quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

OS PORTUGUESES OCUPAM O CONTINENTE DO RIO GRANDE

No início do século XVIII, as terras situadas entre as cidades de Laguna (Santa Catarina) e o rio da Prata eram chamadas pelos portugueses de Continente do Rio Grande. Era uma grande área que estava começando a ser explorada e que compreendiam os atuais Rio Grande do Sul e Uruguai. Essas terras foram ocupadas lentamente e, por muitas vezes, os portugueses tiveram de enfrentar os povos indígenas, os padres jesuítas e os espanhóis.
            Temos que aqui lembrar que, quando do ataque dos bandeirantes, os jesuítas tiveram de fugir para o outro lado do rio Uruguai, abandonando o gado que criavam. O gado abandonado formou a chamada Vacaria do Mar, uma imensa reserva de animais que se estendia pelo pampa, ao sul do território. Logo que descobriram esta reserva, os portugueses passaram a utilizar esses animais de várias maneiras. Os habitantes da Colônia do Sacramento caçava o gado selvagem para deles obter o couro, que era mandado para a Europa.
            Mas foi a exploração do ouro, descoberto na região das Minas Gerais no século XVIII, que passou a exigir um grande numero de animais, como mulas e cavalos – utilizado nos transportes; e bois – utilizados na alimentação. O gado selvagem da Vacaria do Mar passou então a ser preado pelos chamados tropeiros. Esses tropeiros vinham de São Paulo e Laguna para as terras do Rio Grande. Após juntar uma boa quantidade de gado, os tropeiros levam os animais até a cidade de Sorocaba, na Capitania de São Paulo, onde era vendido para os mineiros.
A enorme quantidade de gado capturado provocou a devastação desses rebanhos. Com isso, por volta de 1730, muitos tropeiros e também alguns militares começaram a se fixar nas terras gaúchas e formarem fazendas para a criação de animais, surgia, dessa forma, as estâncias. Boa parte dessas estâncias estava localizada nos campos de Viamão. Nessa região a Coroa portuguesa começou a distribuir sesmarias.
            Para proteger o território do Continente do Rio Grande, a Coroa portuguesa criou em 1737 o presídio e o povoado de Rio Grande no canal que dá acesso a laguna dos Patos. O presídio chamado de Jesus-Maria-José, serviu também de ponto de apoio para a Colônia do Sacramento, frequentemente atacada pelos espanhóis. Além disso, possibilitou o povoamento da região por causa da vinda de centenas de pessoas que se instalaram nas áreas ao redor dele.
            O interesse da Coroa portuguesa pelas terras do Continente do Rio Grande aumento bastante por volta da metade do século XVIII. Por isso, em 1750, ela assinou com os espanhóis o Tratado de Madri. Já vimos que segundo este tratado, as terras dos Sete Povos das Missões pertenceriam a Portugal que, em troca, daria a Espanha, a Colônia do Sacramento. Com a intensão de povoar a região das Missões e de criar povoados que ajudassem a defender dos territórios do Sul do Brasil, a Coroa portuguesa incentivou a vinda de moradores da ilha dos Açores, ilhas do Atlântico que pertenciam a Portugal.
            Os açorianos que vieram para o Brasil eram em sua maioria jovens, casados e com poucos filhos. Eles foram estimulados a emigrar por causa do excesso de habitantes nas ilhas, o que fazia com que não houvesse terras para todos. De 1748 a 1753, chegaram ao Rio Grande do Sul cerca de 2500 açorianos. Eles foram atraídos por algumas promessas do governo português, como a concessão de uma data – pequena propriedade ou faixa de terra concedida a colonos ou mineradores durante o período colonial -; de alguns animais, de farinha no primeiro ano e de instrumentos agrícolas. além disso, os homens seriam dispensados do serviço militar. Muito dessas promessas não foram cumpridas. As datas, por exemplo, só foram entregues quase trinta anos depois da chegada dos açorianos.
            O objetivo inicial da Coroa lusa era que os açorianos ocupassem a região dos Sete Povos das Missões. Entretanto, os jesuítas e os índios resistiram  aos ataques dos portugueses e espanhóis e o Tratado de Madri acabou não sendo cumprido. Como não puderam ir para a região missioneira, muitos açorianos se instalaram nos arredores de Rio Grande. Outros se dirigiram para os campos de Viamão ou para a beira do rio Jacuí, onde foram obrigados a viver por conta própria, sem o ajuda da Coroa. Na região dos campos de Viamão, os açorianos ajudaram a formar diversas localidades como Santo Antônio da patrulha e Osório, que são cidades de forte presença açoriana. Muitos açorianos, acabaram por se instalar as margens do Guaíba, onde havia um porto, dando origem a um povoado que ficou conhecido como Porto dos Casais.
            A importância do Rio Grande foi crescendo. Em 1760 para facilitar a administração sobre a região, a Coroa lusa criou a Capitania de São Pedro do Rio Grande, com capital em Rio Grande. A invasão do sul da capitania pelos espanhóis em 1763, obrigou os portugueses a transferir a capital para Viamão. Os açorianos que haviam se instalado aos arredores de rio Grande tiveram que se deslocar para o norte. Para impedir o avanço dos espanhóis, muitos açorianos foram instalados em localidades ao longo do rio Jacuí, como Triunfo, Taquari e Rio Pardo, junto a guarnições militares. Em 1773, a capital da capitania foi transferida de Viamão para Porto dos Casais, que a partir desse momento passou a ser chamada de Porto Alegre. Essa mudança aconteceu principalmente por causa da localização privilegiada da nova capital, à beira do Guaíba: o controle desse porto era fundamental para impedir o avanço dos espanhóis em direção ao norte.
            Somente em 1770, a Coroa portuguesa entregou as datas aos açorianos. Dos casais que conseguiram ser assentados, muitos se dedicaram ao cultivo do trigo, que era vendido para o Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, se tornando uma economia importante para o Rio Grande. Alguns açorianos enriqueceram e chegaram a ter africanos escravizados. O cultivo do trigo, entretanto, logo entrou em declínio por causa da ferrugem, uma doença típica da lavoura de trigo e, principalmente devido a concorrência do trigo que vinha dos Estados Unidos.(Adaptado por Fabrício Colombo - fontes; História Ilustrada do RS e História do RS - Coleção História Regional).


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