terça-feira, 31 de julho de 2012

Década de 60 - Anos Rebeldes


ÍNDIOS: OS PRIMEIROS HABITANTES DO RIO GRANDE DO SUL

Alguns dos costumes mais tradicionais dos gaúchos como o churrasco e tomar chimarrão são heranças indígenas. Por isso, o conhecimento sobre esses primeiros habitantes dos pampas se torna fundamental para a compreensão da história do Rio Grande do Sul.
Os indígenas que viviam nas terras onde hoje é o Rio Grande do Sul, antes da chegada dos europeus, pertenciam a três grupos: os guarani, os jê e os pampianos. Os guarani ocupavam o litoral, a parte central até a fronteira com a Argentina, os jê habitavam parte norte junto a Santa Catarina e os pampianos se localizavam ao sul junto do Uruguai.
            Os Guaranis também conhecidos como tape, arachane e carijó eram o grupo indígena mais numeroso da região. Habitavam principalmente os vales dos rios e as margens das lagoas, onde a caça e a pesca eram mais abundantes. Os guaranis coletavam diversos tipos de moluscos, frutos e raízes e cultivavam principalmente o milho e o aipim, mas também plantavam feijão, abobora e batata. Suas moradias tinham uma estrutura de madeira cobertas com fibras vegetais, em geral de base circular. Essas habitações denominadas de ocas eram habitadas por diversas famílias com grau de parentesco entre si. Uma aldeia, normalmente era formada por três a seis ocas. Os guarani foram os grupos que formariam mais tarde os povos missioneiros, catequizados pelos jesuítas espanhóis.
            Os índios do grupo jê que ocupavam o planalto Norte-Riograndense. Os kaingang que constituem a maior parte dos indígenas que vivem hoje em terras gaúchas faziam parte desse grupo. Os jê viviam da caça, da pesca e da coleta de frutos e raízes. Também praticavam a agricultura, cujo principal produto era o milho. Para se proteger do frio moravam em casas “subterrâneas”. Eles cavavam buracos no chão, que tinham aproximadamente dois metros de profundidade e cinco metros de largura e protegiam esse buraco com um telhado feito de galhos de árvores cobertos por ramos de palmeira. Os jê foram sendo expulsos de suas terras pelos brancos que iam chegando ao território. Muitos de suas aldeias foram simplesmente massacradas. No século XIX, os poucos jê que sobraram e que haviam sido um dia os senhores do planalto, foram obrigados a viver em pequenas reservas.
            Os pampianos, grupo formado principalmente pelos charruas e minuanos, eram o povo indígena menos numeroso. Viviam principalmente nos campos e em áreas com bastante água, pois nelas haviam abundancia de recursos para a pesca e caça. Diferentemente dos guarani e jê, os pampianos não praticavam a agricultura. Viviam da caça, da pesca e da coleta de frutos e raízes e logo incorporaram os animais trazidos pelos europeus à sua vida. Os cavalos eram utilizados como meio de transporte e para auxiliar na caça. O gado bovino servia de alimento. Com a ocupação de suas terras por portugueses e espanhóis, os pampianos foram obrigados  a ir cada vez mais para o interior. A escassez de recursos provocou a fome, e a situação se agravou com as epidemias e as guerras. Muitos deles foram trabalhar nas fazendas dos colonizadores europeus. Os pampianos que restaram foram massacrados por tropas uruguaias na década de 1830.
Dos grupos indígenas que habitavam o Rio Grande do Sul à época da chegada dos europeus restam somente 40 mil, dos quais somente 13 mil vivem nas reservas ou em aldeias. Os pampianos foram completamente dizimados ainda no século XIX. Os poucos jê que restaram pertencem ao grupo kaingang e os guarani tentam sobreviver e enfrentam diversas dificuldades, principalmente em relação a demarcação de suas terras.
            As áreas destinadas aos kaingang estão relativamente demarcadas. Elas, no entanto, são muito pequenas para o numero de índios que nelas habitam. Isso ocorre porque as reservas originais criadas no século XIX, perderam grande parte de sua área devido a invasão de pecuaristas e extrativistas e ao assentamento de colonos. Ainda hoje, os índios disputam suas terras com os agricultores que foram assentados entre as décadas de 1940 a 1960. Além disso, o constante uso do solo acabou o degradando, tornando a produção insuficiente para alimentar as famílias. Tal situação faz com que a maioria dos kaingang viva na miséria e muitos até passam fome.
            Os guaranis hoje são pouco mais de mil que vivem no Rio Grande do Sul, a maioria no litoral. A constante migração dos guaranis dificulta a comprovação histórica com as áreas que eles habitavam e a sua demarcação. Por isso muitas famílias de guarani vivem hoje ao longo das rodovias.(Adaptado de Felipe Piletti - História Regional - Rio Grande do Sul).

segunda-feira, 30 de julho de 2012

HISTÓRIA DA BOLÍVIA

Por ocasião da independência da região antes conhecida como Alto Peru, o nome Bolívia foi dado à nova república em homenagem a Simón Bolívar, o Libertador.
A Bolívia situa-se no coração da América do Sul. Com uma extensão de 1.098.581km2,   tem fronteiras a norte e a leste com o Brasil, a sudeste com o Paraguai, ao sul com a Argentina, a sudoeste com o Chile e a oeste com o Peru. A capital do país é Sucre, mas a sede do governo fica em La Paz.
Vários séculos antes da conquista espanhola, o altiplano boliviano era densamente povoado, desde o século VII, tornara-se o centro da cultura de Tiahuanaco, primeiro império andino que dominou os planaltos e a costa do Peru. Por volta do século XI, a região foi dividida em estados mais modestos, que mantiveram, porém, a mesma densidade demográfica e seu elevado padrão de civilização. No século XV, estava dividido em 12 nações de índios aimarás, que lutaram contra os quíchuas de Cuzco pelo controle da região. Embora os quíchuas tenham sido os vencedores, os aimarás converteram-se no principal grupo não-quíchua do império incaico. Como parte da política incaica de colonização, colonos quíchuas estabeleceram-se no território. Desde então o quíchua e o aimará são as duas principais línguas ameríndias da Bolívia.
Período colonial. A partir da conquista, os vales andinos do sul da Bolívia e o planalto central se converteram no núcleo da dominação espanhola, que se organizou em torno das grandes minas de prata de Potosí e das que mais tarde foram descobertas nas imediações da cidade de Oruro. Para a sua exploração era empregada a abundante mão-de-obra indígena. Foram então fundadas cidades para o abastecimento das áreas de mineração: Chuquisaca (hoje Sucre), em 1538, La Paz (1548) e Villa de Oropeza (hoje Cochabamba, 1571). Essa região andina, na época conhecida como Charcas ou Alto Peru, foi uma das mais ricas e mais densamente povoadas do império espanhol na América. Trabalhavam nas minas índios de toda a zona dos Andes, submetidos a um sistema de divisão forçada de trabalho denominado mita, também aplicado à agricultura e ao comércio. Nas duas últimas décadas do século XVIII, entrou em decadência a mineração da prata, em conseqüência do esgotamento dos veios mais acessíveis e ricos, do atraso das técnicas de extração e do desvio dos investimentos para o comércio internacional. Foi então que o centro intelectual e político da região se deslocou para Chuquisaca. As revoltas de Chuquisaca e de La Paz iniciaram as guerras de independência sul-americanas, embora tenha sido o Alto Peru a última região importante a se libertar do domínio espanhol. Depois da vitória de Antonio José de Sucre sobre as forças espanholas, em 1824, uma assembléia reunida em Chuquisaca em 6 de agosto de 1825 declarou o país independente. O nome escolhido foi República Bolívar, em homenagem a Simón Bolívar, mas posteriormente prevaleceu o de Bolívia. Sucre ocupou a presidência.
Independência e república. Foi a partir da independência que a Bolívia perdeu sua posição de potência econômica da América hispânica, ocupada por países do rio da Prata e pelo Chile, produtores de carne e de cereais. Além da sangria causada pela guerra, a Bolívia tinha necessidade de importar alimentos e, ao contrário de seus vizinhos, não dispunha de uma suficiente atividade comercial para financiar os gastos públicos, vendo-se forçada a recolher impostos de camponeses cada vez mais empobrecidos. No terreno político, essa situação econômica se traduziu numa sucessão de governos militares, entre os quais se destacou o marechal Andrés Santa Cruz, partidário da união com o Peru, que tomou forma de confederação em 1836 e se dissolveu em 1839, depois de uma guerra com o Chile. A partir dessa época os esforços se concentraram na integração das diversas regiões bolivianas, o que não foi alcançado por falta de recursos materiais e humanos. O reduzido capital do país era investido na mineração, o que fazia com que os demais setores só pudessem contar com capital estrangeiro.
Por volta de 1840 começaram a ser deslocados capitais anglo-chilenos para a exploração do guano da então província boliviana de Atacama, na costa do Pacífico. Na década de 1860, o investimento externo permitiu uma retomada da mineração, favorecida por novas tecnologias e pelas boas condições do comércio internacional da prata. Com a descoberta de nitratos na costa boliviana do Pacífico, a pressão chilena se intensificou. Por via diplomática, o Chile conseguiu concessões comerciais em território boliviano, mas em 1879, quando o governo boliviano tentou aumentar os impostos cobrados às companhias chilenas dedicadas à exploração de nitratos em seu território, o Chile invadiu a Bolívia, iniciando-se a guerra, na qual em 1873 o Peru se aliou à Bolívia. A guerra do Pacífico terminou em 1880, com a vitória do Chile na batalha de Tacna. A Bolívia perdeu seus territórios da costa do Pacífico e as possibilidades de comunicação e comércio com o exterior que estes ofereciam.
Entre 1880 e 1920, o país viveu um período de governos civis, iniciado com o do presidente Narciso Campero. De 1884 a 1899 o Partido Conservador se manteve no poder, até ser substituído pelo Liberal. O Conservador era ligado à elite de Chuquisaca, aos magnatas da prata. Ao tempo em que estiveram à frente do governo, os conservadores favoreceram a mineração, por meio do desenvolvimento de uma rede ferroviária internacional. Nessa mesma época entrou em declínio a mineração da prata e começou a surgir a do estanho, que só veio a adquirir importância econômica no final do século XIX. Por volta de 1900, o estanho representava mais da metade do valor das exportações bolivianas. Ao contrário do que ocorria com a mineração da prata, a do estanho era de propriedade internacional, absorvia grandes capitais e era muito produtiva.
O Partido Liberal, que governou de 1899 a 1920, tinha sua força máxima em La Paz, e seus dirigentes não faziam parte da oligarquia das minas. Sua ascensão coincidiu com o apogeu do estanho. A primeira tarefa enfrentada pelos governantes liberais foi a de buscar solução para problemas de fronteira. Em 1903 assinou-se o Tratado de Petrópolis, pelo qual era entregue ao Brasil o território do Acre, onde ocorrera uma rebelião autonomista com apoio brasileiro, na época mais produtiva da exploração da borracha. No ano seguinte, o país assinou com o Chile um tratado de paz que estabelecia a aceitação da perda dos territórios costeiros. Com as indenizações decorrentes dos dois acordos, foi iniciada uma etapa de ampla expansão ferroviária.
Por volta de 1920, estradas de ferro uniam a maioria das principais cidades bolivianas. La Paz estava ligada aos portos chilenos de Antofagasta e Arica, e novas linhas foram estendidas tanto para o lago Titicaca e a fronteira peruana quanto para Tarija e os limites com a Argentina. A etapa do governo liberal foi a mais tranqüila da história boliviana, dominada pela figura de Ismael Montes, que foi presidente em duas ocasiões. O êxito do Partido Liberal acarretou a divisão dos conservadores. O genuíno sistema bipartidarista não foi restabelecido senão em 1914, com a integração de políticos de diversas tendências no Partido Republicano.
Em 1920 os republicanos chegaram ao poder, mediante um golpe de estado incruento. No plano político ocorreu, no interior do partido governante, uma luta entre as facções de Juan Bautista Saavedra e Daniel Salamanca. A situação econômica passou por alterações. Depois da primeira guerra mundial, a indústria do estanho recuperou-se espetacularmente e em 1929 alcançou seu máximo volume de produção. Os preços, no entanto, passaram a cair com extrema rapidez e em 1930 ocorreu uma grave crise no setor. A época dos grandes investimentos tinha terminado.
Radicalismo. Um ano depois da revolta de 1930, Daniel Salamanca ocupou a presidência. As alterações mais importantes que promoveu foram relativas à situação econômica: a crise econômica mundial causara redução das rendas nacionais e o fechamento de grande parte das minas. Para fazer frente ao mal-estar social e à oposição política, desviou-se a opinião pública para o exterior, iniciando-se um conflito de fronteiras com o Paraguai, pela posse do Chaco Boreal. A guerra durou de 1932 a 1935 e causou grandes perdas humanas e territoriais. A derrota do Exército boliviano, tido como mais bem preparado, provocou grande frustração nacional e uma profunda desconfiança frente aos poderes econômicos, às hierarquias políticas e militares. Desse descontentamento surgiram novos partidos, de caráter socialista e radical. Em 1936 foi instaurado o primeiro governo militar desde 1880, formado por veteranos da guerra do Chaco, representantes do que era chamado socialismo militar. As tentativas de reforma social tomaram corpo no confisco das explorações de petróleo pela empresa Standard Oil, na criação de leis trabalhistas e na promulgação, em 1938, de uma constituição progressista.
Na década de 1940 surgiram dois importantes partidos, o Movimiento Nacionalista Revolucionario (MNR) e o Partido de Izquierda Revolucionaria (PIR), o primeiro dos quais de orientação inicial fascista, e o segundo, marxista. Depois de várias revoltas violentas, o MNR chegou ao poder apoiado por camponeses e mineiros, quando já estava afastado de sua ala fascista e tinha incorporado a seus quadros o líder mineiro Juan Lechín.
Em abril de 1952 teve início a chamada revolução nacional boliviana. Em outubro do mesmo ano foram nacionalizadas as principais empresas mineradoras e criou-se um órgão público para administrá-las. Em agosto do ano seguinte teve início uma ambiciosa reforma agrária e foi abolido o regime de servidão dos índios, que receberam lotes de terras provenientes da fragmentação dos latifúndios. Instituiu-se o voto universal e foram criadas uma central sindical, e milícias de camponeses e operários.
Víctor Paz Estenssoro, líder do MNR, governou de 1952 a 1956 e pôs em prática a parte mais revolucionária do programa do partido. Os Estados Unidos, que durante a segunda guerra mundial tinham sido os únicos compradores do estanho boliviano e depois se converteram em donos do mercado internacional, tardaram em reconhecer o novo governo, mas finalmente lhe prestaram ajuda financeira e técnica, por temor da influência comunista e anarquista. Em 1956, chegou à presidência Hernán Siles Suazo, que levou a cabo uma política de estabilização econômica apoiada pelos Estados Unidos. Interrompeu-se a implementação dos aspectos socialmente mais avançados do programa revolucionário e iniciou-se a reconstrução do exército para equilibrar o peso das milícias populares, à medida que o governo se afastava dos mineiros. Em 1960, voltou à presidência Paz Estenssoro, que manteve a política moderada de seu antecessor.
O general René Barrientos, vice-presidente, assumiu o poder em 1964, dando início a uma nova fase de governos militares. Destruiu quase por completo a oposição sindical e até sua morte, em 1969, manteve restrições políticas e diretrizes econômicas conservadoras. Foi durante seu mandato que a guerrilha de Ernesto "Che" Guevara no país viu-se perseguida e subjugada.
Em 1971, o governo foi tomado pelo general Hugo Banzer Suárez, que enfrentou o movimento operário, determinou a ocupação das minas pelo Exército, suspendeu os direitos civis e proibiu o funcionamento dos sindicatos camponeses. A economia, contudo, experimentou um crescimento sem precedentes, favorecida pela elevação dos preços do estanho no mercado mundial e pelos efeitos de algumas das transformações básicas iniciadas em 1952, que tendiam a limitar o peso do minério na economia do país e propiciavam o surgimento de uma agricultura voltada para a exportação.
Banzer afastou-se em 1978 e poucos meses mais tarde assumiu o governo uma junta militar, no meio de caótica situação financeira. Siles Suazo, eleito presidente pelo Congresso em 1982, iniciou um programa de austeridade econômica que causou profundo mal-estar em amplos setores da população. Em 1984 foi seqüestrado pelos militares de direita, mas a tentativa de golpe fracassou.
Em junho de 1985 Paz Estenssoro foi eleito presidente. Sua política de contenção dos salários e dos gastos públicos fez baixar a inflação, que em meados da década de 1980 chegara a 24.000%, para cinco por cento ao fim de seu governo. Em 1989 sucedeu-lhe no poder o sobrinho Jaime Paz Zamora, membro do grupo oposicionista Movimiento de Izquierda Revolucionaria.
Fonte: Enciclopédia Britânica.

sábado, 21 de julho de 2012

MÚSICA ELETRÔNICA

Diante de uma roda pintada com faixas de todas as cores, o olho humano não enxerga nenhuma em particular, mas apenas o branco, que é a mescla de todas elas. Analogamente, o chamado ruído branco reúne todas as freqüências de som possíveis. Filtrado por meio de correntes elétricas, dá origem a sons "artificiais" ou sintetizados, utilizados em música eletrônica.
Música eletrônica é aquela que utiliza como elementos da composição sons produzidos ou modificados por aparelhos eletrônicos. Uma melodia não se transforma em música eletrônica apenas pelo uso de instrumentos desse tipo. Para isso, é preciso que os recursos próprios a essa linguagem (tais como determinados timbres e outros efeitos não reproduzíveis acusticamente) sejam incorporados à obra.
Som eletrônico. As ondas radioeletrônicas, cuja sonoridade difere muito da dos instrumentos acústicos comuns, não se produzem por choque ou atrito, mas por meio de correntes elétricas. As técnicas associadas a esse tipo de música utilizam aparelhos próprios a um laboratório computadorizado de física acústica, como microfones, para captação de sons "naturais" a serem posteriormente modificados; gravadores, para registro da matéria-prima sonora e muitas vezes do produto final a ser apresentado; sintetizadores, que geram sons através de filtros de freqüência; samplers, capazes de armazenar sons acústicos eletronicamente, ou seja, sem o auxílio de fita magnética; seqüenciadores, que registram seqüências de sons a partir de informações lógicas e matemáticas; simuladores de ambiente etc.
A partir de meados do século XX, a música eletrônica utilizou como fonte sonora tanto instrumentos acústicos tradicionais, cujos sons são eletronicamente registrados para posterior manipulação, como instrumentos amplificados por corrente, como guitarras e pianos elétricos, além dos instrumentos eletrônicos propriamente ditos. Além disso, qualquer material sonoro, como sons do quotidiano, produzidos por máquinas, animais e outros, pode ser incorporado. A música que utiliza primordialmente sons "reais" pré-gravados é conhecida como eletroacústica e pode ser realizada também por meio de aparelhos de gravação tradicionais, sem o recurso à tecnologia eletrônica.
História. O primeiro invento diretamente relacionado à música eletrônica foi o Telharmonium, instrumento de duzentas toneladas construído nos Estados Unidos em 1906. Outros de menor porte, sobretudo órgãos, surgiram nas décadas de 1920 e 1930. As manipulações sonoras foram facilitadas pela invenção dos gravadores de fita magnética, na década de 1950. Seu uso, no entanto, apresenta problemas técnicos que tornam a gravação perecível. Como meios de registro mais confiáveis surgiram, em primeiro lugar, os sintetizadores, que de início funcionavam à base de cartões perfurados.
Em meados do século XX, dois grupos utilizaram simultaneamente em música as novas tecnologias. Em Paris, Pierre Schaeffer trabalhou, por um processo de colagem, sons gravados em fita magnética e obteve um resultado conhecido como música concreta. Em Colônia, Karlheinz Stockhausen utilizou sons gerados pelos próprios aparelhos, criando a música eletrônica propriamente dita. Ambos influenciaram a experimentação musical posterior, que se desdobrou em uma multiplicidade de métodos e concepções estéticas designadas genericamente como música eletroacústica. O avanço da radiodifusão a partir da segunda guerra mundial propiciou o desenvolvimento dessa nova produção.
Paralelamente, o uso industrial dos aparelhos eletrônicos criou gêneros específicos de música comercial. A eletrônica diminuiu os custos e prazos da produção de discos, mediante a freqüente substituição de instrumentistas por aparelhos, o uso de instalações arquitetonicamente muito menores e mais simples do que as requeridas para o registro do som acústico, e a possibilidade de manipular o som gravado posteriormente, para corrigir eventuais imperfeições. Assim, a música gravada afastou-se bastante do resultado obtido em apresentações ao vivo, o que por sua vez modificou a dinâmica dos espetáculos, que passaram a também requerer a participação da eletrônica para corresponder ao que fora veiculado em disco. A partir das últimas décadas do século XX, os computadores digitais -- versáteis, precisos e menos dispendiosos -- converteram-se no principal recurso tecnológico utilizado para composição, performance e registro.
Fonte: Enciclopédia Britânica.


quinta-feira, 19 de julho de 2012

FASES DO RENASCIMENTO ITALIANO


Ao falarmos sobre o Renascimento, logo fazemos frequente menção aos vários artistas italianos que fizeram parte do referido movimento. Tal posição de destaque, em primeira análise, explica-se pelo papel pioneiro de algumas cidades italianas no desenvolvimento de tal experiência. Além disso, devemos também frisar que esse mesmo destaque também se justifica em razão da rica classe comerciante que incentivou o trabalho de vários artistas dessa época.
Mediante o volume de obras e artistas que aparecem na Itália, os historiadores resolveram periodizar o Renascimento Italiano em três fases distintas: o Trecento, que corresponde à fase inicial do movimento renascentista, no século XIV; o Quattrocento, onde temos vários trabalhos na cidade de Florença, os quais correspondem aos séculos XV; e o Cinquecento, última fase – transcorrida no século XVI – onde a cidade de Roma assume posição de destaque.
No Trecento, as artes plásticas foram agraciadas pelas obras inovadoras de Giotto di Bondoni. Em suas pinturas, observamos uma primeira tentativa de se romper com os antigos padrões da arte medieval ao buscar um sentido de profundidade nos seus quadros. Além disso, as personagens exploradas (muitas delas de origem religiosa) exprimiam suas emoções e sentimentos.
Nas letras, observamos um primeiro impulso na produção a partir do momento que Dante Alighieri publicou suas obras em toscano, um dialeto que influenciou profundamente o italiano hoje falado. Logo depois, aparece Petrarca, considerado um dos grandes fundadores da questão humanística na literatura italiana. Ao seu lado, também destacamos as sátiras de Giovanni Boccaccio, autor da obra Decameron.
Graças ao apoio da poderosa família Médici, o Quatrocento teve suas maiores expressões ligadas à cidade italiana de Florença. Vários artistas de renome eram contratados para pintarem quadros, realizar projetos arquitetônicos e construir igrejas. Na época, o apoio às artes servia como um importante instrumento de projeção social não só para os Médicis, bem como de outros burgueses italianos.
Entre os artistas do Quatrocento, Massaico foi um dos pintores que aprimoraram o uso da perspectiva. Além dele, temos os belos quadros de Sandro Botticelli, que tentava explorar elementos de natureza espiritual, religiosa e simbólica em várias de suas obras. No campo da arquitetura, destacamos Filippo Brunelleschi pela construção da catedral de Santa Maria Del Fiore.
No final dessa fase, damos um lugar para Leonardo da Vinci, talvez uma das figuras que encarnou o sentido inovador do Renascimento com maior intensidade. Não se especializando em nenhum âmbito específico, da Vinci se aventurou como pintor, escultor, urbanista, inventor e filósofo. Entre suas obras, podemos dedicar especial destaque à Gioconda, mais conhecida como Mona Lisa, e a reprodução da Santa Ceia.
Chegando ao Cinquecento, o Renascimento já ocupa uma posição de destaque na Itália e em outras nações europeias. Na literatura, o Cinquecento foi prestigiado com as inovadoras teses políticas de Nicolau Maquaivel, autor da obra “O Príncipe”, onde elabora a cisão entre as questões políticas e os valores morais. Já nas artes, Michelangelo Buonarroti se imortaliza pela pintura dos afrescos da Capela Sistina.
Alcançando os finais do século XVI, observamos que o Renascimento já experimentava outras manifestações para fora da Itália. Nesse contexto, a expansão marítima deslocava o eixo econômico europeu do mar Mediterrâneo para o Atlântico. De tal modo, outros centros urbanos se enriqueciam, propiciando o surgimento de novos artistas, escritores e intelectuais. Já nessa nova situação, a Contra Reforma católica atuou no sentido de perseguir as formas de conhecimento que iam contra os seus dogmas.
Rainer Sousa

quarta-feira, 18 de julho de 2012

ZEUS

Como divindade suprema do Olimpo, chamado "pai dos deuses e dos homens", Zeus simbolizava a ordem racional da civilização helênica.
Zeus é o personagem mitológico que, segundo Hesíodo e outros autores, nasceu de Réia e de Cronos, o qual engolia os filhos para evitar que se cumprisse a profecia de que um deles o destronaria. Após o nascimento de Zeus, Réia ocultou a criança numa caverna, em Creta, e deu uma pedra envolta em faixas para o marido engolir. Quando chegou à idade adulta, Zeus obrigou o pai a vomitar todos os seus irmãos, ainda vivos, e o encerrou sob a terra. Transformou-se então no novo senhor supremo do cosmo, que governava da morada dos deuses, no cume do monte Olimpo.
A esposa de Zeus foi sua irmã Hera, mas ele teve numerosos amores com deusas e mulheres mortais, que lhe deram vasta descendência. Entre as imortais, contam-se Métis, que Zeus engoliu quando grávida para depois extrair Atena da própria cabeça; Leto, que gerou Apolo e Ártemis; Sêmele, mãe de Dioniso; e sua irmã Deméter, que deu à luz Perséfone. Com Hera concebeu Hefesto, Hebe e Ares. O deus assumia com freqüência formas zoomórficas -- cisne, touro -- ou de nuvem ou chuva, em suas uniões com mortais, que deram origem a uma estirpe ímpar de heróis, como os Dióscuros (Castor e Pólux), Héracles (Hércules) e outros que ocupam lugar central nos ciclos lendários.
Os templos e estátuas em honra a Zeus dominavam todas as grandes cidades, embora seu culto fosse menos popular do que o das respectivas divindades locais. Era representado comumente como homem forte e barbado, de aspecto majestoso, e com essa imagem foi adotado pelos romanos, que o identificaram com Júpiter.
Fonte: Enciclopédia Britânica.

terça-feira, 17 de julho de 2012

O DIÁRIO DE ANNE FRANK


O Diário de Anne Frank foi composto pela então adolescente Anne Frank, no período que se estende de 1942 a 1º de agosto de 1944. Este poderia ser um diário escrito por qualquer garota de 13 anos, nos tempos atuais, com todas as inquietudes e preocupações de uma jovem, se ela não estivesse vivendo justamente em um dos contextos mais difíceis da história da Humanidade, a Segunda Guerra Mundial.
Ela tinha apenas 13 anos e, de repente, viu sua existência sofrer uma transformação radical. Subitamente Anne estava vivendo com sua família e outros judeus, companheiros da mesma sina, ocultos em Amsterdam, na Holanda, na época em que este país foi invadido pelos nazistas alemães.
Em palavras singelas e de fácil entendimento, a garota narra a rotina desta pequena comunidade durante o período em que seus integrantes permaneceram refugiados no porão do gabinete em que seu pai trabalhara, para onde o grupo se dirige ao tomar conhecimento do destino que lhes estaria reservado se fossem capturados pelas forças da Alemanha.
Neste recanto abrigam-se a família de Anne – a adolescente, os pais e a irmã -, e a do Senhor Van Daan – ele, a esposa e o filho Peter, que se torna o melhor amigo da garota, e por quem ela se encanta cada vez mais. A autora deste diário registra a vivência destas pessoas sob a ameaça constante da morte e sua visão pessoal sobre este terrível confronto bélico.
Anne tem a ideia de escrever um diário que pudesse realmente ser publicado após ouvir uma transmissão radiofônica que incentivava as pessoas a documentar os eventos ligados à guerra, pois este material teria, futuramente, um alto significado. Ela inscreve em seus escritos tudo o que se passa no cotidiano dos fugitivos, inclusive sua notória predileção pelo pai, que considerava amoroso e nobre, ao contrário da mãe, com quem a menina estava sempre em confronto.
Depois de tempos difíceis, oficiais da Gestapo descobrem o esconderijo, em 4 de agosto de 1944, prendem os refugiados e os conduzem para diversos campos de concentração. Neste mesmo dia o pai, Otto Heinrich Frank, recebe o diário da filha e, como é o único remanescente do período transcorrido como prisioneiro, luta pela publicação de seus textos, realizando finalmente o sonho de Anne. Com o auxílio da escritora Mirjam Pressler, ele alcança o seu objetivo e lança o diário em 1947.
Na primeira versão muitos trechos foram censurados pelo próprio pai, que tinha consciência do quanto seria controvertido, nesta época, divulgar os conflitos entre mãe e filha, bem como revelar aspectos da sexualidade emergente de Anne. Em edição posterior o diário foi publicado integralmente.
Anne morreu em pleno campo de concentração, em Bergen-Belsen, em fins de fevereiro de 1945. O Diário original está preservado no Instituto Holandês para a Documentação da Guerra. Os direitos autorais da obra de Anne estão reservados ao Fundo Anne Frank, localizado na Suíça, uma vez que Otto Frank faleceu em 1980.
Ana Lucia Santana

segunda-feira, 16 de julho de 2012

CATARISMO

Concebido nos fins do século IX, o catarismo foi considerado um dos mais expressivos movimentos hereges de toda a Idade Média. Seus praticantes, conhecidos como cátaros (termo de origem grega que significa “puro”), estabeleceram uma doutrina espiritual influenciada por ensinamentos do cristianismo, do gnosticismo e do zoroastrismo. Aparecendo inicialmente na região de Limousin, na França, esse movimento herético logo tomou corpo e se desenvolveu ao longo das décadas.
Tendo uma visão de mundo fortemente dualista, os cátaros acreditavam que a glorificação do espírito só pode ser alcançada a partir do momento em que as sensações carnais fossem desprezadas. Influenciados por essa concepção, os cátaros viviam uma vida extremamente simples e se abstinham do consumo de alguns alimentos como a carne e qualquer outra fonte de sustento que fosse obtida por meio da procriação. Além disso, se recusavam a realizar o sacrifício de qualquer tipo de animal e não aceitavam os tradicionais juramentos feudais.
A rejeição do mundo material se sustentava numa crença anterior, na qual acreditavam que todo o mundo espiritual fora criado por um “deus do bem” (Deus) e toda a realidade material fora concebida por um “deus do mal” (Diabo). Sendo assim, o homem deveria buscar sua purificação espiritual e tomar as mais diversas ações que lhe permitissem se afastar da esfera material. Mesmo acreditando na existência do mal, eles não acreditavam no inferno, pois, ao fim, o bem triunfaria para todo o sempre.
Entre os séculos XI e XII, o catarismo se desenvolveu por diversos cantos da Europa e teve seus praticantes conhecidos por nomes diversos. Na Alemanha, foram chamados de “ketzers”; entre os italianos foram nomeados como “patarinos”; e em terras búlgaras foram conhecidos como “bogomils”. No século XIII, o grande número de cátaros existentes na cidade de Albi – localizada na região francesa do Languedoc – fez com que os praticantes dessa heresia também fossem conhecidos como “albigenses”.
Desenvolvendo uma igreja própria, os cátaros se organizavam em uma hierarquia que os dividia como: bispos, perfeitos e crentes. Os “crentes” tinham uma relação aberta com os cátaros, seguindo alguns de seus princípios, mas mantendo laços com a Igreja Católica e contraindo matrimônio. Os “perfeitos” tinham uma vida de negação material e só alcançavam essa condição ao serem aceitos em uma cerimônia de aceitação organizada pelos bispos, que eram os líderes mais experientes.
Na medida em que tinham sua igreja e suas próprias liturgias, os cátaros foram perseguidos pelos representantes do catolicismo. No ano de 1119, o Concílio Regional de Toulouse chegou à conclusão de que o catarismo era uma séria ameaça à manutenção da unidade da fé cristã. Inicialmente, os clérigos católicos tentaram reafirmar sua autoridade religiosa dialogando com os cátaros e enviando pregadores para as regiões em que a heresia se desenvolvia de modo mais expressivo.
Sem obter a submissão esperada, o papa Inocêncio III condenou os cátaros à condição de hereges durante o IV Concílio Lateranense, no ano de 1215. Tomada essa decisão, os cátaros foram sistematicamente perseguidos e tiveram as suas igrejas destruídas durante a chamada “Cruzada Albigense”, desenvolvida entre as décadas de 1210 e 1220. Ao mesmo tempo, o crescimento da Inquisição Católica tratou de varrer os demais praticantes dessa religião medieval.
Rainer Sousa

sábado, 14 de julho de 2012

BOXE

O boxe, ou pugilismo, é um esporte onde duas pessoas (o esporte é praticado por homens e mulheres) lutam uma contra a outra com os punhos cerrados, e no qual são utilizadas luvas feitas de couro almofadado.
As luvas e o protetor bucal são utilizados para a proteção dos pugilistas. É obrigatório, também o uso de bandagens atléticas por debaixo das luvas.
Porém, sendo a prática do boxe muito antiga, no ínicio não existiam esses acessórios de proteção.
Há diversos documentos que comprovam a prática do boxe há 5000 anos atrás, na Suméria e no Egito.
Houve relatos do esporte na Inglaterra no século XVII. Na época as lutas eram feitas sem luvas, e eram permitidos chutes e chave de luta livre para derrotar o adversário.
A última luta de boxe sem luvas foi feita entre John L. Sulivan e Jake Kilrain. A luta teve 75 rounds, e durou de 2 horas, 16 min e 23 segundos e com a vitória de Sullivan.
O boxe entrou nas Olimpíadas em 688 a.C. na vigésima terceira edição, porém nas olimpíadas modernas ele foi retirado, pelo seguinte motivo: “não promover fraternidade entre os competidores”.
O esporte foi reincluído em demonstração na Olimpíada de 1912 em Estocolmo, e tornou-se um esporte oficialmente olímpico na Olimpíada de 1920 em Antuérpia.
O primeiro campeão do Boxe que usou a tática de movimento ao invés de usar a força extrema foi Jack Broughton (1704-1789), na Inglaterra. O estilo de Jack Bourghton deu origem a novas regras que sobreviveram até 1838.
Um grande lutador foi John Jackson que conquistou o título inglês. Ele fundou uma academia de Boxe em Londres, quem introduziu as luvas acolchoadas atraindo para sua escola rapazes da elite da Inglaterra. Ele criou regras de nome Marques de Queensberry, que são usadas até os dias de hoje e procuram valorizar  a arte e a destreza dos lutadores.
Em 1872, realizaram pela primeira vez torneios em que os lutadores eram divididos por categoria de peso. O ringue com de cordas apareceu no começo do Séc. XX. O protetor de dentes foi criado pelo dentista inglês Jack Marks, e é usado até hoje em todas as competições.
O boxe atualmente é chamado de nobre arte.
As regras podem variar um pouco entre o boxe amador e o profissional, assim como variam também entre as organizações do boxe profissional.
Os ringues têm entre 5 m² e 7,5 m², e sua superfície é composta de lona sobre aproximadamente 3 cm de acolchoado, para amortecer possíveis quedas. Ainda, é cercado por cordas flexíveis, sendo que normalmente fica em uma plataforma elevada.
A luta é dividida em rounds, ou assaltos, que tem duração que podem variar entre 3 min. e 1 minuto( para a divisão de juniores). O intervalo entre os rounds é de 1 min.
O número de rounds (assaltos) pode variar dentre os níveis amador e profissional. No profissional, as lutas tem 12 rounds, podendo chegar até 15. Já para os amadores, são no máximo 5 rounds.
Nas regras atuais são consideradas faltas:
- Abraçar, atracar-se, ou agarrar excessivamente.
 - Desferir golpes abaixo da cintura.
 - Chutar.
 - Atacar quando o oponente está caído na lona.
 - Dar cabeçada.
 - Morder as orelhas (ocorreu um caso em uma disputa entre Mike Tyson e Evander Hollyfield, onde Mike arrancou um pedaço da orelha do oponente)
As lutas terminam quando é dado Nocaute (um dos competidores é derrubado e não volta a fica de pé até que o juiz conte até 10), ou por Nocaute Técnico (se de pé ou nas cordas for incapaz de prosseguir lutando).
 Thais Pacievitch

sexta-feira, 13 de julho de 2012

ANTECEDENTES DA REVOLUÇÃO FRANCESA

Para compreendermos as causas da Revolução Francesa, é necessário que, antes de qualquer coisa, estabeleçamos um breve quadro sobre as transformações ideológicas experimentadas nesse período. Durante o século XVIII uma série de pensadores contribuiu para a consolidação do movimento iluminista, que no conjunto de suas idéias, realizava uma consistente crítica contra os privilégios e problemas causados pelo modelo centralizador das monarquias nacionais.
Muitos desses pensadores viam na figura do rei uma situação política contrária ao exercício das liberdades e legitimadora da desigualdade que atingia o homem em sociedade. Dessa forma, estes pensadores iriam propor um novo regime fragmentado em três novos poderes que poderiam exercer justiça através de um conjunto de leis válido a qualquer indivíduo, independente de sua posição política, condição econômica ou prática religiosa.
Sem dúvida, é por meio dessa argumentação que compreendemos as origens do bordão revolucionário francês “Liberte, Egalité, Fraternité” (Liberdade, Igualdade, Fraternidade). No entanto, não podemos nos limitar em conceder à “força das idéias” toda a motivação desse acontecimento histórico. As questões políticas e sociais devem ser igualmente consideradas para que possamos compreender o meio em que o ideário iluminista teria encontrado terreno fértil.
De fato, a França vivia uma situação bastante contraditória no período em que antecede a sua revolução liberal. A burguesia, responsável pelo desenvolvimento financeiro e comercial do país, passou a encontrar sérias dificuldades para garantir o atendimento de seus interesses particulares. A nobreza e o clero se sustentavam por meio da cobrança de pesados impostos que comprometiam seriamente a expansão da atividade comercial burguesa do país.
Paralelamente, retrocedendo algumas décadas do século XVIII, vemos que a derrota na Guerra dos Sete Anos (1756 - 1763) e os gastos na guerra de independência dos EUA (1776 - 1781) gerou uma expressiva quantia de gastos que enfraqueceram a economia francesa. Em resposta a difícil situação, a monarquia francesa decidiu aumentar os tributos e a fiscalização visando ampliar as fontes de arrecadação que sustentavam o regime monárquico.
Como se não bastassem tais problemas com relação à burguesia, a França ainda tinha grande parte de sua população vivendo no campo, sob antigas tradições e exigências medievais. A opressão dos nobres proprietários de terra (protegidos pela monarquia) contra a classe campesina abriu outro foco de tensões que viria a ser agravado com a crise de abastecimento que atingiu a França um pouco antes da revolução. A partir de 1787, as más colheitas provocaram um grande aumento no valor dos alimentos.
Dessa maneira, percebemos que o grupo social mais numeroso (camponeses) e o mais próspero (burguesia) se encontravam insatisfeitos com o regime. Apesar da insatisfação, estes dois grupos não tinham condições de ter suas demandas atendidas pelo governo. Somente os membros do chamado Primeiro Estado (clero) e o Segundo Estado (nobreza) tinham influência suficiente para ter seus interesses atendidos pela figura do rei. Com isso, uma grande possibilidade de mudança viria a tomar conta de toda a França, no final do século XVIII.
Rainer Sousa

quinta-feira, 12 de julho de 2012

CARLOTA JOAQUINA

Carlota Joaquina, Princesa do Brasil
Brasil, onde até reis e rainhas são figuras cômicas
Carla Camurati é saudada como a responsável pelo sucesso abre-alas da retomada do cinema nacional depois dos problemas da Era Collor, em que a produção tupiniquim quase pereceu de vez. Jovem cineasta de talento, atriz promissora que se revelou competente em sua carreira, Carla resolveu filmar a história do Brasil, em busca de nossas raízes e acabou escolhendo o período em que a família real portuguesa, acuada pela invasão das tropas napoleônicas, cruzou o Atlântico e se instalou no Brasil.
História de difícil digestão quando estamos numa sala de aula, o filme de Camurati acabou se transformando num grande sucesso. Reduzida a fatos como a abertura dos portos às nações amigas, aos tratados de comércio e navegação ou a chegada da Missão Francesa, a apresentação do chamado Período Joanino pode ser realmente entediante. Aliás, é necessário que os professores passem a usar recursos como esse filme para dinamizar a aula, gerar maior interesse entre os alunos, fazê-los entender que esses acontecimentos e personagens realmente existiram!
Como qualquer filme, há várias liberdades tomadas pela diretora e pelos roteiristas, nada que possa comprometer o aproveitamento do recurso ou o desenvolvimento da temática em aula. Basta ter discernimento para apontar as idéias ou princípios que mais lhe interessam para a composição e, estar por dentro do assunto que será possível fazer bom uso desse material.
A grande crítica que se faz ao filme "Carlota Joaquina" reside no aspecto caricato dos membros da família real portuguesa, principalmente Dom João e a própria Carlota. Dom João é comilão, preguiçoso, influenciável e um governante indeciso (às vezes, irresponsável). Carlota tem um apetite sexual insaciável, tendo passado Dom João para trás várias vezes, o que não lhe causa nenhum tipo de arrependimento ou remorso. Pode-se perceber nessa caracterização uma tentativa de apresentar elementos que nos permitam visualizar em Dom João um retrato da nobreza européia. Em Carlota, podemos entrar em contato com os hábitos dessa nobreza no que se refere aos casamentos e relacionamentos amorosos onde não há vínculos estreitos já que se tratavam de acordos que uniam famílias, posses e poder.
Outro aspecto interessante a se destacar reside na influência dos ingleses quanto à vinda da família real para o Brasil. Isso normalmente é ressaltado no desenvolvimento das aulas, o personagem de Lorde Strandford serve como referência importante a esse acontecimento e pode fazer com que se desenvolva uma discussão em que se debatam os interesses que moveram a Inglaterra a auxiliar a fuga de Dom João e companhia.
A chegada a terras brasileiras e a adaptação de lusos ao novo ambiente e de brasileiros aos hábitos dos visitantes ilustres também merece destaque. A necessidade de ceder suas casas aos portugueses, os apertos relativos ao mercado e a pequena oferta de alimentos e demais gêneros (que causavam aumento de preços) foram alguns dos problemas enfrentados pelos brasileiros. O calor, os novos alimentos, a convivência muito estreita com negros e mestiços e os insetos foram dificuldades encontradas pelos portugueses no Brasil.
Há seqüências que, a princípio, deveriam ser encaradas como trágicas, mas que são hilárias, como no caso da retirada da família real portuguesa da metrópole (que D. Maria, a louca, entendeu como sendo uma fuga) ou a primeira noite do casal João e Carlota, ainda jovens, que quase terminou em tragédia.
Preste atenção aos hábitos despojados da corte no Brasil que contrastam enormemente com a morbidez dos mesmos personagens quando viviam em Portugal. Infelizmente, Carla Camurati não contou com um orçamento generoso, o que restringiu as possibilidades de uma grande reprodução de época, no entanto, no geral as locações e os figurinos não comprometem a compreensão desse período, pelo contrário, tentam ser fiéis ao que conhecemos de então.
Se por um lado faltaram dinheiro e recursos materiais, por outro, o elenco colocado à disposição para as filmagens foi de primeira. Especial destaque para Marieta Severo como Carlota e para Marco Nanini como Dom João, eles estão impagáveis e muito seguros em seus papéis. Bem conduzidos, realizaram uma pequena pérola do cinema nacional.
Recentemente, a Rede Globo veiculou uma minissérie abordando o mesmo período e personagens, não é possível comparar os dois produtos culturais. O autor do trabalho veiculado na Globo criou situações, alguns personagens e descaracterizou situações, ridicularizando por completo a história do período. Esqueça a série televisiva e use e abuse do filme "Carlota".
Fonte: Cineweb.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

ENCILHAMENTO

Política econômica tentou impulsionar a industrialização

Encilhamento foi o nome pelo qual ficou conhecida a política econômica adotada durante o governo provisório do marechal Deodoro da Fonseca - o primeiro presidente da República. A mudança de regime político - da Monarquia à República - ocorreu num momento de graves desajustes econômicos. Um dos efeitos da crise foi a falta de dinheiro circulante no país.
Para resolver o problema, o governo pôs em prática uma política de incentivo à emissão de papel moeda. Historicamente associado ao nome do ministro da Fazenda
Rui Barbosa, o programa buscava contornar o problema da falta de dinheiro para pagar os trabalhadores assalariados - cujo número havia aumentado sensivelmente com o fim da escravidão e a imigração de mão-de-obra livre - e viabilizar o processo de industrialização nacional.
Por isso mesmo, acabou recebendo o nome de encilhamento. Encilhar é o ato de colocar a cilha (cinta) na cavalgadura para prender a sela ou a carga. No hipismo, trata-se do preparativo para entrar com o cavalo na pista. Analogamente, era como se o Brasil se preparasse para um novo momento: a industrialização. E um dos preparativos principais naquela conjuntura era facilitar o crédito aos investidores.
Por outro lado, o nome encilhamento também remetia à agitação e à jogatina que dominavam os jóqueis durante as corridas. O mesmo aconteceu com a política econômica do governo Deodoro da Fonseca, cujos efeitos criaram um clima de grande confusão e desordem no mercado de investimentos da época.
Medidas e efeitos do encilhamento
Os últimos anos do Império e os primeiros da República representaram um período extremamente profícuo em debates a respeito da importância da industrialização para o Brasil. Em alguns casos, a bandeira republicana esteve associada à proposta modernizante pela via da indústria, e não mais da agricultura - caminho tradicional até então. Foi nesse contexto que se inseriu a política do encilhamento.
Sem abandonar o setor primário, do qual a economia brasileira e o próprio governo eram absolutamente dependentes, o programa dividiu o país em três grandes regiões bancárias autorizadas a emitir dinheiro, cuja garantia (lastro) eram títulos da dívida pública. Pressionado, o governo terminou credenciando outros bancos a emitirem papel-moeda, criando um volume de dinheiro circulante muito além do que o país necessitava.

Efeitos da política econômica
O efeito imediato dessa medida foi a desvalorização do mil réis, a moeda da época, seguida por um surto inflacionário, provocado pela injeção excessiva de dinheiro na economia. A desvalorização da moeda brasileira, por sua vez, levou ao fechamento de muitas empresas e à falência de tantos outros investidores.
A facilidade de créditos sem a devida fiscalização permitiu que os recursos fossem investidos em outro fim que não aquele para o qual haviam sido aprovados. No mercado de ações, a intensa especulação marcou o período do encilhamento. Muitas empresas-fantasma, que após obterem créditos fechavam suas portas, continuaram negociando suas ações na bolsa de valores - em alguns casos, até mesmo a preço crescente.
Embora seja quase sempre ligado à figura de Rui Barbosa (que não foi o único ministro da Fazenda de Deodoro) e à crise econômica que marcou o início da República, o encilhamento incentivou, ainda que de maneira limitada, a industrialização brasileira. Se de um lado, ele materializou o espírito liberal dos primeiros anos da República, de outro mostrou a debilidade do país para intervir na economia.
Ao mesmo tempo, o fracasso dessa política econômica ensejou o fortalecimento dos setores ligados ao setor primário e às posições defendidas pelos grandes fazendeiros, descontentes com o apoio a outro setor que não o primário.
Vitor Amorim de Angelo

segunda-feira, 9 de julho de 2012

SIMBOLO MAÇONICO

A imagem de um Esquadro e Compasso é um dos símbolo que identificam a Maçonaria. Ambos são ferramentas do arquiteto e utilizados em rituais maçônicos como emblemas simbólicos para ensinar as lições.
Algumas Lojas e rituais, explicam estes símbolos, como lições de conduta:
Por exemplo, os Maçons devem "enquadrar as suas ações pelo quadrado da virtude" e aprender a "circunscrever os seus desejos e manter as suas paixões, dentro dos limites, para toda a humanidade".
Na maçonaria, o Esquadro simboliza a retidão, ou a integridade de carácter, limitada por duas linhas: na horizontal e na vertical.
Na horizontal, representa a trajetória a percorrer na Terra, ou seja, na vida terrena, no campo físico.
Na vertical, representa o caminho sem fim, que conduz até ao Cosmos, ao Infinito e a Deus.
O Compasso, por sua vez, simboliza o equilíbrio, a justiça, a vida correta.
Como instrumentos de medição, as ferramentas representam o julgamento e o discernimento.
WIKIPEDIA.

domingo, 8 de julho de 2012

O SIGNIFICADO HISTÓRICO DA INDEPENDENCIA DO BRASIL

 A aristocracia rural brasileira encaminhou a independência do Brasil com o cuidado de não afetar seus privilégios, representados pelo latifúndio e escravismo. Dessa forma, a independência foi imposta verticalmente, com a preocupação em manter a unidade nacional e conciliar as divergências existentes dentro da própria elite rural, afastando os setores mais baixos da sociedade representados por escravos e trabalhadores pobres em geral.
Com a volta de D. João VI para Portugal e as exigências para que também o príncipe regente voltasse, a aristocracia rural passa a viver sob um difícil dilema: conter a recolonização e ao mesmo tempo evitar que a ruptura com Portugal assumisse o caráter revolucionário-republicano que marcava a independência da América Espanhola, o que evidentemente ameaçaria seus privilégios.
A maçonaria (reaberta no Rio de Janeiro com a loja maçônica Comércio e Artes) e a imprensa uniram suas forças contra a postura recolonizadora das Cortes.
 D. Pedro é sondado para ficar no Brasil, pois sua partida poderia representar o esfacelamento do país. Era preciso ganhar o apoio de D. Pedro, em torno do qual se concretizariam os interesses da aristocracia rural brasileira. Um abaixo assinado de oito mil assinaturas foi levado por José Clemente Pereira (presidente do Senado) a D. Pedro em 9 de janeiro de 1822, solicitando sua permanência no Brasil. Cedendo às pressões, D. Pedro decidiu-se: "Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto. Diga ao povo que fico".
É claro que D. Pedro decidiu ficar bem menos pelo povo e bem mais pela aristocracia, que o apoiaria como imperador em troca da futura independência não alterar a realidade sócio-econômica colonial. Contudo, o Dia do fico era mais um passo para o rompimento definitivo com Portugal. Graças a homens como José Bonifácio de Andrada e Silva (patriarca da independência), Gonçalves Ledo, José Clemente Pereira e outros, o movimento de independência adquiriu um ritmo surpreendente com o cumpra-se, onde as leis portuguesas seriam obedecidas somente com o aval de D. Pedro, que acabou aceitando o título de Defensor Perpétuo do Brasil (13 de maio de 1822), oferecido pela maçonaria e pelo Senado. Em 3 de junho foi convocada uma Assembléia Geral Constituinte e Legislativa e em primeiro de agosto considerou-se inimigas as tropas portuguesas que tentassem desembarcar no Brasil.
São Paulo vivia um clima de instabilidade para os irmãos Andradas, pois Martim Francisco (vice-presidente da Junta Governativa de São Paulo) foi forçado a demitir-se, sendo expulso da província. Em Portugal, a reação tornava-se radical, com ameaça de envio de tropas, caso o príncipe não retornasse imediatamente.
José Bonifácio, transmitiu a decisão portuguesa ao príncipe, juntamente com carta sua e de D. Maria Leopoldina, que ficara no Rio de Janeiro como regente. No dia sete de setembro de 1822 D. Pedro que se encontrava às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, após a leitura das cartas que chegaram em suas mãos, bradou: "É tempo... Independência ou morte... Estamos separados de Portugal".Chegando no Rio de Janeiro (14 de setembro de 1822), D. Pedro foi aclamado Imperador Constitucional do Brasil. Era o início do Império, embora a coroação apenas se realizasse em primeiro de dezembro de 1822.
A independência não marcou nenhuma ruptura com o processo de nossa história colonial. As bases sócio-econômicas (trabalho escravo, monocultura e latifúndio), que representavam a manutenção dos privilégios aristocráticos, permaneceram inalteradas. O "sete de setembro" foi apenas a consolidação de uma ruptura política, que já começara 14 anos atrás, com a abertura dos portos.

A VINDA DA FAMÍLIA REAL PORTUGUESA PARA O BRASIL


quinta-feira, 5 de julho de 2012

A DITADURA APRESENTA SUAS ARMAS

Regime começa com onda de perseguição a adversários, com cassações em série, casos de tortura e milhares de prisões.

A ditadura começou mansa. Envergonhada, na definição do jornalista Elio Gaspari, que escreveu sobre o período. Lideranças civis que apoiaram o golpe acreditavam que os militares sairiam de cena com a mesma facilidade com que deixaram a caserna para entrar na vida política. Os próprios golpistas tentavam ostentar verniz democrático. Preferiam ser chamados de revolucionários. O Congresso continuou funcionando, embora expurgado dos políticos inconvenientes ao regime, e houve a preocupação de redigir uma Constituição que justificasse a nova ordem. Mas não se colocam tanques nas ruas impunemente, e não tardou para que o autoritarismo apresentasse suas armas.
Tudo começou pela violação de direitos políticos. Já em abril de 1964, foram cassados 41 deputados federais, 29 líderes sindicais, 122 oficiais das Forças Armadas simpáticos a João Goulart e várias personalidades públicas, como o antropólogo Darcy Ribeiro – então reitor da Universidade de Brasília –, o economista Celso Furtado e o ex-presidente Jânio Quadros. Em breve, nem o ex-presidente Juscelino Kubitschek escaparia. Tratava-se de suspender, por até dez anos, o direito de ocupar cargo público, assim como o de votar e ser eleito. Os funcionários públicos que foram considerados ameaça à “segurança do país” foram demitidos. Os expurgos atingiram em cheio as Forças Armadas, que teve quase 3 mil integrantes punidos em 1964.
Eleição indireta
A perseguição política estava amparada pelo Ato Institucional número 1 (AI-1), assinado em 9 de abril pela Junta Militar que governou provisoriamente o país, formada pelo vice-almirante Augusto Grünewald, da Marinha, o tenente-brigadeiro Francisco de Assis Correia Melo e o general Arthur da Costa e Silva – que, anos depois, viria a ser presidente. O AI-1 também determinou a “eleição” do novo presidente de forma indireta. O escolhido para o cargo foi o general Humberto de Alencar Castello Branco, empossado em 15 de abril para um governo que ficaria marcado por um estilo mais vacilante do que propriamente brando.
Também houve as prisões e as torturas. Documentos do Departamento de Estado dos Estados Unidos mencionam 5 mil detenções feitas em poucas semanas após a derrubada de Jango. No balanço de 1964, nada menos que 203 denúncias de maus-tratos foram registradas. No ano seguinte, o presidente Castello Branco baixou o Ato Institucional número 2, instituindo que os processos políticos seriam julgados, daí em diante, pela Justiça Militar. “Deu-se assim o primeiro grande passo no processo de militarização da ordem política nacional”, sustenta Elio Gaspari, no livro A Ditadura Envergonhada. Os tribunais não escaparam dos expurgos, contribuindo para deixar a Justiça nas mãos de parceiros do regime.
O AI-2 também acabava com os partidos existentes. O governo obrigou todos os políticos a se enquadrarem em duas novas legendas: a Arena (Aliança Renovadora Nacional), pró-ditadura, que recebeu os quadros da UDN, e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), no qual se agruparam os restos de PTB e PSD. “Com vários deputados de centro e esquerda cassados, na prática quem dava as cartas era o governo, ou seja, a Arena”, afirma o historiador Jorge Ferreira, da Universidade Federal Fluminense. As cassações de parlamentares prosseguiram em 1965 e 1966. Em outubro de 1966, a situação chega a tal ponto que até as moderadas lideranças do Congresso reclamam desse expediente, por considerá-lo exagerado. Em represália, Castello Branco decreta recesso parlamentar por um mês.
O mandato de Castello Branco iria até 1967, e o fechamento do Congresso deixa claro que a Casa, desfigurada e de mãos atadas, irá apenas referendar a escolha de um sucessor militar. Outro mau sinal nessa direção tinha sido o AI-3, editado no início do ano, que estipulava eleições indiretas também para governador. “Se em 1964 ainda se tentava segurar um pouco a linha dura dos militares e dar uma aparência de legitimidade ao novo governo, em 1966 a ditadura já começava a mostrar que iria endurecer”, diz Ferreira.
No final do ano, os brasileiros conheceram mais um AI, o número 4, feito só para obrigar os deputados a se reunirem às pressas, até janeiro de 65, para que fosse aprovada uma nova Constituição – na verdade, pronta há seis meses. O novo texto só entrou em vigor em 15 de março de 1967 – data em que tomou posse um novo presidente, escolhido entre os militares e incensado pelo Congresso, o general Arthur da Costa e Silva.
Nada disso chegou a intimidar demais a oposição, na avaliação de Jorge Ferreira. “Naquela época ainda se acreditava que a democracia pudesse voltar ao país em pouco tempo”, comenta o historiador. Figuras de expressão no tempo dos civis, como o ex-presidente Juscelino Kubitschek, Carlos Lacerda e João Goulart, no exílio, confabularam no segundo semestre de 1967 para criar uma aliança contra o governo militar, a Frente Ampla. Meses depois, em março de 1968, a iniciativa é declarada ilegal.
Na mesma época, a esquerda começava a pegar em armas. Com a ajuda de Cuba, Leonel Brizola prepara vários grupos para ação armada, que não vão adiante. Mais efetiva é a ação da Ação Libertadora Nacional (ALN), que é criada pelo líder comunista Carlos Marighella e por estudantes, no final de 1967. A organização faz os primeiros assaltos a banco para arrecadar fundos para o movimento, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Era um início tímido. “A esquerda, os intelectuais e os estudantes ainda não haviam se dado conta de que a ditadura não iria largar o osso”, diz Jorge Ferreira.
Combate à inflação
Na economia, o governo militar fez grandes mudanças logo que assumiu. Os ministros Roberto Campos, do Planejamento, e Otávio Bulhões, da Fazenda, criaram um plano para controlar a inflação, que chegava a 80% ao ano. Também fizeram uma reforma tributária e outra administrativa inéditas. “A dupla Campos-Bulhões unificou os impostos, o que representou mais arrecadação para o governo federal”, explica o economista Frederico Lustosa, da Fundação Getúlio Vargas, do Rio. Nessa época ainda foram introduzidos os planos de orçamento do governo, outra inovação, e um sistema unificado de Previdência – até 1964, eram os sindicatos que, pela contribuição mensal dos trabalhadores, garantiam a aposentadoria de cada categoria. “Foram reformas positivas”, opina Lustosa. É uma opinião controversa. José Maurício Soares, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), é um dos que discordam. “Começou em 1964 a política de achatamento do salário mínimo como forma de conter a inflação, segurando a emissão de dinheiro”, relata. “A concentração de renda, um dos maiores problemas do Brasil hoje, também teve início aí, com os empresários e investidores das bolsas ganhando mais, pois o país crescia, e os trabalhadores ganhando menos”, analisa.
Segundo números do Dieese, o salário mínimo de 1964 seria hoje equivalente a R$ 823; em 1965, caiu para R$ 793; em 1966, para R$ 676,76. Depois, em 1967, foi para R$ 640. No ano do AI-5, o salário mínimo já tinha baixado para o que, atualmente, representaria R$ 626. “Se muita coisa mudou na economia, a meu ver nocivamente, na política também era uma surpresa depois da outra”, comenta Soares, que em meados dos anos 60 estava terminando o segundo grau.
A verdade é que a semente da ditadura violenta que se instalaria em 1968 foi plantada em 1964 e germinou nos anos seguintes. Uma frase do preâmbulo do AI-1 é reveladora desse processo: “A revolução legitima-se a si própria”.
 Congresso é fechado pela primeira vez
Para manter aparências, militares só suspenderam trabalho sem fases excepcionais
Durante toda a ditadura, o Congresso só foi formalmente fechado em três períodos. O primeiro começou em 20 de outubro de 1966 e teve ares de escândalo, com o plenário sendo invadido por forças militares do governo Castello Branco dias antes. Essa suspensão foi até 22 de novembro de 1966. Após a decretação do AI-5, em 13 de dezembro de 1968, o Parlamento foi novamente fechado. Até 21 de outubro de 1969, a Casa não voltou a funcionar. A terceira suspensão foi entre 1º e 14 de abril de 1977, para a edição de um pacote de medidas eleitorais que visava garantir a vitória dos candidatos do governo. Para gerir o país de forma arbitrária, os governos militares usaram as cassações e a legislação que era editada sem passar pelo Congresso. A ideia era tentar manter uma fachada democrática. “Mesmo aberto, o Congresso funcionava de forma canhestra, porque só havia dois partidos e o governo é que legislava, por meio dos decretos-leis e atos institucionais”, diz o historiador Jorge Ferreira.
Vista grossa para torturas
Até o final de 1968, ano do AI-5, a tortura ainda não tinha se tornado praxe nos cárceres brasileiros. “Ela já começava a ser praticada, mas não com a freqüência do final dos anos 60 e começo dos 70”, diz o historiador Jorge Ferreira, da Universidade Federal Fluminense. Entre 1964 e 1968, foram torturados e mortos 34 opositores do regime. Sabe-se até quem foi o primeiro torturado: o líder comunista pernambucano Gregório Bezerra, que no dia 2 de abril foi preso, arrastado pelas ruas de Recife, amarrado em um jipe e depois espancado por um oficial do Exército com uma barra de ferro. Como ainda havia alguma liberdade de imprensa, os jornais trataram de colocar a boca no mundo, em reportagens sobre o caso de Bezerra e outros semelhantes. O jornalista Carlos Heitor Cony, que à época trabalhava no jornal O Globo, no Rio, lançou-se em 1964 em uma campanha contra a tortura. O governo se incomodou com as denúncias, e Castello Branco decidiu enviar o general Ernesto Geisel, então chefe do Gabinete Militar, em viagem de averiguação por vários estados brasileiros. “A viagem teve ao menos o mérito de paralisar as torturas”, afirmou o jornalista Márcio Moreira Alves, em seu livro Torturas e Torturados, de 1966. Mas como os torturadores não foram punidos, sentiram-se apoiados pelos superiores, analisa o jornalista Elio Gaspari em A Ditadura Envergonhada.
Carla Aranha - Revista Aventuras na História, abril de 2005.


quarta-feira, 4 de julho de 2012

CRISTIANISMO PRIMITIVO

Durante a dominação dos romanos sobre o povo judeu, o aparecimento de um novo profeta proporcionou uma grande transformação no pensamento religioso da época. Nascido em Nazaré, região da Galiléia, Jesus profetizou uma ampla reforma religiosa que entrou em confronto com valores fundamentais do judaísmo. Ao criticar diversos pontos da antiga Lei Mosaica e as tradições instituídas pelos sacerdotes judeus, Jesus foi motivo de grande controvérsia.
Pregando um ideal religioso universalista, Jesus ainda criticava a adoração aos imperadores romanos. Mantendo o traço monoteísta da religião judaica ele passou uma mensagem de salvação oferecida a todo o mundo. Além de reformular conceitos, ele apoiou o amor ao próximo, a igualdade entre os homens e o desapego material. Muitos desses princípios eram divergentes da vida cotidiana da enriquecida elite romana daquele período.
No entanto, sua promessa de salvação ganhou grande simpatia das classes marginalizadas do Império Romano. Plebeus, escravos e colonos viam na mensagem de Jesus um instrumento de redenção contra a opulência e a exploração do mundo romano. Seguindo seus ensinamentos, vários homens daquela época tornaram-se discípulos incumbidos de pregar a mensagem do messiânico profeta judeu. Sua mensagem e seu martírio, ao longo do século I, arrebanhavam vários fiéis que agora se reuniam nas primeiras comunidades cristãs.
Opondo-se ao escravismo e insubordinando-se aos costumes e tradições romanas, os cristãos começaram ser oficialmente perseguidos pelo Império Romano. Presos, torturados e mortos, os cristãos significavam uma ameaça no momento em que cresciam à custa das classes subalternas da sociedade romana. Mesmo sofrendo intensa perseguição, via na mesma uma prova do favor de Deus à sua prática religiosa. Em outros termos, o cristão que morresse pela sua fé obtinha a garantia de uma existência futura abençoada.
Na medida em que as perseguições se intensificavam, o número de convertidos crescia vertiginosamente. A determinação dos pregadores cristãos era vista como prova máxima das verdades cristãs. Com isso, a população romana, que começava sentir os efeitos da crise do Império, buscava consolo nas doutrinas cristãs. Com o passar do tempo, as próprias autoridades perceberam que não poderiam mais ignorar a expansão do cristianismo ao longo do Império. Em 313, o imperador Constantino liberou o culto cristão.
A partir daí, o cristianismo tornou-se a principal religião romana. Com o aumento do número de fiéis, formou-se uma extensa hierarquia responsável pelo cuidado dos cristãos. Os primeiros diáconos e padres surgiram no seio da Igreja. Já no século II, formaram-se escolas responsáveis pela formação dos clérigos. Iniciava-se então um processo de hierarquização que transformou a forma difusa do cristianismo primitivo em uma instituição regida por claras normas.
Os concílios começaram a reunir as autoridades da Igreja para a discussão da doutrina cristã. A partir de então, formava-se duas grandes alas da Igreja Cristã. O clero secular, incumbido das questões doutrinárias e administrativas da Igreja; e o clero regular, responsável pela evangelização e pelos cultos dirigidos à população. Com a disseminação do cristianismo pela Europa, a Igreja tornou-se, a partir de então, uma das principais instituições do mundo Ocidental.
Rainer Sousa


terça-feira, 3 de julho de 2012

DITADURA CHILENA

Na segunda metade do século XX, o Chile vivenciou um novo contexto político onde as forças democráticas abriram portas para a ascensão dos setores de esquerda. O novo presidente Gabriel González Videla obteve o apoio de setores liberais e de esquerda, prometendo mobilizar uma frente ampla favorável ao desenvolvimento das formas produtivas e a recuperação do setor social. No entanto, sob o contexto da Guerra Fria, o novo presidente resolveu se opor aos grupos políticos comunistas e socialistas chilenos.
Dessa maneira, os anseios por transformação foram completamente frustrados ao manter os privilégios das classes economicamente privilegiadas. Nesse meio tempo, a economia do Chile viveu uma rápida ascensão sustentada pela entrada de empresas estrangeiras que viriam a diminuir as taxas de importação e a grande demanda por matérias-primas disponíveis no país.
Entre os anos de 1964 e 1970, o presidente Eduardo Frei iniciou um conjunto de pequenas reformas que incluíam a distribuição de terras e a nacionalização da indústria de exploração do cobre. Durante o processo eleitoral de 1970, socialistas cristãos e demais setores de esquerda se uniram em uma única chapa nomeada Unidade Popular. Salvador Allende, candidato por esta chapa, acabou vencendo as eleições e abriu portas para uma nova postura política.
Ao assumir o cargo presidencial, Allende tratou de nacionalizar todas as empresas norte-americanas encontradas no país. Essa medida teve impacto negativo aos olhos do “Tio Sam”, que logo se preocupou em averiguar melhor as intenções deste novo governo no Chile. Os grupos chilenos, contrários ao governo Allende, organizaram movimentos grevistas que mobilizaram segmentos essenciais da economia chilena.
Ao longo de três anos o desgaste causado sobre a figura de Allende impulsionou um movimento para derrubar o presidente. Em setembro de 1973, um grupo de militares realizou um golpe que culminou no assassinato do presidente Salvador Allende. Sob a liderança do general Augusto Pinochet, o Chile passou a viver uma terrível ditadura preocupada em perseguir a oposição das esquerdas nacionais e atender os interesses norte-americanos.
Em 1980, o governo Pinochet promulgou uma nova constituição que legitimava o regime ditatorial. Ao longo daquela década, os grupos oposicionistas iniciaram uma nova articulação política para dar fim ao regime totalitário. Um novo plebiscito, realizado em 1987, vetou o direito de Augusto Pinochet a permanecer no governo em oito anos. Dois anos depois, Patricio Aylwin foi eleito como novo presidente prometendo restaurar as liberdades democráticas e punir os militares envolvidos com o regime.
No ano de 1993, o governo de Frei Ruiz Tagle pautou seu governo em políticas de caráter neoliberal favoráveis às privatizações, a abertura ao capital externo e a ampliação do setor industrial. No campo governamental, Ruiz teve que enfrentar a permanência de um dispositivo constitucional que deixava as Forças Armadas chilenas sob o controle de Augusto Pinochet.
A resistência imposta pelos senadores biônicos, eleitos na época da ditadura, causou um episódio conflituoso que inflamou o cenário político daquele país. Ao longo dos anos, diversos grupos perseguidos pela ditadura exigiam o indiciamento criminal de Pinochet e a cassação de seu mandato de senador. Entre 1998 e 2000, órgãos de justiça de outros países e do Chile tentaram incriminar o ex-ditador. Alegando problemas de saúde, Pinochet conseguiu protelar sua condenação.
O falecimento de Augusto Pinochet, em 2006, encerrou todo esse episódio da vida política chilena. O desfecho deste processo marcou a vida política não só do Chile, mas de toda América latina que ainda tenta reafirmar os princípios democráticos em países historicamente marcados pela instabilidade de suas instituições políticas.
Rainer Sousa