segunda-feira, 12 de março de 2012

A SOCIEDADE DAS TRINCHEIRAS, PELOS SOLDADOS

A Primeira Guerra Mundial ficou conhecida pelos horrores das trincheiras. Milhares de soldados de ambos os lados ficavam durante meses confinados nas trincheiras, padecendo com a fome, as doenças, o medo e a degradação humana. Alguns relatos dos próprios soldados impressionam:
                “O campo de batalha é terrível. Há cheiro de azedo, pesado e penetrante de cadáveres. Homens que foram mortos no último outubro estão meio afundados no pântano e nos campos de nabo em crescimento (...)Um pequeno veio de água corre atrás da trincheira, e todo mundo usa a água para beber e se lavar; é a única água disponível. Ninguém se importa com o inglês pálido que apodrece a alguns passos adiante. No cemitério os restos de uma matança foram empilhados e os mortos ficaram acima do nível do chão. As bombas alemãs, caindo sobre o cemitério, provocam uma horrível ressurreição”. (Rudolf Binding – que serviu em uma das divisões do exército alemão).
                      “Estamos tão cansados que dormimos, mesmo sob intenso barulho. A melhor coisa que poderia acontecer seria os ingleses avançarem e nos fazerem prisioneiros. Ninguém se importa conosco. Não somos revezados. Os aviões lançam projeteis sobre nós. Ninguém mais consegue pensar. As rações estão esgotadas, pão, conservas, biscoitos, tudo terminou! Não há uma única gota de água. É o próprio inferno! (Carta encontrado no bolso de um soldado alemão na Batalha de Somme).
                        “Ao ouvir alguns gemidos quando eu ia para a trincheira, olhei para um abrigo, ou buraco cavado ao lado e achei nele um jovem alemão. Ele não podia se mover porque suas pernas estavam quebradas. Implorou-me que lhe desse água, eu corri atrás de alguma coisa e encontrei um pouco de café que logo lhe dei para beber. Ele dizia todo o tempo “obrigado, obrigado, obrigado camarada”. Por mais que eu odeie os alemães, quando você está combatendo, a primeira reação que ocorre ao vê-los caídos por terra e feridos é sentir pena (...) Nossos homens são muito bons para com os alemães feridos. Na verdade, gentileza e compaixão com os feridos foram talvez as únicas coisas decentes que vi na guerra. Não é raro ver um soldado inglês e outro alemão lado a lado num mesmo buraco, cuidando um do outro”. (Arthur Conway – Tenente francês, 16 de setembro de 1916).



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