sexta-feira, 16 de novembro de 2012

HISTÓRIA DO PARAGUAI


A ação colonizadora das missões jesuíticas, que permitiu a sobrevivência de grande proporção de índios guaranis, e o longo isolamento político do Paraguai depois da independência, conferiram ao país um caráter étnico peculiar, que o diferencia nitidamente de outras nações latino-americanas. O Paraguai é um país interior, isto é, sem acesso direto ao mar. De forma irregular, alongada na direção noroeste-sudeste, ocupa uma superfície de 406.752km2. Limita-se ao norte e a noroeste com a Bolívia; a leste e nordeste com o Brasil; e ao sul, sudeste e oeste com a Argentina.
Séculos antes que os primeiros exploradores europeus chegassem ao território que depois seria chamado Paraguai, a região situada entre os rios Paraguai e Paraná estava ocupada por tribos guaranis seminômades, que habitavam aldeias fortificadas. Os homens se dedicavam à caça e à pesca, e as mulheres cultivavam principalmente milho e mandioca. O Gran Chaco, por sua vez, era percorrido por grupos nômades, como os guaicurus, que com freqüência atacavam os guaranis.
Os primeiros europeus que penetraram no país foram os homens da expedição portuguesa de Aleixo Garcia, que se deslocaram por terra desde a costa brasileira, em 1524. Dois anos mais tarde, os navios de Sebastião Caboto subiram os rios Paraná e Paraguai. Em agosto de 1537, o espanhol Juan Salazar de Espinosa construiu, numa colina próxima ao rio Paraguai, o forte de Nossa Senhora Santa Maria da Assunção, que em poucos anos se converteu em centro de irradiação dos conquistadores.
Nas imediações do local, os espanhóis encontraram uma população guarani amistosa, com a qual teve início um rápido processo de mestiçagem. Sob os governos de Domingo Martínez de Irala e seus sucessores, partiram de Assunção numerosas expedições, que fundaram as cidades de Santa Fe, Corrientes, Villarrica e Santa Cruz de la Sierra. A segunda fundação de Buenos Aires, em 1580, foi levada a cabo por dez espanhóis e cinqüenta mestiços paraguaios.
Missões jesuíticas. No início do século XVII, encomendou-se aos jesuítas a tarefa de evangelizar e submeter à coroa espanhola os guaranis da área compreendida a sudeste de Assunção. Durante um século e meio os jesuítas dedicaram-se a esse trabalho e organizaram 32 missões, povoados que abrigaram mais de cem mil índios. As missões jesuíticas chegaram a constituir um estado praticamente independente, com uma próspera produção agrícola e artesanal, forças armadas e autonomia frente aos governadores de Assunção.
Dois perigos, no entanto, espreitavam as missões. Pelo oeste, comerciantes espanhóis e mestiços de Assunção viam seus interesses econômicos prejudicados pela concorrência daquelas comunidades e desejavam apoderar-se tanto de seus territórios como da mão-de-obra guarani. Pelo leste, os caçadores de escravos penetraram no território para capturar índios e destiná-los a plantações na zona costeira. De 1721 a 1735 travou-se uma guerra entre os proprietários de terras de Assunção e os jesuítas. Estes foram finalmente favorecidos, quando oito mil guaranis ajudaram as tropas de Buenos Aires a tomar Assunção, cujo conselho municipal tinha aderido à revolta contra o governador, que defendia os jesuítas.
O poder alcançado pelos jesuítas despertou, contudo, temores na própria corte espanhola, que em 1750 decidiu, em acordo com a coroa portuguesa, dividir entre os dois países o território das missões. Os jesuítas repeliram tal propósito, mas em 1757 os exércitos português e espanhol combinados acabaram com sua resistência. Dez anos depois, a Companhia de Jesus foi afastada dos domínios da coroa espanhola e as missões foram transferidas para  franciscanos e delegados da corte espanhola, que logo acabaram com seu antigo esplendor. Os guaranis caíram nas mãos dos senhores de terra ou se isolaram.
Independência. Em 1776 a coroa espanhola criou o vice-reino da Prata, com capital em Buenos Aires. Assunção passou a depender dessa cidade, o que significou um progresso econômico, já que as comunicações com a nova capital eram mais fáceis do que com Lima, a antiga. Com o tempo, no entanto, enfraqueceu-se a autonomia que a distância de Lima permitira à província desfrutar. Quando, em 1810, Buenos Aires declarou a independência, Assunção recusou-se a acompanhá-la. As milícias paraguaias impediram a passagem das forças do general Manuel Belgrano. Em maio do ano seguinte, contudo, o governador espanhol de Assunção foi deposto pelos capitães Fulgencio Yegros e Pedro Juan Caballero.
Entre os integrantes da junta de governo formada em Assunção logo se destacou o advogado José Gaspar Rodríguez de Francia, por sua cultura e habilidade. Em 12 de outubro de 1813 foi declarada a independência do Paraguai. A junta de Assunção recusou todo entendimento com Buenos Aires, que fazia pressões para incluir o Paraguai em seus domínios. Yegros e o Dr. Francia foram designados cônsules durante um ano e, ao final do período, uma nova junta nomeou Francia ditador supremo da república, por cinco anos. Declarado em 1816 ditador perpétuo, Francia ocupou o cargo até sua morte, em 1840.
O prolongado governo de Francia praticamente fechou o país quase completamente à influência estrangeira. Restringiu-se o comércio exterior, limitou-se a entrada de estrangeiros e o Paraguai conheceu um período de relativa paz. Uma tentativa fracassada de destituir Francia teve como resultado a eliminação de quase toda a aristocracia paraguaia e o confisco da maior parte das grandes propriedades.
Com a morte de Francia, formou-se um segundo consulado, composto, como o primeiro, de um civil e um militar. O civil, Carlos Antonio López, foi nomeado presidente em 1844, ano em que se promulgou a primeira constituição do país, que consagrava um regime presidencialista. O Paraguai abriu-se então para o exterior e para o intercâmbio comercial. Em 1852, Buenos Aires reconheceu-lhe a independência. Ante ameaças expansionistas de seus poderosos vizinhos, Carlos Antonio López declarou a militarização da sociedade. Foram abertas estradas de ferro, linhas telegráficas, uma frota fluvial de guerra, poderosos fortes e uma rede de hospitais militares.
Tríplice Aliança. López morreu em 1862 e foi substituído por seu filho, Francisco Solano López, que, desejoso de reforçar o papel do Paraguai na política platina, procurou fazer frente ao Brasil. Em novembro de 1864, ordenou a captura de um navio de guerra brasileiro e organizou poderoso exército para combater no Uruguai as forças brasileiras que o haviam invadido. Como a Argentina negasse permissão de trânsito por seu território, o Paraguai declarou-lhe guerra. Em resposta, Brasil, Argentina e Uruguai assinaram o Tratado da Tríplice Aliança, pelo qual uniram as forças contra o Paraguai.
Antes do final de 1865, as tropas expedicionárias paraguaias e sua força naval haviam sido destruídas. Começou então uma longa fase de guerra defensiva dentro do Paraguai e, durante quatro anos, os exércitos invasores foram contidos na posição fortificada de Humaitá, mas à custa de enormes baixas. Uma epidemia de cólera acabou de devastar o país. Em 1869, os restos do Exército paraguaio retiraram-se para o norte, perdendo a capital e as principais cidades. Em 1º de março de 1870, a cavalaria brasileira atacou as forças paraguaias em Cerro Corá, onde morreu o próprio López. Uma ocupação brasileira de seis anos foi o último ato de guerra da Tríplice Aliança, ou guerra do Paraguai, uma das mais cruentas já travadas nas Américas.
Liberais e colorados. As tropas brasileiras de ocupação abandonaram o país em 1876. Os mútuos receios existentes entre a Argentina e o Brasil tiveram como resultado serem as amputações territoriais sofridas pelo Paraguai bem menores que as desejadas pelos vencedores da guerra. Lentamente, o país foi-se reconstruindo, ao mesmo tempo que se formavam dois grandes partidos políticos, o Liberal e o Colorado. Mudanças de governo e golpes de estado foram freqüentes. Os colorados, que se consideravam  herdeiros do patriotismo de Solano López, governaram de 1887 a 1904, quando uma revolta deu o poder aos liberais. Estes o conservaram por três décadas.
Guerra do Chaco. As fronteiras entre Paraguai e Bolívia não estavam claramente delimitadas na imensa região do Chaco e, nas últimas décadas do século XIX, os bolivianos, privados de uma saída para o mar desde a guerra com o Chile, fizeram pressão para adiantá-las até o rio Paraguai, almejando uma ligação indireta com o Atlântico. Na segunda década do século XX foram encontrados indícios de petróleo no subsolo da região, e o governo boliviano, instado pelas grandes companhias petrolíferas, decidiu invadir o Chaco.
A guerra teve início em junho de 1932. Habilmente conduzido pelo general José Félix Estigarribia, o Exército paraguaio, embora menos armado, conseguiu conter e repelir os ataques bolivianos. Formados, em sua imensa maioria, por índios alheios aos móveis econômicos do conflito, os dois exércitos se enfrentaram durante vários anos. A guerra só terminou quando os Estados Unidos, que tinham interesse na exploração petrolífera, uniram-se aos esforços mediadores da Argentina, Brasil, Uruguai, Peru e Chile. Em junho de 1935 estabeleceu-se o cessar-fogo e três anos mais tarde foi assinado o tratado de paz. O Paraguai ficou de posse de três quartas partes do Chaco. A defesa daquela região pantanosa custara ao país mais de cem mil vidas.
Em 1936, oficiais conduzidos ao poder pela revolução empreenderam uma reforma agrária e adotaram uma série de medidas de estatização da economia. Três anos depois, as eleições foram vencidas pelo general Estigarribia, herói da guerra do Chaco e que não era filiado a nenhum dos partidos tradicionais. Morto em acidente aéreo em setembro de 1940, foi substituído pelo general colorado Higinio Morínigo, cujo governo, conservador, motivou uma revolta dos liberais em 1947. Morínigo foi destituído a seguir, por seu próprio partido. Depois de um período de instabilidade, o general Alfredo Stroessner, com o apoio do Exército e dos colorados, foi nomeado presidente em 1954, posto que conservou em sucessivas eleições.
Crescentemente vinculado ao Brasil, o Paraguai,  na segunda metade do século XX, iniciou um período de crescimento econômico baseado na afluência de capitais, com a realização de grandes obras públicas. Stroessner foi destituído em fevereiro de 1989 por um movimento militar encabeçado pelo general Andrés Rodríguez, e asilou-se no Brasil. Rodríguez foi eleito presidente. Em maio de 1993, Juan Carlos Wasmosy, do Partido Colorado, foi eleito presidente.´
Fonte: Enciclopédia Barsa.

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