quarta-feira, 4 de julho de 2012

CRISTIANISMO PRIMITIVO

Durante a dominação dos romanos sobre o povo judeu, o aparecimento de um novo profeta proporcionou uma grande transformação no pensamento religioso da época. Nascido em Nazaré, região da Galiléia, Jesus profetizou uma ampla reforma religiosa que entrou em confronto com valores fundamentais do judaísmo. Ao criticar diversos pontos da antiga Lei Mosaica e as tradições instituídas pelos sacerdotes judeus, Jesus foi motivo de grande controvérsia.
Pregando um ideal religioso universalista, Jesus ainda criticava a adoração aos imperadores romanos. Mantendo o traço monoteísta da religião judaica ele passou uma mensagem de salvação oferecida a todo o mundo. Além de reformular conceitos, ele apoiou o amor ao próximo, a igualdade entre os homens e o desapego material. Muitos desses princípios eram divergentes da vida cotidiana da enriquecida elite romana daquele período.
No entanto, sua promessa de salvação ganhou grande simpatia das classes marginalizadas do Império Romano. Plebeus, escravos e colonos viam na mensagem de Jesus um instrumento de redenção contra a opulência e a exploração do mundo romano. Seguindo seus ensinamentos, vários homens daquela época tornaram-se discípulos incumbidos de pregar a mensagem do messiânico profeta judeu. Sua mensagem e seu martírio, ao longo do século I, arrebanhavam vários fiéis que agora se reuniam nas primeiras comunidades cristãs.
Opondo-se ao escravismo e insubordinando-se aos costumes e tradições romanas, os cristãos começaram ser oficialmente perseguidos pelo Império Romano. Presos, torturados e mortos, os cristãos significavam uma ameaça no momento em que cresciam à custa das classes subalternas da sociedade romana. Mesmo sofrendo intensa perseguição, via na mesma uma prova do favor de Deus à sua prática religiosa. Em outros termos, o cristão que morresse pela sua fé obtinha a garantia de uma existência futura abençoada.
Na medida em que as perseguições se intensificavam, o número de convertidos crescia vertiginosamente. A determinação dos pregadores cristãos era vista como prova máxima das verdades cristãs. Com isso, a população romana, que começava sentir os efeitos da crise do Império, buscava consolo nas doutrinas cristãs. Com o passar do tempo, as próprias autoridades perceberam que não poderiam mais ignorar a expansão do cristianismo ao longo do Império. Em 313, o imperador Constantino liberou o culto cristão.
A partir daí, o cristianismo tornou-se a principal religião romana. Com o aumento do número de fiéis, formou-se uma extensa hierarquia responsável pelo cuidado dos cristãos. Os primeiros diáconos e padres surgiram no seio da Igreja. Já no século II, formaram-se escolas responsáveis pela formação dos clérigos. Iniciava-se então um processo de hierarquização que transformou a forma difusa do cristianismo primitivo em uma instituição regida por claras normas.
Os concílios começaram a reunir as autoridades da Igreja para a discussão da doutrina cristã. A partir de então, formava-se duas grandes alas da Igreja Cristã. O clero secular, incumbido das questões doutrinárias e administrativas da Igreja; e o clero regular, responsável pela evangelização e pelos cultos dirigidos à população. Com a disseminação do cristianismo pela Europa, a Igreja tornou-se, a partir de então, uma das principais instituições do mundo Ocidental.
Rainer Sousa


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