segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

AS TORRES GÊMEAS

Ao caírem as torres gêmeas do World Trade Center estabeleceu-se mundialmente um sentimento de insegurança, medo e, em alguns casos, até mesmo de pânico. Passamos a desconfiar de todos e de tudo. Qualquer situação minimamente diferenciada em relação ao cotidiano passou a nos deixar arrepiados, de cabelos em pé, com aquele desagradável sentimento de que algum problema, desgosto ou até mesmo desgraça seriam iminentes.
A mídia impressa, televisiva, as rádios e até mesmo a internet, no afã de realizarem coberturas bastante detalhadas dos acontecimentos acabaram exacerbando o seu papel e, ao invés de apenas realizarem seu intento principal de informar os leitores, espectadores e ouvintes, ajudaram a fomentar essa histeria coletiva.
A prepotência dos norte-americanos caiu junto com as torres assim como a sensação de intransponibilidade do território daquele país e a aparente segurança em que vivíamos no Ocidente. Ameaças a outras nações tornaram-se freqüentes notícias divulgadas diária ou semanalmente. Não se passavam alguns dias sem que tivéssemos informações de novas ações perpetradas pelos terroristas do fundamentalismo islâmico.
Osama Bin Laden se tornou a figura mais conhecida, temida e até mesmo odiada do hemisfério ocidental. Todos aqueles que a ele foram associados também foram “vilanizados” pela mídia e pelas autoridades governamentais dos Estados Unidos e de seus mais próximos aliados. O contra-ataque tornou-se uma obsessão. O sentimento patriótico dos norte-americanos exigia sangue como resposta aos violentos, desumanos, cruéis e covardes ataques.
Ao mesmo tempo em que isso acontecia, aqui na Terra, mais propriamente nos cenários onde a tragédia havia ocorrido, a solidariedade unia desconhecidos e levava inúmeras pessoas a se deslocar para o epicentro dos acontecimentos, a região onde anteriormente se elevavam as imponentes torres gêmeas, para prestar auxílio, ou melhor dizendo, para de alguma forma ajudar a encontrar sobreviventes e/ou dar suporte material e principalmente emocional aos familiares e amigos abalados pela imensa dor da perda.
Essas histórias acabaram perdendo espaço para o sensacionalismo em torno da vingança, da iminente guerra contra o terrorismo internacional, do sangue derramado ou do nacionalismo exacerbado de ambos os lados envolvidos nessa grandiosa pendenga.
A valentia, a bravura, o senso do dever a ser cumprido e a humanidade de todos os bombeiros, policiais e demais servidores que entraram nos prédios do World Trade Center antes que os mesmos desabassem até foram exaltados pela imprensa norte-americana, mesmo porque o contingente de soldados perdidos nessa luta foi substancial.
Faltava ainda, no entanto, uma manifestação artística através da qual toda essa solidariedade, valentia e humanitarismo fossem destacados. É nesse vácuo que a produção de Oliver Stone, “As Torres Gêmeas”, acaba entrando. Cineasta polêmico, de produções com viés político (como “Platoon”, “Nascido em 4 de Julho”, “JFK” ou “Nixon”), a expectativa quanto à produção de Stone sobre o 11 de Setembro de 2001 era grandiosa por parte da mídia.
Talvez esperassem mais um libelo em favor da vingança, da guerra e do “olho por olho” que se estabeleceu naquela época (e que ainda persiste em alguns setores mais a direita da política norte-americana). Surpreenderam-se com um filme mais centrado nas questões humanas, na luta pela sobrevivência narrada a partir da experiência de dois policiais de Nova Iorque, sem maiores preocupações em estabelecer novos focos de tensão.
Vários críticos torceram o nariz e disseram que Oliver Stone já não era o mesmo. Penso, contrariando essas vertentes belicistas, que o diretor na verdade amadureceu e que, o passar dos anos, o estão levando a considerações mais importantes, em que a vida e não a morte, a paz e não a guerra, a solidariedade e não o ódio é que devem ser apregoados pelo mundo afora.
O Filme
É apenas mais um dia quente a se iniciar em Nova Iorque. Ao menos é isso o que a população local, os norte-americanos em geral e o mundo estão a pensar. Acordar, tomar café da manhã, preparar-se para sair de casa, pegar o carro (o ônibus, o metrô, o trem), despedir-se da família, ver os filhos indo para a escola e, enfim, chegar ao local de trabalho para mais um dia de batente pela frente.
John McLoughlin (Nicolas Cage) e Will Jimeno (Michael Pena), policiais de Nova Iorque, lotados no departamento portuário da instituição, também pensavam assim. Só que esse dia não era como todos os outros que eles (e todos nós) haviam vivido antes. Estávamos no fatídico 11 de setembro de 2001.
As colisões dos aviões comerciais com as torres gêmeas do WTC, ocorridas por volta das 9 horas da manhã daquele dia, noticiadas inicialmente como acidentais (e que, de acordo com as primeiras notícias divulgadas, teriam sido ocasionados por aviões de pequeno porte), deslocariam McLoughlin e Jimeno para o local, como forças de resgate e suporte aos feridos no desastre.
Ninguém desconfiava, até aquele momento, que os jatos utilizados para os ataques teriam funcionado como verdadeiros mísseis e que, devido a sua potência, poderiam fazer desabar aqueles colossos da construção civil norte-americana e mundial. A compreensão da dimensão dos acontecimentos só se tornou maior a partir dos pronunciamentos das autoridades e das informações sobre os outros vôos seqüestrados.
Para os bombeiros, policiais e demais agentes públicos que se deslocaram para o WTC com a finalidade de ajudar a salvar os feridos já não dava mais tempo de alertar quanto aos objetivos dos terroristas, possibilidades de desabamento e riscos reais que todos aqueles que estavam nas torres gêmeas corriam...
Jimeno e McLoughlin foram então soterrados debaixo de toneladas de escombros que surgiram dos dois prédios juntamente com milhares de outras pessoas. A história verídica que nos é contada em “As Duas Torres”, do diretor Oliver Stone, nos leva então para o meio dos escombros e também para o seio familiar dos dois protagonistas, onde a dor, o medo e a insegurança se misturavam a esperança, a solidariedade e a luta pela vida.
Fonte: CineWeb.



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