terça-feira, 26 de março de 2013

A DANÇA DA FRONTEIRA: TRATADOS E INVASÕES

Os portugueses demonstravam um especial interesse pelas terras do Continente e da foz do rio da Prata. Por isso, essas regiões foram alvo de intensas disputas entre eles e os espanhóis. As disputas entre os dois lados fizeram com que os limites do que é hoje o Rio Grande do Sul ficassem indefinidos por um longo tempo.
            Em 1494, o Tratado de Tordesilhas dividia o Novo Mundo entre Espanha e Portugal. De acordo com essa divisão, as terras onde hoje fica o Rio Grande do Sul eram espanholas, já que a linha imaginária do tratado, passava pela cidade de Laguna, hoje Santa Catarina. Porém, a partir de 1580, as coroas de Espanha e Portugal foram unificadas, pois não havia um herdeiro para o trono lusitano. Assim, o rei da Espanha tornou-se também rei de Portugal. Essa união ficou conhecida como União Ibéria. Com isso, os comerciantes portugueses passaram a fazer negócios na cidade de Buenos Aires, hoje capital da Argentina. Daí, eles controlavam o comércio da prata de Potosí, uma imensa mina que ficava na atual Bolívia.
            Quando a União Ibérica terminou em 1640, os comerciantes portugueses foram expulsos de Buenos Aires. Para não perder seus negócios, eles exigiam a criação de um entreposto comercial na região do rio da Prata. Dessa forma, em 1680, a Coroa portuguesa cria a Colônia do Sacramento em frente a cidade de Buenos Aires, na outra margem do rio, onde hoje é o Uruguai. Os portugueses sabiam que segundo o Tratado de Tordesilhas, a Colônia do Sacramento estaria em terras espanholas. Mas resolveram aplicar um principio chamado de “uti possidetis”, ou seja, quem ocupasse a terra primeiro teria a posse delas. Os espanhóis não concordaram com isso. Por diversas vezes eles cercaram e ocuparam a cidade para expulsar os portugueses.
            Em 1750, espanhóis e portugueses assinaram um novo tratado: o Tratado de Madri. Segundo este tratado os índios aldeados nas missões deveriam se retirar para a outra margem do rio Uruguai e a região passaria a pertencer a Portugal que, em troca daria a Colônia do Sacramento para os espanhóis. Porém os índios e os padres jesuítas não concordavam com o tratado e resistiram aos ataques espanhóis e portugueses, que juntos queriam expulsa-los para o cumprimento do acordo.
            Por causa das dificuldades para a expulsão dos missioneiros e de uma série de atritos entre portugueses e espanhóis pela demarcação das terras, o Tratado de Madri acabou sendo anulado em 1761, e Portugal recuperou a Colônia do Sacramento.
            Entre 1756 e 1763 acontece a Guerra dos Sete Anos, que na Europa colocou os aliados franco-espanhóis em campos contrários à Inglaterra e Portugal. Esse fato trouxe reflexos para as terras na América do Sul. O território brasileiro e em especial o Rio Grande do Sul, sofreu três invasões espanholas. Em abril de 1763, a primeira invasão ocorre quando o Forte de Santa Teresa ficou sob a posse do governador de Buenos Aires, Cevallos. Em 1773, decorrente da segunda onda de invasões, que foram repelidas por Rafael Pinto Bandeira, a sede do governo foi transferida de Viamão para Porto Alegre. Em 1777, na terceira invasão, foi tomada a ilha de Desterro (Santa Catarina). Em fevereiro desse ano morreu o rei português D. José I, assumindo em seu lugar, Dona Maria I. seguiu-se logo um acordo de paz entre Portugal e Espanha, que seria o último ajuste diplomático entre os dois países durante o período colonial. Era o Tratado de Santo Ildefonso. Por esse tratado o Rio Grande do Sul teve o seu território diminuído, pois ficou estabelecido que a região das Missões ficaria sob domínio espanhol, o mesmo ocorrendo com a Colônia do Sacramento. Em troca Santa Catarina seria devolvida a Portugal. Outro item do tratado previa a criação dos Campos Neutrais, a região compreendida entre a lagoa da Mangueira e a lagoa Mirim, que não seria ocupadas nem por portugueses nem por espanhóis. O que a Espanha pretendia com esse acordo era por fim ao contrabando, mas obviamente esse item do acordo não passou de letra morta.
            Antes do Tratado de Santo Ildefonso, em 1768, os jesuítas foram expulsos das Missões que foram entregues a administração de civis espanhóis. Algumas décadas depois, em 1801, as terras missioneiras dos Sete Povos foram definitivamente incorporadas pelos portugueses. Para isso, foi definitivo o apoio de lideranças indígenas que não concordavam com a administração civil dos espanhóis. Entretanto, mesmo após 1801 as disputas fronteiriças continuaram, os limites atuais do Rio Grande do Sul só seriam estabelecidos nas Guerras do Prata em 1852.(Adaptado de - fontes; História Ilustrada do RS e História do RS - Coleção História Regional).

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