionaram apoiar Rui Barbosa, nome que integrava a lista apresentada a Afonso Pena, acabaram, face à negativa presidencial, aprovando o nome de Hermes da Fonseca. A opção pela candidatura militar, tida como secundária a princípio, ganhou força diante de um possível embate contra o governo federal. Era uma tentativa, portanto, de ganhar o apoio das Forças Armadas, afastadas do poder central desde o governo
Floriano Peixoto
.

De outro lado, a base do governo no Congresso Nacional se corroía rapidamente, a ponto de a maior parte das lideranças mineiras ter apoiado a indicação do governador do estado,
Wenceslau Brás, para vice na chapa encabeçada por Hermes da Fonseca. Com isso, Afonso Pena ficou cada vez mais enfraquecido diante de sua bancada, que não se mostrou solidária à candidatura de Davi Campista.
A posição de São Paulo
Com a oficialização da chapa Hermes-Wenceslau, em maio de 1909, São Paulo viu-se diante de uma difícil situação. Afinal, àquela altura, ligar-se ao bloco mineiro e gaúcho significaria ter que dividir a vitória com aqueles estados e, o que era pior, assumir um papel secundário numa campanha em que os paulistas não figuravam como a principal força política.

Embora, inicialmente, não tivesse apoiado o nome de Campista, o ministro não era propriamente um nome estranho à oligarquia de São Paulo. Fora exatamente sob a sua gestão na Fazenda que se concretizara a primeira política de valorização do café, acertada no
Convênio de Taubaté
, em 1906.

Aliada de Afonso Pena, a oligarquia paulista vislumbrava um recuo da base mineira no Congresso Nacional e a indicação do ungido do presidente. Esse objetivo, porém, fracassou. Líderes do Partido Republicano Paulista (PRP) pressionaram o presidente para que aceitasse o pedido de demissão de Hermes da Fonseca - na época, ministro da Guerra - e nomeasse outro militar para o cargo, na tentativa de dividir as Forças Armadas.
Morre o presidente da República
No dia 14 de junho de 1909, em meio à crise sucessória, o presidente Afonso Pena faleceu, sendo substituído pelo vice, Nilo Peçanha, que completaria o mandato. Nilo, ligado a Pinheiro Machado e inimigo do presidente morto, abriu definitivamente o caminho para a candidatura de Hermes da Fonseca.

Ao mesmo tempo, algumas correntes do PRP, marginalizadas dentro do partido e dos rumos da política paulista, declararam seu apoio ao candidato oficial. À oligarquia de São Paulo não restou outra alternativa viável a não ser apoiar o nome da oposição que mais se destacava no quadro sucessório: Rui Barbosa.

Assim, a campanha de 1910 colocou, de um lado, Rio Grande do Sul e Minas Gerais e, de outro, Bahia e São Paulo. A candidatura civil de Rui, em oposição ao militar Hermes da Fonseca, deu nome à sua campanha: a campanha civilista. Pela primeira vez na história republicana, um candidato à presidência percorreu vários pontos do país em busca de votos. O empenho de recursos dos cafeicultores paulistas certamente viabilizou a estratégia oposicionista.

No final, porém, Hermes da Fonseca sagrou-se vencedor, embora a oposição, que quase sempre recebia poucos votos, tivesse conquistado um resultado expressivo. A chapa oficial recebeu cerca de 403 mil votos, enquanto o candidato oposicionista terminou com pouco mais de 222 mil. Rui Barbosa, entretanto, mostrara a força que o movimento civilista havia alcançado ao obter mais votos que Hermes em importantes capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador - sua cidade natal.
Vitor Amorim de Angelo.

NOITE DAS GARRAFADAS

Portugueses e brasileiros entram em conflito
 A noite das garrafadas - como ficou conhecido o conflito envolvendo portugueses que apoiavam d. Pedro 1° e brasileiros que faziam oposição ao imperador - foi um dos principais acontecimentos do período imediatamente anterior à abdicação do monarca, em abril de 1831. O conflito, que ocorreu nas ruas do Rio de Janeiro no dia 13 de março de 1831, levou esse nome pelo fato de os brasileiros terem utilizado pedras e garrafas para atacar os portugueses.
A relação entre portugueses e brasileiros
Como colônia de Portugal, o Brasil sempre abrigou muitos lusitanos, que freqüentemente ocupavam postos de destaque na vida política brasileira. Tal situação não se modificara com a volta de d. João 6° para a Europa. Afinal, embora tenha retornado à sede da Casa de Bragança, o rei deixara no Brasil seu filho, um português, como príncipe regente.

A
proclamação da independência também não modificou esse quadro, uma vez que o primeiro imperador do Brasil havia nascido em Portugal. Seus ministros eram portugueses, assim como os principais burocratas do governo, a oficialidade militar e os grandes comerciantes. Ou seja, o 7 de setembro representou mais uma continuidade do que uma ruptura, o que viria a ocorrer apenas em 1831, com a abdicação de d. Pedro 1° ao trono.

O imperador freqüentemente se envolvia em assuntos ligados à vida política de Portugal. Esse foi o caso, por exemplo, do conflito em torno da sucessão portuguesa, em 1826, após a morte de d. João 6°. Havia certa desconfiança de que d. Pedro 1° pudesse, de alguma forma, tentar unir novamente Portugal e Brasil - talvez como um
reino unido, tal como em 1815.

Ao mesmo tempo, o imperador vinha assumindo uma postura bastante autoritária. Em 1823, diante dos limites impostos pela Assembléia Nacional Constituinte quanto à concessão de títulos de nobreza pelo imperador, d. Pedro 1° decidiu fechá-la, impondo, já no ano seguinte, uma Constituição - a primeira do Brasil.

A relação do imperador com a Assembléia, na verdade, expressava a tensão que existia entre portugueses e brasileiros, sobretudo o grupo mais radical. Isso porque setores conservadores, com freqüência, agiam em parceria com o partido português. Receosos de que o avanço dos grupos radicais pudesse levar a reformas - talvez a um governo republicano -, liberais moderados e portugueses se uniram em torno da figura de d. Pedro 1°.
As críticas da imprensa
A tensão, porém, ampliou-se para a imprensa e, de lá, para as ruas, culminando na noite das garrafadas, em 13 de março de 1831.

Com a abertura dos trabalhos legislativos, em 1826, os liberais exaltados passaram a fazer oposição sistemática ao imperador. Convocavam ministros para prestar esclarecimentos, abriam inquéritos contra auxiliares de d. Pedro 1° e criticavam as ações do imperador.

Na mesma linha, a imprensa atacava de maneira contundente o governo brasileiro. Diante das críticas, o monarca chegou até mesmo a mandar processar o jornalista Borges da Fonseca. Entretanto, o assassinato de outro jornalista,
Líbero Badaró, em novembro de 1830, levantou a suspeita de que sua morte teria sido encomendada por d. Pedro 1° - alvo preferido dos artigos de Badaró.

Com a situação cada vez mais radicalizada, o imperador decidiu fazer uma série de viagens pelas províncias, na tentativa de diminuir a oposição a seu governo. O primeiro destino, Ouro Preto, em Minas Gerais, foi um verdadeiro fracasso. D. Pedro 1° foi hostilizado pela população da cidade, que fechava as portas, em sinal de protesto, quando passava a comitiva imperial.

Os portugueses residentes no Rio de Janeiro, então, decidiram fazer uma grande festa em apoio ao imperador, que retornava de Ouro Preto. A festividade lusitana, em contraste com o clima de acirramento político, o assassinato de Líbero Badaró e o autoritarismo do imperador, só agravaram a situação. Na noite do dia 13, o conflito chegou às ruas quando brasileiros, de pedras e garrafas nas mãos, atacaram os portugueses.
Vitor Amorim de Angelo.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

CICLO DO OURO

No final do século XVII, as exportações de açúcar brasileiro (produzido nos engenhos do nordeste) começaram a diminuir. Isto ocorreu, pois a Holanda havia começado a produzir este produto nas ilhas da América Central. Com preços mais baixos e boa qualidade, o mercado consumidor europeu passou a dar preferência para o açúcar holandês.
Crise do açúcar e a descoberta das minas de ouro
Esta crise no mercado de açúcar brasileiro, colocou Portugal numa situação de buscar novas fontes de renda, pois, como sabemos, os portugueses lucravam muito com taxas e impostos cobrados no Brasil. Foi neste contexto que os bandeirantes, no final do século XVII, começaram a encontrar minas de ouro em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Portugal viu nesta atividade uma nova fonte de renda.
A descoberta de ouro no Brasil provocou uma verdadeira “corrida do ouro”, durante todo século XVIII (auge do ciclo do ouro). Brasileiros de todas as partes, e até mesmo portugueses, passaram a migrar para as regiões auríferas, buscando o enriquecimento rápido. Doce ilusão, pois a exploração de minas de ouro dependia de altos investimentos em mão-de-obra (escravos africanos), equipamentos e compra de terrenos. Somente os grandes proprietários rurais e grandes comerciantes conseguiram investir neste lucrativo mercado.
Cobrança de impostos
A coroa portuguesa lucrava com a cobrança de taxas e impostos. Quem encontrava ouro na colônia deveria pagar o quinto. Este imposto era cobrado nas Casas de Fundição (órgão do governo português), que derretia o ouro, transformava-o em barras (com o selo da coroa portuguesa) e retirava 20% (um quinto) para ser enviado para Portugal. Este era o procedimento legal e exigido pela coroa portuguesa, porém, muitos sonegavam mesmo correndo riscos de prisão ou outras punições mais sérias como, por exemplo, o degredo.
Além do quinto, Portugal cobrava de cada região aurífera uma certa quantidade de ouro (aproximadamente 1000 kg anuais). Quando esta taxa não era paga, havia a execução da derrama. Neste caso, soldados entravam nas residências e retiravam os bens dos moradores até completar o valor devido. Esta cobrança gerou muito revolta entre a população.
Mudança da capital
Com a exploração do ouro, a região Sudeste desenvolveu-se muito, enquanto o Nordeste começou a entrar em crise. Neste contexto, a coroa portuguesa resolveu mudar a capital da colônia de Salvador para o Rio de Janeiro. Desta forma, pretendia deixar a capital próxima ao novo pólo de desenvolvimento econômico.
 Desenvolvimento das cidades
Nas regiões auríferas, várias cidades cresceram e muitas surgiram neste período. A vida nas cidades dinamizou-se, fazendo surgir novas profissões e aumentando as atividades comerciais, sociais e de trabalho. Teatros, escolas, igrejas e órgãos públicos foram criados nestas cidades. Vila Rica (atual Ouro Preto), Mariana, Tiradentes e São João Del Rei foram algumas das cidades que mais se desenvolveram nesta época.
Revoltas
As cobranças excessivas de impostos, as punições e a fiscalização da coroa portuguesa provocaram reações na população. Várias revoltas ocorreram neste período. Podemos citar a Revolta de Felipe de Santos, que era contrário ao funcionamento das Casas de Fundição. A própria Inconfidência Mineira (1789) surgiu da insatisfação com as atitudes da metrópole. Liderados por Tiradentes, os inconfidentes planejavam tornar o Brasil independente de Portugal, livrando o país do controle metropolitano. Apesar de ter sido sufocada, a Inconfidência Mineira tornou-se o símbolo da resistência brasileira.
Fonte: Sua Pesquisa.

A ÚLTIMA CEIA


A Última Ceia (em italiano L'Ultima Cena e também Il Cenacolo) é um afresco de Leonardo da Vinci para a igreja de seu protetor, o Duque Lodovico Sforza. Representa a cena da última ceia de Jesus com os apóstolos, antes de ser preso e crucificado como descreve a Bíblia. É um dos maiores bens conhecidos e estimados do mundo.
O trabalho se encontra no convento de Santa Maria delle Grazie em Milão que o Duque mandou construir para, entre outras coisas, servir de lugar para sepultar seus familiares. O tema era uma tradição para refeitórios, mas a interpretação de Leonardo deu um maior realismo e profundidade ao lugar.
Leonardo da Vinci passou grande parte destes três anos dando atenção integral a esta pintura o que era fato raro para um pintor versátil e do seu quilate.
 Parcialmente pintada na forma tradicional de um afresco com pigmentos misturados com gema de ovo ao reboco úmido incluindo também um veículo de óleo ou verniz. Da Vinci testou uma nova técnica à solução das tintas com predominância da têmpera, não sendo muito feliz.
Quando o Leonardo escolhe essa pintura, que está baseada em João 13:21, no qual Jesus anuncia aos doze apóstolos que alguém, entre eles, o trairia. Essa pintura, na história evangélica, é considerada a mais dramática de todas.
Ao centro, o Cristo é representado com os braços abertos, em um gesto de resignação tranquila, formando o eixo central da composição. São representadas as figuras dos discípulos em um ambiente que, do ponto de vista de perspectiva, é exato.
Os apóstolos se agrupam em quatro grupos de três, deixando Cristo relativamente isolado ao centro. Da esquerda para a direita (do ponto de vista de quem está diante da pintura), segundo as cabeças, estão no primeiro grupo: Bartolomeu, Tiago Menor e André; no segundo grupo Judas Iscariotes (cabelo branco inclinado contra o suposto João), Simão Pedro e João, este o único imberbe do grupo; Cristo ao centro; Tomé, Tiago Maior e Filipe (este também imberbe) e no quarto grupo estão Mateus (aparentemente com barba rala), Judas Jesus e Simão Cananeu também chamado de Simão, o Zelote, por último. Estas identificações provêm de um manuscrito autógrafo de Leonardo encontrado no século XIX.
Cogita-se que o rosto de Judas representado na pintura retrataria Girolamo Savonarola, padre Dominicano que governou Florença e que foi executado por ordem do Papa Alexandre VI em 1498.
Fonte de Texto: Wikipédia.