segunda-feira, 22 de julho de 2013

A INDEPENDÊNCIA DAS TREZE COLÔNIAS

A segunda metade do século XVIII foi um período conturbado tanto na Europa quanto na América. Os colonos franceses do Canadá, da mesma forma que os ingleses estabelecidos nas Treze Colônias, procuravam ampliar seus negócios coloniais e áreas de influência na América. Na Europa, entre 1756 e 1763, ocorreu um conflito conhecido como Guerra dos Sete Anos, que envolveu vários países europeus e, onde os colonos ingleses enfrentaram os colonos franceses na América. Tanto a Inglaterra como os colonos ingleses saíram vitoriosos, afastando a presença francesa nas Índias Orientais e conquistando as terras dos colonos franceses na América do Norte, além da Flórida espanhola. Com isso, os colonos ingleses tinham condições de expandir as fronteiras de seus domínios americanos, ampliando a ocupação das terras indígenas.
            A Inglaterra saiu do conflito fortalecida e com a maior marinha mercante e de guerra do mundo. Porém, teve altos gastos para manter operações militares na Europa, Ásia e América. Para pagar essas despesas, os ingleses por meio de seu Parlamento, aumentaram sua interferência nas Treze Colônias, fortalecendo a sua política mercantilista. Essa prática se manifestou por meio de uma série de leis (Acts), que provocaram grande descontentamento entre os colonos americanos. A Lei do Açúcar de 1764, intervinha no comércio do melaço e do açúcar nas colônias, determinando que os colonos deveriam comprar esse produto somente das Antilhas inglesas; a lei também estabeleceu impostos para a maioria dos produtos importados pelas colônias inglesas. A Lei da Moeda, do mesmo ano, atingia a autonomia financeira das colônias, proibindo-as de emitirem papéis de crédito, utilizados pelos colonos como moeda. Em 1765, a Lei do Selo determinava que fossem selados e taxados todos os documentos oficiais, declarações, jornais e demais publicações feitas na colônia. Os selos seriam fornecidos apenas pelos agentes ingleses.
            Em 1773, o governo inglês aprovou outra lei. Esta beneficiava a Companhia das Índias Orientais. Conhecida como Lei do Chá, a nova lei estabelecia o monopólio do fornecimento de chá para a América inglesa pela companhia, abrindo um precedente para que a Inglaterra continuasse a estabelecer monopólios em outras atividades comerciais. Os colonos, no entanto, que já estavam descontentes, não aceitaram a imposição dessa nova lei. Muitos passaram a boicotar o chá, substituindo-o por outras bebidas, como o café. Os mais radicais formaram  um grupo de carca de 150 pessoas, que se disfarçaram de índios e invadiram o porto de Boston, saqueando os primeiros navios que chegaram carregados de chá, lançando a carga ao mar. Esse episódio ficou conhecido como a Festa do Chá de Boston. Os protestos dos colonos contra a ingerência da metrópole em seus negócios se ampliaram rapidamente. Manifestações de descontentamento ocorreram em várias localidades. Em um desses protestos que ficou conhecido como o massacre de Boston, em março de 1770, uma multidão de colonos se reunirem para protestar contras as leis e a presença de tropas inglesas, mas foram alvejados pelos soldados ingleses que faziam a guarda do quartel. Muitos colonos se feriram, e cinco deles morreram. Esse incidente reforçou os sentimentos de revolta e o desejo de maior autonomia entre os colonos.
            A Inglaterra não tardou em lançar represálias contra as agitações promovidas pelos colonos. Por meio das chamadas Leis de Coação, chamada pelos colonos de Leis Intoleráveis; os ingleses determinaram a interdição do porto de Boston até o ressarcimento dos prejuízos provocados pela ação dos colonos no porto, além de restringir as reuniões entre os colonos e intervirem na colônia de Massachusetts, submetendo-a diretamente a Coroa. Os colonos, por sua vez, reuniram-se clandestinamente em uma assembleia, formando o Primeiro Congresso Continental, organizado na Filadélfia, na Pensilvânia. Em março de 1774, com exceção da Geórgia, todas as colônias haviam mandado representantes. Os colonos que nesse momento ainda não cogitavam o rompimento com a metrópole, enviaram um documento ao rei da Inglaterra pedindo a abolição das leis, mas não foram atendidos. Durante a formação desse congresso, os colonos se dividiram em duas correntes políticas: de um lado os patriotas que eram favoráveis à independência. Esse grupo era composto por pequenos proprietários, intelectuais, trabalhadores assalariados e pela burguesia ascendente; do outro lado, estavam os legalistas, que mantinham fidelidade a Coroa inglesa formado principalmente por funcionários da burocracia e os latifundiários sulistas. Além desses dois grupos, havia uma parcela significativa da população que era totalmente indiferente às essas questões.
            As tensões entre colonos e as autoridades inglesas aumentavam rapidamente. A cada dia ficava mais claros para os colonos que os interesses mercantilistas dos ingleses eram contrários aos seus. Em 1775, novamente na Filadélfia ocorreu o Segundo Congresso Continental. Esse reuniu os principais líderes do movimento patriota: John Hancock, Samuel Adams, Thomas Jefferson, Benjamin Franklin, entre outros. Nesse momento, apenas parte dos colonos era a favor de se revoltar contra a metrópole. Após muitas discussões, os partidários da independência saíram vitoriosos e o Congresso deliberou pelo enfrentamento militar contra os ingleses caso necessário. Para comandar as forças rebeldes foi escolhido um rico aristocrata da Virginia, proprietário de terras e escravos, chamado George Washington. Enquanto isso, o rei da Inglaterra declarava que as colônias estavam em estado de rebelião. Em 1775 já haviam começado os primeiros combates entre os patriotas e as forças inglesas, que eram apoiadas pelos legalistas norte-americanos.

            Em meio aos primeiros combates com os ingleses, os congressistas norte-americanos aprovaram um importante documento: a Declaração de Independência das Treze Colônias. Este documento, redigido por Thomas Jefferson, determinava que as colônias se uniriam formando um único país, porém, cada uma manteria sua autonomia, votando suas próprias leis. Esse documento publicado em 4 de julho de 1776 é o marco da independência dessas colônias, que mais tarde iriam formar os Estados Unidos da América. A guerra de independência se estendeu por seis anos, que foram muito difíceis para os rebeldes, que tinham um exército mal armado e carente de recursos e se treinamento, ao contrário das forças inglesas. A situação dos colonos melhorou graças à ajuda dada pelos espanhóis e, principalmente, pelos franceses, tradicionais inimigos da Inglaterra. A ajuda francesa em dinheiro, soldados e armas foi decisiva para a vitória final dos colonos. Em 1783, a Inglaterra reconheceu oficialmente a independência das Treze Colônias, com a assinatura do Tratado de Paris. Além disso, por meio desse tratado, a Inglaterra devolvia para a Espanha e para França territórios que haviam sido conquistados durante a Guerra dos Sete Anos. (Adaptado de Pellegrini, Marco. História. Coleção Novo Olhar 2, p.162-169).

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