quinta-feira, 22 de novembro de 2012

ERVA MATE - UMA DAS RIQUEZAS DAS MISSÕES

Em 1660, a Companhia de Jesus fez a seguinte oferta à Coroa espanhola: cada índio entre 18 e os 50 anos passaria a pagar uma quantia mínima anual de impostos, guerreiros ficariam a disposição da autoridade branca e seriam cedidos operários para trabalhar em obras públicas nos povoados espanhóis. A boa condução política, por parte dos padres jesuítas, resultou quatro anos mais tarde em isenção fiscal para os guaranis. Eles puderam exportar seus excedentes de erva-mate sem pagar impostos de circulação até o limite de 180 toneladas por ano.
Essa conquista dos povos missioneiros dá uma ideia da importância da erva-mate na vida dos guaranis. Era deles a erva chamada caanimi (pura folha), que alcançava o dobro do preço em todos os mercados, em detrimento da erva comum, com paus, produzida por comerciantes brancos. No começo os jesuítas não eram favoráveis ao consumo da erva, incluída nos rituais pagãos. Aos poucos, porém, os padres passaram a incentivar o seu uso, ao notar que o chimarrão diminuía o consumo de bebidas alcoólicas, como a chicha e o garapo. Por fim, partiram para a implementação de ervais nas próprias reduções. É que os locais naturais de colheita ficavam muito distantes e o deslocamento de grande número de índios para a tarefa perturbava a rotina dos povoados.
Os primeiros ervais foram plantados em 1707, e a primeira colheita se deu dez anos depois. Não apenas nos Sete Povos, mas em toda a região missioneira, a produção de erva mate representava mais da metade de tudo o que era produzido. O restante era dividido entre algodão, fumo e açúcar. *Adaptado de História Ilustrada do Rio Grande do Sul).

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