quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A TEORIA DA MAIS-VALIA

No século XIX, o desenvolvimento da economia capitalista foi capaz de determinar uma curiosa situação. Mesmo produzindo riquezas em um patamar astronômico, o capitalismo ainda estava cercado por desigualdades que indicavam a diferença social e econômica das classes burguesa e operária. Com isso, observamos que muitos intelectuais responderam a essa contradição com explicações ou propostas que resolveriam tal discrepância.
Entre esses intelectuais, o filósofo alemão Karl Marx apontou que esse abismo socioeconômico poderia ser explicado pela teoria da mais-valia. Segundo esse pensador, a miséria se perpetuava no mundo capitalista mediante os baixos salários oferecidos aos operários como um todo. Mais do que uma simples opção, o baixo salário era parte integrante dos instrumentos que garantiam os lucros almejados pela empresa.
Sendo assim, Marx indicou que o salário destinado a um trabalhador poderia ser pago com as riquezas que ele produz, por exemplo, ao longo de dez dias de um mês. Contudo, segundo o contrato de trabalho, o operário seria obrigado a cumprir os demais vinte dias restantes para receber o seu salário de forma integral. Dessa forma, o dono da empresa pagaria o valor equivalente a dez dias trabalhados e receberia gratuitamente a riqueza produzida nos vinte dias restantes.
Essa modalidade de “mais-valia” era reconhecida pelo pensamento econômico marxista como a “mais-valia absoluta”. Paralelo a esse tipo de exploração, ocorria a “mais-valia relativa”, instalada pelo processo de modernização tecnológico do ambiente fabril. Nesse caso, o trabalhador adequava o exercício de suas funções ao uso de um novo maquinário capaz de produzir mais riquezas em um período de tempo cada vez menor.
Nesse caso, o trabalhador recebia o mesmo salário para desempenhar uma função análoga ou, em alguns casos, ainda mais simples. Graças à nova máquina ou técnica de produção utilizada, o dono da empresa necessitava de um número de dias ainda menor para cobrir o custo com o salário do trabalhador. Assim, ficava sendo necessários, por exemplo, apenas cinco dias trabalhados para que ele pudesse pagar pelo mesmo salário mensal que devia ao seu empregado.
A exposição dessa teoria foi um dos meios pelos quais Karl Marx provou que as relações de trabalho no mundo capitalista tinham caráter exploratório. Dessa forma, ele condensava mais um argumento favorável à oposição de interesses existentes na relação entre burguesia e proletariado. Além disso, essa mesma tese serviu de base para que vários operários lutassem pela obtenção de melhores salários e condições mais dignas de trabalho.
Rainer Sousa


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O INICIO DA CIENCIA

Em tempos pré-históricos, conselhos e conhecimento eram passados de geração em geração em uma tradição oral. O desenvolvimento da escrita permitiu que o conhecimento fosse armazenado e comunicado através das gerações com muito mais fidelidade. Combinado com o desenvolvimento da agricultura, que permitiu um aumento na reserva de comida, isso tornou possível que as civilizações antigas se desenvolvessem, porque foi possível dedicar mais tempo a outras tarefas que não fossem a sobrevivência.
Muitas civilizações antigas coletavam informações astronômicas de maneira sistemática através da simples observação. Apesar deles não terem um conhecimento de verdadeira estrutura física dos planetas e estrelas, muitas explicações teóricas foram propostas. Fatos básicos sobre fisiologia humana já eram de conhecimento em alguns lugares, e a alquimia era praticada por várias civilizações. Observações consideráveis sobre flora e fauna macrobióticas também foram realizadas.
Desde o seu início na Suméria (agora Iraque) por volta de 3500 a.C., as pessoas da Mesopotâmia começaram a tentar gravar algumas observações do mundo com dados numéricos bem pensados. Mas suas observações e medições eram feitas por propósito em vez de de ser pelas leis da ciência. Uma instância concreta do Teorema de Pitágoras foi gravada no século XVIII a.C.: a tábua de argila dos mesopotâmios Plimpton 322 estava gravada com vários números de trios pitagóricos (3,4,5) (5,12,13) …, datado de 1900 a.C., possivelmente milênios antes de Pitágoras,  mas não existia uma formulação abstrata do teorema de Pitágoras.
Na astronomia da Babilônia, as várias anotações sobre os movimentos das estrelas, planetas, e a Lua foram escritas em milhares de tábuas de argila criadas por escribas. Mesmo atualmente, períodos astronômicos identificados por cientistas mesopotâmios ainda são largamente usados nos calendários ocidentais: o ano solar, o mês lunar, a semana de sete dias. Usando essas informações, eles desenvolveram métodos aritméticos para computar a mudança no comprimento da luz solar durante o curso do ano e para predizer a aparição ou o desaparecimento da Lua e planetas e eclipses do Sol e da Lua. Apenas alguns nomes de astrônomos são conhecidos, como o de Kidinny, um astrônomo e matemático. A astronomia da Babilônia foi "a primeira e mais bem sucedida tentativa de dar um refinamento matemático para as descrições dos fenômenos astronômicos." De acordo com o historiador A. Aaboe, "todas as subsequentes variações de astronomia científica, no mundo helenístico, na Índia, no Islã, e no Ocidente - se não for todas as subsequentes descobertas nas ciências exatas - dependem da astronomia da Babilônia de maneiras decisivas e fundamentais."
Avanços significativos do Egito Antigo incluem astronomia, matemática e medicina.  A geometria foi necessária para a engenharia geográfica para preservar o layout e manter o dono das terras de fazendas, que eram inundadas anualmente pelo Rio Nilo. O triângulo reto 3,4,5 e outras regras serviam para representar estruturas retilineares, e para a arquitetura do Egito. Egito foi também o centro da pesquisa de alquimia por grande parte da Mediterrâneo.
O papiro Edwin Smith é um dos primeiros documentos médicos que ainda existe, e talvez o documento mais antigo que tenta descrever e analisar o cérebro: ele pode ser visto como o começo da moderna neurociência. No entanto, enquanto a medicina do Egito tinha algumas práticas efetivas, ela também possui práticas ineficazes e por vezes perigosas. Historiadores médicos acreditam que a farmacologia do Antigo Egito, por exemplo, era na maior parte ineficaz. Ainda assim, ela aplicava os seguintes componentes para o tratamento das doenças: exame, diagnóstico, tratamento, e prognóstico, que demonstra um grande paralelo para a base do método empírico da ciência e de acordo com G. E. R. Lloyd  teve um papel significante no desenvolvimento dessa metodologia. O papiro Ebers (cerca de 1550 a.C.) também contém evidências do tradicional empirismo.
Fonte: Wikipédia.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A REVOLUÇÃO RUSSA - Um Comentário

A Revolução Russa foi um marco na história mundial ao fazer de um processo histórico ligado às questões socioeconômicas e culturais da Rússia um exemplo de revolução popular capaz de influir em questões políticas internacionais, bem como, na ascensão dos movimentos socialistas. Para entender um pouco melhor suas motivações temos que antes ressaltar alguns pontos que vão desde a crise do poder monárquico até a situação da economia russa.
Mesmo chegando ao poder, em 1917, os princípios socialistas da Revolução não perduraram durante muito tempo. Segundo alguns estudiosos, como o historiador Maurício Tragtenberg, o socialismo não teve suas ideias completamente aplicadas com o surgimento da União Soviética, contrariando aqueles que dizem que o socialismo foi uma forma de governo frustrada.
Devemos ainda salientar que a chegada de Stálin ao poder significou uma grande perda para a consolidação do projeto socialista. Seus desmandos e o poder excessivo interromperam a fixação de um governo realmente socialista. Hoje em dia, com o fim da bipolarização do mundo e o desenvolvimento do capitalismo, o estabelecimento do socialismo parece ser uma meta ainda mais distante.
Fonte: Mundo da Educação.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

AS TORRES GÊMEAS

Ao caírem as torres gêmeas do World Trade Center estabeleceu-se mundialmente um sentimento de insegurança, medo e, em alguns casos, até mesmo de pânico. Passamos a desconfiar de todos e de tudo. Qualquer situação minimamente diferenciada em relação ao cotidiano passou a nos deixar arrepiados, de cabelos em pé, com aquele desagradável sentimento de que algum problema, desgosto ou até mesmo desgraça seriam iminentes.
A mídia impressa, televisiva, as rádios e até mesmo a internet, no afã de realizarem coberturas bastante detalhadas dos acontecimentos acabaram exacerbando o seu papel e, ao invés de apenas realizarem seu intento principal de informar os leitores, espectadores e ouvintes, ajudaram a fomentar essa histeria coletiva.
A prepotência dos norte-americanos caiu junto com as torres assim como a sensação de intransponibilidade do território daquele país e a aparente segurança em que vivíamos no Ocidente. Ameaças a outras nações tornaram-se freqüentes notícias divulgadas diária ou semanalmente. Não se passavam alguns dias sem que tivéssemos informações de novas ações perpetradas pelos terroristas do fundamentalismo islâmico.
Osama Bin Laden se tornou a figura mais conhecida, temida e até mesmo odiada do hemisfério ocidental. Todos aqueles que a ele foram associados também foram “vilanizados” pela mídia e pelas autoridades governamentais dos Estados Unidos e de seus mais próximos aliados. O contra-ataque tornou-se uma obsessão. O sentimento patriótico dos norte-americanos exigia sangue como resposta aos violentos, desumanos, cruéis e covardes ataques.
Ao mesmo tempo em que isso acontecia, aqui na Terra, mais propriamente nos cenários onde a tragédia havia ocorrido, a solidariedade unia desconhecidos e levava inúmeras pessoas a se deslocar para o epicentro dos acontecimentos, a região onde anteriormente se elevavam as imponentes torres gêmeas, para prestar auxílio, ou melhor dizendo, para de alguma forma ajudar a encontrar sobreviventes e/ou dar suporte material e principalmente emocional aos familiares e amigos abalados pela imensa dor da perda.
Essas histórias acabaram perdendo espaço para o sensacionalismo em torno da vingança, da iminente guerra contra o terrorismo internacional, do sangue derramado ou do nacionalismo exacerbado de ambos os lados envolvidos nessa grandiosa pendenga.
A valentia, a bravura, o senso do dever a ser cumprido e a humanidade de todos os bombeiros, policiais e demais servidores que entraram nos prédios do World Trade Center antes que os mesmos desabassem até foram exaltados pela imprensa norte-americana, mesmo porque o contingente de soldados perdidos nessa luta foi substancial.
Faltava ainda, no entanto, uma manifestação artística através da qual toda essa solidariedade, valentia e humanitarismo fossem destacados. É nesse vácuo que a produção de Oliver Stone, “As Torres Gêmeas”, acaba entrando. Cineasta polêmico, de produções com viés político (como “Platoon”, “Nascido em 4 de Julho”, “JFK” ou “Nixon”), a expectativa quanto à produção de Stone sobre o 11 de Setembro de 2001 era grandiosa por parte da mídia.
Talvez esperassem mais um libelo em favor da vingança, da guerra e do “olho por olho” que se estabeleceu naquela época (e que ainda persiste em alguns setores mais a direita da política norte-americana). Surpreenderam-se com um filme mais centrado nas questões humanas, na luta pela sobrevivência narrada a partir da experiência de dois policiais de Nova Iorque, sem maiores preocupações em estabelecer novos focos de tensão.
Vários críticos torceram o nariz e disseram que Oliver Stone já não era o mesmo. Penso, contrariando essas vertentes belicistas, que o diretor na verdade amadureceu e que, o passar dos anos, o estão levando a considerações mais importantes, em que a vida e não a morte, a paz e não a guerra, a solidariedade e não o ódio é que devem ser apregoados pelo mundo afora.
O Filme
É apenas mais um dia quente a se iniciar em Nova Iorque. Ao menos é isso o que a população local, os norte-americanos em geral e o mundo estão a pensar. Acordar, tomar café da manhã, preparar-se para sair de casa, pegar o carro (o ônibus, o metrô, o trem), despedir-se da família, ver os filhos indo para a escola e, enfim, chegar ao local de trabalho para mais um dia de batente pela frente.
John McLoughlin (Nicolas Cage) e Will Jimeno (Michael Pena), policiais de Nova Iorque, lotados no departamento portuário da instituição, também pensavam assim. Só que esse dia não era como todos os outros que eles (e todos nós) haviam vivido antes. Estávamos no fatídico 11 de setembro de 2001.
As colisões dos aviões comerciais com as torres gêmeas do WTC, ocorridas por volta das 9 horas da manhã daquele dia, noticiadas inicialmente como acidentais (e que, de acordo com as primeiras notícias divulgadas, teriam sido ocasionados por aviões de pequeno porte), deslocariam McLoughlin e Jimeno para o local, como forças de resgate e suporte aos feridos no desastre.
Ninguém desconfiava, até aquele momento, que os jatos utilizados para os ataques teriam funcionado como verdadeiros mísseis e que, devido a sua potência, poderiam fazer desabar aqueles colossos da construção civil norte-americana e mundial. A compreensão da dimensão dos acontecimentos só se tornou maior a partir dos pronunciamentos das autoridades e das informações sobre os outros vôos seqüestrados.
Para os bombeiros, policiais e demais agentes públicos que se deslocaram para o WTC com a finalidade de ajudar a salvar os feridos já não dava mais tempo de alertar quanto aos objetivos dos terroristas, possibilidades de desabamento e riscos reais que todos aqueles que estavam nas torres gêmeas corriam...
Jimeno e McLoughlin foram então soterrados debaixo de toneladas de escombros que surgiram dos dois prédios juntamente com milhares de outras pessoas. A história verídica que nos é contada em “As Duas Torres”, do diretor Oliver Stone, nos leva então para o meio dos escombros e também para o seio familiar dos dois protagonistas, onde a dor, o medo e a insegurança se misturavam a esperança, a solidariedade e a luta pela vida.
Fonte: CineWeb.