terça-feira, 4 de junho de 2013

O IMPERIALISMO


A Revolução Industrial iniciada em meados do século XVIII na Inglaterra deu origem a um novo tipo de sociedade baseada no modo capitalista de produção. O trabalho assalariado, a fábrica como unidade de produção e a livre concorrência entre as empresas era algumas de suas principais características. No inicio da segunda metade do século XIX, novas transformações tecnológicas começaram a ocorrer. Em 1856, foi aperfeiçoado na Inglaterra a produção do aço, o que provocou enorme avanço na metalurgia e na siderurgia. Em 1859, o industrial norte-americano Edwin Drake descobriu petróleo no subsolo da Pensilvânia. Com a descoberta teve inicio a exploração comercial do produto, abrindo caminho para a utilização de uma nova fonte de energia. O petróleo passou a ser empregado para diversos fins. Um de seus derivados, a gasolina, revelou-se excelente fonte de energia para motores a combustão interna. Assim, novas máquinas foram inventadas, entre elas, o automóvel, em 1886. A essa descoberta se seguiu a eletricidade e a invenção do telefone.
            Essas transformações tecnológicas, conhecidas como Segunda Revolução Industrial, tiveram profundas implicações econômicas. Com elas acentuou-se uma tendência já esboçada na fase anterior: a da concentração do capital, com a formação de empresas cada vez maiores. Assim, as grandes companhias iam absorvendo os menores e a monopolizar ramos inteiros de produção, eliminando a concorrência. Ao mesmo tempo formavam-se grandes bancos, que reuniam o capital bancário ao capital industrial. O sistema econômico dominante no capitalismo industrial começava a ser substituído pelo capitalismo monopolista ou financeiro.

A Ação Imperialista

            O aumento da capacidade produtiva das indústrias exigia a ampliação de mercados consumidores e de fontes de matérias-primas (carvão, ferro, petróleo, etc.). Com o processo de concentração de capitais, as grandes empresas e bancos passaram então a fazer novos investimentos em regiões da África, Ásia e América Latina. Para fortalecer o controle sobre essas regiões, as empresas contaram com o apoio e o incentivo de seus Estados nacionais, associando ao econômico o poder politico e militar.
            De fato, as potencias europeias tinham grande interesse geopolítico na formação de impérios coloniais. Em caso de guerra, seria essa uma forma de garantir a posse de recursos importantes como minérios, homens para seus exércitos e o controle de portos para abastecimento de seus navios mercantes. Surgiu assim um novo tipo de imperialismo, ou seja, de expansão econômica e militar promovida pelos Estados europeus. Na África e na Ásia, essa politica imperialista tomou a forma de neocolonialismo, com a conquista de vários territórios por meio da ação militar. Muitos desses territórios foram transformados em colônias ou em protetorados.
            Embora a colonização da África e da Ásia obedecesse a objetivos econômicos e geopolíticos, esses interesses jamais eram assumidos publicamente. Quando era preciso justificar a dominação dessas regiões, os governos e grupos dominantes na Europa recorriam a uma suposta missão civilizadora, pela qual os europeus deveriam levar aos povos ditos primitivos ou bárbaros os valores da civilização ocidental cristã. Do ponto de vista cultural, esse processo teve por resultado a destruição de tradições e valores milenares dos povos africanos e asiáticos na sua substituição por valores europeus.

 
A África em Pedaços

            A partilha da África teve inicio quando o rei belga Leopoldo II, criou uma associação internacional de estudos africanos com o objetivo declaro de promover ações humanitárias e cientificas na bacia do Congo. Por trás dessa finalidade nobre e generosa, porém, escondiam-se os verdadeiros propósitos do rei da Bélgica: conquistar uma vasta região rica em minérios e subjugar a população do Congo ao domínio belga. Após negociações com líderes locais, os belgas se estabeleceram na região. A partir de então se iniciou uma verdadeira corrida entre as potências europeias interessadas em conquistar para si um pedaço do continente africano.  Para tentar resolver os problemas que envolviam essa disputa, foi realizada na Alemanha, entre 1884 e 1885, a Conferência de Berlim. Nessa conferencia foram decididas as regras para a partilha da África.
            Em menos de duas décadas, quase todo o território africano havia sido dividido arbitrariamente em colônias sob o controle europeu. Muitas fronteiras foram criadas por meio de acordos diplomáticos entre as metrópoles, sem levar em consideração as divisões étnicas, culturais e religiosos dos povos que ali viviam. A resistência africana à colonização europeia foi intensa. Em diversas regiões eclodiram guerras sangrentas, mas a superioridade tecnológica e militar dos colonizadores fez se impor o seu domínio. Domínio esse, que duraria quase cem anos. Somente na segunda metade do século XX é que os africanos começariam a reconquistar sua independência.
Os Ingleses na Índia
            Em 1599, foi criada a Companhia das Índias Orientais, destinada a comercializar produtos com a Índia e o Sudeste asiático. Com o tempo, os ingleses instalaram feitorias em diversas cidades da região. Assim, o território indiano foi pouco a pouco colocado sob a área de influencia dos ingleses e, mais tarde anexado à Inglaterra. A presença britânica afetou os costumes locais, destruindo a tradicional economia indiana. Essa agressão cultural e econômica, somada a opressão política exercida pelos administradores ingleses, só fez alimentar o ódio dos indianos pelos ingleses.
            Em 1857, a insatisfação acumulada explodiu na Revolta dos Cipaios, nome pelo qual eram conhecidos os soldados indianos, promotores do levante. A rebelião se espalhou pelo norte da Índia e só controlada dois anos depois. Em 1876, a Índia era oficialmente incorporada ao Império Britânico.
A China sob o Imperialismo

Até o inicio do século XIX a China encontrava-se praticamente fechada para o resto do mundo. Apenas dois portos, os de Macau e Cantão estavam abertos para o comércio internacional.  Durante muito tempo, os ingleses tentavam vender ali seus produtos industrializados, mas encontraram forte resistência por parte do governo chinês. Entretanto, os ingleses cultivavam na Índia a papoula, da qual se extraía o ópio, narcótico muito apreciado pelos chineses. O consumo do ópio deixava as pessoas apáticas e sem disposição para o trabalho. Preocupado com isso, o governo chinês proibiu o seu comércio. Para combater o contrabando determinou a destruição dos carregamentos transportados em barcos de bandeira britânica. A Inglaterra interpretou a medida como uma violação do livre comércio e declarou guerra a China. Era o começo da Guerra do Ópio (1839-1842). Vencida pelos ingleses, os chineses foram obrigados a abrir seus portos aos navios britânicos e entregar a Inglaterra a ilha de Hong Kong, que só lhe seria devolvida em 1997.
            Entre 1894 e 1895, a China envolveu-se em mais um conflito, dessa vez contra o Japão. Novamente derrotada no campo de batalha, o país foi dividido em áreas administradas pela Inglaterra, Alemanha, França, Rússia e Japão. A submissão do governo chinês as potências internacionais levou os integrantes de uma sociedade secreta nacionalista, os Boxers, a organizar atentados contra estrangeiros em território chinês. Em represália, em 1900, tropas aliadas atacaram a China, deflagrando a Guerra dos Boxers. Derrotados mais uma vez, os chineses tiveram de fazer novas concessões às potências imperialistas.

O Japão Entra em Cena
            Assim como a China, o Japão encontrava-se no inicio do século XIX fechado a comunidade internacional. Isso desagradava os países industrializados, que desejavam conquistar o mercado consumidor japonês. Um desses países eram os Estados Unidos, que decidiram obrigar o governo japonês a abrir seus portos aos produtos norte-americanos. Em 1854, sob a ameaça de canhões, o governo japonês foi persuadido a abrir os portos aos Estados Unidos. Pouco depois, outras nações firmaram acordos semelhantes.
            Em 1868, após uma guerra civil, assumiu o poder no Japão o imperador Mutshito. O episódio marcou o inicio da Era Meiji. Decidido a modernizar o país, o novo imperador enviou emissários ao Ocidente com a missão de descobrir como funcionavam as fábricas, os hospitais, as escolas, etc. essas informações contribuíram para a introdução de profundas mudanças econômicas, politicas, culturais, tecnológicas, cientificas e militares no Japão.
            Como parte dessas mudanças, o imperador aboliu o antigo sistema feudal que vigorava no país, onde o controle estava nas mãos dos samurais, promulgou uma Constituição, instituiu um parlamento, estimulou a implantação de fábricas, a construção de ferrovias e adotou o calendário ocidental. Reestruturou o exército e a marinha. Seguindo o exemplo europeu, ao Japão passou a pratica imperialista. Depois de conquistar algumas regiões no Pacifico, em 1894 declarou guerra à China para se apoderar da Manchúria e em 1905 derrotou os russos, que disputavam o mesmo território. Foi a primeira vez que um país asiático vencia um país europeu, começava a nascer uma nova potência.


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