sexta-feira, 16 de março de 2012

NEW DEAL

O governo republicano do presidente Hebert Hoover, adepto do liberalismo econômico, não tinha instrumentos para reverter à crise. Ele acreditava que as leis de oferta e procura, a livre iniciativa e a “mão invisível” do mercado resolveriam a crise em algumas semanas. No entanto, os números da Grande Depressão, ainda em sua gestão tornaram-se assustadores. Assim, nas eleições de 1932, venceu Franklin Delano Roosevelt, candidato do Partido Democrata. Ao assumir a presidência em março de 1933, a situação era da maior gravidade, com a recessão atingindo o apogeu.
                Roosevelt lançou um plano de recuperação econômica intitulado New Deal (Novo Acordo). Reunindo intelectuais de importantes universidades, ele formou o chamado “brain trust” (truste de cérebros) com o objetivo de elaborar medidas para retirar o país da crise. As alternativas passavam longe do liberalismo econômico. O objetivo maior era implementar reformas por meio da intervenção estatal na economia, abandonando as regras do “livre mercado”. Para os economistas que auxiliavam Roosevelt, era necessário que a população tivesse dinheiro para comprar mercadorias e, com isso, permitir que as fábricas voltassem a produzir. Os grandes conglomerados empresariais deveriam estar submetidos a regras e leis, sendo fiscalizados por órgãos estatais. Não só a riqueza deveria ser mais bem distribuída, como também era preciso oferecer crédito à população. Tudo isso exigiria gastos do governo federal, gerando déficit no orçamento público.
                O primeiro ato importante do governo foi a Lei Bancária de 1933, com rígido controle estatal sobre as instituições financeiras. O governo garantiu os depósitos bancários gerando a confiança do público, que voltou a depositar seu dinheiro nas contas correntes. Com a iniciativa, Roosevelt deu solidez ao sistema financeiro e bancário do país. A segunda medida, no mesmo ano, beneficiou os produtores agrícolas. O governo assumiu as dívidas dos devedores e depois incentivou a reduzirem a área plantada. Em alguns setores, pagou para não plantarem. Isso elevou o preço dos produtos agrícolas, remunerando os fazendeiros.
                No caso da indústria, acordo entre empresários e Estado estabeleceu regras mais leais de concorrência entre as empresas, mas na prática permitiu o fortalecimento dos trustes e cartéis. Em compensação, a jornada de trabalho foi reduzida para 35 horas semanais e foi fixado um salário mínimo. Com obras públicas financiadas pelo governo, muitos desempregados voltaram a trabalhar. Cerca de 2,5 milhões de trabalhadores foram contratadas para drenagem de pântanos, reparação de estradas e outras atividades. Empresas estatais foram fundadas. As políticas públicas de Roosevelt eram de intervenção no mercado, de investimentos públicos, de regulamentação da economia, de intermediação das relações entre patrões e empregados e da criação de empresas estatais. O New Deal tinha diretrizes que contrariavam frontalmente os princípios da economia liberal.
                Ao final de 1934, alguns efeitos foram sentidos. Os preços voltaram a subir e a renda nacional cresceu 20%, embora o número de desempregados ainda fosse grande: 11 milhões. Mas o New Deal trouxe esperança para a sociedade estadunidense. Roosevelt, no entanto, teve de enfrentar criticas dos republicanos e dos conservadores, que acusavam o Novo Acordo de socialista. A Suprema Corte tornou-se uma baluarte contra as iniciativas reformistas de Roosevelt.  A resposta do presidente ao povo foi a seguinte: “Foi a minha administração que salvou o sistema do lucro e da livre empresa e o recolheu a beira do abismo aonde haviam conduzido aqueles, que atualmente, tentam amedrontar-vos”. A pedido de Roosevelt, o Congresso ampliou o número de magistrados na Suprema Corte, o que permitiu ao presidente nomear juízes favoráveis as reformas.
                A partir de 1935, ele aprofundou as politicas intervencionistas do Estado. Uma série de leis sociais foi promulgada, como a Lei de Seguridade Social, reconhecendo os direitos sociais dos trabalhadores. O governo também estimulou a construção de casas populares. Em 1937, muitos índices econômicos tinham melhorado, embora o desemprego continuasse alto. Receoso de que o déficit público gerasse inflação, o governo realizou cortes no orçamento, suspendendo diversas obras públicas. O resultado foi desastroso com o retorno da recessão. A produção caiu a níveis alarmantes e o desemprego aumentou ainda mais. Para os economistas do New Deal algo ficou claro: os gastos públicos injetavam dinheiro na economia, capitalizando as empresas e permitindo aos trabalhadores obterem rendimentos.
                A partir daí, o Estado passou a realizar grandes investimentos. Muitas obras públicas foram realizadas, como a eletrificação rural e a modernização de estradas e portos. Tais iniciativas beneficiam as empresas e ofereciam empregos aos trabalhadores. O New Deal deteve, sem dúvida, o colapso da economia norte-americana. Com a eclosão da II Guerra Mundial, as grandes encomendas governamentais para a indústria bélica reativaram de vez a economia norte-americana: navios de guerra, tanques, aviões, automóveis, armas, uniformes, etc. as políticas  reeleito por mais duas vezes (1940 e 1944).


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