quinta-feira, 30 de agosto de 2012

CHARRUAS E MINUANOS E A SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A CULTURA GAÚCHA


Conhecidos sob a denominação histórica de charruas e minuanos, os povos pampeanos descendem dos mais antigos caçadores se instalaram nos pampas platinos durante a última glaciação. Com as suas boleadeiras, seus arcos e flechas, perambulavam pelos campos, caçando as emas, os veados, os tatus, os ratões do banhado e as capivaras. Em seus acampamentos de nômades, faziam fogos de chão e ali assavam a carne dos animais em espetos de madeira. Junto às lagoas do litoral sul, sua atividade era sobretudo a pesca.
Suas técnicas de lascamento da pedra eram muito sofisticadas, pois elaboravam pontas de lança e de flecha com retoques muito bem feitos. Em muitas áreas de pesca, próximo ao litoral e em terrenos alagadiços do interior, esses grupos de caçadores passaram a se instalar em pequenas elevações, os "cerritos", onde deixaram evidências de seus enterramentos rituais, das suas atividades de pesca e a sua cerâmica, provavelmente destinada à cocção de peixes. Foram autores de gravuras em paredes de abrigos ou em rochedos ao ar livre. Essa arte tem uma simbologia instigante, pois alguns signos sugerem uma magia de caça, outros uma magia da fertilidade.
Foram estes caçadores nômades guaicuru, charrua e minuano os grupos que mais resistiram ao processo de colonização europeia e às ações de evangelização missionária. Os caçadores- pescadores transformaram-se em guerreiros-cavaleiros portando suas longas e temidas lanças pelos pampas que conheciam tão bem. Lutaram para manter a sua irredutível independência até os inícios do século XX. Muitos viram decretadas as suas sentenças de morte, no campo de batalha ou na emboscada à traição. Mas alguns também participaram intensamente das lutas entre os portugueses e espanhóis, e mais tarde, nas campanhas de independência dos países da região. Entretanto, um número ainda dificil de precisar, terminou se transformando em peões das estâncias de gado que se implantavam. Os pampeanos deram à sociedade colonial duas contribuições importantes. Em primeiro lugar, um colorido na tez e um olhar especial, pois colaboraram de maneira inquestionável para a formação étnica dos primeiros habitantes das estâncias de gado, peões ou filhos dos proprietários. Na tez amorenada e nos olhos rasgados de muito "índio velho" gaúcho, ainda hoje persiste esta herança genética. Em segundo lugar, colaboraram com inúmeros traços culturais, dentre os quais o churrasco na campanha, as reuniões em torno do fogo de chão, uma fita amarrada na testa prendendo os cabelos lisos e negros, as boleadeiras na cintura, a chinoca e o nomadismo típico deste tipo arredio.(Fonte:http://proprata.com/charruas-minuanos).      

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