terça-feira, 30 de abril de 2013

O PERÍODO NAPOLEÔNICO

Napoleão Bonaparte chegou ao poder em 1799, em um momento em que a França atravessava uma grave crise institucional. Governado pelo Diretório o país enfrentava vários problemas de ordem econômica, politica e social e havia sofrido algumas derrotas em campanhas militares exteriores. A França estava à beira de um colapso. Nesse contexto, começou a ganhar destaque à figura do jovem general de apenas 30 anos, que graças as suas vitórias nos campos de batalha, parecia ser destinado ao ser “o homem forte” tão sonhado pela burguesia, aquele que traria novamente a paz e a ordem para a França. Em novembro de 1799, Napoleão derrubou o Diretório e criou o Consulado, concentrando em suas mãos a maior parte do poder. Em menos de um mês uma nova Constituição foi redigida e deu a ele o título de primeiro Cônsul da França.
Apoiando-se em seu prestigio, Napoleão promoveu reformas visando recuperar a economia francesa e as instituições, desgastadas após dez anos de revolução. Uma das primeiras medidas do seu governo foi reaproximar-se da Igreja Católica, cujas relações com o Estado encontravam-se rompidas desde o período do Terror. Para normalizar a economia, incentivou a industrialização, criou um banco nacional e uma nova moeda: o franco. Gerou uma grande quantidade de empregos ao iniciar um programa de obras públicas, coma construção de estradas e portos e a urbanização das cidades. Ao mesmo tempo anistiou os nobres que haviam se exilado no exterior, reorganizou o sistema de cobrança de impostos, promoveu reformas educacionais e editou um novo código civil: o Código Napoleônico.
O Código Napoleônico
Inspirado no Direito Romano, o Código Civil francês foi instituído em 1804 e ficou conhecido como Código Napoleônico. Esse conjunto de leis consolidou as grandes conquistas burguesas da Revolução e consagrou o fim dos resquícios feudais da sociedade francesa. Garantiu o direito de propriedade, proibiu a organização de sindicatos de trabalhadores, assegurou a igualdade de todos perante a lei, mas restabeleceu a escravidão nas colônias francesas.
O Império de Napoleão
        Em 1802 um plebiscito deu a Napoleão o título de cônsul vitalício. Dois anos depois outra consulta popular aprovou o fim do Consulado e a transformação da França em um Império. Com isso, a Primeira República chegava ao fim e Napoleão se autoproclamava imperador da França. Era a volta da monarquia e do poder centralizado nas mãos de um monarca.
Decidido em transformar a França em um grande império dá inicio a um projeto de expansão politico militar sobre o continente europeu anexando vários territórios, submetendo praticamente todo o continente ao seu poder. Apesar dessas vitórias, o principal rival da França, a Inglaterra não estava derrotada. Contando com uma poderosa esquadra naval, a Inglaterra era a nação mais desenvolvida da época. Sabendo que o poderio britânico estava amparado no comércio e na indústria, o governo de Napoleão proibiu as nações europeias de comercializar com a Inglaterra. Sua intenção era enfraquecê-la economicamente a ponto de deixa-la militarmente vulnerável. Os países que não participassem do boicote, conhecido como Bloqueio Continental, seriam atacados pelo exército napoleônico.
Para o plano dar certo, era necessário que todos os países europeus participassem do bloqueio. Espanha e Portugal, entretanto, não aderiram. Por essa razão, as tropas napoleônicas invadiram a península Ibérica e destituíram os reis de Espanha e Portugal, colocando em seu lugar José Bonaparte, irmão de Napoleão.
                   O Bloqueio Continental afetou realmente a Inglaterra. Em 1808 as fábricas têxteis inglesas acumulavam enormes estoques de tecidos sem conseguiu vende-los. Da mesma forma, as exportações de produtos de ferro diminuíram e a revenda de artigos provenientes das colônias britânicas foi afetada. Outra grande prejudicada foi à Rússia, que exportava para a Inglaterra matérias-primas destinada à construção naval. Em 1811, o czar Alexandre I rompeu com o boicote abriu os portos do país aos navios britânicos. Em represália, Napoleão declarou guerra à Rússia.
                   Em pouco tempo Napoleão reuniu um exército de 600 mil homens e partiu em direção a Moscou. Mas a invasão da Rússia se revelou um fracasso. Em vez de combater os franceses em campo aberto, os russos preferiram recuar, atraindo o inimigo para o interior do território. Na retirada queimavam os lugares por onde as tropas de Napoleão ainda iam passar, destruindo campos cultivados e abrigos. A tática conhecida como terra arrasada funcionou. Os suprimentos escassearam e muitos soldados franceses e animais morriam de fome. Em outubro de 1812, sem conseguiu um resultado positivo, Napoleão decidi retornar para França com suas tropas e aí encontrou um inimigo implacável pela frente: o rigoroso inverno russo. Na marcha de regresso, milhares de soldados morreram de frio e fome. Dois meses mais tarde, apenas 100 mil combatentes chegaram a Paris.
                   Com a primeira derrota militar de Napoleão, Inglaterra, Prússia, Rússia e Áustria formaram uma coalização e desfecharam um ataque fulminante à França. Abaladas com o fracasso da campanha na Rússia, as tropas napoleônicas não puderam deter o a do inimigo: no começo de abril de 1814, Napoleão abdicou ao trono e foi exilado para a ilha de Elba, no Mediterrâneo. Enquanto a França reorganizava o seu governo e conduzia ao trono Luís XVIII, representantes dos países europeus se reuniam em Viena na Áustria, para redefinir as fronteiras entre as nações do continente e restabelecer o equilíbrio de forças entre elas.
                   Em fevereiro de 1815, durante a realização do Congresso de Viena, Napoleão fugiu da ilha de Elba, desembarcou na França a frente de um numero de seguidores e marchou para Paris. Ao saber da noticia, Luís XVIII fugiu do país, deixando vago o trono. Sem encontrar resistência, Napoleão retomou o poder. O novo governo do imperador, porém, duraria pouco menos de cem dias. Sem um exército forte, Napoleão sucumbiu na Batalha de Waterloo. Afastado do poder, Napoleão foi mandado para a ilha de Santa Helena, no oceano Atlântico. Ali permaneceu até a sua morte em 1821. Na França, Luís XVIII foi reconduzido ao trono.

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