sexta-feira, 21 de setembro de 2012

HISTÓRIA DA COLÔMBIA

Simón Bolívar e Francisco Santander no Congresso de Cúcuta.


País caribenho, andino e amazônico, a Colômbia associa a riqueza de seus recursos naturais a uma estrutura econômica ainda não desenvolvida. A miscigenação de seus habitantes não diminuiu a intensa influência da cultura e tradição espanholas, que se evidenciam na pureza da língua e na manutenção do catolicismo.
A Colômbia situa-se no ângulo noroeste da América do Sul. Limita-se a leste com a Venezuela e o Brasil, ao sul com o Peru e o Equador, a oeste com o oceano Pacífico e ao norte com o mar das Antilhas ou do Caribe. As duas grandes massas de água estão separadas pelo istmo centro-americano, por cujo extremo oriental se estende a fronteira entre a Colômbia e o Panamá. O território colombiano inclui ainda as ilhas de San Andrés e Providencia, no mar das Antilhas, em frente da Nicarágua, e a de Malpelo, no oceano Pacífico, bem como ilhotas próximas de seu litoral.
Com uma superfície total de 1.138.914km2, a Colômbia tem uma costa de aproximadamente 2.900km, dos quais 1.600 banhados pelo mar das Antilhas e o restante pelo oceano Pacífico. O litoral é recortado por baías, golfos e penínsulas que lhe dão um aspecto muito irregular.
 Diversos povos ameríndios ocupavam o território colombiano antes da conquista espanhola. Nenhum deles deixou registros escritos, o que não permite reconstruir sua evolução  com a mesma precisão que se alcançou no estudo das grandes civilizações históricas do Novo Mundo. Ainda hoje, culturas como a de San Agustín, extinta muitos séculos antes da chegada dos europeus, continuam a ser um enigma.
Os povos das regiões planas e litorâneas organizavam-se socialmente como confederações de tribos, levavam vida muito simples e foram extintos pelos colonizadores espanhóis. Já em terras andinas havia culturas mais desenvolvidas, entre as quais se destaca a dos chibchas, que ocupavam os pontos mais altos da parte central da cordilheira Oriental. Cultivavam milho, batata e algodão. Não chegaram a formar um império unitário, mas apresentavam muitos traços culturais comuns. Atingiram grande densidade populacional na savana de Bogotá. Seu centro mais importante era Bacatá, próximo à posterior capital colombiana.

Exploração e conquista espanholas. A primeira expedição européia a avistar terras da futura Colômbia foi a do espanhol Alonso de Ojeda, que em 1499 dobrou o cabo de La Vela, na península de La Guajira. Dez anos depois, o reconhecimento de toda a costa sul-americana do Caribe foi feito por Rodrigo de Bastidas, que em 1525 fundou Santa Marta. Em 1533 Pedro de Heredia fundou Cartagena, que se tornaria uma das principais bases marítimas do império espanhol nas Américas. Até 1539 já haviam sido fundadas todas as cidades importantes do interior colombiano, até mesmo Santa Fe de Bogotá (1538).
Bogotá, que antes da conquista era o principal núcleo dos reinos chibchas, transformou-se em 1550 na audiência de Santa Fe de Bogotá, dependente do vice-reino do Peru e centro administrativo de uma região que abrangia Nova Granada, Popayán, Antioquia, Cartagena, Santa Marta, Riohacha, os llanos de Casanare e San Martín. A partir de 1564, os presidentes da audiência de Santa Fe gozaram de poderes semelhantes aos dos vice-reis. As populações autóctones diminuíram enormemente, exterminadas pelos novos senhores das terras e por doenças por eles transmitidas, como a epidemia de varíola de 1587-1589.
As culturas indígenas se transformaram rapidamente, em contato com a civilização. O catolicismo foi imposto e predominou sobre as religiões autóctones. No século XVII, o chibcha, língua indígena que tivera o maior número de usuários, havia caído em desuso nas zonas mais povoadas do país e a miscigenação granhou forte impulso. Nas planícies do Chocó e na costa do Caribe foram instalados escravos negros, destinados à extração do ouro e ao trabalho nas plantações de cana-de-açúcar.
A Igreja Católica, com a atuação de missionários franciscanos, dominicanos e jesuítas, desempenhou importante papel na catequese e na administração. Em 1620, a Inquisição instalou-se em Cartagena, cidade que logo se tornaria um baluarte do império espanhol.
Vice-reino de Nova Granada. A dependência administrativa de Lima encerrou-se com a criação do vice-reino de Nova Granada, vigente primeiro durante um breve período, de 1717 a 1723, e depois, definitivamente, a partir de 1740. Compreendia a Colômbia, a Venezuela, o Equador e o Panamá e representou o início de uma nova era. Nas décadas seguintes, a coroa espanhola procurou fortalecer o império mediante maior centralização da administração e desenvolvimento do comércio. A população aumentou e começou a consolidar-se uma nova classe social com crescente poder: a dos criollos, descendentes de espanhóis nascidos na colônia.
De 1785 a 1810, os criollos de Nova Granada não ofereceram resistência às reformas políticas e econômicas. Assim, na revolução dos comuneros, os socorrenses opuseram-se às reformas, mas em 1809 propuseram medidas favoráveis ao sistema de livre comércio e à abolição da escravatura. As reformas educacionais desempenharam papel de relevo nessa modificação de perspectiva dos granadinos. Como vice-rei, o arcebispo Caballero y Góngora (1782-1788) concentrou-se principalmente na educação, modernizando os currículos e criando uma escola de minas.
Independência. O antagonismo entre súditos coloniais e metropolitanos e as incertezas quanto ao destino do império, após a invasão da Espanha pela França em 1808, provocaram um conflito que culminou na declaração de independência. Em 1810, as jurisdições de Nova Granada expulsaram as autoridades espanholas, exceto em Santa Marta, Riohacha e os atuais Panamá e Equador. O levante de Bogotá, de 20 de julho desse ano, é comemorado como a data de independência da Colômbia. A rivalidade entre os grupos que propugnavam uma federação e aqueles que tentavam centralizar a autoridade nos novos governos provocou uma série de guerras civis, que facilitou a reconquista, pela Espanha, das Províncias Unidas de Nova Granada, entre 1814 e 1816.
As execuções e castigos praticados pelos espanhóis favoreceram a unidade dos setores libertários. Um grupo refugiado em Casanare, chefiado por Francisco de Paula Santander, iniciou a luta armada, com apoio de Simón Bolívar. Em 1819 realizou-se na cidade de Angostura (hoje Cidade de Bolívar, na Venezuela) uma convenção, com delegados de Casanare e algumas províncias venezuelanas. No mesmo ano Bolívar invadiu Nova Granada e derrotou os espanhóis em Boyacá, em 7 de agosto. Seguiram-se as batalhas de Carabobo (Venezuela), em 1821, e de Pichincha (Equador), em 1822, também vencidas por Bolívar.
Libertado o território colombiano, Bolívar concentrou sua ação no Peru, deixando Santander como vice-presidente da Grande Colômbia. Em 1826, com a expulsão definitiva dos espanhóis do continente, Bolívar regressou a Bogotá, onde suas idéias centralizadoras se chocaram com o federalismo de Santander. Bolívar tornou-se ditador, mas sucessivos atentados e revoltas, além do descontentamento de grande parte de seus antigos partidários, obrigaram-no a renunciar em 1830. Em poucos meses, o que havia sido o vice-reino de Nova Granada fragmentou-se em três estados independentes: Venezuela, Equador e República de Nova Granada, depois Colômbia, na qual estava incluído o território do Panamá.
A partir da guerra civil de 1840-1842 e de hostilidades entre os partidos Liberal e Conservador, instituiu-se uma federação em que o governo central teve poderes muito reduzidos. A constituição de 1858 restaurou um governo nacional forte. A rejeição da constituição pelos liberais levou à chamada "anarquia organizada", ordenada pela constituição de 1863. Um segmento do Partido Liberal, encabeçado por Rafael Núñez, passou então a defender uma reforma constitucional e aliou-se aos conservadores. Disso resultou a constituição de 1886, pela qual a Nova Granada adotou o nome de República da Colômbia, regida por uma constituição unitária que haveria de manter-se, com modificações, durante todo século seguinte.
O presidente Rafael Núñez devolveu à Igreja Católica os privilégios cuja supressão causara uma guerra civil na década anterior. Com sua morte, novas discórdias civis ocorreram entre 1884 e 1895. Anos depois começaria a mais sangrenta das guerras civis colombianas, a guerra dos mil dias (1899-1903), que deixou o país exaurido. Em 1903 o Panamá declarou-se independente, com apoio dos Estados Unidos, interessados em abrir o canal no istmo centro-americano.
Ciclo do café. O mandato do general Rafael Reyes na presidência da república (1904-1909) marcou o princípio de uma lenta recuperação econômica. Em 1914, a Colômbia reconheceu oficialmente a independência do Panamá e recebeu uma indenização no valor de 25 milhões de dólares, paga pelos Estados Unidos. O aumento do comércio exterior, com a exportação de café e o início da exploração de jazidas, conduziu a um processo de industrialização e prosperidade que seria interrompido pela crise mundial de 1929. Os preços do café, do petróleo e da banana, os principais produtos de exportação, caíram vertiginosamente, o que levou a economia do país ao colapso.
O Partido Conservador, no poder desde o final do século XIX, perdeu em 1930 a presidência da república para o Partido Liberal, que se manteve no governo até 1946. Nas eleições realizadas nesse ano, os liberais se dividiram e lançaram dois candidatos, propiciando a vitória ao conservador Mariano Ospina Pérez. Apesar de vitoriosos na eleição, os conservadores só obteriam o controle do Congresso ao impor, em 1949, o estado de sítio, que durou até 1958.
O assassinato de Jorge Eliécer Gaitán, líder dos trabalhadores e candidato derrotado às eleições presidenciais, em pleno centro de Bogotá, desencadeou a maior rebelião da história da Colômbia, em 9 de abril de 1948. O episódio passou para a história do país com o nome de bogotazo. A violência prolongou-se durante a presidência de Laureano Gómez (1950-1953), que tentou implantar um regime autoritário. Em 1953, o general Gustavo Rojas Pinilla liderou um golpe de estado e, embora louvado como paladino da justiça, foi ainda mais arbitrário que seu antecessor. Numa tentativa de restauração do poder civil, liberais e conservadores formaram a Frente Nacional.
Em 1957 Rojas Pinilla renunciou e um plebiscito incorporou os acordos da Frente Nacional à constituição. No ano seguinte, o presidente Alberto Lleras Camargo instituiu a reforma agrária. Em 1962 assumiu a presidência Guillermo León Valencia. O general Rojas Pinilla foi preso em 1963 sob a acusação de conspirar contra o regime. A crise econômica levou o Congresso a conceder poderes extraordinários a Valencia. A situação continuou a agravar-se no plano político, o que culminou com a reimplantação do estado de sítio em 1965, após distúrbios estudantis.
Em 1966 começou a gestão de Carlos Lleras Restrepo, talvez a mais bem-sucedida da história colombiana. A economia recuperou-se com base num planejamento correto e em reformas políticas essenciais. Ao final de seu governo, a economia apresentava um crescimento anual de 6,9%. Na eleição de 1970, Misael Pastrana Borrero sagrou-se vencedor, derrotando o ex-ditador Rojas Pinilla. Na eleição de 1974, a presidência passou para Alfonso López Michelsen, também liberal, cujo governo enfrentou problemas econômicos. Ainda assim, em 1978 foi eleito outro liberal, Julio Turbay Ayala, contra quem se aliaram manifestações de descontentamento popular e a violência dos movimentos guerrilheiros de esquerda.
Em 1982, elegeu-se o conservador Belisario Betancur Cuartas, mas sua campanha de pacificação nacional foi obstada pelo poder dos traficantes de tóxicos -- o chamado cartel de Medellín -- que em 1970 se implantara no país como poder paralelo. Em 1989, o presidente liberal Virgílio Barco Vargas lançou uma gigantesca ofensiva contra o cartel de Medellín, após os assassinatos de um ministro do Supremo Tribunal e do principal candidato à eleição de 1990, Luis Carlos Galán Sarmiento. Em 1993, na gestão do presidente César Gaviria Trujillo, o chefe do cartel, Pablo Escobar, foi morto quando era caçado por soldados e policiais. Ernesto Samper, que assumiu a presidência em 1994, continuou a combater o narcotráfico, desta vez buscando desmantelar o cartel de Cali.
Fonte: Enciclopédia Barsa.


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