terça-feira, 17 de abril de 2012

O FASCISMO ITALIANO

A Itália, após a Primeira Guerra Mundial, passou por uma grande crise econômica. Nesse aspecto, mesmo integrando o conjunto de países vitoriosos após a Primeira Guerra Mundial, a Itália não conquistou os benefícios correspondentes aos desgastes e perdas sofridas durante o conflito. A partir de 1919, centros urbanos e rurais se tornaram grandes palcos da miséria e da dificuldade econômica sofrida pelo povo italiano. Em resposta a tantos contratempos, esse mesmo período também ficou marcado pela deflagração de greves, agitações político-revolucionárias e a invasão de terras e fábricas.

O governo parlamentar italiano, dominado pelo Partido Socialista e pelo Partido Popular, não conseguiu responder aos anseios da população, promovendo a impopularidade de sua atuação política. Foi nesse quadro social e político instável que o ex-líder socialista Benito Mussolini começou a ganhar destaque.

Atuando inicialmente em pequenas milícias anticomunistas, formadas pelos “camisas-negras”, Mussolini começou a angariar o apoio das elites e de outros setores da sociedade italiana. Esse grupo, logo depois, deu origem a um novo partido comandado por Benito Mussolini: o Partido Nacional Fascista.

Entre os principais aspectos defendidos pelos fascistas, podemos destacar a crítica ao regime republicano e o liberalismo econômico. Além disso, os fascistas lutavam contra os movimentos sindicais e os grupos políticos comunistas. Contado ainda com um forte apelo nacionalista, o fascismo italiano conseguiu atrair conservadores e os setores médios da sociedade.
Com a consolidação do movimento, em 1922, Mussolini organizou a “Marcha sobre Roma”. Contando com cerca de 50 mil “camisas-negras” o movimento fascista forçou a deposição do rei Vitor Emanuel III e o estabelecimento de um novo governo liderado por Benito Mussolini. Entre os anos de 1922 e 1925, o novo governo fascista conseguiu reaquecer a economia italiana e, por meio de eleições fraudulentas, obter a maioria no Parlamento.

Os números positivos alcançados por Mussolini proveram as condições favoráveis para que ele reprimisse os partidos de oposição e os movimentos sindicais. Dessa maneira, em 1926, Mussolini promoveu a centralização do poder político. Suprimiu o direito à greve, estabeleceu o sistema unipartidário (contando apenas com o Partido Nacional Fascista) e subjugou o Poder Legislativo ao Poder Executivo.
Alcançando o posto de Duce (líder supremo), Mussolini divulgou um documento que tratou das questões trabalhistas. Na Carta Del Lavoro (“Carta do Trabalho”), ele defendeu a tese corporativista, onde o operariado deveria se harmonizar aos interesses do Estado e da burguesia industrial.

Sob outros pontos o fascismo italiano também mostrou sua ação controladora. Os jovens eram incentivados a ingressar nas instituições militares e os livros didáticos eram exclusivamente produzidos pelo Estado. Sob o lema “crer, vencer e combater”, a veneração aos símbolos nacionais e a adoração a Benito Mussolini também eram práticas amplamente incentivadas.
Em 1929, o governo fascista ainda buscou o apoio da Igreja Católica. Os acordos estabelecidos pelo Tratado de Latrão selaram um acordo diplomático entre Mussolini e a Igreja. Entre outros pontos, o tratado estabeleceu a criação do Estado do Vaticano como um território politicamente controlado pela Igreja e fez do catolicismo a religião oficial da Itália.

 Naquele mesmo ano, com o desequilíbrio da economia capitalista, Mussolini iniciou um projeto imperialista que visava restaurar os domínios do antigo Império Romano. Dessa maneira, as forças militares italianas invadiram regiões da África buscando pôr tal projeto em prática. Com essas primeiras investidas, o governo de Benito Mussolini deu início às tensões diplomáticas que conduziriam a Europa ao início da Segunda Guerra Mundial.
Rainer Sousa

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