terça-feira, 16 de outubro de 2012

GILGAMESH

O Gilgamesh constitui um dos mais antigos monumentos da literatura universal, e há quem identifique reflexos dele na Odisséia dos gregos e no folclore de outros povos. É um magnífico exemplo do esplendor das culturas mesopotâmicas, no qual aparecem as eternas indagações humanas: o sentido da vida, a existência além-túmulo, a imortalidade.
Por volta do ano 1200 a.C., o poeta Sin-leqe-unnini, de Uruk ou Erech, na Suméria, organizou uma longa versão (3.600 versos, dos quais se conservaram 3.450), na língua acadiana, das histórias que se contavam a respeito de Gilgamesh e de seu companheiro Enkidu. Esse poema, gravado em 12 tábulas de argila, foi descoberto em 1847, durante escavações no palácio do rei Senaqueribe, perto de Nínive. Combinado às muitas versões provindas de bibliotecas e arquivos do Oriente Médio (as mais antigas datam do segundo milênio a.C.), foi modernamente dividido em 12 seções.
O personagem central pode ser o mesmo rei Gilgamesh que ocupou o trono de Uruk na primeira metade do terceiro milênio a.C., e que segundo as listas sumerianas reinou "depois do dilúvio", mas não se tem nenhuma prova dos feitos que o poema relata. Enkidu, que nos textos sumerianos é um servo, na versão acadiana é um amigo do herói.
Na primeira das l2 seções é exaltado o semidivino Gilgamesh, grande guerreiro e vidente, que oprimia o povo no afã de edificar os templos e as muralhas de Uruk. Para conter o tirano, os deuses fazem surgir ao lado dele a figura de Enkidu, espécie de sátiro. A segunda seção descreve uma competição de força, em que Gilgamesh leva a melhor sobre Enkidu. Os dois planejam sua primeira façanha, a destruição de Khumbaba, o monstro das montanhas, guardião do bosque dos cedros sagrados. Na terceira, expõem-se os preparativos do audaz empreendimento, contra as ponderações dos anciãos de Uruk, que tentam demover os dois heróis. Na quarta, vê-se o monstruoso Khumbaba, com seu vozeirão apavorante. Na quinta, o monstro é eliminado.
Na sexta seção, Gilgamesh, de volta a Uruk, recusa proposta de casamento da deusa Ishtar e, com a ajuda de Enkidu, mata um touro feroz que a deusa lança contra ele. Na sétima, Enkidu sabe, em sonhos, que terá de pagar com a vida pela morte do touro divino. Na oitava, lê-se a lamentação de Gilgamesh pelo amigo, a quem faz sepultar com grandes honras.
Na nona tábula, Gilgamesh, chocado com a perda de Enkidu, resolve pedir a Utnapishtim, sobrevivente do dilúvio, uma fórmula para escapar à morte. Na décima, a deusa Siduri ajuda o herói a encontrar Utnapishtim, que lhe conta o dilúvio, de surpreendente semelhança com o relato bíblico. Na 11ª, Gilgamesh, por indicação de Utnapishtim, vai colher no fundo do mar uma planta que dá aos velhos o vigor da juventude. Uma serpente rouba-lhe a planta e desaparece com ela. Na 12ª, Gilgamesh, de novo em Uruk, insiste em falar com seu amigo morto, que, por um buraco na terra, lhe diz que da morte ninguém se pode livrar.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

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