terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A REFORMA DE AMENÓFIS IV

No antigo Egito, a concepção das divindades e práticas religiosas tinha grande vinculação com os fenômenos naturais e o mundo animal como um todo. Com isso, se espelhando nas várias manifestações do meio que os cercava, os egípcios criaram uma ampla diversidade de divindades e rituais ao longo de sua existência. Geralmente, cada deus assumia uma determinada forma física e exercia algum tipo de poder ou tarefa que afetava diretamente a vida de seus adoradores.
Apesar dos indivíduos comuns terem a oportunidade de realizar seus rituais e oferendas, a atividade religiosa também era organizada a partir de uma classe específica de pessoas que, em certa medida, intermediavam a relação entre os homens e os seres espirituais. Estes eram os sacerdotes, ocupantes do topo da organização social no Egito e administradores de todos os recursos utilizados com o fim de manter uma boa relação com os deuses.
Dada a grande importância dos sacerdotes entre os egípcios, a sua função era somente repassada de maneira hereditária. De fato, o elevado prestígio dos sacerdotes acabou ampliando seu leque de atividades para fora do campo espiritual. Com o passar do tempo, enriqueceram em razão do acúmulo de bens provenientes dos sacrifícios e, além disso, começaram a ter grande poder de influência em outras questões de ordem econômica, social e política.
Ao longo do tempo, a ampliação dos atributos sacerdotais ameaçava a figura do próprio Faraó. Na verdade, em certos momentos do Novo Império (1580 – 1085 a.C.), alguns sacerdotes chegaram a ocupar o topo da hierarquia política do Antigo Egito. Essa disputa de poder culminou por volta do século XIV a.C., período em que o faraó Amenófis IV realizou uma reforma religiosa que tinha como justificativa maior a limitação dos poderes da classe sacerdotal egípcia.
Para que isso fosse possível, Amenófis oficializou o culto monoteísta no Egito. A única divindade a ser adorada seria o deus Aton, comumente simbolizado pela figura do círculo solar. Visando legitimar sua ação, Amenófis IV também mudou seu nome para Akhenaton (“aquele que adora a Aton”) e realizou a construção da cidade de Akhetaton (“horizonte do disco solar”), então transformada em capital de todo o Império Egípcio.
Insatisfeitos com aquela situação, os sacerdotes dos antigos deuses fizeram grande oposição à reforma do faraó Akhenaton. Alguns relatos da época contam que vários templos haviam sido completamente deixados ao acaso. Somente após a morte de Akhenaton, o culto monoteísta foi sendo paulatinamente substituído pelas antigas práticas politeístas que organizavam a vida religiosa do Egito. Apesar do insucesso, os hinos criados em homenagem a Aton foram preservados ao longo dos séculos.
O faraó Tutankhamon, filho de Amenófis IV, assumiu a tarefa de restabelecer o culto dos antigos deuses através da reconstrução de vários santuários e a encomenda de novas estátuas em homenagem aos deuses. Além disso, teve a preocupação de recrutar uma nova leva de sacerdotes e artistas que deveriam reforçar o antigo vínculo espiritual perdido com esses deuses.
Rainer Sousa


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