segunda-feira, 20 de maio de 2013

AS REVOLTAS LIBERAIS DO SÉCULO XIX

Liberalismo – ideologia dominante entre a burguesia industrial opunha-se à monarquia absolutista e a intervenção do Estado na economia e lutava pela adoção de uma Constituição que estabelece-se limites para o governante, garantisse o direitos civis e políticos e assegurasse a propriedade privada e as liberdades individuais.
Nacionalismo – forte entre os povos de mesma origem e cultura, mas ainda não unificados ou sob dominação estrangeira, lutava pela afirmação da ideia de nação, pela unidade politica e pela independência nacional.


                  
O século XIX foi na Europa um período de revoltas e revoluções. Cada um desses momentos teve motivações particulares. Mas todos foram, há um tempo, fruto das mudanças sociais, econômicas e politicas ocorridas no período anterior e uma resposta à restauração das monarquias promovidas pelo Congresso de Viena. A restauração da velha ordem significava autoritarismo e repressão. Contra elas se insurgiram as novas forças sociais surgidas com a Revolução Industrial e influenciadas pelos ideais da Revolução Francesa. Essas forças eram a burguesia liberal, o proletariado e as camadas médias urbanas. Todas elas exigiam mais liberdade. No caso do proletariado, reivindicavam também mais igualdade.

 Os Anos de 1820 e as Revoluções de 1830
                  As revoluções que eclodiram entre 1820e 1830, foram pautadas por fortes componentes liberais e, em alguns casos também nacionalistas. De modo geral, esses movimentos, caracterizados por alguns historiadores de “primeira onda revolucionária”, foram conspirações militares ou movimentos promovidos por organizações secretas que, em sua maioria acabaram sufocados por forças governamentais. Em destaque a Revolução Liberal do Porto que resultou na aprovação da primeira Constituição portuguesa e obrigou o rei D. João VI que estava no Brasil desde 1808 a retornar para Portugal.
                   A primeira onda revolucionária não chegou a abalar a monarquias europeias. No entanto a “segunda onda revolucionária” (1830) provocou impacto muito mais profundo, principalmente na França.  Após a morte de Luís XVIII, em 1824, o país passou a ser governado por Carlos X. De formação ultraconservadora, o novo rei tentou restabelecer o absolutismo, dissolvendo a  Assembleia e impondo censura à imprensa. Em julho de 1830, a população de Paris se revoltou, erguendo barricadas e enfrentando as forças do governo. Depois de três dias de combates nas ruas, Carlos X foi deposto. Em seu lugar subiu ao trono Luís Filipe, duque de Orleans.  A queda de Carlos X na França estimulou uma nova onda de revoltas em diversas regiões da Europa. A Bélgica libertou-se da Holanda, na Polônia insurgiu um movimento nacionalista contra o domínio russo. Na península itálica eclodiram levantes liberais e nacionalistas contra o domínio austríaco.

A Terceira Onda Revolucionária
                   Uma no crítico. Assim pode ser definido 1848 na Europa. No campo, uma sucessão de más colheitas iniciada em 1845 tornava dramática a vida da população. Nas cidades, atingidas pela fome e pelo desemprego, a situação das camadas mais pobres da população não era melhor. Nessas circunstancias, manifestações e protestos não tardaram em acontecer. Em 1846, na Galícia austríaca (hoje parte da Polônia) eclodiu uma grande revolta camponesa: em uma só noite, cerca de mil aristocratas foram mortos pela população enfurecida.

A Comuna de Paris
Depois de se envolver em várias guerras e fracassar o governo de Napoleão III é substituído pela proclamação da Terceira República que assinou um acordo de paz com a Prússia. Os trabalhadores não se conformaram com os termos do acordo e se opuseram ao governo. Apoiados pela Guarda Nacional eles tomaram o poder em Paris em março de 1871. Em substituição ao governo burguês, os revolucionários criaram um órgão de poder conhecido como Comuna de Paris. Composta por 90 pessoas eleitas por meio do voto universal masculino, a Comuna contava com a participação de representantes de diversas tendências socialistas. Assim, pela primeira vez na história, ascendia ao poder um governo de origem proletária. A Comuna promoveu a separação entre Estado e Igreja, a administração da cidade foi delegada a funcionários eleitos e as fábricas passaram a ser administradas pelos operários. Os líderes do movimento conclamaram os trabalhadores do interior da França a seguir o exemplo de Paris e constituir comunas autônomas em suas regiões, mas não obtiveram êxito. A Comuna de Paris durou apenas dois meses. Em maio de 1871, tropas enviadas pelo governo de Thiers invadiram a cidade, mataram cerca de 20 mil pessoas entre homens, mulheres e crianças e prenderam outras 38 mil, expulsando os operários do poder  e  restabelecendo o governo burguês.

                   Na França, o descontentamento social logo assumiu a forma de revolução. Em fevereiro de 1848, manifestações populares em Paris, seguidas de combates nas ruas, levaram a abdicação do rei Luís Filipe e a proclamação da Segunda República. Formou-se então um governo provisório de maioria burguesa que convocou eleições para uma Assembleia Constituinte. Em junho manifestações operárias reivindicando melhores condições de vida foram violentamente reprimidas pelo governo. Rompia-se assim a aliança entre burguesia liberal, agora no poder, e a classe trabalhadora influencia pelo socialismo. Em dezembro Luís Bonaparte (sobrinho de Napoleão) venceu as eleições presidenciais. Em 1851, ele daria um golpe de Estado autoproclamando-se imperador, com o titulo de Napoleão III, pondo fim à segunda república. Apesar disso, os acontecimentos na França repercutiram por toda a Europa e pelas aspirações que a animavam, essa onda revolucionária ficaria conhecida como Primavera dos Povos.

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