sexta-feira, 19 de outubro de 2012

HISTÓRIA DO EQUADOR

A linha imaginária que divide o globo terrestre nos hemisférios norte e sul atravessa toda a extensão do país a que deu nome. No Equador se localizam parcialmente dois colossos da geografia americana: a cordilheira dos Andes e a bacia amazônica.
Situada na porção noroeste da América do Sul, o Equador tem superfície de 272.045km2, incluídos os quase oito mil ocupados pelas ilhas Galápagos. Limita-se ao norte com a Colômbia, ao sul e a leste com o Peru e a oeste com o oceano Pacífico. O Equador reclama como seu o território amazônico, até o rio Marañon, perdido para o Peru na guerra de 1941.
Antes da chegada dos espanhóis, as partes alta e baixa do atual Equador eram povoadas por diversas tribos ameríndias de cultura relativamente avançada: pansaleus, puruás, canharis, paltas, quitos, caiapas e colorados, além de tribos mais primitivas do interior, como os jívaros e os záparos. Na segunda metade do século XV, processava-se a unificação militar e política das tribos, por meio de grandes confederações com a predominância do reino de Quito, quando ocorreu a invasão dos incas. A resistência das tribos nativas durou anos e o domínio incaico só se consolidou sob o reinado de Huayana Cápac. Morto em 1525, dividiu o império entre seus filhos Atahualpa, que ficou com o reino de Quito, ao norte, e Huáscar, a quem coube o reino de Cuzco, no Peru e Bolívia. Uma longa guerra eclodiu entre os dois herdeiros, com a vitória final de Atahualpa. Pouco tempo depois chegaram os espanhóis que, sob o comando de Francisco Pizarro, prenderam e executaram o chefe inca.
Colônia. Os espanhóis visitaram o Equador pela primeira vez em 1526, quando Francisco Pizarro navegou ao longo de suas costas. Foram recebidos amistosamente pelos indígenas e nos anos seguintes realizaram novas expedições, quando prepararam a conquista definitiva do império inca. Coube ao lugar-tenente de Pizarro, Sebastián de Benalcázar, a conquista de Quito, consolidada em 1534, ano em que fundou a vila de San Francisco de Quito. No ano seguinte, fundou Santiago de Guayaquil. Depois da conquista, o território equatoriano passou a integrar o vice-reinado do Peru, criado em 1542. Em 1563 Filipe II criou a Real Audiência de Quito, que fomentou durante 300 anos o desenvolvimento da colônia. A partir do século XVII começaram a manifestar-se os primeiros sinais de descontentamento com a metrópole. No final do século XVIII, as lutas se intensificaram e as freqüentes rebeliões revelavam que a posição do governo espanhol já não era muito firme. A invasão da Espanha pelos exércitos de Napoleão debilitou o controle sobre a América espanhola e as idéias de emancipação se alastraram por toda a colônia.
O principal propagandista dessas idéias no Equador foi Francisco Eugênio de Santa Cruz y Espejo, intelectual de origem humilde que se aliara ao nobre Don Juan Pio de Montúfar. Santa Cruz foi preso e executado, mas ficaram seus discípulos entre a nobreza local. Em 10 de agosto de 1809, eclodiu em Quito um movimento pela autonomia do país. Foi instituída uma junta, sob a presidência de Pio de Montúfar, mas tropas enviadas pelos vices-reis de Nova Granada e Peru agiram duramente contra os patriotas e a 2 de agosto de 1810, executaram numerosos presos políticos. Montúfar organizou nova junta, em 19 de setembro, em Quito, e instituiu um governo popular e representativo. O governo espanhol esmagou a rebelião dois anos depois.
Em outubro de 1820, uma revolução militar proclamou a independência em Guayaquil, que foi reconhecida pelo governo do Peru. Simón Bolívar enviou para Guayaquil o general Antonio José de Sucre, para ajudar na luta contra os espanhóis. A vitória de Sucre em 24 de maio de 1822, em Pichincha, não trouxe a independência da antiga província e sim sua integração à República de la Gran Colombia, formada por influência de Bolívar. Quito passou a ser um departamento do sul dessa república. Em 1830 separou-se e formou a República do Equador, tendo Quito como capital. Seu primeiro presidente foi Juan José Flores, herói venezuelano das guerras da independência. Flores governou durante 15 anos, com um intervalo de quatro anos em que cedeu o poder a Vicente Rocafuerte, que lançou as bases de nova organização fiscal e financeira e de uma reforma educacional.
Reação conservadora. Após a queda de Juan José Flores, em 1845, seguiu-se um período de governos civis interrompido pelo domínio militar do general José Maria Urbina, que governou direta ou indiretamente de 1850 a 1860. Apesar de militarista, o governo adotou uma política de justiça social, com decretos que amenizaram a situação dos escravos e dos indígenas. A ação conservadora triunfou com a subida ao poder de Gabriel García Moreno, que governou em dois períodos: de 1861 a 1865 e de 1869 a 1875. Seu governo foi despótico e clericalista, mas procurou incentivar o progresso, com reformas educacionais, organização das finanças e construção de estradas. García Moreno foi assassinado em 1875 e a ele seguiram-se governos efêmeros e golpes militares. O movimento político denominado Restauração levou ao poder seu líder, Antonio Flores Jijón, que entre 1888 e 1892 manteve a liberdade dos partidos e da imprensa, estimulou o ensino público e fomentou o ingresso no país de técnicos e cientistas.
Século XX. Após um ano de guerra civil, o general Eloy Alfaro, líder dos liberais de Guayaquil, assumiu o poder em 1895 e elegeu-se presidente depois de promulgada a constituição de 1897. Alfaro promoveu a separação entre igreja e estado, estabeleceu a liberdade religiosa e construiu a ferrovia que liga a costa do Pacífico às altas mesetas interandinas. Leónidas Plaza sucedeu-lhe e deu continuidade à política de reformas liberais e à construção da Estrada de Ferro Guayaquil-Quito. Em 1906 Alfaro reassumiu, mas acabou linchado em 1912, quando tentava voltar ao poder. Daí até 1916 governou novamente Leónidas Plaza, que enfrentou as dificuldades decorrentes da primeira guerra mundial. Seguiram-se governos liberais até 1925, quando um golpe militar imprimiu nova orientação ao país e efetuou a reforma fiscal e a bancária. O presidente Isidro Ayora governou entre 1926 e 1931. Assessorado pela Missão Kemmerer, fundou o Banco Central do Equador. Um período de instabilidade política e de governos efêmeros seguiu-se a sua administração. Entre 1931 e 1944, o país teve 18 governos civis e militares, legítimos ou de fato. Houve, no período, três constituições.
Carlos Arroyo del Río exerceu a última dessas presidências turbulentas de 1941 a 1944. Sob sua administração ocorreram litígios de fronteira com o Peru, que ocupou pela força grande parte da província do Oriente, área que reivindicava desde 1802. A ocupação foi oficializada, por decisão dos países mediadores (Brasil, Argentina e Estados Unidos), no protocolo do Rio de Janeiro, em 1942.
Arroyo sufocou o descontentamento popular, mas foi deposto. Sucedeu-lhe o líder populista José Maria Velasco Ibarra, que já havia sido presidente por menos de um ano entre 1933 e 1934. Carismático e oportunista, o caudilho dominou por três décadas a política do Equador. Logo após sua investidura, rompeu com os aliados de esquerda e governou ao lado dos conservadores, que dominaram a Assembléia Constituinte. Sob a constituição de 1946 governaram, sucessivamente Galo Plaza (1948-1952), Velasco Ibarra (1952-1956), Camilo Ponce (1956-1960) e novamente Velasco Ibarra, que enfrentou agitações durante um ano e foi substituído interinamente pelo vice-presidente Carlos Julio Arosemena Monroy. Em 1963 Arosemena foi deposto e instalou-se uma junta militar, que cancelou as eleições marcadas para 1964 e governou até 1966, quando foi destituído. Sucederam-lhe dois presidentes interinos: Clemente Yerovi Indaburu e Otto Arosemena Gómez. Em 1968, já septuagenário, Velasco elegeu-se pela quinta vez. Em 1970 proclamou-se ditador. A oposição dos jovens acabou por minar sua popularidade e o ditador foi deposto em 1972 pelo general Guillermo Rodríguez Lara. Em 1976 assumiu o poder uma junta militar encabeçada pelo vice-almirante Alfredo Poveda Burbano. Em janeiro de 1978 um plebiscito nacional aprovou nova constituição e em abril de 1979 realizaram-se eleições gerais. Foi eleito presidente o social-democrata Jaime Roldós Aguilera, que restabeleceu o regime constitucional. Com amplo apoio popular, o presidente enfrentou pressões das forças conservadoras, mas em maio de 1981 morreu num desastre de avião. O vice-presidente Osvaldo Hurtado Larrea assumiu e tentou seguir o programa de seu antecessor, mas também enfrentou oposição, tanto da direita quanto da esquerda. Em outubro de 1982 medidas restritivas provocaram greve geral, enfrentada com a decretação do estado de emergência. Em maio de 1984, foi eleito o conservador León Febres Cordero. O país enfrentou, nas duas décadas seguintes, inúmeros problemas políticos e sociais agravados pela crise econômica mundial e pelo tráfico de drogas. A década de 1990 marcou também um período difícil para o país, com o governo em busca de programas para acelerar o desenvolvimento.

Fonte: Enciclopédia Barsa.

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