segunda-feira, 29 de abril de 2013

A ECONOMIA E A ESCRAVIDÃO NA CAPITANIA DE RIO GRANDE DE SÃO PEDRO

Já vimos anteriormente, que no inicio do século XVII, os bandeirantes vinham ao Rio Grande do Sul com o objetivo de capturar indígenas. Dessa forma, milhares de índios foram capturados e levados para trabalhar como escravos, principalmente na capitania de São Vicente. Entretanto, a maior parte dos trabalhadores cativos no Brasil colônia foi formada por negros que eram tirados de suas terras na África, constituindo o chamado tráfico negreiro, um lucrativo comércio de escravos inicialmente dominado pelos portugueses.
            No Rio Grande do Sul, a escravidão negra se fez presente desde os primeiros momentos da ocupação. Havia negros escravizados já nas primeiras viagens de tropeiros e os lagunenses que ocuparam os Campos de Viamão traziam indígenas e negros, que eram forçados a trabalhar como escravos em suas sesmarias.
            A primeira atividade econômica estabelecida pelos portugueses nas atuais terras do Rio Grande do Sul foi o apreamento do gado deixado pelos padres jesuítas quando da fuga do primeiro ciclo das reduções. Não demorou muito e os tropeiros começaram a se fixar no território, surgindo as primeiras estâncias de criação de gado. Nas estâncias que possuíam escravos, estes podiam trabalhar como capatazes ou peões cuidando do gado que era criado solto. Alguns deles também participavam do transporte das tropas de gado para o centro da colônia. Havia ainda trabalhadores escravizados que cuidavam sozinhos das estâncias na ausência de seus senhores que moravam afastados da sede da estância. Certamente havia fugas, mas boa parte dos escravos permanecia nas estâncias, pois podia receber alguma recompensa pelos serviços prestados. A vida fora da estância podia ser  tão ou mais difícil quanto a vida dentro dela. Muitas estâncias também possuíam pequenas lavouras de trigo, feijão e mandioca para a sua subsistência e havia algumas que cultivavam esses produtos para vender. O trigo, inclusive, gerou um breve ciclo de riqueza para alguns estancieiros.
            Geralmente o gado produzido na província do Rio Grande era enviado e vendido para a região das Minas Gerais, conduzido vivo pelos tropeiros através de estradas precárias. As dificuldades para o transporte aumentavam bastante o preço dos animais e diminuíam o ganho dos estancieiros. Com o tempo, para tentar solucionar esse problema, foi desenvolvida a produção do charque.
A produção de carne em terras gaúchas estava intimamente ligada a crescente necessidade de gêneros alimentícios no centro e no nordeste do Brasil, causado pelo aumento da população. Boa parte do charque destinava-se a alimentar os escravos que trabalhavam nas grandes propriedades agrícolas de São Paulo, Rio de Janeiro e outras províncias. O charque era produzido nas estâncias que eram chamadas de charqueadas, que se espalharam pela região da laguna dos Patos e da lagoa Mirim, destacando-se Pelotas como grande centro produtor. A produção era enviada para o centro da colônia via porto de Rio Grande.
Nas charqueadas, as condições de trabalho não eram boas, os escravos estavam sempre sob a ameaça de um feitor e frequentemente sofriam castigos, e as inúmeras tarefas que tinham que cumprir eram excessivas e árduas. Dessa forma, na década de 1780 ocorreu a mercantilização da economia rio-grandense, através do charque, pois era uma produção especializada para atender o mercado interno e da utilização da mão-de-obra escrava negra.

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