quinta-feira, 28 de junho de 2012

ISLAMISMO

A palavra Islã, que significa literalmente "submissão", ilustra a principal idéia da religião muçulmana: o fiel aceita submeter-se à vontade de Deus (Alá), criador do mundo, onipotente e onisciente.
O Islã, ou religião islâmica, foi fundado por Maomé no século VII da era cristã e encerra elementos do judaísmo e do cristianismo. Os muçulmanos consideram Maomé o último de vários profetas -- Adão, Abraão, Moisés e Jesus, entre outros -- e afirmam que somente a mensagem transmitida a ele por Deus se conserva intacta, enquanto os demais livros sacros sofreram deteriorações e mutilações ao longo dos tempos. O islamismo não pode ser considerado apenas uma doutrina religiosa, pois legisla, ao mesmo tempo, sobre a vida interior, política e jurídica da comunidade -- da mesma forma que o judaísmo e o hinduísmo.
Levado por conquistadores e mercadores árabes, o Islã difundiu-se rapidamente por uma imensa área geográfica, que em certa época chegou a se estender da Índia até a península ibérica. Atualmente é uma das religiões mais difundidas no mundo.
Fundamentos do Islã
Maomé e o Alcorão. A base doutrinal criada por Maomé e o Alcorão constituem o fundamento sobre o qual assenta toda a estrutura da religião islâmica. O Alcorão ou Corão (al-Quran), é a coletânea dos versos recitados pelo profeta, graças -- segundo a tradição muçulmana -- a revelações feitas a ele por Deus, por intermédio do anjo Gabriel. As 114 suratas (capítulos) do Alcorão expõem os fundamentos do monoteísmo islâmico e os princípios morais que regem a comunidade.
Desde o início de suas pregações, Maomé infundiu em seus seguidores um profundo sentimento de fé e de fraternidade, intensificada em conseqüência das perseguições que o fizeram deixar Meca, mudando-se para Medina, com amigos e parentes, em 16 de julho de 622. Única data da vida do profeta em relação à qual todos os muçulmanos estão de acordo, a hégira (emigração, separação) marca o início da era islâmica. Depois da hégira, o profeta formou uma comunidade religiosa e política, a umma ou comunidade de crentes, que se perpetuou no Islã como uma religião-estado -- fusão que não foi contestada até o século XX.
Expansão territorial
Durante o governo dos quatro primeiros califas sucessores de Maomé e sob a dinastia omíada (661-750), o Islã estendeu-se em função das conquistas obtidas na guerra santa e da atuação das organizações místicas. Com a dinastia abássida, que perdurou até 1258, o império se fragmentou. Formaram-se vários estados, regidos por diferentes dinastias independentes, no norte da África, na península ibérica, Pérsia e em outros domínios. Apesar da divisão política, o Islã não perdeu sua unidade religiosa, institucional e econômica. A partir do século XII, a expansão da mística islâmica abriu novos caminhos para a religião, na Ásia central, Índia, Indonésia, Turquia e norte da África. Na Europa, o islamismo perdeu, no século XV, seus últimos reinos na Espanha e, depois da queda do império otomano, manteve somente redutos nos Balcãs e na Rússia meridional.
Fontes doutrinais.
A doutrina islâmica baseia-se em três fontes ou princípios fundamentais, além do Alcorão: o suna (tradições), o ijma (consenso) e o ijtihad (pensamento individual).
Suna.
O conjunto de ensinamentos e atos de Maomé, a suna, está documentado no hadith. O grupo islâmico majoritário e considerado ortodoxo, o sunita, aceita seis coleções diferentes, que foram compiladas durante o século IX da era cristã (III da hégira). Outro grupo importante, o xiita, tem seu próprio hadith.
Ao procurarem garantir a autenticidade desses ensinamentos e atos, os sábios muçulmanos se detiveram menos na pureza do conteúdo do que na cadeia dos transmissores, em sua idoneidade e na proximidade com relação ao Profeta. A investigação da autenticidade do hadith constituiu tarefa fundamental dos estudos islâmicos. A exigência dessa garantia na transmissão foi mais rigorosa com relação aos textos legais do que com os de mera exortação espiritual.
A coleção mais importante foi elaborada no século IX por Mohamed ibn Ismail al-Bukhari e é conhecida como o Livro da autêntica coleção. Essas coleções, além de seu valor religioso para os crentes, constituem uma exaustiva enciclopédia legislativa, teológica, cerimonial, moral, social e comercial, que inclui aplicações práticas e exemplos moralizantes para o cotidiano.
No segundo século da hégira, houve necessidade de fixar, por consenso universal (ijma), as prescrições legais e as práticas que derivavam do Alcorão. Em princípio, o ijma funcionava em favor da autoridade tradicional, uma vez que se referia sempre aos acordos passados e reconhecia opiniões conservadoras. Atualmente, no entanto, dá maior relevo aos elementos liberais e democráticos inerentes a sua própria natureza.
O esforço de adaptação do Alcorão a novas situações (ijtihad) foi importante no primeiro século do Islã. Nessa época, o ijtihad tomou a forma de opinião pessoal, o que deu origem a muitos conflitos. Nos séculos seguintes, a reflexão individual foi substituída por uma analogia rigorosa entre novas situações e os textos já adotados. Compilados os ensinamentos e atos de Maomé e estabelecido o consenso universal, o esforço individual de adaptação do Alcorão às novas situações foi limitado. Pensadores muçulmanos, no entanto, como Algazali, no século XI, e os reformadores dos séculos XVIII e XIX, voltaram a reivindicar a reflexão individual.
Pilares do Islã
As características básicas da organização social e religiosa que definem o islamismo para todos os fiéis ficaram conhecidas como os "cinco pilares" (arkan) do Islã. Algumas seitas, como a dos caridjitas, tentaram, sem sucesso, incluir um sexto pilar, o jihad ou guerra santa.
Profissão de fé. "Não há outro Deus senão Alá, e Maomé é seu profeta". Essencial para ingressar na comunidade islâmica, a profissão de fé (chahada, literalmente "testemunho") deve ser pronunciada clara e conscientemente, com profundo entendimento e aceitação, ao menos uma vez na vida, embora seja repetida, na verdade, com freqüência e em todas as ocasiões importantes. O reconhecimento de Maomé como profeta iluminado por Alá implica a crença num só Deus criador, nos anjos, nos profetas (basicamente Adão, Abraão, Moisés, Jesus e Maomé), na ressurreição, no juízo e na recompensa em outra vida.
Oração. O segundo pilar consiste de uma oração ritual que deve ser proferida cinco vezes ao dia, com o rosto voltado para Meca: ao amanhecer, ao meio-dia, entre as três e as cinco, antes do pôr-do-sol e à noite. Não existe outra liturgia senão a da palavra; não existe um clero propriamente dito, mas somente pregadores e encarregados de fazer a chamada para a oração (almuadens) e de dirigi-la (imãs); às sextas-feiras celebra-se a oração na mesquita, precedida de um sermão de caráter moral, social ou político.
Pagamento de dízimo. O zacat (purificação) constitui uma esmola, que deve ser paga anualmente, em moeda ou mercadorias. É coletada pelo estado e destina-se aos pobres, ao resgate dos cativos ou dívidas crônicas, à guerra santa -- e, por extensão, à educação e à saúde -- e às peregrinações.
Jejum. Durante o ramadã (nono mês do calendário muçulmano), está prescrito um rigoroso jejum. Nesse período, desde o nascer até o pôr-do-sol, é vedado comer, beber, fumar, perfumar-se e manter relações conjugais. Durante a noite, porém, tudo volta a ser lícito. Os enfermos ou viajantes podem adiar o jejum para data futura e por igual número de dias. Os que contam com recursos suficientes devem custear, também, a alimentação de um indigente.
Peregrinação a Meca. Ao menos uma vez na vida, todo muçulmano que tiver recursos deve peregrinar a Meca (haj) no último mês do ano. O peregrino tem que visitar a Mesquita Sagrada, no centro da qual se encontra a Caaba, rodear sete vezes essa construção cúbica -- três correndo e quatro vagarosamente --, tocar e beijar a pedra negra de Abraão (meteorito localizado no ângulo este da Caaba), beber água no poço de Zemzem, correr sete vezes a distância entre os montes Safa e a Marva, ir até o monte Arafat e a Mina, onde os fiéis atiram pedras contra colunas baixas (lapidação do diabo) e sacrificar um animal em memória de Abraão, considerado o primeiro profeta, construtor da Caaba e pai dos árabes.
Tendências teológicas e doutrinais
A teologia e filosofia islâmica é um esforço de esclarecimento racional e de defesa da fé. Os pensadores muçulmanos mantêm uma posição intermediária entre os tradicionalistas, que se prendem às expressões literais das primeiras fontes da doutrina islâmica, e aqueles cuja razão os levou a abandonar completamente a comunidade islâmica. No princípio, a teologia ligou-se à mera interpretação do Alcorão. Já no século seguinte a Maomé, formularam-se problemas relacionados ao dogma da unidade de Deus e à conciliação entre a onipotência divina e a liberdade humana.
Seitas. Apesar da noção de comunidade unificada e consolidada, conforme ensinado pelo Profeta, sérias divergências surgiram entre os muçulmanos imediatamente após a morte de Maomé. Este não deixou filhos, nem estabeleceu regras de sucessão. Os dois primeiros califas, Abu Bakr e Omar eram sogros de Maomé e sua eleição não foi discutida. A eleição de Uthman, da família omíada e genro do profeta, causou polêmica maior. Depois do assassinato de Uthman, em 656, Ali, primo e genro de Maomé, assumiu o califado, o que deu origem a um cisma no Islã. A principal divergência dizia respeito ao caráter do governo da comunidade: o governante deveria ser um continuador da missão profética de Maomé ou um simples governante civil? Os partidários de Ali optaram pela primeira hipótese, mas a segunda acabou por prevalecer na maior parte do mundo islâmico, ficando os xiitas (partidários de Ali) isolados no Irã e em parte do Iraque. Começou assim a guerra interna.
Com o assassinato de Ali, em 661, teve início a dinastia omíada, mas as desavenças continuaram. Diferentes posições com relação à sucessão deram origem a quatro seitas básicas: caridjitas, mutazilitas, sunitas e xiitas. As duas últimas prevaleceram e motivaram o aparecimento de diferentes tendências teológicas, que ainda hoje perduram. Essas seitas divergiam fundamentalmente quanto a questões de sucessão e quanto a certos matizes teológicos. Todas elas, no entanto, aceitavam a palavra de Maomé além dos cinco pilares do Islã.
Caridjitas. Chamados "rebeldes", os caridjitas apoiaram Ali no início, mas se voltaram contra ele, acusando-o de ter cometido grave pecado ao fugir do combate e recorrer a julgamento para defender seu direito ao califado. Preconizavam que o pecador que não se arrepende sinceramente de seus erros deixa de pertencer ao Islã, porque a profissão de fé nada significa se não corresponde à ação. Pregavam também o jihad, ou guerra santa, como um dos pilares do Islã. Essa seita fanática foi extinta no segundo século da hégira.
Mutazilitas. No sentido literal, mutazilita quer dizer "o que se separa", numa referência ao fato de que os membros da seita se mantiveram afastados de idéias radicais sobre fé e infidelidade. Os mutazilitas adotaram uma postura intermediária entre Ali e seus inimigos. Teologicamente defendiam a liberdade humana e consideravam a ação parte essencial da fé. Segundo eles, a razão pode discernir o bem do mal, motivo pelo qual a revelação constitui uma ajuda, mas não é indispensável. Para os mutazilitas, Deus é pura essência, pois atributos romperiam sua unidade. Esses humanistas perseguiram duramente seus inimigos, quando, no século II da hégira, conseguiram impor temporariamente suas crenças.
Sunitas. Seguidores da seita mais importante em contraposição aos xiitas, os sunitas se definem como ortodoxos, seguidores da tradição, a suna. Suas doutrinas remontam à época dos cismas, mas só foram explicitamente formuladas como "teologia ortodoxa", no século X. Reagiram contra as divergências doutrinais e admitiram a legitimidade dos quatro califas eleitos. Para eles, a maioria não pode errar porque está protegida por Deus. Pragmáticos e tolerantes, acreditam que nenhum grupo deve ser excluído, a não ser que renuncie ao Islã. Aceitam uma síntese entre a responsabilidade humana e a onipotência divina. As ações, de acordo com os sunitas, reforçam a fé, mas não são essenciais. Dividiram-se em quatro ritos ou escolas.
Xiitas. Defensores de Ali e do direito de sucessão da família do profeta, tese que usaram contra o poder omíada, os xiitas logo desenvolveram uma base teológica para suas concepções políticas. Sob influências gnósticas e persas, transformaram a figura do governante, o imã, num ser metafísico, manifestação de Deus. Pelo contato com o infalível imã, é possível descobrir os sentidos ocultos das revelações do Alcorão. Os xiitas reconhecem 12 encarnações do imã, que, segundo eles, voltará no fim do mundo com a verdade e a justiça. Divididos em diversos grupos, praticam flagelações e duras penitências em celebrações.
Sufistas. Nascido do ascetismo, mais exatamente como um movimento místico, o sufismo não pode ser considerado uma seita. Sua mística se funda no amor, na confiança absoluta em Deus e na interioridade da experiência religiosa. Surgiu como uma reação à racionalização externa do Islã e incorporou, mais tarde, alguns elementos de outras religiões. O século XIII foi a idade de ouro do sufismo, quando começaram a surgir irmandades desde a Índia até o norte da África, e floresceu igualmente a poesia mística, com o emprego de imagens amorosas.
A doutrina sufista distingue entre o que denomina "etapa", os esforços para avançar no "caminho", e "estado", os dons outorgados por Deus. As principais etapas são o arrependimento, a abstinência, a renúncia, a pobreza, a paciência, a confiança em Deus e a satisfação. Os estados são a meditação, a aproximação de Deus, o amor, o temor, a esperança, o anseio, a intimidade, a tranqüilidade, a contemplação e a certeza. Para seguir o "caminho", é necessária a orientação de um mestre, a quem se deve obedecer em tudo. O objetivo último do discípulo é a contemplação a Deus, alcançada após a experiência do êxtase.
Filosofia. A filosofia islâmica buscou fundamentar as verdades do Alcorão na razão. Num primeiro período, estimulados pela descoberta das obras dos autores gregos, os filósofos deram prioridade ao estudo científico. A tendência a harmonizar razão e fé chegou ao auge com Avicena (século XI), que se inspirou em Aristóteles. Graças a ele e a outros pensadores árabes, recuperou-se grande parte do saber clássico no Ocidente. Obscurecida pela influência do sufismo a partir do século XII, a filosofia ressurgiu, nos séculos XVI e XVII, finalmente, na Pérsia e na Turquia com a "nova sabedoria", que integrava elementos das escolas anteriores e preparou o caminho para a superação da dicotomia entre tradicionalismo e modernismo.
Instituições e cultura
Lei islâmica. A Charia (literalmente, "o caminho do bebedouro"; por extensão, "o caminho que conduz a Deus"), ou lei islâmica, é expressão da vontade de Alá, a que os fiéis se entregam com total submissão. Difere do direito ocidental em dois aspectos fundamentais: em primeiro lugar, o campo de aplicação da lei islâmica estende-se não só às relações entre os indivíduos e a sociedade, como também às obrigações morais da consciência e às obrigações religiosas; em segundo lugar, a lei islâmica se considera expressão completa e acabada da vontade divina, à qual os homens se devem render em qualquer circunstância. As leis ocidentais, ao contrário, formam-se progressivamente segundo as exigências dos novos problemas surgidos da convivência social.
Formação histórica. O Alcorão contém apenas oitenta versos aproximadamente sobre temas estritamente legais. Por esse motivo, Maomé e seus sucessores imediatos viram-se obrigados, por meio da interpretação e expansão dos conceitos contidos no Alcorão, a resolver os problemas legais surgidos na comunidade. A dinastia omíada, no século VII, criou a figura do cádi, ou juiz, responsável pela interpretação e aplicação da lei, que absorveu elementos de culturas dos territórios conquistados. Um século mais tarde, a dinastia abássida examinou a prática legal à luz dos princípios contidos no Alcorão e deu início a uma jurisprudência islâmica definitiva. Ainda que algumas escolas sustentassem que, fora do prescrito no Alcorão, podia-se empregar a razão para resolver novos problemas, prevaleceu a tendência contrária: só é válido empregar a doutrina e as resoluções do profeta conservadas na tradição. As novas situações, portanto, devem ser resolvidas por analogia com as antigas.
As diversas seitas mantiveram versões próprias sobre a lei islâmica. A maioria dos estados islâmicos modernos conservou a Charia no direito privado, mas adotou os códigos ocidentais para o direito público. Alguns ainda aplicam penas de flagelação ou apedrejamento por adultério e a que prevê a amputação de uma mão por roubo. A Turquia aboliu totalmente a lei islâmica.
Família. A instituição familiar é patriarcal e o pai possui pleno poder para dispor sobre o matrimônio das filhas, mesmo as que sejam maiores de idade. O marido tem direito de manter simultaneamente até quatro esposas. Enquanto a mulher só pode pedir divórcio se apresentar causa justificada, o marido não precisa de motivo para se divorciar.
Estado. Como no Islã não se estabelece diferença entre as esferas religiosa e temporal, o estado é essencialmente religioso. A teoria política dos ortodoxos sunitas formou-se de acordo com as circunstâncias, o que os tornou cada vez mais conformistas e tolerantes com a injustiça. O primeiro passo nesse sentido foi a enunciação de lemas como "Um dia de anarquia é pior que trinta de tirania" ou "O poder é o direito". No entanto, o califa estava submetido à lei islâmica, o que impedia que se transformasse num absolutista.
Educação. No princípio, a educação concentrou-se na transmissão dos ensinamentos do Profeta e na reunião de seus ditos e feitos, o que deu origem à formação das ciências da tradição: hermenêutica, história e literatura. A divulgação das obras dos filósofos gregos trouxe, entre os séculos IX e XII da era cristã, o interesse pelas ciências profanas.
Temerosos com relação ao que poderia representar a formulação de questões teológicas pelas ciências e pela filosofia, os ortodoxos excluíram as ciências profanas do ensino oficial. Isso provocou empobrecimento intelectual, mas trouxe como vantagem a uniformidade e a coesão da comunidade muçulmana, apesar da diversidade de culturas com que o Islã conviveu. Nos estados islâmicos modernos, as ciências constituem objeto primordial dos programas de pesquisa.
Variedade de culturas. Durante o primeiro período da expansão conquistadora, os árabes impuseram sua língua e sua cultura. Num segundo período, predominou o espírito tolerante da palavra do Alcorão e respeitaram-se as culturas próprias, inclusive alguns ritos religiosos ou leis locais, em detrimento da sagrada lei islâmica. As correntes integristas dos séculos XIX e XX da era cristã reclamaram o retorno à pureza islâmica.
As manifestações artísticas foram igualmente determinadas pela religião. Na arquitetura, a construção principal foi a mesquita, símbolo da vontade divina. Na pintura, proibiu-se a representação de seres vivos para impedir que se tentasse rivalizar com Deus e evitar o perigo da idolatria. Essa proibição não foi rígida, no entanto, devido à influência persa e de outros povos.
A literatura sofreu igualmente a tensão entre as tendências liberais e ortodoxas. Cultivou-se sobretudo a poesia e a prosa não-narrativa. Ainda assim, a literatura de ficção se manifestou em coletâneas populares como As mil e uma noites. A partir do final do século XIX, os escritores islâmicos começaram a utilizar formas ocidentais até então inexistentes, como o teatro e o romance. Em todo o Islã moderno, é questão fundamental a manutenção das tradições unificadoras do mundo muçulmano adaptadas às novas condições políticas e sociais.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

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