sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A CONQUISTA DOS ÍNDIOS: AS MISSÕES JESUÍTICAS

As missões eram aldeamentos de povos indígena criados pelos padres jesuítas que aqui chegaram com os primeiros europeus. O objetivo desses padres era reunir os índios em comunidades organizadas pela congregação e fazer com que eles abandonassem seus hábitos e adotassem a religião católica, que era a religião dos espanhóis e portugueses.
            Os jesuítas acreditavam que a religião católica era a única religião verdadeira e que, por isso, deveria ser difundida por todo o mundo e levada para todos os povos. Esse processo denominava-se catequização. Para catequizar os índios no continente americano, os jesuítas criaram as missões, também conhecidas como reduções.
As missões eram aldeamentos que agrupavam vários índios sob o comando dos padres jesuítas. Além da religião, os jesuítas impunham os costumes europeus, fazendo com que os indígenas abandonassem muitos de seus próprios costumes. Fator fundamental para isso foi a catequização das crianças indígenas.
            Os jesuítas espanhóis construíram suas primeiras reduções nas terras onde hoje são os estados do Paraná e a região sudeste do Paraguai. Elas eram conhecidas como Missões do Guairá. Esses aldeamentos logo foram atacados pelos bandeirantes, que tinham como objetivo capturar os índios e leva-los para trabalhar como escravos nas plantações de São Paulo. As reduções atraiam os paulistas, pois havia um grande número de índios guaranis reunidos em um mesmo espaço, os guaranis eram bons agricultores, as reduções eram próximas a sua capitania, o que facilitava a captura e o transporte. Além disso, esses índios tinham diversas habilidades aprendidas nas reduções.
            Com os ataques dos bandeirantes, os jesuítas espanhóis fugiram da área e, algum tempo depois se estabeleceram nas terras do atual Rio Grande do Sul, à margem esquerda do rio Uruguai, região esta, que na época pertencia a Espanha. Em 1626, foi instalada a primeira missão nessa região pelo padre espanhol Roque Gonzales. Ela foi chamada de São Nicolau de Piratini. As missões chegaram a reunir nesta faze cerca de 70 mil índios. Eles estavam distribuídos em dezoito aldeamentos que se espelhavam  pela região conhecida como Tape (terras da região central do atual Rio Grande do Sul) e pela região próxima ao rio Uruguai.
            Entretanto, as Missões do Tape e do rio Uruguai tiveram curta duração. Os bandeirantes começaram procurar índios mais ao sul e acabaram por localizar essas missões, atacando-as e aprisionando seus índios. As missões acabaram sendo destruídas pelos ataques dos bandeirantes. Em 1641, os jesuítas fugiram levando alguns indígenas para a outra margem do rio Uruguai, em terras argentinas. Na fuga, deixaram para trás boa parte o gado que criavam. Esse gado abandonado, reproduziu-se livremente pelos pampas, formando uma grande reserva de animais no sul do atual território gaúcho. Essa reserva ficou conhecida como Vacaria do Mar. Em 1682, os jesuítas incentivados pela Espanha, em reação a fundação da Colônia do Sacramento, voltam ao Rio Grande do Sul, onde fundam os Sete Povos das Missões (São Borja, São Nicolau, São Miguel, São Luiz Gonzaga, São Lourenço, São João Batista e Santo Ângelo). Em 1732, os Sete Povos chegaram a reunir cerca de 40 mil índios.
            Nessa fase, os jesuítas introduziram gado na área dos campos de cima da Serra, na região atual da cidade de Vacaria. As Missões Jesuíticas reuniram indígenas de diversas aldeias. Para isso, os líderes nativos foram muito importante, pois ajudaram os jesuítas a convencer os indígenas a morar nos aldeamentos. A autoridade desses chefes continuou sendo respeitada tanto pelos índios como pelos jesuítas. Cada missão possuía uma estancia, onde era criado o gado e os ervais onde se coletava a erva-mate. Também se praticava a agricultura, com o plantio do milho, do aipim, batata-doce, abóbora, feijão e algodão. As terras para a lavoura eram de dois tipos: amambaé – distribuída pelo chefe indígena para cada família; e tupambaé, pertencente a comunidade. Nestas, cada índio deveria trabalhar dois dias por semana para produzir alimento para as pessoas que não podiam trabalhar nas lavouras como os padres.
            No centro da redução estavam a praça e na posição de destaque, a igreja. Próximo à igreja ficava o colégio, onde os meninos eram alfabetizados, aprendiam música e técnicas agrícolas. as oficinas dos artesãos (tecelões, ferreiros, escultores, carpinteiros) e o cemitério também ficavam perto da igreja, assim como o hospital e os depósitos. As casas dos indios eram em geral feita de tijolos e telhas de barro e enfileiravam-se ao redor da praça. Os jesuítas permitiam que os guaranis continuassem falando seu idioma. Porém, muitos hábitos eram proibidos, essencialmente os ligados à religião e outros foram modificados, como a maneira de os nativos obterem alimentos. Dessa forma, as missões jesuíticas acabaram por constituírem-se em núcleos auto-suficientes econômica e politicamente, o que fazia com que os colonos espanhóis acusassem os padres de construir um “Estado dentro do Estado”, ou seja, que as Missões não respeitavam  e não se submetiam a Coroa, isto é, ao rei da Espanha. 
Em 1750, Espanha e Portugal assinam o Tratado de Madri. De acordo com esse tratado, a área onde estava localizada os Sete Povos deveria pertencer a Portugal, e os jesuítas e índios ali aldeados deveriam se retirar para a outra margem do rio Uruguai. Em troca, Portugal daria a Espanha o controle sobre a Colônia do Sacramento. Porém, os jesuítas e os guaranis não aceitaram a decisão do acordo e passaram a defender suas terras lutando contra os espanhóis e portugueses, tinha inicio as Guerras Guaraníticas (1754-1756). Nesse conflito milhares de indígenas foram mortos, entre eles o famoso líder indígena Sepé-Tiaraju. As Guerras Guaraníticas impediram a posse definitiva de Portugal, ao menos temporariamente sobre a região missioneira. Em 1767 a Coroa espanhola conseguiu expulsar os jesuítas e passou a exercer o controle das missões designando um chefe para cada uma delas. As missões entraram em visível declínio. Em 1801, os portugueses com a ajuda dos líderes guaranis derrotaram os lideres espanhóis e tomaram posse da região das Missões. Nesta época restavam cerca de 14 mil índios. (Texto adaptado de História do Rio GRande do Sul de Felipe Piletti por Fabrício Colombo).

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