quarta-feira, 15 de agosto de 2012

HISTÓRIA DO CHILE

A palavra aimará chili, que significa "confins da Terra", deu nome à república sul-americana do Chile, que se encontra praticamente isolada do resto do continente pela grande muralha dos Andes.
A República do Chile é formada por uma estreita e longa faixa de terra compreendida entre a cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico. Seus 756.626km2 se estendem ao longo de 39 graus de latitude, na parte meridional da América do Sul. Limita-se ao norte com o Peru, ao nordeste com a Bolívia, a leste com a Bolívia e a Argentina, e a oeste com o oceano Pacífico. Além do território continental, o Chile possui várias ilhas costeiras (Chiloé, Wellington, Hanover, Santa Inês etc), a metade ocidental da Terra do Fogo, o arquipélago Juan Fernández e as ilhas polinésias de Páscoa, San Félix, San Ambrosio, Sala e Gómez, as ilhas situadas ao sul do canal de Beagle e outras. Além disso, reclama o território da Antártica localizado entre 53'' e 90'' de longitude oeste.
História
Antes da chegada dos espanhóis, o território chileno era habitado por cerca de 500.000 índios. Embora os diversos povos tivessem entre si relação étnica e lingüística, as tribos do norte (atacamenhos e diaguitas) apresentavam maior desenvolvimento cultural, devido ao contato que mantinham com o império inca. Ao sul do rio Bío-Bío viviam os indomáveis araucanos, que resistiram durante séculos à colonização.
Conquista espanhola. Em 1520, Fernão de Magalhães avistou as terras chilenas durante sua viagem de circunavegação. Diego de Almagro, colaborador de Francisco Pizarro, obteve autorização de Carlos V (I de Espanha), para dirigir-se ao sul, em busca do "outro Peru". Sua primeira expedição regressou decepcionada por não ter encontrado metais preciosos. Em 1540, depois da morte de Almagro, Pedro de Valdivia, à frente de 150 espanhóis, deu início à colonização da região. Em 1541 fundou Santiago, depois de ter tomado posse do território de Nueva Extremadura (Copiapó). A vida na nova colônia foi muito difícil, devido à resistência dos índios.
Em 1550, pacificada a região, Valdivia prosseguiu sua marcha em direção ao sul. Nesse mesmo ano fundou a cidade de Concepción. Três anos depois, o avanço foi impedido pela oposição dos araucanos, que, liderados pelo cacique Lautaro, capturaram e mataram Valdivia. Começava assim uma sangrenta guerra que se prolongaria até o final do século XIX, quando os índios foram definitivamente subjugados. Apesar dessas dificuldades, a colonização não se deteve. No final da década de 1550, durante o governo de García Hurtado de Mendoza, terminou a conquista do território chileno até o limite meridional do rio Bío-Bío. Nos últimos anos do século XVI, a costa chilena foi saqueada por piratas como Francis Drake, que, protegidos pela coroa britânica, tentavam romper o monopólio comercial do império espanhol.
Período colonial. A falta de metais preciosos obrigou os colonizadores a se dedicarem à agricultura. Dentro do império, o Chile era uma colônia pobre, sem recursos minerais e nem mesmo comércio, e por isso a coroa tinha de destinar-lhe recursos econômicos para manutenção do governo e do exército. Essa ausência de atrativos explica que, no final do século XVI, não houvesse mais que cinco mil espanhóis na colônia.
Administrativamente, o Chile fazia parte do vice-reino do Peru. Dentro da colônia, o capitão-geral detinha o poder absoluto sobre a população, embora, teoricamente, fosse possível apelar ao vice-rei ou ao rei da Espanha.
Da mesma forma que em outras partes do império espanhol na América, no Chile ocorreu intensa mistura de índios com brancos, o que explica a homogeneidade étnica de sua população. Ao final do período colonial, havia uns 300.000 mestiços, 175.000 brancos (espanhóis e crioulos) e 25.000 negros, na maioria escravos. A estrutura social se apoiava na divisão racial: os espanhóis e crioulos ocupavam os postos mais importantes; mais abaixo estavam os mestiços e índios; e os trabalhos mais duros eram destinados aos negros.
A população se concentrou no denominado "berço da nação chilena", ao longo do vale do Aconcágua, e entre Santiago e Concepción. Nessas regiões praticava-se uma agricultura cerealista, com utilização de mão-de-obra indígena. Os morgadios, concedidos a membros da nobreza espanhola, foram  estabelecidos nas melhores terras do país, o que deu origem à posterior estrutura da propriedade fundiária. A colônia viveu muito isolada do resto do império; o primeiro jornal foi fundado pouco antes da independência, assim como a Real e Pontifícia Universidade de San Felipe, em Santiago.
Luta pela independência. Apesar do isolamento em que vivia a colônia, os acontecimentos do final do século XVIII e princípio do XIX favoreceram a formação de uma consciência nacional. Dentre esses acontecimentos destacam-se a independência das colônias anglo-americanas e do Haiti, a revolução francesa e o enfraquecimento da metrópole, que se revelou na invasão britânica do vice-reino da Prata, a intensificação do contrabando comercial e a ocupação da Espanha pelas tropas napoleônicas.
Em 1810, depois de reunir-se em Santiago um cabildo aberto constituído pelos representantes dos grupos privilegiados, formou-se um governo provisório composto por líderes locais. Entre 1810 e 1813, esse governo realizou importantes reformas, como a proclamação da liberdade comercial e o estímulo à educação. Entretanto, logo surgiram dissensões entre os crioulos com relação à extensão das reformas. Enquanto isso, a Espanha, que em 1813 expulsara os franceses de seu território, deu início à recuperação do controle sobre as colônias. Em outubro de 1814, depois da derrota dos patriotas em Rancagua, o Chile retornou ao domínio espanhol.
Os líderes da independência tiveram que se exilar. Na Argentina, Bernardo O'Higgins conseguiu o apoio de José de San Martín, que, ajudado pelo governo revolucionário de Buenos Aires, estava recrutando um exército para libertar o cone sul hispano-americano. Além disso, no interior do país crescia o descontentamento com o governo da colônia. Em janeiro de 1817, aproveitando o clima interno adverso, San Martín e O'Higgins atravessaram os Andes e, em 12 de fevereiro, derrotaram os realistas em Chacabuco. San Martín renunciou ao poder e O'Higgins se transformou no chefe supremo do novo país.
Em fevereiro de 1818, foi proclamada a independência e, em abril, depois da batalha de Maipú, os espanhóis abandonaram o país, embora ainda tenham permanecido na ilha de Chiloé até 1826.
O Chile tinha conseguido a independência, mas não a paz. Os crioulos estavam divididos entre os partidários de José Miguel Carrera (que estivera no poder entre 1811 e 1813), e os de O'Higgins. A partir de 1822, com a saída dos espanhóis do Peru e o afastamento da possibilidade de uma invasão realista, intensificou-se a oposição a O'Higgins, que culminou com seu afastamento do poder um ano depois. Entre 1823 e 1830, a política chilena esteve dominada pela luta entre diversas facções para conquistar o poder. Esse fato redundou na existência de trinta governos em sete anos. O caos político terminou em 1829, quando os conservadores, com o apoio de parte do Exército, nomearam uma junta presidida por José Tomás de Ovalle, embora o poder tenha sido exercido de fato por Diego Portales.
Governo conservador. A partir de 1830, a oligarquia crioula dominou o país. A constituição de 1883, promovida por Diego Portales, criou um sistema político centralizado, que atendia aos interesses dos proprietários de terras. O governo se viu fortalecido depois da vitória na guerra contra a confederação peruano-boliviana (1836-1839).
Os governos de Joaquín Prieto (1831-1841), Manuel Bulnes (1841-1851) e Manuel Montt (1851-1861) esforçaram-se por melhorar a situação econômica e, sobretudo, sanear as finanças, exauridas depois de anos de guerra. A primeira medida para aumentar os recursos foi abrir o Chile ao comércio internacional: Valparaíso se transformou em porto livre, para atrair os comerciantes estrangeiros. A boa conjuntura favoreceu a expansão econômica, que abrangeu a exportação de cereais para as zonas auríferas da Califórnia e da Austrália, e o aumento da produção de prata e cobre, que era absorvida pela Europa.
A estabilidade política e a prosperidade econômica permitiram que tivesse início a modernização do país, impulsionada pela construção de estradas de ferro e criação de universidades. O progresso econômico, porém, foi acompanhado de uma autêntica desnacionalização das riquezas. Tanto o controle do comércio como a exploração das minas passaram para mãos britânicas, francesas, alemãs e americanas, devido ao pouco interesse da oligarquia chilena por qualquer atividade econômica além da compra de terras.
Como conseqüência do desenvolvimento econômico, surgiu uma nova classe, a burguesia nacional, que tentou participar da vida política. A resistência dos proprietários de terras à divisão do poder levou as classes médias a lançar mão da via insurreicional, com um frustrado golpe de estado em 1851. Ao mesmo tempo, o liberalismo começou a ganhar terreno entre os jovens integrantes da oligarquia e os grupos políticos de classe média.
Etapa liberal. As dissensões entre os conservadores e a oposição liberal contra o presidente Montt permitiram a chegada ao poder de José Joaquín Pérez, que governou entre 1861 e 1871. Em 1872, no entanto, rompeu-se a unidade dos liberais devido à política laicista do governo, que se plasmou nas leis de liberdade religiosa e de educação. Começou então um período de secularização e de abertura para o exterior que pôs fim ao isolamento chileno e se expressou na influência da cultura européia no país.
No campo econômico, o incremento das importações e a avultada dívida adquirida com a construção da infra-estrutura viária provocaram um alto déficit comercial. A necessidade de equilibrar a balança de pagamentos levou o governo a interessar-se pelas minas de salitre: as da fronteira norte, as da província boliviana de Antofagasta e as de Arica e Tarapacá, no Peru. O Chile começou a chamada guerra do Pacífico (1879-1884) e a vitória sobre a coalizão peruano-boliviana permitiu a anexação daqueles territórios. A conquista provocou, porém, atritos com as companhias britânicas e francesas, que eram as proprietárias virtuais das minas de salitre.
A introdução de colonos europeus no sul do país, a partir de meados do século, provocou o recrudescimento das hostilidades com os índios araucanos, que mantinham o limite de seu território no rio Bío-Bío. O uso do fuzil de repetição pelo Exército chileno nas campanhas militares de 1882 e 1883 precipitou a derrota dos índios.
As guerras pioraram a situação da fazenda pública. O presidente José Manuel Balmaceda (1886-1891) exigiu os lucros das minas para o estado, o que provocou a reação contrária da oligarquia econômica, que não desejava um poder central muito forte. A divisão da classe dirigente levou a uma curta guerra civil, que culminou com a renúncia de Balmaceda.
República parlamentar. Depois do governo de Balmaceda, o Chile deixou de ser uma república presidencialista e se transformou em república parlamentarista. No novo sistema político, a oligarquia agrária e financeira exerceu o poder através do controle do Parlamento.
À luz da nova legislação surgiram partidos, como o Socialista e o Radical, que defendiam os interesses das classes sociais (operários, funcionários) surgidas em conseqüência do desenvolvimento da burocracia, da mineração, grandes empresas de gás, eletricidade e estradas de ferro. Esses partidos organizaram movimentos grevistas em prol de reformas sociais. A instabilidade política e social acentuou a depressão econômica num momento em que a produção agrária mal abastecia o mercado nacional, pois a produtividade era muito baixa devido à ausência de capitalização, e a indústria definhava por falta de investimentos.
Período de instabilidade política: 1920-1938. A crise econômica gerou grande descontentamento entre as classes populares e a classe média, ao mesmo tempo que a oligarquia, cujo poder político estava muito desgastado, era incapaz de acabar com o clima de agitação.
Em 1924, os militares, apoiados pela classe média, forçaram a demissão de Arturo Alessandri, que reconduziram ao poder um ano depois. Alessandri promoveu então uma nova constituição, promulgada em 1925, e que estabelecia um regime presidencialista cujo objetivo principal era limitar o controle da vida política exercido pelos grupos sociais mais poderosos por meio do Parlamento. Além disso, previa-se a limitação do direito de propriedade, em função dos interesses do estado. O caos político continuou (entre 1924 e 1932 sucederam-se 21 gabinetes ministeriais), embora de 1927 a 1931 o governo do coronel Carlos Ibáñez del Campo tenha posto em prática várias medidas econômicas (apoio à indústria, nacionalização parcial da mineração), que se viram limitadas pela oposição dos grupos conservadores. A depressão econômica acentuou-se depois da crise internacional de 1929, que teve efeitos catastróficos para o Chile, com a queda do preço e da demanda internacional de suas matérias-primas e a suspensão dos empréstimos dos Estados Unidos.
As classes médias e populares, as mais atingidas pela crise, se mobilizaram. A resposta de Ibáñez del Campo foi a criação de um estado corporativista inspirado no fascismo italiano. Em 1931, o fracasso dessa experiência provocou a volta ao regime civil com Juan Esteban Montero Rodríguez, substituído por uma curta coligação político-militar que transformou o Chile em república socialista entre junho e setembro de 1932. No final deste mesmo ano, superada a fase mais aguda da depressão econômica, Alessandri ganhou as eleições e voltou à presidência do país.
O novo governo de Alessandri, de 1932 a 1938, caracterizou-se pelo respeito às instituições constitucionais, pela estabilidade política e pelas medidas tomadas para superar a crise econômica (subvenções à indústria, criação de um banco central e desenvolvimento do setor público para diminuir o desemprego).
Os radicais no poder. O descontentamento dos trabalhadores e da classe média com o governo Alessandri traduziu-se no apoio dado ao Partido Radical, que alcançou a vitória na eleição de 1938.
Entre 1938 e 1946, governaram o país os presidentes Pedro Aguirre Cerda e Juan Antonio Ríos. Cerda chegou ao poder em 1938, como candidato de uma coalizão de esquerda, frente popular composta pelos partidos Radical, Socialista e Comunista. Realizou importantes reformas, sobretudo no setor industrial, em que fomentou a produção nacional (criação em 1939 da Corporação de Fomento da Produção) e limitou as importações. Todavia, a falta de uma maioria parlamentar suficiente paralisou muitas leis reformistas elaboradas pelo governo. Os mandatos de Cerda e Ríos foram beneficiados pela conjuntura econômica da segunda guerra mundial, que permitiu a multiplicação das exportações com o crescimento inesperado da demanda européia.
Entre 1946 e 1952, o presidente do Chile foi o radical Gabriel González Videla, que chegou ao poder por meio de uma coligação com os comunistas (de que não participaram os socialistas). A partir de 1948, porém, a conjuntura internacional da guerra fria levou González Videla a romper seus compromissos com os comunistas e a aliar-se a conservadores e liberais.
O governo de González Videla permitiu o aumento da penetração americana na economia chilena (empréstimos, controle da mineração). Os americanos se transformaram nos maiores fornecedores do país, desfazendo a hegemonia de britânicos e franceses. Além disso, durante o mandato de González Videla, a direita recuperou sua força eleitoral sobre a esquerda, que perdeu votos nas eleições seguintes.
Durante os quatorze anos de governo radical, verificou-se acentuado desenvolvimento industrial e aumento da percentagem de população urbana, que em 1952 chegou a sessenta por cento.
Período de estagnação: 1952-1964. A vitória eleitoral do antigo ditador, Ibáñez del Campo, pode ser explicada pela decepção da classe média com os radicais, que não conseguiram aumentar a influência política desse grupo social, devido ao empobrecimento das classes populares e à crescente dependência dos Estados Unidos. Ibáñez governou em coalizão com a ala direita do Partido Socialista e com vários grupos conservadores. Durante seu mandato presidencial, surgiu na cena pública chilena um novo tipo de político até então desconhecido, o populista.
Em 1958, Ibáñez foi sucedido no poder pelo filho de Arturo Alessandri, Jorge Alessandri, que governou com o apoio de conservadores e liberais. Teve alguns êxitos no campo econômico: reduziu o desemprego e a inflação, favoreceu o desenvolvimento industrial. A política de contenção salarial, porém, opôs o governo aos trabalhadores e à classe média.
O descontentamento popular favoreceu o fortalecimento dos partidos de esquerda (socialistas e comunistas) e da democracia cristã, partido reformista de centro fundado em 1957, que pretendia acabar com o tradicional poder social e político da direita por meio de reformas econômicas, sobretudo no setor agrário.
O governo democrata-cristão e a experiência socialista. Nas eleições de 1964, a esquerda se apresentou dividida e o Partido Democrata Cristão conseguiu uma arrasadora vitória eleitoral. Com o lema de "revolução em liberdade", Eduardo Frei Montalva tornou-se o novo presidente do país. Elaborou um programa de "chilenização" que contou com o apoio da classe média. Sua realização mais importante foi a reforma agrária, iniciada em 1967, que expropriou, mediante indenização, as terras não-cultivadas e limitou as propriedades a oitenta hectares. Em 1970, já haviam sido expropriados cerca de 200.000 hectares. A política reformista dos democratas-cristãos aumentou a expectativa de melhorias sociais entre as classes populares. Os trabalhadores começaram a participar ativamente na política e foram-se inclinando cada vez mais para a esquerda.
Em 1969 foi criada uma coligação de esquerda com vista às eleições presidenciais. Compunha essa nova formação, a Unidade Popular, socialistas, comunistas e pequenos grupos da esquerda marxista e não-marxista. Um ano depois o socialista Salvador Allende, candidato da Unidade Popular, foi eleito presidente da república.
O programa da Unidade Popular pretendia fazer a transição pacífica para o socialismo, mantendo o sistema democrático. Para conseguir esses objetivos, o governo acreditava ser necessário acabar com o poder político e econômico dos bancos, nacionalizar as empresas em mãos de estrangeiros, desenvolver a reforma agrária e redistribuir a riqueza em favor das classes mais desfavorecidas. Com esse programa de mudança social, o governo de Allende aumentou seu apoio popular nas eleições municipais e legislativas de 1971 e 1972.
A partir de 1971, no entanto, diminuiu o apoio a Allende por parte da classe média, descontente com as dificuldades econômicas provocadas pelas nacionalizações (minas de cobre e indústrias básicas) e pelo boicote do capital estrangeiro, sobretudo dos Estados Unidos. O aparecimento de forte inflação e a estagnação econômica permitiram o reagrupamento das forças contrárias à experiência socialista. O governo de Allende, perseguindo seu objetivo de implantar o socialismo, entrou em conflito freqüente com outros órgãos do poder, como o judiciário e os tribunais de contas, enquanto ocorriam ocupações ilegais de fábricas e propriedades. A direita, representada pelo Partido Nacional, e os centristas democratas-cristãos, uniram seus esforços antigovernamentais e buscaram o apoio dos militares.
Governo militar. Em 11 de setembro de 1973, as forças armadas tomaram o poder. O golpe militar contou com o apoio das classes média e alta, ao passo que o Partido Democrata Cristão permaneceu neutro. Salvador Allende, sitiado no palácio de La Moneda, não se rendeu e foi morto durante o bombardeio e invasão do palácio.
A junta militar, presidida pelo general Augusto Pinochet, comandante do Exército, reverteu as políticas de Allende e aplicou receitas monetaristas para estabilizar a economia e combater a inflação, ao mesmo tempo em que prescrevia as organizações políticas. O modelo econômico escolhido teve êxito, no início, ao controlar a inflação, mas a crise econômica internacional não permitiu que fossem superados seus efeitos negativos.
Em 1981, uma nova constituição prorrogou até 1989 o regime vigente, depois do que se retornaria ao governo civil. No entanto, a década de 1980 foi marcada por um endurecimento progressivo das posições dos adversários do regime e por oscilações na política oficial, que às vezes procurava obter apoio mediante uma abertura limitada e, em algumas ocasiões, ao não conseguir a resposta desejada, suspendia o diálogo.
O conflito com a Argentina pela posse de algumas ilhas do canal de Beagle foi resolvido por meio da arbitragem papal. Em 1987, Pinochet sobreviveu a um atentado. Em 1988, quando a economia se mostrava em franca recuperação, o governo perdeu um referendo que deveria manter Pinochet no poder até 1996. Em 1989 realizaram-se eleições gerais, quando foi escolhido o candidato da oposição, o civil Patricio Aylwin, que contou com o apoio de uma frente ampla de organizações políticas. No entanto, a presença dos militares e de Pinochet continuou a se fazer sentir. Em 1994 foi eleito presidente Eduardo Frei Ruiz-Tagle, filho de Eduardo Frei.
Fonte: Enciclopédia Barsa.


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