terça-feira, 30 de abril de 2013

O PERÍODO NAPOLEÔNICO

Napoleão Bonaparte chegou ao poder em 1799, em um momento em que a França atravessava uma grave crise institucional. Governado pelo Diretório o país enfrentava vários problemas de ordem econômica, politica e social e havia sofrido algumas derrotas em campanhas militares exteriores. A França estava à beira de um colapso. Nesse contexto, começou a ganhar destaque à figura do jovem general de apenas 30 anos, que graças as suas vitórias nos campos de batalha, parecia ser destinado ao ser “o homem forte” tão sonhado pela burguesia, aquele que traria novamente a paz e a ordem para a França. Em novembro de 1799, Napoleão derrubou o Diretório e criou o Consulado, concentrando em suas mãos a maior parte do poder. Em menos de um mês uma nova Constituição foi redigida e deu a ele o título de primeiro Cônsul da França.
Apoiando-se em seu prestigio, Napoleão promoveu reformas visando recuperar a economia francesa e as instituições, desgastadas após dez anos de revolução. Uma das primeiras medidas do seu governo foi reaproximar-se da Igreja Católica, cujas relações com o Estado encontravam-se rompidas desde o período do Terror. Para normalizar a economia, incentivou a industrialização, criou um banco nacional e uma nova moeda: o franco. Gerou uma grande quantidade de empregos ao iniciar um programa de obras públicas, coma construção de estradas e portos e a urbanização das cidades. Ao mesmo tempo anistiou os nobres que haviam se exilado no exterior, reorganizou o sistema de cobrança de impostos, promoveu reformas educacionais e editou um novo código civil: o Código Napoleônico.
O Código Napoleônico
Inspirado no Direito Romano, o Código Civil francês foi instituído em 1804 e ficou conhecido como Código Napoleônico. Esse conjunto de leis consolidou as grandes conquistas burguesas da Revolução e consagrou o fim dos resquícios feudais da sociedade francesa. Garantiu o direito de propriedade, proibiu a organização de sindicatos de trabalhadores, assegurou a igualdade de todos perante a lei, mas restabeleceu a escravidão nas colônias francesas.
O Império de Napoleão
        Em 1802 um plebiscito deu a Napoleão o título de cônsul vitalício. Dois anos depois outra consulta popular aprovou o fim do Consulado e a transformação da França em um Império. Com isso, a Primeira República chegava ao fim e Napoleão se autoproclamava imperador da França. Era a volta da monarquia e do poder centralizado nas mãos de um monarca.
Decidido em transformar a França em um grande império dá inicio a um projeto de expansão politico militar sobre o continente europeu anexando vários territórios, submetendo praticamente todo o continente ao seu poder. Apesar dessas vitórias, o principal rival da França, a Inglaterra não estava derrotada. Contando com uma poderosa esquadra naval, a Inglaterra era a nação mais desenvolvida da época. Sabendo que o poderio britânico estava amparado no comércio e na indústria, o governo de Napoleão proibiu as nações europeias de comercializar com a Inglaterra. Sua intenção era enfraquecê-la economicamente a ponto de deixa-la militarmente vulnerável. Os países que não participassem do boicote, conhecido como Bloqueio Continental, seriam atacados pelo exército napoleônico.
Para o plano dar certo, era necessário que todos os países europeus participassem do bloqueio. Espanha e Portugal, entretanto, não aderiram. Por essa razão, as tropas napoleônicas invadiram a península Ibérica e destituíram os reis de Espanha e Portugal, colocando em seu lugar José Bonaparte, irmão de Napoleão.
                   O Bloqueio Continental afetou realmente a Inglaterra. Em 1808 as fábricas têxteis inglesas acumulavam enormes estoques de tecidos sem conseguiu vende-los. Da mesma forma, as exportações de produtos de ferro diminuíram e a revenda de artigos provenientes das colônias britânicas foi afetada. Outra grande prejudicada foi à Rússia, que exportava para a Inglaterra matérias-primas destinada à construção naval. Em 1811, o czar Alexandre I rompeu com o boicote abriu os portos do país aos navios britânicos. Em represália, Napoleão declarou guerra à Rússia.
                   Em pouco tempo Napoleão reuniu um exército de 600 mil homens e partiu em direção a Moscou. Mas a invasão da Rússia se revelou um fracasso. Em vez de combater os franceses em campo aberto, os russos preferiram recuar, atraindo o inimigo para o interior do território. Na retirada queimavam os lugares por onde as tropas de Napoleão ainda iam passar, destruindo campos cultivados e abrigos. A tática conhecida como terra arrasada funcionou. Os suprimentos escassearam e muitos soldados franceses e animais morriam de fome. Em outubro de 1812, sem conseguiu um resultado positivo, Napoleão decidi retornar para França com suas tropas e aí encontrou um inimigo implacável pela frente: o rigoroso inverno russo. Na marcha de regresso, milhares de soldados morreram de frio e fome. Dois meses mais tarde, apenas 100 mil combatentes chegaram a Paris.
                   Com a primeira derrota militar de Napoleão, Inglaterra, Prússia, Rússia e Áustria formaram uma coalização e desfecharam um ataque fulminante à França. Abaladas com o fracasso da campanha na Rússia, as tropas napoleônicas não puderam deter o a do inimigo: no começo de abril de 1814, Napoleão abdicou ao trono e foi exilado para a ilha de Elba, no Mediterrâneo. Enquanto a França reorganizava o seu governo e conduzia ao trono Luís XVIII, representantes dos países europeus se reuniam em Viena na Áustria, para redefinir as fronteiras entre as nações do continente e restabelecer o equilíbrio de forças entre elas.
                   Em fevereiro de 1815, durante a realização do Congresso de Viena, Napoleão fugiu da ilha de Elba, desembarcou na França a frente de um numero de seguidores e marchou para Paris. Ao saber da noticia, Luís XVIII fugiu do país, deixando vago o trono. Sem encontrar resistência, Napoleão retomou o poder. O novo governo do imperador, porém, duraria pouco menos de cem dias. Sem um exército forte, Napoleão sucumbiu na Batalha de Waterloo. Afastado do poder, Napoleão foi mandado para a ilha de Santa Helena, no oceano Atlântico. Ali permaneceu até a sua morte em 1821. Na França, Luís XVIII foi reconduzido ao trono.

1 9 6 8 - A REVOLUÇÃO INESPERADA

“Havia um ar estranho: a revolução inesperada arrastara o adversário, tudo era permitido, a felicidade coletiva era desenfreada.” - Antonio Negri
“1968” foi o ano louco e enigmático do nosso século. Ninguém o previu e muito poucos os que dele participaram entenderam afinal o que ocorreu. Deu-se uma espécie de furacão humano, uma generalizada e estridente insatisfação juvenil, que varreu o mundo em todas as direções. Seu único antepassado foi 1848 quando também uma maré revolucionária - a “ Primavera dos Povos” -, iniciada em Paris em fevereiro, espalhou-se por quase todas as capitais e grandes cidades da Europa, chegando até o Recife no Brasil.
O próprio filósofo Jean-Paul Sartre, presente nos acontecimentos de maio de 1968 em Paris, confessou, dois anos depois, que “ainda estava pensando no que havia acontecido e que não tinha compreendido muito bem: não pude entender o que aqueles jovens queriam...então acompanhei como pude...fui conversar com eles na Sorbone, mas isso não queria dizer nada” (Situations X).
A dificuldade de interpretrar os acontecimentos daquele ano deve-se não só à “multipla potencialidade do movimento”como a ambiguidade do seu resultado final. A mistura de festa saturnal romana com combates de rua entre estudantes, operários e policiais, fez com que alguns, como C.Castoriaditis, o vissem como “uma revolta comunitária” enquanto que para Gilles Lipovetsky e outros era “a reinvidicação de um novo individualismo.”
Tornou-se um ano mítico porque “1968” foi o ponto de partida para uma série de transformações políticas, éticas, sexuais e comportamentais, que afetaram as sociedades da época de uma maneira irreversível. Seria o marco para os movimentos ecologistas, feministas, das organizações não-governamentais (ONGs) e dos defensores das minorias e dos direitos humanos. Frustrou muita gente também. A não realização dos seus sonhos, “da imaginação chegando ao poder”, fez com que parte da juventude militante daquela época se refugiasse no consumo das drogas ou escolhesse a estrada da violência, da guerrilha e do terrorismo urbano.
“1968” foi também uma reação extremada, juvenil, às pressões de mais de vinte anos de Guerra Fria. Uma rejeição aos processos de manipulação da opinião pública por meio dos mass-midia que atuavam como “aparelhos ideológicos” incutindo os valores do capitalismo, e, simultaneamente, um repúdio “ao socialismo real”, ao marxismo oficial, ortodoxo, vigente no leste Europeu, e entre os PCs europeus ocidentais, vistos como ultrapassados.
Assemelhou-se aquele ano aloucado a um calidoscópio, para qualquer lado que se girasse novas formas e novas expressões vinha a luz. Foi uma espécie de fissão nuclear espontânea que abalou as instituições e regimes. Uma revolução que não se socorreu de tiros e bombas, mas da pichação, das pedradas, das reuniões de massa, do autofalante e de muita irreverência. Tudo o que parecia sólido desmanchou-se no ar.
Voltaire Schilling

segunda-feira, 29 de abril de 2013

A ECONOMIA E A ESCRAVIDÃO NA CAPITANIA DE RIO GRANDE DE SÃO PEDRO

Já vimos anteriormente, que no inicio do século XVII, os bandeirantes vinham ao Rio Grande do Sul com o objetivo de capturar indígenas. Dessa forma, milhares de índios foram capturados e levados para trabalhar como escravos, principalmente na capitania de São Vicente. Entretanto, a maior parte dos trabalhadores cativos no Brasil colônia foi formada por negros que eram tirados de suas terras na África, constituindo o chamado tráfico negreiro, um lucrativo comércio de escravos inicialmente dominado pelos portugueses.
            No Rio Grande do Sul, a escravidão negra se fez presente desde os primeiros momentos da ocupação. Havia negros escravizados já nas primeiras viagens de tropeiros e os lagunenses que ocuparam os Campos de Viamão traziam indígenas e negros, que eram forçados a trabalhar como escravos em suas sesmarias.
            A primeira atividade econômica estabelecida pelos portugueses nas atuais terras do Rio Grande do Sul foi o apreamento do gado deixado pelos padres jesuítas quando da fuga do primeiro ciclo das reduções. Não demorou muito e os tropeiros começaram a se fixar no território, surgindo as primeiras estâncias de criação de gado. Nas estâncias que possuíam escravos, estes podiam trabalhar como capatazes ou peões cuidando do gado que era criado solto. Alguns deles também participavam do transporte das tropas de gado para o centro da colônia. Havia ainda trabalhadores escravizados que cuidavam sozinhos das estâncias na ausência de seus senhores que moravam afastados da sede da estância. Certamente havia fugas, mas boa parte dos escravos permanecia nas estâncias, pois podia receber alguma recompensa pelos serviços prestados. A vida fora da estância podia ser  tão ou mais difícil quanto a vida dentro dela. Muitas estâncias também possuíam pequenas lavouras de trigo, feijão e mandioca para a sua subsistência e havia algumas que cultivavam esses produtos para vender. O trigo, inclusive, gerou um breve ciclo de riqueza para alguns estancieiros.
            Geralmente o gado produzido na província do Rio Grande era enviado e vendido para a região das Minas Gerais, conduzido vivo pelos tropeiros através de estradas precárias. As dificuldades para o transporte aumentavam bastante o preço dos animais e diminuíam o ganho dos estancieiros. Com o tempo, para tentar solucionar esse problema, foi desenvolvida a produção do charque.
A produção de carne em terras gaúchas estava intimamente ligada a crescente necessidade de gêneros alimentícios no centro e no nordeste do Brasil, causado pelo aumento da população. Boa parte do charque destinava-se a alimentar os escravos que trabalhavam nas grandes propriedades agrícolas de São Paulo, Rio de Janeiro e outras províncias. O charque era produzido nas estâncias que eram chamadas de charqueadas, que se espalharam pela região da laguna dos Patos e da lagoa Mirim, destacando-se Pelotas como grande centro produtor. A produção era enviada para o centro da colônia via porto de Rio Grande.
Nas charqueadas, as condições de trabalho não eram boas, os escravos estavam sempre sob a ameaça de um feitor e frequentemente sofriam castigos, e as inúmeras tarefas que tinham que cumprir eram excessivas e árduas. Dessa forma, na década de 1780 ocorreu a mercantilização da economia rio-grandense, através do charque, pois era uma produção especializada para atender o mercado interno e da utilização da mão-de-obra escrava negra.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Romance improvável: homem moderno e neandertais

Desde 1998, quando uma ossada de 25 mil anos meio neandertal meio humana foi encontrada em Portugal, os cientistas andam se coçando com a hipótese de que as duas espécies tiveram relações, digamos, íntimas, por mais de 10 mil anos. Esse “affair” seria tão comum que pode ter sido a causa da extinção do neandertal: seus genes estariam circulando até hoje nas populações européias e descendentes. No começo do ano, porém, o italiano Giorgio Bertorelle, um geneticista que levou a sério a teoria, resolveu comprová-la. Para desalento dos diretores de filme B, o teste deu negativo.
A equipe de Bertorelle comparou o DNA mitocontrial de neandertais e humanos de hoje e de 24 mil anos atrás. Não encontrou nenhum traço neandertal nas pessoas, que, em compensação, guardam a herança genética do homem de Cro-Magnon – o hominídeo moderno que conviveu com a espécie extinta.
Mas os paparazzi da Idade da Pedra não devem guardar suas câmeras. O DNA mitocondrial não é um teste 100% garantido. Ele pode indicar somente a origem materna da pessoa, e não traça as características que ela vai ter. “Talvez estudos da linhagem masculina ou do DNA nucléico possam dar outro rumo para as pesquisas”, afirma Bertorelle. “Mas, até o momento, nada indica que os neandertais deixaram qualquer herança genética na população atual.”
Fabio Marton
 


quarta-feira, 24 de abril de 2013

HISTÓRIA DA VENEZUELA

Acredita-se que foi Américo Vespúcio quem deu nome à Venezuela. As casas sobre estacas em que viviam os indígenas das margens do lago Maracaibo recordaram ao navegante os palácios de Veneza e assim denominou o país "pequena Veneza", ou Venezuela. Os recursos naturais e especialmente as grandes jazidas de petróleo, exploradas desde a terceira década do século XX, impulsionaram o desenvolvimento do país.
A Venezuela divide com a Colômbia o extremo setentrional do continente sul-americano. Ocupa uma superfície de 912.050km2 e limita-se ao norte com o mar do Caribe, a nordeste com o oceano Atlântico, a leste com a Guiana, ao sul com o Brasil, e a sudoeste e oeste com a Colômbia. Há uma antiga disputa quanto a um território de 137.270km2, a oeste do rio Essequibo, administrado pela Guiana.
O litoral venezuelano do Caribe e do Atlântico, com quase três mil quilômetros de extensão, é recortado e de fisionomia muito variada. No extremo oeste do litoral caribenho se abre, entre as penínsulas de La Guajira e Paraguaná, o golfo da Venezuela, que se liga ao sul com o lago Maracaibo. Pertencem ao país as ilhas de Las Aves, Los Roques, Orchila, Blanquilla, Los Hermanos e, a pouca distância da península de Araya, a ilha Margarita. O golfo de Paria se abre no continente em frente à ilha de Trinidad, e o amplo delta do Orinoco ocupa grande parte da fachada atlântica.
O território venezuelano foi um dos primeiros habitados pelo homem na América do Sul, possivelmente há mais de 15.000 anos. No entanto, não há registros de que as terras que hoje pertencem à Venezuela tenham sido palco de uma grande civilização pré-colombiana, como ocorreu em outros países andinos e da América Central. Antes da chegada dos europeus, a região era habitada, em sua maior parte, por tribos que viviam do extrativismo, da caça e da pesca e que não possuíam uma organização social complexa. No primeiro milênio da era cristã, o litoral do mar do Caribe foi povoado por pacíficos índios aruaques, progressivamente deslocados pelos ferozes caribes. Tribos nômades viviam nos llanos, no sistema Parima e na Amazônia.
Descobrimento e colonização. Em sua terceira viagem à América, em agosto de 1498, Cristóvão Colombo ancorou suas naus na península de Paria, que o almirante tomou por uma ilha, denominando-a "terra de Gracia". Pouco depois, descobriu a ilha Margarita. Em 1499 Alonso de Ojeda navegou ao longo do mar do Caribe até o lago Maracaibo.Inicialmente, os espanhóis não tentaram apoderar-se da terra firme, pois a pesca da pérola em algumas ilhas próximas à costa nordeste os atraiu mais. O interesse decaiu com o esgotamento das ostreiras perlíferas, e o impulso colonizador se deslocou então para oeste, em direção a Caracas e Coro. O primeiro estabelecimento permanente espanhol foi Cumaná, fundada em 1523. Durante vários anos, até 1546, se sucederam infrutíferas expedições alemãs pelo interior em busca de pedras preciosas.Na segunda metade do século XVI, teve início a atividade agrícola, baseada no trabalho escravo. Caracas foi fundada em 1567 e no fim do século havia mais de vinte núcleos de colonização nos Andes venezuelanos e no litoral do mar do Caribe. As planícies e a região do lago Maracaibo foram sendo ocupadas gradualmente nos séculos XVII e XVIII por missões católicas.
O panorama econômico e cultural mudou profundamente no século XVIII. Em 1717 o país deixou de depender da audiência de Santo Domingo para incorporar-se ao vice-reino de Nova Granada, com sede em Bogotá. Em 1725 a Real e Pontifícia Universidade de Caracas começou a promover o ensino. Três anos mais tarde se criou, com o respaldo real, a Companhia Guipuzcoana de Caracas, que detinha o monopólio da venda do cacau à metrópole e das mercadorias espanholas à Venezuela. Sua missão era também reprimir o tráfico de escravos, que tinha como principal centro a ilha de Curaçao, e as incursões estrangeiras ao território venezuelano. Seus interesses contrariavam, no entanto, os dos produtores venezuelanos, que forçaram a dissolução da companhia na década de 1780.
Independência. Depois da fracassada conspiração de Manuel Gual, em Caracas, em 1797, tampouco teve êxito o desembarque de Francisco de Miranda, com uma pequena expedição de patriotas, organizada nos Estados Unidos e financiada pela Inglaterra, em 1806. Depois que a Espanha caiu em poder de Napoleão, os criollos (brancos nascidos na colônia) de Caracas depuseram, em 1810, os representantes espanhóis e estabeleceram uma junta governativa local, com a finalidade oficial de salvaguardar os direitos do rei espanhol Fernando VII, preso na França dois anos antes por Napoleão. Unindo-se aos representantes de outras partes do país, no entanto, a junta governativa declarou a independência em 5 de julho de 1811. Miranda, que retornara à América chamado por Simón Bolívar, assumiu o comando da nova república.
A reação realista foi favorecida pelo terremoto de 1812, que quase só atingiu Caracas e as povoações rebeldes. Os patriotas foram traídos e derrotados em Puerto Cabello. Miranda, que assinara a capitulação e ia embarcar para o Reino Unido, foi detido por Bolívar e enviado preso à Espanha, onde morreria em 1816. Bolívar recebeu salvo-conduto para Curaçao.No início de 1813, a junta revolucionária nomeou Bolívar comandante das forças venezuelanas. Filho de ricos fazendeiros criollos, era um dos líderes do movimento de independência. Sofreu diversas derrotas em sua luta contra as forças espanholas, mas foi ajudado pela nova República do Haiti e por uma legião estrangeira de soldados britânicos e irlandeses. Com capital em Bogotá, a República da Grande Colômbia, que reunia Nova Granada e Venezuela, foi proclamada em 17 de dezembro de 1819. Em 24 de junho de 1821, Bolívar derrotou o exército realista na batalha de Carabobo. As últimas forças realistas capitularam em Puerto Cabello, em 9 de outubro de 1823. No ano seguinte, Bolívar marchou em direção ao sul para libertar o Peru e, em 1825, conseguiu dar fim ao domínio espanhol sobre a Bolívia.Durante sua ausência, contudo, irromperam rivalidades regionais na Grande Colômbia, e o prestígio de Bolívar não foi suficiente para manter o país unido até sua volta. Em 1829, a Venezuela se separou, e o Equador fez o mesmo pouco tempo depois. No ano seguinte, Bolívar morreu perto da cidade colombiana de Santa Marta, sem ter conseguido realizar o sonho de unir a América hispânica.
Oligarquia conservadora. Bolívar havia deixado o general José Antonio Páez como chefe militar civil da Venezuela. Páez logo extrapolou seu poder e deu apoio ao movimento separatista da Grande Colômbia. Em 1831, um congresso constituinte proclamou a independência da Venezuela e elegeu Páez presidente. A constituição, conservadora, criava um estado centralista, restringia o voto aos proprietários de terras e mantinha a escravidão.
O general dominou a vida política do país até 1848. Foi eleito presidente de 1831 a 1835 e de 1839 a 1844. Seu governo representou para a Venezuela uma fase de estabilidade, na qual se reconstruiu a economia, enfraquecida pelos muitos anos de guerra. Prosperaram então as culturas de cacau e café, base do comércio exterior do país.
Em 1840, Antonio Leocádio Guzmán fundou o Partido Liberal, cuja base social era a burguesia média progressista das cidades, que reivindicava a extensão do direito ao voto e a abolição da escravatura. Guzmán criou um jornal, El Venezolano, que se converteu em porta-voz das aspirações liberais. A crise econômica que se produziu em meados da década, motivada pela queda dos preços do café e do cacau no mercado internacional, favoreceu o crescimento da oposição aos governos conservadores. Nas eleições presidenciais de 1846, saiu vitorioso o general José Tadeo Monagas, que, embora conservador, buscou o apoio dos liberais contra a maioria conservadora do Congresso. Páez se sublevou, mas foi derrotado e obrigado a exilar-se em 1848.
De 1846 a 1858, alternaram-se na presidência os irmãos José Tadeo e José Gregorio Monagas. Os dois estabeleceram um regime ditatorial e populista que limitava a liberdade de ação do Congresso. As reformas postuladas pelos liberais, em sua maior parte, não saíram do papel: aprovaram-se leis que aboliam a escravidão, estendiam o direito de voto, baniam a pena de morte e limitavam as taxas de juros, que, no entanto, nunca foram implementadas. Em 1857 José Tadeo Monagas tentou impor uma nova constituição ao país, que estendia o mandato presidencial de quatro para seis anos e eliminava todas as restrições à reeleição. Liberais e conservadores se uniram, porém, contra ele e conseguiram que abandonasse o poder em março do ano seguinte.
Inaugurou-se um período de agitação política, com as chamadas guerras federalistas (1858-1863) -- conservadores centralistas contra liberais federalistas. O general Páez retornou em 1861 e restaurou a hegemonia conservadora por dois anos, mas foi derrotado em 1863 pelas forças federalistas do general Juan Falcón. A constituição de 1864 incorporou as idéias federalistas, mas o governo de Falcón não foi bem-sucedido. Em 1868, estalou novamente a guerra civil, da qual saiu vencedora a facção liberal de Antonio Guzmán Blanco, que governou o país ditatorialmente de 1870 a 1888, quando foi deposto. Guzmán introduziu algumas reformas econômicas e educacionais progressistas, mas seu governo personalista trouxe prejuízos ao país.
De 1888 a 1892, líderes civis tentaram estabelecer governos representativos até que o general Joaquín Crespo assumiu o poder. Durante os seis anos de seu governo, Crespo teve que enfrentar uma permanente desordem civil. A antiga disputa com o Reino Unido pela definição da fronteira entre a Venezuela e a Guiana britânica se inflamou depois que se descobriu ouro na região em litígio. Um tribunal internacional, reunido por iniciativa dos Estados Unidos, deu parecer favorável ao Reino Unido, em 1899, mas a sentença nunca foi reconhecida pela Venezuela.
Ditaduras andinas. Com a morte de Joaquín Crespo, o general Cipriano Castro, do estado de Táchira, ocupou Caracas em 1899 e assumiu a presidência. Durante os 46 anos seguintes, quatro militares de Táchira tomaram sucessivamente o poder. No governo de Castro, o país foi conturbado por revoltas internas e intervenções externas. Em 1908, Castro viajou para a Europa e deixou o general Juan Vicente Gómez interinamente na presidência. Este último se manteve no poder até morrer, em 1935. Nesses 27 anos, a presidência foi exercida ou pelo próprio Gómez, que governou despoticamente, anulando a oposição e silenciando a imprensa, ou por títeres seus.
Nessa época, já se tinha descoberto petróleo na Venezuela e as condições vantajosas oferecidas por Gómez atraíram as companhias estrangeiras, que passaram a controlar sua exploração. Ao final da década de 1920, a Venezuela era o país que mais exportava petróleo no mundo. Um pouco mais liberal e progressista foi o general Eleazar López Contreras, que substituiu Gómez e governou até 1941. O general Isaías Medina Angarita, que tomou o poder depois de López, restaurou as liberdades civis e tentou criar uma base popular para seu governo. Com o declínio da exploração petrolífera durante a segunda guerra mundial, a renda nacional baixou e Medina modificou os contratos com as companhias estrangeiras de petróleo.
Consolidação da democracia. Em 1945, um grupo de oficiais do Exército, aliado ao Partido de Ação Democrática, depôs Medina. O líder do partido, Rómulo Betancourt, chefiou uma junta civil-militar, que governou por decreto durante 28 meses. A constituição de 1947 reproduziu as idéias trabalhistas do partido. O romancista Rómulo Gallegos, eleito para a presidência pela Ação Democrática, governou apenas nove meses, devido sobretudo às medidas que tomou contra os militares enriquecidos ilicitamente durante a ditadura e à tentativa de aumentar os royalties estatais sobre o petróleo e apressar a reforma agrária. Foi deposto por um golpe militar.
Formou-se então uma junta militar, liderada por Carlos Delgado Chalbaud e Marcos Pérez Jiménez. O assassinato do primeiro, dois anos mais tarde, deixou livre o caminho para Jiménez, que impôs sobre o país um novo governo pessoal, proibindo toda oposição e ignorando o resultado das eleições de 1952. A época de Pérez Jiménez se caracterizou pela modernização da capital, em detrimento do programa de reformas sociais que havia elaborado o governo democrático anterior. Um golpe de estado derrubou-o em 23 de janeiro de 1958 e levou ao poder, provisoriamente, uma junta civil-militar presidida por Wolfgang Larrazábal.
Na eleição de dezembro do mesmo ano, livre e honesta, venceu Rómulo Betancourt. Seu segundo governo caracterizou-se por um esquerdismo mais moderado, que permitiu a colaboração da Ação Democrática com o segundo grande partido político do país, o Comitê de Organização Política Eleitoral Independente ou COPEI (logo denominado Partido Social Cristão), e ampliou a base social do governo democrático. Lançaram-se planos de modernização agrícola e industrial e de promoção da saúde e da educação. Em março de 1960 foi promulgada uma lei de reforma agrária de caráter moderado. No ano seguinte, aprovou-se uma nova constituição para o país.
O governo de Betancourt foi abalado por várias tentativas de golpe militar, assim como por uma forte depressão econômica. A oposição ao presidente Trujillo, da República Dominicana, motivou, em 1960, um atentado contra a vida do presidente praticado por agentes dominicanos. No ano seguinte, deterioraram-se também as relações com Cuba, em resposta ao apoio do governo de Fidel Castro à guerrilha venezuelana.
A eleição presidencial de 1963 deu a vitória a Raúl Leoni, da Ação Democrática, por uma pequena margem. Leoni formou um governo de coalizão com a União Republicana Democrática, de esquerda. Um novo período de prosperidade na indústria petrolífera permitiu acelerar os projetos econômicos e sociais do governo, que em poucos anos construiu uma poderosa indústria petroquímica. As eleições de 1968 foram vencidas, contudo, pela oposição social-cristã, que instalou na presidência seu dirigente, Rafael Caldera. Pela primeira vez na história da Venezuela, o poder passava a um sucessor da oposição sem que fosse alterada a normalidade constitucional.
O programa de Caldera não diferia substancialmente do de seu antecessor. O presidente melhorou as relações do país com Cuba, com a União Soviética e com os ditadores militares da América Latina. No início da década de 1970, o país passou a deter controle majoritário sobre os bancos privados estrangeiros e sobre a indústria de gás natural. As eleições de dezembro de 1973 deram o poder a Carlos Andrés Pérez, líder da Ação Democrática. O novo presidente redobrou os esforços governamentais para dotar o país de uma infra-estrutura industrial, e nacionalizou a indústria de minério de ferro, em 1975, e de petróleo, no ano seguinte. Em virtude da súbita alta dos preços do petróleo provocada pela guerra árabe-israelense de 1973, a Venezuela, como membro-fundador da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), quadruplicou seus lucros com a venda de petróleo. Uma onda consumista sacudiu o país, cuja frágil estrutura econômica foi incapaz de absorver a nova riqueza sem experimentar aumento da inflação.
O agravamento da crise econômica, devido à queda dos preços do petróleo no mercado internacional, persistiu durante o governo do social-cristão Luis Herrera Campíns, eleito em 1978, e gerou inquietação social. Em dezembro de 1983, elegeu-se Jaime Lusinchi, líder da Ação Democrática, que logo lançou um programa de austeridade econômica. Em 1988, Carlos Andrés Pérez reelegeu-se e adotou novas medidas restritivas que geraram forte insatisfação popular e diversas tentativas de golpe militar, lideradas pelo coronel Hugo Chávez Frías.
Em 1993, Pérez foi destituído, depois de condenado em processo de impeachment por corrupção (que um ano depois o levou para a cadeia), e substituído pelo presidente do Senado, Octavio Lepage. Em dezembro do mesmo ano, o ex-presidente Rafael Caldera reelegeu-se. Em 1994, as dificuldades econômicas, que incluíam a queda no crescimento e o aumento do desemprego e da pobreza, levaram o governo a suspender as garantias constitucionais relativas às atividades econômicas durante três meses, a controlar os preços e a intervir no mercado financeiro, entre outras medidas.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Um por todos e todos por... D•Artagnan

Na ficção, ele foi único, símbolo da elegância e do poder dos que defendiam o absolutismo francês no século 17. Na realidade, foram dois os homens que inspiraram as aventuras do mais famoso dos mosqueteiros de sua majestade
Charles Batz de Castelmore era um mosqueteiro. Nasceu em 1611 e morreu em combate na batalha de Maastricht, em 1673, depois de uma vida a serviço do rei de França. Além da fama de excelente espadachim e de uma brilhante carreira militar, ele deixou outro legado. Um livro de memórias publicado em 1700 por um escritor cuja importância foi apagada pelo tempo, mas que se tornou um documento para entender a centralização do poder na França no século 17, e que deu origem a um dos personagens mais conhecidos no mundo da ficção. O sobrenome Batz de Castelmore foi esquecido, mas o nome que Charles herdou da família da mãe foi alçado à condição de mito por outro escritor, este um dos mais populares da história da literatura: Batz de Castelmore tornou-se o conde D’Artagnan.
No romance Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas, D’Artagnan, um nobre empobrecido, chega a Paris, montado num cavalo amarelo, em busca de aventuras e fortuna. Lá, conhece Aramis, Porthos e Athos, mosqueteiros do rei Luís XIII, que o admitem no grupo. Os quatro envolvem-se na luta cotidiana contra os homens do cardeal Richelieu – o poderoso primeiro-ministro da França. O país vivia um clima de guerra civil e D’Artagnan se mete nas intrigas palacianas, luta pela honra da rainha, vence e cobre-se de glórias.
A história ultra-romântica de Dumas, escrita em 1843, 200 anos depois dos fatos relatados, portanto, eram para parecer verdadeiras. Mas, jamais, para serem tomadas como uma narrativa fiel de fatos históricos. Seu propósito era aquele próprio do folhetim: divertir. Por isso, muita gente pode surpreender-se ao saber que D’Artagnan existiu. Não como o herói romântico, mas como um guerreiro leal e dedicado ao trono francês. O livro foi fiel às memórias de D’Artagnan, só que elas eram inventadas. O autor, Gatien de Courtilz de Sandraz, pode até tê-lo conhecido, mas certamente não colheu o depoimento do mosqueteiro (o livro foi publicado em 1700, 27 anos depois da morte do suposto narrador).
Sobre o verdadeiro D’Artagnan sabe-se que foi realmente um mosqueteiro do rei, nome dado aos componentes da guarda de elite criada para proteger o rei Luís XIII, em 1622. Era um pequeno exército formado por cerca de 200 homens armados com o que havia de mais moderno na época. Para ser aceito na turma, além de ser um excelente soldado, capaz de combater a pé, a cavalo ou na infantaria, o sujeito precisava jurar fidelidade ao rei e estar disposto a morrer em seu nome. O que não era lá muito difícil na atribulada Paris daqueles dias. A criação da Companhia dos Mosqueteiros do Rei fazia parte da complexa política de Estado e, sobretudo, das perigosas relações entre a nobreza. Quando Luís XIII tornou-se rei, em 1614, a Europa passava por um período turbulento, conhecido como Reforma Religiosa. Protestantes e católicos brigavam pelas almas dos fiéis e pelo controle de reinos, entre eles o francês. Por isso, Luís XIII esforçava-se para conter a sede de poder dos nobres num país dividido pela fé. Mantendo o governo e a economia com rédeas firmes e ajudado pelo primeiro-ministro e líder católico, o cardeal Richelieu, Luís XIII transformou a França numa potência militar e econômica.
Os mosqueteiros eram uma das peças mais importantes do jogo de interesses da corte francesa naquela época. Recrutados entre os mais corajosos cavaleiros da pequena nobreza do país, formavam uma milícia particular do monarca, tornando-se um símbolo importante do seu poder absoluto. “Os mosqueteiros eram a companhia favorita do rei, que gostava de treiná-los pessoalmente em jogos de tiro e em caçadas”, diz o historiador francês Claude Dufresne, especialista na obra de Dumas. “Como a guarda era uma prerrogativa do rei, era natural que existisse uma hostilidade entre a nobreza e os mosqueteiros.”
Nessa época, o próprio Richelieu criou para si uma pequena tropa de elite. Não demorou muito para que as duas facções se estranhassem. No romance de Dumas, essa rivalidade é explorada ao máximo. D’Artagnan e seus amigos volta e meia topavam com os homens do cardeal e começavam uma briga. Como a popularidade do rei era cada vez maior que a de Richelieu, os fiéis defensores do cardeal são os vilões do livro. “Contudo, na realidade, as duas companhias de mosqueteiros serviram ao mesmo propósito – proteger os poderes do rei e de seu governo e muitas vezes agiram juntas”, afrima o pesquisador francês Théophile Monier, autor do verbete sobre os mosqueteiros no clássico L’Art de la Guerre.
O certo é que o verdadeiro D’Artagnan jamais duelou com os homens de Richelieu. Charles Batz, nascido em 1611, teria entrado para a companhia dos mosqueteiros apenas em 1644 e, portanto, não serviu a Luís XIII, como está no romance, mas a Luís XIV, que, depois da morte do antecessor e de Richelieu, uniu seus homens aos do cardeal – sinal de que as rivalidades entre eles não deviam ser tão radicais como no livro. Mas ele, de fato, se tornou homem de confiança do rei: em 1658, comandou o cerco aos revoltosos de Dunquerque, no norte da França. Em 1659, liderou a tropa que protegeu o comboio real durante o casamento de Luís XIV com a infanta da Espanha, Maria Teresa. Em 1661, com a morte do cardeal Mazarin (que, de certa forma, foi o Richelieu de Luís XIV), ficou ainda mais próximo do trono, até assumir, em 1667, o posto de capitão-tenente. Na guerra contra a Holanda, em 1673, D’Artagnan caiu em combate, à frente de suas tropas, durante o cerco a Maastricht.
Mas o mais surpreendente sobre a história do real D’Artagnan é que Charles de Batz não teria sido o único a inspirar Alexandre Dumas. “Ele misturou a vida de Charles Batz com a de outro D’Artagnan, Pierre de Montesquiou, que viveu entre 1645 e 1725, foi marechal do Exército francês e primo de Charles”, diz Dufresne. O segundo D’Artagnan também foi mosqueteiro e tomou parte nas mais importantes batalhas de seu tempo. E não foram poucas, já que Luís XIV não foi um rei famoso por sua diplomacia com os vizinhos. Pierre foi governador de Arras, que, na complexa geografia da França do século 17, manteve-se fiel à Coroa espanhola até 1640 e que veio a demonstrar com fervor sua adesão à França no século 18, sob o reinado de Luís XV. Um dado curioso é que suas tropas, em Arras, passaram a utilizar fuzis, e não mosquetes, num regimento que passou a ser chamado de D’Artagnan, em homenagem a ele.
Na história da França, os mosqueteiros foram extintos por Luís XVI em 1775, por razões financeiras. Uma péssima jogada. Pouco mais de 15 anos depois, durante a revolução de 1789, uma turba de franceses furiosos levaria a família real para a guilhotina. As tropas de elite que protegiam os reis da França fizeram falta, o que custou as cabeças coroadas de Luís XVI e sua mulher, Maria Antonieta.
Haroldo Ceravolo Sereza

 


segunda-feira, 22 de abril de 2013

PÉGASO

O cavalo comum é um símbolo tradicional do desejo carnal. Os centauros, metade homens, metade cavalos, são monstros que representam a identificação do ser humano aos instintos animalescos. O cavalo alado, ao contrário, é símbolo da sublimação e da imaginação criadora.
Pégaso, segundo a mitologia grega, nasceu do sangue da Medusa, após ser esta decapitada por Perseu. Atena domesticou o cavalo alado e ofereceu-o ao herói grego Belerofonte, para que combatesse a Quimera. Com ele, Belerofonte tentou aproximar-se do Olimpo, mas Zeus fez com que Pégaso corcoveasse, provocando a queda do cavaleiro, que morreu. Transformado em constelação, o cavalo passou desde então ao serviço de Zeus.
Pégaso vivia no Parnaso, no Hélicon, no Pindo e na Piéria, lugares freqüentados pelas Musas, filhas de Zeus e Mnemósine, e onde o cavalo alado costumava pastar. Com um de seus coices, fez nascer a fonte de Hipocrene, que se acreditava ser a fonte de inspiração dos poetas. Na literatura clássica há numerosas alusões às fontes de inspiração. A história de Pégaso tornou-se um dos temas preferidos da literatura e das artes plásticas gregas.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

MICKEY


Mickey Mouse  é um personagem de desenho animado e que se tornou o símbolo da The Walt Disney Company. O personagem foi criado em 1928 por Walt Disney e o desenhista Ub Iwerks e dublado por Walt Disney. The Walt Disney Company celebra seu aniversário em 18 de novembro de 1928, que é a data de lançamento de Steamboat Willie, embora até meados dos anos 1980 a data fosse comemorada em 28 de setembro. O camundongo antropomórfico evoluiu de ser simplesmente um personagem de desenhos animados e quadrinhos para se tornar um dos símbolos mais conhecidos do mundo. Uma curiosidade é a que Mickey Mouse estaria sob domínio público desde 1998 — a proteção dos direitos autorais nos Estados Unidos só dura setenta anos —, não fosse a aprovação pelo congresso americano da lei de prorrogação do copyright (lei essa que ganhou o apelido de Lei Mickey) que expandiu por 20 anos os direitos autorais de todas as obras americanas que não tivessem caído ainda em domínio público, o que faz com que tal situação só ocorra em 18 de novembro de 2018.
As origens do personagem
O personagem Mickey foi criado em 15 de maio de 1928, no curta animado mudo Plane Crazy. O primeiro desenho sonoro foi Steamboat Willie, e este é muitas vezes erroneamente apontado como sendo a primeira aparição definitiva do personagem. Sua reprodução vocal (dublagem) a partir de Steamboat Willie era desempenhada pelo próprio Walt Disney (entre 1928 e 1946). Evoluiu de um simples personagem de cartooning e tiras cómicas para um dos personagens mais conhecidos do mundo. Depois de Walt Disney, foi James G. MacDonald que assumiu a vocalização do Mickey e em 1977 Wayne Allwine, um aprendiz de James G. MacDonald que foi a voz do Mickey até a sua morte em 2009. Atualmente, Mickey é dublado por Bret Iwan.
Inicialmente batizado de Mortimer, o personagem teve seu nome alterado para Mickey Mouse por sugestão de Lillian, esposa de Walt Disney, que considerava o primeiro nome formal demais para o personagem. Inicialmente, Mickey bebia e fumava, mas a popularidade que ganhou em pouco tempo foi tão grande que Walt Disney resolveu torná-lo politicamente correto já em 1930. Disney considerava o camundongo um amuleto, já que seu sucesso quase imediato em 1928 fez com que saísse da miséria, portanto rechaçou diversas tentativas de seus sócios e subordinados de "matar" o personagem ainda nos anos 1930.Ele dizia (e sua esposa concordava): "Nunca liguei para garotas e continuo não ligando. Amo Mickey Mouse mais do que qualquer mulher que já conheci."
Na banda desenhada (no Brasil, histórias em quadrinhos) atual, os seus melhores amigos são Pluto e Pateta e a sua namorada é Minnie. Há uma linha de histórias em que aparece o personagem Esquálidus, criado por Floyd Gottfredson. Em certas histórias, Mickey costumava andar com o Pato Donald (segundo a tradução brasileira, ambos moram na mesma cidade, Patópolis), mas os universos dos dois são separados.
Tipicamente, Mickey surge em calções vermelhos e sapatos amarelos, uma homenagem que seu criador, Walt Disney, fez à Ordem DeMolay, da qual era membro. Em outras linhas de histórias, são abordados variadíssimos temas; numa delas, Mickey é um detetive, e veste casaco e todo o traje costumeiro. Um dos temas mais conhecidos é o duelo constante com o inimigo Bafo-de-Onça e, noutro tema, também enfrenta o Mancha Negra.
As tiras de Mickey foram publicadas pela primeira vez no Brasil na revista O Tico Tico em 1930, nessa publicação Mickey era chamado de Ratinho Curioso. Atualmente em Portugal e no Brasil a publicação das revistas de banda desenhada cabe à Editora Abril. Além de seu próprio título mensal, Mickey foi destacado como personagem num dos manuais Disney e no Grande Livro Disney (1977).
Nas dublagens brasileiras, o personagem foi dublado inicialmente por Luís Manuel nos anos 60 até meados dos anos 70 (mais tarde Luís chegou a dublar Mickey novamente, algumas vezes nos anos 90, na redublagem de Como é Bom se Divertir, e em em curtas dublados nos estúdios Sincrovídeo, e Delart para VHS como "Os Maiores Sucessos do Pateta", e outros). Por volta de 1973/74 o personagem foi assumido por Cleonir dos Santos, substituíndo Luís Manuel (Cleonir fazia o Donald algumas vezes, nas dublagens onde Luís Manuel fazia o Mickey). Para muitos, Cleonir foi o dublador mais marcante de Mickey no Brasil, pois foi o único dentre os dubladores que fez uma voz diferente da voz do dublador original americano e dublou o personagem para televisão até o início dos anos 90 (segundo entrevista do próprio Cleonir para a revista Animação em 1995). No início dos anos 90, com o lançamento dos VHS da Disney, o Mickey ganhou a voz de Orlando Viggiani (mais parecida com a voz original feita por Luís Manuel nos anos 60). Mickey já foi feito também por Nizo Neto (em alguns episódios), Manolo Rey (em "Uma Cilada para Roger Rabbit"), Sérgio Moreno (em produções modernas), e atualmente é dublado por Guilherme Briggs em "A Casa do Mickey Mouse". Em Portugal, a dublagem era a mesma utilizada no Brasil até ao momento em que Portugal passou a fazer as suas próprias dublagens, e desde então a voz do personagem é dublada pelo ator Rui Paulo.
Fonte:Wikipédia


quarta-feira, 17 de abril de 2013

GUERRAS DE INDEPENDÊNCIA DA ESCÓCIA

Dentro da história escocesa, o período do final do século XIII até meados do XIV é destacado com o nome de "Guerras de Independência". Nele, a Escócia se envolve em uma série de conflitos pela emancipação perante os ingleses. A Inglaterra era um país muito mais poderoso, que conseguira, mesmo que parcialmente, subjugar os seus vizinhos, e tinha como ambição maior conquistar a França. As guerras de independência são duas: a primeira, no seu início (1296-1305), foi liderada por William Wallace, um plebeu; posteriormente, Robert the Bruce  assume a luta (1306-1328), e é coroado rei da Escócia; a segunda guerra (1332 - 1346) é conduzida por membros da nobreza escocesa. A Inglaterra do rei Eduardo I desejava expandir sua influência sobre a Escócia, mas a estratégia inicial foi frustrada pela morte da herdeira ao trono escocês, noiva do filho de Eduardo I. A segunda, de promover um rei fraco ao trono, foi frustrada por William Wallace, que se recusou a submeter-se ao domínio inglês. Dentro de um ano, Wallace, cuja esposa foi assassinada por um xerife local Inglês, liderou uma rebelião em todo o país, mas terminou caçado e morto. Robert the Bruce tentou ganhar influência entre os ingleses, mas desafiou abertamente Eduardo I, coroando-se rei sem sua licença. Eduardo enviou um exército que o derrotou de tal maneira, que Bruce precisou se esconder por um ano. Quando finalmente reapareceu, mudou de estratégia, obtendo sucesso mantendo uma guerrilha. O rei inglês seguinte, Eduardo II, não se opôs à influência de Bruce na Escócia. No seu reinado, a Inglaterra concorda em reconhecer a Escócia como um reino independente, devendo apenas lealdade nominal à Inglaterra. Considerado um rei forte, Robert the Bruce estabeleceu a independência da Escócia.
Com a morte de Bruce e a ascensão de Eduardo III na Inglaterra, a situação voltou a ser instável. Eduardo III não aceitava a humilhação de perder a Escócia, e lançou nova ofensiva. Em geral, as batalhas da Segunda Guerra de Independência foram vencidas pelos ingleses, mas tornou-se difícil para estes também, porque Inglaterra e França estavam em guerra ao mesmo tempo, e os franceses se ofereceram para "ajudar" os escoceses na resistência aos ingleses.
Davi II, o segundo monarca escocês, passou boa parte do seu reinado preso ou exilado, e a Escócia era governada de fato por Roberto, neto de Bruce. Quando Davi II morreu sem herdeiros, os escoceses insistiram em coroar Roberto II rei, embora, naturalmente, este fosse contestado pela Inglaterra. Sob Roberto II, a guerra com a Inglaterra degenerou em ataques de fronteira, numa fase histórica conhecida como Guerras Anglo-Escocesas. Durante todo o século seguinte a Inglaterra se concentraria na Guerra dos Cem Anos com a França, o que permitiu que os Stuarts, começando com o reinado de Roberto II em 1471, governassem a Escócia pelos próximos 217 anos.
Emerson Santiago.



terça-feira, 16 de abril de 2013

VOTO NULO E VOTO BRANCO

Voto nulo e voto em branco são os nomes atribuídos a duas modalidades de abstenção de uma consulta eleitoral qualquer. Originário tanto do erro da manifestação de voto como uma forma de protesto ou desinteresse pela eleição, os votos brancos ou nulos são geralmente excluídos da contagem final de votos, considerando-se apenas os restantes, os votos válidos.
Voto em branco é o voto não manifestado, ou a ausência de voto. Nas eleições realizadas através de cédula de papel, basta que o eleitor não preencha nenhum campo do documento. No Brasil, onde foi implantado já há algum tempo o sistema de urna eletrônica  para todos os pleitos, em todas as regiões do país, há uma opção específica, um botão entre as opções de voto, com a cor branca, que permite que o eleitor faça a escolha consciente pelo voto em branco, validando a sua opção com a tecla "confirma".
Já o voto nulo é, em quase todos os casos, a forma velada e consciente de protesto ou alienação perante a consulta, ou mesmo um erro de algum eleitor ainda não familiarizado com o procedimento de votação. No voto em cédula, um voto nulo é aquele onde há uma rasura que não condiz com o formulário, ou ainda um nome, marca, mensagem ou assinatura qualquer estranha à formalidade requerida. Na urna eletrônica não há uma opção específica para se anular o voto, sendo necessário que o eleitor use as teclas para confirmar um número que não pertence ao rol de candidatos aptos.
De acordo com a interpretação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), votos nulos e brancos não são considerados; a rigor, é como se não existissem, são computados pela Justiça Eleitoral apenas para utilização em pesquisas estatísticas. Enfim, não são considerados votos válidos. Os votos em branco, porém, eram de acordo com o Código Eleitoral de 1932, incluídos no cálculo do quociente eleitoral, que serve para decidir a vagas nas eleições de sistema proporcional (que inclui vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores). Tal inclusão era polêmica, e muitos entendiam haver uma contradição entre lei eleitoral e constituição, com cada uma defendendo a validade ou exclusão do voto em branco. Finalmente, com o advento da nova Lei Eleitoral, de número 9504/97, os votos em branco deixaram de ser incluídos no cálculo, passando a ser considerados como inválidos, junto com os votos nulos.
Há uma certa orientação da mídia em geral, que propaga a ideia de que ambas as modalidades de anulação de voto seriam prejudiciais à democracia, e que não contribuem em nada para o fortalecimento da conscientização política da população. No entanto, o sistema democrático que está instalado garante ao eleitor plena manifestação de sua vontade, mesmo que esta seja a de anular seu voto.
Emerson Santiago


segunda-feira, 15 de abril de 2013

ALEGORIA DA CAVERNA

A Alegoria da Caverna é o texto mais conhecido de Platão, que levanta muitas questões sobre a realidade, conhecimento, etc.
Na história, dois homens prisioneiros estão acorrentados numa caverna, virados de costas para a abertura, por onde entra a luz solar. Eles sempre viveram ali, nesta posição. Conheciam os animais e as plantas somente pelas suas sombras projetadas nas paredes. Um dia, um dos homens consegue se soltar, e vai para fora da caverna. Fica encantado com a realidade, percebendo que foi iludido completamente pelos seus sentidos dentro da caverna. Agora ele estava diante das coisas em si, e não suas sombras. Diante do conhecimento. Retornou para a caverna, e contou para o companheiro o que havia visto. Este não acreditou, e preferiu continuar na caverna, vendo e acreditando que o mundo é feito de sombras.
Para Platão, as coisas que nos chegam através dos sentidos (tato, visão, audição, etc), são apenas as sombras das idéias. Quem estiver preso ao conhecimento das coisas sensíveis apenas não poderá alcançar o mundo das idéias, ficando como o prisioneiro.
Lucas Martins


sexta-feira, 12 de abril de 2013

BEISEBOL


O beisebol, em inglês baseball, é um esporte praticado por dois times, que ocupam posições de ataque e defesa.É popular na América central, Japão, e principalmente no EUA onde o jogo leva muitos fãs do esporte aos estádios.O beisebol foi incluído nas olimpíadas de Barcelona, em 1992. Mas a partir do 2012 não faz mais parte dos esportes olimpicos.
Nos EUA, aproximadamente no ano de 1700, as pessoas jogavam cricket nas ruas. Após essa época, houve diversas modificações no esporte, até que se transformou no beisebol jogado hoje. Algumas dessas modificações foram:
- Rounters (versão simplificada do cricket, jogada pelos jovens)
- Townball (com o campo quadrado e quatro bases)
- New work game (base em forma de diamante, como atualmente)
Depois da guerra civil americana o jogo se tornou muito popular, e em cada vila tinha um time.
Em 1800, aproximadamente, foram instalados equipamentos  de segurança para o jogo, e logo após as regras mudaram para as atuais.
A partida tem nove tempos e duas entradas, em uma o time fica no ataque e outra na defesa. Não existem empates, são disputados tempos extras até o desempate.
Cada time tem 9 jogadores na defesa, e normalmente um no ataque (o rebatedor).
Os juizes ficam próximos às bases controlando o jogo, sendo que o principal deles fica atraz do pegador e decide quais jogadas foram válidas.
A bola pode durar, em uma partida profissional, no máximo 7 lances. Nos campeonatos oficiais, são usadas mais de 600 mil bolas por ano.
O taco tem forma cilíndrica, feito de alumínio (para amadores) e de madeira (profissionais), pesa 850 gramas e mede no máximo 160 cm, sendo normal a medida de 81,3 e 81,9 cm.
Existem duas grandes ligas do basebol nos Estados Unidos:
 - A liga nacional(fundada em 1876)
 - Liga americana (fundada em 1901)
Houve algumas greves no basebol como em 1994, quando os jogadores queriam aumentar o salário anual para 200 mil dólares/ano (o salário era de 109 mil dólares/ano).
Atualmente existem atletas (os mais famosos) com salários superiores a um milhão de dólares.
Thais Pacievitch


quinta-feira, 11 de abril de 2013

JOANA D'ARC

Quem poderia imaginar que a maior heroína da história da França viesse a ser uma jovem camponesa iletrada? Será que em algum momento os ingleses, em sua impetuosa e vitoriosa campanha em terras francesas durante a Guerra dos Cem Anos, imaginaram que seriam derrotados por um exército comandado por uma mulher? A religiosidade que fez de Joana D´Arc uma guerreira fantástica no comando dos exércitos franceses nos explica esse fenômeno histórico? Deus realmente se apresentou para Joana e pediu-lhe que empunhasse sua espada contra os invasores ingleses? Muitas pessoas se perguntam se essa história realmente aconteceu. E surpreendem-se de saber que trata-se de um acontecimento registrado, inclusive em autos impetrados pela Igreja Católica contra Joana.
A história se inicia com uma menina, verdadeiramente católica, que frequenta os cultos e vivencia sua fé. Até esse ponto nada a diferencia da grande maioria das pessoas da época em que vive, no século XIV, durante o ocaso do feudalismo. Nesse período, num país de católicos como a França, viver distanciado de Deus e da Igreja Católica significava problemas sérios para quem quer que fosse. Aplicado aos camponeses, as dificuldades tornavam-se ainda maior.
A vida de Joana no entanto, passa por uma grande transformação quando, ainda muito menina, ela presencia um ataque desferido pelos ingleses a vila onde vive. Sua família foi dizimada e sua irmã morta com extrema violência, tendo a jovem francesa presenciado a cena horrenda através das fendas da porta que a escondia.
Acolhida por parentes próximos, sua vida muda completamente e ela começa a ter visões, através das quais anuncia estar se comunicando com Deus. Numa época marcada por um grande crença religiosa, em que a França está sendo invadida por uma outra nação e se encontra frágil e desprotegida, quando nem mesmo um rei existe por essas paradas, o surgimento de uma pessoa que consegue conversar com o criador pode ser visto como um indício de que nem tudo está perdido. As esperanças dos fervorosos cristãos franceses foram então depositadas na jovem Joana.
Quando Joana anunciou aos quatro ventos que entre os desígnios de Deus encontrava-se a salvação da França das garras cruéis dos britânicos e que ela havia sido escolhida para libertar a nação que ainda estava a se formar, garantindo ao Delfim (herdeiro do trono) a possibilidade de assumir o comando do país, imediatamente foi aceita pelo povo e, posteriormente pela nobreza, como o bastião que poderia resgatar o orgulho francês (assim como as terras).
Para o povo, tratava-se realmente da eleita de Deus. Para os nobres, não passava de um artifício para atingir seus objetivos de livrar a França dos ingleses. Se ela pudesse ajudá-los a fazer isso, seria ótimo. A partir da realização desse intento, Joana deixava de ser uma aliada e tornava-se uma poderosa inimiga.
A configuração dos objetivos escusos do herdeiro do trono, personagem vivido pelo experiente John Malkovich, dependia de forte apoio popular e o surgimento de uma figura carismática como a jovem Joana (interpretada pela belíssima Milla Jovovich, que consegue dar a personagem toda a força e integridade que a história lhe confere) parecia garantir-lhe essa sustentação. Até esse momento, enfraquecido pelos sucessivos embates com os britânicos e pelas custosas derrotas (que abalaram-lhe as finanças e o prestígio), o Delfim parecia fadado a não atingir seu objetivo real. Com o aparecimento da emblemática personagem que falava em nome de Deus e garantia-lhe o direito a coroa, faltava-lhe apenas a confirmação da autoridade real, que teria que vir com as vitórias nas batalhas.
Surpreendentemente para todos, em particular para os nobres, que viam em Joana uma simples mulher camponesa, sua sede de vitórias e o embalo de carregar consigo o que imaginava ser o poder que Deus havia lhe confiado, vitórias incríveis foram sendo conquistadas. Numa época em que as mulheres sofriam enormemente com o preconceito e a pecha de subservientes aos homens, cabendo-lhes papel secundário na história, Joana se tornava um mito. Encarnava papéis que seriam exclusivamente reservados aos homens, empunhava espadas, vestia uma armadura que protegia seu "frágil" corpo de mulher, cortava os cabelos curtos e falava como comandante.
Não demorou muito para que viesse a ser chamada de bruxa pelos inimigos. Abria-se a brecha que as autoridades francesas precisavam para poder se desfazer da mesma. Logo deixaria de ser a heroína e tornaria-se uma herege. Somente as chamas purificadoras da Inquisição poderiam permitir-lhe livrar-se das alucinações e de identificar-se como portadora das mensagens de Deus. Afinal, onde já se viu, em plena Idade Média, Deus apresentar-se aos homens utilizando-se de uma mulher, camponesa de origem, analfabeta e que, além de tudo, demonstrava força e personalidade. Inadmissível! .
Até que ponto tudo isso é verossímil, principalmente no que tange aos aspectos da religiosidade, jamais descobriremos. O filme de Luc-Besson, no entanto, tem ritmo alucinante e prende os espectadores, recria com capricho visual acentuado um período conturbado, coloca em discussão uma mulher que superou os limites de seu tempo e virou símbolo de um país em sua luta pela liberdade. Não perca!.(CineWeb).

 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

ANISTIADOS NO PODER


Exilados retornam com lei da anistia e chegam ao poder pelo voto em 1982
O Brasil que o general João Baptista Figueiredo assumiu em 15 de março de 1979 era bem diferente do existente apenas três meses antes, no final do ano anterior. Por um motivo simples: o AI-5 havia sido revogado em 1º de janeiro. Estava extinta a principal justificativa legal para todas as práticas autoritárias e abusivas da ditadura militar. O discurso de posse de Figueiredo foi animador. Sua frase mais marcante: “Reafirmo meu inabalável propósito de fazer deste país uma democracia”. Uma promessa de que o Brasil viveria o período de maior liberdade política desde 1968. É nesse contexto que é aprovada a Lei da Anistia e, logo em seguida, se reinstala o sistema multipartidário no Brasil.
A anistia para os perseguidos políticos não era reivindicação de última hora. Logo depois do golpe, um manifesto da Frente Ampla – movimento contra a ditadura liderado por Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek e João Goulart – pedia “anistia geral, para que se dissipe a atmosfera de guerra civil que existe no país”. Depois do AI-5, o coro do descontentamento só viria a engrossar com a ajuda de pressões externas. O papa Paulo VI fez um “sermão” sobre as denúncias de tortura no Brasil em março de 1970. Jornais estrangeiros, como Washington Post e The New York Times, estamparam em suas páginas denúncias sobre a prática, corriqueira na repressão brasileira. E o governo do democrata Jimmy Carter (1977-1980) cobrou respeito aos direitos humanos por parte dos regimes autoritários latino-americanos.
As críticas, isoladas até então, se transformaram em movimento organizado com a criação, no Rio de Janeiro, em 1978, do Comitê Brasileiro pela Anistia, apoiado por entidades como a CNBB e a OAB. Aos poucos, a luta pelos perseguidos conquistou corações e mentes a ponto de virar uma espécie de mania nacional. Nos estádios de futebol, faixas e bandeiras reivindicando “anistia ampla, geral e irrestrita” passaram a dividir as arquibancadas com mascotes e brasões de clubes. Nas ruas, carros e caminhões exibiam adesivos pelo perdão aos presos políticos, e, nos semáforos, eram distribuídos panfletos para sensibilizar a opinião pública.
Sob fogo cruzado, os militares resolveram se mexer. Em 27 de julho de 1979, cerca de 300 pessoas assistiram ao presidente Figueiredo assinar o projeto de anistia a ser enviado ao Congresso. Entre lágrimas, “Figo”, como era chamado, desafogava: “Eu não disse que fazia? Eu não disse que fazia?”. Fez, mas não completamente. A lei aprovada não perdoava os condenados por terrorismo e luta armada. Pior: no perdão da anistia foram contemplados também os responsáveis por “crimes conexos” aos crimes políticos, uma forma velada de beneficiar os responsáveis por torturas e mortes na repressão.
A lei foi aprovada da forma como o governo queria, mas o governo estava longe de se comportar da forma que a sociedade organizada esperava. “É preciso ter em mente que, mesmo depois de a lei entrar em vigor, as prisões continuaram, os casos de desaparecimento não foram elucidados, muitos funcionários públicos e militares afastados não puderam voltar aos seus cargos, agentes do Estado envolvidos no arbítrio não foram processados”, diz Glenda Mezarobba, mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Apesar de parcial, a Lei da Anistia permitiu que medalhões da oposição, como Leonel Brizola, Luiz Carlos Prestes e Márcio Moreira Alves, voltassem a pôr os pés no Brasil, para desgosto da linha dura militar. Com a abertura política elevada a um novo patamar, entrou em ação uma nova fase do plano dos generais da distensão – dividir os inimigos para se manter no poder.
Na esfera eleitoral, o governo tinha de enfrentar o incômodo representado pelos resultados expressivos da oposição. As urnas davam cada vez mais votos ao MDB, sobretudo em grandes cidades. Para evitar uma derrota nas eleições de 1982, o general Golbery do Couto e Silva estudou então um meio de manter a redemocratização gradual e o controle do processo nas mãos dos militares. A solução do estrategista da abertura foi dissolver MDB e Arena e permitir o surgimento de novas legendas. O objetivo, claríssimo, era preservar a base governista num único partido e deixar a oposição se desentender à vontade em outros.
Partido esfarelado
A Lei da Anistia também ajudou o plano de esfarelar a oposição. Golbery e Figueiredo sabiam, ao permitirem a volta dos principais líderes de esquerda, que as diferenças ideológicas e históricas de seus inimigos jamais deixariam que reunissem suas forças. Dito e feito: o MDB viria a estilhaçar-se em PT, PDT, PTB e PMDB. Já a Arena se concentrou apenas no PDS. Para facilitar a vitória nas urnas, os militares ainda lançaram o “pacote de novembro”, em 1981, proibindo as coligações partidárias – o que, na prática, evitava alianças que só interessariam aos grupos oposicionistas.
A corrida eleitoral de 1982 trouxe grandes novidades. Após quase 20 anos, o brasileiro pôde escolher de novo seu governador. De uma só vez, 45 milhões de eleitores votaram também para vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal e senador. Os militares tinham planos de vencer de “lavada”. Os planos dos eleitores eram outros, e a situação econômica pode ajudar a entendê-los. As eleições de 1982 foram precedidas por uma profunda crise econômica. Após o choque do petróleo de 1973, o crescimento brasileiro só tinha sido possível graças à captação de pesados empréstimos no exterior. Novas mudanças no cenário mundial fizeram com que, em 1979, a dívida externa brasileira fosse tão grande que ninguém mais queria financiá-la, com novos empréstimos. Resultado: uma nova “estagflação”, com ausência de crescimento econômico e aumento galopante de preços. Em 1980, a inflação, que girara entre 15% e 20% anuais no começo da década anterior, saltou para 110%. Antes de publicar a cifra, o ministro do Planejamento, Delfim Netto, chegou a declarar: “Quando vier esse 100, vou ter muita amolação, mas isso passa”. Não passou. Em 1981, o índice chegou a 95,2%. No ano seguinte, a 99,7%. E em 1983, a 211%. Para piorar, no ano anterior ao das eleições, o PIB teve variação negativa de 1,6%. Ou seja, a economia brasileira encolheu – a primeira vez que isso acontecia desde que esse tipo de cálculo começou a ser feito, na década de 40.
Diante do colapso econômico e em pleno clima de abertura política, a oposição se fortaleceu nas eleições de 1982. No Senado, teve 50% dos votos, contra 36,5% do PDS. Na Câmara dos Deputados, 48,2% contra 36,7% e, nas Assembléias estaduais, 47,2% contra 36%. Mas os números animadores se referiam ao total de votos. Como havia distorções montadas pela ditadura na hora de converter os votos em número de parlamentares, PT, PMDB, PDT e PTB somaram apenas 240 deputados em Brasília, só cinco a mais que o PDS. No Senado, artimanhas do “Pacote de Abril” de 1977 garantiram vantagem de 46 sobre 23 para o partido governista.
De qualquer forma, a batalha eleitoral dos opositores do regime estava ganha. Brizola elegeu-se governador do Rio de Janeiro. Miguel Arraes, outro anistiado, foi eleito deputado federal. No Congresso, mudou o equilíbrio de forças políticas. “A oposição não logrou maioria, mas conseguiu número suficiente para boicotar emendas constitucionais”, analisa o cientista político Bolívar Lamounier, diretor do Instituto de Estudos Econômicos e Sociais de São Paulo (Idesp). “A partir daí, para um eventual endurecimento das regras do jogo, o governo teria que violar a Constituição, o que àquela altura implicava um custo político elevado”, afirma. O resultado das eleições de 1982 era um sinal claro de que os militares também não se sustentariam por muito tempo no poder pela via eleitoral. Dessa certeza nasceria o apelo às Diretas Já. Para a ditadura, seria o começo do fim.
Tamis Parron


sexta-feira, 5 de abril de 2013

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

Os avanços tecnológicos verificados na área da informática vem provocando uma verdadeira revolução nos meios de comunicação em todo o mundo a través do ciberespaço é possível fazer comprar, trocar mensagens, conversar com outras pessoas, transmitir imagens, ter acesso a um volume imenso de informações e fazer muitas outras coisas. É uma revolução sem armas que influenciam diariamente a vida de milhões de pessoas. Cerca de 250 anos atrás, a Europa foi palco de outra revolução sem armas que desencadeou profundas mudanças na estrutura social, politica e econômica das sociedade: a Revolução Industrial.
O Desenvolvimento do Capitalismo, o Fortalecimento da Burguesia e as Alterações no Modo de Produzir
                A partir do século XIII, a burguesia começou a conquistar uma posição cada vez mais influente na sociedade europeia, dedicando-se, sobretudo ao comércio e as atividades bancárias. Muitos banqueiros tornaram-se importantes parceiros dos reis, emprestando dinheiro ou financiando as despesas dos exércitos reais. Em troca, recebiam privilégios, como o monopólio do comércio entre a metrópole e suas colônias.
Enriquecia, a burguesia mercantil começou a intervir na produção de mercadorias. Para burlar a vigilância das corporações de oficio, que impunham limites à produção, os grandes comerciantes passaram a entregar a matéria-prima diretamente aos artesãos que, trabalhando em suas próprias residências, produziam os artigos encomendados. Mais tarde, para tornar a produção ainda mais lucrativa e racionalizar o trabalho, esses comerciantes passaram a reunir trabalhadores em um mesmo local e a fornece-lhes a matéria-prima e as ferramentas necessárias para a fabricação dos produtos, pagando-lhes um salário em dinheiro. Dessa forma, esperavam ter custos menores, maior produtividade e lucros mais elevados. Embora tenha variado de um lugar para outro, esse processo deu origem as primeiras manufaturas, ou seja, as primeiras unidades de produção capitalista, antecessoras da fábrica moderna. Já, no século XVI era possível encontrar na Inglaterra manufaturas com mais de 600 trabalhadores assalariados.
Pouco a pouco, os capitalistas introduziram modificações na organização do trabalho para aumentar a produtividade. Isso foi feito por meio da divisão do trabalho, que revolucionou mais uma vez a produção.  Em vez de produzir integralmente artigo por artigo, cada trabalhador passou a executar apenas uma operação, correspondendo a uma parte da peça fabricada. Somada todas as operações tinha-se o produto final. A divisão do trabalho tornou a produção mais ágil, pois dessa forma se produzia mais. Com mais produto no mercado, seu custo baixou, estimulando o consumo de mercadorias e o surgimento de novas manufaturas, com aumento da oferta de empregos. Essa expansão do mercado de trabalho aumentou o volume de dinheiro em circulação, que estimulou mais consumo e assim por diante. Embora esse processo tenha se manifestado em diversos países em momentos diferentes, ele teve inicio na Inglaterra do século XVIII.
O Pioneirismo Inglês
No começo do século XVIII a Inglaterra era a nação mais rica do mundo. Possuía ricas jazidas de carvão e ferro, dispunha de uma excelente esquadra naval que lhe garantia a supremacia no comércio mercantil, além de inúmeras colônias espalhadas pelo mundo. Ao mesmo tempo, a burguesia inglesa havia se consolidado politicamente através da Revolução Gloriosa que suprimiu o absolutismo e impôs uma monarquia constitucional submetida ao Parlamento. O domínio sobre a politica inglesa possibilitou a burguesia eliminar os empecilhos ao desenvolvimento do liberalismo e do capital.
                Entre os séculos XVI e XVIII, o governo inglês concedeu aos grandes proprietários rurais o direito de expulsar os camponeses das terras comunais para que essas áreas fossem cercadas e transformadas em pastagens. Esses cercamentos provocaram a migração de muitos camponeses para as cidades, onde eles acabaram se tornando a principal fonte de mão-de-obra da nascente indústria.
Desde o inicio do século XVII, os cientistas procuravam encontrar uma aplicação prática para a propriedade que a água tem de produzir vapor quando entra em ebulição. Estudando essa propriedade, James Watt desenvolveu em 1769 um equipamento que utilizava a energia do vapor da água para impulsionar máquinas a uma velocidade considerável. Com a invenção da máquina a vapor, o processo de substituição da força humana pela energia mecânica tornou-se cada vez mais rápido. Nos anos seguintes, o invento de Watt passou por diversos aperfeiçoamentos, propiciando um desenvolvimento generalizado. Seus reflexos foram sentidos na siderurgia, metalurgia e no aparecimento dos primeiros trens de ferro a vapor, inventados em 1808. Em seu conjunto, essas mudanças resultantes dos avanços tecnológicos que introduziram a máquina no processo produtivo ficaram conhecidas como Revolução Industrial. Costuma-se empregar o termo revolução porque essas novidades provocaram profundas transformações nas estruturas econômicas e sociais.

A Nova Classe Trabalhadora: os Operários
Os avanços tecnológicos provocaram enorme euforia entre os capitalistas, que enriqueciam rapidamente. Entretanto, a maior parte da população não tinha acesso aos benefícios dessa prosperidade. Na verdade, boa parte composta de operários, se via excluída de tais benefícios. As condições de moradia dos trabalhadores eram das mais precárias. Situadas em bairros insalubres, suas casas costumavam ser muito rudimentares e simples. Erguidas em ruas escuras, sem pavimentação, eram mal ventiladas, não tinham água suficiente e apresentavam péssimas condições de saneamento.
                As fábricas, por sua vez, não lhes ofereciam condições dignas de trabalho. Eram geralmente locais úmidos e quentes, desprovidos de ventilação adequada. A alimentação servida era insuficiente e de péssima qualidade. Por causa disso e das longas jornadas de trabalho, a expectativa de vida dos operários era baixa e a incidência de doenças e acidentes de trabalho muito alta. Por serem consideradas mais dóceis que os homens, os patrões preferiam contratar mulheres e crianças, muitas delas de 4 e 5 anos. A jornada de trabalho era igual para todos, de 15 a 18 horas diárias, sem descanso ou qualquer outro direito trabalhista. Os operários eram vigiados de perto por um supervisor. Acidentes provocados pelo cansaço aconteciam com frequência e não eram perdoados. Em represália por alguma falta, os operários sofriam severas punições, inclusive físicas.