quinta-feira, 11 de abril de 2013

JOANA D'ARC

Quem poderia imaginar que a maior heroína da história da França viesse a ser uma jovem camponesa iletrada? Será que em algum momento os ingleses, em sua impetuosa e vitoriosa campanha em terras francesas durante a Guerra dos Cem Anos, imaginaram que seriam derrotados por um exército comandado por uma mulher? A religiosidade que fez de Joana D´Arc uma guerreira fantástica no comando dos exércitos franceses nos explica esse fenômeno histórico? Deus realmente se apresentou para Joana e pediu-lhe que empunhasse sua espada contra os invasores ingleses? Muitas pessoas se perguntam se essa história realmente aconteceu. E surpreendem-se de saber que trata-se de um acontecimento registrado, inclusive em autos impetrados pela Igreja Católica contra Joana.
A história se inicia com uma menina, verdadeiramente católica, que frequenta os cultos e vivencia sua fé. Até esse ponto nada a diferencia da grande maioria das pessoas da época em que vive, no século XIV, durante o ocaso do feudalismo. Nesse período, num país de católicos como a França, viver distanciado de Deus e da Igreja Católica significava problemas sérios para quem quer que fosse. Aplicado aos camponeses, as dificuldades tornavam-se ainda maior.
A vida de Joana no entanto, passa por uma grande transformação quando, ainda muito menina, ela presencia um ataque desferido pelos ingleses a vila onde vive. Sua família foi dizimada e sua irmã morta com extrema violência, tendo a jovem francesa presenciado a cena horrenda através das fendas da porta que a escondia.
Acolhida por parentes próximos, sua vida muda completamente e ela começa a ter visões, através das quais anuncia estar se comunicando com Deus. Numa época marcada por um grande crença religiosa, em que a França está sendo invadida por uma outra nação e se encontra frágil e desprotegida, quando nem mesmo um rei existe por essas paradas, o surgimento de uma pessoa que consegue conversar com o criador pode ser visto como um indício de que nem tudo está perdido. As esperanças dos fervorosos cristãos franceses foram então depositadas na jovem Joana.
Quando Joana anunciou aos quatro ventos que entre os desígnios de Deus encontrava-se a salvação da França das garras cruéis dos britânicos e que ela havia sido escolhida para libertar a nação que ainda estava a se formar, garantindo ao Delfim (herdeiro do trono) a possibilidade de assumir o comando do país, imediatamente foi aceita pelo povo e, posteriormente pela nobreza, como o bastião que poderia resgatar o orgulho francês (assim como as terras).
Para o povo, tratava-se realmente da eleita de Deus. Para os nobres, não passava de um artifício para atingir seus objetivos de livrar a França dos ingleses. Se ela pudesse ajudá-los a fazer isso, seria ótimo. A partir da realização desse intento, Joana deixava de ser uma aliada e tornava-se uma poderosa inimiga.
A configuração dos objetivos escusos do herdeiro do trono, personagem vivido pelo experiente John Malkovich, dependia de forte apoio popular e o surgimento de uma figura carismática como a jovem Joana (interpretada pela belíssima Milla Jovovich, que consegue dar a personagem toda a força e integridade que a história lhe confere) parecia garantir-lhe essa sustentação. Até esse momento, enfraquecido pelos sucessivos embates com os britânicos e pelas custosas derrotas (que abalaram-lhe as finanças e o prestígio), o Delfim parecia fadado a não atingir seu objetivo real. Com o aparecimento da emblemática personagem que falava em nome de Deus e garantia-lhe o direito a coroa, faltava-lhe apenas a confirmação da autoridade real, que teria que vir com as vitórias nas batalhas.
Surpreendentemente para todos, em particular para os nobres, que viam em Joana uma simples mulher camponesa, sua sede de vitórias e o embalo de carregar consigo o que imaginava ser o poder que Deus havia lhe confiado, vitórias incríveis foram sendo conquistadas. Numa época em que as mulheres sofriam enormemente com o preconceito e a pecha de subservientes aos homens, cabendo-lhes papel secundário na história, Joana se tornava um mito. Encarnava papéis que seriam exclusivamente reservados aos homens, empunhava espadas, vestia uma armadura que protegia seu "frágil" corpo de mulher, cortava os cabelos curtos e falava como comandante.
Não demorou muito para que viesse a ser chamada de bruxa pelos inimigos. Abria-se a brecha que as autoridades francesas precisavam para poder se desfazer da mesma. Logo deixaria de ser a heroína e tornaria-se uma herege. Somente as chamas purificadoras da Inquisição poderiam permitir-lhe livrar-se das alucinações e de identificar-se como portadora das mensagens de Deus. Afinal, onde já se viu, em plena Idade Média, Deus apresentar-se aos homens utilizando-se de uma mulher, camponesa de origem, analfabeta e que, além de tudo, demonstrava força e personalidade. Inadmissível! .
Até que ponto tudo isso é verossímil, principalmente no que tange aos aspectos da religiosidade, jamais descobriremos. O filme de Luc-Besson, no entanto, tem ritmo alucinante e prende os espectadores, recria com capricho visual acentuado um período conturbado, coloca em discussão uma mulher que superou os limites de seu tempo e virou símbolo de um país em sua luta pela liberdade. Não perca!.(CineWeb).

 

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