segunda-feira, 16 de abril de 2012

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: O FORTALECIMENTO DO CAPITALISMO E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS


O capitalismo se desenvolveu rapidamente na Inglaterra, de onde se espalhou para outros países. O sistema capitalista apresenta algumas características que lhe são essenciais: a propriedade privada dos meios de produção; a existência de um mercado consumidor; a presença de um grande número de pessoas que vendam sua força de trabalho ao capitalista; e um universo ideológico e cultural orientado para uma sociedade consumista.

                        Com a Revolução Industrial, as relações de trabalho sofreram profundas transformações. Os artesãos que antes possuíam a matéria-prima e os instrumentos de trabalho (meios de produção) passaram a condição de trabalhadores assalariados, vendendo sua força de trabalho aos capitalistas, os donos dos meios de produção e detentores dos lucros obtidos com o trabalho. Com isso, o artesão perdeu a autonomia da produção doméstica que ele obtinha por meio de seu próprio trabalho, com a ajuda de alguns aprendizes ou sua própria família. O novo modo de produção requeria total submissão à disciplina da fábrica, impondo uma rotina repetitiva e monótona. A divisão do trabalho e a mecanização da produção aumentavam os rendimentos dos capitalistas, ao mesmo tempo em que desqualificavam o trabalho do produtor artesanal, impondo ao trabalhador a repetição de movimentos cada vez mais simplificados. Os salários dos operários eram baixos e o risco de desemprego era constante, o que levava o trabalhador a se submeter à exploração capitalista.

                        O trabalho fabril predominava nas grandes cidades industriais inglesas. Essa nova configuração da vida urbana provocou uma mudança na percepção do tempo, alterando o ritmo das atividades cotidianas das pessoas. A classe trabalhadora precisa ser disciplinada para aceitar o tempo medido pelo relógio e se habituar a ele. Nas sociedades pré-industriais o tempo era contado, medido e organizado em função das tarefas que se deviam realizar, ou seja, ligava-se aos ritmos da natureza, como o dia e a noite, o período de chuvas e o de seca, o fluxo das marés, as fases da lua, a época de semear e de colher, etc. Antes do aparecimento das fábricas, portanto, o relógio não era necessário. Porém, quando as relações de trabalho se transformaram, mudou também a orientação que as pessoas tinham com relação ao tempo. O assalariamento gerou a necessidade de controlar a produtividade, ou seja, de criar uma jornada de trabalho. Simultaneamente, começaram a se difundir o relógio. Embora houvesse relógios nas praças e torres de igrejas desde o século XIV, eles eram muito imprecisos, e as pessoas ainda preferiam se orientar pelos relógios de sol. Até o século XIX só os que tinham muito dinheiro possuíam relógios, ou seja, o instrumento era mais um símbolo de prestigio do que uma forma de medir o tempo. Sua difusão em massa coincide exatamente com a Revolução Industrial, quando marca o tempo passa a ser essencial.

                        Além de transformações na divisão do trabalho, a Revolução Industrial provocou grandes transformações sociais. A concentração populacional nos meios urbanos aumentou durante todo o século XIX. O trabalho apressado e incessante nas fábricas acelerou, também, o ritmo de vida dos habitantes das cidades industriais. Essas transformações foram sentidas principalmente pelos camponeses que migravam para as cidades em busca de trabalho. Nas cidades, eles tinham que se adaptar a um novo modo de vida, que lhes impunha a necessidade constante de dinheiro para comprar bens primários, como alimentos e roupas e pagar alugueis e serviços (transporte e atendimento médico). As relações de reciprocidades, predominantes nas comunidades rurais, eram substituídas, nos meios urbanos, pela impessoalidade e pelo individualismo, o que causava nos trabalhadores uma sensação de anonimato em suas relações sociais.

                        Os operários eram homens, mulheres e crianças que abandonaram suas atividades tradicionais como artesanato e campesinato para trabalhar nas indústrias. O salário que recebiam era insuficiente para o sustento familiar, e muitos não conseguiam pagar o aluguel de uma casa, sendo obrigados a esperar por vagas nos albergues da cidade. Os que conseguiam pagar um aluguel moravam em residências precárias próximas as fábricas, onde a poluição e a falta de saneamento básico tornavam o ambiente propicio para o contágio de doenças. Nos momentos que não estavam trabalhando, nem cuidando dos seus afazeres, o que era raro; os operários procuravam aliviar a rotina extenuante aproveitando as poucas oportunidades de lazer das cidades. Eles costumavam frequentar pubs (bares), nos quais se divertiam, conversavam e buscavam formas de se organizar para reivindicar melhorias. As feiras ao ar livre atraiam muitos operários que participavam tocando instrumentos musicais, cantando, dançando e jogando cartas. Outras atividades que tinha origem rural eram as competições de corrida ( a pé ou a cavalo) e o pugilismo. O futebol criado na segunda metade do século XIX era um esporte bastante praticado pelos operários. Esse esporte teve suas regras estabelecidas em 1863, coma criação da Associação de Futebol, em Londres, que estabeleceu as regras básicas do esporte.

                        Até o inicio da Revolução Industrial a burguesia costumava investir seu dinheiro no comércio de longa distancia, nas negociações bancárias e nas manufaturas. Com o advento da maquinofatura e a ampliação do acesso às matérias-primas, a possibilidade de produzir bens em maior quantidade em menor tempo levou muitos burgueses a investirem na atividade industrial. Dessa forma, começou a se construir, primeiramente na Inglaterra a chamada burguesia industrial, grupo composto por empresários que detinham capital suficiente para manter uma fábrica em atividade. Também eram conhecidos como a alta burguesia. Cada vez mais ricos e ociosos, os burgueses moravam em mansões suntuosas, nos bairros distantes das fábricas, e divertiam-se praticando a caça, passeando e frequentando luxuosos teatros. Além disso, aproveitam o tempo livre para estudar manuais de etiqueta e, também livros sobre conhecimentos modernos. Com isso, a burguesia criou um novo padrão de cultura e de comportamento, caracterizado pelo apreço a administração racional do tempo e do dinheiro.

                        A Revolução Industrial aumentou o contraste social entre a rica burguesia e a massa pobre de operários, mas possibilitou o surgimento de uma classe social intermediária: a classe média, também chamada de pequena burguesia. Essa nova classe era formada principalmente por profissionais autônomos como médicos, advogados, engenheiros, jornalistas e professores, além de pequenos proprietários e funcionários públicos. Esse grupo social dava grande valor a moral burguesa, exaltando o sucesso financeiro e cultivando um modo de vida austero e sem excessos. Muitos membros da classe média mantinham contato com os operários, o que estimulava a denunciar as péssimas condições de vida da população pobre, enquanto condenavam as atitudes que consideravam imorais, como o roubo e a mendicância.

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