terça-feira, 16 de julho de 2013

HISTÓRIA DO MÉXICO

Três componentes principais configuram a fisionomia do México, o mais populoso país de língua espanhola, uma terra de contrastes e de vigorosa personalidade: o estilo de vida e o poder econômico de seu vizinho do norte, os Estados Unidos; a a colonização hispânica, que lhe legou a língua e a religião; e o enraizamento de muitos elementos de sua cultura em antigas civilizações pré-colombianas, como a asteca e a maia.
Com uma área de 1.958.201km2, o México situa-se na parte meridional da América do Norte. A Cidade do México, capital do país, é uma das maiores cidades do mundo. O território mexicano limita-se ao norte com os Estados Unidos, numa longa linha de 3.326km, constituída por trechos retilíneos em sua metade ocidental e pelo curso do rio Grande do Norte (ou Bravo) na oriental, de Ciudad Juárez até a foz; ao sul e a oeste, com o oceano Pacífico; a leste com o golfo do México e o mar do Caribe; e a sudeste com Belize e Guatemala. A forma triangular afunila-se até o istmo de Tehuantepec, e o território se estende ainda, no extremo sudeste do país, na península de Yucatán, que separa o golfo do México do mar do Caribe. A noroeste do território mexicano, entra pelo oceano Pacífico a estreita e longa península da Baixa Califórnia, separada do continente por um braço de mar, o golfo da Califórnia.
México pré-colombiano. As regiões central e meridional do atual território mexicano são densamente povoadas desde longa data, graças ao cultivo, iniciado vários milênios antes da era cristã, do milho, da abóbora e do feijão. Surgiram assim várias culturas, entre elas a olmeca, a maia e as que se sucederam no planalto.
À cultura olmeca pertenciam as primeiras sociedades complexas que, até o ano 1000 a.C., edificaram centros religiosos na planície costeira de Veracruz e Tabasco. O povo maia ergueu, na península de Yucatán e em terras da posterior Guatemala, numerosas cidades independentes, que ocasionalmente formaram confederações. Essa cultura se destacou sobretudo pelo extraordinário desenvolvimento artístico e científico, que atingiu a plenitude entre os séculos IV e X da era cristã.
O planalto central mexicano conheceu diversas civilizações, entre as quais se destacou, por seu caráter unificador, a de Teotihuacan, metrópole comercial, política e religiosa cuja influência cultural se estendeu além do planalto, até a América Central e o norte do México. Teotihuacan foi destruída antes do ano 700, provavelmente por povos toltecas, vindos do norte, que invadiram o planalto e estabeleceram a capital em Tula.
Os séculos VIII e IX foram um período de confusão, no qual as grandes civilizações clássicas centro- americanas tombaram, vítimas de invasores ou de seus próprios conflitos sociais internos. As culturas pós-clássicas tiveram um caráter muito mais bélico do que suas precedentes: edificaram grandes muralhas e fortificações defensivas e cultuaram sobretudo divindades da guerra que exigiam sacrifícios sangrentos.
Ao começar o século XII, os náuatles, povos vindos do norte, se impuseram aos toltecas e estenderam seu poder sobre o planalto, ao mesmo tempo em que assimilavam rapidamente a cultura dos vencidos. Uma tribo náuatle, a asteca, que se fixara desde 1325 em Tenochtitlan, no vale do México, começou uma forte expansão demográfica, econômica e militar.
Pouco antes de completar dois séculos de sua fundação, Tenochtitlan era o centro de uma vasta confederação de povos que se estendia por todo o México central, das margens do golfo até a costa do Pacífico, e cuja influência chegava até às regiões maias da América Central. De mexica, palavra náuatle que designa os astecas que fundaram Tenochtitlan, deriva México, o segundo nome dado à cidade e, mais tarde, à nação inteira de que seria a capital.
Conquista. A costa de Yucatán foi explorada em 1517 por Francisco Fernández de Córdoba e, no ano seguinte, por Juan de Grijalva. Animado pelas notícias, o governador de Cuba, Diego de Velázquez, enviou nova expedição, comandada por Hernán Cortés. A expedição de Cortés chegou a Yucatán e combateu os índios de Tabasco. Antes disso, em abril de 1519, desembarcou na costa do golfo do México e fundou a Villa Rica de Vera Cruz, posteriormente Veracruz. Após vencer os tlaxcaltecas, tradicionais inimigos dos astecas, Cortés os transformou em aliados e avançou até Tenochtitlan. O imperador asteca, Montezuma II, acreditou ver em Cortés e seus homens uma encarnação do antigo herói místico Quetzalcóatl, razão pela qual recebeu o espanhol em sua corte.
Enquanto isso, um poderoso contingente de espanhóis comandados por Pánfilo de Narváez havia desembarcado com o propósito de submeter Cortés, que derrotou seus perseguidores em Zempoala e incorporou os soldados rendidos a seu pequeno exército. Ao regressar à capital asteca, encontrou-a num estado de rebelião. O próprio Montezuma foi morto por seus súditos descontentes.
Na noite de 30 de junho de 1520, conhecida como "a noite triste", os espanhóis tentaram retirar-se de Tenochtitlan, mas foram descobertos e sofreram numerosas baixas. Mesmo assim, conseguiram recuperar-se fora da cidade e algum tempo mais tarde a superioridade técnica lhes permitiu derrotar em Otumba um inimigo muito maior em número. Cortés e seus homens cercaram então Tenochtitlan, que resistiu tenazmente durante vários meses. A cidade caiu em agosto de 1521, e o último imperador asteca, Cuauhtémoc, foi aprisionado. Os principais monumentos e edifícios religiosos foram arrasados e sobre as ruínas se edificou a cidade colonial.
Em poucos anos, os espanhóis se apoderaram não só das terras do que havia sido o império asteca, mas ultrapassaram seu limites pelo sul, onde somente os maias de Yucatán resistiram a sua dominação, e pelo norte, onde o descobrimento de imensas minas de prata em Guanajuato, Zacatecas e San Luis Potosí, em meados do século, acelerou a exploração. No fim do século XVI, o império espanhol estendia seus domínios até o Novo México.
Vice-reino. Era preciso dotar de uma estrutura jurídica o governo dos imensos territórios conquistados. O imperador Carlos V (I da Espanha) nomeou Cortés governador e capitão-geral da Nova Espanha, mas intrigas e rancores entre os conquistadores o levaram à renúncia. O território ficou então submetido às decisões de uma junta de cinco membros. Em 1527 foi nomeado o primeiro bispo do México, frei Juan de Zumárraga, e oito anos mais tarde Antonio de Mendoza tomou posse como primeiro vice-rei da Nova Espanha. As autoridades civis e eclesiásticas prosseguiram na tarefa de assimilação cultural empreendida desde o momento da conquista, o que significou a destruição sistemática da civilização e da religião indígenas e sua substituição pelas da Espanha. A importância da nova colônia foi tal que em 1536 começou a funcionar em sua capital o primeiro prelo do continente americano, e em 1547 a cidade foi elevada a arquidiocese. Quatro anos mais tarde já contava com uma universidade.
Numerosos vice-reis se sucederam, num período caracterizado por turbulência e freqüentes lutas internas entre os próprios conquistadores. As Leis das Índias, emanadas da metrópole, eram freqüentemente descumpridas e a população indígena havia sido reduzida a um estado de servidão semelhante ao feudalismo europeu de séculos passados. Os vice-reis, quando não aderiam à corrupção geral, colidiam com os interesses dos conquistadores e de seus descendentes, enriquecidos com o trabalho dos índios no campo e nas minas de metais preciosos. Logo começou o processo de mestiçagem racial e cultural.
Pouco a pouco instaurou-se uma rígida estrutura administrativa, à semelhança da metrópole espanhola. Foram criadas três audiências no vice-reinado: México, Guadalajara e Guatemala. Em 1572, instalou-se um tribunal da Inquisição. O comércio exterior foi regulamentado com rigor. Veracruz ficou com o monopólio do comércio com a Espanha e Acapulco com o das ilhas Filipinas.
Ao longo do século XVIII, a Nova Espanha conheceu uma época de esplendor. Nos primeiros anos do século veio à luz o primeiro periódico, a Gaceta de México. Em 1767 foram expulsos os jesuítas, fato que, como no resto da América espanhola, repercutiu negativamente na situação de extensas áreas indígenas. Surgiram em muitos povoamentos novos palácios e catedrais e, no fim do século, foram restaurados os caminhos abandonados desde os tempos do império asteca. O comércio interno ganhou impulso, desenvolveram-se as indústrias e foram liberadas as trocas comerciais com a Espanha.
Ao começar o século XIX, a Nova Espanha contava com mais de seis milhões de habitantes. Destes, cerca de um décimo, considerados "espanhóis" (tanto europeus como criollos, nascidos na América), tinham em suas mãos quase toda a riqueza do país.
Independência. Como no resto da América espanhola, os ventos revolucionários europeus e a independência dos Estados Unidos se fizeram sentir, nos últimos anos do século XVIII, sobre a ideologia da burguesia criolla mexicana. Algumas tímidas tentativas de conspiração pró-independência foram rapidamente sufocadas pelas autoridades do vice-reino. No entanto, a ocupação da Espanha pelas tropas napoleônicas, em 1808, criou um vazio de poder, que foi aproveitado pela burguesia da capital mexicana, apoiada num vice-rei de tendências liberais, José de Iturrigaray, para formar uma junta de governo. As classes mais conservadoras, muito poderosas, dissolveram a junta em setembro do mesmo ano, e o vice-rei foi preso e enviado para a Espanha. Em nome de Fernando VII exerceram o poder sucessivamente o marechal de campo Pedro de Garibay e o arcebispo Francisco Javier de Lizana y Beaumont, até que o novo vice-rei, Francisco Javier Venegas, tomou posse em setembro de 1810.
Nas intendências de Valladolid e Guanajuato organizou-se um grupo conspirador que preparava a revolução pró-independência e planejava ao mesmo tempo uma reforma social profunda. Em setembro de 1810, vários dos conjurados foram detidos, mas outros conseguiram escapar. Um destes últimos, o pároco da vila de Dolores, Miguel Hidalgo y Costilla, precipitou o movimento com o chamado "grito de Dolores". Hidalgo conseguiu reunir um exército de camponeses sem-terra e apoderou-se da rica cidade mineira de Guanajuato. As chacinas então ocorridas alijaram a simpatia dos setores liberais criollos, mas o exército de Hidalgo, que já somava oitenta mil homens, venceu as bem armadas tropas realistas. Mais tarde, o general espanhol Félix María Calleja, à frente de dez mil homens, derrotou e perseguiu Hidalgo, que estabeleceu um efêmero governo em Guadalajara, o qual decretou a abolição da escravatura e a devolução de terras aos indígenas. Em julho de 1811, Hidalgo e vários de seus colaboradores foram presos e executados.
A sublevação foi mantida viva durante vários anos por outro sacerdote, o mestiço José María Morelos, que se revelou excelente estrategista. Liderou a luta no sul do território, do qual chegou a dominar boa parte. Convocou em Chilpancingo um congresso que, em novembro de 1813, declarou a independência e promulgou uma constituição. Morelos, pressionado por tropas realistas, tentou retirar-se para o norte do país, mas em novembro de 1815 foi preso em Texmalaca. Sua execução, um mês depois, marcou o começo de um período de relativa estabilidade no vice-reino, no qual somente algumas guerrilhas isoladas perturbaram o domínio espanhol.
O triunfo do golpe de Rafael del Riego na Espanha, nos primeiros dias de 1820, teve como conseqüência paradoxal o ingresso nas fileiras pró-independência das classes altas mais conservadoras, que, com o novo regime espanhol, viam perigar seus privilégios. No sul do país, a guerrilha atuava sob o comando de um novo caudilho, Vicente Guerrero. Contra ela foi enviado um exército liderado por Agustín de Iturbide. Entretanto, os chefes chegaram a um acordo, o plano de Iguala, pelo qual se celebrou a declaração de independência sob um teórico domínio da coroa espanhola e sobre a base do respeito aos privilégios da Igreja Católica. Esse projeto de independência para um México conservador e absolutista reuniu em torno de si as principais forças políticas do país, e o vice-rei espanhol, Juan Ruiz de Apodaca, teve que renunciar. Pelos tratados de Córdoba, Iturbide estipulou com o novo vice-rei liberal, Juan O'Donojú, a retirada sem luta das tropas espanholas e a formação de um governo provisório. O México alcançou por fim a independência, em 28 de setembro de 1821.
A momentânea convergência de interesses entre os principais setores da sociedade mexicana -- oligarquia de latifundiários, burguesia liberal e campesinato sem terras -- durou pouco tempo. Num primeiro momento, pareceu triunfar o projeto absolutista da oligarquia. Após conseguir que grande parte da América Central se incorporasse voluntariamente ao novo estado independente, Iturbide deu um golpe de estado em 18 de maio de 1822, silenciou os elementos liberais do Congresso e se fez proclamar imperador com o nome de Agustín I. A reação de Guerrero, que se lançou de novo à guerrilha, e a sublevação do general Antonio López de Santa Anna em Jalapa, Veracruz, forçaram a abdicação do imperador em março do ano seguinte. Desterrado, Iturbide tentou recuperar o poder um ano mais tarde, mas foi capturado e executado. O Congresso, dominado pelos liberais, aprovou uma constituição republicana e federal. Em 4 de outubro de 1824, prestava juramento o primeiro presidente dos Estados Unidos Mexicanos, o general Guadalupe Victoria.
República: Santa Anna. Os primeiros tempos da nova república foram difíceis. Com a abdicação de Iturbide, os territórios da antiga audiência da Guatemala se separaram do México, com exceção de Chiapas. As lojas maçônicas lutavam entre si pelo poder e em poucos anos sucederam-se vários golpes de estado. Por outro lado, o país não conseguia reanimar a economia e se endividava com o Reino Unido. Em 1825 foi abolida a escravidão. As tensões internas provocaram a expulsão de residentes espanhóis em 1827. Dois anos mais tarde foi rechaçada a invasão de um corpo expedicionário espanhol, que tentou desembarcar em Tampico para reconquistar a antiga colônia. A situação social era instável, e os sucessivos governos não puseram fim à submissão semifeudal das massas campesinas.
Guerrero se ergueu em armas contra o governo, mas após alguns êxitos iniciais, foi derrotado e fuzilado em fevereiro de 1831. O general Santa Anna se revoltou pouco depois e, no ano seguinte, eleito presidente da república, fez reformar a constituição segundo um modelo centralista. Santa Anna dominou a cena política mexicana durante mais de duas décadas. Foi um período de anarquia militar, revoltas e problemas econômicos e sociais. Em 1836, o território do Texas, no qual se havia fixado grande número de colonos procedentes dos Estados Unidos, proclamou sua independência. Santa Anna correu à frente de seu exército para sufocar a rebelião, mas foi derrotado pelo general Samuel Houston em San Jacinto e obrigado a reconhecer a independência do território.
Nove anos mais tarde reiniciou-se a guerra, dessa vez com intervenção direta dos Estados Unidos. Um corpo expedicionário procedente de Nova Orleans ocupou a cidade de Veracruz, de onde avançou até tomar a capital mexicana. Em 2 de fevereiro de 1848, firmou-se o Tratado de Guadalupe Hidalgo, pelo qual o México teve que ceder aos Estados Unidos o Texas, a Alta Califórnia e o Novo México.
Novamente no poder, Santa Anna não foi capaz de controlar a situação de desordem em que se achava o país. Para equilibrar as finanças públicas, não encontrou melhor solução do que a venda de novos territórios aos Estados Unidos por dez milhões de dólares. Isto provocou uma forte reação nacionalista que obrigou o caudilho a abandonar definitivamente o país em 1855.
Benito Juárez e Maximiliano. Após a fuga de Santa Anna, tomou o poder um governo liberal presidido por Juan Álvarez e apoiado por amplos setores populares. Logo destacou-se entre os liberais Benito Juárez, um índio zapoteca que, como governador de Oaxaca, seu estado natal, se distinguira pela honestidade e eficiência. Juárez impôs uma legislação de caráter progressista, que irritou a igreja e os setores mais conservadores e fez recrudescer a oposição ao governo liberal. Este reagiu com a promulgação, em fevereiro de 1857, de uma constituição laica e progressista. Apesar disto, o presidente Ignacio Comonfort, incapaz de enfrentar a excomunhão decretada pelos bispos, renunciou e o partido clerical proclamou presidente o conservador Félix Zuloaga. Um grupo de representantes liberais se reuniu em Querétaro, reafirmou a constituição de 1857 e proclamou Juárez presidente. O país se viu de novo numa revolução civil, a guerra da reforma, que durou três anos.
Em 11 de janeiro de 1861, Juárez entrou triunfante na capital. Os bens da igreja foram desapropriados e as hierarquias eclesiásticas desterradas. Juárez decretou também a suspensão do pagamento da dívida externa durante dois anos, o que foi tomado como pretexto por algumas potências européias para promover uma intervenção militar. Em janeiro de 1862, chegou a Veracruz uma expedição conjunta de britânicos, franceses e espanhóis. O general Juan Prim, chefe das tropas espanholas, negociou com as autoridades mexicanas e logo retirou suas tropas. O contingente britânico também deixou o México, mas as tropas francesas enviadas por Napoleão III não aceitaram negociações e, após uma derrota inicial, foram reforçadas e se apoderaram da capital em 11 de junho de 1863.
Um plebiscito convenientemente convocado pelas tropas de ocupação e seus colaboradores, muito numerosos entre as classes altas, transformou o México em império e ofereceu a coroa ao candidato de Napoleão, o arquiduque austríaco Maximiliano de Habsburgo. Maximiliano I instalou sua corte na Cidade do México em junho de 1864, mas seu relativo liberalismo e respeito pela legislação progressista de Juárez provocaram o distanciamento da igreja e das classes conservadoras, embora nem por isso lograsse ampliar sua base entre os liberais e o povo. Juárez, enquanto isto, se fortaleceu no norte do país; só a presença do corpo expedicionário francês garantia o poder imperial. Quando Napoleão III, em 1867, decidiu retirar suas tropas, Maximiliano ficou a mercê do caudilho liberal. Após ser derrotado em Querétaro, o imperador foi feito prisioneiro e fuzilado nesta mesma cidade. Em 15 de julho de 1867, Benito Juárez fazia sua entrada triunfal na capital mexicana. Seu governo, interrompido por sua morte em julho de 1872, caracterizou-se por uma profunda reforma administrativa, da educação e da justiça; Juárez fincou os alicerces do México como uma nação moderna, laica e progressista.
O "porfiriato". Com a morte de Juárez, de novo começou a discórdia civil. Sebastián Lerdo de Tejada continuou a obra de seu antecessor, mas foi derrotado por uma revolta. O general Porfirio Díaz, que se destacara na luta contra Maximiliano, fez-se proclamar presidente da república em maio de 1877. Seu domínio sobre o México se prolongou durante mais de seis qüinqüênios, embora em 1880 e 1884 Manuel González tenha sido nomeado presidente da república.
Foram anos de progresso material, durante os quais teve início a industrialização do país e consolidou-se o mercado interno, graças à construção de estradas e ferrovias. Esses meios de transporte tornaram acessíveis as terras tropicais do sul, onde se estenderam os cultivos de café e sisal, e as grandes extensões semidesérticas do norte, onde se desenvolveram as fazendas de gado e os campos irrigados. Porfirio Díaz conseguiu dar consistência à imagem do México no exterior, cumpriu escrupulosamente as obrigações internacionais e começou a ser considerado um interlocutor válido pelas grandes potências do momento. No entanto, internamente o porfirismo se apoiou na corrupção generalizada. As grandes massas sem terras não viram melhorar sua situação, enquanto um incipiente proletariado urbano começava a agitar-se nas principais cidades. Sob uma aparente normalidade constitucional, o poder férreo de Díaz conseguiu manter o país livre das discórdias civis durante um longo período, pela primeira vez na história do México independente.
Revolução. As diferenças econômicas entre uma classe alta cada vez mais rica e um povo faminto e analfabeto tornaram-se cada vez maiores até que uma nova reeleição de Porfirio Díaz, tida como fraudulenta, fez alastrar-se pelo país uma forte onda de descontentamento. A revolução explodiu em novembro de 1910. Porfirio Díaz se viu obrigado a seguir para o exílio em maio de 1911, e morreu pouco depois em Paris. Assumiu a presidência da república seu principal oponente, Francisco Madero. Com o assassinato deste, em fevereiro de 1913, subiu ao poder Victoriano Huerta, que ignorou a constituição enquanto o país se afundava na guerra civil; os Estados Unidos, que apoiavam a oposição constitucional contra o golpista Huerta, apoderaram-se temporariamente de Veracruz. Vários caudilhos populares -- Emiliano Zapata, Venustiano Carranza, Álvaro Obregón, Francisco Villa -- pressionaram Huerta, que teve que abandonar o poder em 1914. Uma convenção realizada em Aguascalientes não conseguiu resolver a rivalidade entre os caudilhos revoltosos. Carranza tomou o poder e com o apoio de Obregón derrotou Villa e Zapata; em 1917, promoveu também a redação de uma constituição avançada, mas a situação política estava ainda muito distante da normalidade.
Consolidação política. Após o assassinato de Zapata e a derrota de Carranza pelo general Obregón, um acordo político entre os caudilhos revolucionários sobreviventes proporcionou ao país, por fim, a ansiada paz. Adolfo de la Huerta foi indicado presidente interino e pôs em marcha uma profunda reforma agrária. A Huerta seguiu-se o primeiro presidente plenamente constitucional, Obregón, que impulsionou a divisão de terras e a reorganização do sistema educativo.
Durante o governo do general Plutarco Elías Calles (1924-1928) ocorreu a primeira institucionalização do regime revolucionário. Em 1925, criou-se o Banco do México. Entre 1927 e 1930, entretanto, a aplicação de leis anticlericais levou a uma sangrenta rebelião camponesa, concentrada principalmente no oeste do país.
Embora os princípios revolucionários fossem contrários à reeleição, Obregón se reelegeu em janeiro de 1928, mas foi assassinado pouco antes de tomar posse, o que levou ao poder Emilio Portes Gil. Diante do perigo de um novo período de discórdias, Calles conseguiu reunir os diferentes grupos revolucionários e criou, em 1929, o Partido Nacional Revolucionário, chamado desde 1938 Partido da Revolução Mexicana e, desde 1946, Partido Revolucionário Institucional (PRI). Graças ao apoio desse partido, os líderes puderam suceder-se uns aos outros de forma pacífica e sem provocar grandes traumas na vida civil. Pascual Ortiz Rubio assumiu, em 1930, a presidência da república, e foi substituído três anos mais tarde, devido a suas disputas com Calles, por Abelardo Rodríguez. O general Calles, último sobrevivente das grandes figuras da revolução, exerceu forte influência sobre o processo político até 1935, ano em que foi afastado da vida pública pelo presidente Lázaro Cárdenas, a quem havia ajudado a eleger.
A revolução institucionalizada. Entre 1934 e 1940, o país foi governado por Lázaro Cárdenas, que acentuou o caráter reformista do governo com a nacionalização das ferrovias e da indústria petroleira. Fortaleceu o poder dos sindicatos de trabalhadores e ajudou o governo republicano da Espanha na guerra civil que assolou aquele país de 1936 a 1939. A melhoria nas relações entre a igreja e o estado favoreceu a paz social, e a proximidade dos Estados Unidos contribuiu para a estabilização política. O longo período revolucionário e reformista chegava ao fim. Em 1940, o México já era um país moderno e independente, socialmente progressista e com bases sólidas para empreender um firme desenvolvimento econômico.
O presidente Manuel Ávila Camacho (1940-1946) procurou mais a fixação do sistema do que sua renovação. Melhorou as relações com a igreja e alinhou o México com as potências aliadas na segunda guerra mundial. A principal contribuição do México aos aliados foram as matérias-primas para a indústria bélica americana. As dificuldades de abastecimento externo obrigaram a acelerar o processo de substituição de importações por artigos de produção nacional, o que favoreceu o desenvolvimento da indústria leve.
Miguel Alemán (1946-1952) concentrou seus esforços no estímulo a novas fontes de riqueza. Durante seu governo praticamente ficou paralisada a reforma agrária, embora tenha prosseguido com vigor a industrialização do país. Sucederam-lhe Adolfo Ruiz Cortines (1952-1958) e Adolfo López Mateos (1958-1964). O primeiro buscou uma estabilização das finanças públicas, desequilibradas no regime anterior, e outorgou o voto feminino (1955); o segundo promoveu maior crescimento e nacionalizou a indústria elétrica.
Gustavo Díaz Ordaz (1964-1970) conseguiu em seu governo um rápido crescimento econômico num quadro de inflação reduzida. Mas a partir de julho de 1968 teve de enfrentar um movimento estudantil de protesto de força crescente, que culminou em 2 de outubro -- pouco antes do início dos Jogos Olímpicos no país -- com uma matança de estudantes na praça das Três Culturas, em Tlatelolco. Luís Echeverría (1970-1976) tentou converter o México em vanguarda política dos países do Terceiro Mundo e adotou uma retórica cada vez mais radical. Aumentou desmesuradamente os gastos públicos, o que se traduziu numa crescente inflação e num forte aumento da dívida externa. Isso provocou uma drástica desvalorização do peso, em agosto de 1976, após 22 anos de estabilidade cambial.
José López Portillo (1976-1982) manteve uma política de austeridade durante os primeiros anos de governo, com o que reduziu o déficit e a inflação. Aproveitou os altos preços internacionais do petróleo para promover fortemente a indústria petrolífera e aumentar mais uma vez a despesa pública. Além disso, quadruplicou a dívida externa do país. Diante da escalada inflacionária, o peso se desvalorizou novamente em 1982, em meio a uma aguda fuga de capitais. O governo se viu obrigado a renegociar os pagamentos da dívida externa e estatizou os bancos, sem com isso conseguir pôr fim à crise.
Miguel de la Madrid Hurtado (1982-1988) reduziu o gasto público numa tentativa de diminuir a inflação, mas o elevado serviço da dívida externa, as conseqüências de um devastador terremoto em 1985 e a abrupta queda do preço do petróleo dificultaram o êxito de sua tentativa. Ainda que o crescimento econômico tenha praticamente cessado, as finanças nacionais foram consideravelmente saneadas.

Carlos Salinas de Gortari assumiu a presidência em 1988, depois das eleições mais disputadas na história do país. Deu início a um programa de desestatização e privatizou três siderúrgicas deficitárias. Em 1991, foi aprovada a emenda que derrubou a lei que bania o ensino religioso e proibia os sacerdotes de votar. Em setembro de 1992, Salinas reatou com o Vaticano e pôs fim a um afastamento de 125 anos. A 1º de janeiro de 1994, dia em que entrou em vigor o acordo do NAFTA (Área de Livre Comércio da América do Norte), grupamento econômico que reunia México, Estados Unidos e Canadá, um grupo guerrilheiro do estado de Chiapas iniciou um movimento armado reprimido com vigor pelo governo. Em 23 de março de 1994, o candidato à sucessão presidencial pelo Partido Revolucionário Institucional (PRI), Luis Donaldo Colosio Murrieta, foi assassinado em Tijuana, após um comício. Nas eleições de 21 de agosto, venceu seu correligionário Ernesto Zedilla, que tomou posse em 1º de dezembro. Logo depois, porém, uma forte desvalorização do peso precipitou uma fuga dos capitais estrangeiros e provocou uma grave crise no país. A economia mexicana se recuperou a partir de 1996 e o país chegou a apresentar um crescimento de 7% ao ano.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

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