segunda-feira, 30 de abril de 2012

A REVOLTA DE ESPARTACO

Nas primeiras décadas do século I a.C., várias transformações sociais e políticas questionaram a supremacia do governo republicano em Roma. Um dos mais fortes indícios dessa instabilidade aconteceu entre 73 e 71 a.C., quando Espártaco organizou uma grande revolta de escravos que lutava pelo fim da condição servil e melhores condições de vida. Pela primeira vez, um movimento ia contra a prática que praticamente sustentava toda economia romana.
Nascido na região grega da Trácia, Espártaco viveu parte de sua vida como pastor e também serviu nas fileiras do exército romano. Após abandonar a vida militar, organizou um grupo de ladrões que realizava assaltos. Preso em 73 a.C., foi vendido como escravo para um treinador de gladiadores da região da Cápua, porção sul da Península Itálica. Insatisfeito com os maus tratos e humilhações impostas por seu proprietário, organizou uma pequena revolta junto com outros companheiros presos.
Assim que teve notícia do levantes, o governo romano logo providenciou a organização de tropas que abafassem o episódio. Contudo, ao contrário do que se esperava, Espártaco e seus demais companheiros conseguiram vencer as temidas forças do exército romano. A notícia logo incitou outros escravos a se juntarem ao bando de Espártaco. Em pouco tempo, os revoltosos tinham à sua disposição a força de quase 120 mil cativos que se aliaram à causa do heroico gladiador.
O rápido crescimento dessas forças pode ser explicado pelo impacto que cada uma das revoltas tinha para o imenso número de escravos e figuras marginalizadas da sociedade romana. Cláudio Glaber, primeiro pretor a enfrentar o incidente, pensou que poderia matar de fome os escravos realizando seu rápido isolamento no monte Vesúvio. Contudo, promovendo ataques repentinos, Espártaco e seus aliados romperam o bloqueio e tomaram as armas do Exército Romano.
Com o aumento dos participantes, a revolta de escravos passou a se dividir em duas frentes principais: uma primeira que permaneceu na Cápua e outra, liderada por Espártaco, que avançou em direção ao norte da Península Itálica. Nessa nova fase do conflito, os romanos conseguiram abater uma parcela dos escravos revoltosos. Contudo, o bando de Espártaco conseguiu seguir adiante para, talvez, alcançar a terra natal de seu principal líder.
Talvez querendo aproveitar a ausência de algumas importantes autoridades militares, Espártaco resolveu retornar ao sul com seus aliados. Roma, capital do governo, já começava a se sentir visivelmente ameaçada pelos triunfos dessas verdadeiras legiões de escravos combatentes. Sem demora, o Senado nomeou o general Licínio Crasso para combater os escravos com um poderoso destacamento de dez legiões, que equivalia a um numeroso exército de sessenta mil soldados.
A essa altura, a nova empreitada de Espártaco consistia em voltar à região sul, evitando a cidade de Roma, até alcançar embarcações de piratas que os levariam até a ilha da Sicília. Ao descobrir esse plano, o general Crasso pôde melhor organizar suas tropas e vencer os escravos rebeldes. Envolvida pelas legiões romanas, a empreitada dos escravos começava finalmente a ruir. Antes que o conflito terminasse, Espártaco tentou negociar sua rendição com o general Crasso.
Tendo sua trégua definitiva negada, não restou outra opção para os participantes da revolta senão lutar até a morte. Naturalmente, os exércitos romanos conseguiram vencer sem maiores dificuldades o levante de escravos. Para coibir outras possíveis revoltas, o Exército Romano crucificou seis mil escravos sobreviventes ao longo da via Apia, estrada que interligava a cidade de origem da revolta até a capital Roma.
Rainer Sousa

sexta-feira, 27 de abril de 2012

DESTINO MANIFESTO

Após conquistar a sua independência, os Estados Unidos vivenciou os desafios vividos pela autonomia através de um grande processo de expansão territorial. Já em 1803, o governo dos EUA duplicou suas dimensões territoriais ao adquirir as terras da Louisiana, que pertenciam à França. Décadas mais tarde, em 1846, o Óregon é negociado junto aos ingleses. Logo em seguida, um conflito contra o México garantiu mais terras ao sul.
Analisando superficialmente, podemos dizer que esse rápido crescimento se dava conforme os interesses pela expansão econômica do país se avolumavam. Não por acaso, toda essa euforia foi responsável pela atração de um grande número de imigrantes provenientes da França, Grã-Bretanha, Escandinávia, Países Baixos e de outras regiões do leste Europeu. Em geral, essas famílias chegavam até aqui com a expectativa de conseguirem um lote de terras ou atuarem como operários nas indústrias.
Extrapolando as razões de natureza econômica, podemos observar que a expansão norte-americana também foi justificada pelos valores disseminados pela doutrina do Destino Manifesto. Segundo tal ideologia, os estadunidenses comporiam um grupo de pessoas eleitas por Deus para promoverem o desenvolvimento e a formação da mais importante nação de todos os tempos.
Comparativamente, podemos ver que o Destino Manifesto oferecia sentimentos de ambição e autoconfiança,bastante semelhantes aos que os ideólogos do neocolonialismo, nessa mesma época, empregavam para explicar a dominação de regiões na África e na Ásia. No campo das artes, podemos ver que muitos pintores e poetas norte-americanos elaboravam paisagens naturais grandiosas, em que o homem estadunidense se lançava ao desafio da conquista.
Historicamente, o Destino Manifesto acabou por justificar a tomada dos territórios mexicanos e o processo de perseguição e extermínio de várias comunidades indígenas. Externamente, esse mesmo sentimento de ganho e liderança também foi um dos sustentáculos que explicavam a intervenção política e militar dos Estados Unidos em outras nações do continente americano.
Por fim, observamos que essa doutrina não se encaixava somente com os interesses econômicos da nação norte-americana. Sendo colonizada originalmente por cristãos puritanos, a nação americana tinha nessa doutrina, uma renovação de narrativas bíblicas em que um “povo eleito” saía em busca de sua “terra prometida”. De tal forma, vemos que a expansão das fronteiras acabava materializando um universo de valores culturalmente desenvolvidos ao longo do tempo.
Rainer Sousa

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A juventude brasileira, em prol de uma nação melhor.

Nos dias atuais, muito se fala em política no Brasil, principalmente os jovens que buscam uma igualdade entre as diversas culturas existentes em nosso país.
Quando falamos sobre política, religião, raça e outros assuntos polêmicos nos deparamos com uma atitude um pouco imparcial da população brasileira que, infelizmente, se acomodou na busca por direitos iguais entre as comunidades.
Nos ultimos anos, o Brasil vem sofrendo diversas agressões por parte dos governantes e por parte da própria população em sí, que não tem mais a força que tinha há 20 anos atrás, talvez.
Hoje, com o avanço tecnológico e a informática principalmente, todos ficamos sujeitos a não correr mais atrás daquilo que realmente importa pra nós, a igualdade.
Essa desigualdade no país, tem despertado a curiosidade de jovens do Brasil inteiro. Jovens que estão cheios de vontade de mudar a historia de um país com tanto potencial de crescimento.
O Brasil é hoje um dos maiores países do mundo em termos geológicos, ambientais e economicos, digo isso pois nosso país vem crescendo em grande quantidade e velocidade nos ultimos anos.
O unico problema de tudo isso, segundo a própria população, é a falta de organização e interesse por parte dos governantes e infelizmente da própria sociedade, que ainda não aprendeu a dar importância à sua pátria e aos seus direitos.
A juventude está se movendo para contribuir para um país melhor. E você? Já pensou em tentar mudar a historia do nosso país?
Pode começar com um simples vídeo, confira a seguir:
Mesmo com tantos apelos, a sociedade ainda não tem força suficiente para reivindicar seus direitos, confira:
É nítida a necessidade de mudança, mas para que isso realmente aconteça é preciso que todos nós estejamos prontos para essa batalha.
Por um país mais Justo!






segunda-feira, 23 de abril de 2012

A MUSICA NO EGITO ANTIGO

Estudiosos acreditam que a música no Antigo Egito tenha origens tão remotas como a da Mesopotâmia. Graças a afrescos em templos e túmulos, é possível reconstruir com relativa precisão o desenvolvimento dos instrumentos musicais e o uso da música na civilização egípcia. Entre o Sexto e o Quarto milênio a.C., após o estabelecimento das primeiras cidades, a dança era a principal manifestação musical e os instrumentos provavelmente vieram do sul da África e da Suméria.
Na época do Império Antigo, entre a III e X Dinastias, c. 2635 a 2060 a.C., a música egípcia viveu seu auge. Muitas representações mostram pequenos conjuntos musicais, (com cantores, harpas e flautas) e inscrições coreográficas descrevem danças realizadas para o Faraó. Acredita-se que este tenha sido o período de maior florescimento da arte musical egípcia .
No Império Médio (XI a XVII dinastia) conjuntos maiores e até orquestras são representados. Entre os instrumentos , há harpas, alaúdes, liras, flautas, flautas de palheta dupla (oboés), trombetas, tambores e crótalos. No Império Novo (XVIII a XX dinastia), estes instrumentos se aperfeiçoam. A música passa a ter papel ritual e militar.
Alguns destes instrumentos foram encontrados em escavações de pirâmides, templos e túmulos subterrâneos do Vale dos Reis, mas infelizmente, nenhum deles de afinação fixa. Isso impossibilita definir que tipos de escalas musicais eram utilizadas. Não foi encontrado nenhum texto que permita deduzir a existência de um sistema de notação e também não há textos sobre teoria musical. Aparentemente isso se deve ao fato de que os músicos não gozavam, entre os egípcios, do mesmo status que tinham entre os sumérios. Muitos afrescos mostram músicos sempre ajoelhados e vestidos como escravos. A posição subalterna não permitia a transmissão dessa arte pouco valorizada através dos textos.
A cultura musical do Egito Antigo entrou em decadência junto ao próprio Império. Com as sucessivas invasões, a música do egito passou a ser influenciada pelos gregos e romanos, perdendo totalmente sua independência. Músicos gregos são contratados para integrar a corte e trazem consigo alguns de seus instrumentos. Até uma espécie de órgão hidráulico foi encontrado. Alguns musicólogos acreditam que os últimos vestígios da música faraônica ainda possam ser identificados na liturgia copta.
Fonte: Wikipédia.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A REFORMA CALVINISTA

O movimento reformista ganhou força em diferentes partes de uma Europa em intensa transformação. Na Suíça, a burguesia tinha grande influência nas cidades-república de Genebra, Zurique, Basiléia e Berna. No entanto, o poderio econômico dessa nova classe social era tolhido pelos poderes políticos preservados nas mãos dos clérigos que administravam esses mesmos centros urbanos.
Foi nesse contexto que, no início do século XVI, o padre Huldrych Zwingli começou a se aproximar das idéias defendidas por Martinho Lutero. Durante sua vida, o padre humanista teve grande atuação entre os populares que sofreram com o surto de peste bubônica que assolou as ruas de Zurique. Essa experiência vivida pelo clérigo o alertou para a reforma do catolicismo defendendo um tipo de experiência religiosa mais simples e atuante.
Por iniciativa própria, Zwingli se envolveu em um movimento reformista que defendia a predestinação absoluta e criticava a confissão religiosa nas igrejas. No ano de 1531, Zwingli tentou aproximar sua nova perspectiva religiosa dos grupos conservadores da Suíça. Sua tentativa de mudança criou uma guerra civil que provocou a morte do líder religioso. Mesmo sendo morto, seu esforço resultou na assinatura da Paz de Kappel, que permitiu a liberdade religiosa no interior da Suíça.
A onda reformista atingiu a Suíça como um todo. Na cidade de Genebra, os habitantes conseguiram destituir o poder político dos nobres e clérigos. Nessa mesma cidade, o teólogo francês João Calvino (1509 – 1564) empreendeu uma nova compreensão dos princípios religiosos defendidos por Martinho Lutero. Na obra “Instituições da religião cristã”, Calvino defendeu diversos princípios do pensamento luterano e reforçou a Teoria da Predestinação Absoluta.
Entre outras idéias, o pensamento calvinista defendia princípios morais bastante rígidos e via no trabalho e na poupança duas virtudes a serem valorizadas pelo verdadeiro cristão. A valorização do trabalho e a contenção dos lucros foram princípios que atraiam vários representantes da burguesia suíça. Em pouco tempo, Calvino conseguiu uma vertiginosa ascensão política e religiosa que o concedeu o controle da nova Igreja e do governo suíço.
Segundo os pesquisadores da temática religiosa, as idéias do calvinismo foram de suma importância para que o sistema capitalista se desenvolvesse. A idéia de trabalho árduo e acúmulo de capitais, rechaçados por essa nova denominação, impulsionaram o desenvolvimento dos negócios e dos novos empreendimentos comerciais. Nesse mesmo período, o calvinismo ganhou força na Inglaterra, na Escócia, na Holanda e na França.
Rainer Sousa


quinta-feira, 19 de abril de 2012

MITO DE PROMETEU

Há várias versões sobre o mito de Prometeu, herói da mitologia grega. Seu nome, no idioma grego, significa ‘premeditação’. E é realmente o que este titã, um dos deuses que enfrentam o Olimpo e suas divindades, mais pratica em sua trajetória, a arte de tramar antecipadamente seus planos ardilosos, com a intenção de enganar os deuses olímpicos.
Ele era filho de Jápeto e de Ásia, irmão de Atlas, Epimeteu e Menoécio, e se tornou o progenitor de Deucalião. Uma outra vertente menos significativa aponta como pais de Prometeu a deusa Hera e o gigante Eurimedon. Este deus foi o co-criador, ao lado de Epimeteu, da raça humana, e a ela também se atribui o furto do fogo divino, com o qual presenteou a Humanidade.
Muito amigo de Zeus, o ardiloso Prometeu ajudou o deus supremo a driblar a fúria de seu pai Cronos, o qual foi destronado pelo filho. O dom da imortalidade não o impediu de se aproximar demais do Homem, sua criação – de acordo com algumas histórias, ele o teria concebido com argila e água, depois que seu irmão esgotou toda a matéria-prima de que dispunha com a geração dos outros animais, e lhe pediu auxílio para elaborar a raça humana.
Ele concedeu ao ser humano o poder de pensar e raciocinar, bem como lhes transmitiu os mais variados ofícios e aptidões. Mas esta preferência de Prometeu pela companhia dos homens deixou o enciumado Zeus colérico. A raiva desta divindade cresceu cada vez mais quando ele descobriu que seu pretenso amigo o estava traindo.
O titã matou um boi e o fracionou em dois pedaços, ambos ocultos em tiras de couro; destas frações uma detinha somente gordura e ossos, enquanto a carne estava reservada para o pedaço menor. Prometeu tentou oferecer a parte mínima para os deuses olímpicos, mas Zeus não aceitou, pois desejava o bocado maior. Assim sendo, o filho de Jápeto lhe concedeu este capricho, mas ao se dar conta de que havia sido ludibriado, Zeus se enfurece e subtrai da raça humana o domínio do fogo.
É quando Prometeu, mais uma vez desejando favorecer a Humanidade, rouba o fogo do Olimpo, pregando uma peça nos poderosos deuses. Já outra versão justifica essa peripécia de Prometeu como uma forma de obter para a raça humana um elemento que lhe garantiria a necessária supremacia sobre os demais seres vivos.
O fato é que Zeus decidiu punir Prometeu, decretando ao ferreiro Hefesto que o prendesse em correntes junto ao alto do monte Cáucaso, durante 30 mil anos, durante os quais ele seria diariamente bicado por uma águia, a qual lhe destruiria o fígado. Como Prometeu era imortal, seu órgão se regenerava constantemente, e o ciclo destrutivo se reiniciava a cada dia. Isto durou até que o herói Hércules o libertou, substituindo-o no cativeiro pelo centauro Quíron, igualmente imortal.
Zeus havia determinado que só a troca de Prometeu por outro ser eterno poderia lhe restituir a liberdade. Como Quíron havia sido atingido por uma flecha, e seu ferimento não tinha cura, ele estava condenado a sofrer eternamente dores lancinantes. Assim, substituindo Prometeu, Zeus lhe permitiu se tornar mortal e perecer serenamente. Este belo mito foi transformado em célebre tragédia pelo poeta grego Èsquilo, no século V a.C, intitulada Prometeu Acorrentado.
Ana Lucia Santana.

terça-feira, 17 de abril de 2012

O NAZISMO ALEMÃO

Após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha foi palco de uma revolução democrática que instaurou no país. A primeira grande dificuldade pela jovem república foi ter que assinar, em 1919, o Tratado de Versalhes que, impunha pesadas obrigações à Alemanha.
À medida que os conflitos sociais foram se intensificando, surgiram no cenário político alemão partidos ultranacionalistas, radicalmente contrários ao socialismo. Curiosamente, um desses partidos chamava-se Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Partido Nazista) e era liderado por um ex-cabo de nome Adolf Hitler.
As eleições presidenciais de 1925 foram vencidas pelo velho Von Hindenburg que, com a ajuda do capital estrangeiro, especialmente norte-americano, conseguiu com que a economia do país voltasse a crescer lentamente. Esse crescimento, porém, perdurou somente até 1929. Foi quando a crise econômica atingiu com tal força a Alemanha, que, em 1932, já havia no país mais de 6 milhões de desempregados.
Nesse contexto de crise, os milhões de desempregados, bem como muitos integrantes dos grupos dominantes, passaram a acreditar nas promessas de Hitler de transformar a Alemanha num país rico e poderoso. Assim, nas eleições parlamentares de 1932, o Partido Nazista conseguiu obter 38% dos votos (230 deputados), mais do que qualquer outro partido. Valendo-se disso, os nazistas passaram a pressionar o presidente e este concedeu a Hitler o cargo de chanceler, chefe do governo.
No poder, Hitler conseguiu rapidamente que o Parlamento aprovasse uma lei que lhe permitia governar sem dar satisfação de seus atos a ninguém. Em seguida, com base nessa lei, ordenou a dissolução de todos os partidos, com exceção do Partido Nazista. Em agosto de 1934, morreu Hindenburg e Hitler passou a ser o presidente da Alemanha, com o título de Führer (guia, condutor).
Fortalecido o Führer lançou mão de uma propaganda sedutora e de violência policial para implantar a mais cruel ditadura que a humanidade já conhecera. A propaganda era dirigida por Joseph Goebbles, doutor em Humanidades e responsável pelo Ministério da Educação do Povo e da Propaganda. Esse órgão era encarregado de manter um rígido controle sobres os meios de comunicação, escolas e universidades e de produzir discursos, hinos, símbolos, saudações e palavra de ordem nazista.
Já a violência policial esteve sob o comando de Heinrich Himmler, um racista extremado que se utilizava da SS (tropas de elite), das SA (tropas de choque) e da Gestapo (polícia secreta de Estado) para prender, torturas e eliminar os inimigos do nazismo. No plano econômico, o governo hitlerista estimulou o crescimento da agricultura, da indústrias de base e sobretudo, da indústria bélica.
Com isso, o desemprego diminuiu, o regime ganhou novos adeptos e a Alemanha voltou a se equipar novamente, ignorando os termos do Tratado de Versalhes.
Tiago Dantas

O FASCISMO ITALIANO

A Itália, após a Primeira Guerra Mundial, passou por uma grande crise econômica. Nesse aspecto, mesmo integrando o conjunto de países vitoriosos após a Primeira Guerra Mundial, a Itália não conquistou os benefícios correspondentes aos desgastes e perdas sofridas durante o conflito. A partir de 1919, centros urbanos e rurais se tornaram grandes palcos da miséria e da dificuldade econômica sofrida pelo povo italiano. Em resposta a tantos contratempos, esse mesmo período também ficou marcado pela deflagração de greves, agitações político-revolucionárias e a invasão de terras e fábricas.

O governo parlamentar italiano, dominado pelo Partido Socialista e pelo Partido Popular, não conseguiu responder aos anseios da população, promovendo a impopularidade de sua atuação política. Foi nesse quadro social e político instável que o ex-líder socialista Benito Mussolini começou a ganhar destaque.

Atuando inicialmente em pequenas milícias anticomunistas, formadas pelos “camisas-negras”, Mussolini começou a angariar o apoio das elites e de outros setores da sociedade italiana. Esse grupo, logo depois, deu origem a um novo partido comandado por Benito Mussolini: o Partido Nacional Fascista.

Entre os principais aspectos defendidos pelos fascistas, podemos destacar a crítica ao regime republicano e o liberalismo econômico. Além disso, os fascistas lutavam contra os movimentos sindicais e os grupos políticos comunistas. Contado ainda com um forte apelo nacionalista, o fascismo italiano conseguiu atrair conservadores e os setores médios da sociedade.
Com a consolidação do movimento, em 1922, Mussolini organizou a “Marcha sobre Roma”. Contando com cerca de 50 mil “camisas-negras” o movimento fascista forçou a deposição do rei Vitor Emanuel III e o estabelecimento de um novo governo liderado por Benito Mussolini. Entre os anos de 1922 e 1925, o novo governo fascista conseguiu reaquecer a economia italiana e, por meio de eleições fraudulentas, obter a maioria no Parlamento.

Os números positivos alcançados por Mussolini proveram as condições favoráveis para que ele reprimisse os partidos de oposição e os movimentos sindicais. Dessa maneira, em 1926, Mussolini promoveu a centralização do poder político. Suprimiu o direito à greve, estabeleceu o sistema unipartidário (contando apenas com o Partido Nacional Fascista) e subjugou o Poder Legislativo ao Poder Executivo.
Alcançando o posto de Duce (líder supremo), Mussolini divulgou um documento que tratou das questões trabalhistas. Na Carta Del Lavoro (“Carta do Trabalho”), ele defendeu a tese corporativista, onde o operariado deveria se harmonizar aos interesses do Estado e da burguesia industrial.

Sob outros pontos o fascismo italiano também mostrou sua ação controladora. Os jovens eram incentivados a ingressar nas instituições militares e os livros didáticos eram exclusivamente produzidos pelo Estado. Sob o lema “crer, vencer e combater”, a veneração aos símbolos nacionais e a adoração a Benito Mussolini também eram práticas amplamente incentivadas.
Em 1929, o governo fascista ainda buscou o apoio da Igreja Católica. Os acordos estabelecidos pelo Tratado de Latrão selaram um acordo diplomático entre Mussolini e a Igreja. Entre outros pontos, o tratado estabeleceu a criação do Estado do Vaticano como um território politicamente controlado pela Igreja e fez do catolicismo a religião oficial da Itália.

 Naquele mesmo ano, com o desequilíbrio da economia capitalista, Mussolini iniciou um projeto imperialista que visava restaurar os domínios do antigo Império Romano. Dessa maneira, as forças militares italianas invadiram regiões da África buscando pôr tal projeto em prática. Com essas primeiras investidas, o governo de Benito Mussolini deu início às tensões diplomáticas que conduziriam a Europa ao início da Segunda Guerra Mundial.
Rainer Sousa

segunda-feira, 16 de abril de 2012

SBT REPÓRTER - AUSCHWITZ


BOMBA ATÔMICA - HIROSHIMA/FANTASTICO-1976 - PARTE 1


A VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS

Phileas Fogg é um cavalheiro inglês, um tanto quanto solitário e sereno, que mora em Londres e tem uma rotina inalterável.
No dia 2 de outubro de 1872, Fogg estava à mesa a jogar seu carteado com os outros membros do Reform Club, como de hábito. Eis que surge um assunto novo, acerca do roubo acontecido em um banco londrino, dias atrás. O ladrão havia levado 55 mil libras da casa bancária, e fugira sem deixar traços. Sentados à mesa, os jogadores especulam a respeito do paradeiro do gatuno. Fogg, até então quieto, comenta que o referido ladrão poderia estar em qualquer lugar do mundo, afinal este já se tornara suficientemente pequeno para que qualquer um lhe desse a volta em oitenta dias. Seus colegas dizem que tal façanha seria impossível, e que Fogg não estava levando em conta os possíveis imprevistos que tal empreitada traria consigo. Fogg não arreda o pé e, impassível, diz que ele mesmo o faria. Travam então uma aposta de 20 mil libras e Fogg decide partir no mesmo dia. Estaria de volta no dia 21 de dezembro do mesmo ano.
Partem então ele e seu criado Jean Passepartout (um francês), que acabara de ser contratado e, atônito, seguia todas as orientações de seu amo. Pegam um trem para o sul da Europa, e de lá, um vapor para Suez, na África. No seu encalço, entretanto, segue um detetive inglês, convicto de que havia sido ele quem roubara o banco londrino! O detetive Fix segue Fogg e seu criado Passepartout até Suez, possessão inglesa, à espera de um mandado de prisão de Phileas Fogg, para garantir uma recompensa oferecida pela polícia inglesa. O mandado não chega e Fix é obrigado a segui-los até que consiga a ordem de prisão. Fogg e Passepartout pegam outro navio em Suez com destino a Bombaim, cidade na costa oeste da Índia. Fix continua a segui-los de perto, crente de que fora Fogg quem roubara aquele banco.
Já em Bombaim, os dois pegam um trem para Calcutá, na costa oeste indiana. Surge um imprevisto, porém, visto que a ferrovia não estava acabada! Tiveram que descer na metade do caminho e improvisar um segundo meio de transporte até chegar ao outro ponto da rede, onde haveria outro trem. Fogg, um homem mais que remediado, compra para si um elefante, e seguem viagem, pois além do dinheiro da aposta, o que mais assusta Fogg é não honrar sua palavra ao dizer que daria a volta ao mundo em oitenta dias!
Com um guia contratado vão para a selva adentro até alcançarem a outra parte da ferrovia, e no caminho, presenciam um estranho ritual nativo : uma bela mulher era carregada para ser queimada viva junto ao corpo de seu viúvo.Fogg, que estava algumas horas adiantadas, decide resgatar a moça e fugir.
Chegam por fim a Calcutá, os dois e a resgatada,de lá partem para Hong Kong em um navio, ainda seguidos por Fix, ansioso em pegá-los. Em Hong Kong, Fix decide contar a razão de estar os seguindo para Passepartout, que não acredita em uma só palavra do detetive. Este está tramando atrasar a viagem daqueles para que o mandado de prisão finalmente chegue e ele os consiga prender. Fix deixa Passepartout inebriado depois de uma ida a um bar da cidade, e seu amo Fogg acaba por perder o navio que os levaria a Yokohama, no Japão. Passepartout, desorientado, embarca para Yokohama, mas deixa seu amo para trás. Fogg não se faz de vencido e aluga um barco para levar ele, a senhorita Aouda (a donzela resgadata) e Fix (o qual pensa ser um amigo) para o porto de Xangai, na China. Lá, conseguem pegar um outro navio para Yokohama e seguir viagem para São Francisco, EUA.
Em território estadunidense, já não há como o detetive prender Fogg, já que se encontram fora de área sob jurisdição inglesa, e portanto Passepartout permite que este continue a viagem com os três, sem contar nada a seu amo. Em São Francisco os quatro pegam um trem para Nova Iorque, na recém-inaugurada ferrovia que corta os EUA de oeste a leste. No meio do caminho um bando de índios Sioux ataca o trem e leva Passepartout como refém. Seu dedicado amo não pensa duas vezes ao ir regatá-lo eprosseguir viagem. Chegam atrasados a Nova Iorque, tendo perdido o navio que partira de lá para Liverpool, mas Fogg consegue alugar um navio que os levaria até a costa inglesa. Quando chegam ao Reino Unido, ainda em tempo de Fogg ganhar a aposta, Fix dá ordem de prisão a Phileas Fogg, e leva-o para a prisão.
Descobre-se que o verdadeiro ladrão já havia sido preso há 3 dias, e após algumas horas Fogg é solto. Partem em correria os três, Fogg, Passepartout e Aouda para Londres, mas chegam 5 minutos atrasados e nem passam pela frente do clube. Fogg, no outro dia, profundamente abatido, vai conversar com Aouda, e acaba a pedindo em casamento. Marcam a cerimônia para o dia seguinte, e acabam descobrindo que ainda havia tempo para ganhar a aposta! Ao contornar o mundo indo sempre para leste, Fogg havia ganhado um dia de vantagem, o que não havia notado! Seus colegas ainda o esperavam no salão no Reform Club no horário combinado, quando Phileas Fogg chega, faltando poucos segundos, e ganha a aposta!



REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: O FORTALECIMENTO DO CAPITALISMO E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS


O capitalismo se desenvolveu rapidamente na Inglaterra, de onde se espalhou para outros países. O sistema capitalista apresenta algumas características que lhe são essenciais: a propriedade privada dos meios de produção; a existência de um mercado consumidor; a presença de um grande número de pessoas que vendam sua força de trabalho ao capitalista; e um universo ideológico e cultural orientado para uma sociedade consumista.

                        Com a Revolução Industrial, as relações de trabalho sofreram profundas transformações. Os artesãos que antes possuíam a matéria-prima e os instrumentos de trabalho (meios de produção) passaram a condição de trabalhadores assalariados, vendendo sua força de trabalho aos capitalistas, os donos dos meios de produção e detentores dos lucros obtidos com o trabalho. Com isso, o artesão perdeu a autonomia da produção doméstica que ele obtinha por meio de seu próprio trabalho, com a ajuda de alguns aprendizes ou sua própria família. O novo modo de produção requeria total submissão à disciplina da fábrica, impondo uma rotina repetitiva e monótona. A divisão do trabalho e a mecanização da produção aumentavam os rendimentos dos capitalistas, ao mesmo tempo em que desqualificavam o trabalho do produtor artesanal, impondo ao trabalhador a repetição de movimentos cada vez mais simplificados. Os salários dos operários eram baixos e o risco de desemprego era constante, o que levava o trabalhador a se submeter à exploração capitalista.

                        O trabalho fabril predominava nas grandes cidades industriais inglesas. Essa nova configuração da vida urbana provocou uma mudança na percepção do tempo, alterando o ritmo das atividades cotidianas das pessoas. A classe trabalhadora precisa ser disciplinada para aceitar o tempo medido pelo relógio e se habituar a ele. Nas sociedades pré-industriais o tempo era contado, medido e organizado em função das tarefas que se deviam realizar, ou seja, ligava-se aos ritmos da natureza, como o dia e a noite, o período de chuvas e o de seca, o fluxo das marés, as fases da lua, a época de semear e de colher, etc. Antes do aparecimento das fábricas, portanto, o relógio não era necessário. Porém, quando as relações de trabalho se transformaram, mudou também a orientação que as pessoas tinham com relação ao tempo. O assalariamento gerou a necessidade de controlar a produtividade, ou seja, de criar uma jornada de trabalho. Simultaneamente, começaram a se difundir o relógio. Embora houvesse relógios nas praças e torres de igrejas desde o século XIV, eles eram muito imprecisos, e as pessoas ainda preferiam se orientar pelos relógios de sol. Até o século XIX só os que tinham muito dinheiro possuíam relógios, ou seja, o instrumento era mais um símbolo de prestigio do que uma forma de medir o tempo. Sua difusão em massa coincide exatamente com a Revolução Industrial, quando marca o tempo passa a ser essencial.

                        Além de transformações na divisão do trabalho, a Revolução Industrial provocou grandes transformações sociais. A concentração populacional nos meios urbanos aumentou durante todo o século XIX. O trabalho apressado e incessante nas fábricas acelerou, também, o ritmo de vida dos habitantes das cidades industriais. Essas transformações foram sentidas principalmente pelos camponeses que migravam para as cidades em busca de trabalho. Nas cidades, eles tinham que se adaptar a um novo modo de vida, que lhes impunha a necessidade constante de dinheiro para comprar bens primários, como alimentos e roupas e pagar alugueis e serviços (transporte e atendimento médico). As relações de reciprocidades, predominantes nas comunidades rurais, eram substituídas, nos meios urbanos, pela impessoalidade e pelo individualismo, o que causava nos trabalhadores uma sensação de anonimato em suas relações sociais.

                        Os operários eram homens, mulheres e crianças que abandonaram suas atividades tradicionais como artesanato e campesinato para trabalhar nas indústrias. O salário que recebiam era insuficiente para o sustento familiar, e muitos não conseguiam pagar o aluguel de uma casa, sendo obrigados a esperar por vagas nos albergues da cidade. Os que conseguiam pagar um aluguel moravam em residências precárias próximas as fábricas, onde a poluição e a falta de saneamento básico tornavam o ambiente propicio para o contágio de doenças. Nos momentos que não estavam trabalhando, nem cuidando dos seus afazeres, o que era raro; os operários procuravam aliviar a rotina extenuante aproveitando as poucas oportunidades de lazer das cidades. Eles costumavam frequentar pubs (bares), nos quais se divertiam, conversavam e buscavam formas de se organizar para reivindicar melhorias. As feiras ao ar livre atraiam muitos operários que participavam tocando instrumentos musicais, cantando, dançando e jogando cartas. Outras atividades que tinha origem rural eram as competições de corrida ( a pé ou a cavalo) e o pugilismo. O futebol criado na segunda metade do século XIX era um esporte bastante praticado pelos operários. Esse esporte teve suas regras estabelecidas em 1863, coma criação da Associação de Futebol, em Londres, que estabeleceu as regras básicas do esporte.

                        Até o inicio da Revolução Industrial a burguesia costumava investir seu dinheiro no comércio de longa distancia, nas negociações bancárias e nas manufaturas. Com o advento da maquinofatura e a ampliação do acesso às matérias-primas, a possibilidade de produzir bens em maior quantidade em menor tempo levou muitos burgueses a investirem na atividade industrial. Dessa forma, começou a se construir, primeiramente na Inglaterra a chamada burguesia industrial, grupo composto por empresários que detinham capital suficiente para manter uma fábrica em atividade. Também eram conhecidos como a alta burguesia. Cada vez mais ricos e ociosos, os burgueses moravam em mansões suntuosas, nos bairros distantes das fábricas, e divertiam-se praticando a caça, passeando e frequentando luxuosos teatros. Além disso, aproveitam o tempo livre para estudar manuais de etiqueta e, também livros sobre conhecimentos modernos. Com isso, a burguesia criou um novo padrão de cultura e de comportamento, caracterizado pelo apreço a administração racional do tempo e do dinheiro.

                        A Revolução Industrial aumentou o contraste social entre a rica burguesia e a massa pobre de operários, mas possibilitou o surgimento de uma classe social intermediária: a classe média, também chamada de pequena burguesia. Essa nova classe era formada principalmente por profissionais autônomos como médicos, advogados, engenheiros, jornalistas e professores, além de pequenos proprietários e funcionários públicos. Esse grupo social dava grande valor a moral burguesa, exaltando o sucesso financeiro e cultivando um modo de vida austero e sem excessos. Muitos membros da classe média mantinham contato com os operários, o que estimulava a denunciar as péssimas condições de vida da população pobre, enquanto condenavam as atitudes que consideravam imorais, como o roubo e a mendicância.

sábado, 14 de abril de 2012

ARIANISMO

Ao falarmos sobre a Igreja Cristã, é comum relacionarmos o desenvolvimento de uma hierarquia centralizada à expansão do cristianismo. Por meio de encíclicas, bulas e concílios, a Igreja foi empreendendo formas de organização que zelavam pelo crescimento da religião e a adoção de um mesmo credo. Entretanto, tendo se disseminado pelas regiões do antigo Império Romano, o cristianismo foi alvo de importantes debates que negavam essa imagem unitária.
No interior do Império Bizantino, uma polêmica questão teológica se desenvolvia com respeito à natureza física de Jesus Cristo. Na visão do sacerdote alexandrino Ário, o messias deveria ser encarado como um ser criado por Deus que não possuía uma origem divina e nem seria dotado de vida eterna. Por meio dessa perspectiva, Jesus assumia uma feição humanizada que poderia enfraquecer a condição sagrada a ser inculcada a todos os seguidores do cristianismo.
Ao contrário do que se pensa, os arianistas viam na condição humana de Cristo mais uma comprovação da força de seu legado espiritual. Afinal de contas, ao realizar a pregação das verdades cristãs, suportar todas as perseguições e encarar a própria morte, ele reforçava um ideal a ser seguido por todos os homens que admiravam seu legado. Entretanto, essa perspectiva não era bem vista por outra significativa parcela dos clérigos do mundo ocidental.
Estabelecida a diferença de opinião entre os cristãos, a natureza de Cristo acabou sendo uma das mais importantes pautas que apareceram no Concílio de Niceia, em 325. Ao fim das discussões, os participantes dessa importante reunião chegaram à conclusão de que Jesus Cristo era composto da mesma substância de Deus e que não poderia ser julgado como uma mera criatura mortal. Com isso, os seguidores do arianismo foram acusados de organizar um movimento de tendência herética.
Mesmo sendo visto como uma heresia, o arianismo foi propagado em diversas tribos germânicas do mundo Europeu. De fato, existem vários relatos que mostram que a conversão ao arianismo fora anterior à disseminação do cristianismo sob os moldes romanos. Próxima ao monofisismo, essa heresia situa as várias tensões religiosas que se desenvolvem na história do Cristianismo.
Rainer Sousa


sexta-feira, 13 de abril de 2012

GEOCENTRISMO

Geocentrismo é uma teoria a respeito do sistema cosmológico, segundo a qual a Terra seria o centro do Universo.
Na Grécia Antiga, Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) já defendia a idéia de que o Universo seria um enorme círculo finito, sendo que a Terra estaria no centro desse círculo. Para ele, existiriam 9 esferas girando em torno da Terra.
No século II d.C. um astrônomo, geógrafo e matemático chamado de Cláudio Ptolomeu, baseado na trigonometria, afirmava que ao redor da Terra giravam a Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno, exatamente nessa ordem.
Ainda segundo Ptolomeu, cada planeta girava ao longo de um círculo pequeno chamado epiciclo. Portanto, cada planeta teria seu próprio epiciclo. O centro do epiciclo (de cada planeta) se moveria em um círculo maior, ao qual denominou como deferente, sendo que a Terra ficaria posicionada um pouco afastada do centro do referente.
Para Ptolomeu a Terra não estava no centro do deferente. O deferente, alias, seria um círculo excêntrico em relação à Terra. Com a idéia do equante, Ptolomeu buscou explicar o fato dos planetas não se movimentarem de forma uniforme.
Além dessas teorias, Ptolomeu observou o movimento lunar e elaborou tabelas a esse respeito, que foram utilizadas séculos depois por Nicolau Copérnico.
O Almagesto é a principal obra de Ptolomeu. É composta por um conjunto de 13 livros, traduzidos em aproximadamente 500 páginas, que trata de assuntos como:
- Astronomia esférica.
 - Teoria solar.
 - Teoria lunar.
 - Teoria planetária.
 - Eclipses.
 - Estrelas fixas.
O sistema geocêntrico também é conhecido por sistema Ptolomaico, afinal, a teoria de Ptolomeu foi aceita e defendida, inclusive pela Igreja Católica, por aproximadamente 1400 anos.
Durante toda a Idade Média, o sistema geocêntrico foi defendido pelos estudiosos. Nessa época não era consenso a idéia de que a Terra seria chata.
Somente com as idéias Iluministas, o sistema geocêntrico começou a ser contestado, e depois foi substituido pelo modelo heliocentrico.
Thais Pacievitch

Afeganistão continua muito pobre dez anos após fim do regime Talibã

A ÚLTIMA LEGIÃO

Romulus Augustus (Thomas Sangster) tem apenas 12 anos, mas acaba de ser coroado imperador de Roma. Porém, a cidade logo é atacada por bárbaros, a população dizimada e o garoto, capturado. Um pequeno grupo de soldados, liderados por Aurelius (Colin Firth), tenta salvar a vida do menino.
Aventura que tenta recuperar a tradição de filmes sobre o Império Romano. Aqui, novamente, parte-se de uma figura real, como os clássicos Ben Hur (1959) e Spartacus (1960). O personagem central é um herdeiro do império, chamado Romulus Augustus (Thomas Sangster, de Tristão e Isolda), que governou Roma por poucos dias antes de a capital ser tomada pelos bárbaros.
 No dia da coroação do pequeno imperador de 12 anos, seu pai Orestes (Iain Glen, de Lara Croft: Tomb Raider) recusa-se a fazer um acordo com um general bárbaro (Peter Mullan, de Filhos da Esperança). Por conta disso, a segurança do menino fica ameaçada. Seu tutor, Ambrosinus (Ben Kingsley), prevê o perigo. Para evitar o pior, Orestes escolhe como segurança de seu herdeiro Aurelius (Colin Firth), da Quarta Legião.
Aurelius tem pouco tempo para se acostumar com sua nova tarefa, quando uma horda de bárbaros invade a cidade. Eles matam diversas pessoas – inclusive Orestes – e capturam Romulus e Ambrosinus, que são levados para uma fortaleza na ilha de Capri.
Nem tudo está perdido. Naquela ilha, o garoto encontra a espada mitológica de César, que contém uma profecia: “Uma ponta para defender, a outra para derrotar; ...para caber na mão daquele... que está predestinado a reinar”.
Aurelius, no entanto, não morreu, nem desistiu de sua missão, que é guardar a vida de Romulus. Tentará libertar o jovem com o auxílio de um pequeno exército e de um guerreiro bizantino misterioso, que usa apenas roupas negras (interpretado pela atriz indiana Aishwarya Rai).
Com cenas rodadas na Tunísia (representando Roma) e na Eslováquia (representando a Bretanha), a produção é assinada pelo veterano Dino De Laurentiis, que já produziu épicos como Guerra e Paz (1956), outros mais intimistas como Noites de Cabíria (1957) e a ficção científica Barbarella (1968). De Laurentiis também é o produtor de toda a série de filmes do personagem Hannibal Lecter – inclusive o mais recente, Hannibal – A Origem do Mal.
Embora baseado em fatos reais, A Última Legião não deixa de ser uma especulação sobre o destino do último imperador de Roma. Dirigido por Doug Lefler (que trabalhou como diretor de segunda unidade em Homem-Aranha), o filme dá mais destaque às cenas de luta do que ao contexto histórico ou ao desenvolvimento de personagens.
Fonte: CineWeb.





quinta-feira, 12 de abril de 2012

CORONELISMO


No inicio do período republicano no Brasil (final do século XIX e começo do XX), vigorou um sistema conhecido popularmente como coronelismo. Este nome foi dado, pois a política era controlada e comandada pelos coronéis (ricos fazendeiros).
Características do coronelismo:
- Voto de Cabresto: na República Velha, o sistema eleitoral era muito frágil e fácil de ser manipulado. Os coronéis compravam votos para seus candidatos ou trocavam votos por bens matérias (pares de sapatos, óculos, alimentos, etc). Como o voto era aberto, os coronéis mandavam capangas para os locais de votação, com objetivo de intimidar os eleitores e ganhar votos. As regiões controladas politicamente pelos coronéis eram conhecidas como currais eleitorais.
- Fraude eleitoral: os coronéis costumam alterar votos, sumir com urnas e até mesmo patrocinavam a prática do voto fantasma. Este último consistia na falsificação de documentos para que pessoas pudessem votar várias vezes ou até mesmo utilizar o nome de falecidos nas votações.
- Política do café-com-leite: no começo do século XX, os estados de São Paulo e Minas Gerais eram os mais ricos da nação. Enquanto o primeiro lucrava muito com a produção e exportação de café, o segundo gerava riqueza com a produção de leite e derivados. Os políticos destes estados faziam acordos para perpetuarem-se no poder central. Muitos presidentes da República, neste período, foram paulistas e mineiros.
- Política dos Governadores: os governadores dos estados e o presidente da República faziam acordos políticos, na base da troca de favores, para governarem de forma tranqüila. Os governadores não faziam oposição ao governo central e ganhavam , em troca deste apoio, liberação de verbas federais. Esta prática foi criada pelo presidente Campos Sales (1898-1902) e fortaleceu o poder dos coronéis em seus estados.
Fim do coronelismo
Com a Revolução de 1930 e a chegada de Getúlio Vargas à presidência da República, o coronelismo perdeu força e deixou de existir em várias regiões do Brasil. Apesar disso, algumas práticas do coronelismo, como, por exemplo, a compra de votos e fraudes eleitorais continuou existindo, por muito tempo, em algumas regiões.

A REPÚBLICA DE ROMA

O período republicano marca o fim da monarquia, com o golpe político encabeçado pelos senadores romanos. Pertencentes à classe patrícia, esses senadores foram os responsáveis por uma reforma política que centralizou o poder político nas mãos da aristocracia romana. Porém, ao longo do tempo, com a deflagração das revoltas plebéias, as instituições políticas de Roma foram obrigadas a acolherem esse grupo social.
Os magistrados foram um novo grupo que auxiliava o Senado no desempenho das tarefas político-administrativas de Roma. Os magistrados tinham grandes atribuições e podiam ter cargos que diferiam em função da tarefa desempenhada. No topo das magistraturas estavam os cônsules. Eram dois magistrados que tinham por obrigação presidir as sessões senatoriais e assembléias. Eles também comandavam os exércitos e conduziam os cultos públicos.
Os pretores eram os magistrados que tratavam das questões jurídicas. Esses eram divididos em pretores urbanos, responsáveis pela justiça na cidade, e os pretores peregrinos, que tratavam da justiça no meio rural e entre os estrangeiros. Exercendo um cargo temporário (5 anos), os censores deviam contar a população e classificá-la de acordo com seu nível de renda. Além disso, podiam conduzir trabalhos públicos e vigiar os cidadãos romanos.
O edis tinham funções diversas. Podiam ser responsáveis pela preservação da cidade de Roma, pelo abastecimento e o policiamento da população. Os questores eram uma classe de magistrados que tratava das finanças de Roma. Cuidavam dos recursos financeiros depositados no Templo de Saturno e eram consultados pelos cônsules na administração das verbas públicas e no gasto com campanhas militares. Uma última magistratura criada em Roma foi a dos Tribunos da Plebe. Eles podiam vetar qualquer lei que ferisse os interesses dos plebeus, exceto em tempo de guerra ou na vigência de uma ditadura.
Ao logo dos séculos V e III a.C., o problema do sistema político excludente concebido pelos patrícios foi alvo de intensa recriminação por parte dos plebeus. Sendo uma classe social de composição mista, a condição do plebeu podia variar desde a de um rico comerciante, indo até a um simples trabalhador livre. Em uma série de revoltas que aconteceram nesse período, os plebeus conseguiram direito de participação política dentro de Roma. Com o advento das revoltas plebéias acabaram conseguindo a aprovação de várias reformas em forma de lei.
Sob o aspecto político-militar, Roma empreendeu um projeto expansionista que já no século III a.C. fez com que toda Península Itálica estivesse sob controle romano. Com o advento da guerra contra os cartagineses, Roma pôde empreender o início de um projeto de expansão que colocou toda região próxima do Mar Mediterrâneo sob o seu controle. Essa expansão territorial ocasionou profundas transformações para Roma. O enriquecimento dos patrícios, a proletarização dos plebeus e ascensão dos generais levaram novas questões à tona.
Nesse contexto, a exigência por reformas agrárias, propostas pelos irmãos Graco (II a. C.), eclodiram uma tensão social que envolvia a situação de penúria dos pequenos proprietários e a ganância dos patrícios. Na passagem dos séculos II e I a.C., as tensões sociais perduraram e as ditaduras ganharam espaço. Mário e Sila foram os grandes ditadores da época. O primeiro aspirando à ampliação dos direitos plebeus, e o último mantendo o poder da aristocracia. Com a manutenção da instabilidade político social, os generais romanos passaram a aspirar maior participação política.
Os triunviratos foram uma experiência política em conseqüência da ascensão dos generais romanos. O Primeiro era formado por Júlio Cesar, Pompeu e Crasso. Com a morte de Crasso, Julio César empreendeu uma guerra contra Pompeu. Vencendo o conflito, Julio César buscou a condição política de ditador. Logo em seguida, o segundo triunvirato foi composto por Marco Antônio, Otávio e Lépido. Nessa última versão, o triunvirato se esfacelou mediante a ascensão militar de Otávio, primeiro imperador de Roma.
Rainer Sousa


sábado, 7 de abril de 2012

ANARQUISMO

Freqüentemente identificado com a violência indiscriminada e com a negação de todos os valores estabelecidos, o anarquismo, para além dos excessos que possam ter gerado essa caricatura, é no entanto um capítulo de grande importância na história política e social do Ocidente, desde o fim do século XVIII.
Como concepção vital, o anarquismo (do grego ánarkhos, "sem governo") afirma que tudo o que limita a liberdade do ser humano deve ser suprimido. Como movimento político e social, pretende destruir os freios -- religião, estado, propriedade privada, lei -- que, segundo suas teorias, se interpõem entre o indivíduo e sua liberdade, para assim possibilitar a construção de uma vida comunitária livre e solidária.
História. O primeiro teórico moderno do anarquismo talvez tenha sido o inglês William Godwin, que em seu ensaio Enquiry Concerning Political Justice (1793; Indagação relativa à justiça política) antecipou muitas das questões ideológicas que tomariam forma anos mais tarde. Outro antecedente do movimento anarquista foi a "conspiração dos iguais", dirigida por Gracchus Babeuf, pouco depois da revolução francesa. Foi a primeira tentativa de colocar a igualdade real dos cidadãos acima da igualdade política consagrada pela revolução.
O desenvolvimento do anarquismo ao longo da primeira metade do século XIX foi paralelo ao do movimento socialista. Durante muitos anos houve momentos de ação comum entre anarquistas e socialistas, até que os dois campos ideológicos se desvinculassem claramente.
Em 1840, o francês Pierre-Joseph Proudhon publicou Qu'est-ce que la propriété? (Que é a propriedade?), em que aparecia a conhecida frase: "A propriedade é um roubo." Cinco anos mais tarde, o alemão Max Stirner divulgava Der Einzige und sein Eigentum (O indivíduo e sua propriedade), no qual desenvolvia idéias muito semelhantes às de Proudhon.
Depois da morte deste, em 1865, o principal representante do anarquismo foi o russo Mikhail Bakunin, que integrou o movimento à Associação Internacional de Trabalhadores, ou Primeira Internacional Operária, fundada em 1864. A cisão dessa entidade, no Congresso de Haia de 1872, deixou em mãos anarquistas o controle das organizações de trabalhadores em diversos países: Bélgica, Países Baixos, Reino Unido, Estados Unidos e, especialmente, Espanha e Itália, onde só o advento do fascismo foi capaz de destruir a influência anarquista sobre as massas operárias.
Apesar de um aparente ressurgimento nos últimos anos da década de 1960, o movimento anarquista, como organização de massas, não sobreviveu à segunda guerra mundial. Porém muitas de suas teses, como a de que o estado se interpõe entre o ser humano e sua realização pessoal, chegaram a tornar-se triviais entre numerosos pensadores de todo o mundo.
Ideologia anarquista. Segundo o anarquismo, todos os tipos de autoridade -- política, religiosa etc. -- são contrários à liberdade individual e devem por isso ser repelidos e eliminados. Um contrato individual livremente aceito pelos homens asseguraria a justiça e a ordem. Dessa forma, uma infinidade de contratos livremente consentidos geraria um sistema em equilíbrio dinâmico, um sistema federal, em que a solidariedade seria muito superior à obtida nos sistemas baseados na autoridade e na coerção.
Denúncia da falsa democracia. O estado moderno -- afirma o anarquismo -- encontra sua legitimação na ficção democrática do sufrágio universal, que consiste em atribuir a cada cidadão o direito de um voto. Isso cria a ilusão de que o povo governa a si mesmo, quando, na verdade, as múltiplas manipulações do sistema levam à preservação da desigualdade entre ricos e pobres, entre poderosos e usurpados, apesar das aparências de igualdade jurídica. Por isso, o militante anarquista sempre se absteve de votar nas eleições, em cujas virtudes não crê.
Propriedade, liberdade, solidariedade. No início, alguns pensadores anarquistas consideravam a propriedade privada indispensável à liberdade do indivíduo. Mas na evolução das idéias anarquistas chegou um momento, no fim do século XIX, em que triunfou a concepção oposta, sustentada pelo russo Piotr Kropotkin. Segundo ele, a supressão do estado e das instituições opressoras do homem acarretaria também o desaparecimento das desigualdades e o nascimento de uma sociedade nova, na qual -- de acordo com o princípio de Marx -- cada um daria segundo suas capacidades e receberia segundo suas necessidades. Portanto, a liberdade e a solidariedade constituem dois aspectos inseparáveis do mesmo fenômeno humano. São as duas faces de uma mesma moeda e uma não pode existir sem a outra. Na segunda metade do século XX, contudo, houve um renascimento ideológico do anarquismo libertário, que defendia a propriedade privada, em autores como o americano Robert Nozick.
Aperfeiçoamento individual. Os anarquistas têm uma ética muito característica. A convicção de que a sociedade não vai melhorar por ação do estado ou de qualquer outra instituição, e de que na consecução da nova sociedade cabe ao indivíduo um papel primordial, tem como resultado a formação de um forte sentido moral, de um permanente esforço de superação de si mesmo. Não foi por acaso que os movimentos anarquistas do começo do século XX se fizeram acompanhar da criação de ateneus, sociedades culturais e todo tipo de iniciativa para o aperfeiçoamento intelectual dos indivíduos.
Anarquismo na Espanha e na América Latina. Como foi dito, a cisão da Primeira Internacional em 1872 deixou o movimento operário espanhol sob o controle das tendências anarquistas. Seguiram-se anos de intensa atividade política, marcada por episódios de terrorismo e de pressão, particularmente na Catalunha e na Andaluzia.
Durante a ditadura de Miguel Primo de Rivera (1923-1930), a Confederação Nacional do Trabalho (CNT), organização sindical anarquista, foi posta fora da lei. Ressurgiu com força no decorrer da segunda república e sua participação nas eleições de fevereiro de 1936, contrariando a tradição abstencionista do anarquismo, foi determinante para o triunfo da Frente Popular. Durante a guerra civil a CNT passou a fazer parte do governo republicano. Em muitas indústrias catalães e, particularmente, entre os camponeses do baixo Aragão, criaram-se comunas de inspiração anarquista, que constituíram a experiência de maior alcance entre as ensaiadas na Europa ocidental. A rivalidade com os comunistas e a posterior derrota militar da república acarretaram o esmagamento quase total do movimento anarquista.
Na América Latina o anarquismo apareceu no fim do século XIX, vinculado sobretudo à imigração européia, especialmente a espanhola e a italiana. No Peru, na Bolívia e no Chile o movimento anarquista se fortaleceu nas primeiras décadas do século XX, nos setores mineiro e portuário.
Em 1879 apareceram na Argentina as primeiras publicações de caráter anarquista. Com a chegada do italiano Enrico Malatesta, em 1885, e de outros ativistas europeus, o anarquismo recebeu um impulso decisivo. Em 1901 fundou-se a Federação Operária Regional Argentina (FORA), que no ano seguinte ficou sob o controle anarquista e cresceu consideravelmente mais tarde. Mas, assim como no resto dos países latino-americanos, o anarco-sindicalismo viria progressivamente a perder sua influência no movimento operário, primeiro para os socialistas e mais tarde para os comunistas.
Em 1910 os irmãos Ricardo, Enrique e Jesús Flores Magón criaram no México, em torno do periódico Regeneración (editado em Los Angeles, Estados Unidos), um movimento de ideologia anarquista que, embora tenha sido precursor da revolução mexicana, perdeu sua influência com a vitória e a institucionalização desta.
Em Cuba, o movimento operário anarquista, já presente nos anos da luta pela independência, chegou a ser majoritário na Federação Cubana do Trabalho até 1925.
Anarquismo no Brasil. A primeira tentativa de proselitismo anarquista no Brasil data provavelmente da criação em 1889 da colônia Cecília, no município de Palmeira PR, por iniciativa do jornalista e agrônomo italiano Giovanni Rossi, que havia pleiteado ao governo do império o estabelecimento de uma colônia experimental que fosse o núcleo inicial de uma "sociedade nova". Rossi e seus companheiros, que se intitulavam "filósofos ácratas" chegaram, porém, ao Brasil depois de instaurada a república, e tiveram por isso de enfrentar as maiores dificuldades, de vez que o novo regime não reconhecia as concessões de terras antes outorgadas pela monarquia aos estrangeiros.
Natural de Pisa, onde nasceu em 1860, e editor de um periódico em Brescia, Il Sperimentale (O Experimental), Rossi conhecera Carlos Gomes em Milão, por volta de 1888, e foi o músico brasileiro que o animou a dirigir-se a D. Pedro II. Depois de três anos no interior do Paraná, Rossi acabou desistindo da sua experiência, no sentido de instaurar uma comunidade baseada no trabalho livre, na vida livre e no amor livre. Em 1893 abandonou a colônia Cecília para lecionar agronomia em Taquari RS. Transferiu-se depois para Santa Catarina, onde dirigiu a estação agronômica do estado, retornando à Itália em 1907, para retomar sua atividade profissional como vitivinicultor.
Foi, contudo, em São Paulo que surgiram os primeiros anarquistas revolucionários, à época do impulso de industrialização dos primeiros anos da república. Em 1893 eram presos agitadores que se proclamavam partidários dos ideais libertários. E em 1898 registrou-se a morte de um deles, Polinice Pattei, em choque com a polícia.
A imprensa anarquista teve início no mesmo ano, com a publicação de Il Risveglio (O Despertar), em língua italiana, dirigido por Alfredo Mari. Em 1904, apareceu O Amigo do Povo, periódico do jornalista português Nazianzeno Vasconcelos, cujo nome de guerra, Neno Vasco, se tornaria conhecido nos círculos proletários por sua longa pregação doutrinária. Do mesmo ano de 1904 é La Battaglia (A Batalha), semanário e, durante certo período, diário, sob a direção de Oreste Ristori, de origem italiana, o mais ativo e tenaz porta-voz do anarquismo nessa fase inicial do movimento (1904-1912), preso e deportado repetidas vezes, a última em 1935, quando se refugiou na Espanha, vindo a morrer como combatente na revolução.
O anarquismo predominou na luta pelas reivindicações operárias até a formação do Partido Comunista (1922), que se organizou com a cisão do bloco libertário, após o malogro do Partido Comunista Anarquista (1919). As grandes greves de 1917 (São Paulo), 1918 (Rio de Janeiro) e 1919 (Rio de Janeiro e São Paulo) obedeceram ao comando de comitês constituídos por uniões, federações e resistências de hegemonia anarquista, com a simpatia e até o apoio de intelectuais libertários, como Lima Barreto e Fábio Luz, entre outros.
No Rio de Janeiro, destacou-se sobretudo José Oiticica, que se manteve sempre fiel a suas idéias, à frente do periódico Ação Direta, que circulou pela primeira vez em 1929 e de 1946 a 1958, mesmo depois do falecimento do fundador, embora com uma ou outra interrupção.
Além de Oiticica, o anarquismo brasileiro teve dois outros militantes de largo prestígio: Edgard Leuenroth e Everardo Dias, que foram os principais articuladores das greves de 1917, 1918 e 1919.(Fonte: Enciclopédia Barsa).

CRISTIANISMO


Entre as numerosas seitas messiânicas surgidas no mundo judeu no início do primeiro milênio, incluíam-se os discípulos de Jesus de Nazaré, antigos seguidores de João Batista. A comunidade cristã foi aceita no seio do judaísmo até o ano 65, aproximadamente, quando se consumou a inevitável ruptura entre as duas facções religiosas, motivada pela condição de Messias atribuída a Jesus por seus seguidores.
Antecedentes históricos. Por ocasião do aparecimento do cristianismo, toda a região do mar Mediterrâneo estava sob o poder de Roma. A Palestina, desde a divisão entre o reino do norte (Israel) e o do sul (Judá), ocorrida após a morte do rei Salomão, vinha se enfraquecendo política e socialmente, num processo que culminou com a queda de Samaria, capital do reino do norte, em 722 a.C. O reino de Judá permaneceu independente até a conquista babilônica, em 605 a.C. De 586 a 539, os judeus permaneceram em cativeiro na Babilônia, mas ao ascenderem ao poder os persas promoveram a restauração, permitiram a manutenção dos costumes religiosos e culturais dos judeus e autorizaram a volta de muitos deles para Judá. Depois do cativeiro na Babilônia a região de Judá passou a ser chamada de Judéia.
Em 333 a.C., os gregos, com Alexandre o Grande, subjugaram os persas e incluíram a Palestina nos domínios macedônicos. Após a morte de Alexandre, em 323, o vasto império foi dividido entre seus generais e surgiram, após vários anos de luta, quatro grandes reinos ou impérios, dos quais os mais importantes eram o Egito e a Síria. A Palestina, situada entre os dois, servia como passagem estratégica durante as freqüentes campanhas militares. A Judéia, cuja existência social, política e religiosa se concentrava na cidade de Jerusalém, pagava tributos ao Egito e à Síria. No ano 198 a.C., o rei selêucida Antíoco III tomou toda a região, passando a Judéia ao domínio da Síria.
Em 175 a.C., subiu ao trono sírio Antíoco Epífanes, filho de Antíoco III, que se envolveu quase de imediato numa guerra com o Egito, da qual nunca saiu completamente vitorioso, sobretudo pelo apoio que os líderes religiosos judeus, principalmente os escribas, davam aos egípcios. Religião e política estavam unidas na Judéia, onde o sumo sacerdote presidia tanto os sacerdotes no grande templo quanto os anciãos no sinédrio, tribunal que julgava as questões criminais ou administrativas. Resolvido a castigar os judeus, Antíoco avançou sobre Jerusalém, derrubou seus muros e saqueou o templo, levando os vasos sagrados. Para acabar com a religião judaica, um obstáculo à submissão dos judeus, proibiu todas as formas de culto a Iavé e deu início a perseguições. O templo de Jerusalém foi profanado com a construção de um altar pagão sobre o altar dos holocaustos.
Contra essa profanação revoltaram-se os macabeus (ou asmoneus), assim como todos os judeus devotos, que se reuniram nas montanhas para organizar a luta contra os sírios. O movimento se generalizou e a guerra religiosa se transformou rapidamente numa série de triunfos. Jerusalém foi retomada e o templo reconsagrado em dezembro de 165 a.C. Quatro anos mais tarde, no entanto, um poderoso exército sírio derrotou os macabeus, que apenas puderam manter-se, como pequeno grupo rebelde, em Micmash.
Esse grupo aos poucos recuperou a confiança dos judeus e estendeu sua influência e poder, principalmente sob João Hircano, e chegou a dominar quase toda a Palestina, exceto o norte da Galiléia, conquistada mais tarde por Aristóbulo, filho de Hircano. Os saduceus apoiavam os rebeldes, mas os fariseus, ou separatistas, desaprovavam a política de Hircano por causa dos acordos que fez com Roma. Contra a ascensão de Alexandre Janeu, que acumulou os cargos de rei e sumo sacerdote, os fariseus se revoltaram, provocando violenta guerra civil, que durou vários anos, ora com a supremacia destes, ora dos saduceus. A luta somente terminou com a tomada de Jerusalém por Pompeu, em 63 a.C., o que tornou os judeus súditos de Roma.
Pompeu nomeou o edomita (descendente de Esaú) Antípatro procurador da Judéia. Sucedeu-lhe o filho Herodes o Grande (47 a.C.), que, para conquistar a simpatia do povo, reconstruiu com grande esplendor o templo de Jerusalém. Jesus teria nascido durante seu reinado, provavelmente no ano 6 da era cristã. O massacre dos inocentes, em Belém, ocorreu sob Herodes.
O reino de Herodes foi dividido, em testamento, entre três de seus filhos: Arquelau (Judéia e Samaria), Herodes Antipas (Galiléia e Peréia) e Filipe (Ituréia e Traconítides). Arquelau exilou-se no ano 6 de nossa era e seu território passou a ser administrado por procuradores romanos, dos quais o quinto seria Pilatos. Herodes Antipas governou até o ano 39, quando foi destituído e desterrado, e Filipe morreu sem herdeiros em 34. Herodes Agripa I, neto de Herodes o Grande e protegido de Calígula, conseguiu reunificar o reino do avô.
Situação religiosa. Para o súdito romano comum, as fronteiras do império coincidiam com as do mundo civilizado. Não tinha conhecimento das civilizações indiana ou chinesa, admirava as grandes obras e orgulhava-se de seu império. A comunicação era facilitada pelas ótimas estradas e pelos navios. Uma língua comum, o grego, favorecia o intercâmbio cultural e a grande mescla de interesses religiosos, cujas fontes eram o judaísmo, outras religiões orientais, a religiosidade popular e o pensamento grego.
Judaísmo. Apesar da dominação política da Judéia pelos estrangeiros, o judaísmo manteve quase sempre intactas suas instituições religiosas. Um clero altamente organizado e politicamente influente controlava a vida religiosa e, principalmente por intermédio do sinédrio, determinava as posições políticas. Em geral os judeus mantinham a esperança messiânica, mas estavam divididos em facções e em partidos, cujas motivações eram a maior ou menor fidelidade às convicções religiosas do passado ou a atuação meramente política.
Os principais grupos organizados entre os judeus eram o dos saduceus e o dos fariseus. O primeiro, integrado por sacerdotes e aristocratas, exercia grande influência política e econômica e mantinha boas relações com Roma. Embora seguissem estritamente a lei mosaica, os saduceus, fortemente impregnados da cultura helênica, negavam a vida após a morte e o messianismo. Os fariseus, ao contrário, tinham mais preocupações religiosas do que políticas. Sua origem remonta à época dos macabeus, por volta de 130 a.C., e seu nome significa "separados", em vista do esforço que faziam para manter a fé judaica longe de todo contato com o paganismo. Acreditavam na vida eterna e eram ardorosos em sua esperança messiânica. Sua atividade dirigia-se principalmente às massas, nas quais procuravam incutir o espírito de santidade pela divulgação dos ensinamentos religiosos tradicionais.
Havia também pequenos grupos de vida mística, reunidos em comunidades de fé e trabalho, de uma das quais provavelmente se originou João Batista. Um dos mais importantes desses grupos era a comunidade de Qumran, radicada à margem do mar Morto, sem dúvida vinculada aos essênios. Sua existência só veio a ser revelada pelos manuscritos do mar Morto, descobertos em 1948. Tais comunidades consideravam a si mesmas como o remanescente fiel da história judaica. Guardavam a lei, mantinham rituais de purificação periódica, renovavam constantemente sua adesão à aliança com Deus e participavam de uma refeição sagrada de pão e vinho. Acreditavam no estabelecimento próximo de um reino trazido por um novo profeta.
Os essênios, outro grupo de tipo monástico, existiram, segundo o historiador Flávio Josefo, desde o ano 150 a.C. Suas comunidades se distribuíam por várias vilas da Palestina e exerciam grande influência na vida judaica. Apoiavam os fariseus, contra os saduceus, embora diferissem dos primeiros por praticarem o celibato, rejeitarem o sacrifício de animais e negarem a ressurreição do corpo. Aceitavam a imortalidade da alma e o castigo ou recompensa após a morte. Alguns estudiosos afirmam que tanto João Batista quanto Jesus pertenceram à comunidade dos essênios.
Sincretismo e religiosidade popular. Muitos outros cultos e seitas disputavam seguidores dentro do quadro geral de grandes expectativas religiosas. Entre os movimentos de maior êxito estavam os cultos orientais de mistério, de enorme popularidade, favorecidos pela vinda de escravos do Oriente,  adotados até mesmo por soldados romanos de ocupação. Entre esses cultos destacam-se o de Ísis e Serápis, do Egito; Cibele e Átis, da Síria, e Mitras, da Pérsia. Essas religiões, ao lado de outras expressões do próprio judaísmo, favoreceram um notável sincretismo, talvez o maior movimento de amálgama de religiões diversas registrado pela história, que incluiu sínteses de crenças radicalmente opostas. Exemplo disso é a fusão de cultos naturalistas com o deus adorado por Israel (Dioniso Sabázio, da Frígia, e o Kyrios Sabaoth).
Entre o povo se praticava grande número de superstições. Todos os atos da vida, as profissões, as estações do ano e os acontecimentos mais importantes tinham seus deuses, que futuramente apareceriam, transmudados em santos, na história da igreja cristã e em seu calendário. Muitos pregadores se tornaram populares e freqüentemente abusavam das crenças do povo. Também os governadores criaram cultos do estado e para si próprios. O culto da deusa Roma já se encontrava em Esmirna em 195 a.C.; em Pérgamo, no ano 29 a.C., havia um templo dedicado a Roma e a Augusto.
Pensamento grego. A influência predominante entre as camadas mais cultas da população era, contudo, a do pensamento filosófico grego, que teria grande importância na posterior formação da teologia cristã. As "virtudes naturais" ensinadas por Sócrates, a idéia da imortalidade da alma, de Platão, a fagulha divina e o logos de Aristóteles foram algumas das idéias que moldaram o pensamento cristão. Entre o estoicismo e o cristianismo houve mesmo alguns elementos comuns. A noção de uma fonte universal e modeladora de tudo o que existe, uma alma inteligente que se expressava na razão humana -- isto é, o próprio Deus dentro de cada um -- influenciou decisivamente na formação da teologia cristã. Fílon, filósofo judeu de Alexandria, contemporâneo de Jesus, tentou refundir a fé judaica em Deus por meio de conceitos estóicos e platônicos, fornecendo outra fonte para a teologia dos pais da igreja.
Outras influências. A reconstrução do templo, que recuperou um dos símbolos mais importantes da história do povo judeu, ressaltou o contraste com a informalidade e a simplicidade do cristianismo primitivo e foi uma das imagens que Jesus usou para afirmar sua concepção sobre um novo relacionamento com o Deus de Israel. A tradução grega do Antigo Testamento, a dos Setenta, outro estímulo ao pensamento da época, favoreceu a universalização do cristianismo. Os autores do Novo Testamento usaram esse texto para comparar as novas doutrinas às antigas.
Doutrinas. A política de Roma em toda a extensão de seus domínios caracterizou-se pelo respeito aos costumes e às línguas dos diferentes povos conquistados, o que favoreceu a variedade de idéias religiosas, tanto as de caráter popular como as de natureza mais racional. O cristianismo surgiu, portanto, numa época de intensa fermentação religiosa; sua doutrina e teoria sofreram, ao longo de seu período de formação, o impacto dessas várias fontes. As concepções cristãs se resumiam, no início, a um acento original conferido ao cenário religioso da época. As primeiras revelações, manifestadas por João Batista, confirmadas e ilustradas abundantemente por Jesus, se referiam a alguns elementos religiosos conhecidos e a outros cuja originalidade constituiu a força dinâmica da expansão do cristianismo.
À idéia de um Deus único e justo, enfatizada pelos últimos profetas do judaísmo no Antigo Testamento, Jesus acrescentou uma revelação pessoal, que não teve o conteúdo que os judeus esperavam -- um reino político --, mas o do Messias sofredor, que daria a vida pela remissão dos pecados e pela salvação de todos os homens que o aceitassem. À rigidez da revelação definitiva e consumada, motivo de orgulho e  convicção de alguns partidos religiosos e estatuto civil em muitos casos, Jesus opunha a liberdade do poder de Deus. Embora não rejeitasse a Lei e os profetas, quebrou princípios enraizados nas interpretações oficiais.
A negação do mundo, uma vida de recompensas ou de castigos, novos ritos de iniciação (batismo em vez de circuncisão), igualdade entre todos os homens, uma vida moral e justa baseada na soberania de Deus eram os ensinamentos que Jesus transmitia, levando uma vida de pobreza e sacrifício, seguida, conforme os relatos do Novo Testamento, de muitos milagres. A afirmação de Jesus sobre sua própria morte, da qual ressuscitaria, tornou-se uma convicção comum entre seus primeiros discípulos e se incorporou às doutrinas fundamentais estabelecidas pelo apóstolo Paulo.
Ensino de Jesus. A atividade pública de Jesus, segundo o evangelho de Lucas, iniciou-se no 15o ano do reinado de Tibério, correspondente ao ano 28, quando Jesus teria 32 anos de idade. Sua pregação foi antecipada por João Batista, homem de vida ascética, que muitos iam ouvir no deserto, sendo batizados quando confessavam arrependimento e o desejo de vida nova. Jesus não somente fez muitas referências a João, mas foi também por ele batizado. O ensino de Jesus está narrado nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, chamados sinópticos, e também no de João.
Saber se Jesus se considerava o Messias (Khristós, em grego) constitui um problema. Os evangelhos em geral a ele se referem como tal, uma vez que, quando foram escritos (mais ou menos entre os anos 70 e 98), tal crença já estava sedimentada entre os discípulos de Jesus. Não obstante, textos como os de Mc 9:41 e 14:61, nos quais o nome Cristo aparece, são de autenticidade duvidosa, segundo a opinião de exegetas conservadores, que consideram o emprego do vocábulo grego Khristós, sem artigo, próprio da linguagem de Paulo e não dos evangelhos sinópticos.
Assim, Jesus se manifestava como a revelação do Pai, de quem viera e para quem retornaria -- o que constituía uma blasfêmia para os judeus -- e como o Caminho, a Verdade e a Vida. Em seu método de ensino predominavam as parábolas, das quais aproximadamente  35 constam dos evangelhos. Não havia em sua pregação, contudo, o caráter formal de toda teologia elaborada, mas apenas um esquema geral de doutrina. Na primeira fase de seu ministério, Jesus fala sobre o Reino, sua realidade, caráter e significação, mas não o relaciona com sua pessoa. Somente em Cesaréia de Filipe (Mc 8:29) dirige a Pedro uma pergunta que induz o apóstolo a responder que Jesus era o Messias.
Elaboração da teologia. A pregação dos primeiros apóstolos, dirigida aos judeus, ainda não constituía uma cristologia definida, que começaria a ser elaborada mais tarde, com os capítulos iniciais dos Atos e as epístolas de Tiago. Reiterava-se a afirmação de que Jesus era o Senhor e o Cristo, aquele de quem os profetas falaram, que veio para o julgamento e a salvação.
Coube a Paulo, convertido em torno do ano 35, a tarefa principal na expansão do cristianismo além das fronteiras da Palestina e na sistematização de suas doutrinas. As polêmicas de Paulo com os judeus, levantadas pelo número cada vez maior de conversões, foram determinantes na caracterização do cristianismo como religião universal e não como seita judaica.
A questão sobre a permissão para os judeus comerem juntos com gentios e o rito da circuncisão foram elementos preponderantes nesse debate e temas principais do Concílio de Jerusalém, reunido no ano 49. As epístolas de Paulo, dirigidas às comunidades fundadas por ele ou por outros missionários, forneceram as bases para as doutrinas da encarnação, da Trindade, da expiação, do Espírito Santo, da organização da igreja e da mais completa igualdade dos homens, a começar entre judeus e gentios.
O quarto evangelho, atribuído a João, que apareceu entre os anos 95 e 98 (segundo outros, em 110), talvez em Éfeso, deu outra importante contribuição para a sistematização das doutrinas cristãs. Não se sabe ao certo, porém, se a peculiaridade de suas idéias pode ser atribuída ao conhecimento efetivo do ensino e da vida de Jesus ou à influência do pensamento grego ou gnóstico. O uso da palavra grega logos, no prefácio do livro, explica a seleção das narrativas e sua profundidade, já que o autor conhecia o mundo judaico e o grego. O quarto evangelho parece, muitas vezes, uma continuação do pensamento paulino (Paulo esteve demoradamente em Éfeso), sobretudo os textos sobre a preexistência de Cristo e a universalidade de sua mensagem.
Concílios e escolas. O livro dos Atos dos Apóstolos, escrito por volta do ano 90 sobre fatos ocorridos provavelmente entre os anos 29 e 63, constitui o primeiro esforço de organização do cristianismo. Em At 15 se registra a realização do primeiro concílio, o de Jerusalém, no ano 49. A partir de meados do século II realizaram-se concílios, ou sínodos, com a finalidade de resolver questões relativas às heresias da época. No final desse século, estabeleceu-se em Alexandria, grande centro de cultura do Império Romano, a Escola de Catecúmenos, instituição onde se ensinava a filosofia grega e a doutrina cristã.
A partir de 325, com o Concílio de Nicéia, começaram a celebrar-se concílios maiores, chamados ecumênicos, convocados também com a finalidade de estabelecer a posição da igreja em relação às doutrinas consideradas heréticas.
No século XIX, multiplicaram-se os estudos que examinam a doutrina cristã dentro do contexto das situações históricas e sociais, em oposição às formas monolíticas e estáticas que consideravam as doutrinas como um conjunto de verdades imutáveis.
Expansão. A perseguição à igreja, movida por Saulo de Tarso, antes de sua conversão, quando adotou o nome Paulo, e a morte do primeiro mártir, Estêvão, tiveram como conseqüência a expansão do cristianismo para além das fronteiras da Palestina, quando fugitivos da perseguição alcançaram a Fenícia, Chipre e Antioquia. A conversão de Paulo, que antes perseguia os cristãos, contribuiu enormemente para a divulgação da nova fé.
Depois do final da era apostólica, um período de cerca de quarenta anos permaneceu obscuro na história do cristianismo. Há indicações de que essa época, em que foram escritos os evangelhos e as epístolas, conheceu muitas mudanças e intenso trabalho missionário. Por volta do ano 100, o cristianismo já se havia estabelecido na Macedônia, na Anatólia, na Síria, na Grécia, em Roma e, possivelmente, no Egito. Apesar das diferenças entre as igrejas nas várias localidades onde se firmou o cristianismo, sua organização se deu em meados do século II e foi um dos meios usados pela igreja nascente para combater mais efetivamente as heresias da época.
No final do século II a igreja cristã já se denominava católica (universal), termo usado pela primeira vez por santo Inácio de Antioquia. A primeira tentativa de estabelecer o cânon do Novo Testamento é também desse período. Ao redor do ano 150, a Bíblia grega foi traduzida para o latim, para uso na África. A partir do ano 300, quando o cristianismo já estava presente em todos os pontos do império -- incluindo agora o norte da África, a Itália central, a Gália meridional e a Espanha --, vários oficiais do governo e funcionários imperiais se converteram, levando o cristianismo para as classes mais altas da sociedade e também a membros do exército romano.
No século IV a situação mudou radicalmente,  em especial no Ocidente, primeiro com o afastamento voluntário de Diocleciano, em 305, e depois com um edito de tolerância para com os cristãos, de Galério, "sob a condição de que nada pratiquem que seja contrário à disciplina". Constantino, aclamado imperador no Oriente, partiu para a conquista do Ocidente. Durante o sono, imaginou ter visto as iniciais do nome de Cristo, com a inscrição "in hoc signo vinces" ("com este sinal vencerás"). Ao triunfar na batalha contra Maxêncio, em 312, aderiu ao cristianismo e, em 313, concedeu plena liberdade aos cristãos. Em 323, com a derrota de Licínio, que ainda controlava parte do império, foram abolidas totalmente as perseguições ao cristianismo. Iniciou-se assim uma nova fase de sua história: a união com o poder político, que culminou sob o governo de Teodósio I, em 380, quando foi proclamado religião oficial do estado.
Fonte:  Enciclopédia Barsa.