quarta-feira, 24 de abril de 2013

HISTÓRIA DA VENEZUELA

Acredita-se que foi Américo Vespúcio quem deu nome à Venezuela. As casas sobre estacas em que viviam os indígenas das margens do lago Maracaibo recordaram ao navegante os palácios de Veneza e assim denominou o país "pequena Veneza", ou Venezuela. Os recursos naturais e especialmente as grandes jazidas de petróleo, exploradas desde a terceira década do século XX, impulsionaram o desenvolvimento do país.
A Venezuela divide com a Colômbia o extremo setentrional do continente sul-americano. Ocupa uma superfície de 912.050km2 e limita-se ao norte com o mar do Caribe, a nordeste com o oceano Atlântico, a leste com a Guiana, ao sul com o Brasil, e a sudoeste e oeste com a Colômbia. Há uma antiga disputa quanto a um território de 137.270km2, a oeste do rio Essequibo, administrado pela Guiana.
O litoral venezuelano do Caribe e do Atlântico, com quase três mil quilômetros de extensão, é recortado e de fisionomia muito variada. No extremo oeste do litoral caribenho se abre, entre as penínsulas de La Guajira e Paraguaná, o golfo da Venezuela, que se liga ao sul com o lago Maracaibo. Pertencem ao país as ilhas de Las Aves, Los Roques, Orchila, Blanquilla, Los Hermanos e, a pouca distância da península de Araya, a ilha Margarita. O golfo de Paria se abre no continente em frente à ilha de Trinidad, e o amplo delta do Orinoco ocupa grande parte da fachada atlântica.
O território venezuelano foi um dos primeiros habitados pelo homem na América do Sul, possivelmente há mais de 15.000 anos. No entanto, não há registros de que as terras que hoje pertencem à Venezuela tenham sido palco de uma grande civilização pré-colombiana, como ocorreu em outros países andinos e da América Central. Antes da chegada dos europeus, a região era habitada, em sua maior parte, por tribos que viviam do extrativismo, da caça e da pesca e que não possuíam uma organização social complexa. No primeiro milênio da era cristã, o litoral do mar do Caribe foi povoado por pacíficos índios aruaques, progressivamente deslocados pelos ferozes caribes. Tribos nômades viviam nos llanos, no sistema Parima e na Amazônia.
Descobrimento e colonização. Em sua terceira viagem à América, em agosto de 1498, Cristóvão Colombo ancorou suas naus na península de Paria, que o almirante tomou por uma ilha, denominando-a "terra de Gracia". Pouco depois, descobriu a ilha Margarita. Em 1499 Alonso de Ojeda navegou ao longo do mar do Caribe até o lago Maracaibo.Inicialmente, os espanhóis não tentaram apoderar-se da terra firme, pois a pesca da pérola em algumas ilhas próximas à costa nordeste os atraiu mais. O interesse decaiu com o esgotamento das ostreiras perlíferas, e o impulso colonizador se deslocou então para oeste, em direção a Caracas e Coro. O primeiro estabelecimento permanente espanhol foi Cumaná, fundada em 1523. Durante vários anos, até 1546, se sucederam infrutíferas expedições alemãs pelo interior em busca de pedras preciosas.Na segunda metade do século XVI, teve início a atividade agrícola, baseada no trabalho escravo. Caracas foi fundada em 1567 e no fim do século havia mais de vinte núcleos de colonização nos Andes venezuelanos e no litoral do mar do Caribe. As planícies e a região do lago Maracaibo foram sendo ocupadas gradualmente nos séculos XVII e XVIII por missões católicas.
O panorama econômico e cultural mudou profundamente no século XVIII. Em 1717 o país deixou de depender da audiência de Santo Domingo para incorporar-se ao vice-reino de Nova Granada, com sede em Bogotá. Em 1725 a Real e Pontifícia Universidade de Caracas começou a promover o ensino. Três anos mais tarde se criou, com o respaldo real, a Companhia Guipuzcoana de Caracas, que detinha o monopólio da venda do cacau à metrópole e das mercadorias espanholas à Venezuela. Sua missão era também reprimir o tráfico de escravos, que tinha como principal centro a ilha de Curaçao, e as incursões estrangeiras ao território venezuelano. Seus interesses contrariavam, no entanto, os dos produtores venezuelanos, que forçaram a dissolução da companhia na década de 1780.
Independência. Depois da fracassada conspiração de Manuel Gual, em Caracas, em 1797, tampouco teve êxito o desembarque de Francisco de Miranda, com uma pequena expedição de patriotas, organizada nos Estados Unidos e financiada pela Inglaterra, em 1806. Depois que a Espanha caiu em poder de Napoleão, os criollos (brancos nascidos na colônia) de Caracas depuseram, em 1810, os representantes espanhóis e estabeleceram uma junta governativa local, com a finalidade oficial de salvaguardar os direitos do rei espanhol Fernando VII, preso na França dois anos antes por Napoleão. Unindo-se aos representantes de outras partes do país, no entanto, a junta governativa declarou a independência em 5 de julho de 1811. Miranda, que retornara à América chamado por Simón Bolívar, assumiu o comando da nova república.
A reação realista foi favorecida pelo terremoto de 1812, que quase só atingiu Caracas e as povoações rebeldes. Os patriotas foram traídos e derrotados em Puerto Cabello. Miranda, que assinara a capitulação e ia embarcar para o Reino Unido, foi detido por Bolívar e enviado preso à Espanha, onde morreria em 1816. Bolívar recebeu salvo-conduto para Curaçao.No início de 1813, a junta revolucionária nomeou Bolívar comandante das forças venezuelanas. Filho de ricos fazendeiros criollos, era um dos líderes do movimento de independência. Sofreu diversas derrotas em sua luta contra as forças espanholas, mas foi ajudado pela nova República do Haiti e por uma legião estrangeira de soldados britânicos e irlandeses. Com capital em Bogotá, a República da Grande Colômbia, que reunia Nova Granada e Venezuela, foi proclamada em 17 de dezembro de 1819. Em 24 de junho de 1821, Bolívar derrotou o exército realista na batalha de Carabobo. As últimas forças realistas capitularam em Puerto Cabello, em 9 de outubro de 1823. No ano seguinte, Bolívar marchou em direção ao sul para libertar o Peru e, em 1825, conseguiu dar fim ao domínio espanhol sobre a Bolívia.Durante sua ausência, contudo, irromperam rivalidades regionais na Grande Colômbia, e o prestígio de Bolívar não foi suficiente para manter o país unido até sua volta. Em 1829, a Venezuela se separou, e o Equador fez o mesmo pouco tempo depois. No ano seguinte, Bolívar morreu perto da cidade colombiana de Santa Marta, sem ter conseguido realizar o sonho de unir a América hispânica.
Oligarquia conservadora. Bolívar havia deixado o general José Antonio Páez como chefe militar civil da Venezuela. Páez logo extrapolou seu poder e deu apoio ao movimento separatista da Grande Colômbia. Em 1831, um congresso constituinte proclamou a independência da Venezuela e elegeu Páez presidente. A constituição, conservadora, criava um estado centralista, restringia o voto aos proprietários de terras e mantinha a escravidão.
O general dominou a vida política do país até 1848. Foi eleito presidente de 1831 a 1835 e de 1839 a 1844. Seu governo representou para a Venezuela uma fase de estabilidade, na qual se reconstruiu a economia, enfraquecida pelos muitos anos de guerra. Prosperaram então as culturas de cacau e café, base do comércio exterior do país.
Em 1840, Antonio Leocádio Guzmán fundou o Partido Liberal, cuja base social era a burguesia média progressista das cidades, que reivindicava a extensão do direito ao voto e a abolição da escravatura. Guzmán criou um jornal, El Venezolano, que se converteu em porta-voz das aspirações liberais. A crise econômica que se produziu em meados da década, motivada pela queda dos preços do café e do cacau no mercado internacional, favoreceu o crescimento da oposição aos governos conservadores. Nas eleições presidenciais de 1846, saiu vitorioso o general José Tadeo Monagas, que, embora conservador, buscou o apoio dos liberais contra a maioria conservadora do Congresso. Páez se sublevou, mas foi derrotado e obrigado a exilar-se em 1848.
De 1846 a 1858, alternaram-se na presidência os irmãos José Tadeo e José Gregorio Monagas. Os dois estabeleceram um regime ditatorial e populista que limitava a liberdade de ação do Congresso. As reformas postuladas pelos liberais, em sua maior parte, não saíram do papel: aprovaram-se leis que aboliam a escravidão, estendiam o direito de voto, baniam a pena de morte e limitavam as taxas de juros, que, no entanto, nunca foram implementadas. Em 1857 José Tadeo Monagas tentou impor uma nova constituição ao país, que estendia o mandato presidencial de quatro para seis anos e eliminava todas as restrições à reeleição. Liberais e conservadores se uniram, porém, contra ele e conseguiram que abandonasse o poder em março do ano seguinte.
Inaugurou-se um período de agitação política, com as chamadas guerras federalistas (1858-1863) -- conservadores centralistas contra liberais federalistas. O general Páez retornou em 1861 e restaurou a hegemonia conservadora por dois anos, mas foi derrotado em 1863 pelas forças federalistas do general Juan Falcón. A constituição de 1864 incorporou as idéias federalistas, mas o governo de Falcón não foi bem-sucedido. Em 1868, estalou novamente a guerra civil, da qual saiu vencedora a facção liberal de Antonio Guzmán Blanco, que governou o país ditatorialmente de 1870 a 1888, quando foi deposto. Guzmán introduziu algumas reformas econômicas e educacionais progressistas, mas seu governo personalista trouxe prejuízos ao país.
De 1888 a 1892, líderes civis tentaram estabelecer governos representativos até que o general Joaquín Crespo assumiu o poder. Durante os seis anos de seu governo, Crespo teve que enfrentar uma permanente desordem civil. A antiga disputa com o Reino Unido pela definição da fronteira entre a Venezuela e a Guiana britânica se inflamou depois que se descobriu ouro na região em litígio. Um tribunal internacional, reunido por iniciativa dos Estados Unidos, deu parecer favorável ao Reino Unido, em 1899, mas a sentença nunca foi reconhecida pela Venezuela.
Ditaduras andinas. Com a morte de Joaquín Crespo, o general Cipriano Castro, do estado de Táchira, ocupou Caracas em 1899 e assumiu a presidência. Durante os 46 anos seguintes, quatro militares de Táchira tomaram sucessivamente o poder. No governo de Castro, o país foi conturbado por revoltas internas e intervenções externas. Em 1908, Castro viajou para a Europa e deixou o general Juan Vicente Gómez interinamente na presidência. Este último se manteve no poder até morrer, em 1935. Nesses 27 anos, a presidência foi exercida ou pelo próprio Gómez, que governou despoticamente, anulando a oposição e silenciando a imprensa, ou por títeres seus.
Nessa época, já se tinha descoberto petróleo na Venezuela e as condições vantajosas oferecidas por Gómez atraíram as companhias estrangeiras, que passaram a controlar sua exploração. Ao final da década de 1920, a Venezuela era o país que mais exportava petróleo no mundo. Um pouco mais liberal e progressista foi o general Eleazar López Contreras, que substituiu Gómez e governou até 1941. O general Isaías Medina Angarita, que tomou o poder depois de López, restaurou as liberdades civis e tentou criar uma base popular para seu governo. Com o declínio da exploração petrolífera durante a segunda guerra mundial, a renda nacional baixou e Medina modificou os contratos com as companhias estrangeiras de petróleo.
Consolidação da democracia. Em 1945, um grupo de oficiais do Exército, aliado ao Partido de Ação Democrática, depôs Medina. O líder do partido, Rómulo Betancourt, chefiou uma junta civil-militar, que governou por decreto durante 28 meses. A constituição de 1947 reproduziu as idéias trabalhistas do partido. O romancista Rómulo Gallegos, eleito para a presidência pela Ação Democrática, governou apenas nove meses, devido sobretudo às medidas que tomou contra os militares enriquecidos ilicitamente durante a ditadura e à tentativa de aumentar os royalties estatais sobre o petróleo e apressar a reforma agrária. Foi deposto por um golpe militar.
Formou-se então uma junta militar, liderada por Carlos Delgado Chalbaud e Marcos Pérez Jiménez. O assassinato do primeiro, dois anos mais tarde, deixou livre o caminho para Jiménez, que impôs sobre o país um novo governo pessoal, proibindo toda oposição e ignorando o resultado das eleições de 1952. A época de Pérez Jiménez se caracterizou pela modernização da capital, em detrimento do programa de reformas sociais que havia elaborado o governo democrático anterior. Um golpe de estado derrubou-o em 23 de janeiro de 1958 e levou ao poder, provisoriamente, uma junta civil-militar presidida por Wolfgang Larrazábal.
Na eleição de dezembro do mesmo ano, livre e honesta, venceu Rómulo Betancourt. Seu segundo governo caracterizou-se por um esquerdismo mais moderado, que permitiu a colaboração da Ação Democrática com o segundo grande partido político do país, o Comitê de Organização Política Eleitoral Independente ou COPEI (logo denominado Partido Social Cristão), e ampliou a base social do governo democrático. Lançaram-se planos de modernização agrícola e industrial e de promoção da saúde e da educação. Em março de 1960 foi promulgada uma lei de reforma agrária de caráter moderado. No ano seguinte, aprovou-se uma nova constituição para o país.
O governo de Betancourt foi abalado por várias tentativas de golpe militar, assim como por uma forte depressão econômica. A oposição ao presidente Trujillo, da República Dominicana, motivou, em 1960, um atentado contra a vida do presidente praticado por agentes dominicanos. No ano seguinte, deterioraram-se também as relações com Cuba, em resposta ao apoio do governo de Fidel Castro à guerrilha venezuelana.
A eleição presidencial de 1963 deu a vitória a Raúl Leoni, da Ação Democrática, por uma pequena margem. Leoni formou um governo de coalizão com a União Republicana Democrática, de esquerda. Um novo período de prosperidade na indústria petrolífera permitiu acelerar os projetos econômicos e sociais do governo, que em poucos anos construiu uma poderosa indústria petroquímica. As eleições de 1968 foram vencidas, contudo, pela oposição social-cristã, que instalou na presidência seu dirigente, Rafael Caldera. Pela primeira vez na história da Venezuela, o poder passava a um sucessor da oposição sem que fosse alterada a normalidade constitucional.
O programa de Caldera não diferia substancialmente do de seu antecessor. O presidente melhorou as relações do país com Cuba, com a União Soviética e com os ditadores militares da América Latina. No início da década de 1970, o país passou a deter controle majoritário sobre os bancos privados estrangeiros e sobre a indústria de gás natural. As eleições de dezembro de 1973 deram o poder a Carlos Andrés Pérez, líder da Ação Democrática. O novo presidente redobrou os esforços governamentais para dotar o país de uma infra-estrutura industrial, e nacionalizou a indústria de minério de ferro, em 1975, e de petróleo, no ano seguinte. Em virtude da súbita alta dos preços do petróleo provocada pela guerra árabe-israelense de 1973, a Venezuela, como membro-fundador da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), quadruplicou seus lucros com a venda de petróleo. Uma onda consumista sacudiu o país, cuja frágil estrutura econômica foi incapaz de absorver a nova riqueza sem experimentar aumento da inflação.
O agravamento da crise econômica, devido à queda dos preços do petróleo no mercado internacional, persistiu durante o governo do social-cristão Luis Herrera Campíns, eleito em 1978, e gerou inquietação social. Em dezembro de 1983, elegeu-se Jaime Lusinchi, líder da Ação Democrática, que logo lançou um programa de austeridade econômica. Em 1988, Carlos Andrés Pérez reelegeu-se e adotou novas medidas restritivas que geraram forte insatisfação popular e diversas tentativas de golpe militar, lideradas pelo coronel Hugo Chávez Frías.
Em 1993, Pérez foi destituído, depois de condenado em processo de impeachment por corrupção (que um ano depois o levou para a cadeia), e substituído pelo presidente do Senado, Octavio Lepage. Em dezembro do mesmo ano, o ex-presidente Rafael Caldera reelegeu-se. Em 1994, as dificuldades econômicas, que incluíam a queda no crescimento e o aumento do desemprego e da pobreza, levaram o governo a suspender as garantias constitucionais relativas às atividades econômicas durante três meses, a controlar os preços e a intervir no mercado financeiro, entre outras medidas.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário