terça-feira, 28 de maio de 2013

NURAGUES E DOLMENS

Nurague
No período Neolitico  (período em que a agricultura foi bastante forte) surge um novo cenário que acaba sendo favorávei à sobrevivência humana. Esse cenário tem como características as proximidades com rios, cujas cheias regulares ajudavam na fertilização do solo e como consequência aumentava o cultivo agrícola. Também podemos citar como outras características, a descoberta do fogo e do metal, que aliadas às transformações no ambiente, permitiram ao homem um maior controle da natureza.
Dessa maneira, o homem inicia o processo de abandono das cavernas e passa a construir suas próprias moradias. Essas moradias são conhecidas e denominadas Nuragues, que significam construções edificadas em pedra. Tinham formas de cone, como se fossem fendas, e não possuíam nenhum outro material que provocasse uma mistura ou até mesmo a união dessas “fendas”.
Dolmen
Já os Dolmens são construções que também fazem parte do período Neolitco, porém existiam diferenças entre elas e os Nuragues. Os Dolmens consistiam em formações arquitetônicas que eram formadas por duas ou mais grandes pedras fincadas verticalmente no chão, funcionando como se fossem paredes, e uma grande pedra colocada na horizontal sobre elas, funcionando como se fosse um teto.
As informações que nós temos hoje, sobre essas construções, é que serviam para rituais misticos, culto aos deuses, ou até mesmo templos para sacrifícios para homenagear algum deus. Porém existem também várias lendas e mitos em volta dessas construções, principalmente relacionado ao santuário de Stonehenge, que se localiza ao sul da Inglaterra (que é um exemplo tipico de uma construção Dolmens).
Hoje nós podemos encontrar várias teorias que procuram explicar essas formações arquitetônicas. Algumas delas revelam que os Dolmens eram apenas túmulos, pois em quase todas as construções que não sofreram nenhum tipo de violação pelo homem, foram encontrados esqueletos ou fragmentos de esqueletos através de escavações arqueológicas. Alguns acreditam também que tais construções serviam como observatórios astronômicos ou até mesmo relógios solares.
A verdade é que existem muitas especulações a respeito do tema, e até hoje as ciências Historia, a Antropologia, a Arqueologia e até mesmo a Arquitetura, não conseguem e não conseguiram explicar de maneira satisfatória a representação e a simbologia dessas construções para a sociedade pré-história.
Para concluir, podemos afirmar que todas essas construções (Nuragues e Dolmens) podem ser consideradas as primeiras construções realizadas pelo homem e também a primeira manifestação de vontade e necessidade das sociedades criarem e se organizarem.
Pedro Augusto Rezende Rodrigues
 
 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

AS UNIFICAÇÕES DA ITÁLIA E DA ALEMANHA

ITÁLIA
            Para que a unificação se completasse faltava ainda à conquista do sul, os Estados controlados pelo papa e o reino de Veneza, ainda nas mãos dos austríacos. Em 1860, Garibaldi e sua tropa invadiram o Reino de Nápoles. Para não provocar divisões, Garibaldi abriu mão da causa republicana e aceitou a liderança da monarquia piemontesa  no processo de unificação. Em 1861 foi eleito o primeiro parlamento italiano que reconheceu o rei Vitor Emanuel II do Piemonte como rei da Itália. Em 1866, os italianos anexaram Veneza. Em 1870  conquistaram os Estados Pontifícios, inclusive Roma. O papa Pio IX, entretanto, recusou-se a reconhecer o novo Estado e refugiou-se no Vaticano. O impasse só seria resolvido em 1929. Mas a Itália estava unificada.
 ALEMANHA

Além da Itália, a Europa no século XIX assistiu ao surgimento de uma nova nação com base na unificação de pequenos Estados. Esse novo país foi à Alemanha.  Estes Estados formavam a Confederação Germânica, dos quais os mais importantes eram a Prússia e a Áustria. Em 1834, foram eliminadas as barreiras aduaneiras entre esses Estados. Tal situação dinamizou o capitalismo na região.
            Em 1862, o rei da Prússia, Guilherme I, nomeou Oton von Bismarck para chanceler. Antiliberal e monarquista, Bismarck defendia a unificação dos Estados germânicos, mesmo que para isso fosse necessário o uso da força. Com essa ideia em mente, em 1864 Bismarck aliou-se ao governo da Áustria e lançou-se em uma guerra contra a Dinamarca pela posse de dois ducados de população germânica. Ao sair vitorioso do confronto, o governo de Bismarck retardou a partilha dos territórios conquistados com os austríacos e propôs mudanças na Confederação Germânica, excluindo a Áustria do grupo. Em represália a Áustria declara guerra a Prússia em 1866. De curta duração o conflito foi vencido pelos prussianos. Com a vitória, Bismarck extinguiu a Confederação Germânica, criando a Confederação Germânica do Norte.
            A formação dessa confederação fez com que a França exigisse que os Estados germânicos do Sul não integrasse a Confederação proposta pela Prússia. Sentindo-se atingida em seus interesses a Prússia declara guerra à França impondo uma vitória sobre Napoleão III. Em 1871, no Palácio de Versalhes, Bismarck proclama o II Reich da Alemanha unificada, sob o governo do Kaiser Guilherme I. Com esse ultraje a França, Bismarck e Guilherme I vingavam-se da humilhação imposta por Napoleão Bonaparte ao dissolver em 1806 o Sacro Império Romano Germânico, considerado o I Reich. A Alemanha unificada desenvolveu-se rapidamente e começou a exigir colônias levando a uma tensão diplomática entre as potencias da época. Este desgaste diplomático resultaria em uma corrida armamentista que, desembocaria na I Guerra Mundial no século seguinte.

HISTÓRIA DO SURINAME

Após sua independência, a antiga Guiana Holandesa adotou o nome de Suriname em homenagem aos primitivos habitantes da região.
O Suriname localiza-se no litoral norte da América do Sul. Com uma superfície de 163.820km2, limita-se ao norte com o oceano Atlântico, a oeste com a Guiana, ao sul com o Brasil e a leste com a Guiana Francesa.
O litoral do atual Suriname foi avistado por navegantes castelhanos e a região reclamada pela coroa espanhola, mas não houve assentamentos europeus até a chegada dos primeiros holandeses em 1602. Meio século mais tarde o governador britânico de Barbados enviou colonos à região. O conflito entre os dois grupos de colonos foi solucionado pelo Tratado de Breda (1667), pelo qual os holandeses ficaram com a colônia que se tornaria conhecida como Guiana Holandesa e entregaram aos ingleses sua colônia na América do Norte, Nieuw Amsterdam, depois Nova York.
Em 1682 a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais iniciou a exploração do país, com a importação de escravos africanos para o cultivo de plantações de café e cana-de-açúcar. A brutalidade levou muitos escravos a fugirem e, fora do alcance de seus antigos proprietários, reproduziram a cultura tribal africana em locais isolados do interior da selva. Excetuados breves intervalos, de 1799 a 1802 e de 1804 a 1815, quando caiu sob o domínio britânico, o Suriname permaneceu sempre como colônia holandesa.
Em 1863 foi abolida a escravatura e mais tarde começaram a chegar imigrantes de diversos países asiáticos, para substituir os escravos nas plantações. Em 1915 descobriram-se as jazidas de bauxita, cuja exploração se transformou, depois da segunda guerra mundial, no principal recurso  econômico do país em substituição à agricultura intensiva, que estagnara. Em 1954 realizaram-se reformas constitucionais que concederam governo autônomo à colônia.
Em 25 de novembro de 1975, a Guiana Holandesa transformou-se em estado independente, de regime parlamentarista constitucional, com Henck Arron como primeiro-ministro, e adotou o nome de Suriname. Cinco anos mais tarde, uma crise de governo, agravada pela estagnação econômica, levou os militares ao poder. Foi constituído um conselho militar, logo dominado pelo coronel Dési Bouterse, de tendência esquerdista, que se mostrou intransigente frente à oposição. Depois de uma aproximação com os regimes socialistas, em 1983 foram expulsos do país diplomatas e conselheiros cubanos. A situação política e econômica do país se deteriorou ainda mais e um grupo guerrilheiro, o Exército de Libertação do Suriname, mais conhecido como Comando das Selvas, formado na maioria por negros, intensificou as ações militares e impediu as atividades de mineração de bauxita. A repressão aos negros civis provocou uma fuga em massa para a Guiana Francesa.
Forçados pelo agravamento da situação interna, os líderes militares iniciaram um diálogo com os principais partidos políticos do país. Em 1985 foi convocada uma Assembléia Nacional, com a missão de elaborar uma nova constituição, e Bouterse foi designado chefe de estado. Em novembro de 1987, eleições gerais puseram fim a sete anos de poder militar e deram a vitória à coalizão Frente para a Democracia e Desenvolvimento, mas Bouterse se manteve no cargo de presidente do Conselho Militar Nacional, de ampla influência política.
Em dezembro de 1990, Bouterse renunciou e horas depois um novo golpe militar encerrou três anos de experiência democrática. Pressionados pelos Estados Unidos, Países Baixos, França e a Organização dos Estados Americanos (OEA), os militares promoveram eleições em 25 de maio de 1991. A Nova Frente para a Democracia e Desenvolvimento, que incluiu a antiga Frente e o Partido Trabalhista, conquistou a maioria dos votos para o Parlamento, formou o governo e elaborou uma legislação que tirou dos militares todo o poder. O governo fez também um acordo com o movimento guerrilheiro, que suspendeu suas atividades.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

NOSTRADAMUS: O HOMEM QUE ENCHERGAVA O FUTURO

Faz 500 anos que ele nasceu. Suas predições - certas ou erradas - foram ouvidas por nobres e rainhas e ainda são lidas e interpretadas. Saiba como e por que ele se tornou...
No sótão da casa de Michel de Nostradamus passaram-se mais de 2 mil anos de história da humanidade. Era lá que todas as noites, sentado numa cadeira de bronze, ele consultava os astros. Ao seu redor tinha espelhos, varinhas e uma tigela cheia de água que lhe servia de oráculo. Sempre sozinho, com um bastão nas mãos, ele via uma espécie de chama surgir das águas e de repente o futuro aparecia como presente diante dos olhos. Nostradamus então desandava a escrever aquilo que estava enxergando. Foi assim que redigiu mais de mil profecias que sugeriam a morte de reis, a destruição de cidades, o nascimento de tiranos e o fim da vida em 3797. Nenhum outro vidente conseguiu tanta fama, foi tão respeitado em vida e estudado após a morte. Mas também ninguém gerou tanta polêmica sobre a veracidade de seu legado.
Nostradamus conseguiu tudo isso com apenas 15 anos de trabalho. Uma carreira meteórica. Apesar de flertar com a astrologia desde o final da adolescência, ele passou a maior parte da vida como médico, formado pela Universidade de Montpellier, no sul da França. Conseguiu o diploma mesmo contrariando seus mestres com os tratamentos que receitava. Em vez de sangrias, ele interpretava a posição dos astros e recomendava água limpa, ar puro e comprimidos à base de flores. Ao final do curso, passou a vagar pela França oferecendo seus serviços. Onde quer que estourasse uma epidemia, lá ia o doutor com seus métodos de cura baseados em conceitos inovadores como higiene e isolamento dos doentes.
Ser um bom médico trazia dinheiro, mas também dor de cabeça. Estamos no início do século 16, numa França ainda sensível aos poderes da Inquisição. Naquela época, salvar vidas era sinal de conhecimento médico, mas poderia ser visto como indício de pacto com o demônio. Para piorar, Nostradamus era descendente de judeus convertidos ao catolicismo.
Peregrinando em busca de trabalho, passou por Toulouse, Bordeaux, Avignon, Provence. Em Agen, casou-se por volta de 1534 e teve dois filhos. Mas a mulher e as crianças morreram vítimas da peste bubônica. Irada com a incapacidade do genro de tratar a própria esposa, a família da moça processou Nostradamus e exigiu que ele devolvesse o dote.
Entre as provas contra o réu, estava o depoimento de um artesão para quem o médico teria dito que uma escultura da Virgem tinha a “moldagem dos demônios”. O bafafá foi tão grande que ele foi chamado ao tribunal da Inquisição. Já sentindo o calor da fogueira, Nostradamus deu no pé. Sem clientes após o escândalo, retomou a vida de errante. Só parou em 1547, quando se casou com uma rica viúva e se estabeleceu na pequena Salon-en-Provence.
A certidão matrimonial ainda pode ser encontrada no cartório da cidade. A casa onde viveram continua intacta, na Place de la Poissonnerie.
De médico a profeta
Muito antes de Paulo Coelho se tornar o autor favorito dos franceses, Nostradamus e seus textos místicos já causavam alvoroço no país. Três anos depois, o médico publicou seu primeiro Almanac. Além de falar sobre o clima e a agricultura, o livro trazia 12 poemas de quatro linhas. Cada um continha uma profecia para um mês do ano. Foi um sucesso.
Estava começada a carreira de popstar de Nostradamus. Nos anos seguintes, ele continuou publicando o Almanac e trocou definitivamente as consultas médicas pelas astrológicas. Surgiram lendas sobre um certo doutor curandeiro que enxergava o futuro. Uma delas dizia que certa vez, na Itália, ele se ajoelhou aos pés de um andarilho e chamou-o de “Sua Santidade”. Quarenta anos mais tarde, o andarilho teria se tornado o papa Sisto V. Como se vê, a partir dessa época a pesquisa histórica começa a ser prejudicada pelo mito em torno do personagem. Os relatos se tornam fantásticos e de difícil comprovação. Para alguns intérpretes, no entanto, existe preconceito dos historiadores em relação a uma figura mística. “Copérnico e Nostradamus viveram na mesma época e a quantidade de material sobre eles é parecida. Para provar algo sobre Copérnico, a maioria dos especialistas aceita uma ou duas fontes históricas.
Mas para falar de um astrólogo, apresentamos cinco, seis relatos e ainda existe resistência”, afirma o americano John Hogue, que prepara o lançamento de seu sétimo livro sobre Nostradamus.
Não são apenas os historiadores que torcem o nariz para o vidente. Ele também era desprezado por seus vizinhos em Salon, a maioria camponeses religiosos. Mas quem, vivendo na França em pleno século 16, precisava do apoio do povo se estava cercado de mimos pela nobreza? Nostradamus fazia horóscopos para ricos que vinham de Paris e atendia gente cada vez mais influente. Logo resolveu dar início a sua empreitada mais ousada: escrever o futuro da humanidade em um livro de dez volumes. Batizado de Centúrias, cada fascículo da obra traria 100 quadras, num total de mil profecias. Em 1555, uma editora de Lyon lançou as três primeiras centúrias e 53 quadras da centúria IV. Dois anos mais tarde foram concluídas a centúria IV, a V, a VI e parte da VII. Rapidamente as profecias chegaram às mãos da rainha Catarina de Médici, uma católica fervorosa que adorava se consultar com magos e astrólogos. Uma quadra em especial, a de número 35 na primeira centúria, chamou atenção da monarca.
O conteúdo era bastante semelhante ao que ela teria ouvido de um vidente italiano, Luc Gauric, e fazia referência à morte de seu marido, o rei Henrique II. “O jovem leão triunfará sobre o mais velho / No campo de combate na única batalha / Perfurará os olhos através da jaula dourada / Dois ferimentos em um, depois uma morte cruel.”
A quadra é um bom exemplo da sutileza das profecias. O texto é pouco claro e só pode ser compreendido a partir de metáforas. Como a maior parte do trabalho de Nostradamus, não há menção direta a nomes ou datas. Catarina mandou buscar o autor do texto em Salon e, no dia 15 de agosto de 1556, ouviu da boca dele a interpretação da quadra. Para nós restou apenas a explicação dos especialistas no assunto. E todos concordam que Nostradamus fazia referência a um combate de lanças, que ocorreria em 1559, entre o rei (o leão mais velho) e Gabriel de Lorges, conde de Montgomery (o leão jovem). Durante o enfrentamento, a lança do nobre atingiu o elmo do rei (a jaula dourada), entrou pelo olho direito de Henrique II e saiu pela orelha. Catarina ficou viúva. O episódio aumentou a pressão da Inquisição sobre Nostradamus, mas também seu acesso à corte francesa. Catarina chamou-o novamente, dessa vez para saber do futuro de seus filhos.
A influência chamou a atenção do embaixador espanhol, que escreveu uma carta ao rei Felipe II dizendo que “seria melhor punir (Nostradamus) que permitir a venda de profecias que conduzem a crenças vãs e supersticiosas”. Mas os franceses não estavam sozinhos. Na mesma época, na Inglaterra, John Dee virou estrela na corte da rainha Elizabeth I após prever que sua irmã e rival, a rainha Mary, teria um casamento infeliz e sem filhos. E o próprio Felipe II gostava tanto das visões de Teresa de Ávila que ela foi canonizada apenas 50 anos após sua morte.
Debilitado por crises de gota e artrite, Nostradamus se isolou em Salon, onde recebeu a própria Catarina e seu filho Carlos IX, então rei da França, em 1565. Morreu em 1566, aos 63 anos, vítima de problemas coronários. Deixou redigida uma quadra em que previa o próprio destino. “Parentes próximos o acharão, irmãos de sangue / Morto perto da cama e do assento”, dizia a profecia. Assim foi feito. Numa manhã, o vidente foi encontrado sem vida pela família exatamente no local que ele descrevera.
Mas a morte não diminuiu sua fama. Ao contrário, impulsionou as lendas em torno de seu nome. Na primeira edição das Centúrias, Nostradamus escreveu uma carta ao filho César em que explica boa parte do seu trabalho. Até hoje, ela é uma das principais referências para entender sua obra. É lá que ele cita o ano de 3797 como data limite para as profecias. O vidente explica que a linguagem complexa usada nas quadras é uma forma de esconder seu conteúdo e assim enganar a Inquisição. O texto também traz um erro: numa rara referência a datas, o francês escreveu que 177 anos, 3 meses e 11 dias a partir da publicação viriam “a peste, um longo período de guerras e fome e depois a humanidade diminuirá e os homens serão tão poucos que serão insuficientes para ocupar os campos.” Em 22 de junho de 1732, alvo da profecia, a Europa vivia uma fase de prosperidade e paz.
A previsão furada parece não ter arranhado a reputação do profeta. Mesmo porque, quando o ano de 1732 chegou, a idéia de que Nostradamus havia sido o mais importante vidente da história já estava consolidada. E, num fenômeno comum ainda hoje, a morte só ajudou a aumentar sua popularidade. A obra do astrólogo começou a ser reeditada, compilada e até completada a partir de 1568. O principal responsável por isso foi o francês Jean Aimé de Chavigny, que pode ter sido uma espécie de secretário de Nostradamus, apesar de a exata relação entre os dois nunca ter ficado clara. Com a ajuda de César de Nostradamus, Chavigny foi o primeiro intérprete das centúrias e é possível que boa parte do material disponível hoje tenha sido relatado por ele. Os livros da edição de 1555 não sobreviveram ao tempo.
O sumiço dos originais é um problemão. Não há dúvidas de que eles realmente foram escritos, mas a mania dos especialistas de inserir interpretações ao traduzir e analisar as quadras coloca em xeque a autenticidade dos textos. Teophilus de Garencières, por exemplo, autor da primeira versão para o inglês, em 1672, usou uma edição falsa em que duas quadras haviam sido inseridas com o objetivo de atacar o cardeal francês Jules Mazarin. Além de não perceber o erro, Garencières ainda escreveu que um período de guerra estava relacionado ao religioso.
Entender as profecias sem a ajuda dos intérpretes, porém, é impossível. Sozinho, é preciso ser quase tão vidente quanto Nostradamus para decifrar as Centúrias. John Hogue lista as dificuldades impostas pelo astrólogo: os anagramas, nomes antigos, tomar a parte para falar do todo, as metáforas e a ausência de ordem cronológica. Hitler, por exemplo, é Hister, ou o homem da cruz distorcida – uma possível menção à suástica. Outro problema é que intérpretes fazem análises distintas das mesmas profecias. James Randi, que ficou famoso por oferecer 1 milhão de dólares para quem provasse um evento paranormal, escreveu um livro para desmascarar Nostradamus.
Ele encontrou quatro análises diferentes para a quadra I.57 (“Por uma grande discórdia a tromba tremerá / Acordo rompido ergue a cabeça ao céu / A boca sangrando nadará em sangue / Ao solo a face de leite e mel”). As interpretações incluíam um terremoto, a morte de Luís XVI, o ataque a Pearl Harbour e a ascensão de Hitler. “Ele ficou famoso porque escrevia muito, mais que qualquer outro. E, como as quadras não têm sentido, podem ser aplicadas a qualquer evento”, afirma Randi.
Por “qualquer evento” entenda algo catastrófico. As mais famosas previsões estão sempre relacionadas a revoluções, mortes ou guerras. Falou-se até na hecatombe do planeta, que viria na época do eclipse de 1999 (“Será precedido por um eclipse do Sol / Mais escuro e tenebroso / Que já ocorreu desde a criação do mundo / Exceto o da morte e paixão de Cristo”). A análise foi revista pela maioria dos intérpretes quando a Terra continuou intacta. Mas basta pegar edições da década de 80 para perceber que na época autores consagrados como Jean-Charles de Fontbrune, que vendeu mais de 1 milhão de cópias do livro Nostradamus Historiador e Profeta, e o próprio Hogue afirmavam que o mundo sofreria um enorme desastre em 1999.
Talvez sabendo disso, algum engraçadinho resolveu aproveitar os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, para comprovar que as profecias de Nostradamus estavam corretas. Logo após os ataques, uma quadra grosseiramente falsa circulou pela internet alertando para o conflito. “Na Cidade de Deus acontecerá um grande trovão / Dois irmãos separados pelo Caos / A fortaleza seguirá, o grande líder sucumbe / A terceira grande guerra começará enquanto a grande cidade está queimando.” Graças à falsa profecia, em 16 de setembro os livros sobre o vidente ocupavam a primeira, a quarta, a quinta, a 11ª, a 12ª e a 25ª colocações na lista de mais vendidos da livraria virtual Amazon.com. De Catarina de Médici ao World Trade Center passaram-se quase cinco séculos. Mas a reputação de Nostradamus, o maior vidente da história, ficou intacta.
Sérgio Gwercman | 01/11/2003
 
 

PERSEU

Temeroso de ver cumprida a previsão de um oráculo, segundo a qual sua filha Dânae daria à luz aquele que lhe roubaria o trono e a vida, Acrísio, rei de Argos, enclausurou-a numa torre. Zeus, sob a forma de uma chuva de ouro, introduziu-se na torre e engravidou Dânae, que gerou Perseu.
Herói da mitologia grega, Perseu era filho de Zeus com a mortal Dânae. Logo após seu nascimento, o avô abandonou-o ao mar numa arca, em companhia da mãe, para que morressem. A correnteza, porém, arrastou a arca até a ilha de Sérifo, reino de Polidectes, que se apaixonou por Dânae. Mais tarde, com o intuito de afastar Perseu da mãe, Polidectes encarregou Perseu de perigosa missão: trazer a cabeça da Medusa, a única Górgona mortal. Com a ajuda de Atena, Hades e Hermes, que lhe emprestaram as armas e a armadura, Perseu venceu as Górgonas e, para evitar a visão da Medusa, que petrificava quem a fitasse, decapitou-a enquanto dormia, guiando-se por sua imagem refletida no escudo de Atena. Passou então a carregar sua cabeça como um troféu, com que petrificava inimigos.
Na Etiópia, Cassiopéia, esposa do rei Cefeu e mãe de Andrômeda, proclamara-se mais bela que as próprias ninfas. Posêidon, furioso, castigou-os com uma inundação e com a presença de um monstro marinho. Um oráculo informou a Cefeu que a única maneira de salvar o reino seria expor Andrômeda ao monstro, o que foi feito. Perseu, em sua viagem de volta a casa, viu a bela princesa e apaixonou-se por ela. Com a cabeça da Medusa, petrificou o monstro e libertou a jovem, com quem se casou.
De volta à Grécia com a esposa, após resgatar sua mãe do castelo de Polidectes, Perseu restabeleceu o avô Acrísio no trono de Argos mas, como predissera o oráculo, terminou por matá-lo, embora acidentalmente. Ao sair de Argos, fundou Micenas, e tanto a Grécia como o Egito o honraram como herói. A lenda de Perseu serviu de inspiração a pintores e escultores da antiguidade e do Renascimento. Uma de suas mais célebres esculturas é de Benvenuto Cellini, de 1554.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

REINO DE JERUSALÉM

O Reino de Jerusalém  foi um Estado criado em função da Primeira Cruzada.
No final do século XI, os cristãos na Europa organizaram um movimento ao qual chamariam de Cruzada  com o objetivo de reconquistar a Terra Santa, Jerusalém. Esta cidade é importante para o cristianismo por ter grande ligação com a vida de Jesus Cristo. A Primeira Cruzada, então, partiu com apoio papal e sob comando de Godofredo de Bulhão, um dos líderes do movimento. Em 1099, esse exército de cristãos tomou Jerusalém e proclamou a existência de um novo reino governado pelo monarca Godofredo de Bulhão, que deu a si mesmo o título de Defensor do Santo Sepulcro. Entretanto, Godofredo viveu apenas mais um ano, passando, assim, o poder para seu irmão, Balduíno I.
Balduíno I teve mais tempo para realizações no Reino de Jerusalém. Sob seu comando, anexou os territórios de Acre, Sídon e Beirute, além de comandar outros Estados que já eram cruzados como Edessa, Antioquia e Trípoli. Mas Balduíno faleceu sem deixar herdeiros e o comando do Reino de Jerusalém passou para seu primo, Balduíno de Burg. Embora tenha sido capturado pelos turcos por várias vezes, também foi capaz de aumentar o território do reino.
O Reino de Jerusalém foi se tornando gradativamente mais povoado por pessoas provenientes da Europa. Mas, naturalmente, esses indivíduos foram absorvendo hábitos orientais com o passar do tempo. Assim, e na verdade, houve uma mistura muito grande de culturas. Enquanto o reino era baseado em feudos, como acontecia na Europa, a mão-de-obra reunia muçulmanos e cristãos ortodoxos, já os mercadores italianos se encarregavam do comércio com um caráter mais urbano.
Balduíno II faleceu em 1131 e o reino foi passado para sua filha, Melisende. Durante seu governo, Jerusalém viveu o período áureo em questões econômicas e artísticas. Com o falecimento de seu marido, Melisende manteve-se como regente de Jerusalém até seu filho, Balduíno III, alcançar idade suficiente para assumir a liderança do reino.
Um dos problemas que afetava o Reino de Jerusalém era a fraca defesa, pois havia número reduzido de soldados. Ainda no reinado de Balduíno II, uma solução foi dada ao caso, foram criadas ordens militares. É desse momento a fundação de famosas ordens como os Cavaleiros Templários e os Cavaleiros Hospitalários, os quais tinham quartéis-generais em Jerusalém e ocupavam castelos e terras de nobres que as doavam. O comando das ordens estava submetido diretamente ao papa e elas participavam das mais importantes batalhas com o objetivo de defender a Terra Santa dos inimigos.
Durante o reinado do leproso monarca Balduíno IV, formaram-se facções dentro do Reino de Jerusalém. Com o falecimento do monarca, Balduíno V assumiu o comando. Porém este viveu pouquíssimo tempo à frente do reino, apenas um ano. E, assim, sua mãe, Sibila, assumiu o trono ao lado de Guy de Lusignan. Este era um governante desastrado, incitou Saladino a uma guerra e viu seu reino se fragmentar. Saladino reuniu um grande exército de muçulmanos que varreu o Reino de Jerusalém e derrubou o governo cristão na Terra Santa. Em função de negociações, os cristãos puderam voltar a frequentar a Terra Santa e o Reino de Jerusalém ficou reduzido a um pequeno Estado na Síria com capital em Acre. Nos cem anos seguintes à derrota para Saladino, que foi em 1187, as investidas dos cristãos para tentar recuperar as terras sagradas foram todas frustradas. Os mamelucos foram se apoderando gradativamente dos territórios até tomarem também Acre, em 1291, selando o fim do Reino de Jerusalém.
Antonio Gasparetto Junior

PATO DONALD



O Pato Donald (em inglês: 'Donald Duck') é um personagem de desenhos animados e arte sequencial dos estúdios de Walt Disney, criado em 1934. Donald é um pato branco, de pernas e bico alaranjados, veste sempre uma camisa e quepe de marinheiro. O motivo para isto é que na época em que foi feito, todos os personagens precisavam vestir roupas. Seu nome completo é Donald Fauntleroy Duck. A voz "grasnada" de Donald foi criada pelo dublador Clarence Nash que até então era apenas um homem vindo da zona rural de Watonga, Oklahoma. Nash tinha o dom natural para imitar animais, inclusive sons de patos. No início dos anos 30, mudou-se para a Califórnia, onde fez locução de propaganda numa rádio. A voz que Nash criou para Donald consistia em falar palavras através de um tipo de "ruido", feito com o canto da boca e os dentes molares, que lembrava o grasnado de um pato. Após Walt Disney o escutar recitando o poema "Mary Tinha um Carneirinho" (Mary Had a Little Lamb) com sua "voz de pato", chamou-o para uma audição e imediatamente o contratou, adivinhando que havia escolhido a voz certa para o seu novo personagem, Donald. Nos quadrinhos, Donald também se tornou um astro entre o público infantil com grande popularidade internacional, inclusive em Portugal e no Brasil.Donald passou a ter "vida própria", sem depender de Mickey, quando um dos animadores de Disney, Carl Barks, ao ficar encarregado dos quadrinhos, resolveu adaptar uma história originariamente escrita para Donald, Mickey, Pateta e Pluto, desenhando-a apenas com Donald e seus sobrinhos: Donald Duck Finds Pirate Gold (Donald Encontra o Ouro dos Piratas). Ela foi publicada em 1942 e pertence à serie de revistas da Dell Comics chamada "Four Color".No cinema, na televisão, nos quadrinhos e em outros meios, Pato Donald virou mania também no Brasil, conquistando um posto superior entre os personagens Disney e de quadrinhos em geral, rivalizando, e muitas vezes superando, Mickey Mouse em popularidade.Os quadrinhos protagonizados pelo Donald fizeram estréia no Brasil no Suplemento Juvenil de Adolfo Aizen em Outubro de 1938. Lançada em julho de 1950, a revista O Pato Donald (Pato Donald desde 1980), foi o marco inicial da Editora Abril, o que o torna o título de quadrinhos de mais longa publicação contínua no Brasil.(Fonte: Wikipédia).

segunda-feira, 20 de maio de 2013

AS REVOLTAS LIBERAIS DO SÉCULO XIX

Liberalismo – ideologia dominante entre a burguesia industrial opunha-se à monarquia absolutista e a intervenção do Estado na economia e lutava pela adoção de uma Constituição que estabelece-se limites para o governante, garantisse o direitos civis e políticos e assegurasse a propriedade privada e as liberdades individuais.
Nacionalismo – forte entre os povos de mesma origem e cultura, mas ainda não unificados ou sob dominação estrangeira, lutava pela afirmação da ideia de nação, pela unidade politica e pela independência nacional.


                  
O século XIX foi na Europa um período de revoltas e revoluções. Cada um desses momentos teve motivações particulares. Mas todos foram, há um tempo, fruto das mudanças sociais, econômicas e politicas ocorridas no período anterior e uma resposta à restauração das monarquias promovidas pelo Congresso de Viena. A restauração da velha ordem significava autoritarismo e repressão. Contra elas se insurgiram as novas forças sociais surgidas com a Revolução Industrial e influenciadas pelos ideais da Revolução Francesa. Essas forças eram a burguesia liberal, o proletariado e as camadas médias urbanas. Todas elas exigiam mais liberdade. No caso do proletariado, reivindicavam também mais igualdade.

 Os Anos de 1820 e as Revoluções de 1830
                  As revoluções que eclodiram entre 1820e 1830, foram pautadas por fortes componentes liberais e, em alguns casos também nacionalistas. De modo geral, esses movimentos, caracterizados por alguns historiadores de “primeira onda revolucionária”, foram conspirações militares ou movimentos promovidos por organizações secretas que, em sua maioria acabaram sufocados por forças governamentais. Em destaque a Revolução Liberal do Porto que resultou na aprovação da primeira Constituição portuguesa e obrigou o rei D. João VI que estava no Brasil desde 1808 a retornar para Portugal.
                   A primeira onda revolucionária não chegou a abalar a monarquias europeias. No entanto a “segunda onda revolucionária” (1830) provocou impacto muito mais profundo, principalmente na França.  Após a morte de Luís XVIII, em 1824, o país passou a ser governado por Carlos X. De formação ultraconservadora, o novo rei tentou restabelecer o absolutismo, dissolvendo a  Assembleia e impondo censura à imprensa. Em julho de 1830, a população de Paris se revoltou, erguendo barricadas e enfrentando as forças do governo. Depois de três dias de combates nas ruas, Carlos X foi deposto. Em seu lugar subiu ao trono Luís Filipe, duque de Orleans.  A queda de Carlos X na França estimulou uma nova onda de revoltas em diversas regiões da Europa. A Bélgica libertou-se da Holanda, na Polônia insurgiu um movimento nacionalista contra o domínio russo. Na península itálica eclodiram levantes liberais e nacionalistas contra o domínio austríaco.

A Terceira Onda Revolucionária
                   Uma no crítico. Assim pode ser definido 1848 na Europa. No campo, uma sucessão de más colheitas iniciada em 1845 tornava dramática a vida da população. Nas cidades, atingidas pela fome e pelo desemprego, a situação das camadas mais pobres da população não era melhor. Nessas circunstancias, manifestações e protestos não tardaram em acontecer. Em 1846, na Galícia austríaca (hoje parte da Polônia) eclodiu uma grande revolta camponesa: em uma só noite, cerca de mil aristocratas foram mortos pela população enfurecida.

A Comuna de Paris
Depois de se envolver em várias guerras e fracassar o governo de Napoleão III é substituído pela proclamação da Terceira República que assinou um acordo de paz com a Prússia. Os trabalhadores não se conformaram com os termos do acordo e se opuseram ao governo. Apoiados pela Guarda Nacional eles tomaram o poder em Paris em março de 1871. Em substituição ao governo burguês, os revolucionários criaram um órgão de poder conhecido como Comuna de Paris. Composta por 90 pessoas eleitas por meio do voto universal masculino, a Comuna contava com a participação de representantes de diversas tendências socialistas. Assim, pela primeira vez na história, ascendia ao poder um governo de origem proletária. A Comuna promoveu a separação entre Estado e Igreja, a administração da cidade foi delegada a funcionários eleitos e as fábricas passaram a ser administradas pelos operários. Os líderes do movimento conclamaram os trabalhadores do interior da França a seguir o exemplo de Paris e constituir comunas autônomas em suas regiões, mas não obtiveram êxito. A Comuna de Paris durou apenas dois meses. Em maio de 1871, tropas enviadas pelo governo de Thiers invadiram a cidade, mataram cerca de 20 mil pessoas entre homens, mulheres e crianças e prenderam outras 38 mil, expulsando os operários do poder  e  restabelecendo o governo burguês.

                   Na França, o descontentamento social logo assumiu a forma de revolução. Em fevereiro de 1848, manifestações populares em Paris, seguidas de combates nas ruas, levaram a abdicação do rei Luís Filipe e a proclamação da Segunda República. Formou-se então um governo provisório de maioria burguesa que convocou eleições para uma Assembleia Constituinte. Em junho manifestações operárias reivindicando melhores condições de vida foram violentamente reprimidas pelo governo. Rompia-se assim a aliança entre burguesia liberal, agora no poder, e a classe trabalhadora influencia pelo socialismo. Em dezembro Luís Bonaparte (sobrinho de Napoleão) venceu as eleições presidenciais. Em 1851, ele daria um golpe de Estado autoproclamando-se imperador, com o titulo de Napoleão III, pondo fim à segunda república. Apesar disso, os acontecimentos na França repercutiram por toda a Europa e pelas aspirações que a animavam, essa onda revolucionária ficaria conhecida como Primavera dos Povos.

Lei das Cotas

Oficialmente publicada no Diário Oficial, na data de 15 de Outubro do ano de 2012, a Lei de Cotas  foi regulamentada, junto a portaria normativa do Ministério da Educação. O decreto foi devidamente assinado pela presidenta da República, Dilma Rousseff e apresentado em um evento especial do MEC (Ministério da Educação), com o registro de Lei nº 12.711/2012.
É importante salientar que atualmente não existe a política de cota e apenas 25 das universidades federais possuem uma garantia de vagas a estudantes indígenas, pardos e negros. Para reverter este quadro, a Lei das Cotas garante a reserva de 50% das vagas (Matrículas) de cada curso e período, disponíveis nas mais de 50 Universidades Federais e mais de 30 Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, aos alunos que cursaram o Ensino Médio em instituições públicas. A outra porcentagem de 50% deve permanecer oferecida aos demais alunos.
A quantidade de vagas reservada ao Sistema de Cotas é subdividida: metade para estudantes com renda familiar igual ou inferior a um salário mínimo e a outra metade a estudantes de escolas públicas, com renda superior a um salário e meio. Como critério de seleção e prioridade, também será analisado o percentual mínimo que corresponde as etnias específicas (Negros, Pardos e Indígenas), com base nas informações do Censo divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A Lei de Cotas deverá estar totalmente integrada e aplicada as instituições públicas, dentro dos próximos quatro anos. Sua aplicação tem a validade mínima de dez anos e após este período será novamente avaliada, com base nos resultados e métricas apuradas durante a sua vigência. O descritivo do Governo Federal sobre a Lei de Cotas, esclarece que a seleção terá como critério o resultado dos estudantes no Enem (Exame Nacional de Ensino Médio). Inclusive contempla a seguinte garantia: 12% das vagas de cada curso será destinada aos cotistas, já no ano letivo de 2013.
O decreto oficializa um Comitê de Acompanhamento e Avaliação para monitorar as reservas de vagas em instituições federais e de ensino técnico, grupo este que será representado por dois oficiais do MEC, dois representantes da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República e ainda um representante da Fundação Nacional do Índio. O MEC pretende instituir juntamente aos reitores das instituições, uma política de integração dos alunos cotistas ao sistema, com base na política de igualdade social, além de disponibilizar planilhas específicas para garantir o cálculo correto para a implementação da Lei de Cotas.
Anna Adami

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Legado de Aristóteles

Depois de Aristóteles, grande parte dos pensamentos filosóficos se remetem às idéias de Aristóteles, seja como reforço ou oposição. Aristóteles foi banido de Atenas depois do falecimento de Alexandre, o Grande; sua importância ressurge na Europa medieval do século XII.
Os europeus entram em contato com a filosofia aristotélica durante a invasão dos povos árabes, inicialmente tal filosofia é vista como ameaça à fé cristã, pois Aristóteles afirmava ser impossível o homem ter contato direto com a divindade. Através de Santo Tomás de Aquino, o pensamento aristotélico fornece ao cristianismo da época, uma estrutura racional para sobreviver no ambiente laico e acadêmico.
Até Hegel, século XIX, toda a filosofia ficou calcada nos preâmbulos das afirmações de Aristóteles. Atualmente, a filosofia não desconsidera Aristóteles, mas o coloca em vários pontos e idéias já superadas.
Durante séculos, a própria ciência trabalhou sob o pensamento aristotélico. O surgimento de uma ciência moderna ocorre com o rompimento com a ciência aristotélica através dos trabalhos de Galileu e tantos outros cientistas que questionaram o geocentrismo.
Fernando Rebouças

quinta-feira, 16 de maio de 2013

JOGOS OLIMPICOS DE SAIN LOUIS 1904

Péssima organização e desempenho fraco de atletas resultam nos piores Jogos da história
A Olimpíada de Saint Louis, nos Estados Unidos, entrou para a história como a pior de todos os tempos. A péssima organização do evento e o baixo desempenho dos atletas fizeram dos Jogos um espetáculo deprimente, beirando o ridículo.Desde a escolha da cidade sede até o encerramento, os Estados Unidos decepcionaram. Contrariando o Barão de Coubertin, presidente do Comitê Olímpico Internacional, o presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, impôs a cidade de Saint Louis, ignorando Chicago, que apresentava melhores condições para abrigar os Jogos.Roosevelt escolheu a pequena cidade do Estado do Missouri por causa da Feira Mundial de 1904. Como nos Jogos de Paris, quatro anos antes, os Jogos Olímpicos ficaram em segundo plano.Apenas 12 países mandaram representantes para os EUA. A interferência política fez com que Coubertin ficasse decepcionado com os organizadores dos Jogos. Apesar de todos os pedidos do presidente Roosevelt, o francês se recusou a comparecer à cerimônia de abertura daquela Olimpíada. A França também não participou do evento, que ficou ainda mais esvaziado, já que a maioria dos comitês nacionais europeus decidiu não bancar a viagem transatlântica até os EUA.O lado positivo da Olimpíada de Saint Louis ficou por conta da estreia do continente africano na competição, representado por atletas sul-africanos que estavam de passagem pela Feira Mundial. E, pela primeira vez nos Jogos Olímpicos, os vencedores foram premiados com medalhas de ouro, os vice-campeões levaram a prata e os terceiros colocados, o bronze.
Domínio norte-americano
Com poucos países, o número de atletas caiu quase pela metade em relação aos Jogos Olímpicos de Paris-1900. Apenas 651 participaram da Olimpíada de Saint Louis-1904, contra os 997 de Paris. Os Estados Unidos tinham a maior delegação, com 75% dos atletas participantes.
Nessas condições, os norte-americanos dominaram a competição, ficando com 85% das medalhas em disputa (recorde até hoje). Das 91 provas dos Jogos de Saint Louis, somente 42 incluíram atletas que não eram dos Estados Unidos (51 do Canadá e 105 dos outros países).
Para tentar atrair um público maior, os organizadores decidiram também realizar paralelamente os Jogos Antropológicos, uma grotesca competição de tribos indígenas que incluía os pigmeus da África, os índios cocopas do México, os moros das Filipinas e os pehuenches da Patagônia, entre outros. O triste exemplo de racismo acabou banido da Olimpíada.
A falta de organização dos Estados Unidos ficou evidente na maratona. Dos 32 corredores que se inscreveram, representando cinco países, apenas 14 conseguiram completar a prova. O percurso incluía sete morros e transitava por ruas de terra. Não bastasse o brutal percurso, a prova ainda foi disputada à tarde, com temperatura de 32 graus.(Fonte: Uol).
Quadro de Medalhas
Ordem PaísMedalha de ouroMedalha de prataMedalha de bronzeGoldSilverBronze medals.svg
1Estados UnidosUSA Estados Unidos798380242
2AlemanhaGER Alemanha44513
3CubaCUB Cuba4239
4CanadáCAN Canadá4116
5HungriaHUN Hungria2114
6Grã-BretanhaGBR Grã-Bretanha11 2
6Equipa mistaZZX Equipa mista11 2
8GréciaGRE Grécia1 12
8SuíçaSUI Suíça1 12
10ÁustriaAUT Áustria 11
Fonte:Wikipédia.

Avanços tecnológicos e seus impactos na Educação

A utilização do computador na sociedade contemporânea é imprescindível, pois, fazemos uso dessa ferramenta praticamente em todas as ações do cotidiano como, por exemplo, as instituições bancárias usam para consultar extratos, saldos, depósitos, efetuar pagamentos, etc. As relações pessoais também sofreram grandes impactos com o advento do computador e de tantas outras tecnologias , como a televisão, rádio, tablets, smartfone, iphone, ipod, ipad. Assim, palavras como Internet, Twitter, Orkut, msn, facebook etc., são termos que incorporamos ao nosso vocabulário do dia a dia.
Diante tudo isso que foi exposto, é oportuno fazermos algumas reflexões, vejamos: De que forma as escolas podem fazer uso dessas tecnologias com intuito de qualificar o processo ensino aprendizagem? Os professores estão dispostos a quebrar paradigmas educacionais? Como está a formação dos professores para o uso pedagógico das Novas Tecnologias da Informação e Comunicação – NTICs?
É oportuno destacar que o início da utilização do computador era basicamente para fins militares, e uso do computador para fins educacionais somente se deu a partir de 1950 com Burrhus Frederic Skinner. Skinner foi um eminente psicólogo nascido nos Estados Unidos em 1904. Lecionou nas Universidades de Harvard, Indiana e Minnesota e a partir do estudo do comportamento de pombos e ratos brancos, desenvolveu uma ferramenta que iria ajudá-lo em seus experimentos. Essa ferramenta recebeu o nome de máquina de ensinar  e tinha por propósito ensinar usando o conceito de instrução programada.
O conceito de instrução programada consistia em dividir o material a ser ensinado em pequenos segmentos logicamente encadeados e denominados módulos. Cada módulo terminava com uma questão que o aluno deveria responder preenchendo espaços em branco ou escolhendo a resposta certa, entre diversas alternativas apresentadas, para poder passar para o próximo módulo. Caso contrário, ou seja, o aluno informasse a resposta errada, a resposta certa poderia ser fornecida pelo programa ou, o aluno seria convidado a rever módulos anteriores (Valente, 1998).
A grande problemática da utilização dessa sistemática de ensino foi à produção do material que orientava o uso da ferramenta bem como de suas atividades pedagógicas, que não foi possível produzirem em grande quantidade.  No entanto, com o advento do computador, observou-se que os módulos do material instrucional poderiam ser apresentados com grande flexibilidade. Assim, durante o início dos anos 60 diversos programas de instrução programada foram desenvolvidos para serem utilizados no computador.
A evolução recente das tecnologias digitais modifica tanto as relações na sociedade como as noções de espaço e tempo. Se antes levávamos dias ou até semanas para sermos informados de eventos distantes, hoje podemos ter a informação de forma quase instantânea. Essa realidade possibilita a ampliação do conhecimento e, ao mesmo tempo, cria outras preocupações como a possibilidade da diminuição da privacidade e o excesso de informação. A escola deve levar professores e alunos a refletir de forma crítica sobre as implicações do avanço da tecnologia digital sobre a vida das pessoas no mundo contemporâneo.
Nessa perspectiva Kenski (2003:72/93) afirma que: “a opção pelo ensino com o computador (...) exige alterações significativas em toda a lógica que orienta o ensino e a ação docente em qualquer nível de escolaridade (...) o ponto fundamental da nova lógica de ensinar (...) é a redefinição do papel do professor”. Dessa forma ao ter acesso à tecnologia, os professores podem pensar em como elas aprimoram práticas cotidianas, tais como no uso de vídeos e apresentações para expor conteúdos. A tecnologia pode ainda ser usada para ampliar as possibilidades educativas, ao permitir que os alunos explorem fenômenos de forma simulada, pesquisem conteúdo na internet, façam suas próprias produções etc.
Prof. Ailton Feitosa 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A batalha de Sedan

Cai um gigante, nasce outro. A França de Napoleão III cede espaço para o nascimento do Império Alemão. O combate que decidiu a Guerra Franco-Prussiana, no século 19, mudou a história da Europa para sempre
Encurralados na cidade fortificada de Sedan, na França, perto da fronteira com a Bélgica, entre cadáveres destroçados pela artilharia prussiana, os soldados franceses tinham ânimo sombrio naquele ensolarado 1o de setembro de 1870. Pouco mais de um mês antes, seu entusiasmo beirava a euforia. Como a maioria das pessoas na França, esperavam vencer sem dificuldades a Guerra Franco-Prussiana, confiantes no poderio financeiro e industrial de seu país. Embora inquietos com os recentes problemas políticos no governo do imperador Napoleão III, não tinham dúvida quanto à sua capacidade em esmagar o inimigo. Mas, apesar de subestimada pelos franceses, a Prússia, estado germânico na costa do Mar Báltico, tendo Berlim como capital, também atravessava um período de crescimento econômico. Havia superado a França na fabricação de aço e instalação de ramais ferroviários. Mais importante: a Prússia contava com notável máquina de guerra, apoiada num programa de convocação obrigatória.
Impulsionadas pelo militarismo, suas aspirações políticas eram enormes. Depois de ocupar a região norte do que hoje é a Alemanha e o leste da Polônia desde o século anterior, a Prússia lançou-se em guerras expansionaistas contra a Dinamarca e a Áustria. Seu principal líder, Otto von Bismarck, nomeado primeiro-ministro, em 1862, pelo kaiser Guilherme I, dedicava-se ao projeto de unificar sob sua liderança os outros estados germânicos. O imperialismo prussiano alarmava a França, ameaçada em sua posição de potência dominante na Europa.
Em meados de 1870, o príncipe Leopold de Hohenzollern-Sigmaringen, aparentado à família real prussiana, declarou-se pretendente ao trono da Espanha, batendo de frente com interesses franceses. Depois de muita ameaça, a candidatura foi retirada, mas Bismarck manipulou o incidente para jogar um país contra o outro. “Ele queria ver a unificação nacional alemã consumada e achava que uma luta patriótica contra uma agressão estrangeira viria bem a calhar”, afirma o historiador americano Theodore Hamerow, da Universidade de Wisconsin.
Do lado francês, Napoleão III estava convencido de que a França poderia derrotar a Prússia e que a vitória faria bem à sua declinante popularidade e declarou guerra em 19 de julho. Em 1º agosto, otimista com a lendária bravura do soldado francês, ordenou o avanço sobre território inimigo. Foi o primeiro erro numa série de operações mal concebidas. Apenas após alguns dias de invasão, os franceses foram obrigados a recuar. Dois de seus principais exércitos lutaram e perderam quatro batalhas seguidas. Após o último desses reveses, em Gravelotte, em 18 de agosto, as tropas francesas viram-se envolvidas pela movimentação prussiana e, duas semanas mais tarde, estavam isoladas na cidade fortificada de Sedan. A posição era estratégica, pois dominava a área do Rio Meuse, última barreira natural entre a fronteira prussiana e Paris, a capital da França. Ali, concentrava-se o destino da guerra. Todos sabiam disso e mesmo Napoleão III, doente, acometido por fortes cólicas renais, dirigiu-se para Sedan.
Guerra sem heróis
As colinas em torno da cidade haviam sido tomadas pelos prussianos, reforçados por tropas de outros estados germânicos e suas poderosas peças de artilharia. O 1º de setembro amanheceu quente, com tempo bom e ampla visibilidade, facilitando a ação dos canhões. Em meio ao bombardeio preliminar, escaramuças iniciadas na véspera intensificaram-se nas primeiras horas da manhã nos campos próximos, e numa delas o marechal Mac-Mahon, líder do exército francês, foi ferido. O comando passou então para o general Ducrot, que tentou organizar uma retirada para posições defensivas antes do avanço prussiano conseguir fechar o cerco. Ao saber disso, o general francês Wimpffen anunciou ter ordens do Ministério da Guerra autorizando-o a assumir o exército caso algo acontecesse com Mac-Mahon. As forças francesas na área eram transferidas assim ao controle de seu terceiro oficial comandante num período de quatro horas. Diante da chuva de granadas disparadas pelos canhões prussianos, Wimpffen cancelou a retirada.
Porém, o fogo da artilharia continuava causando estragos entre os franceses. Em debandada, as tropas posicionadas em campo aberto fugiram ao encontro dos homens reunidos em Sedan, permitindo que os prussianos completassem o cerco por volta das 11 horas. No começo da tarde, Napoleão III já pensava em rendição, mas sua cavalaria não e ainda lutava para romper as linhas adversárias em Floing, a cerca de 2 quilômetros de Sedan. Enquanto isso, no alto de uma colina da região, ordenanças do general prussiano Helmuth von Moltke serviam canapês e vinho branco ao rei Guilherme I da Prússia, que assistia a tudo como se estivesse na ópera ou numa corrida de cavalos. Ao lado dele no camarote improvisado, os convidados incluíam Bismarck, um repórter do jornal inglês The Times, representantes dos exércitos da Grã-Bretanha, da Rússia e dos Estados Unidos e um verdadeiro quem-é-quem da nobreza alemã, que assistia à cena bem de perto, conforme registrou mais tarde o diário de um dos convivas: “O espetáculo de carnificina era horrível, e os gritos aterrorizados das vítimas de nossas granadas subiam até onde estávamos”.
Lá embaixo, a cavalaria francesa lançou três cargas naquela tarde. Todas foram contidas pelos fuzis prussianos e pelo terreno desfavorável. Perguntado por Ducrot se poderia atacar de novo, o general Gallifet, chefe da cavalaria, respondeu: “Quantas vezes o senhor desejar, mon général, enquanto ainda sobrarem alguns de nós para lutar”. Por volta das 3 horas da tarde, os franceses fizeram uma última e desesperada tentativa. Reuniram todos os esquadrões dispersos da cavalaria e avançaram colina abaixo com o que restava da infantaria. Foram quase todos mortos.
Já não havia esperanças e Napoleão III aceitou a derrota, ordenando a rendição. As baixas francesas somaram 3 mil mortos, 14 mil feridos e 21 mil desaparecidos ou capturados, contra menos de 9 mil prussianos feridos ou mortos. Bismarck e Guilherme I receberam o imperador da França. Foi um encontro embaraçoso. Cabisbaixo, Napoleão III limitou-se a elogiar as forças prussianas e fez apenas um pedido: seguir para o cativeiro pela Bélgica. Queria evitar a humilhação de atravessar derrotado o território francês. Bismarck aceitou e, em 3 de setembro, o imperador partiu para um palácio na Prússia onde ficaria preso. Os 83 mil franceses sobreviventes não tiveram o mesmo privilégio. Debaixo de chuva, marcharam para um campo de prisioneiros, que ficaria conhecido como le camp de la misère (o campo da miséria), pelos tormentos provocados pela fome e por doenças.
A guerra estava decidida, mas não acabou de imediato. Sua segunda fase consistiu numa sustentada por guerrilheiros franceses, os franc tireurs. Mesmo tendo conseguido resultados melhores que o exército convencional, pouco podiam contra a poderosa Prússia. Cercada e bombardeada, Paris rendeu-se em 18 de janeiro de 1871 (a guerra acabou, oficialmente, em 1º de março, com a assinatura do Tratado de Frankfurt). Terminava também uma era na história das táticas militares. Formações compactas de soldados e cargas de cavalaria, de tanta importância em séculos anteriores, seriam a começar dali abandonadas pelos estrategistas europeus, substituídas pelo poder de fogo das novas armas de infantaria, pelas linhas de barragens de artilharia e pela mobilidade das tropas, principais lições dos quase dez meses de guerra entre a França e a Prússia.
Roberto Navarro