quinta-feira, 15 de março de 2012

OS SOVIETES E A DEMOCRACIA PARTICIPATIVA

Os sovietes surgiram inicialmente como um conselho de trabalhadores democraticamente eleitos, com o objetivo de impulsionar as lutas sociais e políticas dos russos. Esses conselhos eram compostos de operários, camponeses, soldados e intelectuais. Tinham grande atuação, organizando greves, intermediando negociações entre patrões e empregados, publicando jornais, etc.
                Eles se espalharam rapidamente pelo país e ganharam influencia. Exerciam a fiscalização das ações governamentais e, em momentos críticos, chegaram a assumir responsabilidades que eram do governo, como cuidar do abastecimento, do transito, da iluminação e da saúde pública. Como afirma o historiador Marc Ferro, os sovietes se constituíram como uma espécie de poder paralelo dentro da Rússia, de tal forma que os bolcheviques os viam como um embrião de um futuro estado socialista.
                Os sovietes assumiram naquele momento, diversas demandas politicas e econômicas da população russa: a retirada das tropas russas da I Guerra Mundial, a implantação da reforma agrária, a luta por melhores salários e direitos sociais para a classe trabalhadora. Esses órgãos desempenharam, portanto, papel de protagonismo com relação a politica nacional russa, mas tiveram seu poder esvaziado devido ao autoritarismo burocrático que se instalou no país a partir da década de 1920, principalmente sob o governo de Stálin.
                Esse tipo de participação na tomada de decisões sobre as políticas públicas não é algo exclusivo do passado na Rússia. No Brasil, por meio de instancias variadas, como cooperativas, sindicatos, associações de bairro, organização não governamentais, etc., os cidadãos conseguem, por exemplo, definir prioridades para o destino dos gastos públicos, propor projetos de lei ou mudanças na legislação vigente, cobrar dos representantes políticos no governo o cumprimento das promessas de campanha, conhecer a forma de utilização dos impostos arrecadados, etc. É o que hoje chamamos de democracia participativa, assegurada a população brasileira na Constituição de 1989.(História em Movimento, p.127-128).

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