segunda-feira, 28 de novembro de 2011

ARCA DE NOÉ

A Arca de Noé era, segundo a religião abraâmica, um grande navio construído por Noé, a mando de Deus, para salvar a si mesmo, sua família e um casal de cada espécie de animais do mundo, antes que viesse o Grande Dilúvio da Bíblia. A história é contada em Gênesis 6-12, assim como no Alcorão e em outras fontes.
Conforme a tradição bíblica, Deus decidiu destruir o mundo por causa da perversidade humana, mas poupou Noé, o único homem justo da Terra em sua geração, mandando-lhe construir uma arca para salvar sua família e representantes de todos os animais e aves. A certa altura, Deus se lembrou de Noé e interrompeu o Dilúvio, fazendo as águas recuarem e as terras secarem. A história termina com um pacto entre Deus e Noé, assim como com sua descendência.
Essa história tem sido amplamente discutida nas religiões abrâmicas, surgindo comentários que vão do prático (como Noé teria eliminado os resíduos animais?) ao alegórico (a arca representa a Igreja como salvadora da Humanidade em decadência). A partir do século I, vários detalhes da arca e da inundação foram examinados, questionados e até colocados em dúvida por estudiosos cristãos e judeus.
Mas, no século XIX, o desenvolvimento da Geologia e da Biogeografia tornaram difícil sustentar uma interpretação literal da história. A partir de então, os críticos da Bíblia mudaram sua atenção para a origem e os propósitos seculares da arca; no entanto, os intérpretes literais da Bíblia continuam a ver a história narrada como chave para sua compreensão da Bíblia e agora exploram a região das montanhas do Ararat, no nordeste da Turquia, onde a arca estaria descansando.
A história de Arca de Noé, de acordo com os capítulos 6 a 9 do livro do Gênesis, começa com Deus observando o mau comportamento da Humanidade e decidido a inundar a terra e destruir toda vida. Porém, Deus encontrou um bom homem, Noé, "um virtuoso homem, inocente entre o povo de seu tempo", e decidiu que este iria preceder uma nova linhagem do homem. Deus disse a Noé para fazer uma arca e levar com ele a esposa e seus filhos Shem, Ham e Japheth, e suas esposas. E, de todas as espécies de seres vivos existentes então, levar para a arca dois exemplares, macho e fêmea. A fim de fornecer seu sustento, disse para trazer e armazenar alimentos.
Noé, sua família e os animais entraram na arca e "no mesmo dia foram quebrados todos os fundamentos da grande profundidade e as janelas do céu foram abertas, e a chuva caiu sobre a terra por quarenta dias e quarenta noites". A inundação cobriu mesmo as mais altas montanhas por mais de seis metros (20 pés), e todas as criaturas morreram; apenas Noé e aqueles que com ele estavam sobre a arca ficaram vivos. A história do Dilúvio é considerada por vários estudiosos modernos como um sistema de dois contos ligeiramente diferentes, entrelaçados, daí a aparente incerteza quanto à duração da inundação (quarenta ou cento e cinquenta dias) e o número de animais colocados a bordo da arca (dois de cada espécie, ou sete pares de alguns tipos) .
Eventualmente, a arca veio a descansar sobre o Monte Ararat. As águas começaram a diminuir e os topos das montanhas emergiram. Noé enviou um corvo, que "voou de um lado a outro até que as águas recuaram a partir da terra". Em seguida, Noé enviou uma pomba, mas ela retornou à arca sem ter encontrado nenhum lugar para pousar. Depois de mais sete dias, Noé novamente enviou a pomba e ela voltou com uma folha de oliva no seu bico e então ele soube que as águas tinham abrandado.
Noé esperou mais sete dias e enviou a pomba mais uma vez, e desta vez ela não retornou. Em seguida, ele e sua família e todos os animais saíram da arca e Noé fez um sacrifício a Deus, e Deus resolveu que nunca mais lançaria maldição à terra por causa do homem, nem iria destruí-la novamente dessa maneira.
A fim de se lembrar dessa promessa, Deus colocou o Arco da Aliança nas nuvens, dizendo: "Sempre que houver nuvens sobre a terra e o arco aparecer nas nuvens, eu me lembrarei da eterna aliança entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies sobre a terra".


IRACEMA

A obra de José de Alencar conta a história de amor vivida por Martin, um português, e Iracema uma índia tabajara. Eles apaixonaram-se quase que à primeira vista. Devido a diferença etnica, por Iracema ser filha do pajé da tribo e por Irapuã gostar dela, a única solução para ficarem juntos, é a fuga. Ajudados por Poti, Iracema e Martim, fogem do campo dos tabajaras, e passam a morar na tribo de Poti (Pitiguara). Isso faz com que Iracema sofra, mas seu amor por Martim é tão mais forte, que logo ela se acostuma, ou pelo menos, não deixa transparecer. A fuga de Iracema faz com que uma nova batalha seja travada entre os tabjaras e os pituguaras. Pois Arapuã quer se vingar de Martin, que "roubou" Iracema, mas Mertim é amigo de Poti, índio pitiguara, que irá protegê-lo.
Além disso, a tribo tabajara alia-se com os franceses que lutam contra os portugueses, que são aliados dos pitiguaras, pela posse do território brasileiro. Com o passar do tempo, Martim começa a sentir falta das pessoas que deixou em sua pátria, e acaba distanciando-se de Iracema. Esta, por sua vez, já grávida, sofre muito percebendo a tristeza do amado. Sabendo que é o motivo do sofrimento de Martim, ela resolve morrer depois que der à luz ao filho. Sabendo da ausência de Martim, Caubí, irmão de Iracema, vai visitá-la e dia que já a perdoou por ter fugido e dado às costas à sua tribo. Acaba conhecendo o sobrinho, e promete fazer visistas regulares aos dois.
Conta que Araquém, pai de Iracema, está muito velho e mal de saúde, devido à fuga de Iracema. Justo no período que Martim não está na aldeia, Iracema dá luz ao filho, ao qual dá o nome de Moacir. Sofrendo muito, não se alimentando, e por ter dado à luz recentemente, Iracema não suporta mais viver e acaba morrendo logo após entregar o filho à Martim. Iracema é enterrada ao pé de um coqueiro, na borda de um rio, o qual mais tarde seria batizzado de Ceará, e que daria também nome à região banhada por este rio. Ao meio desta bela história de amor, estão os conflitos tribais, intensificados pela intervenção dos brancos, peocupados apenas em conquistar mais territórios e dominar os indígenas.



quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A NOBREZA FEUDAL

Os nobres compunham a classe social detentora das forças militares e de uma parcela considerável das terras disponíveis no mundo feudal. Mediante essas prerrogativas, ocupavam junto ao clero importantes funções políticas que marcaram o período. Além disso, vemos que no interior dessa classe havia uma hierarquia que nos revela as distinções e papéis sociais que um membro da classe nobiliárquica poderia vir a assumir.
Na alta nobreza, temos a presença dos príncipes, arquiduques, duques, marqueses e condes. Os pertencentes a esse subgrupo da nobreza correspondiam aos grandes proprietários de terra que possuíam forte influência política e amealhavam sua autoridade sobre um considerável número de vassalos. Em muitos casos, tendo em vista a amplitude de sua influência, um membro da alta nobreza teria mais importância do que o próprio rei.
Entre os proprietários de menor expressão, podemos destacar a presença dos viscondes, barões e cavaleiros. Os cavaleiros eram os sujeitos que melhor exprimiam a organização militar estabelecida ao longo do período medieval. Quando possuía terras, o cavaleiro tinha condições para se dedicar unicamente ao aprimoramento de suas técnicas de luta e a utilização das armas. Em outros casos, o cavaleiro se submetia ao poder de um senhor feudal em troca de algum benefício que lhe provesse sustento.
Além de compor um dos sustentáculos da sociedade feudal, o cavaleiro acabou também influenciando na cultura de sua época. No interior da literatura medieval, podemos ver que diversas canções de gesta e romances épicos exploravam o heroísmo lendário e os valores morais dessa figura. No século XII, as histórias do rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda imortalizaram o senso de justiça e o espírito de aventura de personagens ficcionais como Lancelot e Tristão.
Rainer Sousa


terça-feira, 22 de novembro de 2011

A CRISE PRÉ-REVOLUCIONÁRIA FRANCESA

Nos anos de 1780, a França vivenciava uma série de conturbações marcadas por grandes revoltas nos campos e nas cidades. Enquanto os trabalhadores assalariados e os camponeses promoviam diversos levantes por todo o país, a burguesia se via ameaçada pela invasão de produtos estrangeiros com qualidade e preço mais competitivos que os franceses. Dessa forma, a burguesia precisava de incentivos que recuperassem sua força econômica e as camadas populares se desesperavam com a alta dos alimentos.
Em meio às inundações, desemprego, secas e falências, alguns membros do próprio governo francês tentaram alertar sobre a necessidade de uma ampla reforma fiscal. Em linhas gerias, esses reformistas defendiam a necessidade do clero e da nobreza passarem a contribuir com o pagamento de impostos válidos a toda a população. No entanto, a tentativa de nivelamento fiscal foi completamente barrada pelos representantes da aristocracia francesa.
O rei pretendia realizar uma reforma fiscal sem abalar os interesses do clero e da nobreza. Com isso, o peso financeiro da reforma recairia todo sobre as costas dos trabalhadores e da burguesia. No entanto, essa transformação do sistema fiscal deveria ser aprovada por um Parlamento que tinha o poder de vetar, julgar ou reconhecer alguns pedidos feitos pela autoridade real. Nesse momento, rei e Parlamento enfrentaram uma crise política que só poderia ser contornada com a conclamação dos Estados Gerais.
Sem alternativa, Luis XVI, então rei da França, incumbiu o recém-empossado ministro Jacques Necker para realizar a convocação dos Estados Gerais. Essa instituição, que não era convocada desde 1614, era um tipo de assembléia formada por um processo eleitoral dividido em duas fases. Na primeira fase, toda a população votava em uma série de representantes políticos que, posteriormente, escolheriam os participantes definitivos da assembléia dos Estados-Gerais.
Com o fim das eleições, a Assembléia ficou organizada da seguinte forma: o Primeiro Estado com 291 representantes, o Segundo com 270 e o Terceiro com expressivos 578 deputados. Mediante essa situação, a possibilidade de transformação política se tornava cada vez mais palpável. Não por acaso, os numerosos representantes do Terceiro Estado exigiram que o processo de votação das leis fosse feito “por cabeça” e não “por Estado”, conforme estabelecido pelas antigas normas.
Na perspectiva dos integrantes do Terceiro Estado, somente a votação individual poderia materializar as urgentes mudanças necessárias. Partindo do pressuposto que clero e nobreza tinham muitos interesses em comum, seria praticamente impossível vencê-los em um sistema de votação por Estado. Mediante o apoio de alguns dissidentes dos outros Estados, essa exigência foi atendida e, a partir de então, se dava início aos trabalhos dos Estados Gerais.
Percebendo o conflito de interesses que se consolidaria com o Terceiro Estado, o rei Luis XVI tentou dissolver a assembléia convocada ao impedir a reunião dos deputados na sala onde aconteciam as sessões. Inconformados mediante a intransigência real, os membros do Terceiro Estado se reuniram separadamente, em junho de 1789, no “Salão da Péla”. Nessa reunião improvisada realizaram um juramento onde se comprometiam a ficarem juntos até que fosse elaborada uma nova constituição para a França.
Com isso, a reunião dos Estados-Gerais se transformou em uma Assembléia Nacional Constituinte. Pressionado com tal ato de hostilidade ao interesse monárquico, o rei Luis XVI reconheceu as novas atribuições assumidas pelos Estados-Gerais. Contudo, resolveu pressionar seus integrantes com a demissão de Necker e a convocação do conservador barão de Bretevil para o ministério das finanças.
A postura inflexível de Luis XVI acirrou ainda mais os ânimos dos deputados e do restante da população francesa. Em resposta, vários dos habitantes da cidade de Paris, que consideravam Necker um patriota, decidiram tomar as ruas da capital francesa em sinal de desaprovação às atitudes de Luis XVI. O auge dessas agitações aconteceu em 14 de julho de 1789, quando a população tomou a fortaleza da Bastinha com o objetivo de buscar armas e a conseqüente libertação dos inimigos da monarquia.
Com a queda da Bastilha, um dos mais importantes símbolos da autoridade monárquica, era dada a largada para os acontecimentos que marcariam a Revolução Francesa.
Rainer Sousa

AMADEUS

Filmes de época são verdadeiros desafios para os cineastas. Quando se trata de falar a respeito de personagens históricos de vulto e destaque, o trabalho é dobrado e os resultados obtidos nem sempre são satisfatórios. Se o personagem em questão é cercado de uma certa aura de genialidade e de muita polêmica, o filme pode se tornar uma dor de cabeça para o resto da vida do ousado diretor que resolver bancar essa produção...
Milos Forman resolveu encarar todas essas dificuldades e, para completar, escolheu como tema de seu filme um personagem muito conhecido por sua genial produção artística e de quem pouco se sabia da vida pessoal, Wolfgang Amadeus Mozart. Nem mesmo seu principal oponente, aquele que ao longo de todo o filme faz a narração da história da vida de Mozart, o também compositor Antônio Salieri, era conhecido fora dos círculos de pessoas letradas em música clássica.
Apresentar um dos maiores compositores de todos os tempos mostrando ao grande público comportamentos nada dignos para uma virtuose musical fez com que o filme se tornasse um dos maiores sucessos de público e crítica do início dos anos 1980. “Amadeus” arrebatou oito Oscars (entre os quais o de melhor filme, diretor, ator e roteiro adaptado) e outros prêmios de destaque no cenário internacional cinematográfico (como Globos de Ouro, Baftas e o César).
Torna-se um filme digno de ser visto pela caprichada reprodução de época (figurinos, cenografia e locações dão ao espectador a possibilidade de, literalmente, visitar a Viena do século XVIII), pelo fundo musical composto com as obras de Mozart e pela possibilidade de ver como os maiores expoentes de qualquer setor de produção cultural, política, econômica ou esportiva são, antes de tudo, meros mortais apesar de suas grandes obras.
Invariavelmente olhamos para nossos ídolos, sejam eles músicos ou atores, jogadores de futebol ou artistas plásticos, políticos ou escritores e criamos ao redor dos mesmos uma aura que os coloca alguns patamares acima dos demais membros da coletividade humana que habita esse planeta. Sem jamais desmerecer suas realizações, várias delas imortais por suas qualidades reconhecidas e inexoráveis (nem o tempo é capaz de corroê-las), não devemos olhar para as pessoas que os realizaram imaginando-os imortais membros de um Olimpo terrestre.
Acho notável quando as pessoas falam de Pelé, por exemplo, atribuindo-lhe todos os adjetivos possíveis e conhecidos para identificar seus gols e jogadas como obras de um mestre inigualável no futebol e, ao mesmo tempo, conseguem percebê-lo como o brasileiro Édson Arantes do Nascimento, capaz de acertos e erros na vida cotidiana como qualquer um de nós...
“Amadeus” presta um grande serviço à coletividade ao colocar Mozart no panteão dos imortais da música clássica ao mesmo tempo em que nos mostra todas as heresias e pequenezas da alma daquele grande artista...
O filme
Salieri (F. Murray Abraham, em interpretação inspirada), um esforçado compositor da Viena do século XVIII, revela ao ser internado num manicômio que é o responsável direto pela morte de Mozart (Tom Hulce, em seu melhor momento). Isolado num pequeno cômodo desse sanatório, conta em detalhes para um padre a complexa e contraditória história de amor e ódio que se estabeleceu em sua relação com aquele que considerava como sendo a autêntica expressão da voz de Deus na terra.
Mozart era um prodígio desde criança. Tutorado pelo próprio pai, chegou a tocar para os reis da Áustria antes de completar 10 anos e, ainda em sua fase infantil compôs suas primeiras músicas. Apesar de todo o seu talento e da constante supervisão de seu pai, ao se tornar adulto, mostrava-se irrequieto e muito afeito aos prazeres mundanos, envolvendo-se freqüentemente com mulheres, bebidas e festas.
Seu alter ego era Salieri. Enquanto Mozart parecia amar a vida e todos os prazeres que ela podia lhe oferecer, o estudioso Salieri só tinha olhos para a música. Acompanhava a evolução dos acontecimentos no setor com toda a avidez e interesse que os verdadeiros apaixonados devotam ao amor de suas vidas. Conhecia a obra dos principais compositores da história. Estava vivendo no centro musical mais desenvolvido de sua época, apoiado por uma nobreza ilustrada e interessada em investir em cultura. Havia ascendido a cargos importantes e poderia, enfim, conhecer aquele a quem mais considerava genial na arte que tanto prezava, Wolfgang Amadeus Mozart.
Ao se deparar com um jovem de enorme talento e igual falta de preocupação com seus afazeres e compromissos musicais, Salieri passou a questionar as vontades de Deus. Por que, afinal, Deus teria dado a uma pessoa tão questionável, deveras mundana e, além de tudo pecadora, aquele precioso dom?
A partir de então passa a buscar explicações para a grandiosidade da obra não condizer com uma figura humana de igual naipe. Suas dúvidas alimentam um sentimento de rancor e melancolia, apesar de se tornar compositor da corte, Salieri sabia que a obra imortal não era a sua e sim a de Mozart...


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

CONFEDERAÇÃO DOS TAMOIOS

Ocorrida entre os anos de 1556 e 1567, a Confederação dos Tamoios foi uma revolta indígena da tribo dos Tupinambás contra a tentativa dos colonos de escravizar os indígenas.
Os tupinambás ocupavam a região litoral norte paulista, onde hoje fica situada a cidade de Bertioga, passando pelo litoral fluminense até a cidade do Cabo Frio.
Os portugueses procuravam alguma maneira de se infiltrar nas aldeias indígenas, participando de suas decisões através do ato conhecido como cunhadismo. Ou seja, os portugueses se casavam com as índias e, automaticamente, faziam parte da tribo.
Aproveitando dessa prática, João Ramalho, parceiro do governador da Capitania de São Vicente, Brás Cubas, casou-se com uma filha da tribo dos guaianases. Através dessa parceria, eles comandaram um ataque à aldeia dos tupinambás, na tentativa de aprisioná-los e usá-los como mão-de-obra escrava. Eles capturaram o chefe da tribo, Caiçuru, e o mantiveram em um cativeiro no território do governador Brás Cubas.
Preso em péssimas condições de sobrevivência, o tupinambá Caiçuru acabou morrendo no cativeiro. Seu filho, Aimberê, assumiu o comando da tribo e declarou guerra aos colonos portugueses e à tribo dos guaianases. Para fortalecer o levante, ele se reuniu com os membros tupinambás Pindobuçu, da Baía de Guanabara, Koakira, da aldeia de Ubatuba, e Cunhambembe, de Angra dos Reis.
Cunhambembe assumiu a liderança da Confederação dos Tamoios (que vem do tupi Tamuya, que quer dizer “o mais antigo”) e conseguiu o apoio das tribos goitacases e aimorés. Neste momento, os franceses estavam chegando no Rio de Janeiro, na intenção de colonizar territórios brasileiros e extrair suas tão faladas riquezas.
Para patrocinar o conflito contra os portugueses, o francês Villegaignon ajuda os tupinambás oferecendo armamentos a Cunhambembe. Porém, uma epidemia dizimou alguns indígenas combatentes, inclusive o líder Cunhambembe, enfraquecendo enormemente o levante.
Aimberê continuou a revolta contra os portugueses e fez o possível para que os guaianases lutassem a seu favor. Ele fez contato com o líder Tibiriçá, através do sobrinho Jagoanharó, e marcou um encontro para selar a Confederação. Quando os tamoios chegaram na aldeia, Tibiriçá se declarou fiel aos portugueses e matou seu sobrinho, suscitando em uma investida que dizimou grande parte da tribo dos guaianases.
Apesar de algumas tréguas, os portugueses se fortaleceram e continuaram a invasão às aldeias para escravizar e aprisionar os índios. Em 1567, a chegada de Estácio de Sá ao território do Rio de Janeiro provocou a expulsão dos franceses e dos tamoios, encerrando o conflito. Após este episódio, os portugueses chegaram a conclusão de que era praticamente impossível escravizar indígenas e decidiram importar escravos de navios negreiros africanos.

ART DECÓ


A Art Déco – termo que deriva da língua francesa e nasce da expressão arts décoratifs  – designa uma escola de natureza internacional que marca, no período que vai de 1925 até 1939, movimentos como a decoração, a arquitetura, o design interior e o desenho industrial, bem como a moda, as artes plásticas e gráficas, além do cinema, nos quais ela tem suas fontes principais.
 Esta forma de expressão começa a ganhar forma e significação a partir da Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas, que tem lugar em Paris no ano de 1925. Ela está enraizada especialmente na escola conhecida como Art Nouveau, que trabalha mais com as linhas onduladas e sem simetria, baseando-se em formatos vegetais e em adornos com motivos florais. Ao contrário desta arte, porém, a Art Déco se vale de linhas retas ou esféricas, das figuras geométricas e do desenho de natureza abstrata.
Resumindo, a Art Déco nasceu da combinação de movimentos variados do princípio do século XX, tais como Construtivismo, Cubismo, Modernimo, Bauhaus, Art Nouveau e Futurismo . Esta escola, que está estreitamente conectada às características modernas e vanguardistas deste período, trabalha especialmente com imagens de animais e de esboços femininos, optando por uma expressão ‘clean e genuína’.
Movimentos que marcaram o início do século XX se aliaram para compor a Art Déco vigente em 1925 – entre eles o cubismo, a a abstração geométrica, o construtivismo e o futurismo.  Todas estas expressões modernistas, combinadas à cultura hindu, asteca, egípcia e oriental, bem como ao estilo do balé russo de Diaguilev, do Esprit Nouveau do arquiteto, urbanista e pintor francês Le Courbusier e da Companhia de Arte Francesa, imprimiram seus vestígios nos produtos Art Déco.
A princípio esta expressão artística está mais direcionada para a alta burguesia, que se beneficiou particularmente do final da Primeira Guerra, pois ela era confeccionada com matéria-prima mais dispendiosa, como, por exemplo, o jade, a laca e o marfim. Posteriormente, depois da mostra Art Déco no Metropolitan Museum de Nova York, em 1934, esta arte ganha um conteúdo mais acessível às massas e à produção em larga escala.
Com uma maior acessibilidade deste estilo às camadas populares, a Art Déco se dissemina mais e passa a integrar o dia-a-dia de cada um, seja na esfera da propaganda, nos utensílios de uso diário nas residências, seja nos acessórios femininos, no universo ‘fashion’, nos móveis, entre outros.
Desta forma a Art Déco se espalha por todo o continente europeu e pela América do Norte, insinuando-se pela esfera da música, do cinema hollywoodiano, da arquitetura, entre outros setores culturais. Portanto, apesar deste estilo começar a decair em meados dos anos 30, suas características remanescem na decoração de interiores, no ramo da edificação, bem como em outras esferas da produção.
Esta arte também está presente na criação do escultor brasileiro Victor Brecheret. Assim, este estilo pode ser encontrado igualmente neste país, especialmente no Rio de Janeiro, em vitrais, escadas, na Central do Brasil, no núcleo central da metrópole. Na Europa o ápice desta produção artística se deu na década de 20, e nos EUA ela seguiu ao longo dos anos 30.
Ana Lucia Santana


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A QUESTÃO AGRÁRIA NA ROMA ANTIGA

O processo de expansão territorial romano foi agente determinante para que este reino se enriquecesse e se transformasse em um dos mais poderosos impérios de toda a Antiguidade. Contudo, sem antes contar com uma política de distribuição das terras conquistadas, percebemos que a riqueza gerada por essas propriedades ocasionou fortes tensões políticas no interior da República Romana.
Com o passar do tempo, os grandes proprietários de terra – na maioria, patrícios ligados ao Senado – passaram a ameaçar a subsistência dos pequenos proprietários. Contudo, algumas transformações na organização política das assembleias foram de suma importância para que essa situação se modificasse. Por volta do século II a.C., uma nova lei instituiu a adoção do voto secreto para a escolha dos magistrados.
Essa transformação permitiu que os irmãos Tibério e Caio Graco fossem eleitos como tribunos da plebe e elaborassem leis que promoveriam uma grande reforma agrária nos territórios romanos. Em 133 a.C., Tibério Graco foi eleito tribuno da plebe e conseguiu a aprovação de uma lei que delimitava a extensão das terras da nobreza e permitia a distribuição de terras públicas aos menos favorecidos.
Contudo, apesar de promover uma transformação benéfica a uma parcela significativa da população romana, este não teve o apoio popular necessário para consolidar seu projeto. Acusado de tirania, por ter deposto um tribuno e conseguido a sua reeleição, Tibério foi, no ano seguinte a sua posse, assassinado junto a mais outros 500 políticos que apoiavam o processo de redistribuição de terras.
No ano de 125 a.C., uma reforma da lei romana passou a autorizar a reeleição dos tribunos da plebe. Aproveitando dessa mudança, Caio Graco assumiu seu segundo mandato como tribuno, em 123 a.C., e decidiu retomar o projeto de reforma agrária de seu falecido irmão. Contudo, para que seus objetivos fossem alcançados, teve o cuidado de ampliar suas bases de apoio político.
Inicialmente, buscou o apoio dos cavaleiros romanos ao aprovar uma lei que permitia a participação destes na administração das províncias e na organização dos órgãos judiciários dessa região. Logo em seguida, se aproximou das populações vizinhas à cidade de Roma. Em um novo projeto de lei, Caio Graco concedeu cidadania plena aos latinos e a cidadania parcial (sem direito de voto) aos demais habitantes da Península Itálica.
Alcançada a formação de seus grupos aliados, este astuto tribuno estabeleceu reformas que realizaram um novo modelo de distribuição das terras conquistadas em Tarento e Cápua. Além disso, conseguiu a aprovação da Lei Frumentária, que reduziu o valor de revenda do trigo para pessoas mais pobres. Reeleito em 122 a.C., Caio iniciou o projeto de fundação de uma colônia em Cartago.
Sentindo-se prejudicados por tais mudanças, os patrícios buscaram o apoio dos plebeus. Para consegui-lo, a elite romana argumentou que os plebeus poderiam perder a exclusividade de seus privilégios com a extensão da cidadania às populações vizinhas. Sem demora, os plebeus não concederam um novo mandato para Caio Graco, que em resposta tentou armar um golpe de Estado.
A ação gerou uma enorme conturbação social que desestabilizou o cenário político romano. O Senado decretou estado de sítio e concedeu poderes ilimitados aos cônsules. Mediante a pressão dos grandes proprietários e dos senadores, Caio Graco se refugiou no Monte Aventino junto de seus partidários. Observando que não poderia esboçar uma reação, Caio acabou ordenando que um de seus escravos o matasse.
Apesar do projeto dos irmãos Graco terem sofrido severa oposição, outras figuras políticas tentaram retomar o seu projeto. Em 91 a.C., o tribuno Marco Lívio Druso buscou aprovar uma lei de redistribuição de terras. Mais uma vez, os grandes proprietários armaram um golpe que resultou no assassinato do tribuno. Contudo, o evento foi responsável pela deflagração da Guerra Social, que entre os anos de 90 e 89 a.C. assinalou as tensões que tomavam Roma por causa da questão agrária.
Rainer Sousa


AS FARC

No pós-Segunda Guerra, a construção de um mundo bipolarizado pareceu traçar um conjunto de transformações que rompia os limites dos territórios nacionais. O conflito de interesses entre o bloco capitalista e comunista nos dava uma impressão de que as instituições, práticas, econômicas e, até mesmo, concepção de mundo atravessavam a bifurcação destes caminhos distintos.
 Na disputa travada por Estados Unidos e União Soviética, o mundo perdia seu aspecto diverso para se curvar à ingerência das duas grandes potências. Nesse contexto, a América seria um campo de homogênea dominação do bloco capitalista. No entanto, todo esse esforço em prol do total alinhamento político nas Américas sofreu grandes resistências. A iniciativa de grupos políticos comunistas e nacionalistas frente a presença imperialista dos Estados Unidos manifestou-se em varias nações latino-americanas.
A mobilização oposicionista chegou a tal ponto que a imposição de ditaduras foi a única estratégia viável para se conter algum tipo de manifestação divergente à doutrinação da ordem bipolar. Em alguns casos, os movimentos revolucionários e as guerrilhas foram algumas vias de mobilização pela qual as oposições políticas nacionais. O caso mais famoso de ação guerrilheira conhecido foi constituído na Colômbia no final dos anos 60.
A luta das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) iniciada da mobilização de camponeses comunistas liderados por Manuel Marulanda, o Tiro Certo, estende-se até os dias de hoje. Esse grupo inconformado com a penosa situação econômica e social da Colômbia decidiu, ao longo de 40 anos de luta, controlar o território sul do país, criando esferas de poder paralelo. No entanto, é importante lembrar que a Colômbia não abriga somente esse grupo guerrilheiro. Outros grupos de orientação diversa também se instalaram no território colombiano.
Atualmente, muitos criticam as FARC como sendo um grupo de ação terrorista e sustentado pelo tráfico de drogas. A natureza combatente das FARC e a disputa entre os outros grupos paramilitares e guerrilheiros do país impedem algum tipo de julgamento preciso sobre os “verdadeiros” objetivos e práticas do grupo. No entanto ficam em evidência os seqüestros, mortes e pressões diplomáticas associadas ao grupo.
De fato, as diferenças dos grupos armados presentes na Colômbia demonstram a fraqueza das instituições políticas dentro do país. As FARC são desdobramentos de uma história política latino-americana onde há a falta de representatividade de suas instituições incitam certas parcelas da população, independente de sua orientação marxista ou conservadora, a pegarem em aramas e garantirem seus interesses.
Nos anos 80, a guerrilha tentou as vias representativas oficias com a criação da União Patriótica. Não obtendo grandes conquistas retornaram ao uso da guerrilha para sustentarem seu projeto revolucionário. No fim dos anos 90, durante o governo do presidente Pastrana, tentou-se uma negociação pacífica capaz de dar fim ao problema causado pelas mortes e o desgaste militar entre o Estado e os grupos armados.
Em 2000, os Estados Unidos decidiram interferir na questão criando um plano de cooperação com a Colômbia. O Plano Colômbia instituiu fundo de ajuda através do qual os Estados Unidos enviaria recursos e tecnologia militar contra os guerrilheiros. Ainda assim, as FARC sobrevivem hoje às pressões que rondam o seu projeto de tomada do poder na Colômbia.
Rainer Sousa


terça-feira, 15 de novembro de 2011

A COLONIZAÇÃO NO RIO GRANDE DO SUL

O Rio Grande do Sul foi o estado em que a colonização obteve maior sucesso durante o século passado. Em diferentes épocas a colonização esteve sob direção do governo central ou do governo gaúcho. Estes criavam colônias nas terras devolutas da união, que eram doadas (até a década de cinquenta do século passado) ou vendidas. Também existiram colônias particulares, geralmente surgidas em áreas próximas às das colônias oficiais, em que a terra era vendida por companhias particulares.
A grosso modo, a política brasileira de colonização pode ser dividida em três fases. Na primeira, que foi de 1808 a 1830 o governo brasileiro estimulou a colonização e tomou iniciativas para promovê-la, dirigindo-a e organizando-a. Na segunda, de 1830 a 1848, a colonização foi suprimida. A partir da lei do orçamento de 15 de dezembro de 1830 foi anulado todo e qualquer crédito para a colonização estrangeira. No Rio Grande do Sul esse período coincide com a Revolução Farroupilha (1835-1845), que paralisaria a vida econômica da Província. A última fase - dentro do período do Império - vai de 1848 a 1889, e nela o governo central procura incentivar apenas a imigração e não a colonização. O objetivo, nessa fase, era substituir a mão-de-obra escrava pela livre.
No caso do Rio Grande do Sul, é possível traçar uma delimitação mais exata: entre 1848 e 1874 o governo provincial se encarregou da administração das colônias e da introdução de colonos. De 1874 a 1889 o governo provincial abandonou a colonização, que foi parcialmente retomada pelo governo geral. Finalmente, a partir de 1890 até 1914, o governo do estado dirigiu novamente as atenções para a colonização. Foi principalmente nessa fase que se ocupou a região do Planalto.
Fonte: RS Digital.


OCUPAÇÃO DO CONTINENTE AMERICANO

Ainda hoje, o processo de ocupação do continente americano é um tema que desperta o interesse de vários membros da comunidade científica. A chegada dos primeiros grupos à América é um assunto repleto de novas descobertas, hipóteses e divergências que atingem a curiosidade dos vários profissionais e curiosos interessados por essa questão. Uma das mais controversas questões gira em torno de uma datação mais exata sobre a presença humana nesta região do planeta.
A discrepância entre os dados é tanta que enquanto algumas pesquisas trabalham com 12 mil anos, outras admitem essa mesma chegada por volta de 60 mil anos atrás. Contudo, apesar de todo o desacordo, é fascinante pensar sobre a desafiadora tarefa que o Homo sapiens moderno teria enfrentado ao se lançar em terras completamente desconhecidas. Como se não bastassem todas essas especulações, temos ainda outro intenso debate sobre a origem dos primeiros grupos que ocuparam a América.
Em geral, existem três hipóteses que tratam a esse respeito. A primeira delas sugere que os primeiros homens americanos teriam surgido na própria América. Apesar de plausível, uma parcela inexpressiva de arqueólogos, antropólogos e paleontólogos acreditam nessa teoria. Tal refutação se sustenta no simples fato de que, até hoje, nunca fora encontrado um único fóssil sequer de hominídeos anteriores ao próprio Homo sapiens no continente.
A mais conhecida teoria de ocupação foi realizada a partir de uma série de pesquisas desenvolvidas no sítio arqueológico de Clóvis, nos Estados Unidos. Segundo essa tese, a ocupação teria acontecido há cerca de 11.500 anos, momento em que a diminuição do nível do mar permitiu emersão de uma faixa de terras que ligaria a Sibéria ao Alasca por meio do Estreito de Bering. Dessa forma, essa teoria defende a ideia que os primeiros ocupantes da América teriam vindo da Ásia.
Durante vários anos essa hipótese foi amplamente aceita na comunidade científica, até que a descoberta de fósseis mais antigos abriu caminho para outra possibilidade. Ao que consta, essa nova teoria se sustenta na presença de fósseis humanos tão ou mais antigos do que aqueles que foram inicialmente descobertos na porção norte do continente americano. A partir dessa constatação, uma incógnita se abriu em relação à hipótese da teoria que explica a chegada do homem pelo Estreito de Bering.
Para resolver essa diferença temporal dos fósseis do norte e do sul, abriu-se caminho para uma nova teoria que supõe que os primeiros homens teriam vindo de pequenas ilhas da Polinésia ou da Oceania. Supostamente, este deslocamento teria sido realizado em pequenas embarcações que possibilitariam a navegação de pequenas distâncias. A sugestão do uso de técnicas de navegação acabou despertando a incredulidade de muitos membros da comunidade científica.
Rainer Sousa


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A GUERRA DOS TRINTA ANOS

No século XVII, a disputa econômica gerada pelo mercantilismo envolvia grandes potências econômicas como a Holanda, Inglaterra, França, Portugal e Espanha. Esse último tinha grande destaque, ao ter sob domínio a Coroa Portuguesa, regiões da Península Itálica e algumas partes dos Países Baixos. Com o passar do tempo, a hegemonia hispânica foi confrontada por outras nações desejosas em ampliar seus territórios e riquezas.
 Essa guerra teve início com a chamada “Defenestração de Praga”, momento em que membros da nobreza tcheca lançaram representantes do rei católico Fernando II pela janela. Tal ato era, na verdade, uma reação contra a severa política dos reis católicos que proibiram os cultos protestantes em diversas partes do Sacro Império Germânico. Em tal período, a dinastia dos Habsburgos procurava unificar os vários territórios germânicos sob força de um mesmo reinado.
Utilizando a perseguição religiosa dos Habsburgos como pretexto, vários príncipes da Europa se unificaram em torno de uma força militar e religiosa chamada de Liga Evangélica. Apesar de católica, a França incentivou levantes dos protestantes nas regiões em que os Habsburgos imperavam. Já em 1619, quando a guerra já completava seu primeiro ano, os protestantes cercaram a cidade de Viena, capital da Áustria, e determinaram que a coroa da Boêmia fosse entregue a Frederico V, da União Evangélica.
No ano seguinte, a Liga Sagrada, composta por nobres católicos, foi organizada com o objetivo de recuperar os domínios anteriormente perdidos. Na chamada Batalha da Montanha Branca, os católicos, sob a liderança de João T'Serklaes Von Tilly, venceu e expropriou todos os protestantes localizados nas regiões de língua checa. Tempos depois, o rei germânico Fernando II contou com o apoio da Espanha para transformar a Boemia em domínio dos Habsburgos.
Entre 1624 e 1629, o reino da Noruega e da Dinamarca entrou em cena para conseguir reaver os territórios perdidos para os protestantes. Mesmo tendo o apoio de soldados holandeses, esses reinos nórdicos não obtiveram êxito e, ainda por cima, foram obrigados à ceder parte de seus domínios ao rei Fernando II. Com isso, os Habsburgos alcançam o auge de seu poder na Europa. A França passou a ter seus interesses políticos ameaçados pela dinastia Habsburgo.
Procurando reverter tal situação, o cardeal e ministro Richelieu incitou a organização de um levante militar sueco contra a recém-estruturada força territorial e política do Sacro Império. Após alguns êxitos, entre 1630 e 1632, o reino da Suécia passou a sofrer diversas derrotas para os alemães. Mediante o resultado, o governo francês decidiu finalmente organizar suas tropas para barrar o crescimento da influência econômica e política dos germânicos pela Europa.
Formando um exército de quase 100 mil homens, os franceses e seus aliados renovaram a luta contra a hegemonia católica dos Habsburgos. Entre 1635 e 1644, os franceses conseguiram impor significativas derrotas que colocavam a hegemonia do rei germânico Fernando II em completa crise. A partir de 1645, as negociações para a assinatura de um tratado de paz tomavam maior força.
Em 1648, a Paz de Vestfália deu um ponto final a essa extensa guerra. Nesse acordo, os holandeses finalmente tinham sua independência reconhecida pelos espanhóis. Ao mesmo tempo, o poderoso e ameaçador Sacro Império Germânico ficou reduzido apenas a um conjunto de pequenos estados autônomos. Sob o ponto de vista religioso, esse mesmo acordo determinou a liberdade religiosa nos países e territórios assolados pelo conflito.
Rainer Sousa


Auto da Compadecida - Ariano Suassuna

Lendo esta peça, podemos sentir sua força poética e popular, o catolicismo que ela transmite, a simplicidade dos diálogos. A estrutura teatral e os tipos vivos  fazem desta obra um exemplo raro na dramaturgia brasileira. Vemos os tipos de personagens nordestinos, e vemos também o tipo bem brasileiro neles, que é o de "dar conta do recado" com o famoso "jeitinho" brasileiro. Aqui vemos a forma de criação dos personagens segundo o autor: "Meus personagens ora são recriações de personagens populares e de folhetos de cordel, ora são familiares ou pessoas que conheci. No Auto da Compadecida, por exemplo, estão presentes o Palhaço e João Grilo. O Palhaço é inspirado no palhaço Gregório da minha infância em Taperoá. Já o João Grilo é o típico nordestino 'amarelo, que tenta sobreviver no sertão de forma imaginosa. Costumo dizer que a astúcia é a coragem do pobre. O nome dele é uma homenagem ao personagem de cordel e a um vendedor de jornal astucioso que eu conheci na década de 50 e que tinha este apelido."Vemos que o catolicismo está presente devido ao grande apego que os nordestinos  tem a DEUS e o grande medo do diabo, vemos também que os personagens masculinos expressam o tipo "machões", mais na verdade alguns eles são muito medrosos,  principalmente quando se envolve a figura de forças superiores. O livro mostra a esperteza de muitos personagens também, é o caso de João Grilo, que aplica vários "golpes" ao decorrer da história, dando uma de personagem malandro e aproveitador dos idiotas e ingênuos.

A IGREJA NA IDADE MÉDIA

Com a expansão do feudalismo por toda a Europa Medieval, observamos a ascensão de uma das mais importantes e poderosas instituições desse mesmo período: a Igreja Católica. Aproveitando-se da expansão do cristianismo, observada durante o fim do Império Romano, a Igreja alcançou a condição de principal instituição a disseminar e refletir os valores da doutrina cristã.
Naquela época, logo depois do Primeiro Século, diversas interpretações da doutrina cristã e outras religiões pagãs se faziam presentes no contexto europeu. Foi através do Concílio de Nicéia, em 325, que se assentaram as bases religiosas e ideológicas da Igreja Católica Apostólica Romana. Através da centralização de seus princípios e a formulação de uma estrutura hierárquica, a Igreja teve condições suficientes para alargar o seu campo de influências durante a Idade Média.
Estabelecida em uma sociedade marcada pelo pensamento religioso, a Igreja esteve nos mais diferentes extratos da sociedade medieval. A própria organização da sociedade medieval (dividida em Clero, Nobreza e Servos) era um reflexo da Santíssima Trindade. Além disso, a vida terrena era desprezada em relação aos benefícios a serem alcançados pela vida nos céus. Dessa maneira, muitos dos costumes dessa época estavam influenciados pelo dilema da vida após a morte.
Além de se destacar pela sua presença no campo das idéias, a Igreja também alcançou grande poder material. Durante a Idade Média ela passou a controlar grande parte dos territórios feudais, se transformando em importante chave na manutenção e nas decisões do poder nobiliárquico. A própria exigência do celibato foi um importante mecanismo para que a Igreja conservasse o seu patrimônio. O crescimento do poder material da Igreja chegou a causar reações dentro da própria instituição.
Aqueles que viam na influência político-econômica da Igreja uma ameaça aos princípios religiosos começaram a se concentrar em ordens religiosas que se abstinham de qualquer tipo de regalia ou conforto material. Essa cisão nas práticas da Igreja veio subdividir o clero em duas vertentes: o clero secular, que administrava os bens da Igreja e a representava nas questões políticas; e o clero regular, composto pelas ordens religiosas mais voltadas às praticas espirituais e a pregação de valores cristãos.
Sob outro aspecto, a Igreja também teve grande monopólio sob o mundo letrado daquele período. Exceto os membros da Igreja, pouquíssimas pessoas eram alfabetizadas ou tinham acesso às obras escritas. Por isso, muitos mosteiros medievais preservavam bibliotecas inteiras onde grandes obras do Mundo Clássico e Oriental eram preservadas. São Tomás de Aquino e Santo Agostinho, por exemplo, foram dois membros da Igreja que produziram tratados filosóficos que dialogavam com os pensadores da Antiguidade.
Mesmo contando com tamanho poder e influência, a Igreja também sofreu com manifestações dissidentes. Por um lado, as heresias, seitas e ritos pagãos interpretavam o texto bíblico de forma independente ou não reconheciam o papel sagrado da Igreja. Em 1054, a Cisma do Oriente marcou uma grande ruptura interna da Igreja, que deu origem à Igreja Bizantina.
Não cabe a nós querer criminalizar ou repudiar a Igreja dos dias de hoje, com base nas suas ações passadas. As questões e práticas dessa instituição não são exatamente iguais àquelas encontradas entre os séculos V e XV. Dessa maneira, ao darmos conta do papel desempenhado por essa instituição religiosa, durante a Idade Média, obtemos uma grande fonte de reflexão sob tal período histórico.
Rainer Sousa


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

BASQUETEBOL

Apesar de ter sido popularizado apenas no século XX, jogo de basquete  aos poucos está ganhando espaço nas quadras brasileiras. Em outros países do mundo, porém, o esporte já tem uma aceitação muito boa, possuindo assim muitos atletas que o praticam. Os Estados Unidos são um exemplo disso, sendo o local de nascimento do esporte, hoje possui os mais bem preparados times de basquete do mundo. Hoje o esporte já faz parte do cotidiano das aulas de Educação Física nas escolas brasileiras e também faz parte dos jogos olímpicos, além de outros torneios oficiais pelo mundo todo.
 Foi em 1891, que o americano James Naismith  criou a modalidade para ser praticada nas suas aulas de Educação Física, na Associação Cristã de Moços de Springfield, local em que, mais tarde, em 1895, seria também criada a modalidade de voleibol, por um outro professor chamado William C. Morgan.
No dia 20 de Janeiro de 1892 foi realizado o primeiro jogo de basquete nesta associação, só que em regime fechado. Somente no dia 11 de Março foi realizado o primeiro jogo aberto ao público, no qual o time dos alunos venceu o time dos professores.
Em 1894 as regras do basquetebol foram formalizadas e o jogo passou a ser praticado fora dos limites da associação. Neste mesmo ano foi criada a bola de basquete, pois até então a bola utilizada no jogo era uma de futebol. Dois anos depois o esporte passou a ser praticado também por mulheres.
O basquete foi o primeiro esporte a ser realizado em quadra coberta, sob a iniciativa de seu criador devido ao forte inverno pelo qual passava o país, impedindo a realização de esportes ao ar livre. O intuito era dinamizar as aulas de Educação Física, já que antes eram reduzidas a exercícios de ginástica.
O professor tomou alguns cuidados especiais com o jogo pois o intuito era jogar coletivamente mas sem muita violência, como acontecia no futebol americano. Para isso decidiu que a bola deveria ser jogada com as mãos e não com os pés, facilitando a condução para evitar atritos, seria também arremessada com as mãos abertas em busca de evitar socos acidentais entre os atletas. A bola não poderia permanecer muito tempo nas mãos do jogador, pois evitaria conflitos de “briga pela bola”, e ainda deveria ser leve, de modo a quicar facilmente no chão e voltar para as mãos do jogador.
O objetivo do jogo teria que ser acertar a bola em algum alvo fixo, porém exitou em colocá-lo no chão pois já haviam outros esportes assim, e pensou então em colocá-lo a mais de três metros de altura, onde nenhum jogador da defesa poderia interceptar a bola caso ela fosse arremessada de longe, e assim o jogo iria adquirir um grau de dificuldade diferenciado. Foi o zelador da escola onde James trabalhava que montou o equipamento com alguns pedaços de madeira. Ao medir viu qua a altura era 3,05m, a qual permanece até hoje. Primeiramente foi colocada uma caixa como alvo para colocar a bola, aos poucos foi sendo aperfeiçoada até chegar à cesta de basquete que conhecemos hoje.
Rapidamente o professor criou 13 regras para o esporte, divulgou na escola e explicou aos candidatos a participar como seria realizado o jogo. Escolheu dois dos atletas mais altos, jogou a bola para cima e deu início ao primeiro jogo de basquete, o qual aconteceu anteriormente à data mencionada acima, porém não foi registrado. Vejamos algumas regras e expressões utilizadas no esporte:
- A partida é dividida em quatro períodos de 10 minutos cada um.
 - O objetivo do jogo é acertar a bola na cesta do adversário, marcando assim os pontos correspondentes à localização em que o jogador se encontra ao arremessá-la. Existem cestas de 2 e de 3 pontos.
 - As equipes são formadas por cinco jogadores, e ao final vence a equipe que fizer mais pontos.
 - Ao adquirir a posse da bola, a equipe tem o tempo máximo de 24 segundos para arremessá-la, ou será automaticamente dada ao time adversário.
 - Em cada período os técnicos podem pedir tempo uma vez, no quarto período têm o direito de pedir dois tempos.
Araújo, A. Ana Paula de

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

CRISES DO CAPITALISMO

Infográfico sobre as principais crises vividas pelo sistema capitalista.
http://www.cursosolon.com.br/infografico_CrisesAntigas-2008-09-20-0,,18481,00.htm

Manter o aluno mais tempo na escola não resolve qualidade

Ministro da Educação pretende aumentar dias letivos.
Notas do Enem mostram diferença entre escolas públicas e privadas.
 Passados alguns dias da publicação do resultado do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), quando a fogueira das vaidades entre as escolas particulares está mais contida, com justificativas toscas para um desempenho pior ou melhor desta ou daquela região, é hora de olhar para o principal – o ensino que tem sido oferecido a maior parte da população brasileira – o público.
As diferenças são gritantes entre um setor e outro. Em matemática, as instituições públicas estão mais de 90 pontos atrás das privadas. Dado que vem reforçar o que se sabe – a ineficiência da escolarização básica. As questões de matemática solicitadas na prova envolvem mais raciocínio lógico e serve como indicador do desenvolvimento da capacidade de pensar de nossos alunos. Mais que um conhecimento específico, a prova exige que se pense sobre um problema, estabelecendo relações entre suas partes.
Essa capacidade vai sendo construída pela criança em suas ações no mundo e é incrementada com a sua vivência escolar, onde sua construção deve ser organizada e seu desenvolvimento estimulado. O aluno da escola pública anda se desenvolvendo menos.
Há sim um problema nesse setor, não se pode negar. O que se pretende é melhorar seu nível com a ampliação do número de horas aulas – aumentando os dias letivos e o tempo que o aluno permanece na escola. O ministro Fernando Hadad considera esse um fator importante. De certo modo é. Quanto mais tempo se estuda maior é a chance de se aprender. Simples? Nem tanto.
As coisas não se dão de forma mágica. Passar um tempo razoável na escola é importante, desde que seja oferecido ao aluno oportunidades de aprender e se desenvolver. Não parece ser o fator quantidade de tempo o problema do ensino público.
Não é de hoje que ele vem andando mal das pernas. O nível de escolaridade dos alunos é baixo, muito baixo. É comum, após anos frequentando a escola, encontrarmos estudantes que mal sabem ler ou escrever. Algo que alunos do segundo ou terceiro ano do ensino fundamental da rede particular já conseguem fazer com certa desenvoltura. Muitos terminam esse ciclo – nove anos – sem conseguir compreender um texto lido.
Certamente não é só a questão do tempo. Há vários problemas a serem resolvidos, sendo o principal questões envolvendo o professor. A desvalorização do professor dentro e fora do sistema de ensino é algo claro – além de ganharem pouco e terem condições ruins de trabalho, são pouco respeitados pelos alunos e suas famílias. Ora, se nem o governo valoriza o professor, que dirá o aluno.
O papel do professor é fundamental e é urgente que ele tenha salários condizentes com sua responsabilidade e obrigações. Responsabilidade de formar pessoas e obrigação de se atualizar e estudar. Sempre.
Como ocorre com os professores de instituições privadas. Eles têm que realmente dar conta do recado, caso contrário, estão fora. Com o diferencial de que seus salários possibilitam isso. A instituição cobra do corpo docente, mas oferece condições para isso. Nem dá para cobrar do professor atualização se ele não tem como investir em si próprio.
Além do mais, há um certo conforto, sem grandes cobranças – a maioria deles é concursada e tem estabilidade no emprego. Que é outro grande problema do funcionalismo público em suas diferentes áreas. De que adianta passar mais tempo na escola sem um projeto possível de ser aplicado e professores pouco envolvidos com seu trabalho?
O ministro da educação lembrou outro aspecto que interfere na diferença da qualidade entre os setores público e privado, o investimento financeiro. Fator de suma importância. Mas fica a dúvida – falta dinheiro ou falta usá-lo adequadamente? O Brasil não é um país pobre de dinheiro. É pobre de espírito. Infelizmente não interessa investir em educação.

Os alunos não precisam de mais tempo na escola. Eles necessitam de mais qualidade de ensino e seriedade dos profissionais envolvidos com a educação. O que acontece é que uns fazem que ensinam e outros que aprendem. E todos ficam se iludindo até a chegada do próximo Enem.
Ana Cássia Maturano - G1

A CRISE E QUEDA DO CZARISMO

A Rússia, até os primeiros anos do século XX, era controlada pelo absolutismo czarista. Próximo aos moldes do absolutismo, o governo russo atrelou a economia nacional aos moldes do feudalismo e não promoveu condições necessárias para o estabelecimento de um parque industrial desenvolvido. Dessa maneira, o atraso econômico foi uma das primeiras delicadas questões que contribuíram para a deflagração do processo revolucionário.
 No governo do czar Alexandre II (1855 – 1881) começou a implementação de medidas que buscavam modernizar a Rússia. Ele deu fim aos laços feudais e formou uma classe de pequenos camponeses proprietários de terras. Nos governos do fim do século XIX, outras medidas foram responsáveis por abrir a economia russa ao investimento industrialista de nações estrangeiras. Dessa forma, o campesinato, burguesia industrial e o proletariado russo surgiam nesse conjunto de reformas econômicas.
Mesmo buscando a renovação de suas práticas econômicas, os czares russos não foram suficientemente hábeis para conduzir esse processo de mudanças. A agricultura nacional sofreu fortes variações responsáveis pelo empobrecimento e a carestia de alimentos à população. Ao mesmo tempo, os operários sofriam com as péssimas condições de vida e salário. Por fim, podemos também salientar a insatisfação da burguesia nacional frente às ações do governo czarista.
Na entrada do século XX, o operariado russo passou a organizar greves e revoltas contra o governo. Representados pelo Partido Operário Social-Democrata, os trabalhadores começaram a entrar em contato pelo ideário socialista proposto, principalmente, pelos pensadores alemães Karl Marx e Friedrich Engles. Em contrapartida, o governo russo reprimiu tais instituições político-partidárias por meio da “Okrana”, um destacamento policial criado para conter esse tipo de agitação social.
Em meio a tantos problemas, o conflito da Rússia contra o Japão (1904-1905) piorou a imagem do governo frente a vários grupos da sociedade russa. Em janeiro de 1905, um grupo de populares realizou uma manifestação em frente ao palácio monárquico de São Petersburgo. Exageradamente, as tropas imperiais abriram fogo contra os manifestantes. O episódio, que ficou conhecido como Domingo Sangrento, potencializou as pressões contra a monarquia russa.
No ano seguinte, cedendo a tantas pressões, o czar Nicolau II transformou seu governo em uma monarquia constitucional. De acordo com as novas regras, o país teria um parlamento (Duma) onde seus representantes discutiriam os problemas da nação russa. Tais mudanças incentivaram o surgimento de agremiações de discussão política formada por trabalhadores do campo e da cidade. Os chamados sovietes tornaram-se um espaço de discussão sobre o futuro e os problemas da Rússia.
Apesar de oferecer essa abertura, o governo czarista não aceitava a diminuição de seus poderes. Com isso, a Duma teve sua existência constantemente ameaçada pelos hábitos totalitários de Nicolau II. Em 1914, a entrada da Rússia nos conflitos da Primeira Guerra Mundial ficou marcada como o último desgaste entre o poder do czar e as reivindicações da população russa. Os gastos e derrotas militares nesse conflito inviabilizaram a sustentação do absolutismo russo.
Rainer Sousa


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A ULTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO

Talvez o mais polêmico filme do célebre Martin Scorcese A Última Tentação de Cristo nos propõe uma instigante re-concepção da vida de Cristo à luz não das suas virtudes divinas, mas das suas inconfessáveis fraquezas humanas.
Considerado herético pela Igreja Católica, A Última Tentação de Cristo (The Last Temptation of Christ, EUA, 1988) permaneceu proibido em diversos países por muitos anos (somente agora, por exemplo, é que a obra deixou de ser proibida no Chile, após 15 anos de censura). O filme, baseado no polêmico best-seller homônimo de Nikos Kazantzakis, nos propõe uma releitura dos acontecimentos da vida de Jesus Cristo, enfatizando a sua natureza dividida e o seu conflito interior entre o messias predestinado por Deus ao sacrifício na cruz e o homem comum e prático que ambiciona constituir família e desfrutar de uma vida serena e tranqüila no mais absoluto anonimato.
Cristo (o ótimo Willem Dafoe, o Duende Verde do primeiro Homem-Aranha) é um marceneiro judeu, responsável pela feitura das cruzes com as quais os romanos crucificam aqueles que se opõem ao seu domínio. Atormentado por pesadelos e visões os quais desconhece o real significado, foge para uma espécie de mosteiro onde, através de uma decisiva e reveladora visão, toma consciência do seu papel como o tão aguardado messias. A partir de então, decide percorrer toda Israel, professando a sua crença em Deus (e em si próprio como o seu emissário direto, em verdadeiros arroubos de orgulho próprio). Acompanhando-o está um grupo de discípulos, dentre os quais Judas (Harvey Keitel, em uma atuação bastante criticada que lhe valeu uma indicação ao "Framboesa de Ouro" de pior ator coadjuvante), grande amigo de Cristo e seu braço direito.
O filme retrata, de maneira única, alguns dos mais célebres eventos do Novo Testamento, como o batismo de Cristo por João Batista, o seu exílio no deserto e a ressurreição de Lázaro. Em todos, vemos um Jesus inseguro, orgulhoso, incerto quanto aos reais desígnios de Deus; enfim, não divino, mas humano. Mais tarde, já na cruz, à beira da morte, Cristo é tentado uma derradeira e decisiva vez a abdicar de sua responsabilidade para com a humanidade e do sacrifício na cruz como o Escolhido e assumir para si a vida de um homem comum, com esposa, filhos e uma perspectiva de envelhecer e morrer como tal...
A partir de então o filme adentra o terreno do que o constitui em sua razão de ser (como o romance no qual se inspirou): a própria última tentação de Cristo. Vemos Cristo se casar com Maria Madalena, ter filhos - e uma amante! - e envelhecer como um homem qualquer. O vemos exultante ante sua nova condição: de fato, jamais ambicionara nada mais do que aquilo que passou a ter desde que, seduzido por um belo anjo, fugiu do sacrifício ao qual estivera destinado.
Quando, à beira de uma serena morte como um homem comum, descobrindo-se vitima de um ardil de Satanás, Cristo decide, uma vez mais, se por à disposição daquele de quem estivera fugindo durante todo o tempo. Velho e debilitado, o ex-Messias rasteja por entre os escombros de uma Jerusalém sitiada pelos romanos implorando o perdão de Deus.
 E, afinal, o consegue. Mas não somente a isto!... Em questão de meros instantes, Cristo novamente se vê crucificado. Novamente tendo de enfrentar o mesmo sacrifício do qual houvera fugido antes. Mas, desta vez, o vemos, irresoluto, decidido a enfrenta-lo. E tudo já lhe parece, então, tão natural que ele até chega a ostentar um breve sorriso um tanto quanto zombeteiro, num misto de satisfação e comodismo de uma pessoa de quem sempre se esperou absoluta divindade, mas que não consegue escapar da sua mera e tão própria humanidade. A seqüência final do filme é brilhante! Afinal, se fomos mesmo criados a imagem e semelhança de Deus, por que "Ele" se furtaria a refletir o que temos de mais particular e humano: a nossa própria natureza conflituosa, posto que comumente somos postos de encontro a convenções ou marcais culturais que nos restringem? De qualquer modo, tanto quanto ser seduzido por um lindo anjo, sem dúvida nos parece muito mais tentadora a releitura proposta por Scorcese e Kazantzakis do que a concepção tradicionalmente acatada, tão destituída de humanidade quanto um autômato.
 O filme conta com as participações especialíssimas do rockstar David Bowie, como Pôncio Pilatus, e o excelente Harry Dean Stanton (de Paris, Texas de Win Wenders), como o apóstolo Paulo. Destaque para a direção primorosa de Scorcese, indicada ao Oscar da categoria, Willem Dafoe como o conflituoso e atormentado Jesus Cristo e Barbara Hershey como a ardente e apaixonada Maria Madalena (indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante). A espetacular trilha sonora de Peter Gabriel (que conta, inclusive, com a participação de percussionistas brasileiros), indicada a um Globo de Ouro da categoria, é um show à parte e contribui enormemente ao conjunto da obra, em um dos poucos casos, em matéria de cinema contemporâneo, onde música e imagem se complementam de forma única e não parecem descoladas uma da outra.
Fonte: CineWeb.


Collor foi primeiro alvo de impeachment na América Latina

Estudantes de hoje não devem lembrar que em 1992, quando muitos eram praticamente bebês, o país passou por um período conturbado, mas que entrou para a história da política mundial: o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello.

Em setembro de 1992, estudantes e universitários, vestidos e pintados com as cores da bandeira, foram para as ruas protestar e pedir o impeachment (afastamento da presidência) de Collor. Eles ficaram conhecidos como "geração cara-pintada".

Collor havia entrado na disputa pela presidência conhecido como o "caçador de marajás", devido ao seu trabalho para extinguir a corrupção de funcionários públicos em Alagoas, Estado que governou no final da década de 80.

Empossado, prometeu derrubar a inflação com um golpe, mas seu plano econômico fracassou. Foi em nome do controle inflacionário que a então ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, confiscou as poupanças dos brasileiros. Forçado a rever sua política, o presidente estendeu a mão para um frustrado entendimento nacional. Isolado, chamou para o ministério nomes do regime militar.

Sua gestão foi marcada por uma série de escândalos e suspeitas de corrupção. As denúncias ganharam força em abril de 1992, quando Pedro Collor, irmão do presidente, revelou a existência do "esquema PC", de tráfico de influência e irregularidades financeiras, organizado por Paulo César Faria, ex-tesoureiro da campanha.

Pressionada pelas manifestações públicas, a Câmara autorizou a abertura do processo de impeachment por 441 votos a 38. Houve uma abstenção e 23 ausências. Em 2 de outubro, Collor foi afastado temporariamente da presidência.

Collor renunciou ao cargo de presidente em 29 de dezembro de 1992, pouco antes de ser condenado pelo Senado por crime de responsabilidade. Em seu lugar assumiu o então vice-presidente,
Itamar Franco.

O impeachment interrompeu o primeiro governo eleito diretamente após 29 anos e marcou ainda o cenário político mundial, já que Collor foi o primeiro presidente na América Latina a ser destituído do cargo por este processo. Ele teve ainda seus direitos políticos cassados, tornando-se inelegível por oito anos.
Carlos Ferreira.