quarta-feira, 31 de julho de 2013

POVOS SAMBAQUIS

Algumas transformações na natureza provocaram, a mais ou menos 10 mil anos atrás, o deslocamento das populações que habitavam o continente americano. Uma dessas transformações foi a elevação dos níveis de temperatura e dos oceanos, que motivaram os homens a desse período a se deslocarem para as áreas litorâneas da América. Tal fato foi comprovado através de estudos em meios aglomerados de conchas e restos de peixes, que juntos, chegavam a trinta metros de altura. O nome desse tipo de formação calcária ficou conhecida como “Sambaqui”, um termo em tupi que significa “monte de conchas”.
 A tese que afirma a existência dos povos sambaquis é que a sucessão de comunidades litorâneas foi responsável pela acumulação de conchas, ossos de peixes e outros restos de alimentos, situadas próximas a vestígios de casas e ossadas humanas. Com o passar de milênios, esses depósito alcançaram grandes alturas que deram origem a um sambaqui.
 A formação dessas sociedades desencadeia também a transformação dos hábitos alimentares do homem pré-histórico das Américas. Com o passar do tempo, tudo que era comum como prática alimentar como a caça e a coleta, vão perdendo espaço aos pouco para uma dieta marcada principalmente pelo consumo de peixes, crustáceos e outros frutos do mar. Podemos citar também que, após examinar a estrutura interna e os terrenos próximos aos sambaquis, percebemos que suas comunidades desenvolveram o artesanato, a escultura e o trabalharam com a pedra polida.
 No Brasil, os sambaquis podem ser encontrados ao longo do litoral nordestino, no Rio de Janeiro, em São Paulo e em outras partes do litoral gaúcho. Os maiores sambaquis brasileiros foram encontrados nas cidades de São Francisco do Sul, Jaguaruna, Laguna e Garuva, no estado de Santa Catarina, onde temos formações com 30 metros de altura e 400 metros de extensão. Já o mais antigo sambaqui brasileiro foi encontrado no Vale do Ribeira, em São Paulo, e tem aproximadamente nove mil anos de existência.
 Também por outras partes do continente americano, se noticia a existência dos sambaquis. Em diversas partes e áreas da cordilheira dos andes, no litoral dos Estados Unidos, no Peru, e no Chile, é onde encontramos outros vestígios dessa importante população pré-histórica. Mais do que reportar um dado do passado, a pesquisa sobre os sambaquis vem traçar o surgimento e os deslocamentos humanos nas Américas.
 O povo sambaqui tinha algumas características físicas marcantes, e uma delas está nas diferentes alturas dos esqueletos de homens, com uma média de 1,60m , e de mulheres com 1,50m , ambos vivendo de 30 a 35 anos de idade.
 O tórax e os membros superiores bem desenvolvidos nos levam a crer que os indivíduos eram bons nadadores e provavelmente remadores de canoas. Essa suposição é apoiada também pelo resto de peixes de especies como a garoupa e miragaia, tipicas de regiões mais profundas e com pedras que, para serem capturadas, exigiriam que o pescador se deslocasse da beira da praia.
 Uma outra característica é o desgaste da arcada dentaria em determinadas regiões da mesma, que nos dá a ideia de que consumiam alimentos duros e abrasivos.
 No Brasil o estudo do sambaqui é algo ainda recente e mesmo em toda América do sul são poucas as análises seriamente estudadas.
Pedro Augusto Rezende Rodrigues 

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